Publicidade

Ser grande entre os maiores

Nuno Almeida · 4 min

Ser grande entre os maiores
Foto: Sporting Clube de Portugal

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sporting cp cabeçalho 2

A direcção do Sporting tem tomado medidas muito importantes para o futuro do clube, mas durante esse processo cometeu também muitos erros, como é normal em qualquer planeamento organizativo.

O segredo, nestes casos, será conseguir minimizar os estragos que os erros possam causar nos objectivos finais planeados.

Para quem tem por hábito ler os meus textos facilmente perceberá que apoio a actual direcção do meu clube; no entanto, não considero que tudo o que a mesma decide seja o mais acertado ou o mais eficaz para o bem do mesmo.

Considerar que se consegue gerir uma sociedade, uma empresa, ou o que quer que seja, sem errar, é ser utópico, por ser algo impossível de acontecer. O segredo será aprender com essas falhas, fazer melhor nas medidas futuras, e – não menos importante – tentar corrigir, em tempo útil, os erros cometidos.

Muitos desses erros acontecem sem que o público em geral se aperceba, por serem situações de foro interno da sociedade e do clube, ou por serem muito técnicas, ou simplesmente porque não são relevantes para o que interessa aos adeptos, que é ganhar jogos. Se tudo tivesse de ser discutido em praça pública, então nessa altura é que Bruno de Carvalho não poderia sair do Facebook. E sem dúvida de que prefiro vê-lo a tomar medidas de gestão ou operacionais em vez de o ver a responder a provocações.

Depois de dois anos de aprendizagem, Bruno poderá agora mudar a postura que tem à frente do clube Fonte: Sporting CP
Depois de dois anos de aprendizagem, Bruno poderá agora mudar a postura que tem à frente do clube
Fonte: Sporting CP

Isto leva-me a falar da medida tomada pela actual direcção de colocar nas mãos da justiça a decisão de condenar, ou não, medidas de anteriores dirigentes. Ninguém condenou ninguém, e só foram colocadas à apreciação situações que surgiram de uma auditoria prometida.

A auditoria foi feita, o que relevo, e decidiu-se levar à apreciação da justiça a questão sobre se há matéria para condenar ou não.

Neste caso só condeno o facto, segundo se sabe, de não se terem discutido as situações com os seus autores.

Outra questão que quero aqui referir é facto de o Sporting, ou a actual direcção, ter decidido responder a todas as provocações que surgem dos seus rivais, seja directa ou indirectamente, o que me parece necessário apesar de muitas vezes ser excessivo (pelo número de respostas que se dá). Considero que muitas das provocações não merecem resposta, por serem ridículas, ou pela credibilidade dos seus autores. Porque respondendo a estas situações corremos o risco de também nós cairmos no ridículo.

Deve-se escolher o que realmente é necessário esclarecer, e deixar o restante lixo para entupir redes sociais e comunicação social.

Por isto considero também que foi uma má decisão promover um programa, no canal do clube, que serve unicamente para satirizar um clube rival. Acho que não é útil ter um programa, nem que seja de um minuto, a falar exclusivamente de um clube rival. Aceitaria, se esse mesmo programa satirizasse todos os outros clubes e órgãos que gerem o futebol. Assim é dar importância a quem não a tem, pelo menos para o Sporting e a maioria dos Sportinguistas.

sporting cp cabeçalho 2

Quanto a este “sketch”, considero engraçado como página de apoio ao clube numa rede social, a fazer piadas de rivais que se possa partilhar com os mesmos, para os “arreliar”. Mais que isso é um erro (eu sigo a página e coloco “likes” em vários dos seus “posts”).

Houve também uma campanha que me incomodou, não pela campanha em si, mas pelo que se pedia aos sócios. A campanha oferecia uma refeição para quatro sócios e adeptos do clube, e o nome da mesma até tinha graça, por se referir aos “vouchers”, mas as palavras que eram obrigatórias para a participação não me pareceram indicadas. Esta iniciativa, apesar de querer fazer relembrar um assunto que aconteceu com um clube rival, deveria servir principalmente como uma forma saudável de interacção com os sócios, sem estes terem de se referir directamente a mais alguém que não o Sporting (entendo que serviu para dar novamente ênfase a uma batalha com o “eterno rival”, mas não deveria ser essa a finalidade principal).

O departamento de comunicação do clube deve, então, servir para valorizar o clube, falar da vida do clube, informar os sócios sobre o clube, e as batalhas que estão a ser travadas em prol do clube.

E quanto ao tema “comunicação”, encaminho-vos para o artigo da minha colega, também redactora deste site, que fala de uma medida tomada pelo clube, que resultou, que não tem a ver exclusivamente com o Sporting, mas com todos os clubes, mas relevo essencialmente para exemplificar o tipo de medidas em que a comunicação do clube se deve centrar.

A campanha contra a contrafacção foi um bom exemplo de Marketing, Fonte: Sporting CP
A campanha contra a contrafacção foi um bom exemplo de Marketing
Fonte: Sporting CP

A comunicação de um clube deve servir para publicitar o clube e não para inventar notícias menos abonatórias de clubes rivais para tentar ser grande entre os pequenos.

Temos de tentar ser grandes entre os maiores, focando-nos essencialmente em nós, e deixando os outros com as suas preocupações mundanas e mesquinhas.

Quanto ao facto de ter aqui indicado algumas situações que considero erradas (outros não terão achado, e estão no seu direito), tenho noção de que outras terão acontecido, talvez menos visíveis e mais impactantes para o clube, mas deixo aqui também a certeza de que a actual direcção tem acertado muito mais vezes do que as que errou, e por isso estamos novamente a lutar por títulos em todas as modalidades em que nos propusemos participar, e a reconstruir património que nos foi retirado.

PS – Quanto à proibição de qualquer indumentária com a cor vermelha, considero que é um não assunto; desde que os jogadores aceitem essa condição. Aposto que há por aí jornalistas e árbitros que não usam verde mesmo sem a obrigatoriedade de uma condição contratual mas por livre vontade. Jogador ou dirigente podem ser parciais, Árbitro ou jornalista não o deveriam ser.

Foto de Capa: Sporting CP

Nuno Almeida

Redação Bola na Rede · ver artigos