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Agosto é o mês da paragem, da lassidão do tempo, das horas de gozo, dos momentos de preguiça. O país pára, tudo pára. Se agosto fosse um jogo de futebol, diríamos que era a repetição em slow motion de toda uma época desportiva.
Mas em agosto, mês de férias, há muitos sportinguistas por esse Portugal fora. A comunidade emigrante sportinguista que regressa a Portugal para as merecidas férias é talvez a melhor explicação para este renascer do Leão em tempos de paragem e inércia proporcionado pelo mês de agosto. Basta uma viagem pelo interior do país, pela costa portuguesa ou pela zona sul para rapidamente se perceber a vitalidade dos adeptos leoninos trazendo consigo bandeiras, camisolas e outros símbolos dos Leões. Não menos importante é a existência dos núcleos sportinguistas nesta altura do ano, que se acendem de fulgor verde e branco para receber esses adeptos leoninos distribuídos por Portugal.

Fonte: Núcleo do Sporting Clube de Portugal de Tavira
Basta ver o número de sportinguistas que acompanhou a equipa de ciclismo na Volta a Portugal para se perceber o que estou a dizer. Não houve etapa nenhuma, curva ou sprint até à meta em que não se visse uma camisola, um cachecol, um símbolo alusivo ao clube de Alvalade. Isto mostra a grandeza do clube. E, por isso mesmo, importa dizer que neste mês de agosto, marcado pela lentidão, um sportinguista não tira férias. É que um sportinguista pode até estar de férias do trabalho, do cão, do gato, do canário, da rotina doméstica, mas nunca do Sporting. Um sportinguista não tira férias, não as pode tirar, o amor ao clube não deixa. Mesmo nas alturas em que não há jogos de futebol nem de nenhuma outra modalidade, o pensamento e o coração dos sportinguistas devem estar sempre no símbolo do clube.
Foi, por isso, com esta mentalidade verdadeiramente leonina que neste meu período de férias estive perto de dois núcleos/filiais dos Leões – o Núcleo Sportinguista de Ílhavo e a Filial do Sporting Clube de Parambos. Vou falar-vos um pouco deste último. Deu-se a circunstância – coincidente aliás todos os anos – de passar uns dias em Carrazeda de Ansiães. Sportinguista que vai a Carrazeda e não vai a Parambos é como ir a Roma e não ver o Papa. Parambos é mesmo a aldeia mais sportinguista de Portugal, frase que vemos mal entramos nesta aldeia de Carrazeda de Ansiães. O Sporting Clube de Parambos é a filial nº 89 do Sporting Clube de Portugal (fonte: www.forumscp.com ).
Este ano, infelizmente, fui a Carrazeda mas não fui a Parambos. A sensação quando regressei foi de incompletude, como se não tivesse feito o meu dever de Leão. Fi-lo nos outros anos em que lá estive, o ano passado vi mesmo lá um jogo de pré-época da nossa equipa. Não que não estivesse acompanhado de Sportinguistas que me “puxassem” para ir, mas as circunstâncias da retirada transmontana não ditaram tal destino. Fica para o ano, certamente.
Mas não se pense que o Sporting esteve ausente de mim nestes tempos de retirada transmontana. Coloquei a minha camisola do Sporting na mala antes de partir para férias e passei grande parte do fim-de-semana naquela vila transmontana a passear a camisola verde e branca do nosso grande clube. A sensação foi maravilhosa. Apenas uma “boca” me chamou a atenção, de um jovem da vila:

Fonte: Sporting CP
“- O que é que os “lagartos” andam aqui a fazer por estes lados?!”
Pelos vistos, os adeptos dos nossos clubes rivais também andam por aí de férias, por esse Portugal fora. Também são grandes clubes, claro que sim. Por isso é que têm adeptos de outras geografias além de Lisboa e Porto, a sua grandeza permitiu que atravessassem regiões e fronteiras para captar a alma e o coração dos adeptos. Foi o meu caso. Sou sportinguista desde que me conheço, com as minhas outras simpatias clubísticas evidentemente, mas nunca em momento algum abandonei o clube do meu coração, nem houve distância física que se sobrepusesse ao meu palpitar cardíaco. Porque os clubes não estão nos estádios nem nos pavilhões, estão no coração dos adeptos e sócios. E foi por isso com todo o gosto e prazer que passeei a minha camisola verde e branca por terras transmontanas. Vesti-la é sentir-me em casa pois convém não esquecer que um sportinguista não tira férias.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal













