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Anteriormente ao abandono da “medianiazinha” que cercava o futebol português, eu já sentia saudades. A pandemia limitou-se – apenas – a despejar um litro de mercúrio em cima de uma ferida, sem aviso prévio. No fundo, em Portugal, a modalidade apresenta síndromes do sketch dos Gato Fedorento que se digna a descrever o quotidiano de um calceteiro: o Sporting Clube de Portugal, por mais que calcete – é assim que se escreve, não é? – nunca ganha.
– “E um dia, prestes a chegar o Natal, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
– “E um dia, prestes a chegar ao Natal, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
– “E um dia, prestes a chegar a Páscoa, o que acontece? Nada de especial, o Sporting CP está fora da luta pelo título. Uma medianiazinha, uma medianiazinha…”
A conclusão está na cabeça do leitor, não vou bater mais no ceguinho.
Com o mister Jorge Jesus – masque corretamente a pastilha elástica – nada se alterou no que à dilaceração vencedora disse respeito. Contudo, e principalmente no reduto do adepto jovem, cresceu uma modorra de ilusão, uma sensação que possivelmente só aos revolucionários da estirpe de Soares ou Cunhal (entre tantos outros) pertenceu e um cheirinho a arrufo no esquema social e nos códigos que o regem à semelhança do legado deixado, por exemplo, pela Beat Generation.
De forma a combater ou ludibriar as saudades que sente desses tempos que pareciam sentenciar-se com felicidade, são descritos cinco jogos característicos da Era de JJ:
5.
Vitória SC 0 – 5 Sporting CP (2017/2018): Vitória categórica num campo tradicionalmente difícil. Jogo facilitado pelas peças adquiridas no mercado de transferências e pela sua disposição em campo. A meio campo, a triangulação Adrien – Battaglia – Bruno Fernandes a surtir o efeito desejado. Acuña e Gelson, máquinas percursoras do ataque leonino, tiveram postura exemplar nos movimentos ofensivos. Bas Dost com instinto letal. O setor mais recuado travou todas as investidas de Raphinha, foi imperial na disputa aérea e tirou bola à turma vimaranense. Jogo taticamente perfeito.
4.
Steaua de Bucaresti 1 – 5 Sporting CP (2017/2018): o mind-game utilizado na conferência de imprensa do pré-jogo foi fundamental. Jesus colocou a pressão do lado do adversário consciente, de antemão, que era ele quem a tinha derivado ao preocupante 0-0 em Alvalade. Na Roménia, a estratégia utilizada foi de inteligência superior: Doumbia no onze inicial para conferir velocidade com o apoio de Bruno Fernandes e Gelson e Acuña a suportar as vigas do meio campo, socorrendo Adrien e Battaglia. A entrada foi de leão e seguiu-se o relaxamento e o domínio dos romenos até ao intervalo. A segunda metade é um hino ao futebol e ao contra-ataque.
3.
Real Madrid 2 – 1 Sporting CP (2016/2017): Um dos jogos de JJ que merecia um desfecho diferente. Defronte do vencedor da última edição da UEFA Champions League, desconheceu-se a terminologia de “equipa mais fraca”. Jorge Jesus delineou a estratégia (quase) na perfeição. O embate travou-se de olhos nos olhos. Gelson, Adrien, Coates, Bruno César e William Carvalho reduziram a equipa madrilena a (quase) cinzas, a sapiência defensiva da equipa leonina arrastou o adversário às cordas durante os 90 minutos e a planificação de cada investida ofensiva era realizada ao pormenor, facto que causou inúmeras dificuldades a Sérgio Ramos e compª. Quase que podia ter escrito este parágrafo sem a partícula “quase”.
2.
SC Braga 0 – 4 Sporting CP (2015/2016): Praticamente, o título estava entregue. Se alguém me dissesse, no início da temporada, que o Sporting CP iria reunir 86 pontos e acabar na segunda posição da tabela classificativa, diria que tal frase foi proferida aquando do rebentar de um disjuntor no cérebro. Esta exibição culmina uma época de – mais uma vez – (quase) glória. João Mário era a batuta, William o relógio e Adrien o pulmão. Slimani o homem golo, Bryan a execução técnica e Patrício a muralha. Quatro portentosos tentos apontados ao SC Braga não chegaram para acabar com a fome…
1.
SL Benfica 0 – 3 Sporting CP (2015/2016): 25 de outubro de 2015 ficará para sempre na minha memória como o dia em que se depenou o eterno rival sem como nem porquê. O maior banho tático alguma vez visto ocorreu em pleno Estádio da Luz. O SL Benfica menosprezou a força interior do Sporting CP, por mais que digam o contrário. A eterna fábula das “favas contadas”. A equipa maravilha, bicampeã, caiu com estrondo. A águia levou uma lição tática de tal tamanho que impossibilitou o voo ou a chamada para o mesmo. Jonas e Gaitán metaforizaram o deserto. Jorge Jesus venceu categoricamente em todas as batalhas travadas naquele dia, apesar de na do “bate-boca” ter exagerado…











