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Taça da Liga | Uma espécie de festa do futebol

Mário Silva da Costa · 4 min

Foto: Sporting CP

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Chegou ao fim mais uma edição da Taça da Liga. A versão 2020/2021 da competição pareceu quase uma daquelas propostas duvidosas: em três jogos estás a ganhar um título. É que, no fundo, foi disto que se tratou. O Sporting CP venceu um título após ganhar três jogos. Em princípio, há trabalhos mais árduos. Mas vamos então analisar cinco destaques da edição mais recente da Taça da Liga.

5.

O Relvado de Leiria – Por hora do jogo da final é verdade que se verificou aquilo a que podemos chamar um diluvio. Já houve ocasiões em que fui à praia e tive menos contacto com água do que o Tiago Tomás naquela primeira parte. Estava muito complicado aquele relvado para a prática da modalidade. No entanto, não serve totalmente de desculpa. A verdade é que mesmo nos jogos das meias-finais o relvado não estava propriamente espetacular, e não estávamos perante terríveis aguaceiros. Não bastando os dois ou três problemas que afetam o mundo e que contribuíram para que esta edição da Taça da Liga gerasse pouco interesse, o palco do espetáculo ainda dificultou mais a existência de momentos de bom futebol. Sendo que o Estádio Dr. Magalhães Pessoa receberá as próximas edições da Final Four da Taça da Liga, é importante haver mais atenção a este detalhe.

4.

Zaragat(o)as – Entrando numa espécie de contradição, é verdade que já mencionei que a Taça da Liga este ano não captou grande interesse. Aliás, já é um costume desta competição. No entanto, há quase sempre muita confusão, zaragatas e desacatos, demasiados até para uma competição com o tal pouco interesse. Se noutros anos houve intervenientes que usavam as medalhas para outras modalidades, estilo lançamento do peso e luta livre, pelo menos este ano a organização garantiu que de certeza o Luís Neto não causaria distúrbios desse tipo. Mas foi mesmo a única garantia que houve.

Na final, por volta da meia hora, os treinadores começaram a trocar carinhosos vocábulos entre si e acabaram expulsos. No fim do jogo, dirigentes ignoraram as recomendações da DGS de distanciamento físico para pedirem satisfações de forma bastante expressiva. A juntar a isto, ainda tivemos aquilo que antecedeu o jogo, várias confusões por causa do bicho. Nas meias-finais, tanto SL Benfica como FC Porto tinham meia equipa fora. Sporting tinha dois jogadores contaminados que afinal não estavam contaminados e era tudo um erro. No fim de contas, trata-se de mais um ano de Taça da Liga e mais um ano com confusões à volta da competição.

3.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Os Cruzamentos de Ricardo Horta – Vamos então àquilo que realmente importa: os artistas. O jogo da meia-final entre SC Braga e Benfica não foi para Ricardo Horta uma das melhores exibições da carreira. Quem acompanha o trabalho do craque sabe que é capaz de muito mais e melhor. No entanto, o clube minhoto qualificou-se para mais uma final da competição com dois golos a surgirem na sequência de cruzamentos de Ricardo Horta. Um primeiro cruzamento que vai com tanta qualidade ao ponto de gerar dúvidas sobre se Abel Ruiz terá mesmo tocado na bola, e um segundo cruzamento completamente teleguiado que permitiu a Tormena precisar apenas de encostar para golo. Não foram exibições fenomenais, mas Ricardo Horta acabou por ser decisivo, outra vez.

2.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os Pontapés do Jovane – Depois de, de forma algo trapalhona e confusa, Marega meter o Porto em vantagem no jogo da meia-final, a vida aparentava estar complicada para a equipa do Sporting. No entanto, surgiu Jovane em resgate dos leões. Primeiro, num remate absolutamente fabuloso que, outrora, teria valido o bilhete. Hoje, quando muito, valeu a conta da eletricidade. Depois numa boa corrida, após passe de Pedro Gonçalves, o extremo cabo-verdiano isolou-se e bateu Diogo Costa no último minuto. Não está a ser uma época fácil para Jovane, mas foi completamente decisivo para a chegada do Sporting a esta final e, subsequentemente, para a conquista do título.

1.

A Final – Já falámos das condições do relvado, não eram espetaculares, nem fantásticas, nem razoáveis, nem boas, nem medianas sequer. Foi o jogo possível. Não desvalorizo os conceitos táticos, nem as triangulações e variações de flanco profundamente estudadas. Mas ali, valia sobretudo a garra e alguma sorte. E para garra, a equipa do Sporting recorreu a um individuo cuja capacidade pulmonar é digna de estudo, Pedro Porro. Em qualquer jogo, é impossível vê-lo cansado ou de rastos. Corre do primeiro ao último minuto. E foi numa dessas correrias, após livre batido por Gonçalo Inácio, que Porro fez o golo que decidiu o jogo da final. Talvez se possa discutir que o Sporting de Braga merecia mais daquela final, mas naquele lance nada puderam fazer perante o ímpeto do lateral espanhol. Para a história, fica que a edição 2020/2021 da Taça da Liga foi ganha pelo Sporting.

 

Mário Silva da Costa

Redação Bola na Rede · ver artigos