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Hoje – como sempre – vivemos numa sociedade de fraca mentalidade desportiva, em que a única coisa mais parecida com desporto que nos desperta interesse é ver a “bola” aos fins de semana. Digo “ver a bola”, mas não é uma qualquer: é apenas a de jogar com os pés (salvo raras excepções), em que jogam onze contra onze (pelo menos segundo as regras da modalidade).
Para a grande maioria dos sócios e adeptos, um clube desportivo só é grande se ganhar títulos no futebol, o que me parece redutor. Para isso, seria apenas um clube de futebol. Sendo um clube desportivo, terá que apostar em desporto no seu todo, e nas várias vertentes que o mesmo comporta.
Ora eu, que já pratiquei várias modalidades – principalmente relacionadas com atletismo –, só poderia identificar-me com um clube. O único, desde sempre, que é um verdadeiro clube desportivo, com aposta em várias modalidades, e com títulos nacionais e internacionais conquistados. Muitos outros lhes seguiram recentemente o exemplo, mas o original será sempre o grande Sporting Clube de Portugal.
Seremos sempre o clube que originalmente apostou no ecletismo; no entanto, isso, por si só, não nos garante que venhamos a ser eternamente o clube mais forte nessa vertente. Para que isso aconteça, temos que manter activa a aposta na formação de jovens – apostando também em jogadores de qualidade internacional –, e sobretudo tentar manter alguns dos grandes atletas que temos nos nossos plantéis para que se possam tornar porta-estandartes dos valores, da vontade de vencer, do ser Sporting, e passá-lo para os mais jovens e para os que chegam ao clube.
A actual direcção apostou muito forte em várias modalidades, construindo plantéis recheados de valor. No entanto, e apesar de até termos ganho alguns títulos internacionais, ainda que em ligas secundárias (são títulos que nos engrandecem), não conseguimos ser suficientemente consistentes para lutar em competições de regularidade contra grandes clubes que são agora referências nacionais em cada uma das modalidades. A qualidade existe, faltará apenas alguém que consiga passar a mística do clube e a importância que determinados jogos têm, fazendo os atletas sentirem-se obrigados a transcenderem-se para garantir a vitória. Apesar de algumas modalidades não estarem sob gestão directa do clube, ostentam o símbolo, que devem respeitar e ter orgulho em representar.

Fonte: Sporting CP
Ouvir jogadores a dizer “Somos Sporting, nada nem ninguém nos vergará” é bonito, sim senhor, e os adeptos gostam; mas preferimos quando demonstram isso em campo. Porque nós somos Sporting e queremos que lutem por nós, para nos darem alegrias com vitórias, e sobretudo atitude em campo.
Não podemos continuar a ser o clube do “deixa andar”, à espera que tudo se resolva por si só. É verdade que isso está a mudar com a atual direção, mas parece que ainda não chegou a todos. Todos têm de ter a noção de que sempre fomos, somos, e seremos o clube que tem de lutar sempre mais que os outros para ganhar, e por isso não pode haver relaxamento, descompressão ou descontracção até que o árbitro termine o jogo.
É verdade que algumas modalidades não têm ainda as condições ideais de trabalho devido ao facto de andarem permanentemente com “a casa às costas”, mas dois dos resultados do passado fim de semana aconteceram unicamente por desconcentração e falta de atitude, ou porque se convenceram antecipadamente de que estava garantida a vitória. Mas não jogamos sozinhos, e por isso os jogadores e técnicos devem ter a inteligência de saber condicionar o jogo do adversário, ainda mais quando se consegue uma vantagem tão preciosa contra adversários tão fortes e com tanta tradição nas respectivas modalidades. Se queremos crescer, é nesses jogos que temos que começar a vencer regularmente.

Fonte: Sporting CP
Porque apesar das condicionantes que os atletas possam sentir, saibam também que muitos dos que pagam para os ver talvez tenham dado preferência a ver o seu clube jogar, “esquecendo” que no dia seguinte têm que pagar as suas necessidades básicas de vida. E alguns deles, durante a semana, pouco mais têm que a vitória do seu clube para lhes trazer alegria suficiente para superar (ou tentar) as dificuldades que lhes vão surgir.
Ainda relativamente às condicionantes, se considerarmos o exemplo do futsal (apesar de quase ter acontecido uma reviravolta também nos juvenis), todas ficariam sem efeito, uma vez que a qualidade do plantel é complementada por uma equipa técnica e directiva bastante competentes, com uma ambição enorme, e que tem em alguns dos grandes capitães que já passaram no nosso clube a mística de ganhar pelo Sporting. Toda essa vontade supera as dificuldades; no entanto, vamos considerar esse exemplo como uma excepção que queremos tornar regra.
Foto de capa: Sporting Clube de Portugal









