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Manchester City x Chelsea (head-to-head)

cab premier league liga inglesa

Esta Premier League não está a correr como era esperado. Liverpool, Arsenal e sobretudo o Manchester United estão muito longe daquilo que foram em épocas anteriores e isso reflecte-se na tabela classificativa. Se no passado tivemos campeonatos empolgantes, com três ou mais equipas na disputa até ao fim, este ano apenas duas se encontram nessa batalha. E que batalha! Manchester City e Chelsea prometem emoção e espectáculo até ao último minuto. Com números muito idênticos no ano civil de 2014 (27 vitórias, 7 empates e 4 derrotas para ambas as equipas), vou com este texto dar a minha visão sobre este duelo de milionários.

BALIZA
Nesta posição o Chelsea está claramente mais forte. É, na minha opinião, a equipa a nível mundial que está melhor servida. Tanto Thibaut Courtois como Petr Cech são melhores do que o titular da equipa dos citizens – Joe Hart.

DEFESA
Uma das grandes virtudes de Mourinho – a construção de defesas fortes e sólidas. Gary Cahill e um renascido John Terry têm sido absolutamente fenomenais na protecção da baliza defendida por Courtois. Ganham a maior parte das bolas aéreas e compensam a pouca velocidade com um sentido posicional muito bom. Igual para Ivanovic. Não é um tipo de lateral direito que eu aprecie, mas a verdade é que há poucos tão eficazes como ele. Não lhe peçam para fazer piscinas e cruzamentos milimétricos, mas é provavelmente o melhor do mundo da sua posição em trabalho defensivo, letal também em bolas paradas. Do outro lado temos outro jogador que nunca seria uma primeira escolha da minha equipa de sonho, Azpilicueta, mas a verdade é que o espanhol não perdeu o lugar para Filipe Luís. Uma vez Mourinho disse que ganhava uma Champions League se jogasse com onze Azpilicuetas e é capaz de ter razão. Afinal, é Mourinho que o diz.

Do lado adversário, a dupla de centrais utilizada por Pellegrini não tem sido regular: Mangala, Demichelis e Kompany vão trocando entre si. Não é tão sólida e tão forte como a defesa dos azuis londrinos, mas ainda assim é melhor do que todas as outras da Premier League, o que diz muito da qualidade destas duas equipas. Do lado direito da defesa surge Zabaleta, para muitos o melhor defesa direito do mundo. Melhorou bastante o seu jogo ofensivo com a vinda do técnico chileno, e mantém um nível elevado de regularidade já há algum tempo. Nem a chegada de Sagna a Manchester fez tremer o vice-campeão do Mundo. Na esquerda já temos alguma rotatividade entre Clichy e Kolarov. São jogadores muito diferentes, mas de qualidade semelhante naquilo que trazem ao jogo.

Defesas sérvios em disputa acesa Fonte: Facebook do Man City
Defesas sérvios em disputa acesa
Fonte: Facebook do Man City

MEIO CAMPO
A chegada de Matic ao grupo de José Mourinho, em Janeiro de 2014, veio trazer uma segurança enorme e ainda uma calma na construção de jogo que não havia com David Luiz. É por esta altura considerado por muitos o melhor médio a jogar em terras britânicas e esta época tem estado absolutamente incrível. Faz do corpo uma muralha quase intransponível. Corta, ganha no ar e sai a jogar com qualidade. Se a chegada de Matic veio trazer destruição do jogo adversário, a chegada de Fàbregas veio trazer construção e um equilíbrio perfeito à equipa de Londres. Joga como um vagabundo no meio campo e tanto aparece ao lado de Matic como está a assistir na perfeição Diego Costa, surgindo por vezes na pele de um verdadeiro ponta de lança em zonas de finalização. O elemento mais avançado deste miolo é Óscar, um verdadeiro 10, mas não um verdadeiro 10 brasileiro. Um 10 europeu. Um 10 que sabe fintar, rematar, passar e marcar livres, mas um 10 que também sabe fazer um sliding tackles e apoiar a defesa quando necessário.

Em Manchester temos a dupla dos Fernandos. O ex-Porto tem-se revelado aos ingleses que duvidavam da sua valia. No Dragão jogava sozinho à frente da defesa e era assim que sabia jogar bem. Colocar um jogador ao seu lado era quase enjaulá-lo a si mesmo. Cresceu, ganhou maturidade táctica e agora sim tem ao seu lado um grande amparo. Fernando é um trinco que sabe destruir, mas que não sabe construir; talvez daí a sua saída tão tardia do FC Porto para um campeonato de maior dimensão. Neste Manchester City joga com Fernandinho ao seu lado, que tem a função de ser o primeiro construtor de jogo da equipa. Ainda no centro do terreno aparece Yaya Touré, que dispensa qualquer tipo de apresentações. Um tractor em campo. Apesar de não parecer apresentar-se na sua melhor forma, continua a ser um jogador excepcional e um dos melhores médios do mundo. Corta, corre, passa e remata. Um enorme jogador. Quem contrasta com Yaya a nível de forma é Samir Nasri. Depois de quase duas temporadas em que passou algo despercebido da equipa e sem grande importância no seu jogo, o francês tem sido um dos melhores dos light blues. Já David Silva é outro, mas esse nunca se escondeu. Um enorme jogador que tende a criar grandes lances e marcar enormes golos, um génio. Jesus Navas trouxe a velocidade que faltava às alas desta equipa. Supersónico, é capaz de rasgar uma defesa quando arranca e depois tanto finaliza como assiste com classe.

Lampard
Lampard é um elo de ligação entre os dois clubes
Fonte: Facebook do Man City

ATAQUE
Eto’o, Torres e Demba Ba. Estes eram os três atacantes que Mourinho tinha à sua disposição na passada época. Esses três juntos não faziam um Diego Costa. O hispano-brasileiro tem tudo para se consagrar como o melhor avançado do planeta esta época. Provavelmente vai terminar o campeonato como goleador máximo. Um jogador à imagem de Mou – forte, muito forte. Provocativo, muito provocativo. Para além de receber as assistências magníficas de Cesc, tem ainda o enorme prazer de ser apoiado por Willian na direita, uma flecha, e por Hazard na esquerda, um dos melhores do mundo. O belga está cada vez melhor e a cada arrancada que faz os adeptos sentem que há ali muitas hipóteses de acabar com a bola no fundo da baliza.

No Etihad Stadium joga-se com um sistema diferente. Dzeko e Agüero complementam-se de forma quase perfeita, e é com muita pena que não posso ver esta dupla mais vezes. As lesões tanto de um como do outro condicionam e muito a qualidade ofensiva desta equipa. Ainda assim, quando jogam, formam uma das melhores duplas do globo. Se conseguisse jogar com tanta regularidade como Messi e Ronaldo, Agüero estaria, na minha opinião, na luta com os dois pela Bola de Ouro, algo demonstrativo da qualidade do argentino.

Hazard é uma das figuras do ataque londrino  Fonte: Facebook do Man City
Hazard é uma das figuras do ataque londrino
Fonte: Facebook do Man City

BANCO
O Chelsea tem mais e melhores opções para colmatar saídas do seu onze. Na baliza, Cech oferece mais segurança do que o titular do Manchester. Para a defesa há dois jovens prodígios (Zouma e Aké) e ainda Filipe Luís, que foi peça fundamental de Simeone no Atletico Madrid. No meio campo, quer Ramires, quer Obi Mikel eram titulares em quase todas as outras equipas da Premier. O mesmo se passa com Schürrle, Salah, Drogba ou Rémy, opções mais ofensivas.

Pellegrini, por sua vez, tem um banco mais pobre. Trouxe consigo do Málaga Willy Caballero, que, apesar de tudo, cumpre bem quando chamado a jogo. Na defesa, sim, estão mais bem servidos do que o conjunto de José Mourinho. De Kompany, Mangala ou Demichelis há sempre um que vai ao banco. Assim como Kolarov ou Clichy, não esquecendo ainda Bacary Sagna, que tanto pode jogar a defesa lateral direito como a defesa central. No meio campo perdem claramente: apesar de Lampard e Milner estarem muito bem, não me parece que ofereçam tanta frescura a partir do banco como um Ramires ou um Schürrle. No ataque, creio existir um empate. O recém-chegado Bony e o montenegrino Jovetic são excelentes opções a partir do banco e podem desbloquear um jogo a qualquer momento. Mas o City é um clube especial, já que do meio campo para a frente é quase impossível distinguir os titulares, dado o elevado número de lesões neste sector do terreno.

TREINADOR
Mourinho vence, claro. O ano passado, com uma equipa muito pior em relação à desta temporada, andou lá na luta. Mas a verdade é que o campeão é o seu rival.

VEREDICTO FINAL
Na minha opinião, mas contra a minha vontade, o Chelsea vai acabar por ser o campeão. Numa competição com níveis competitivos tão elevados como os do campeonato inglês, ter um bom banco é quase tão fundamental como ter um grande onze inicial. O facto de Mourinho costumar vencer os jogos ‘a doer’ tem também um peso enorme nesta minha antevisão.

Foto de Capa: Facebook do Man City

CAN’2015: Grupo A, o mais fraco da prova

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Já falta pouco para começar a edição de 2015 da Taça das Nações Africanas. O torneio decorrerá entre amanhã e o dia 7 de Fevereiro na Guiné-Equatorial.

Ao contrário do que estava planeado, a CAN 2015 não se irá realizar em Marrocos, devido ao risco da propagação do vírus do ébola. O governo marroquino optou por rejeitar a realização do torneio, ficando a Guiné-Equatorial o país responsável pela sua organização, tal como aconteceu em 2012 – nessa altura em conjunto com o Gabão.

Com estas alterações, Marrocos junta-se à Nigéria, a Angola e ao Egipto como as principais ausências da competição. Para os fãs do futebol africano será uma pena não se verem em ação jogadores destes quatro países como Enyeama, Ahmed Musa, Obi Mikel, Onazi e Omeruo (Nigéria), Elmohamady e Salah (Egipto), Belhanda, Benatia e Boussoufa (Marrocos) e Vetokele e Geraldo (Angola). Além dos craques destes países, outros jogadores como Adane Girma (Etiópia), Adebayor, Romao e os irmãos Ayité (Togo), Emmanuel Okwi (Uganda), Mexer e Simão (Moçambique), Maazou (Níger), Luís Leal (São Tomé e Príncipe), Ulimwengu e Samatta (Tanzânia), Sami (Guiné-Bissau) e Sessègnon (Benim) também não estarão presentes nos estádios da Guiné-Equatorial.

Por razões históricas e culturais, em Portugal as atenções vão estar voltadas sobretudo para Cabo Verde, única selecção dos PALOP a qualificar-se para a fase final da competição. Além disso, o seleccionador é português: Rui Águas. Contudo, não será a única selecção a chamar a atenção aos portugueses, já que o Gabão também é treinado por um português: Jorge Costa.

Grupo A

Guiné-Equatorial – Nzalang Nacional

Emilio Nsue é um dos mais jogadores mais cotados dos anfitriões  Fonte: Wikipédia
Emilio Nsue é um dos mais jogadores mais cotados dos anfitriões
Fonte: Wikipédia

A Guiné-Equatorial apresenta-se como a mais limitada selecção deste torneio. De uma lista de jogadores repleta de desconhecidos, mesmo para quem segue o futebol africano – muitos deles nem sequer são conhecidos no país já que nasceram fora -, o nome que mais se destaca é o de Emilio Nsue. Trata-se de um médio direito internacional jovem espanhol, de 25 anos, formado no Maiorca, e que por lá fez grande parte da sua curta carreira. Contudo, o jogador trocou na pré-temporada de clube, tendo assinado pelo Middlesbrough. Outros nomes, como Juvenal e Charly, poderão pedir um olhar mais atento, mas, com todo o devido respeito para os jogadores, sem grande intensidade.

O seu treinador é Esteban Becker, argentino de 51 anos que assumiu o comando da equipa apenas no início de 2015. Becker era até à data o selecionador nacional feminino, mas devido à recusa de Goikotxea em renovar arcou também o cargo na selecção masculina. O argentino não conta com um grande currículo, contribuindo para uma opinião menos favorável em relação à qualidade dos organizadores.

Curioso verificar-se que algumas das principais figuras da equipa da CAN’2012 não constam na convocatória, como Ekanga, Fidjeau, Doe e Konaté.

1. Felipe Ovono (Deportivo Mongomo) – GR
2. Ruben Belima (Real Madrid Castilla) – Méd
3. Dani Evuy (Piast Gliwice) – Def
4. Rui (Hibernians) – Def
5. Diosdado Mbele (Leones Vegetarianos) – Def
6. Juvenal (FC Santa Coloma) – Méd
7. Ivan Bolado (Pune City) – Ava
8. Randy (Iraklis Psachna) – Méd
9. Raul Fabiani (Olimpic Xátiva) – Ava
10. Emilio Nsue (Middlesbrough) – Méd
11. Javier Balboa (Estoril) – Méd
12. Kike (RCD Mallorca B) – Ava
13. Aitor Embela (Malaga) – GR
14. Ivan Zarandona (Biu Chun Rangers) – Méd
15. Charly (College Europa) – Méd
16. Sipo (AEK Larnaca) – Def
17. Miguel Angel (Akonangui) – Def
18. Viera Ellong (The Panthers) – Méd
19. Igor (Tropezon) – Def
20. Pablo Ganet (San Sebastian de los Reyes) – Méd
21. Carlos Mosibe (Atletico Malabo) – GR
22. Iban (Valencia Mestalla) – Ava
23. Ruben Dario (Leones Vegetarianos) – Ava

Burkina Faso – Les Etalons

Alan Traoré, companheiro de Raphael Guerreiro no Lorient,  Fonte: Wikipédia
Alan Traoré, companheiro de Raphael Guerreiro no Lorient, é um dos destaques do Burkina-Faso
Fonte: Wikipédia

Embora seja considerada por alguns analistas desportivos como uma selecção menos competente, o Burkina Faso tem um dos lotes de jogadores mais compactos da competição. É verdade que alguns deles começam a entrar numa fase mais decadente da sua carreira, mas também é verdade que outros talentos começam a emergir e a deixar água na boca aos seus adeptos.

Dos vários jogadores interessantes a atuar nesta equipa, como Nakoulma, Kaboré, Pitroipa ou o novo menino bonito do futebol burquinabê, Bertrand Traoré, o que mais qualidade parece ter é Alain Traoré. O médio de 26 anos é dos jogadores mais excitantes deste torneio e, não fossem algumas lesões na sua carreira, estaria, sem dúvida, num outro patamar competitivo. O jogador saiu cedo do seu país para se juntar ao Auxerre e por lá andou até à época 2011/12, mudando-se na época a seguir para o Lorient. Se conseguir ligar a sua qualidade técnica à condição física desejada, será certo que não deixará ficar mal os seguidores do torneio.

O seu selecionador é Paul Put, treinador belga de 58 anos, ligado ao melhor e ao pior do futebol. Por um lado conseguiu levar o Burkina Faso, um verdadeiro outsider, à final da CAN’2013, tendo perdido com a Nigéria por apenas 0-1. Por outro lado, Paul Put esteve já banido pela Federação do seu país por estar ligado à combinação de resultados quando treinava o Lierse.

1. Moussa Fofana (Kadiogo) – GR
2. Steeve Yago (Toulouse) – Def
3. Moussa Yedan (Al-Ahly) – Méd
4. Bakary Koné (Olympique Lyonnais) – Def
5. Mohamed Koffi (Zamalek) – Def
6. Djakaridja Koné (Évian TG) – Méd
7. Florent Rouamba (CA Bastia) – Méd
8. Paul Koulibaly (Horoya) – Def
9. Issa Gouo (Kaloum Star) – Def
10. Alain Traoré (Lorient) – Méd
11. Jonathan Pitroipa (Al-Jazira) – Ava
12. Adama Guira (SønderjyskE) – Méd
13. Narcisse Bambara (Universitatea Cluj) – Def
14. Wilfried Balima (Sheriff Tiraspol) – Def
15. Aristide Bancé (HJK) – Ava
16. Abdoulaye Soulama (Hearts of Oak) – GR
17. Jonathan Zongo (Almería) – Méd
18. Charles Kaboré (Kuban Krasnodar) – Méd
19. Bertrand Traoré (Vitesse) – Méd
20. Issiaka Ouédraogo (Admira Wacker Mödling) – Ava
21. Abdou Traoré (Kardemir Karabükspor) – Méd
22. Prejuce Nakoulma (Mersin İdmanyurdu) – Méd
23. Germain Sanou (Beauvais) – GR

Gabão – Les Panthères

Aubameyang pode ser uma das figuras da CAN Fonte: Facebook de Aubameyang
Aubameyang pode ser uma das figuras da CAN
Fonte: Facebook de Aubameyang

Com o futebol local em crescendo, fruto de uma aposta na formação, o Gabão tem conseguido criar uma base sólida que lhe permite sonhar com belos feitos no futuro. É verdade que não são muitos os jogadores que jogam em equipas de grande reputação internacional, mas a sua geração de 1990-92 é das mais fortes em África, oferecendo à equipa um leque de jogadores com potencial e extremamente competentes que têm tudo para oferecer coisas bonitas ao seu país.

O realce óbvio vai para Pierre-Emerick Aubameyang, jogador do Borussia Dortmund, nascido em França, filho do também internacional gabonês Yaya Aubameyang. O veloz atacante de 25 anos está bastante moralizado por ter alcançado o segundo lugar na votação para o melhor jogador africano do ano e, com os índices de motivação em alta, terá tudo para fazer uma excelente competição.

Mas este não deverá ser o único a brilhar na selecção de Jorge Costa. Depositam-se muitas expectativas sobre outros jogadores, como Ecuele Manga, excelente defesa-central do Cardiff; André Biyogho Poko, jovem médio-centro do Bordéus; e Malick Evouna, forte avançado do WA Casablanca.

1. Didier Ovono (Oostende) – GR
2. Aaron Appindangoyé (Mounana) – Def
3. Johann Lengoualama (Difaâ El Jadidi) – Ava
4. Yrondu Musavu-King (Caen) – Def
5. Bruno Ecuele Manga (Cardiff City) – Def
6. Johann Obiang (Chateauroux) – Def
7. Malick Evouna (Wydad Casablanca) – Ava
8. Lloyd Palun (Nice) – Def
9. Pierre-Emerick Aubameyang (Borussia Dortmund) – Ava
10. Frédéric Bulot (Charlton Athletic) – Ava
11. Lévy Madinda (Celta Vigo) – Méd
12. Guélor Kanga (Rostov) – Méd
13. Samson Mbingui (MC El Eulma) – Méd
14. Randal Oto’o (Braga) – Def
15. Henri Junor Ndong (Auxerre) – Def
16. Anthony Mfa Mezui (Metz) – GR
17. André Biyogo Poko (Girondins Bordeaux) – Méd
18. Alexander N’Doumbou (Olympique Marseille) – Méd
19. Benjamin Zé Ondo (ES Sétif) – Def
20. Bonaventure Sokambi (ASO Chlef) – Méd
21. Romaric Rogombé (Léopards) – Ava
22. Didier Ibrahim N’Dong (Lorient) – Méd
23. Yves Bitséki (Bitam) – GR

Congo – Diables Rouges

Ladislas Douniama, avançado do Guingamp  Fonte: Wikipédia
Ladislas Douniama, avançado congolês do Guingamp 
Fonte: Wikipédia

Com um dos elencos mais desconhecidos do torneio, que tem inclusive um dos maiores grupos de jogadores locais (8 jogadores), o Congo aparece aqui como uma bela surpresa. Mas se tivermos em conta que a equipa é comandada por um dos melhores “Feiticeiros Brancos” – nome que se dá aos bons e experientes treinadores caucasianos em África – no seu leme ajuda bastante. Chama-se Claude Le Roy, e é um treinador francês de 66 anos que irá para a sua 8.ª CAN!

Com um influência francesa bastante forte, espera-se que os desempenhos da equipa não sejam muito incompetentes, mesmo tendo em conta a inexperiência motivada tanto pelas idades – os dois jogadores mais velhos têm 29 anos -, como pela falta de rotina competitiva – apenas o médio Delvin N’Dinga jogou esta época a Champions League.

E será mesmo esse o jogador congolês que mais atenção requererá dos adeptos da competição. Trata-se de um médio-centro de características defensivas de 26 anos, que joga actualmente no Olympiakos, por empréstimo do AS Mónaco, para onde foi depois de se ter destacado ao serviço do Auxerre, que o recrutou em 2005 no seu país de origem. Enquanto a geração do Mundial Sub-20 2011 ainda não alcançou a qualidade necessária para fazer parte de uma forma mais activa desta selecção, as maiores atenções, para além de N’Dinga, vão para Thievy Bifouma e Chris Malonga.

1. Christoffer Mafoumbi (Le Pontet) – GR
2. Francis N’Ganga (Charleroi) – Def
3. Igor N’Ganga (Aarau) – Def
4. Boris Moubhibo (Léopards) – Def
5. Arnold Bouka Moutou (Angers) – Def
6. Dimitri Bissiki (Léopards) – Def
7. Prince Oniangue (Stade de Reims) – Méd
8. Delvin N’Dinga (Olympiakos) – Méd
9. Silvére Ganvoula M’Boussy (Raja Casablanca) – Ava
10. Férébory Doré (CFR Cluj) – Ava
11. Fabrice N’Guessi (Wydad Casablanca) – Ava
12. Francisc Litsingi (Teplice) – Ava
13. Thievy Bifouma (Almería) – Ava
14. Césaire Gandzé (Léopards) – Méd
15. Ladislas Douniama (Guingamp) – Ava
16. Chancel Massa (Léopards) – GR
17. Chris Malonga (Laussane) – Méd
18. Marvin Baudry (Amiens) – Def
19. Dominique Malonga (Hibernian) – Ava
20. Hardy Binguila (Diables Noirs) – Méd
21. Sagesse Babéle (Léopards) – Méd
22. Pavelh Ndzila (Étoile du Congo) – GR
23. Atoni Mavoungou (ACNFF) – GR

Foto de Capa: Matthew Kenyon

Jogo Interior #2 – A Operacionalização da Mentalidade: A Influência do Treinador

jogo interior

Sempre me interessou esta questão da mentalidade, quer no desporto, nomeadamente no futebol, quer na dimensão profissional das nossas vidas. Desde os meus tempos de jogador que ouço muita gente a falar em mentalidade como se fosse algo de que o sucesso de uma equipa dependesse. E é…

Antes de mais devo deixar algum suporte para o que vou apresentar a seguir. Considerando que a mentalidade é um conceito filosófico que traduz um estado de espírito, mais ou menos permanente, ou até transitório, no qual um grupo ou um indivíduo expressam o seu modo de pensar e/ou sentir numa dada situação, através de determinadas acções ou reacções, então a mentalidade é um gestor de comportamento individual ou colectivo, sendo que a soma dos comportamentos individuais dá origem a um padrão de comportamento colectivo.

Indo ao cerne da questão, a mentalidade é um dos fios condutores do sucesso de uma equipa. Dependendo da mentalidade do conjunto dos jogadores, a equipa terá mais ou menos sucesso na concretização do objectivo do jogo, o golo e/ou o objectivo final, mais um golo marcado do que o adversário. Surgem-me entretanto algumas questões. A mentalidade colectiva de uma equipa do topo da tabela será diferente da mentalidade colectiva de uma equipa do fundo da tabela? A mentalidade de um avançado será diferente da mentalidade de um defesa ou de um guarda-redes? A mentalidade do Talisca será diferente da mentalidade do Jackson Martinez? A mentalidade do Sérgio Conceição será diferente da mentalidade do Marco Silva? É muito relativo e, na minha perspectiva, depende muito do ambiente, do contexto e da motivação.

Ouvimos falar (e até podemos observá-lo) que o Cristiano Ronaldo é muito forte mentalmente. O que é que isso significa? Que ele expressa a sua mentalidade através de acções que traduzem persistência, paciência, resiliência, capacidade de luta, um foco muito grande nos seus processos e acções, e coragem para vencer muito superior ao medo de perder, entre outras coisas. Quem diz o Cristiano, diz também o Messi, o Neuer, o Robben, etc. É a mentalidade que separa os vencedores dos outros. A mentalidade permite que todos estes jogadores, que são de topo, mantenham consistência e constância na sua actividade.

Ronaldo e Messi, dois exemplos de mentalidade  Fonte: telegraph.co.uk
Ronaldo e Messi mostram como é necessário ter a mentalidade certa para permanecer no topo
Fonte: telegraph.co.uk

Passando àquilo a que eu chamo “Operacionalização da Mentalidade”, considero que os atletas que são dotados com uma mentalidade forte têm um padrão de comportamento próprio, pouco influenciado pelos treinadores que tiveram ou têm. Nas equipas do fundo da tabela, por esses campeonatos fora, existem muitos jogadores que têm uma mentalidade forte. O sucesso, ou falta dele, tem mais a ver com os padrões de comportamento colectivo, no qual o treinador tem influência, através da sua liderança, da sua comunicação e relação, das dinâmicas que cria nos seus processos, do que propriamente com os padrões de comportamento individual. É possível “operacionalizar” a mentalidade, tal como se operacionaliza os momentos do jogo, o modelo de jogo, as transições ou a posse de bola, no treino? Pode o treinador ter influência ou conseguir que um jogador seu mude a sua mentalidade transitoriamente ou até permanentemente? Isto é, existirá alguma possibilidade de um atleta modificar os padrões de comportamento individuais através de uma mudança do seu pensamento ou sentimento e com isso implementar acções ou reacções alinhadas com os pressupostos de um padrão mais enérgico, positivo, motivado, orientado para o sucesso e 100% alinhado com a mentalidade do seu treinador?

Em alguns momentos e acções o treinador consegue influenciar os padrões de comportamento e ter interferência na mentalidade da equipa mas nunca na mentalidade individual dos jogadores. Algumas partes da motivação do jogador é que alimentam a sua mentalidade e a principal motivação deste é, numa grande escala, intrínseca. É gerada no jogador e não através do “chicote e da cenoura”, as recompensas tradicionais. A liderança exemplar do treinador e a comunicação assertiva, entusiasta e dinâmica conseguem por vezes gerar esta motivação e inspirar mudança mas a responsabilidade do jogador é total.

Pelas características técnicas, físicas e psicológicas individuais dos jogadores, existem alguns com maior mentalidade ofensiva, outros com maior mentalidade defensiva. Poderemos considerar estes tipos de mentalidade como subcategorias mas a mentalidade é só uma e é complexa.

Por todos estes factores, e mais alguns, é que o futebol é tão belo e complexo. A linha que separa a emoção da razão é tão ténue que quase não se vislumbra. O papel do treinador é tão fundamental quanto difícil e árduo. Muito do seu trabalho é intuitivo e até a sua própria mentalidade pode ser contagiante, seja ela fraca ou forte. Pensando num treinador que tenha a personalidade forte e/ou bastante atitude, existe uma enorme probabilidade de este ter também uma mentalidade forte e seja extra-motivado, mas isto não significa que tenha superpoderes, como muitos julgam. Apesar de tudo, um treinador, mesmo inserido num ambiente complexo, é simplesmente humano e só poderá influenciar quem quer que seja se este último quiser.

Foto de Capa: Flickr (CFCUnofficial)

A rotação que começa a dar frutos

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atodososdesportistas

Das críticas aos elogios: este é o dia-a-dia dos treinadores de futebol. Temos o exemplo maior de Jorge Jesus, que há dois anos era odiado por grande parte da massa adepta do Benfica – depois de ser campeão de forma fantástica, surpreendendo tudo e todos com um sistema 1-4-1-3-2 que se veio a provar não ter resultados na Europa – e hoje em dia é o “rei da Luz” (não tirando o título de “King” ao enorme Eusébio), “mestre da táctica” ou “formador de jogadores”.

O mesmo começa a acontecer com o timoneiro dos Dragões, Lopetegui. Aos poucos, a tão criticada rotação de plantel do espanhol começa a dar resultados. Temos presenciado exibições de luxo e todos os jogadores que entram em campo têm apresentado qualidade: até Evandro, jogador que num texto anterior considerei dispensável, tem dado ares de sua graça nestes últimos dois jogos. A continuar assim, não tenho dúvidas de que aparecerão com mais frequência jogadores como Gonçalo Paciência ou Ivo Rodrigues (estes os mais prováveis) e que não seja de estranhar a inclusão de Rafa (defesa-esquerdo), Kayembe (lateral/extremo esquerdo), Tomas Podstawski (médio centro) ou André Silva (avançado), isto sabendo que o jovem Mikel Ogu recupera a passos largos de uma grave lesão (fractura na tíbia) contraída no primeiro treino da época.

Tudo isto me deixa muito satisfeito, pois a “Barcelonização” que Lopetegui fomentou no reino do Dragão parece ter chegado ao ponto de estabilidade e, sinceramente, duvido que “este” Porto perca algum jogo para o campeonato até final da época, salvo algum “dia não” (que todos têm) ou as diversas arbitragens que, na dúvida, têm prejudicado os homens da Invicta e beneficiado “outros”, de forma clara e objectiva. Mas não entro por ai, falta muito e as arbitragens não explicam tudo…

A primeira defesa de Helton após 9 meses de paragem  Fonte: Facebook do FC Porto
A primeira defesa de Helton após 10 meses de paragem
Fonte: Facebook do FC Porto

Voltando ao assunto inicial, temos visto sobretudo soluções, coisa que em planteis anteriores (por exemplo, o de Vitor Pereira) não víamos… Neste Porto temos Campaña (que belo jogador!), Angel, Marcano, Reyes, Rúben Neves, Evandro, Ivo Rodrigues, Gonçalo Paciência (que se diz ir “rodar” para o Arouca até final da época) e Aboubakar, enquanto antigamente tínhamos Abdoulaye, Defour, Kelvin, Tozé ou “1/3” de Liedson… As diferenças falam por si!

Este plantel dá garantias de sucesso, a menos que algo de “sobrenatural” aconteça. Num texto anterior (quando se contestava a continuidade de Lopetegui) disse que teríamos de esperar até Dezembro para que o plantel se adaptasse ao estilo de jogo imposto pelo espanhol e começasse a “carburar”. Parece que não me enganei… Uma equipa nova demora a ser construída. Os processos e as rotinas de jogo não se adquirem de um dia para outro, muito menos quando temos uma equipa praticamente nova, com jogadores vindos de equipas com estilos de jogo completamente diferentes.

Continuo a achar Lopetegui o homem certo no lugar certo, a escolha do meu presidente e por isso a pessoa em quem devo confiar para levar o meu Porto a bom porto…

Por outro lado, não posso deixar de referir o regresso de Helton aos relvados: o guardião com quase 10 anos de Dragão ao peito é o porta-estandarte da equipa e um elemento que tem tudo para chegar, ver e… jogar! Dentro deste estilo de jogo portista, onde a bola passa sucessivamente pelo “número 1”, não temos nenhum guarda-redes com a qualidade técnica de Helton, e já se viu que Fabiano, tendo imensa qualidade dentro dos postes, tem no jogo de pés o seu ponto fraco. Não é, por isso, de estranhar que dentro em breve vejamos o veterano guarda-redes a assumir novamente a baliza portista, coisa que me deixaria extremamente satisfeito (sou um fã de Helton, confesso)!

Helton e Rúben Neves marcam duas gerações diferentes dos Dragões  Fonte: Facebook do FC Porto
Helton e Rúben Neves marcam duas gerações diferentes dos Dragões
Fonte: Facebook do FC Porto

Estou habituado a ver personalidade nas equipas do Porto, com jogadores que marcam as diversas “eras” dos azuis-e-brancos. Neste plantel temos três: Helton, Quaresma e Rúben Neves, que marca a “nova era” azul-e-branca, jogador que será de topo e de classe muito acima da média. Dá-me gosto ver uma equipa assim, onde a restruturação não corta com tudo aquilo que de bom foi feito até então, apenas melhora o que de mal estava.

Não sendo um “lunático”, acredito plenamente que este Porto me dará muitas alegrias, e com “muitas alegrias” não digo que sejamos campeões este ano (embora pense seriamente que será). A equipa está a ser construída para um futuro que se adivinha brilhante.

Continua, Lopetegui!

Mercado aberto

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paixaovermelha
Vamos a meio de janeiro e a janela de transferências continua a trazer vários nomes associados ao Benfica. Dos nomes até agora enunciados, parece-me óbvio que o Benfica está interessado, pelo menos, na contratação de dois jogadores: Mukhtar, do Hertha de Berlim, e Jonathan, uruguaio do Peñarol.

Sobre o médio alemão (que, segundo a comunicação social, já está em Lisboa, pronto para assinar contrato) conheço muito pouco. Do que vi e li, Mukhtar é um jogador com potencial mas longe de ser uma grande promessa da sua geração, como Selke ou Stark. Ainda assim, é um jogador internacional pelas camadas jovens da Alemanha, tendo sido, aliás, capitão dos sub-19. Veremos se vem diretamente para a equipa principal ou se irá ter um período de adaptação a Portugal através da equipa B do Benfica.

Quanto a Jonathan Rodríguez, é um avançado ao estilo de Rodrigo: rápido, com muita mobilidade e agressivo no um para um. Apesar de não ter uma grande percentagem de eficácia em frente à baliza, esta época leva seis golos em 12 jogos na Liga Uruguaia. Tendo em vista a quebra de rendimento de Lima, o Benfica prepara já a próxima época, a nível ofensivo, com a contratação do avançado do Peñarol. Parece-me uma aposta segura e que facilmente agradará aos adeptos encarnados.

Se estas duas contratações realmente se tornarem oficiais, os dirigentes do Benfica confirmam um padrão demonstrado nos últimos anos, que é, evidentemente, marcado pela aposta em jovens valores da Europa e da América do Sul. São mercados com dezenas de jovens recheados de valor, ainda que nem sempre consigam afirmar-se no futebol de elite.

A substituição de Enzo Pérez será um caso sério para Jorge Jesus Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
A substituição de Enzo Pérez será um caso sério para Jorge Jesus
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Porém, após a saída de Enzo Pérez, o estilo de jogo de Jorge Jesus ficou abalado com a perda do motor da equipa. É curioso que, sabendo da importância da posição “8” no esquema tático do Benfica, os dirigentes encarnados não tenham, ainda, contratado um jogador capaz de pelo menos imitar, no imediato, o que Enzo Pérez fazia. A verdade é que o próprio Jorge Jesus defende que Talisca é uma solução viável e que Pizzi pode, também, ser o homem certo para o lugar que o argentino deixou vago. O brasileiro, pelo (pouco) que jogou até agora na posição de Enzo, não conseguiu oferecer a dinâmica necessária à equipa. E mesmo a defender mostra claras debilidades. Quanto a Pizzi, é muito cedo para se tirar alguma conclusão. Os escassos minutos de utilização mostraram qualidade e vontade de ajudar a equipa, mas é tudo ainda muito esforçado.

Infelizmente, inegável é que o Benfica chega a meio de janeiro, numa altura em que a equipa teria obrigatoriamente de estar oleada e com uma dinâmica de jogo inata entre os setores, com sérios problemas numa posição fulcral e altamente decisiva para o sucesso do coletivo. É, no mínimo, preocupante. E ainda faltam muitos jogos, muitas batalhas para que o 34.º Campeonato Nacional seja uma realidade.

Formar não é fácil

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Formar não é fácil. Exige sobretudo sensibilidade, conhecimento e paciência. Será que em Portugal estamos conscientes dos desafios que esta questão coloca? Creio que estamos a meio-gás. Tão depressa encontramos bons exemplos, onde a abordagem e a metodologia postos em prática são adequados, como de repente encontramos abordagens e comportamentos que lembram uma aproximação ao trabalho infantil e um ensaio sobre a ausência de qualquer sentido pedagógico em instituições de formação desportiva e social. Este último caso é grave, muito grave na verdade.

Actualmente é fundamental combater este último cenário. Formar significa educar e transmitir conhecimento aos atletas para que estes possam num futuro próximo ser atletas competentes e cumpridores (tanto faz se amadores, se semi-profissionais ou se totalmente profissionais). Significa igualmente oferecer-lhes ferramentas técnicas, tácticas, físicas e psicológicas para que possam realizar a respectiva prática desportiva de forma sustentável e também para que esta seja potencializada de forma contínua ao longo dos anos. Ora, os resultados são sobretudo um factor de avaliação, motivação e distinção, mas não podem ser o elemento principal. E o problema essencial que aqui se coloca é a infeliz proliferação de abordagens que apenas se concentram na obtenção de resultados e na formação de atletas focada apenas nesse fim. Crianças de seis anos não podem nem conseguem disputar uma partida de futebol como um adulto de trinta anos. Será que alguém já pensou sobre isto?

Creio que a continuada insistência neste método é pura falta de conhecimento e de reflexão. Temo que possa também ser irresponsabilidade – o que é grave, quando estamos a falar de pessoas e instituições que possuem “responsabilidades”. E como é evidente o prejuízo que daqui advém é excessivamente grande para o tamanho do nosso futebol. Penso que esta abordagem apenas trava o nosso desenvolvimento porque “castra” os atletas, porque os forma de forma deficiente (o foco nos resultados retira tempo e espaço a dados processos pedagógicos estruturantes), porque queima etapas fundamentais e porque, em muitos casos, lhes transmite maus princípios como o clássico “ganhar a qualquer custo”. Penso, acima de tudo, que esta abordagem desenvolve níveis de pressão e de stress que até aos 17 anos são prejudiciais e impedem que o atleta se desenvolva de forma “natural” e dentro do ritmo mais adequado. Na verdade, há tempo para tudo, inclusive para perder e aprender com esse momento.

Partida de escolinhas de futebol na Eslováquia. Fonte: Flickr
Partida de escolinhas de futebol na Eslováquia
Fonte: Flickr

É óbvio que tudo se torna mais simples quando se formam atletas debaixo do som da vitória. Já dizia o outro: é mais fácil formar do que ganhar. E é, mas isso não significa que quem perde esteja a formar mal. As vitórias não dizem tudo sobre o sucesso dos projectos formativos. E a derrota faz parte do processo, sobretudo em idades menores, quando o foco é a transmissão de conhecimentos básicos sobre o jogo e o desporto, quando se procura desenvolver o contacto com a bola e quando se pretende sobretudo dar minutos de jogo e convívio às crianças. Aqui, perder ou ganhar pouco importa. Importa sobretudo ter o cuidado de transmitir o conhecimento e a prática em doses correctas, no espaço certo e no momento certo. Se assim for, podemos ter a certeza de que amanhã será muito mais fácil ganhar.

Isto coloca-se desta forma porque se assiste com frequência ao surgimento de atletas em idade júnior e sénior que apresentam a ausência de conhecimento, práticas e atitudes que lhes permitam continuar a evoluir. Aliás, em diversos casos assiste-se ao surgimento de “maus” atletas: que não são maus por jogarem mal, mas porque acima de tudo são péssimos nas questões relacionadas com a responsabilidade, com o trabalho no dia-a-dia e com a forma de estar dentro e fora de campo. Falta-lhes o chamado “treino invisível”. Isto sucede porque talvez ninguém os educou nesse sentido ou porque apenas lhes pediram para vencer a qualquer custo.

Em simultâneo assiste-se pelas mesmas razões ao surgimento de atletas que apresentam problemas no desenvolvimento técnico e táctico. Um desses problemas é o facto de terem sido “formatados” tacticamente demasiado cedo e por terem despendido mais tempo a praticar rotinas tácticas do que a compreender o jogo e, a título de exemplo, a melhorar a sua relação com a bola. Enfim, um caso prático é facto de hoje em dia, debaixo do nome de grandes clubes portugueses, ser possível ver crianças de sete e oito anos a serem forçadas a interiorizar um modelo de jogo rígido e missões colectivas e individuais. Esta “pressa” em termos práticos apenas queima etapas e retira tempo e espaço ao que realmente importa para a realidade das crianças com esta idade. De um modo simples, o que importa é o seu desenvolvimento sustentável e não o modelo de jogo, o treinador e as vitórias.

Se temos de falar de um modelo de jogo, temos de falar num modelo de formação e da idade com que estamos a trabalhar. O modelo de formação dita as orientações de desenvolvimento técnico e táctico e o modelo de jogo e a sua complexidade depende do escalão. É evidente que uma equipa de Benjamins A (sub-11) tem um modelo de jogo. Enfim, tem uma forma de jogar que é afecta aos jovens atletas, ao treinador e ao modelo de formação, mas esse mesmo modelo de jogo é apenas uma ferramenta para auxiliar os jovens a praticar futebol, assim como é um meio para lhes transmitir conhecimentos básicos sobre a prática da modalidade. Jamais poderá ser um mecanismo para alcançar vitórias e troféus.

No fundo, é fundamental pensar sobre os princípios pedagógicos e sobre a abordagem que temos vindo a utilizar em Portugal. O jogador português necessita de ter a sua criatividade potencializada e sobretudo necessita de ter as suas etapas de desenvolvimento respeitadas. Isto se no futuro pretendemos ter melhores atletas e, se possível, ter profissionais que façam a diferença em qualquer campo. Na realidade, este não é um caminho fácil e tão-pouco é algo instantâneo. Formar jovens leva tempo e exige paciência. Talvez treinar apenas para se ganhar seja o caminho mais fácil, mas é sem dúvida o menos compensador a médio ou longo prazo.

Os atletas e os treinadores de excelência são aqueles que trabalham de forma consistente e árdua, são aqueles que dominam a técnica, são aqueles que conhecem o jogo e as suas diversas dimensões, são aqueles que respeitam e se dão ao respeito, são aqueles que vencem mas também são aqueles que perdem e conseguem extrair o sucesso futuro dessa mesma derrota. Penso que o sucesso do nosso futebol (e do nosso desporto) está exactamente neste tipo de atletas e treinadores de excelência – sejam eles amadores ou profissionais.

Foto de Capa: Hybreed Designworks

Emoções na Liga feminina

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cab basquetebol feminino

O basquetebol masculino anda mal a nível de competitividade na Liga, com o Benfica a ser o vencedor anunciado a cada início de competição desde que o Porto desistiu da modalidade. Mas, se no basket masculino esta é a realidade, no feminino as coisas estão muito mais animadas.

É verdade que o CAB Madeira vai à frente só com vitórias nos 13 jogos já disputados, mas no passado sábado tive oportunidade de ver o jogo entre o terceiro classificado União Sportiva (CUS) e o CAB, e o equilíbrio foi a nota dominante durante quase todo o jogo, tendo apenas a maior eficácia das madeirenses desequilibrado a seu favor durante o segundo tempo. A organização em campo também consegue ser melhor devido à maior experiência das suas jogadoras, e parece ser esta a receita vencedora do CAB. Além deste jogo, tive oportunidade de ver os jogos entre os CUS e o Boa Viagem (4º classificado) e entre os CUS e o Benfica (5º classificado), sendo que nestas últimas três semanas só não tive a oportunidade de ver o Quinta dos Lombos, actual campeão e segundo classificado neste momento dos cinco primeiros classificados da Liga Feminina.

Entre estas quatro equipas a diferença não é muita, parecendo-me o Benfica a mais fraca, mas ao mesmo tempo a que tem mais garra, o que a fez ganhar por um ponto em São Miguel, recuperando da desvantagem de 10 pontos que existia ao intervalo. A mais forte é sem dúvida o CAB, com um jogo muito bem pensado e coordenado, apesar de me parecer faltar alguma velocidade, que pode vir a ser decisiva no futuro, caso equipas como o Benfica e o Boa Viagem continuem a evoluir o seu nível de jogo. Quanto aos CUS, fica a faltar maior definição no jogo interior, uma maior capacidade de sair da pressão defensiva feita pelas adversárias, em muito causado por alguma intranquilidade por quem leva a bola e uma maior rotatividade de algumas jogadoras, sendo que, por jogo, apenas sete a oito jogadoras entram em campo.

CUS vs Benfica Foto: Rodrigo Fernandes
O triplo que deu a vitória ao Benfica
Foto: Rodrigo Fernandes

O Boa Viagem parece-me uma equipa muito dependente de uma jogadora só, à imagem do que acontecia o ano passado com o União Sportiva. Myneshia Kenzie tem feito regularmente mais de 15 pontos por jogo e foi a MVP em cinco dos 11 jogos em que participou até agora. A norte americana tem sido o grande factor que as terceirenses apresentam na grande maioria dos jogos, e é isto que se pede a uma estrangeira: que esta venha dar a qualidade que as portuguesas não consigam dar.

Vai ser um campeonato onde muita coisa ainda pode mudar, e os play-offs ainda desafiam mais a lógica de a melhor equipa vencer, visto um mau jogo poder estragar uma temporada. Vamos ver o que nos reserva o resto da temporada, mas que seja tão boa como até agora.

Foto de capa: Rodrigo Fernandes

Benfica 4–0 Arouca : Fácil e feliz!

Topo Sul

Tudo simples, fácil e sereno no reino da Luz esta noite. A goleada encarnada no jogo de hoje, a contar para a segunda jornada da fase de grupos da Taça da Liga, frente ao Arouca, é o sinal mais inequívoco da superioridade que o Benfica demonstrou esta noite no relvado da Luz.

O onze esboçado por Jorge Jesus sofreu várias alterações face ao do jogo do fim-de-semana. Como expectável, vários jogadores menos utilizados do plantel tiveram a oportunidade de se estrearem como titulares esta época, procurando mostrar-se ao seu treinador. Silvio, Sulejmani, Gonçalo Guedes e Rui Fonte foram as principais novidades na formação encarnada, que desde o primeiro minuto de jogo sempre se sentiu muito confortável e descontraída em campo.  A controlar a posse de bola e a entrar com relativa facilidade no último terço do adversário, o Benfica começou cedo a construir a vantagem na partida. Ao minuto 30, o estreante Rui Fonte cavou uma grande penalidade que Pizzi não desperdiçou. Depois de uma excelente jogada colectiva do ataque encarnado, Fonte foi derrubado pelo lateral arouquense Tomas Dabo quando se preparava para marcar. O defesa foi expulso, e o Benfica assumia vantagem no marcador e no número de jogadores em campo. Tudo facilitado.

A partir daqui, o Benfica acentuou o controlo do jogo e era uma questão de tempo até que surgisse o segundo golo das águias. Não foi, por isso, com nenhuma surpresa que a Luz festejou o 2-0 de Cristante, antes do intervalo. Muita posse de bola e facilidade em encontrar espaços livres do lado encarnado foram as notas a registar de uma primeira parte em que só se jogou no meio campo do Arouca, tal a supremacia das águias na partida.

Pizzi, o homem do jogo Fonte: Facebook Benfica
Pizzi, o homem do jogo
Fonte: Facebook Oficial do Sport Lisboa e Benfica

O segundo tempo chegou com a vitória praticamente assegurada pelo Benfica. Com mais um homem e uma vantagem de dois golos, as águias entraram em campo a voar a um ritmo tranquilo, e o Arouca com a noção de que precisaria de um milagre para pontuar na Luz, esta noite. E assim se desenrolou a segunda parte de um jogo pouco entusiasmante para os pouquíssimos adeptos que estiveram na catedral encarnada. Apesar de se perceber que se tivesse acelerado mais o Benfica poderia ter aplicado uma goleada histórica à formação do Arouca, os encarnados ainda alargaram o marcador com os golos de Salvio e Jonas, aos minutos 83 e 84, respectivamente, após duas boas combinações ofensivas pinceladas com a qualidade técnica de Pizzi, o melhor em campo neste jogo.

Contas feitas, um ponto na última jornada de grupo contra o Moreirense é suficiente para o Benfica seguir para as meias-finais da Taça da Liga. Apestar de esta ser a prova menos prestigiante do panorama nacional, é também uma das duas em que os encarnados ainda estão envolvidos nesta temporada, pelo que a necessidade de revalidar o troféu tem obrigatoriamente de aumentar.

A Figura:

Pizzi – Apesar de todo o espaço de que dispôs para jogar a bel-prazer, o médio português mostrou-se confiante e espevitado na partida. Assumiu o jogo sem problemas, marcou, assistiu e mostrou-se, mais uma vez, como alternativa a Enzo Perez. Pelo menos, nos jogos menos exigentes defensivamente.

O Fora-de-jogo:

Arouca – É certo que jogar na Luz, ainda por cima com menos um jogador praticamente todo o jogo, é sempre tarefa complicada, mas esperava-se mais de uma equipa que jogou com os habituais titulares e raramente passou do seu meio campo defensivo.

As prendas de Mancini

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cab serie a liga italiana

Quando apareceu, no Basileia, rapidamente se percebeu que Xherdan Shaqiri era um jogador com um potencial tremendo. O Bayern achou o mesmo, avançando para a sua contratação. No entanto, com Robben como indiscutível no flanco direito, o suíço acabou por não conseguir ganhar espaço na equipa bávara. Por Munique também andou Lukas Podolski, o melhor jogador jovem do Mundial’2006 – à frente de Ronaldo – e um dos melhores marcadores de sempre da Alemanha. O jogador nunca conseguiu exibir-se no clube com a mesma qualidade com que o fazia na selecção, tendo regressado ao “seu” Colónia. Arsène Wenger acreditou que o avançado podia voltar a jogar ao mais alto nível depois de três temporadas no clube onde foi formado, levando-o para o Arsenal, mas a verdade é que o alemão nunca atingiu a regularidade desejável. Os dois esquerdinos vêem agora os seus destinos cruzados: é em Milão, num Inter à procura de recuperar estatuto, que ambos vão tentar relançar a carreira.

Shaqiri e Podolski estão em momentos diferentes da carreira. O suíço ainda é muito jovem (23 anos) e continua a ter condições para ser um jogador de grande nível; já o alemão, que nunca conseguiu ser figura num clube de topo, está a entrar na casa dos 30 e terá uma das últimas oportunidades para mostrar que também consegue ser figura fora da selecção. A escolha do Inter terá sido a mais correcta, já que ambos estão em busca de mais tempo de jogo e no Giuseppe Meazza têm a titularidade quase assegurada e serão duas das estrelas da companhia (mais o suíço do que o alemão, certamente).

Podolski já se estreou pelo Inter Fonte: Facebook do Inter
Podolski já se estreou pelo Inter
Fonte: Facebook do Inter

Os dois esquerdinos são duas belas prendas para Mancini, que quando aceitou regressar a Milão já devia ter garantias de que a equipa ia ser reforçada em Janeiro. Depois das excelentes contratações para esta época (pelo menos em teoria), o magnata indonésio Erick Thohir, que comprou o Inter no final de 2013, não fechou os cordões à bolsa e parece disposto a investir o que for necessário para colocar o clube novamente no topo do futebol italiano. Apesar de Shaqiri e Podolski terem chegado ao Giuseppe Meazza por empréstimo, o suíço tem uma cláusula de compra obrigatória – um esquema que começa a ser recorrente para contornar as regras do fair-play financeiro – fixada em 15 milhões de euros, o que comprova que dinheiro não falta.

Com a chegada dos dois reforços o Inter fica com um plantel mais do que capaz de lutar pelos lugares europeus. Apesar do fracasso algo inesperado de Mazzarri, os nerazzurri estão apenas a 6 pontos do terceiro lugar, que dá acesso à Champions. Assim sendo, Mancini tem margem de manobra para colocar a equipa no “primeiro lugar”, logo atrás de Juve e Roma. Na segunda metade da época, o técnico italiano deverá ter mais dores de cabeça com o sector defensivo, porque do meio campo para a frente as opções são fantásticas. Medel e Guarin são uma dupla que deve continuar a merecer aposta, sobretudo porque M’Vila não está a ter o impacto que se esperava, e as entradas de Podolski e Shaqiri dão outra capacidade de ganhar jogos através de acções individuais (muitos encontros serão resolvidos “à bomba”). Com o alemão à esquerda, o suíço à direita mas sempre a procurar diagonais, e o genial Kovacic no apoio ao talentoso Icardi, o quarteto ofensivo do Inter tem tudo para ser um dos mais interessantes do futebol europeu.

Foto de capa: Facebook do Inter

Greenzzly

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cab nba

Jeff Green é o mais recente membro dos Grizzlies. Estava difícil, mas a troca entre Grizzlies, Celtics e Pelicans é finalmente oficial. A equipa de Memphis envia Tayshaun Prince (e uma futura 1.ª ronda) para Boston (os Pelicans enviam também Austin Rivers para Boston), Quincy Pondexter (e uma 2ª ronda em 2015) para New Orleans e recebe Jeff Green e Russ Smith.

Com a corrida no Oeste mais aberta que nunca (e com adversários directos como os Mavs e os Rockets a reforçarem-se), os Grizzlies tentam não ficar atrás e reforçar a candidatura ao topo da conferência. Será que conseguiram?

Podemos partir das palavras do Vice-presidente para o Basquetebol dos Grizzlies, John Hollinger. Não as de hoje, mas as que ele escreveu em 2012, quando era analista da ESPN (e quando os Celtics renovaram com Green por 4 anos):

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Uau! Parece que em 2012 ele não era o maior fã do Jeff Green. O que terá mudado entretanto?

Na verdade, algumas das questões que Hollinger levantou em 2012, embora hiperbolizadas no artigo (“sem dúvida, o pior contrato do verão” parece-nos exagerado), não eram descabidas:

Green tinha perdido uma temporada inteira, tinha realizado uma cirurgia complexa para corrigir um problema no coração e não era seguro que voltasse a jogar como antes ou que não voltasse a ter problemas de saúde no futuro. Podia não ser um tiro no escuro, mas era, pelo menos, um tiro num sítio pouco iluminado. Por isso, foi arriscado para uma equipa em reconstrução hipotecar tanto dinheiro num jogador nessas circunstâncias.

O que mudou? Os Grizzlies não estão em reconstrução. A aposta é no presente e, com Marc Gasol a ser free agent este Verão e Zach Randolph a caminho dos 34 anos, Jeff Green é um investimento de curto prazo e um all in nesta época (e na próxima, no máximo).

Depois, a questão da qualidade como jogador. Mais uma vez, Hollinger pode ter exagerado, mas existiam razões genuínas para preocupação. Em 2012, Jeff Green era basicamente um marcador de pontos (e um não muito eficiente). Não era bom ressaltador (para a sua altura e posição), as assistências eram mínimas, a defesa tremida e os pontos eram o seu único contributo visível.

O que mudou aqui? Pouca coisa. E os números dos Celtics com Green e sem Green são aterradores:

Fonte: Ricardo Brito Reis
Fonte: Ricardo Brito Reis

Mas em Memphis é dos seus pontos que mais precisam. E em Memphis irá sair do banco e terá um papel mais reduzido do que nos Celtics. O que poderá potenciar os seus pontos fortes (os Grizzlies querem pontos para a segunda unidade e, se/quando precisarem, para a primeira unidade) e reduzir algumas das lacunas. Contra os titulares das outras equipas as suas deficiências eram mais notadas (e isso pode ajudar a explica aqueles números atrozes nos +/-), contra os suplentes de outras equipas serão muito menos graves.

Jeff Green pode não ser o marcador de pontos mais eficiente, mas nestes dois últimos anos em Boston também tinha mais responsabilidade de criar lançamentos para si, o que piorou as suas percentagens. Nas duas primeiras temporadas em Boston (com Paul Pierce e Kevin Garnett ainda na equipa e com Green num papel complementar), mais de metade dos seus triplos (66% e 57%) eram do canto. E com uma óptima percentagem de acerto de 45%.

Nas duas últimas temporadas (sem Pierce e Garnett; sem Rondo, em grande parte desse período; e com a responsabilidade de criar os seus lançamentos), apenas 24% dos seus triplos foram do canto.

Por isso, se for bem utilizado (como marcador de pontos na segunda unidade e como atirador aberto no canto na primeira unidade) e num papel secundário e complementar, pode ser muito útil nesta equipa. Jeff Green pode não ser uma estrela, mas pode dar um contributo decisivo naqueles momentos de “seca ofensiva” que às vezes assolam os Grizzlies. E ter um jogador como ele a sair do banco é um luxo que poucas equipas têm.

Independentemente do que John Hollinger pensava dele em 2012, agora não deve ter tido dúvidas que ele pode mudar o destino da equipa para melhor.

Fotografia de Capa: @NBA