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Águia nas alturas

cab reportagem bola na rede

 

O pavilhão do Sporting Clube do Livramento foi palco do duelo entre os eternos rivais Sporting CP e SL Benfica, que assinalou o início da segunda volta do campeonato nacional de hóquei em patins. O local do jogo tinha peso inicial igual para ambas as equipas. Livramento, considerado o melhor jogador português de sempre na modalidade, vestiu as duas camisolas durante a sua carreira desportiva, sendo que ficará conhecido mais pelo que deu ao clube de leão ao peito. E hoje jogava-se em território leonino, espaço que até ao momento tinha sido fiel ao sucesso dos verde e brancos: o Sporting mostrava-se imbatível em casa; em sete jogos, seis tinham sido vitórias e um empate fruto do clássico. Mas, já dizia Fernando Pessoa que “há um virar de página e a história continua, mas não o texto”, e o Benfica escreveu um capítulo diferente neste livro.

De um lado, estava o cabeça de cartaz, com 0 derrotas e apenas 1 empate. Do outro, estava o 3º classificado, com o factor casa a seu favor, que sem dúvida num pavilhão tão pequeno e pintado humanamente de verde, podia ser decisivo. Casa cheia: adeptos dos dois históricos clubes mas também muitos apaixonados da modalidade. Dérbi é dérbi, independentemente da modalidade em causa. Nervos à flor da pele, dentro e fora do ringue. Apito inicial, esperavam-se 50 minutos intensos. Numa baliza estava Ângelo Girão, grande responsável pelo caneco entregue ao Valongo na época anterior. Na outra estava Guillem Trabal, o muro vermelho. Duelo de titãs!

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João Rodrigues esteve em destaque pelo Benfica

Um jogo que tinha tudo para ser emocionante tornou-se previsível e sem sabor. O Benfica, que até ao momento tinha apostado mais no 3×1, começou a jogar em 2×2 com Valter e Tuco a dupla defensiva e Carlos Lopez com João Rodrigues a tomar conta do ataque, o que fez com que o jogo se partisse sem dar azo a contra-ataques da equipa leonina. Por seu turno, o Sporting jogava na expectativa. Nenhuma das equipas pressionava, tudo podia acontecer. Até que ao minuto 8′, com o Benfica a jogar em powerplay, João Rodrigues, o suspeito do costume, inaugurou o marcador. Estava feito o mote para a vitória gorda que se desenrolou. Os três golos seguintes vieram naturalmente, e numa altura em que o Sporting precisava urgentemente de se afirmar e de marcar um golo para provar que queria discutir o resultado; mas a hegemonia vermelha montada no erro do adversário não dava espaço para reviravolta. O Benfica provou ser uma equipa extremamente homogénea e com soluções de qualidade para todos os sectores do terreno, jogando com o italiano Nicolía a maestro. Dá gosto vê-lo jogar!

Com o segundo tempo vieram mais 3 golos e um Sporting cada vez mais apagado. As águias tiveram mais coração mas também mais pulmão e mais inspiração. Esperava-se um espectáculo maior ao nível de um dérbi, mas foram 50 minutos de mau desempenho leonino, onde todo o plantel entrou em campo mas sem ser a solução necessária e onde nem valeu a qualidade de João Pinto, que jogou desapoiado. Bastou um Benfica que não precisou de ser extraordinário e que tinha de fora Diogo Rafael, um dos “artistas” mais completos e importantes desta equipa, para vencer por 7-0. A equipa de águia ao peito assegurou, assim, a liderança, e o Sporting vai de cabeça baixa para o jogo difícil da próxima semana frente ao Valongo.

Alinharam pelo Sporting: Ângelo Girão (gr); Ricardo Figueira, André Moreira, Tiago Losna e João Pinto

Suplentes: Nicolas Fernandez, Daniel Oliveira, André Pimenta, Carlos Martins e Zé Diogo Macedo (gr.)

Treinador: Nuno Lopes

Alinharam pelo Benfica: Guillem Trabal (gr); Valter Neves, Esteban Ábalos,Carlos Lopez e João Rodrigues

Suplentes: Pedro Henriques (gr.), Diogo Rafael, Carlos Nicolia, Tiago Rafael e Miguel Rocha

Treinador: Pedro Nunes

Progressão do marcador: 8′ João Rodrigues (0-1); 12′ Ábalos (0-2); 18′ Carlos Nicolía (0-3); 23′ Valter Neves (0-4); 45′ Miguel Rocha (0-5); 47′ João Rodrigues (0-6); 48′ Carlos Nicolía (0-7)

 

Fotos de Maria Serrano

Recordações

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Como diz a música de Roberto Carlos: “Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi!”. Pois é sobre o campo das emoções que nos vamos debruçar agora.

Estávamos a entrar no novo ano, século e milénio, quando uma ameaça do bug do milénio pairava no ar. Mas os computadores puderam continuar descansados, no que ao propagar do suposto vírus dizia respeito. As máquinas apenas tiveram de se preocupar com o passar (rápido) dos anos, que as fazia ficar cada vez mais obsoletas. Entretanto, a FIFA decidia que queria organizar o primeiro Campeonato do Mundo de Clubes, ao invés da já tradicional Copa Intercontinental. A competição ficou agendada para Janeiro de 2000. Seria uma mega jogatana: oito equipas, de todos os continentes, enfrentar-se-iam, pela primeira vez, num campeonato a realizar no Brasil – no Rio e São Paulo. Os felizes contemplados foram: Manchester United (campeão europeu de 1999); Raja Casablanca (campeão africano de 1999); Necaxa, do México (campeão da América do Norte, de 1999) e ainda o South Melbourne (campeão da Oceânia no mesmo ano). Mas até agora só temos aqui quatro equipas… faltam  mais quatro. O que será que se decidiu?

Então, foi tudo uma trapalhada. O Vasco da Gama, vencedor da Libertadores em 1998, foi convidado. O Real Madrid também. Tal aconteceu, igualmente, com os sauditas do Al Nasr, que haviam vencido a Supertaça Asiática em 1998. E a CBF tomou a decisão de convidar o Corinthians, que fora campeão brasileiro em 1998 e 1999. Na realidade, os grandes rivais dos alvinegros, o Palmeiras, é que deveriam ter jogado a contenda. Com a promessa de que o Verdão participaria no Mundial seguinte, em 2001, o time de Scolari concordou em deixar o lugar aos Gaviões.

E agora vem a parte das grandes lembranças. O Corinthians e o Real , que acabaram por vencer os restantes rivais, empataram entre si a duas bolas. Mas a diferença de golos beneficiou os paulistas, que seguiram rumo á final, felizes da vida. No outro grupo, o Vasco da Gama passeou, de onde se recorda um 3-1 ao United em pleno Maracanã, e no final Sir Alex Ferguson a dizer: “Não estamos habituados a jogar ao sábado…”. No comments. A final ficaria marcada para o mesmo estádio.

O Vasco da Gama tinha uma equipa monstruosa: Edmundo, Juninho Paulista e Romário. Mas o Timão não ficava atrás: Viola e Marcelinho Carioca e ainda com Dida na baliza (do outro lado estava Hélton), comandavam as hostes. Depois de um jogo tenso, os mais de 70 mil presentes no recinto assistiram às grandes penalidades, onde os paulistas foram mais felizes; venceram por 4-3.

Hoje em dia, o Corinthians proclama-se bi-campeão do mundo (a juntar ao título de 2012). Os vascaínos dizem que os paulistas nem deveriam ter sido convidados… A FIFA nunca chegou a declarar-se sobre se esta foi uma competições embrionária, um simples protótipo ou algo que correu mal; pois nunca mais este modelo foi copiado. Enfim, o que é facto é que a competição foi jogada e proporcionou altos momentos de espetáculo.

Fonte: Netvasco.com.br

Benfica 3-0 Vit. Guimarães: Esta vai para os céus

coraçãoencarnado

O Rei dormirá descansado”. Coloquei as aspas nesta bela frase porque acabei de citar um amigo meu. Estas foram as palavras que o meu telemóvel recebeu após o apito final no jogo de hoje. Certamente que a “nossa” Pantera Negra terá o batimento cardíaco calmo e controlado, o coração encarnado e descansado, o pensamento leve e benfiquista, a alma segura e confiante… Assim até parece fácil! Seis vitórias consecutivas no campeonato. Seiscentos minutos sem sofrer golos. Melhor ataque (à condição, é certo) e melhor defesa do campeonato. Oitenta jornadas consecutivas a marcar. Mais quatro pontos que na época passada. Provavelmente a melhor primeira parte desta época. Já chega, estou a ir longe demais. Queria só provar que este Benfica está bem vivo e a liderança é mesmo para ficar.

Vamos lá ao jogo então (peço desculpa este desabafo, mas um jogo de homenagem ao Eusébio só poderia dar nisto…). Benfica, Benfica e Benfica. Esta foi a única palavra que eu vi ser escrita hoje no Estádio da Luz – a equipa encarnada entrou em campo fortíssima, com uma oportunidade para Jonas logo no primeiro minuto. Depois disso, veio uma oportunidade de golo nos pés do nosso Messi (Gaitán, desculpem se vos ofendi com esta pura verdade). No minuto 13 apareceu o golo do imperador brasileiro (sim, o Jonas e o Júlio César partilham esse galardão). A seguir veio, novamente, o imperador Jonas fazer das suas – o homem não se cansa de marcar golos e desta vez cabeceou após desenho perfeito de Messi (quem mais?…). Aí vai mais uma assistência de Gaitán e outro golo do brasileiro. Este Jonas ainda vai acabar num Museu, faz tudo bem! Calma, dizem vocês. Mas este não era aquele Vitória fortíssimo, que tem feito um campeonato excepcional, ocupando o terceiro lugar? Pois é, esse era o Vitória de ontem, porque o de hoje não mostrou mesmo nada dessa equipa que tão bem nos tinha habituado – há que referir que jogar na Luz com este Benfica é missão impossível (o Benfica não perde em casa para o campeonato há mais de quarenta jogos). Os primeiros trinta minutos foram mais do mesmo, três bolas nos ferros, Benfica totalmente dominador, Gaitán a ser Messi e um Vitória inexistente. Depois disso, os encarnados diminuíram o ritmo (isto de jogar como nunca cansa!), levando ao crescimento da equipa vimaranense. Esta melhoria da qualidade futebolística do Vitória levou a uma excelente defesa de Júlio César, o imperador. O intervalo acabou por chegar naturalmente, com um Benfica avassalador e um Vitória tímido, com pouca velocidade (ao contrário do que costuma ser habitual) e um meio-campo preso.

A segunda-parte começou mais equilibrada, com as duas equipas encaixadas uma na outra. Este “encaixe” foi sol de pouca dura, pois o Lima decidiu ser o Lima dos outros tempos, rasgando pela direita e oferecendo o golo a Ola John. 2-0. Lá ia este Benfica a caminho de mais um triunfo. A partir do minuto 60 o Vitória soltou-se e aos poucos foi tentando derrubar o imperador César. Essa missão não foi bem-sucedida, apesar de alguns remates e lances de bola parada. Um breve comentário para a entrada de Toto Salvio ao minuto 84, acabando por estar ligado ao carimbo final por parte do Messi da Luz, ou Nico Gaitán para os amigos. Lance muito bem construído por Samaris (excelente passe do grego), Lima e Salvio, acabando com o “simples” encostar de Nico. 3-0 e o resultado estava assim selado.

Sem palavras Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica
Sem palavras
Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

Como notas finais, parece-me importante realçar as boas exibições de Júlio César, Jonas, Samaris e Ola John (porque não?!). Também a dupla Jardel-César se comportou à altura do momento, raramente cometendo erros (lembro-me de um erro do Jardel, mas pouco mais que isso). Bom regresso aos relvados de Eliseu, e aos poucos lá vamos vendo o Talisca como Jesus o quer. Salvio, sejas bem-vindo! Acabar esta sucessão de notas com mais uma palavra directa para Jesus – este Benfica respira trabalho por todos os lados, e os números que citei no primeiro parágrafo são, de facto, impressionantes.

Assim como conclusão, deixem-me por favor voltar a realçar que este jogo é todo ele dedicado aos céus. A Eusébio, a Coluna e a todos os outros “monstros” que nos deixaram. Não vos quero ver mais a criticar exibições como as da semana passada, que, apesar de pouco ricas, nos dão três golos e três pontos! Chega disso. Chega de Liga dos Campeões, de Taça de Portugal e de Enzo. Os tempos mudam as vontades, e essas resumem-se agora ao bi-campeonato e à Taça da Liga. Um abraço para os céus e para todos vocês, os mortais.

A Figura:

Nico Messi Gaitán – O argentino foi completamente essencial nos três pontos de hoje, lembramo-nos em cada toque o porquê de amarmos este desporto. Um golo, uma assistência, uma bola na barra e tantos outros pormenores. Chega?! Agradeçam todos os dias termos este génio entre nós (eu já o fiz no ano passado em Turim, pois tive a oportunidade de conhecer o pai desta maravilha, agradecendo-lhe cerca de cem vezes o filho que criou).

O Fora-de-Jogo:

Vitória de Guimarães – A equipa vimaranense acabou por estar bem abaixo das expectativas, não sendo capaz de mostrar o futebol que nos tem habituado. Nomes como André André ou Hernâni passaram completamente ao lado do jogo.

Fotografia de Capa: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Académica: Será luta até ao fim pela manutenção

futebol nacional cabeçalho
Pelas jornadas de campeonato já decorridas, a Académica parece ser uma das seis, sete equipas que, em termos de campeonato, estão limitadas a lutar pela manutenção. O grupo orientado por Paulo Sérgio tem feito um percurso com pouca qualidade e, no final da 15ª jornada, tem apenas 11 pontos e está no 16º lugar, empatado com o Penafiel e apenas à frente do Gil Vicente. A luta está bastante renhida dado que, por exemplo, a distância entre o 13º e o 17º classificados é de apenas três pontos.

A equipa de Coimbra teve um início de campeonato algo periclitante. Entrou muito bem, com um empate na receção ao Sporting. Contudo, entre derrotas fora de casa com Marítimo e Boavista e empates caseiros com Estoril e Vitória de Setúbal, a primeira vitória só chegou à sexta ronda, com a vitória por 1-0 em Arouca. Desde essa vitória, que data do fim de setembro, os “estudantes” não mais ganharam. O triunfo em Arouca foi o único na Liga e é mesmo o único em 16 partidas oficiais esta época. Depois desse resultado positivo, a equipa de Paulo Sérgio empatou em casa frente ao Moreirense e, de seguida, foi eliminada da Taça de Portugal pelo Santa Maria, equipa do Campeonato Nacional de Seniores. Foi um péssimo resultado que atirou o clube para fora da Taça e que começou a agudizar as críticas dos adeptos ao grupo de trabalho. No campeonato, seguiram-se desaires com o Nacional, Rio Ave, Benfica e FC Porto, e empates com o Sporting de Braga, Gil Vicente e Penafiel. Aqui chegou a pausa natalícia onde, inclusivamente, a claque Mancha Negra teve a insólita iniciativa de ir a um dos treinos da equipa deixar bóias com a seguinte mensagem: “Como o barco está a afundar e ninguém nos vai agarrar, deixamos umas bóias porque tudo fazemos para te salvar.”

Penso que isto diz tudo sobre a satisfação dos adeptos academistas relativamente à prestação da equipa na presente temporada. A entrada em 2015 foi ligeiramente melhor, com um empate alcançado no terreno do Belenenses, uma das equipas que têm estado em bom plano na nossa Liga. Fazendo as contas da tabela até ao momento, vemos que a Académica, com uma solitária vitória, é a rainha dos empates do campeonato. Empatou oito das 15 partidas até ao momento. É um dos piores ataques com apenas nove golos, os mesmos que Gil Vicente e Arouca. Em melhor plano estão na lista de golos sofridos, onde vão a meio da tabela, com 19 tentos consentidos. Um facto interessante é que, em casa, os homens de Paulo Sérgio apenas perderam com Benfica e FC Porto, tendo empatado seis desafios. O pior é que também ainda não ganharam a ninguém em Coimbra.

O saldo de uma vitória em 16 jogos deixa Paulo Sérgio em situação preocupante Fonte: Facebook da Académica
O saldo de uma vitória em 16 jogos deixa Paulo Sérgio em situação preocupante
Fonte: Facebook da Académica

Olhando para o plantel, vejo várias lacunas graves na constituição do mesmo. A nível de guarda redes, o brasileiro Lee parece estar agora a levar a melhor sobre o português Cristiano, mas parece-me que nenhum deles tem a qualidade de Ricardo e Peiser, os guardiões que saíram na época passada e que deixaram saudades entre os adeptos. Até já se falou, nos últimos dias, de um possível regresso de Ricardo em janeiro, por empréstimo do FC Porto.

Na defesa, tem havido alguma inconstância, também devido a alguma lesões que têm afetado as escolhas do técnico. O lateral direito Oualembo apenas fez o primeiro jogo na jornada 11. Até lá, Aderlan Silva ou o central Iago Santos, numa adaptação, foram tentando assegurar a função, mas sem a mesma segurança. No centro, a dupla inicial foi composta por Ricardo Nascimento e João Real, mas devido a uma lesão (mais uma…) do português João Real, a dupla teve de sofrer alterações, e Iago e Aníbal Capela têm dividido o lugar ao lado de Nascimento, o elemento mais sólido deste setor. Na esquerda, Ofori e Lino dividiram esforços até ao momento, mas o brasileiro já saiu para o seu país natal.

O meio-campo parece-me ser o setor mais bem composto, com jogadores mais defensivos de alguma qualidade, como Obiora ou Fernando Alexandre. Marcos Paulo e Rui Pedro também me parecem ser bons jogadores, mas a Académica precisa de alguém que assuma de forma competente as despesas ofensivas no meio campo. Os jogadores que tem apresentam alguma qualidade mas são algo limitados ofensivamente. Rui Pedro, apesar de ser o melhor jogador da equipa, tem estado algo apagado, e a equipa, obviamente, ressente-se disso.

No ataque, a equipa tem muito pouco poder de fogo. Os extremos, Marinho, Magique, Edgar Salli e Ivanildo, não têm estado bem e, quando estão, as oportunidades não são bem aproveitadas. Dos dois pontas de lança, Schumacher apenas marcou um golo, de grande penalidade, e Rafael Lopes tem apenas dois, estando em igualdade com Rui Pedro como melhores marcadores da equipa. Estamos no início de janeiro e vemos que os dois melhores goleadores dos “estudantes” têm apenas dois golos cada um. É mais um facto que ajuda a explicar o que se passa.

Das duas, uma: ou Paulo Sérgio coloca este grupo a jogar melhor futebol para tentar alcançar melhores resultados ou terá de arranjar alguns jogadores que acrescentem qualidade de imediato à equipa. Conseguir jogadores destes sairá caro. Portanto, penso que a saída mais viável será o empréstimo de alguns atletas dos chamados “três grandes” que venham acrescentar qualidade à equipa, sem custar muito dinheiro. Para piorar o cenário, Edgar Salli e Oualebo acabaram de partir para discutir o CAN.

Jogadores Que Admiro #29 – Jackson Martínez

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Depois de algum tempo de namoro, Jackson Martínez trocou, aos 26 anos, o Jaguares pelo FC Porto, no verão de 2012, por valores a rondar os 9 milhões de euros. A primeira impressão deixada foi de que esta seria uma contratação arriscada, já que não se tratava de um jogador jovem e que teria de ser um fora de série para render tanto desportiva como economicamente. A verdade é que sim: trata-se de um fora de série.

Chegou com a alcunha de ‘novo Benni McCarthy’. E que bem que o Porto precisava de um Benni McCarthy, já que os avançados do plantel eram Kleber e Janko. Marcou logo uma posição no seu primeiro jogo oficial – o jogo da Supertaça Cândido Oliveira contra a Académica de Coimbra caminhava já para o prolongamento quando, aos 90 minutos, qual Jardel, qual Falcao, Jackson Martínez voa entre os centrais e faz o golo da vitória portista depois de um verdadeiro massacre à baliza de Ricardo. O festejo de Cha Cha Cha é inesquecível: tira a camisola demonstrando uma enorme garra e vontade de vencer.

Logo ali me conquistou. De dragão ao peito, e depois de protagonista na Supertaça, o importante seria mesmo a revalidação do campeonato português. No seu primeiro jogo no Dragão, contra o Vitória de Guimarães, houve um penalty favorável aos azuis e brancos. Num tom de despedida, Hulk ofereceu a bola a Jackson, assinando uma imagem forte. Mostrava, por um lado, que o brasileiro se iria embora e, por outro, que estava a dar a possibilidade ao colombiano de marcar o seu primeiro golo em casa, e também o papel de estrela da equipa. J9 não desiludiu e com um penalty à Panenka demonstrou para o que vinha: espalhar classe e golos por todo o lado. E que classe! Depois de uma bicicleta frente ao Beira-Mar, foi a vez de atingir o seu apogeu com um golo estrondoso de calcanhar frente ao Sporting.

Figura incontornável do futebol portista, acabou a época como melhor marcador da Liga ZON Sagres com um total de 26 golos, superando Lima do Benfica com 20. No verão, o interesse de outras equipas como Chelsea, Tottenham, Arsenal, Borussia Dortmund, Valencia, Monaco ou Juventus foi encarado como algo normal, dada a qualidade demonstrada pelo colombiano. João Moutinho e James Rodríguez haveriam de sair, mas Jackson não.

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Jackson é já o melhor marcador do campeonato, posição que se deve manter até final da época
Fonte: Página de Facebook do FC Porto

Com a chegada de Paulo Fonseca alterou-se completamente o estilo de jogo do Porto. Jackson estave muito mais distante do resto da equipa, completamente sozinho no meio dos centrais adversários, tentando receber e ganhar de cabeça as bolas bombeadas pela defensiva portista. Não havia fio de jogo e os jogadores que jogavam mais perto da frente não eram os melhores, mas foi aqui que Martínez demonstrou ainda mais toda a sua qualidade como jogador, pivot e, sobretudo, marcador de golos. Numa das piores épocas da história do Porto – que terminou atrás de Benfica e Sporting -, Jackson Martínez conseguiu apontar 20 golos e sagrar-se novamente rei dos goleadores.

Chegamos ao arranque da época 2014/15 e a sua transferência era mais do que provável. Depois de uma época desapontante por parte do colectivo, Jackson Martínez tinha aqui a oportunidade de sair, algo perfeitamente compreensível por parte de toda a estrutura do FC Porto, assim como pelos adeptos. No Mundial do Brasil, integrou uma das selecções-sensação do torneio, e mesmo não sendo peça-chave da turma colombiana, Jakcson marcou 2 golos em 194 minutos de utilização. Chegado a Portugal, viu a sua equipa entrar numa fase de reestruturação: chegariam imensos reforços, assim como um treinador novo. Perante isto, Jackson renovou e foi nomeado capitão de equipa.

Com Lopetegui, as coisas podiam estar melhores, mas não estão assim tão más. Jackson está melhor do que nunca, e leva já 19 tentos em 23 jogos disputados. De braçadeira no braço, é bem provável que Jackson esteja de partida no final da época, e portanto tento aproveitar ao máximo o prazer que é vê-lo com esta camisola.

Podemos dizer que não é só de golos que vive um avançado. Creio que Jackson Martínez é o exemplo perfeito para essa afirmação. Jackson é diferente dos avançados que me lembro de ver no Porto. Pode não ter a espetacularidade e a alegria de Benni, pode não ter a raça de Licha, nem o instinto matador e exuberância no festejo como Falcao, mas consegue conjugar todos estes factores aliados a uma classe que nunca tinha visto no Dragão, formando uma equação perfeita daquilo que gosto de ver na minha equipa, sobretudo de um jogador com a braçadeira de capitão.

O golo marcado ao Gil Vicente fez com que Jackson Martínez passasse a ser o segundo melhor marcador estrangeiro da história do Futebol Clube do Porto. Números apenas superados por Mário Jardel, e que Jackson muito provavelmente nunca irá ultrapassar. Se eu mandasse, Cha Cha Cha nunca saíria. Depois disto tudo, os quase 9 milhões de euros dados pelo seu passe até parecem uma bagatela.

Foto de capa: Página de Facebook do FC Porto

Benfica e enfermaria, uma relação duradoura

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Terceiro Anel

Bom Ano Novo, caros leitores! Bem sei que já vamos no dia 9 de Janeiro, mas só agora é que tive oportunidade de escrever a minha primeira crónica de 2015. Redijo este texto, enquanto benfiquista devoto, com uma felicidade evidente. Afinal de contas, o maior de Portugal continua a liderar o campeonato com 6 pontos de avanço sobre o FC Porto, tendo superado o teste de Penafiel. Ok, a exibição esteve longe de ser um portento, mas eu já ando nisto há uns anos, já vi tanta vez o Benfica jogar bonito e nada ganhar, e como tal agora quer é vencer, ser bicampeão nacional passados 30 anos, ir para o Marquês de Pombal.

Porém, e daí o título desta crónica, arrelia-me cada vez mais o facto de a lista de lesionados não parar de crescer. Pode regressar um jogador que parece que logo outro acaba por ficar impedido de dar o seu contributo à equipa. É Luisão, é Rúben Amorim, é Fejsa (será possível eu voltar a  ver, ainda em vida, este internacional sérvio com a camisola do Benfica vestida?), é Salvio, é Sulejmani que regressou há pouco, é Sílvio que só agora, e paulatinamente, vai entrando nas convocatórias, e veremos quem serão os próximos. As lesões fazem parte do desporto, os castigos vêm por acréscimo, mas é quase surreal a quantidade de lesões que tem martirizado os plantéis do Benfica de há uns tempos para cá. Mesmo na época passada, aquela época em que ver um jogo do maior de Portugal equivalia a assistir a uma peça de teatro na Broadway, os infortúnios físicos não paravam de surgir.

Dou por mim tanta vez a pensar no seguinte: se Jorge Jesus consegue fazer aquilo que é facilmente constatável aos olhos de todos, com tanta ausência, imaginemos aquilo que faria com todo os atletas à sua disposição. Tenho confiança neste Benfica 2014/2015, apesar das eliminações nas competições europeias e na Taça de Portugal. A partida em Penafiel, no domingo passado, é a prova real daquilo que simboliza o Benfica actual: um conjunto com um grupo não tão rico como o das últimas temporadas (atenção, não vou na cantiga daqueles que enxovalham e ridicularizam o leque de opções à disposição de JJ), mas que ainda tem capacidade para ser mais do que competente. As ideias de Jorge Jesus estão completamente enraizadas no grupo de trabalho, todos sabem qual é o seu papel, o nosso técnico prova dia após dia que é um enormíssimo treinador, parecendo quase um feiticeiro, tal a forma como retira o melhor que á em cada jogador.

O argentino Salvio é uma baixa de peso na equipa do Benfica Fonte: Facebook de Eduardo Salvio
O argentino Salvio é uma baixa de peso na equipa do Benfica
Fonte: Facebook de Eduardo Salvio

Contudo, estou ciente de que um mau resultado pode estar sempre à porta. Amanhã, por exemplo. O Benfica tem uma partida exigente frente a um sensacional Vitória de Guimarães. Que jeito daria ter quase todos os futebolistas disponíveis, mas infelizmente isso não será possível. Aliás, Jorge Jesus já deixou prenunciar que algumas das lesões ainda estão longe de ser debeladas. Portanto, parece mesmo que não há volta a dar: esta temporada não terá nada a ver com aquilo que ocorreu há uns meses atrás. Ao invés da vitória garantida ainda antes do jogo, ao invés da confiança exacerbada, ao invés do “mais tarde ou mais cedo vai entrar”, a mentalidade passará a ser, se é que não passou já, para um “vá, 1-0 chega”, “apenas importa vencer, o resto que se dane”. Se me satisfaz pensar assim? Não, não fico feliz da vida. Mas tenho 26 anos, nunca pude dizer que o amor da minha vida era bicampeão nacional de futebol, quero poder dizê-lo em todo o lado! Peço por tudo, qual resolução de Ano Novo, que as lesões parem, que os jogadores recuperem! Se o Benfica se encontra isolado no primeiro posto da tabela com o equipa aos remendos, eu deliro com a ideia de como será com os trunfos todos à disposição do nosso mago, Jorge Jesus.

Mesmo com esta aliança Benfica/enfermaria que parece indestrutível, o clube tem neste momento um registo em termos de campeonato como não tinha há uma eternidade, em que se destacam os apenas 7 golos sofrdos. Se eu em Agosto passado sonhava numa coisa destas? É que nem pensar. Na altura receava que em Janeiro de 2015 andasse a fugir dos portistas e até dos sportinguistas, para que não gozassem comigo. Amanhã o Estádo da Luz terá uma grande assistência, o Pantera Negra voltará a ser homenageado (como tanto merece e continuará a merecer), o Benfica tem tudo para prolongar o seu trilho de sucesso rumo àquilo que toda a nação benfiquista pretende.

Todos os profissionais de saúde merecem a minha homenagem, merecem trabalhar, mas espero que não tenha saído em sorte (neste caso, azar) ao Benfica todos os enfermos do futebol desta vida. Até para a semana, e que daqui a uma semana o Benfica já tenha 43 pontos no bolso.

P.S. : Numa fase em que se vivem dias de terror em França, com extensão para todo o mundo, ainda acabo por realizar esta crónica com um maior orgulho. Tenho a oportunidade de expressar a minha opinião semanalmente num projecto pelo qual tenho um grande apreço, sinto-me livre para escrever. E aqui não importa qual o registo, se noticioso, se humorístico, se satírico, se crítico. O que importa é sermos livres e a liberdade não pode ser rebatida com tiros. Bem-haja para todos!

Dores de cabeça (in)esperadas

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atodososdesportistas

Numa altura de instabilidade devido à reabertura do mercado de transferências, a equipa do FC Porto tem vindo a viver, por mais estranho que pareça, o seu melhor momento a nível de estabilidade exibicional, o que torna a equipa azul-e-branca neste momento, sem margem para dúvidas, a equipa que pratica o melhor futebol em Portugal (sim, mesmo tendo perdido com o Benfica naquele atípico jogo). Tem havido golos (muitos golos) para todos os gostos e feitios – desde aqueles com nota artística 10 até aos “de encostar” -, assistências de luxo e fintas magistrais de jogadores que têm vindo a explodir desde o início da época.

Dito isto, Lopetegui enfrenta, neste momento, não uma, mas sim duas valentes dores de cabeça para fazer com que o alto nível de jogo que os dragões têm vindo a demonstrar se mantenha. Vamos por pontos.

1) Como disse no meu texto anterior, a reabertura do mercado de transferências traz mais medo do que oportunidades. Se por um lado certos excedentários estão de saída do plantel, por outro o número de interessados nas pedras mais valiosas do xadrez azul-e-branco têm subido de dia para dia (e hoje ainda estamos a 8 de Janeiro…): a “torre” Danilo, os “bispos” Brahimi e Tello, o “cavalo” Herrera, a endiabrada “dama” Óliver e o “rei” da corte, Jackson Cha Cha Cha Martinez. Falamos de seis titulares neste momento indiscutíveis do Porto, jogadores que têm sido a base do sucesso recente pelas consistentes exibições que têm galvanizado os adeptos e deixado esperança relativamente ao regresso daquilo que, por mérito desportivo, tem pertencido ao FC Porto: o ceptro do futebol português!

O capitão do FC Porto, blindado por uma cláusula de rescisão de 35 milhões de euros, é um dos mais cobiçados do plantel  Fonte: Facebook do FC Porto
O capitão do FC Porto é um dos mais cobiçados do plantel
Fonte: Facebook do FC Porto

A estrutura da SAD portista terá que, de forma cautelosa e prudente, “blindar” a saída de jogadores que são, de momento, insubstituíveis no conjunto de Lopetegui. Sempre nos habituámos a ver partir jogadores como Hulk, Falcao, James, Pepe, Ricardo Carvalho, Deco e Costinha, e a ver chegar até então desconhecidos, como Jackson Martinez, Martins Indi, Quintero, Óliver, Danilo, Otamendi ou Lisandro López. Por isso, sei que se algum jogador sair rapidamente chegará um substituto que todos vão criticar no princípio, mas que  todos admirarão depois (quem não se lembra de um tal de Hulk, vindo do Japão?!). Aqui, a grande questão é que substituir uma pedra fundamental e criar condições para que a equipa se adapte a outra em Janeiro é totalmente diferente de fazê-lo numa pré-epoca. Ainda assim, estou confiante em como resistiremos à tentação dos milhões que o mercado nos apresentará…

2) A CAN levará do clube da Invicta Aboubakar e… Brahimi! A ausência de Aboubakar, jogador que aprecio mas que ainda não tem espaço no onze (está tapado por um dos melhores avançados da Europa), até pode ter algo de positivo: as chamadas de André Silva ou Gonçalo Paciência à equipa principal – futebolistas de enorme potencial e que, a par de Rui Fonte, constituem as maiores esperanças da selecção portuguesa para a posição de ponta-de-lança num futuro não muito distante. A minha grande preocupação (e a de todos os portistas e ainda mais de Lopetegui) resume-se a uma pequena pergunta: quem será o substituto de Brahimi? O argelino irá falhar, pelo menos, 6 jogos (o número pode ascender aos 8, consoante a campanha da sua selecção). Sendo assim, e sabendo quais os 6 jogos que Brahimi irá falhar, quais serão as escolhas lógicas para a sua posição (e dinâmicas da equipa)?

A ausência de Brahimi tem inquietado as hostes portistas  Fonte: Facebook do FC Porto
A ausência de Brahimi tem inquietado as hostes portistas
Fonte: Facebook do FC Porto

FC Porto – Belenenses (11 de Janeiro) – A jogar em casa, num jogo onde o ascendente azul-e-branco será certo, Ricardo Quaresma deverá ser a escolha para tomar a faixa que costuma ser ocupada por Brahimi.

FC Porto – União da Madeira (14 de Janeiro): Sendo este um jogo da Taça da Liga, competição que para os dragões serve essencialmente para rodar jogadores (mesmo sabendo que agora irá ser uma espécie de Taça de Portugal), Tello e Quaresma devem ser poupados e as alas poderão ser entregues a Ricardo Pereira e Ivo Rodrigues, jovem prodígio da equipa “B”. Também não é de todo impensável que Lopetegui recue Ricardo para o lugar de Danilo e avance com Quintero para a posição de “falso” interior, partindo do princípio de que, sem Aboubakar, jogará Adrián na frente de ataque.

Penafiel – FC Porto (18 Janeiro) – De volta ao campeonato, jogando num campo pequeno e tradicionalmente difícil, a minha aposta vai para inclusão de Óliver e Tello nos corredores, pois sem espaço Quaresma  não é tão preponderante. Um meio-campo com Rúben Neves, Casemiro e Herrera parece-me o mais acertado, mas não será de perder de vista a hipótese de Adrián ou Quintero jogarem de início, embora isso fosse um pouco contra aquilo que “é” a forma de jogar de Lopetegui contra equipas que defendem muito e exploram contra-ataques rápidos.

SC Braga – FC Porto (21 de Janeiro) – Na sempre complicada deslocação à “pedreira”, os dragões tiveram “sorte” neste sorteio: podem ir a Braga com 6 pontos e terão sempre vantagem sobre os minhotos, o que confere a Lopetegui (caso ganhe o jogo no Dragão frente à União) a possibilidade de rodar bastantes jogadores.

Marítimo – FC Porto (25 de Janeiro) – Numa das deslocações mais complicadas da época, e sendo um jogo absolutamente crucial por fechar um ciclo sem “vitamina B(rahimi)” para o campeonato, decerto Lopetegui voltará a apostar em Quaresma e Tello para as alas;

FC Porto – Académica (28 de Janeiro) – Sendo este (espero) o último jogo dos dragões sem o argelino, em mais um jogo da Taça da Liga espera-se ver novamente alguns jovens em acção e consumar a classificação da equipa azul-e-branca para a fase seguinte.

Quaresma será importante para suprir a falta de Brahimi  Fonte: fcporto.pt
Quaresma será importante para suprir a falta de Brahimi
Fonte: fcporto.pt

Tudo aquilo que foi escrito acima não passa, como é lógico, de suposições. Principalmente no que diz respeito à Taça da Liga, visto que não sabemos realmente a importância que o FC Porto dará à competição. No caso de haver deslize, é difícil prever que jogadores serão utilizados, ao contrário daquilo que acontece com os jogos do campeonato, em que jogam sempre com os melhores disponíveis porque todos são para ganhar.

Depois de tudo isto, teremos Brahimi de volta! Quero dizer, assim o espero… Que o PSG ponha os 50 milhões no bolso ou os gaste em Gaitán e mais algum jogador. Deixem o argelino em paz!

Terminando este meu longo texto, não posso deixar de relembrar o leitor de que estou longe de ser adivinho – aliás, nunca serei – e que por isso não posso prever a validade deste texto. Tudo depende de vários factores que são, neste momento, impossíveis de avaliar. Existirá alguma lesão? Explodirá algum jogador? Sairá alguém? Entrará um craque que venha e “pegue de estaca”? Analisei estas situações apenas com base no plantel actual à disposição de Lopetegui e na forma dos jogadores nos últimos encontros!

Foto de capa: fcporto.pt

Dybala e Vietto: dois craques do país dos craques

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internacional cabeçalho

No último ano, quando fiz um artigo sobre alguns jovens do campeonato argentino que podiam dar o salto para o futebol europeu, Luciano Vietto ainda era a principal figura do Racing Avellaneda. Ao mesmo tempo, Paulo Dybala estava na Serie B italiana, mais concretamente no Palermo, clube que lhe abriu as portas do Velho Continente. A ascensão dos dois jovens no último ano foi absolutamente fantástica. Vietto transferiu-se para o Villarreal e tem brilhado no ataque do Submarino Amarelo, sendo um dos jogadores em maior evidência no campeonato espanhol; Dybala, depois de ajudar o Palermo a subir de divisão, está a ser uma das grandes figuras do emblema siciliano e o presidente já disse que não o deixa sair por menos de 40 milhões.

O Villarreal tem um historial muito interessante de aposta em sul-americanos, e Vietto tem tudo para ser mais um caso de sucesso. Contratado ao Racing por 5,5 milhões, um valor bastante acessível, o argentino não teve quaisquer problemas na adaptação e está a justificar plenamente o investimento. Titularíssimo na frente de ataque do Submarino Amarelo, o jovem de 21 anos já leva 8 golos no campeonato (11 em todas as competições) e tem sido preponderante na manobra ofensiva da equipa de Marcelino Toral. Vietto é, efectivamente, um avançado muito completo. Tem uma qualidade técnica muito acima da média, sobretudo com o pé direito, pensa e executa rápido e tem demonstrado excelentes atributos na finalização, impressionando pela facilidade de remate e sentido de baliza. Com muita mobilidade, é muito astuto nas movimentações e tem-se entendido na perfeição com Uche, com quem forma uma dupla extremamente interessante.

Vietto tem estado em grande no Submarino Amarelo
Fonte: Facebook do Villarreal

Já não há dúvidas de que Dybala é o herdeiro de Pastore na Sicília. A cumprir a segunda época no clube, o avançado explodiu definitivamente e é claramente o activo mais valioso do Palermo nesta fase. Quem o quiser, terá de pagar muito bem. O argentino, que tem características algo semelhantes às de Vietto, embora seja menos “elegante” no seu jogo, finalmente conseguiu aliar as boas exibições aos golos (já tem 9 no campeonato) e está, sem surpresas, a despertar a atenção de emblemas de maior dimensão. Com 21 anos, Dybala tem estado a um nível extraordinário e não deve demorar a dar o salto. É um jogador versátil, explosivo, com uma qualidade técnica assinalável, com muita capacidade de desequilibrar no 1×1 e um poder de finalização fora do comum, especialmente com o pé esquerdo. O Palermo tem uma jóia com um potencial tremendo e a sua dupla de ataque (Franco Vázquez também tem brilhado) tem sido absolutamente decisiva na boa temporada do clube, que ocupa o sétimo lugar.

Vietto e Dybala têm uma qualidade que não engana e são jogadores a seguir com muita atenção nos próximos tempos. O percurso que estão a fazer nos respectivos clubes certamente irá levá-los para os grandes palcos europeus, onde o seu futebol poderá atingir patamares altíssimos. No que diz respeito à selecção, que tem opções que nunca mais acabam no ataque, terão de esperar e conquistar estatuto, e não é certo que haja espaço para os dois. Veremos isso mais tarde, porque agora o melhor é desfrutar da genialidade dos dois craques argentinos.

Foto de Capa: Facebook do Palermo

Sporting de Braga 7–1 Belenenses: Azuis devorados em Braga

futebol nacional cabeçalho

O Sporting de Braga goleou o Belenenses por sete bolas a uma no Estádio AXA e apurou-se para as meias finais da Taça de Portugal, onde vai encontrar o Rio Ave. Os “Guerreiros do Minho” foram extremamente eficazes e construíram um resultado gordo frente a um Belenenses que não teve qualidade para fechar os caminhos da sua baliza.

Num jogo marcado pela estreia de Carlos Martins com a camisola azul (foi substituído ao intervalo por Fábio Nunes), Sérgio Conceição devolveu a titularidade na baliza ao russo Kritciuk, um dos heróis da vitória na Luz, na eliminatória anterior. Os homens da casa entraram melhor na partida, com Felipe Pardo a ser o elemento em maior destaque. O primeiro golo chegou no final do primeiro quarto de hora, com Aderlan Santos a desviar um cabeceamento de André Pinto para dentro da baliza. Os dois centrais combinaram bem após canto apontado por Pardo. Cinco minutos depois, Rafa beneficiou de um mau alívio de Matt Jones mas, de baliza aberta, rematou por cima. Segundos depois, o mesmo Rafa redimiu-se e apontou o 2-0.

Na melhor jogada da primeira parte, à passagem da meia hora, Pardo rematou de pé esquerdo com a bola a beijar a barra antes de sair por cima. Ainda antes do intervalo, Deyverson desperdiçou uma boa ocasião para reduzir e os bracarenses aumentaram para 3-0, com um bom cabeceamento de Ruben Micael. No último lance da primeira metade, Deyverson foi expulso após pisar André Pinto. Apesar de tudo, parece não ter havido intenção de agredir por parte do avançado brasileiro. A vencer por três golos ao intervalo e com um homem a mais, Sérgio Conceição estava tranquilo e aproveitou a segunda parte para gerir a utilização de alguns dos seus atletas, tendo em conta o importante desafio do próximo domingo, em casa, frente ao Sporting.

A segunda parte começou da mesma forma que decorreu a primeira e Pardo apontou o quarto golo, com um remate cruzado após excelente diagonal da direita para o centro. Os “azuis” ainda reduziram aos 57 minutos por Fábio Nunes, entrado ao intervalo, após uma boa incursão de Miguel Rosa pelo lado esquerdo. Contudo, o jogo só dava Braga e Éder também inscreveu o seu nome na ficha de jogo, a meio da segunda parte, com um remate que ainda tabelou em Palmeira.

Já sem Ruben Micael, Pardo e Éder em campo, após terem sido substituídos, os bracarenses apontaram mais dois golos. Alan, após excelentes receção de bola e rotação, rematou de pé esquerdo à meia volta para o sexto golo dos arsenalistas. As contas ficaram fechadas aos 88 minutos quando Pedro Tiba, após tabela com Alan, entrou na área e, já na linha final e com pouco ângulo, aproveitou uma péssima mancha de Matt Jones para fazer o 7-1 com um remate que passou entre as pernas do guardião inglês.

Pardo foi uma das figuras do encontro Fonte: Facebook Sporting de Braga
Pardo foi uma das figuras do encontro
Fonte: Facebook Sporting de Braga

Foi um jogo bastante seguro e eficiente dos bracarenses, com destaque para Pedro Tiba e Felipe Pardo, dois jogadores que estiveram em várias ações de perigo da equipa da casa. O setor defensivo dos azuis esteve mal na partida, talvez acusando o desguarnecimento que Lito Vidigal deu ao miolo da equipa. O Belenenses está habituado a alinhar com Pelé e Bruno China à frente dos centrais, dois jogadores que efetuam um excelente trabalho defensivo e que dão muita ajuda e segurança à dupla composta por João Meira e Gonçalo Brandão. Nesta partida, Lito Vidigal optou por deixar Bruno China no banco e deu a titularidade pela primeira vez ao experiente Carlos Martins, inscrito neste mês de janeiro. Com esta alteração, a equipa ficou mais desprotegida na zona do seu meio campo defensivo, dado que Carlos Martins é um jogador menos dotado para essas missões do que Bruno China. Frente a uma equipa fortíssima nas transições e que também circula muito bem a bola quando está na sua ação ofensiva, este detalhe foi, na minha opinião, fatal.

Os bracarenses mantêm assim o seu estádio como uma fortaleza até agora invencível nesta temporada, mas que vai receber um teste de superior grau de dificuldade no próximo domingo com a visita do Sporting. Vai ser um jogo muito importante em que os bracarenses procuram redimir-se da derrota do passado fim de semana nos Barreiros e podem, em caso de vitória, ultrapassar os “leões” na tabela classificativa. Já o Belenenses, depois desta pesada goleada e de um empate a zero, no Restelo, frente à Académica, terá mais um jogo muito difícil no próximo sábado, no Estádio do Dragão. Curiosamente, devido à expulsão no jogo de hoje, Deyverson deverá, novamente, falhar um jogo frente a um dos chamados “grandes” do nosso campeonato. Não será fácil arrecadar no Dragão a primeira vitória em 2015.

A Figura:

Felipe Pardo – Podia escolher aqui vários dos jogadores do Braga, mas preferi escolher o colombiano pela sua energia dentro do campo. Não pára quieto e, quando a bola chega aos seus pés, transforma completamente os ataques dos arsenalistas. Depois de marcar em Guimarães e na Luz, voltou a marcar na Taça de Portugal.

O Fora de Jogo:

Lito Vidigal – Penso que podia ter guardado a estreia de Carlos Martins para outra partida. Mudar numa zona tão sensível do terreno em pleno Estádio AXA foi uma atitude muito arriscada e os “azuis” de Belém pagaram a fatura com sete golos encaixados na baliza de Matt Jones.

Foto de capa: Facebook SC Braga

Atl. Madrid 2-0 Real Madrid: Sem Ronaldo, quem pega nos merengues?

cab la liga espanha

Foi interessante ver o Real Madrid sem Cristiano Ronaldo, pelo menos durante os primeiros 63′ do encontro, uma vez que o internacional português começou a partida no banco de suplentes. Como será, afinal, esta equipa merengue sem CR7? Em termos defensivos, surpreendam-se ou não, é praticamente igual. O Real Madrid não fica mais fraco lá atrás, mas perde, logicamente, muita capacidade de decisão na frente de ataque. Benzema fica uma sombra daquilo que tem sido, Bale tarda em justificar (será que alguma vez o vai fazer?) o dinheiro investido na sua contratação e não conseguiu pegar no jogo e James pareceu que nem esteve em campo. Pode então a ausência de um jogador que nem defende ser fundamental para a quebra exibicional de alguns dos colegas de equipa? A resposta é sim, pode.

Portanto, sem Ronaldo, este Real Madrid é, logicamente, muito inferior a nível ofensivo. Não só pelos golos que marca, como pela influência que exerce nos companheiros de ataque. Quase todos se apresentaram em sub-rendimento e houve apenas um elemento a remar contra a maré: Isco. Esta ausência de CR7 acabou por evidenciar as qualidades do jovem espanhol de 22 anos, que foi claramente o elemento mais participativo no jogo dos merengues. Foi o único capaz de fazer as ligações entre setores, conseguiu ser o mais dinâmico em campo e esteve sempre em evidência a tentar provocar desequilíbrios na sólida defesa colchonera. Sem CR7, Isco é a estrela deste Real. Tal como o português, não tem medo de pegar na bola, de partir para cima da defesa adversária e de procurar espaços para fazer a diferença. Não se percebe como é que um jogador desta categoria esteve tanto tempo longe das opções de Ancelotti. Felizmente, o técnico italiano abriu os olhos e não olhou a “milhões” para ver quem é que merecia realmente ser titular indiscutível no onze merengue.

Isco continua em destaque no Real Madrid
Isco continua em destaque no Real Madrid

Ainda assim, e apesar da qualidade de Isco, o Real Madrid foi derrotado – de forma justa – pelo Atlético de Madrid por 2-0, na 1.ª mão dos oitavos-de-final da Taça do Rei de Espanha. Diego Simeone voltou a demonstrar o porquê de ser o melhor treinador do ano e soube novamente montar uma ratoeira para a equipa merengue. Os comandados de Ancelotti voltaram a entrar com a ilusão de que se encontravam no domínio de todo o jogo, mas acabaram por sucumbir perante as investidas em contra-ataque e através das bolas paradas dos colchoneros. O Atlético soube defender, soube esperar pelos momentos certos para atacar e beneficiou ainda da (pouca) inteligência de Sergio Ramos para se colocar em vantagem. Chega a ser exasperante olhar para a postura do defesa-central espanhol em campo. Ninguém lhe nega a boa capacidade atlética, mas na posição em que atua pede-se concentração e simplicidade. Ramos consegue sempre evitar cumprir estes dois requisitos. Acumula erros atrás de erros e vai mantendo um posto no Real Madrid apenas pelo estatuto que ganhou ao longo da carreira. Hoje cometeu o penalty que deu o 1.º golo ao Atlético, num lance absolutamente patético, em que Raul García aproveitou bem a imaturidade (?) do defesa espanhol. Ainda fico para perceber o que tem mais de fazer Varane para lhe roubar o lugar no eixo da defesa.

No jogo desta quarta-feira, destaque ainda para a exibição segura de Oblak, antigo guarda-redes do Benfica. O processo de integração do esloveno na equipa está a ser preparado de forma minuciosa por Simeone, que não quer apressar ou dar algum passo em falso na carreira do jovem guardião de 22 anos. Já Fernando Torres, em dia de estreia, esteve apagado e prevê-se que venha a ter muitas dificuldades para se integrar nesta equipa do Atlético de Madrid.

Créditos à Fotografia de Capa: sporras (Flickr)