Após mais de dois meses sem competição, estamos prestes a retomar a Primeira Liga. Parece que vai começar uma nova época e que esta paragem se traduziu apenas nas férias dos jogadores. Mas não. A pandemia apareceu e foi devastadora para o futebol português, deixando esta indústria de pernas para o ar e um pouco à deriva. Na direção da Liga surgem problemas atrás de problemas, e a estabilidade está longe de ser uma realidade. Existe um passado não muito distante que parece que acabou por se perder no tempo. Com os holofotes apontados noutro sentido, quem acabou por ganhar foi a Direção. Certamente lembram-se da enorme contestação a Frederico Varandas ainda antes da paragem do futebol. A COVID-19 surgiu não só como uma catástrofe mundial, mas também como um balão de oxigénio para muitas pessoas. Quase que soa a hiperbolização. Mas vamos analisar até ao fundo da questão.

Frederico Varandas e a sua equipa estavam a sofrer uma enorme contestação, que subiu de nível semana após semana. O trabalho realizado por esta Direção tem sido bastante criticado, e a satisfação dos sportinguistas está longe de ser unânime. A primeira manifestação, marcada para dia 9 de fevereiro, contou com mais de três mil adeptos a contestar o Conselho Diretivo. Por magia, tentou-se abafar essa manifestação por alegadas agressões a membros da Direção, algo que nunca foi provado até à data, e que apenas serviu para desviar as atenções daquilo que realmente importava naquele dia.

Os maus resultados continuaram, e Jorge Silas acabou por ser despedido de forma amadora, sendo o próprio a anunciar aquele que viria a ser o seu sucessor: Rúben Amorim. Varandas joga o seu último trunfo com a vinda do ex-técnico bracarense, pagando um valor astronómico que já vai em, pelo menos, 14 milhões de euros.

No dia 8 de março, Rúben Amorim estreia-se em Alvalade frente ao CD Aves, jogo que acabou por ganhar 2-0. Para esse dia, estava marcada mais uma manifestação, que contou novamente com milhares de adeptos leoninos. Mais uma vez, tentou-se abafar o ruído e a insatisfação dos adeptos com o assunto na ordem do dia: Rúben Amorim.

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E então chega a pandemia. Decretado o Estado de Emergência, Portugal parou e o confinamento instalou-se nesta nova realidade. A competição ficou em stand by e, logicamente, os sportinguistas estavam impedidos de fazer ajuntamentos para se manifestarem. E é aqui que Varandas respira e ganha o tal balão de oxigénio.

É feita uma campanha descarada de autopromoção. O presidente surge em capas de jornais, telejornais e afins como o “Doutor Coragem” que voluntariamente se disponibilizou para retomar a atividade médica e ajudar no combate ao vírus. Se acham que ver o Presidente do Sporting CP a chegar fardado não é premeditado, expresso aqui as minhas dúvidas em relação a isso, para que ajude na vossa reflexão.

Com todo este mediatismo, o ego de Varandas cresceu. Como o assunto da atualidade era “saúde”, e ele é médico, Frederico Varandas pensou que estaria apto para falar sobre futebol e saúde. E sabem qual é a pior coisa que podem fazer ao Presidente do Sporting? Colocar-lhe um microfone à frente.

Entrevistas à TVI, SIC e ao Canal 11. Todas elas absurdas e nas quais Varandas conseguiu, uma vez mais, ser alvo de chacota. E a minha pergunta é: para quando uma entrevista à Sporting TV? Fica a ideia de que o canal do clube está um pouco esquecido.

Com esta paragem, Frederico Varandas respirou tanto que até teve tempo de lançar um Planeamento Estratégico para o clube. Esse documento engloba medidas que já tinham sido referidas no programa eleitoral e que, supostamente, teriam de ter vindo a ser cumpridas. Assim, o Presidente publica um planeamento que nos dá a ideia de que o mandato está a começar agora e que tudo o que ficou para trás já não conta.

Apesar das várias manifestações nas redes sociais, as manifestações presenciais têm o outro peso. Ora, toda a mudança a nível mundial provocada pela pandemia ofuscou a insatisfação que já vem há muito sendo debatida entre os adeptos e sócios do Sporting Clube de Portugal. O discurso muda dia após dia. É transmitida a sensação de que não há estratégia, não há planificações… e quem vai pagar a fatura, uma vez mais, é o clube. Já estamos em 2020 e, mesmo assim, ainda ouvimos falar em todas as entrevistas sobre heranças pesadas e Alcochete. Ridículo!

É pena que a sua formação militar não tenha servido para combater aquilo que realmente importa. Perdemos mais tempo a combater pessoas que estão dentro do próprio Sporting CP do que a combater aqueles que nos têm prejudicado fora dele. Isso não é “Unir o Sporting”.

PS: Eu não quero Wi-Fi no estádio. Eu quero é um Sporting Clube de Portugal ganhador!

Foto de Capa: Candidatura “Unir o Sporting”

Artigo revisto por Mariana Plácido

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