Publicidade

O Voleibol voltou

Rodrigo Fernandes · 4 min

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 1O Voleibol está de regresso ao Sporting Clube de Portugal! Uma excelente notícia, sem qualquer dúvida, mas que não me deixa de levantar algumas preocupações, talvez até infundadas.

A primeira e principal é a forma como chegamos ao Voleibol. Já num outro artigo para o Bola na Rede (que pode ler aqui) tinha escrito que não concordo nada com entradas diretas nas divisões de topo. A sede pelo sucesso faz parte, é óbvio, mas esta sede pelo sucesso imediato não se alia muito ao que é o Desporto. Para se ser bom é preciso trabalhar para alcançar os melhores. É verdade que não infringimos nenhuma regra nem compramos nenhum clube, entramos apenas por um erro da própria federação. Sou totalmente a favor do começo pelo fundo e que se cresça. Nem digo começar com a formação e crescer até aos seniores, digo começar na divisão mais baixa e subir até à principal.

Por falar nisto, espero que a direção do Sporting explique aos seus sócios porque acabou com a equipa de Basquetebol feminino o ano passado com a desculpa de que queriam ter primeiro a formação e só depois arrancar com as equipas seniores mas menos de um ano depois já se pode criar uma modalidade sem pensar em mais nada. Ficava bem à direção, em especial Bruno de Carvalho, que foi o responsável pelo fim da equipa feminina e foi ao mesmo tempo o principal impulsionador da equipa de Voleibol, segundo revelou Vicente Moura. Acredito que existam motivos válidos para cada um dos casos, gostava era de os conhecer.

Mas vamos agora ao que interessa, a equipa e os jogadores. Miguel Maia vai ser o homem forte do Voleibol no Sporting. Um nome que já se falava há alguns anos como possibilidade e que se confirmou este ano. Miguel Maia, que podem conhecer mais aqui, é provavelmente o melhor jogador português de sempre, jogou no Sporting Clube de Portugal entre 1991 e 1994 e jogou no Sporting de Espinho durante muito tempo, incluindo a temporada que acabou agora. Indo, aos 46 anos, fazer pelo menos mais uma temporada como jogador pelo seu clube, como nunca escondeu.

Existem vários nomes possíveis para ser o treinador leonino, incluindo o próprio Miguel Maia. Sinceramente espero que não aconteça isto. Os nomes apontados, além de Miguel Maia são: Hugo Silva, Alexandre Afonso e António Rodrigues. Eu ia para o nome do meio, por ser o que conheço melhor, mas no entanto assumo que não sou o melhor conhecedor do mundo do Voleibol e como tal esta poderia não ser a melhor opção. Hugo Silva, que é o atual selecionador, parece ser o nome mais forte.

Quanto a jogadores, a equipa não deve fugir muito desta lista: Miguel Maia, Caíque Silva, José Pedro Monteiro, Hugo Ribeiro, João Simões, Marco Ferreira, Kibinho, Robinho, Renan, Jonathan Nunes, Roberto Reis e um reforço venezuelano. O plantel tem sem qualquer dúvida qualidade, mas é também algo envelhecido. Para um ano de estreia em que é preciso reunir certos requisitos serve, mas é preciso começar desde já a procurar os mais jovens talentos portugueses, isto se queremos ter uma equipa para lutar pelo título daqui a cinco anos. É importante não cometer os mesmos erros do Hóquei em Patins e confio no Diretor para que tal aconteça. Quanto ao título já na próxima temporada, poderá acontecer, mas será certamente muito difícil, nada que trabalhar bem não resolva.

Um dos fatores que pode ajudar é o local dos treinos. O Sporting vai treinar no Norte do país, Cinfães deverá ser o local escolhido para os treinos, tirando o antes do jogo em casa que será sempre no Pavilhão João Rocha. Esta é uma questão que me levanta muitas dúvidas, mas também algumas certezas.

Miguel Maia será o homem forte deste regresso Fonte: Portal Sporting Memória
Miguel Maia será o homem forte deste regresso
Fonte: Portal Sporting Memória

Treinar no Norte permite atrair mais jogadores, uma vez que não se pratica Voleibol no Sul, praticamente. Assim permitimos que os nossos jogadores possam estar mais perto das famílias e trabalhos. Por outro lado o fator casa pode ser menos decisivo, uma vez que a equipa não treinará muitas vezes no pavilhão em que fará os seus jogos caseiros. Eu apesar de tudo concordo com a ideia, pelo menos no início da secção. Em 2019/2020 a equipa já terá de treinar cá em baixo. O nome Sporting Clube de Portugal nunca fez tanto sentido como neste caso.

Para terminar, a nível de formação pouco se sabe. Existirá formação e será em Lisboa. Agora se em ambos os sexos, ou só em masculinos, e em que escalões ainda nada se sabe. Espero que exista formação em ambos os sexos. O desporto ser só no masculino já é do passado e até têm sido as meninas a darem-nos maiores alegrias. Provavelmente na próxima semana tudo será revelado sobre o Voleibol; o certo é que o Sporting está cada vez mais a regressar ao que era e a confirmar o porque de ser a maior potência desportiva nacional.

PS: A foto de capa é a última equipa do Sporting na modalidade, então na época 1994/1995

Foto de Capa: Wiki Sporting

Rodrigo Fernandes

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.