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Os 5 heróis benfiquistas no dérbi da capital

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Há quem lhe chame o “Clássico dos clássicos”, o “Dérbi Eterno” ou até mesmo o “Dérbi dos dérbies”. Sporting CP e SL Benfica são os protagonistas do principal duelo da 17ª jornada da Liga Portuguesa e espera-se um jogo de grandes emoções em Alvalade.

Desde abril de 2012 que os leões não vencem as águias no seu próprio reduto em jogos a contar para o campeonato, o que torna este confronto ainda mais interessante. Como se já não bastasse, o Benfica leva 16 vitórias consecutivas fora do Estádio da Luz e pode, em caso de triunfo sobre os seus rivais da Segunda Circular, tornar-se no novo recordista desta marca.

O “dérbi da capital”, como também é conhecido, é um dos jogos mais aguardados pelos adeptos todas as temporadas. Muitos são os que vibram nas bancadas, mas apenas alguns fazem história dentro das quatro linhas.

Em 115 anos de história, muitos foram os jogadores que defenderam a honra encarnada frente a um dos seus maiores rivais e hoje iremos destacar cinco jogadores que o fizeram com distinção.

A pequena Helena e aquela tarde no Jamor: histórias de amor-ódio

Existe nas circunstâncias da origem de cada indivíduo ou associação a tentação de manter um conjunto específico de características e tradições familiares e uma obrigação perpétua na defesa da honra de um ideal comum. Os nascimentos de Sport Lisboa e Sporting Clube de Portugal não foram só diferentes nos contextos de criação como nos ideais perseguidos e maneirismos que perduram na contemporaneidade portuguesa, numa linda metáfora da nossa sociedade e que ultrapassa trocas geracionais.

O povo que pula nos estádios de futebol é o mesmo que insiste rastejar em Fátima – e talvez daí seja perceptível uma empatia especial dos lusitanos para com misticismos vários que influenciem a sua vida e que sejam ‘porto de abrigo’ das suas emoções.

Quando os Irmãos Catatau trocavam passes rasteiros com Cosme Damião e rematavam em arco contra as paredes do pátio da Farmácia Franco, nunca eles imaginariam a dimensão da sua fé e da sua iniciativa num desporto ainda apenas e só de elite; quando José Alvalade se revolta numa assembleia caótica do Campo Grande Football Club e profere a declaração que corresponde à criação do Sporting – «Vou ter com o meu avô (Augusto das Neves Holtreman, o famoso Visconde de Alvalade) e ele me dará dinheiro para fazer outro clube”» – nunca ele imaginaria o peso da sua atitude e como ela definiria toda uma dicotomia que coloriu a cultura portuguesa por todo o século XX, assente em histórias mirabolantes e duelos marcantes que a fizeram chegar ao novo milénio como a mais apaixonante rivalidade desportiva. O verde e o vermelho num harmonioso frente-a-frente eterno, como na bandeira nacional.

Estamos em 1907. O Sporting, recém-nascido, não tem qualquer equipa de futebol, apesar de ser essa a sua principal intenção. Os melhores jogadores estavam já nas fileiras dos principais clubes da região e dos 17 dissidentes da rambóia com o Campo Grande Football Club: eram poucos os praticantes competentes. José Alvalade lança, junto com as moedas do avô em envelope lacrado, canto de cisne de forma a seduzir os melhores executantes do Sport Lisboa. O primeiro de todos os Verões Quentes.

Oito titulares aceitariam. Júlio Araújo, presidente do Sporting uns anos mais tarde, contextualizava: «O Sporting caprichava em apresentar sempre uma bola nova em cada desafio. Um dia, num jogo em que choveu torrencialmente, o Sporting, depois de ter estreado uma bola na primeira parte, apresentou outra, novinha, na segunda. Quanta exclamação por tal facto! Terminado o encontro (com o Carcavelos, no Lumiar) foi oferecido um finíssimo chá a todas as senhoras presentes, realizando-se em seguida, numa grande sala da casa do Exmº Sr. Visconde de Alvalade, um banquete a todos os jogadores, imprensa e delegados da Liga de Football». Ou seja, ao Sporting, quando piscou o olho aos desgostosos rapazes de Belém, faltava apenas uma grande equipa de futebol. Não foi difícil consegui-la.

Foi esse então o rastilho de confrontos centenários e ódios viscerais que marcaram a generalidade de uma relação intensa, de nervos à flor da pele. Mas é natural que ao fim de tantas zaragatas se crie empatia e confiança recíproca nas capacidades humanas de ambas as associações. Se episódios como a contratação de Eusébio ou o Verão Quente reacendem, de quando em vez, as hostilidades relembram que é imperial não perder a concentração em autêntica guerra fria: há episódios de muita humanidade e que mostram o outro lado do jogo.

Houve também alturas de armistício no Benfica-Sporting, situações sobre as quais vale a pena a reflexão e o salientar dos bons momentos e dos episódios que marcam positivamente a querela: são os mais raros e os mais curiosos.

Um desses passa-se nos arrabaldes dos loucos anos 20, já Francisco Stromp fazia contas quanto ao final da sua carreira como jogador. Conta Romeu Correia na biografia da lenda sportinguista que quando este recolhia à cabine para equipar, «confiava sempre a irmã (Helena Stromp, que se destacou como tenista) a amigos sportinguistas. Aconteceu uma vez que houve um jogo escaldante Sporting-Benfica, tendo deflagrado grande zaragata entre jogadores e público, motivada por uma decisão do árbitro bastante discutível… Como a desordem se alastrou no arraial sportinguista, onde se encontrava a pequena Helena, os adeptos leoninos começaram a passar a menina de mão em mão para a pôr a salvo de qualquer desacato. E desta forma, inexplicavelmente, a criança foi parar ao camarote dos inimigos benfiquistas. Logo o presidente da colectividade ‘encarnada’, ao saber que ela era uma Stromp, a protegeu e beijou, acarinhando-a e oferecendo-lhe um grande e saboroso chocolate.» Enternecedor.

Outra grande amostra de que sobre o ódio existem também pontos de contacto amigável entre as duas facções é a final da Taça de 1979-80, quando os adeptos lisboetas se juntaram para apoiar o Benfica na vitória tangencial contra o, à altura, inimigo comum: o FC Porto.

Além da suposta luta contra a centralização do futebol português encabeçada por Pinto de Costa e José Maria Pedroto, o Campeonato Nacional desse ano viu forte concorrência entre verdes e azuis, numa luta taco-a-taco até ao final e que apenas ficou consumada na penúltima jornada, quando o Sporting foi a Guimarães derrotar o Vitória.

À conquista no Minho, por números tangenciais (0-1) e com auto-golo de Manaca, ex-leão, sucederam-se fortes acusações de Pinto da Costa, ainda só director do Departamento de Futebol. Lançou, com o seu jeito habitual, suspeitas sobre a integridade do jogador e dos clubes e o rumor de que teriam existido subornos, tendo sido esse clima de guerrilha e acusações contínuas o combustível para a decisão dos adeptos sportinguistas fazerem a peregrinação rumo ao Jamor ao lado dos adeptos encarnados. Nas bancadas ficaram famosos os vários cartazes com provocações às figuras do clube portista, num mar vermelho-esverdeado que ficou conhecido como a ‘Santa Aliança’. Tempos de grandes mudanças no futebol e no próprio país, onde os portugueses viviam ainda a genial loucura da liberdade…

Luís Figo e João Vieira Pinto, dois génios e figuras daquele saudoso 3-6
Fonte: SL Benfica

E daí, ficam outros tantos escondidos nas malhas do tempo; que, desde o primeiro encontro entre os dois, já conta com 113 anos. São a honra e as memórias de 307 partidas que não merecem a actualidade trivial, onde tudo importa menos os protagonistas e o que se passa no relvado. Haverá tardes com mais magia impregnada que o bailado de João Vieira Pinto em Alvalade? Que os sobrenaturais 7-1 numa tarde diluviana? Que o 5-4 no Jamor? Momentos assim serão sempre inolvidáveis para quem os viveu.

Num confronto onde foram protagonistas deuses da bola como Peyroteo, Coluna, Eusébio, Hilário, Yazalde, Manuel Fernandes, Simão ou Cardozo, existirão sempre motivos suficientes para captar a atenção para o lado positivo – o futebol jogado –, o que justificará sempre uma voluntária ignorância de pedra quanto às incidências de bastidores e fóruns televisivos – o ‘desfutebol’ falado.

Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Académico de Viseu FC 1-0 CF Canelas 2010: Mais vale tarde do que nunca

A CRÓNICA – CARTER, O SALVADOR

Foi no Estádio do Fontelo, em Viseu, que o Académico local recebeu o CF Canelas 2010, naquele que foi o último encontro dos quartos de final da Taça de Portugal e que colocou os viseenses no caminho do Porto, na próxima ronda da competição. Numa primeira parte marcada por várias paragens para assistência médica, foram os academistas que detiveram a superioridade nos números da posse de bola, mas sem a conseguirem traduzir em oportunidades flagrantes de golo. Do outro lado, também não existiram claras ocasiões para inaugurar o marcador, mas os contra-ataques do Canelas iam deixando em sentido a defesa viseense, sobretudo através do enorme poder de explosão de Zakari Baba. Na segunda parte a toada não se alterou, apenas se iam registando mais oportunidades para o Académico e cada vez mais perigosas. Quando todos já esperavam o tempo extra, eis que surgiu a merecida recompensa para os viseenses, através do recém-entrado Anthony Carter. Assim, um golo tardio do avançado australiano apurou o Académico de Viseu pela primeira vez na sua história para as meias-finais da Prova Rainha do futebol português.

A FIGURA

Fonte: Académico de Viseu FC

Anthony Carter – Entrou para marcar. Aquele que tantas vezes é o “patinho feio” desta equipa de Viseu, transformou-se hoje num belo cisne. Dez minutos em campo chegaram para fazer a diferença, num jogo que parecia condenado a ir para prolongamento.

O FORA DE JOGO

Fonte: CF Canelas 2010

Luís Simão – Num jogo onde os erros foram muito poucos, de parte a parte, a displicência do lateral direito do Canelas no golo viseense acabou por colocar uma nódoa na sua exibição. Para além deste momento menos conseguido, foi constantemente alvo preferencial das investidas de Jean Patric, que não lhe deu sossego nem por um minuto.

ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC

O habitual 4-4-2 voltou a ser opção do técnico Rui Borges, que hoje contou com um verdadeiro “tanque de guerra” em Diogo Santos. Para além do poderoso médio defensivo, destaque para as já habituais incursões ofensivas dos dois laterais, que ajudaram os extremos e criaram por várias vezes superioridade numérica nos corredores.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ricardo Fernandes (6)

Tiago Almeida (6)

Pica (5)

Mathaus (6)

Jorge Miguel (6)

Diogo Santos (7)

Fernando Ferreira (6)

Latyr Fall (6)

Bruninho (6)

Jean Patric (7)

João Mário (6)

SUBS UTILIZADOS

Anthony Carter (7)

Edgar Abreu (-)

Kelvin Medina (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CF CANELAS 2010

Dispostos no campo num 4-2-3-1, a maior ameaça para o adversário foi sempre o avançado, Zakari Baba. Apesar da estratégia ter passado por entregar o controlo da bola aos viseenses, os momentos (rápidos) do Canelas com bola iam sempre dando trabalho aos centrais do Académico, mas estes conseguiram lidar com todas as bolas que os gaienses colocaram na área de Ricardo Fernandes.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Raphael Melo (6)

Luís Simão (5)

Nando (6)

Vítor Fonseca (6)

David Santos (6)

Bruno Costa (-)

Vítor Borges (6)

Manuel Pami (6)

Fábio Rola (6)

Chico Sousa (6)

Zakaria Baba (6)

SUBS UTILIZADOS

Leonardo Rodrigues (6)

Miguel (6)

Samu (-)

 

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

CF Canelas 2010

BnR: Sendo o quarto jogo seguido do Canelas sem vencer, sente que os jogadores estão com mais motivação para dar a volta ou a equipa atravessa um momento em que falta confiança?

Tiago Margarido: Temos de ter em conta os adversários que enfrentámos nesses jogos, como o Académico e o Arouca. Ainda assim, do contacto que tive com os jogadores, sei que temos um plantel forte e vamos dar a volta já em Felgueiras.

 Académico de Viseu FC

BnR: Depois de confirmado o embate com o Porto, teme que os jogadores possam começar a pensar cedo demais nesse desafio ou, por outro lado, sente que esta vitória servirá para aumentar o nível de confiança de todo o plantel?

Rui Borges: Acredito que a equipa está focada e feliz por ter feito história. O Porto, a seu tempo, virá, mas a equipa agora está concentrada no jogo do fim-de-semana, frente ao Chaves, uma vez que temos menos de 72 horas para o preparar.

Foto de Capa: Bola na Rede

Antevisão Sporting CP x SL Benfica: Águias favoritas na selva do Leão

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Os verde e brancos procuram a vingança da Supertaça

Falamos do dérbi eterno, o dérbi dos rivais da 2.ª Circular, o dérbi que todos querem vencer e que todos querem jogar. Joga-se na próxima sexta-feira, pelas 21h15, a última jornada da primeira volta da Liga NOS e o 308.º jogo que opõe os Leões contra as Águias. Não é só a 2.ª Circular que neste momento separa os dois clubes, pois ambos chegam em contextos bem diferentes: 16 pontos. É a diferença que separa o líder SL Benfica, do atual quarto classificado – Sporting CP. A diferença é grande e deixa os Leões apenas a lutar por uma coisa: honra. Mas por outro lado, o líder SL Benfica luta pelo título. Veremos quem será o elo mais forte, naquele que cada vez mais parece ser o dérbi entre David e Golias.

A ULTIMA VITÓRIA DO SPORTING CP, EM CASA, FRENTE AO SL BENFICA NA LIGA FOI EM ABRIL DE 2012, QUANDO VENCEU POR 1-0. SE APOSTARES NESSE RESULTADO, TENS UMA ODD de 12.25. ARRISCAS?

O SL Benfica parte com claro favorito para este encontro, ora vejamos: Nos já 307 jogos disputados, os encarnados venceram 133 (contra 109 vitórias dos verde e brancos). A nível de empates ambos os clubes somam 65 jogos. Já nos últimos dez jogos disputados entre os dois clubes, o Sporting CP apenas conseguiu vencer por uma vez – na época transata, que na altura a vitória garantiu para a passagem à final da Taça de Portugal. No contexto atual, o momento de forma do SL Benfica e a vantagem que leva para o seu eterno rival, são mais que suficientes para justificar o favoritismo que leva para este jogo. No entanto, o resultado que mais se verifica quer em casa de um, quer em casa de outro, é o empate a uma bola – o que poderá dar ao Sporting CP pelo menos alguma esperança olhando meramente para as estatísticas.

COMO JOGARÁ O SPORTING CP?

Se a tarefa leonina à partida já se prevê difícil, com Coates castigado e Vietto lesionado, a missão será muito mais espinhosa. Jorge Silas irá certamente ter algumas dores de cabeça até à hora do jogo naquela que será a escolha do onze inicial. No entanto, a ideia de jogo e a estrutura da equipa será idêntica à que apresentou diante do FC Porto. Apesar da ausência de Vietto, creio que será muito pelas dinâmicas que o corredor esquerdo leonino apresenta que poderá criar maiores dificuldades ao SL Benfica. Não me surpreenderia ver Bruno Fernandes no lugar de Vietto e a procurar atrair numa primeira fase para fora com movimentos exteriores, para depois procurar a bola dentro com movimentos interiores, onde poderá explorar aí os espaços entrelinhas nas costas do duplo pivot encarnado. Por outro lado, o ataque leonino poderá aproveitar também as lacunas que a dupla de centrais do SL Benfica têm vindo a demonstrar: falta de concentração, coordenação dos apoios e formação da linha defensiva.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Bruno Fernandes – Poderá ser o adeus do médio e capitão leonino a Alvalade. Rumores – e cada vez parecem ser com mais certezas – dão conta do negócio fechado para o Manchester United. Isto poderá galvanizar o jogador, mas também toda a equipa, num género de despedida perante os sócios. É o melhor jogador do Sporting CP desde que chegou ao clube e tem estado, como habitualmente, em destaque. Sem Vietto terá de ser o principal dínamo da equipa e será a partir da sua irreverência que os Leões podem ferir as Águias. Ainda que esteja por vezes – e comparando com épocas anteriores – a jogar mais numa fase de construção e não numa fase de decisão, terá de assumir o jogo e ser o maestro que o Sporting CP precisa para vencer o encontro.

XI PROVÁVEL

4x3x3 – Luís Maximiano; Ristovski, Eduardo Quaresma, Mathieu, Acuña; Battaglia, Wendel e Doumbia; Bruno Fernandes, Bolasie e Luiz Phellype

COMO JOGARÁ O SL BENFICA?

Bruno Lage irá promover poucas alterações ao onze que disputou o último jogo diante do Rio Ave FC. Vlachodimos irá regressar à baliza e provavelmente André Almeida será a escolha para figurar no lado direito da defesa, mantendo os restantes que jogaram diante do Rio Ave FC. O SL Benfica irá manter a sua estrutura habitual em 4x4x2 procurando sobretudo as dinâmicas que consegue criar nos seus corredores – principalmente no lado esquerdo, com Grimaldo a ser bastante vertical.  É uma equipa de pendor ofensivo, com Taarabt e Weigl no miolo e responsáveis pela zona de construção, ligando ainda com Pizzi e Chiquinho que são mais responsáveis por procurar o jogo entrelinhas. Cervi em grande forma garante uma preciosa ajuda a nível defensivo e poderá permitir maior liberdade ofensiva a Grimaldo – e com isto prender o lateral direito leonino que poderá ficar mais cauteloso nas suas investidas. O SL Benfica irá certamente procurar tirar vantagem da pouca rotina que existe entre os centrais leoninos e tentar provocar ao máximo o erro adversário. Os Leões revelam também fragilidades no processo defensivo – recuando até ao jogo com o FC Porto: debilidade na forma como controla a linha defensiva quer na sua altura, quer na sua largura; espaço entrelinhas e por vezes bloco médio muito distante do bloco defensivo; e na forma como por vezes se descompensa e como reage na transição defensiva.

JOGADOR A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Adel Taarabt – Se fosse há uns meses atrás ninguém iria acreditar, mas a verdade é que Taarabt é um jogador recuperado e um jogador novo. Recuperou sobretudo a sua confiança pois a sua qualidade todos lhe reconheciam. Por ter ocupado terrenos mais adiantados noutras fases da sua carreira, creio que isso agora lhe permite decidir bem e de forma mais rápida, pois antes tinha menos espaço para executar permitindo melhorar a sua atenção e noção do que o rodeia, colocando a bola onde o adversário menos espera e procurando sobretudo os colegas entrelinhas. Creio que será fundamental no processo encarnado, construído na perfeição com Weigl e ligando depois com Chiquinho e Pizzi.

ONZE PROVÁVEL

4x4x2: Vlachodimos; André Almeida, Ruben Dias, Ferro, Grimaldo; Pizzi, Taarabt, Weigl, Cervi; Chiquinho e Vinícius

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Antevisão FC Porto x SC Braga: Um jogo que aquece o clássico

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 DUELO EM DIA DE BOICOTE

Com o segundo lugar seguro, mas a quatro pontos da liderança desejada, o FC Porto pretende continuar a fase vitoriosa diante do SC Braga, equipa que, apesar de ser sempre uma dor de cabeça, Sérgio Conceição já encontrou a fórmula para vencer.

Os portistas chegam a este encontro depois de somarem três vitórias consecutivas para o campeonato – incluindo as duas difíceis deslocação a Alvalade e Moreira de Cónegos -, e de garantir ainda a presença nas meias-finais da Taça de Portugal, depois de vencer o Varzim durante a semana.

O SC BRAGA SOMA TRÊS VITÓRIAS CONSECUTIVAS E RÚBEN AMORIM SEGUE EM GRANDE. A ODD PARA A VITÓRIA NO DRAGÃO ESTÁ A 6.60. ARRISCAS NOS BRACARENSES?

Do outro lado, está uma equipa que também não quer descolar dos lugares cimeiros e que tem Rúben Amorim no comando técnico da equipa. O treinador assumiu o lugar há dois jogos e saiu vitorioso na duas partidas, numa delas com uma vitória gorda por 7-1 diante do Belenenses SAD.

A equipa está numa boa fase – motivada pelos resultados – e pretende dar uma resposta aos últimos anos no Dragão, os quais não consegue vencer.

Espera-se um jogo grande como as duas equipas o são, debaixo de um ambiente de consternação. Os adeptos bracarenses prometeram boicote ao jogo devido ao horário e dia da partida.

 TEREMOS AMBAS AS EQUIPAS A MARCAR?

É expectável que seja uma partida de um grande nível de futebol, que normalmente acaba por resultar em vários golos. As duas equipas têm um bom registo ofensivo e a jogarem em transições rápidas são muito eficazes. É provável que numa partida desta intensidade, as duas equipas sejam capazes de marcar. A partir do momento que o FC Porto estiver a ganhar, o SC Braga vai correr atrás do resultado. Caso a situação se inverta, e sejam os bracarenses a começarem a vencer, dificilmente o FC Porto acabará o jogo em branco.

COMO JOGARÁ O SC BRAGA?

A equipa de Rúben Amorim vai entrar em jogo com a habitual tática, mas face ao adversário pode ter de adaptar alguns jogadores e recuar algumas posições. A jogar com apenas três defesas: Vítor Tormena, Raúl Silva e Bruno Viana, o treinador pode ter de recuar algum jogador dianteiro para parar a força ofensiva do FC Porto. No meio-campo – que é o setor mais forte do clube -, a equipa jogará com Ricardo Esgaio, Fransérgio, João Paulinha e Nuno Sequeira, jogadores com valências capazes de fazer frente aos homens da casa que, muitas vezes, sentem maior dificuldade nessa zona do terreno. No setor ofensivo, Rúben Amorim vai apostar no trio mortífero: Francisco Trincão, Ricardo Horta e Paulinho.

 JOGADOR A TER EM CONTA?

Fonte: SC Braga

Ricardo Horta – Esta está a ser, sem dúvida, a melhor época de Ricardo Horta. O jogador português tem estado endiabrado. E é, a par de Paulinho, o jogador mais perigoso do plantel bracarense. É rápido, inteligente e eficaz. Tem a magia suficiente para desbloquear o jogo e qualidade necessária para reverter maus resultados. O faro a golo tem sido materializado esta temporada, com 14 tentos apontados.

 XI PROVÁVEL

3-4-3: Matheus; Vítor Tormena, Raúl Silva, Bruno Viana; Ricardo Esgaio, Fransérgio, João Paulinha, Nuno Sequeira; Francisco Trincão, Ricardo Horta e Paulinho

 

  COMO JOGARÁ O FC PORTO?

A vitória sofrida em Moreira de Cónegos vai ser um tónico motivador para os homens de Sérgio Conceição, que vão entrar em campo com vontade de ficar com os três pontos em casa. Para este jogo, o treinador Sérgio Conceição já vai ter mais opções, com Marcano e Pepe de regresso aos jogos do campeonato, entrando diretamente para o onze, para os lugares que Diogo Leite e Mbemba ocuparam diante do Moreirense FC.

Na baliza, Marchesín continua a ocupar o lugar que já conquistou, como referido, Pepe e Marcano reentram para o centro do defesa, enquanto que Alex Teles e Corona se mantêm a laterais.

No meio-campo, Uribe e Danilo ocupam o centro do terreno, já Otávio e Nakajima, mais objetivos, preenchem as alas, com Soares e Marega na zona dianteira. Uma dupla que fez estragos nos últimos jogos e que tem mostrado um bom entrosamento.

Destaque para a aposta continua em Soares, que marcou oito golos nos últimos sete jogos.

 

 JOGADOR A TER EM CONTA?

Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Tiquinho Soares – Esta temporada, o avançado tem mais concorrência no plantel, com a chegada de Zé Luís com a aposta em Fábio Silva. O avançado nem sempre foi opção para Sérgio Conceição, em alguns jogos não foi aposta e houve outros em que apenas entrou no decorrer da partida, mas ultimamente tem dito presente a Sérgio Conceição na aposta do treinador em colocá-lo na titularidade da equipa. O avançado tem feito as delícias dos adeptos, com golos marcados e com intervenções preciosas. É o principal responsável pelas últimas vitórias do FC Porto.

  XI PROVÁVEL

4-4-2: Marchesín, Alex Telles, Pepe, Marcano, Corona; Danilo, Uribe, Luis Díaz e Otávio; Soares e Marega

Foto de capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Uma Liga às moscas

Num país onde existem três clubes e o resto é paisagem – para o bem e para o mal que isso possa significar – é incompreensível como se agendam partidas para depois das 21 horas e fora do fim de semana. Com clubes espalhados, felizmente, ao longo de todo o país, o adepto é o mais prejudicado na hora de se deslocar ao estádio.

Recorrendo aos dados oficiais da Liga, nestas 16 jornadas foram disputadas 144 partidas divididas da seguinte forma: cinco na quarta-feira, três na quinta-feira, 17 na sexta-feira, 46 no sábado, 60 no domingo e 13 na segunda-feita.

São 38 jogos durante a semana contra 106 no fim-de-semana. Seria, apesar de tudo, um rácio agradável se não estivéssemos ainda a meio da competição… A este ritmo, podemos ter 70 partidas fora durante a semana, das quais os adeptos terão maior dificuldade em comparecer ao estádio, prejudicando os clubes, não só na falta de apoio, mas também nas bilheteiras.

Se mais questões houvesse quanto à preferência do adepto comum em relação ao dia ideal para assistir ao vivo ao seu clube, as médias de assistências comprovam-no e dissipam qualquer dúvida. Até à 16.º jornada, a assistência média nos jogos da quarta-feira ronda os 13500 espectadores. Tendo em conta que um dos cinco jogos envolveu um dos três “grandes”, é muito pouco.

No caso das partidas realizadas à quinta-feita, a média pouco passou dos 4000. Paupérrimo. À sexta-feira, a média dos espectadores no estádio sobe quase até aos 7000, mas nada se compara às de sábado e domingo. Ainda que a maior parte dos jogos se realizem nesta data, incluindo os três grandes em suas casas, também os clubes de menor dimensão registam subidas nos números de bilhetes vendidos, como são exemplos claros o Boavista FC ou mesmo o Vitória FC.

O SL Benfica é, de longe, o clube com maior assistência dentro e fora de portas. No extremo oposto está o Belenenses SAD
Fonte: SL Benfica

Ao sábado, a assistência média nos estádios da Primeira Liga ronda os 14500, ao domingo os 11000 e à segunda-feira os 7200. Os casos excecionais de quarta e quinta-feira devem ser ignorados nesta contabilidade por se tratarem, claro está, de exceções. Assim sendo, os dias da semana são, de longe, os piores no que toca a assistência, mas para o saber não era preciso fazer disto um caso de polícia.

Mas se ao fim-de-semana pelo menos um dos três grandes joga em casa e até juntando um SC Braga ou um Vitória SC, porque é que a assistência média continua a ser tão fraca? No topo dos clubes com maior assistências está o SL Benfica. De longe. Sem surpresa. Nas nove partidas realizadas em casa até ao momento, os encarnados registam uma média de 53800 espectadores. Acima dos 80% da capacidade do seu estádio.

Trata-se, provavelmente, do clube português com mais adeptos em Portugal e não admira que encha constantemente o seu estádio. Esta média é estragada pelos clubes que se seguem nesta lista. Ou melhor, nem todos; FC Porto, Sporting CP, SC Braga e Vitória SC não apresentam registos assim tão maus quanto isso.

Seguindo a ordem dos clubes que mais adeptos levam aos seus estádios, surge bem atrás o FC Porto, com média de 35000 espectadores. De seguida surgem o Sporting CP com 32100 e os rivais do Minho; Vitória SC com perto de 18000 e SC Braga com média de 9395. Pode argumentar-se que uns receberam grandes equipas e, por isso, conseguiram mais enchentes, mas esta é a contabilidade até ao momento.

No extremo oposto, o pior cenário da Liga e, nem em pesadelos se esperava pior, está o caso do Belenenses SAD, que registou as três piores assistências da Liga. Nas jornadas quatro, seis e dez, o estádio Nacional do Jamor recebeu 1213, 821 e 1170 adeptos, respetivamente. Os três registos juntos não enchiam o estádio João Cardoso, em Tondela, aquele com menor lotação da Primeira liga. Dá que pensar…

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O futebol é para as pessoas ou para os morcegos?

Desde a temporada transata que notei uma certa insistência por parte da Liga para que o SC Braga realizasse os seus jogos de noite e muitas das vezes a uma sexta ou segunda-feira. Para quem gosta de ir ao estádio (e acredito que os adeptos de futebol preferem ver um jogo num estádio do que pela televisão), sair de casa a uma segunda feira de Inverno após um dia de trabalho para ver futebol às 21h parece-me tudo menos apropriado.

Após ver a tarja exibida pelos adeptos do SC Braga no jogo do passado domingo frente ao CD Tondela, decidi estudar o caso, que roça o fenómeno da incoerência e total confusão que vai no futebol português. Num organismo que nem uma calendarização de época sabe fazer, não é de espantar que existam, jornada após jornada, jogos a horas mirabolantes. Ora vamos lá, embarca numa viagem a que chamo de “Caos no futebol português, parte 31783719”.

Vejamos a calendarização de jogos do SC Braga desta temporada a contar para a Primeira Liga:

SC Braga – Moreirense 11/08/2019 (Domingo) 21h
Sporting CP – SC Braga 18/08/2019 (Domingo) 21h
Gil Vicente – SC Braga 25/08/2019 (Domingo) 20h30
SC Braga – SL Benfica 01/09/2019 (Domingo) 21h
Vitória FC – SC Braga 13/09/2019 (Sexta) 20h30
SC Braga – CS Marítimo 23/09/2019 (Segunda) 19h
Portimonense SC – SC Braga 29/09/2019 (Domingo) 18h
SC Braga – CD Santa Clara 28/10/2019 (Segunda) 20h15
Boavista FC – SC Braga 31/10/2019 (Quinta) 20h15
SC Braga – FC Famalicão 03/11/2019 (Domingo) 20h15
Vitória SC – SC Braga 10/11/2019 (Domingo) 20h
SC Braga – Rio Ave FC 02/12/2019 (Segunda) 18h
CD Aves – SC Braga 07/12/2019 (Sábado) 20h30
SC Braga – FC Paços de Ferreira 15/12/2019 (Domingo) 20h
Belenenses SAD – SC Braga 04/01/2020 (Sábado) 18h
SC Braga – CD Tondela 12/01/2020 (Domingo) 20h

 

“Horários indecentes”, cantam eles todos os jogos. Eles, adeptos de praticamente todos os clubes num cântico iniciado pela claque do SC Braga, mas que se espalhou para todo o lado porque é uma luta conjunta, uma luta por condições melhores para algo tão banal como ver futebol a uma hora decente. Se analisarmos a tabela acima apresentada, podemos constatar com facilidade que mais de 90% dos jogos do SC Braga a contar para a Primeira Liga são realizados a dias e, principalmente, horários muito pouco convidativos para “ir à bola”.

A tarja exibida pelos adeptos do SC Braga no último domingo frente ao CD Tondela faz todo o sentido mas, infelizmente, a Liga já não é virgem neste tipo de situações, algo que tem vindo a motivar toda uma série de discórdia e de reclamações por parte de vários clubes. A resposta do Presidente da Liga, Pedro Proença, através da sua Diretora-Geral, Sónia Carneiro, foi simples: Na temporada 19/20 acabaram os jogos à Segunda Feira (a não ser por necessidade de quem joga na Liga Europa) e teremos jogos às 12h45.

Os horários dificultam a ida das pessoas ao seu próprio estádio e também às deslocações
Fonte: Bola na Rede

Fui educado com a seguinte premissa: “Quando prometes alguma coisa, tens de a cumprir”. Estamos em janeiro e ainda não vislumbramos nenhum jogo do campeonato maior do futebol português no horário das 12h45. Porquê?

Relativamente à medida de terminarem os jogos à segunda-feira excetuando as equipas que joguem para a Liga Europa à quinta-feira, há uma série de incoerências que podemos também retirar. Aqui ficam os jogos que tivemos até à data a uma segunda-feira sem as equipas que compitam nas competições europeias (Liga dos Campeões incluída):

  • Vitória FC – CD Tondela
  • CD Tondela – Portimonense SC
  • Belenenses SAD – FC Paços de Ferreira
  • Portimonense SC- CD Santa Clara
  • Vitória FC – Boavista FC
  • Rio Ave FC – Gil Vicente FC

Parecem-me jogos a mais para não cumprir com uma promessa tão simples de realizar. O facto de sabermos que a cadeia televisiva que detém os direitos de transmissão de todos os jogos do campeonato (à exceção dos jogos em casa do SL Benfica), possui cinco canais para transmitir jogos, facilita imenso, na minha ótica, a transmissão de todos os jogos em dias e horários… normais!

Quando queremos criticar o que de mal se passa no futebol português temos muito a tendência de nos virarmos para outros países, exultando o que de bom se faz lá. Olhemos então para o maior campeonato do mundo, o campeonato inglês. Haver um jogo a uma sexta-feira ou segunda-feira é quase uma raridade. E não venham com a desculpa das competições europeias e dos tempos de descanso! Em Inglaterra, uma equipa joga à quinta e ao domingo (ou até ao sábado) sem problema nenhum.

Todos os jogos disputam-se ao fim-de-semana, com horários extremamente apelativos e a prova disso é a quantidade de público que vemos nos estádios ingleses, seja em que divisão for. Será que nenhum dirigente português não tem vergonha por ver uma terceira ou quarta divisão inglesa ter uma taxa de ocupação nos respetivos estádios tremendamente superior à Primeira Liga portuguesa? Não é preocupante?

O futebol que aprendi a amar e o futebol que os jogadores gostam de jogar é em estádios cheios. Como é possível um adepto minhoto dirigir-se ao Algarve (e vice-versa, obviamente) para um jogo a uma segunda feira às 21h? Isto ultrapassa qualquer lei do bom senso. É uma questão de respeito pelo adepto em Portugal, é uma questão de cultura desportiva, uma questão…de futebol. Do futebol verdadeiro, não esse de plástico que nos obrigam a consumir, com estádios completamente despidos de público em que até adormecemos pela hora tardia, pelo ambiente (ou falta dele) que rodeia o jogo. Mas o consumo está feito e o lucro já chegou à televisão e à Liga. Quem manda ri-se e quem consome o seu produto lamenta-se porque não pode fazer nada.

Que mais clubes sigam o exemplo do SC Braga, que nunca se calou perante estas injustiças, e exijam algo diferente. Porque não há Liga sem clubes e não há futebol sem adeptos. “Basta”, dizem eles. Para se operar uma revolução não é necessária a violência. Usar o argumento e as palavras certas pode fazer milagres. Basta querer, basta usar os meios próprios, basta também dar voz a quem dá o maior lucro do mundo a todos aqueles que vivem do futebol: os adeptos. Deixem os adeptos falar. Basta!

“Querem matar o futebol…”

Foto de Capa: SC Braga

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Bruno Fernandes: Uma visão benfiquista

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Em semana de dérbi, tenho perante mim um desafio diferente do habitual. Um desafio que para muitos benfiquistas “ferrenhos” seria impensável, um desafio que se deveria tornar um exercício mais normal: escrever, elogiosamente, sobre um jogador do rival (neste caso o Sporting).

Confesso que dediquei muito pouco tempo à escolha do jogador, pois pareceu-me absolutamente óbvia, tanto pelo que já fez pelo clube como pela sua qualidade pura: Bruno Fernandes.

Voltando atrás no tempo, até ao dia em que Bruno foi apresentado como jogador do Sporting Clube de Portugal, desde logo percebi que seria uma excelente contratação por parte do clube leonino, mas dificilmente esperava que tivesse tamanho sucesso.

Nos primeiros jogos com a camisola verde e branca Bruno Fernandes demonstrou ser um jogador com muita qualidade, mas seria no jogo frente ao Vitória SC que o camisola 8 se daria a conhecer a todo o país. Um fantástico volley fora da área e um remate teleguiado a 40 metros da baliza coroaram uma exibição a roçar a perfeição do médio português. Um autêntico recital de Bruno Fernandes, que dava assim indicações de ser um fora de série.

Nesta época, seguiram-se variadíssimas exibições de qualidade, que resultaram em mais 14 golos, muitos deles fantásticos, incluído os remates incríveis frente a Portimonense SC e GD Estoril Praia. Apesar da campanha mediana no campeonato, a equipa verde e branca conseguiu alcançar a final da Taça de Portugal, na qual defrontaria o Clube Desportivo das Aves.

Contudo, dias antes (15 de maio) da final do Jamor, iria ter lugar um dos acontecimentos mais tristes da história do Sporting CP e do futebol nacional: a invasão a Alcochete.

Mesmo como adepto rival, este dia deixou em mim uma sensação estranha, um misto de solidariedade e medo. Ver jogadores de futebol, figuras que achamos ser quase intocáveis e “imaginárias”, correrem perigo daquela forma foi algo ao qual nunca pensei assistir em Portugal. Para todos os amantes do futebol era triste ver tamanha instituição ferida daquela forma. Dias depois a hecatombe tornar-se-ia ainda maior com a perda da Taça de Portugal, frente ao Desportivo das Aves.

Naquele dia a equipa leonina nunca teria hipóteses, os seus jogadores e treinadores nunca chegaram a entrar realmente em campo, nem sequer mereciam ter sido “obrigados” a fazê-lo.

No entanto, o fatídico dia de 15 de maio teria implicações muito mais profundas no clube do que apenas a derrota na Taça. Foram nove os jogadores que rescindiram contrato pouco tempo depois do ataque (entre eles Bruno Fernandes), o à data presidente, acabaria por ser afastado pelos próprios sócios e as marcas do acidente estão ainda muito presentes na equipa e na estrutura do Sporting CP, a nível económico, desportivo e social.

Bruno Fernandes, um jogador que após a rescisão teria certamente propostas de clubes de outro nível, decidiu voltar ao Sporting CP. Esta decisão, com ou sem melhorias contratuais, diz muito sobre o carácter do jogador.

Bruno Fernandes tem feito grandes épocas ao serviço do Sporting CP
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Dentro de campo, Bruno é um jogador incansável, o que irrita profundamente a minha alma benfiquista. Todavia, é impossível ignorar tudo o que o internacional português deixa em campo. Diversos foram os jogos em que, com um Sporting CP em baixo no jogo, foi possível ver Bruno Fernandes a vir recolher a bola de um pontapé de baliza, a transportá-la para a frente e ainda aparecer nas zonas de decisão.

A questão é: há muitos jogadores em Portugal capazes de deixar tanto esforço em campo? Por muito que me custe admitir, os dedos das mãos chegam para contabilizar os jogadores que corram tanto pela sua equipa. Esta raça e dedicação provocam uma das poucas críticas que tenho a apontar ao jogador: a forma como se dirige a outros interveniente no jogo, sejam eles árbitros ou elementos adversários.

Como benfiquista proclamo muitas vezes que se fosse árbitro, Bruno Fernandes não terminaria um único jogo, tal é a forma como protesta os lances. Mas, olhando com visão mais imparcial, quem não gosta de ter um jogador com a verdadeira alma de capitão, que defenda o seu clube até ao limite, que deixe tudo em campo e motive os seus colegas a fazer o mesmo?

Toda a dedicação de Bruno Fernandes seria recompensada na época de 2018/19. Esta seria uma temporada memorável do médio português. Em 52 jogos foram 32 os golos apontados (batendo o recorde de Frank Lampard como médio mais concretizador de sempre numa temporada) e incontáveis as grandes exibições que colocaram um debilitado Sporting nos lugares cimeiros. Felizmente, o Benfica sagrou-se campeão nacional, mas a época de Bruno Fernandes ficará sem dúvida alguma na minha memória.

Sempre que não tinha oportunidade de ver em direto algum jogo dos leões e consultava o resultado, lá estava ele novamente: “mais um golo/assistência de Bruno Fernandes”. Naquela época havia três coisas certas: o céu era azul, a água era molhada e Bruno Fernandes iria fazer uma grande exibição.

Mesmo perdendo por 2-0 em Alvalade, frente ao Benfica, e numa fase em que os encarnados dominavam a partida, na única oportunidade de perigo dos leões… golo de Bruno Fernandes. Este carácter decisivo do jogador provocou em mim, naquele momento, um sentimento de raiva, mas durante todo o resto da época sempre me fascinou.

Numa altura em que parece estar a caminho de voos maiores, o meu ADN benfiquista deseja que Bruno Fernandes nunca tivesse chegado a Portugal, mas o meu amor pelo futebol deseja que ele nunca se vá embora.

Em nome de todos os portugueses e dos amantes de futebol: obrigado, Bruno!

Foto de capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão 

Sermão da Sta.º Modalidades aos Peixes

No outro dia, vi nas redes sociais algo com o qual me identifiquei. Muito resumidamente, os Jogos Olímpicos estão cada vez mais próximos e os portugueses vão exigir medalhas aos atletas do seu país. Como há uma grande possibilidade de os atletas olímpicos não trazerem nenhuma (ou poucas) medalhas, o cidadão normal acabará por ficar “chateado” com as prestações dos atletas. Por fim o último ponto era que este acontecimento desportivo (um dos maiores a nível global) iria ser falado por poucos meses e desapareceria muito rapidamente, voltando à típica luta do futebol.

E quem fala dos Jogos Olímpicos fala também dos Paralímpicos… Mediatismo? Zero. Se conhecemos quem são os atletas que participaram ou participam? Provavelmente, nem 5% dos portugueses devem saber um atleta (e este dado estatístico até deve ser bastante otimista). São atletas como todos os outros e merecem o devido destaque tanto quando participam, como quando vencem alguma medalha.

Por isso, como, infelizmente, poucos percebem aquilo que os atletas olímpicos e paralímpicos passam ao longo da sua carreira e até mesmo para chegar a uma competição como é os Jogos Olímpicos ou os Jogos Paralímpicos, decidi “pregar” aos peixes (para todos os incompreendidos), se bem que até nem esses (os peixes mesmo) possivelmente devem compreender, mas tentaremos…

Chris Wilder | Em Sheffield, santos de casa fazem milagres

O Sheffield United está a ser a grande surpresa da Premier League esta época, com um desempenho muito acima das expetativas iniciais para um clube que regressou este ano ao principal escalão do futebol inglês. A equipa treinada por Chris Wilder encontra-se atualmente na sexta posição com 32 pontos, apenas a dois do Manchester United, que segue no quinto lugar da geral.

O bom desempenho dos Blades até ao momento levou a Direção do Sheffield United a anunciar no final da semana passada a renovação do contrato com Chris Wilder, um homem da casa que fica agora ligado ao clube até 2024, com a possibilidade de ativar a extensão do contrato por mais um ano.

Muito do sucesso dos Blades este ano tem sido atribuído ao seu treinador, cuja relação com o United de Sheffield remonta aos anos 80 e aos seus tempos de jogador. Estávamos no ano de 1986 quando um jovem Chris Wilder, desiludido por ter sido dispensado do seu clube de formação (Southampton) antes de chegar à equipa principal, encontrou morada certa na cidade de Sheffield, a representar o Sheffield United.

Com alguns empréstimos pelo meio, Chris Wilder acabou por sair do clube em 1992 para regressar seis anos depois ao “seu” Sheffield, na época 98/99. Porque não há duas sem três, já depois de pendurar as chuteiras e ter iniciado a carreira de treinador em 2001, o filho pródigo regressou a Bramall Lane em 2016 para treinar o seu clube de coração.

O ditado diz que “Santos de casa não fazem milagres”, mas Chris Wilder tem contrariado este dito popular desde que regressou à casa de partida. Na sua primeira temporada como treinador do Sheffield United (2016/2017) conquistou a League One, o terceiro escalão do futebol inglês. Na época seguinte, na estreia no Championship, o clube teve um desempenho irregular e alcançou um modesto 10.º lugar. Mas em 2018/2019 a equipa esteve sempre no top-6 da classificação e terminou a época no segundo lugar, o que garantiu a promoção à Premier League e o prémio de Treinador do Ano da League Managers Association para Chris Wilder.

O Sheffield United é a equipa sensação da Premier League até ao momento
Fonte: Premier League

Na época de regresso à Premier League, o Sheffield teve um início de campeonato algo tremido, com apenas oito pontos conquistados em sete jornadas, antes de embarcar numa série de sete jogos sem conhecer o sabor da derrota, incluindo uma vitória sobre o Arsenal e empates com Tottenham e Manchester United.

O clube acabou por estar invicto fora de portas até ao final de dezembro, quando defrontou o líder Liverpool e saiu derrotado, mas tem-se destacado também pelo sólido registo defensivo. Atualmente, os Blades são a segunda melhor defesa da Premier League, com apenas 21 golos sofridos, o mesmo registo do Leicester City e apenas suplantados pelo Liverpool.

O que têm em comum Chelsea, Arsenal, Tottenham e Manchester United? Para além de serem clubes habituais no top-6 da Premier League, a todos eles o Sheffield United roubou pontos esta época. Ou, por outro lado, nenhum deles conseguiu derrotar a equipa de Chris Wilder em 2019/20. Um dado que reforça a dimensão do “milagre” que Chris Wilder tem operado diz respeito ao plantel dos Blades: de acordo com o portal Transfermarkt, o plantel do Sheffield United é o menos valioso da Premier League, com um valor total estimado de “apenas” 117M€, um valor irrisório quando comparado, por exemplo, com Tottenham (968M€) e Arsenal (683M€), que seguem atrás do Sheffield na classificação.

Chris Wilder, o santo de casa que tem feito milagres e omeletes sem ovos no Sheffield United, enfrenta agora um duplo teste de elevado grau de dificuldade. Os Blades deslocam-se a Londres este fim-de-semana para defrontar o Arsenal (sábado, 15h) e três dias depois recebem o Manchester City (21 janeiro, 19h30). Dois desafios de alto risco e que irão pôr à prova a capacidade milagreira de Chris Wilder. É ver para crer.

Foto de Capa: Sheffield United

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão