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O Bombeiro Corona

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A época do FC Porto tem sido marcada pela irregularidade, ou seja, a equipa já presenciou momentos que fazem qualquer adepto ficar com o “rei na barriga”, como já proporcionou períodos mais negativos e não tão entusiasmantes. Contudo, dentro dessa irregularidade, há um atleta que se está a evidenciar pela sua consistência exibicional, que é o internacional mexicano Jesús Corona. Há uns tempos atrás associar o atleta e a palavra “regularidade” na mesma frase parecia uma ironia, já que sempre foi das grandes lacunas apontadas ao jogador, que tanto fazia um grande jogo, como depois andava três ou quatro partidas apenas a inscrever o seu nome na ficha de jogo.

No entanto, tudo começou a mudar quando Sérgio Conceição, grande apreciador das suas qualidades técnicas, pegou no plantel principal dos dragões. Desta forma, “Tecatito”, como é apelidado no mundo da bola, passou a ter mais destaque nas opções iniciais dos azuis e brancos e com isso somou, a esses surgimentos, maiores períodos de estabilidade exibicional. Algo que, para muitos, não era possível, dado que, apesar de todas as suas qualidades técnicas evidentes faltava sempre qualquer coisa que o afastava do lote dos preferidos da massa associativa. Outro aspeto, que pode estar associado a esta mudança é também a maior maturidade que apresenta em campo, já senhor de uma maior experiência, assim como maior conhecedor de todo o contexto em que está inserido.

Por conseguinte, todas as dúvidas que assombravam a sua estadia no reino do dragão parecem já ser uma miragem longínqua do passado e, atualmente, Corona assume-se como uma das principias referências da formação azul e branca, bem como um dos maiores ativos do emblema da invicta. O futebolista é já um dos rostos que começa a incorporar a verdadeira “mística”, que carateriza o FC Porto e o distingue dos demais, pela sua forma de encarar cada jogo, o seu espírito de sacrifício e, principalmente, por colocar os interesses da equipa à frente dos seus. E a maior prova de que todos os elogios direcionados à sua pessoa não são descabidos é o facto que ao dia de hoje já ninguém sabe qual é a sua verdadeira posição. Um indicador que demonstra bem a polivalência do mexicano é que, na falta de uma verdadeira opção para a lateral direita, Sérgio Conceição tem socorrido aos serviços do “bombeiro” Corona, que tem tido como missão apagar verdadeiros fogos, devido à má gestão desportiva, que tem assombrado o clube.

Corona tem alternado entre a posição de lateral direito e extremo
Fonte: Bola na Rede

Quem negar a relevância que o número 17 dos dragões tem na equipa, é quem não quer ver a realidade e conceder o protagonismo a quem o merece! É verdade que em termos estatísticos não está a ser a melhor temporada do ex-FC Twente, já que o seu primeiro golo na Liga NOS foi na última visita a Moreira de Cónegos, e que golo! No entanto, conta com sete assistências no bolso a juntar a mais uma que realizou na Liga Europa. Objetivamente, os números não impressionam, mas em nada condiz com a perseverança, o querer, a magia e o compromisso que cada minuto do seu jogo tem evidenciado.

A verdade é que o mexicano se apresenta apenas como um elemento de recurso para uma posição carenciada, desde a saída de Ricardo Pereira para Inglaterra, e que a própria equipa está a sofrer por isso, visto que perde alguma criatividade e imprevisibilidade na frente de ataque. Mas, não há mais ninguém dentro do grupo de trabalho com maior competência para colmatar as debilidades defensivas que o FC Porto sofre do lado direito. Apesar de todo o seu empenho e esforço, Corona e os adeptos azuis e brancos estão a ser vitimas de um mau planeamento, porque não há dúvidas nenhumas que, atualmente, é o melhor jogador do plantel e que o seu lugar devia ser mais perto da baliza do adversário do que na sua, visto que é em terrenos mais adiantados que pode implementar um maior pânico pelas defesas contrárias e usufruir das suas qualidades futebolísticas na sua plenitude.

Assim, até que se resolva este problema há muito já identificado, o internacional mexicano vai-se sacrificando pela formação orientada por Sérgio Conceição e prova que para sentir o clube não basta nascer dentro do estádio, mas sim respeitar toda a história que o envolve. Quanto a quem assiste de fora apenas basta apreciar o profissionalismo do jogador e esperar que quem manda faça o que tem a fazer, para que Corona possa pisar terrenos mais adequados à sua qualidade de jogo!

Foto de capa: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

“Leão” em defesa da honra contra “águia” que quer voar para o título

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É já esta sexta-feira, a partir das 21h15, que se disputa o 308.º dérbi eterno entre Sporting Clube de Portugal e Sport Lisboa e Benfica, o 147.º em casa dos “leões”.

Jogo a contar para a 17.ª jornada da Liga Portugal, ou seja, no dobrar da prova, e que coloca em duelo rivais separados por 16 pontos, com o Benfica isolado na liderança e o Sporting a ocupar o quarto lugar.

E é importante, desde já, que se desmistifique um velho chavão: por norma, não é a equipa que está em pior momento que vence, e por isso os “encarnados” surgem como favoritos, não há volta a dar. Dispõem de mais opções, estão numa dinâmica de triunfos, Ferro e Gabriel aparentam estar recuperáveis para Alvalade e até a história não está contra o clube da Luz. Isto porque o Benfica tem tantos triunfos (32) quanto o seu rival, a jogar fora, o que diz bem das dificuldades que as “águias” costumam causar aos “leões”.

Mas atenção, dérbi é sempre dérbi, e o Sporting vai encarar este jogo com o total propósito de derrubar o rival da 2.ª Circular, mais que não seja pela honra, até porque um triunfo “verde e branco” seria o melhor tónico possível para a 2.ª volta.

Bruno Fernandes e Pizzi podem ser duas figuras no dérbi desta sexta-feira
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Coates está castigado, Vietto lesionado, mas Bruno Fernandes, o “artista” leonino, ainda deverá alinhar numa partida sempre especial, o que torna o Sporting mais forte, necessariamente.

Do lado benfiquista há a convicção de que este duelo não é decisivo, já que os comandados de Bruno Lage têm quatro pontos de avanço, pelo que é de acreditar que o Benfica não entre a todo o gás, podendo tentar gerir o encontro, como fez em Guimarães.

A contar para o campeonato, o Sporting não ganha em casa ao Benfica desde Abril de 2012, sendo que na temporada passada os “encarnados” venceram por 4-2.

É de esperar um jogo emotivo, com o Sporting a tentar ser “mandão”, repetindo a performance frente ao FC Porto, mas sabe-se que este Benfica também consegue ser uma equipa cínica e que consegue fechar os caminhos para a sua baliza, apesar dos deslizes contra o Desportivo das Aves e Rio Ave.

A experiência de Mathieu, a garra de Acuña e o virtuosismo de Bruno Fernandes são trunfos para Silas, enquanto Lage conta com um Cervi em grande forma, sem esquecer mais opções no meio-campo, a influência de Pizzi, o “cheiro” pelo golo de Carlos Vinícius e… um possível regresso de Rafa.

Uma coisa é certa: o espectáculo está garantido e não há jogo como este.

APOSTA VIP: Empate (1-1)

Este dérbi pode encaminhar-se para um empate a uma bola, com o Sporting a ver premiado o seu esforço, mas também é justo reconhecer que raramente o Benfica não marca. É de esperar uma equipa leonina a adiantar-se no marcador, com as “águias” ainda a irem a tempo de minorar estragos, num mal menor.

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Sporting CP vs “Zombies”

A jornada passada ficou marcada por (mais um) episódio lamentável que envergonha (ou, pelo menos, devia) o futebol português: a efectiva realização do jogo Vitória FC x Sporting CP. A equipa Lisboeta, melhor que qualquer outra da Primeira Liga, deve lembrar-se de ter meia equipa com mazelas, físicas e psicológicas, mas nem essa situação impediu a direcção leonina de se comportar com a arrogância que chocou o mundo do futebol.

Para os amantes do desporto-rei, a 16.ª jornada da Primeira Liga chamava a atenção por um reencontro muito aguardado: Gil Vicente FC e Belenenses SAD. Estas duas equipas, outrora apenas separadas pela típica rivalidade entre clubes do Minho e de Lisboa, tornaram-se eternas rivais devido ao polémico Caso Mateus, que culminou na injusta despromoção do Gil Vicente à Segunda Liga.

No entanto, este duelo foi ofuscado pela notícia súbita do adoecimento de meio plantel do Vitória FC, afectado pela gripe. Como vivemos num país civilizado, com um campeonato de primeira categoria, o presidente do Vitória, Vítor Hugo Valente (que já há umas semanas experimentou o ambiente nauseabundo que se vive no futebol português, ao ser agredido em plena rua), cometeu o erro de pensar que o mais que justificável adiamento do jogo com o Sporting seria aceite por Frederico Varandas.

Spoiler: não foi. Sem justificação nenhuma, o Sporting recusou-se a adiar o jogo. Verdade seja dita que mais tarde, aceitou este adiamento, mediante a formação de uma junta médica com um médico do clube para atestar a incapacidade dos jogadores setubalenses. Escusado será dizer que Vítor Hugo Valente, sentindo-se humilhado e desrespeitado, declinou tão “generosa oferta”.

Honestamente, tenho dificuldade em perceber qual das decisões do Sporting denota maior arrogância e falta de respeito pelo adversário. Tenhamos em mente que o Sporting está fora da Taça de Portugal e, portanto, não joga durante esta semana, sendo o seu jogo seguinte, o dérbi Lisboeta, na sexta-feira. Mas a verdade é que o Sporting levou a sua avante, o jogo realizou-se e, apesar do tremendo esforço dos 11 jogadores do Setúbal (apenas com quatro dos habituais titulares), terminou com a vitória dos leões por 3-1. No final, o Vitória anunciou a suspensão das relações institucionais com o Sporting. Assim vai o nosso futebol português.

O Sporting CP acabou por vencer um jogo que não deveria ter acontecido
Fonte: Vitória FC

Mais uma vez, o que ficou desta jornada do campeonato não foi futebol: não foi o esforço titânico do FC Famalicão em segurar o 3.º lugar, não foi a exibição soberba do CD Aves na Luz e o gesto magnânimo de Nuno Manta Santos, nem o samba do Gil Vicente FC, nem a reviravolta do SC Braga. O que vai perdurar na memória é que o Sporting se recusou a ser solidário com um Vitória FC que jogou com o plantel doente. Nestes momentos, recordo a insistência de Frederico Varandas nas reuniões da FPF a pedir a pacificação do futebol português e a sua convicção em serenar os ânimos. Relembro que um dia, o futebol português se uniu em torno do Sporting para condenar o ataque à academia de Alcochete e se solidarizou com o plantel afectado.

Pena que o Sporting se tenha esquecido disso. Por isso, quando ouvi as notícias a dizer que no Vitória FC x Sporting CP, o “grande” tinha vencido o encontro, fiquei confusa. Para mim, no Estádio do Bonfim, não jogou nenhum “grande”.

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Olheiro BnR: Francisco Trincão

O SC Braga detém uma das maiores promessas do futebol português, formado no clube, que desde cedo demonstrou talento e condições para fazer crescer a sua habilidade futebolística. Apesar de ser franzino, nunca teve medo de ir a jogo e demonstrar o seu futebol cheio de técnica, velocidade e com golo, características que foram encantando os seus treinadores pelas camadas jovens. A juntar a isto, as constantes chamadas à seleção fizeram com que se começasse a falar neste jogador, de seu nome Francisco António Machado Mota Castro Trincão, ou simplesmente Trincão, que tem tudo para ter um futuro brilhante.

O clique para este extremo virtuoso deu-se aquando do Europeu Sub-19, em 2018, onde Portugal foi declarado vencedor e Trincão premiado com a bota de ouro, com 5 golos (a par de Jota). Esta excelente campanha foi uma chamada de atenção para os “tubarões” do velho continente, que começaram a sondar o jogador e o clube.

Seguiu-se a época 2018/2019. No seu ano de afirmação, o esquerdino teria garantido a presença no plantel principal, onde Abel Ferreira, apesar da total crença da direção no número 77, pouco apostou no jogador, o que resultaria nuns míseros 120 minutos pelo conjunto. Aproximar-se-ia um verão agitado. Em Itália, o principal mercado do jogador, colossos como o Internazionale e a Juventus FC chegaram com propostas de 15 milhões de euros, desde logo recusadas por António Salvador que tem como estratégia garantir a presença dos talentos da formação na equipa principal, de forma a usufruir do rendimento desportivo e financeiro.

Esta ano tem sido a sua época de ascensão: com Sá Pinto, a sua utilização não foi imediata, porém, e especialmente com Rúben Amorim, que já demonstrou, em declarações, que pretende fazer dele o principal jogador da equipa. No único jogo disputado na era Amorim, notou-se, desde logo, a grande influencia de Trincão no jogo. É uma grande arma no jogo ofensivo, com capacidade de aparecer entre linhas e também no jogo interior. Juntamente a Paulinho e Ricardo Horta forma um trio muito perigoso para os adversários. Deverá dar boas dores de cabeça ao treinador, sabendo que o plantel conta ainda com Galeno que tem feito as delícias dos adeptos.

Trincão é uma grande arma no jogo ofensivo
Fonte: FIFA

Na realidade, Trincão foi um dos atletas mais beneficiados pela troca de treinador no SC Braga, atualmente encontra um treinador que não tem receio de apostar nele, que aprecia o seu talento e, provavelmente, que será capaz de polir um craque em bruto. As oportunidades dadas ao craque deverão ser aproveitadas para o mesmo dar dimensão ao talento, crescer e evoluir para ajudar a equipa a cumprir os seus objetivos.

É um dos maiores talentos do futebol português e mundial e até a UEFA refere-o como um dos jovens mais promissores do mundo, que está destinado a voos mais altos. Os arsenalistas são um bom ponto de partida para uma carreira próspera. Com uma cláusula de rescisão colocada nos 30 milhões de euros, o jovem extremo poderá ser alvo, já no mercado de inverno, de investidas, principalmente, de clubes italianos, prontos a pagar o seu valor.

O único entrave?

António Salvador, que já veio a público garantir que o jogador irá manter-se no clube, o que pode ser bom para a sua evolução, contudo este é o ativo com mais mercado do plantel e as propostas cada vez mais aliciantes poderão levar a um volte-face nestas afirmações.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 5 melhores dérbis do SL Benfica na última década

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A rivalidade entre o Sport Lisboa e Benfica e o Sporting Clube de Portugal é centenária, tendo brindado os adeptos com vários momentos marcantes ao longo dos anos. Da serenata à chuva em Alvalade ao mítico golo de Luisão na era Trapattoni – que permitiu aos encarnados regressar aos títulos após uma seca de 11 anos -, o dérbi da Segunda Circular é sempre um dos jogos mais aguardados da temporada. Em semana de dérbi, decidimos recordar cinco jogos marcantes entre “águias” e “leões” na década que findou, em que o SL Benfica levou a melhor.

SL Benfica 3-2 Rio Ave FC: Seferovic “Cervi”u de desbloqueio

A CRÓNICA: QUE BONITO SE JOGOU HOJE NA LUZ!

A noite estava fria, aqui deste lado da bancada, mas felizmente o jogo aqueceu de forma a fazer os adeptos esquecer o inverno que se fazia sentir no Estádio da Luz. E que jogo! Arrisco-me a dizer que esteve pouco longe do nível de um clássico ou de um dérbi. Duas equipas com um futebol ofensivo e bonito onde o Benfica acabou por ser mais feliz. E um jogo que começou, desde logo, com um ritmo diabólico. Tanto é que logo aos quatro minutos já se tinha alterado o marcador.

O Rio Ave FC foi o primeiro a ser feliz. Depois de uma grande jogada iniciada por Matheus Reis que cedeu, e bem, para Taremi, eis que surge uma falta sobre o jogador e que dá origem a um livre perigoso em horas prematuras na Luz. Lucas Piazón carimbou, em formato de livre, o primeiro da noite.

O SL Benfica respondeu bem ao golo e conseguiu pressionar ainda mais os vila-condenses. O golo acabou por surgir nem 10 minutos depois (aos 13′) no seguimento de uma excelente jogada entre Cervi e Carlos Vinícius, onde Cervi conseguiu de forma exímia restabelecer a igualdade.

Estava a ser uma partida irrepreensível, onde ambas as equipas estavam a arriscar e a praticar um futebol de se tirar o chapéu. Falei em chapéu? É que foi isso mesmo que aconteceu aos 29 minutos – um chapéu de Taremi sobre Zlobin, a fazer o 2-1. Taremi, muito interventivo durante toda a partida, aproveitou uma desatenção de Zlobin, que estava fora dos postes. Depois de uma oportunidade dos encarnados entre Taarabt e Chiquinho, surge então o golo da equipa de Carlos Carvalhal que se colocou novamente à frente do marcador.

O Benfica continuou dominador no jogo, mas havia a clara sensação de que faltavam argumentos ofensivos. A entrada de Seferovic veio causar estragos e as águias conseguiram mesmo igualar o marcador. Nota importante para mais uma assistência de Vinícius, que era a segunda na partida e a terceira nos últimos dois jogos. Por esta altura, a 20 minutos do final do duelo, o Rio Ave FC encontrava-se encostado às cordas e acabou mesmo por sofrer o terceiro. Seferovic, que ao que parece saiu do banco inspirado, marcou o terceiro da noite e impôs a vantagem para a sua equipa.

O jogo permaneceu assim: intenso e bonito. Uma excelente partida onde a superioridade do Benfica acabou por se evidenciar numa altura de maior cansaço da equipa do Rio Ave, que fez um jogo de grande esforço e perseverança.

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Cervi – Que grande categoria! É só o que tenho a dizer quanto a este jogo de Cervi. Que entrega! Quer em termos defensivos, quer em termos ofensivos. O número 11 pode não ter um lugar garantido na equipa titular do Benfica, mas a verdade é que a sua entrega esta noite pede por mais oportunidades como a que teve neste jogo.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Taarabt – Num jogo de alto calibre por parte de ambas as equipas é complicado eleger um fora-de-jogo, mas a escolha desta noite é Taraabt. Esteve um pouco perdido no sistema tático da sua equipa. O facto de estar muito subido no terreno acabou por espelhar algumas debilidades no meio-campo do Benfica que, até certa altura, estavam a ser aproveitadas pelo Rio Ave FC com saber, arte e engenho.

 

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica apresentou-se com o seu típico 4-4-2, mas que acabou por apresentar algumas debilidades para segurar o jogo a meio-campo. O centro do terreno encarnado esteve um pouco apático durante a primeira parte. Taraabt esteve algo perdido dentro de campo e muito subido no mesmo. Com isto, Weigl ficou muito exposto a um excelente trio que deu muitas dores de cabeça à equipa de Bruno Lage. A complementar a exímia exibição de Taremi, um autêntico lutador na frente de ataque, o trio Nuno Santos, Piazón e Diego Lopes fizeram uma grande diferença.

Um Benfica sem espaço para sair a jogar, começou por apostar mais num jogo através do corredor central que, ainda assim, não estava a correr da melhor maneira. As águias jogaram bem a níveis ofensivos, mas as lacunas defensivas estavam a ser demasiado evidentes e acabaram mesmo por se traduzir no resultado de 1-2 para o Rio Ave FC.

Com o desenrolar do jogo, a ideia que se formava é que faltava mais gente na área do Benfica para poder concretizar. E Bruno Lage percebeu isso mesmo. Tanto que aos 61′, Ferro saiu para a entrada de Seferovic. Weigl ocupou, a partir daqui, a posição de falso central. O Benfica passa então a jogar no seu meio-campo com Chiquinho e Taarabt e na frente de ataque: Vinícius e Seferovic. A estratégia cedo surtiu efeito, uma vez que o empate surge aos 61′ e a vantagem ocorre sensivelmente 10 minutos depois.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ivan Zlobin (4)

Grimaldo (4)

Rúben Dias (4)

Franco Cervi (9)

Chiquinho (7)

Pizzi (6)

Weigl (4)

Taarabt (3)

T. Tavares (8)

Vinícius (8)

Ferro (4)

SUBS UTILIZADOS

Seferovic (8)

Samaris (-)

Rafa (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – RIO AVE FC

O Rio Ave FC apresentou-se na Luz completamente desinibido, num 4-4-2 bastante eficaz. A certa altura começou a apostar num jogo mais reativo devido à preponderância ofensiva benfiquista, mas o apoio no corredor de Nuno Santos, Piazón e Diego Lopes ao homem mais avançado – Taremi – foi o trunfo da noite de Carlos Carvalhal. Esteve muito do jogo empurrado no seu meio-campo, mas soube muito bem gerir os momentos de jogo de forma eficaz.

Para além disso, a sua primeira linha defensiva esteve bastante atenta e foi uma autêntica muralha que dificultou bastante as manobras ofensivas encarnadas. Apesar de ter perdido este jogo, o Rio Ave FC deu uma lição a todos os que gostam de bom futebol. Fez frente ao seu adversário (e que adversário, diga-se de passagem) e conseguiu manter a sua estratégia avante até ao momento em que Bruno Lage lança as cartas todas ao colocar Seferovic em campo, optando por uma estratégia com dois homens na área.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Vítor (6)

Matheus Reis (7)

Filipe Augusto (6)

Borevkovic (8)

Diogo Figueiras (7)

Tarantini (7)

Diego (8)

Nuno Santos (7)

Piazon (7)

Santos (8)

Mehdi (8)

SUBS UTILIZADOS

Grabielzinho (-)

Diego Lopes (-)

Pedro Amaral (-)

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

Rio Ave FC

Não foi possível fazer perguntas ao treinador do Rio Ave FC, Carlos Carvalhal. 

SL Benfica 

Não foi possível fazer perguntas ao treinador do SL Benfica, Bruno Lage. 

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Portugal 28-34 Noruega: Que venha a main round!

A CRÓNICA: FALTA DE ACERTO NA FINALIZAÇÃO ACABOU POR DITAR A PRIMEIRA DERROTA PORTUGUESA NESTE CAMPEONATO DA EUROPA FRENTE À VICE-CAMPEÃ DO MUNDO

Com ambas as equipas já qualificadas para a fase principal da competição, esta terceira jornada iria definir quem passaria em primeiro e quem levaria pontos para essa segunda fase – os pontos conquistados entre as equipa apuradas para a main round transitam para essa fase.

O encontro começou com algum equilíbrio. Jogando em casa com mais de 8000 adeptos na Trondheim Spektrum, a Noruega ia sendo empurrada pelas bancadas, mas Portugal ia aguentando. Com uma defesa 6×0, que se transformava num 3×3 extremamente “agressivo”, a defesa lusa ia frustrando o ataque norueguês e conseguia roubar bolas que permitiam sair em contra-ataque.

No entanto, a Noruega é vice-campeã do mundo por alguma razão e com o central Sander Sagosen a comandar o ataque, os espaços lentamente começavam a aparecer. As ações de um-para-um norueguesas começavam a suceder-se e a vantagem começava a aumentar. Algum nervosismo ou ansiedade parecia dominar a equipa de Paulo Pereira e as precipitações sucediam-se, especialmente no plano ofensivo, onde as falhas de finalização começavam a amontoar-se. Ainda assim, ao intervalo a desvantagem portuguesa era de apenas dois golos com o marcador a assinalar 14-16.

No segundo tempo essas precipitações mantiveram-se. Uma entrada endiabrada por parte da Noruega, que começou a segunda parte com um parcial de 6-1, permitiu-lhes construir uma vantagem de sete golos que acabou por ser determinante para o resultado final.

Apesar dos esforços lusos, a desvantagem nunca passava dos quatro golos e Sander Sagosen continuava a dominar o plano ofensivo nórdico. Assim, foi com naturalidade que a Noruega controlou o resultado e saiu vencedora por 28-34.

A FIGURA

Fonte: Noruega

Sander Sagosen – O central norueguês que alinha pelo PSG está num momento de forma incrível e tem-no mostrado neste europeu. Com apenas 24 anos mostra bastante maturidade e consegue impactar o jogo mesmo sem marcar. Ao arrastar as marcações dos dois defesas centrais, abriu inúmeros espaços que os laterais noruegueses aproveitaram para marcar.

 

O FORA DE JOGO

Fonte: FAP

João Ferraz – Mais uma exibição que apesar de esforçada, não deu os frutos que Paulo Pereira esperaria. Foram várias as ocasiões em que João Ferraz limitou a circulação de bola e houve momentos em que parecia não saber o que fazer com o esférico – altura em que normalmente simulava um remate em suspensão e tentava entrar aos seis metros, apenas para ser parado pela defensiva norueguesa.

 

ANÁLISE TÁTICA – PORTUGAL

A defesa portuguesa tem mostrado bastante versatilidade. Paulo Pereira tem mostrado vários esquemas defensivos e a equipa tem correspondido – neste encontro Portugal defendeu 6×0, 3×3 e 5×1. No entanto, tem sido o ataque que tem mostrado alguns “soluços”. Rui Silva é neste momento o jogador mais importante da equipa e Portugal sente cada vez que o central está fora de campo.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Alfredo Quintana – 6

Diogo Branquinho – 5

André Gomes – 6

Rui Silva – 5

João Ferraz – 4

Pedro Portela – 6

Alexis Borges – 7

SUBS UTILIZADOS

Humberto Gomes – 6

Miguel Martins – 7

Belone Moreira – 6

Daymaro Salina – 7

Alexandre Cavalcanti – 6

António Areia – 6

Fábio Vidrago – 6

Luis Frade – 6

Fábio Magalhães – 6

 

ANÁLISE TÁTICA – NORUEGA

Apoiados no seu 6×0 extremamente flexível, a Noruega demostrou todas as características de uma equipa escandinava: pontas rápidos e eficazes, disciplina, simplicidade de processos e muita frieza. Apoiados pelos seus adeptos e com Sander Sagosen e Magnus Röd a jogarem a este nível, a seleção norueguesa é uma das favoritas ao título.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Torbjoern Bergerud – 8

Magnus Joendal – 8 ´

Petter Overby – 6

Sander Sagosen – 8

Magnus Röd – 8

Kristian Björnsen – 6

Kristian Saeveraas – 6

SUBS UTILIZADOS

Goeran Johannessen – 8

Tom Nikolaisen – 7

Sander Overjordet – 6

Magnus Gullerud – 6

Christian O’Sullivan – 7

Eivind Tangen – 6

Harald Reinkind – 6

Kevin Gulliksen – 7

Alexandre Blonz – 6

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Tottenham Hotspur FC 2-1 Middlesbrough FC: “Passaporte carimbado” à segunda tentativa

A CRÓNICA: PRIMEIRA PARTE “A TODO O GÁS”, SEGUNDA A GERIR

Depois de ter estado a perder no campo do Middlesbrough, no primeiro jogo, o Tottenham conseguiu empatar essa partida e forçou a repetição do encontro, tal como mandam as regras da FA Cup. A entrada “de sonho” dos “Spurs” no segundo jogo facilitou uma missão que podia ter sido complicada, dada a imprevisibilidade e a alma que as equipas dos escalões inferiores sempre demonstram nestes jogos a eliminar.

Dois golos nos primeiros quinze minutos, apontados pelos argentinos Lo Celso e Lamela, respetivamente, frutos de dois erros da formação do “Boro”, trouxeram conforto à exibição dos londrinos. Se o Tottenham podia cometer o erro de adormecer perante esta vantagem, a verdade é que nunca baixaram a intensidade de jogo e tiveram mesmo mais algumas oportunidades para fazer golo antes do intervalo, mas o 2-0 permaneceu. Na segunda parte, os “Spurs” tentaram gerir o esforço e acalmar um pouco o ritmo de jogo, mas nunca perderam a concentração nem deixaram de ir em busca do golo. Ainda assim, o número de oportunidades para os londrinos marcarem diminui, e em oposição, as oportunidades para o “Boro” foram aumentando.

Foi numa destas oportunidades que os jogadores de Jonathan Woodgate conseguiram reduzir a desvantagem, por Saville, a sete minutos do fim. No entanto, foi tarde demais, e o Tottenham acabou por se agarrar à vitória e, assim, segue para a quarta eliminatória da Taça de Inglaterra.

A FIGURA

Fonte: Tottenham Hotspur FC

Erik Lamela – Exibição de “primeira água” do extremo argentino, que marcou um golo e podia ainda ter somado mais um par de tiros certeiros. Sempre a mostrar-se ao jogo e a combinar com os restantes elementos ofensivos, nunca teve posição fixa, o que abonou a seu favor. Uma menção honrosa também para Lo Celso, que numa semana onde se fala de um possível reforço do meio-campo dos “Spurs”, mostrou a José Mourinho que é uma opção muito válida.

O FORA DE JOGO

Fonte: Middlesbrough FC

Tomas Mejías – Ofereceu o primeiro golo ao Tottenham e, a partir daí, nunca transmitiu segurança ao resto da equipa. Protagonizou uma boa intervenção na segunda parte, após remate em curva de Eriksen, mas as restantes intervenções, sobretudo com os pés, revelaram uma tremenda falta de confiança, que se alastrou ao resto dos jogadores do “Boro”.

ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR FC

Imagem de marca deste Tottenham de José Mourinho, o 4-2-3-1 voltou a ser o esquema escolhido para dispor o 11 inicial do técnico português. Apesar de Tanganga, pela direita, não ter aparecido muitas vezes em terrenos adiantados, as constantes subidas de Sessegnon, pela esquerda, aliadas às brilhantes exibições de Lamela e Lo Celso, foram fatores chave para o bom desempenho dos “Spurs” neste encontro. Os dois argentinos, a par de Lucas Moura e Eriksen, formaram uma frente de ataque muito móvel, com constantes trocas de posição e, consequentemente, deixando a cabeça dos defesas adversários “à roda”. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Paulo Gazzaniga (5)

Japhet Tanganga (7)

Davinson Sánchez (6)

Jan Vertonghen (6)

Ryan Sessegnon (6)

Eric Dier (6)

Harry Winks (6)

Giovani Lo Celso (7)

Christian Eriksen (6)

Erik Lamela (8)

Lucas Moura (6)

SUBS UTILIZADOS

Son Heung-Min (6)

Dele Alli (6) 

ANÁLISE TÁTICA – MIDDLESBROUGH FC

Com uma formação claramente defensiva e a procurar não sofrer, dispostos em 5-3-2, os planos de Jonathan Woodgate sofreram dois reveses nos primeiros 15 minutos. As dificuldades em reagir foram evidentes e a única maneira que o “Boro” encontrou para incomodar (muito pouco) a defesa contrária foi o jogo direto, fazendo-se valer do poderio físico dos seus dois avançados, Fletcher e Nmecha, que estão habituados aos duros confrontos do Championship. A intervenção dos três homens do meio-campo foi praticamente nula, o que dificultou a ligação de jogo e não permitiu a criação de oportunidades através de jogo apoiado.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Tomas Mejias (5)

Djed Spence (5)

Jonathan Howson (6)

Paddy McNair (5)

Dael Fry (6)

Marvin Johnson (6)

Adam Clayton (6)

Ben Liddle (5)

Lewis Wing (5)

Lukas Nmecha (6)

Ashley Fletcher (6)

SUBS UTILIZADOS

George Saville (7)

Marcus Tavernier (6)

Rudy Gestede (6)

Foto de Capa: Tottenham Hotspur

Revisto por: Jorge Neves

FC Porto 2-1 Varzim SC: Vitória Previsível

 

A CRÓNICA: DEVAGAR, DEVAGARINHO

Quartos-de-final da Taça de Portugal. Com o Estádio do Dragão como palco, FC Porto (com tudo a perder) e Varzim SC (com tudo a ganhar) discutiam um lugar nas meias-finais de uma prova na qual, mais do que incompetentes, os azuis e brancos têm sido pouco afortunados. Aos dragões cabia a responsabilidade de vencer o jogo e o demonstrar de uma seriedade quanto baste para levar de vencida uma equipa do segundo escalão do nosso futebol.

A verdade é que o FC Porto, como tantas outras vezes nesta temporada, entrou lento e previsível e permitiu que o Varzim SC se acomodasse à partida sem grandes sobressaltos. Sempre que em ataque organizado, os comandados de Sérgio Conceição (visivelmente agastado com a exibição da equipa no primeiro tempo) foram incapazes de ferir o adversário e foi permitindo que os poveiros, por via da velocidade dos extremos, fossem conseguindo sair com a bola controlada e colocando em sobressalto a defesa portista.

Incapaz através da circulação de bola, o FC Porto chegou ao intervalo a vencer por 2-1 muito devido ao aproveitamento de uma transição rápida após roubo de bola no meio campo contrário e de um livre lateral. Pelo meio, o Varzim silenciou o Dragão na cobrança de um livre em zona central, sem que Diogo Costa fique isento de culpas. Depois de uma segunda parte jogada a um ritmo, pasme-se, ainda mais lento do que a primeira, o resultado permaneceu inalterado.

O FC Porto não foi capaz de criar qualquer ocasião para dilatar o resultado e o Varzim SC, pese embora todo o voluntarismo dos seus jogadores, não teve capacidade física nem arte na decisão, para levar o jogo para prolongamento. Foi uma vitória previsível de uma equipa, também ela, previsível.

A FIGURA

Fonte: Varzim SC

Lumeka – Sem conseguir encontrar um jogador da equipa vencedora suficientemente merecedor de distinção, opto por dar palco ao jogador mais desconcertante da equipa do Varzim SC. Excelente jogo de um jogador inglês que, confesso, não conhecia. Muito rápido e com uma interessante qualidade técnica mostrou ter qualidade mais do que suficiente para outros patamares. Pôs a cabeça em água aos laterais portistas que pela sua zona de ação passaram. Se for capaz de melhorar o capítulo do cruzamento e a tomada de decisão pode augurar a outros voos.

O FORA DE JOGO

Fonte: FC Porto

Renzo Saravia – Toda a equipa estava a realizar um jogo insuficiente na primeira parte, mas não deixa de ser sintomático que o sacrificado volte a ser o lateral argentino (o pesadelo do jogo com o Krasnodar ainda paira na mente dos portistas). Apesar de interveniente de primeira linha no golo inaugural do jogo, Saravia raramente fez a diferença a atacar e no momento defensivo foi incapaz de suster as investidas de Lumeka. Se pudesse apostar diria que Sérgio Conceição terá saído para as cabines com vontade de mudar meia equipa, no entanto, ficou-se pelo lateral contratado no início da época ao Racing Avellaneda.

ANÁLISE TÁTICA – FC PORTO

Sem a presença de Nakajima nas costas de Soares, o FC Porto regressou a um rígido 4x4x2. Fábio Silva juntou-se a Soares e Otávio e Luís Díaz foram procurando zonas interiores de forma a abrir caminho para os laterais. A máquina, no entanto, emperrou por via da lentidão de processos dos médios e pela ausência de movimentações sem bola que fossem capazes de confundir a defesa adversária. Após a entrada de Baró, voltou a receita de ter um homem no apoio ao ponta de lança, no entanto, o problema estava mais no ritmo e intensidade de jogo do que na colocação das peças em campo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Diogo Costa (4)

Saravia (3)

Mbemba (4)

Marcano (6)

Manafá (5)

Otávio (5)

Uribe (5)

Sérgio Oliveira (4)

Luís Díaz (4)

Fábio Silva (4)

Soares (5)

SUBS UTILIZADOS

Alex Telles (5)

Romário Baró (5)

Vítor Ferreira (-)

ANÁLISE TÁTICA – VARZIM SC

O Varzim SC que se apresentou no Estádio do Dragão foi uma bela surpresa. Perante um FC Porto errático (disso não tem culpa a equipa da Póvoa) os comandados de Paulo Alves apresentaram um surpreendente bloco médio, simplicidade de processos e objetividade na procura dos espaços nas costas dos laterais portistas. Com Baba (e mais tarde Minhoca) a fazer variar o esquema de tático entre um 4x2x3x1 e o 4x4x2 (juntava-se e Leonardo Ruiz em pressão, aproximava-se dos médios em contenção), o Varzim SC apresentou-se quase sempre organizado e com capacidade para ferir o FC Porto. O primeiro golo sofrido pelo FC Porto no Estádio do Dragão em provas nacionais esta época atesta bem a competência da equipa.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ismael (5)

João Amorim (6)

Alan (5)

Hugo Gomes (6)

Cerveira (5)

Rui Moreira (6)

Pedro Ferreira (6)

Baba (6)

Lumeka (7)

Leonardo Ruiz (6)

Frédéric Maciel (5)

SUBS UTILIZADOS

Caetano (5)

Minhoca (5)

Stanley (-)

Foto de Capa: Carlos Silva / Bola na Rede

Revisto por: Jorge Neves

Pesadelo na cozinha do Futebol Português

Esta noite, em Pesadelo da cozinha, fomos até ao centro de Lisboa. Visitámos ‘A Tasca da Liga’. Um restaurante com uma longa história de altos e baixos, e onde, actualmente, parece reinar a falta de gosto e a discórdia.

Pedro Proença é o proprietário. Há alguns anos à frente do negócio, Pedro abraçou o ramo da cozinha depois de ter estado durante muitos anos ligado à restauração, mais concretamente à pastelaria. Infelizmente, Pedro Proença tem metido os pés pelas mãos no que ao seu restaurante diz respeito, desde o planeamento da sua ementa, passando pela confeção dos próprios pratos e na ‘falta de voz’ de comando. Com uma ementa grande de mais, parece querer agradar a vegetarianos, aos que gostam de carne ou aos que só gostam de peixe. Mas, com tudo isto, o restaurante parece estar ‘sem rei nem rock’. E o staff também não ajuda muitoPesadelo

O cozinheiro! Neste restaurante de média dimensão, não há um, mas dois cozinheiros. Luís e Jorge são ‘os homens da cozinha’. No entanto, a comunicação entre eles é bem deficitária, e não poucas vezes entram em discórdia. Assistimos também a largos momentos em que simplesmente não havia  troca de ideias entre ambos.

Luís é o criador de algumas comidas mais típicas da zona lisboeta, e tem mão para a pastelaria, tentando adoçar a boca dos clientes. Jorge é o outro lado da moeda: é mais dado a petiscos nortenhos, e a sua fama vem de longe, de muito longe mesmo.

Dois cozinheiros que parecem ser dos melhores que poderia haver se trabalhassem em prol do bem comum. Mas não trabalham. Cada um faz o que basicamente quer, sem dar satisfações, nem mesmo ao proprietário.  Ambos estão ao serviço de si mesmos, e não há, parece, quem os coloque na linha. Quem é afinal o patrão? Pedro Proença, o Sr. Luís Filipe ou o Sr. Jorge Nuno?

Na copa temos o Frederico. Está apenas há um ano na cozinha da Liga e parece que para já, está a correr… menos bem. Muitos são os raspanetes e poucas as palavras de conforto. Parece querer aprender com os chefes da cozinha, mas não tem, para começar, a personalidades forte e vincada que estes têm.

Frederico parece, lá no fundo, ter o desejo de ir o quanto antes para a cozinha, quem sabe para fazer frente aos chefes. Parece querer aprender com eles, mas na esperança de rapidamente ‘lhes passar a perna’. Diz que ninguém faz troça dele, mas depois é ver todos a ‘carregar’ em cima do ‘aprendiz’ da cozinha. E nem a ‘falsa tranquilidade’ de Pedro lhe parecem ser suficientes.

Pedro Proença conseguirá algum dia oferecer a todos os portugueses um bom cozinhado?
Fonte: FPF

Na sala temos o chefe de sala e dois empregados de mesa:

O chefe de sala é um senhor de larga experiência. António é um homem carismático, que sabe o que faz, mas que parece ambicionar mais do que talvez possa conseguir. Da-se bem com ambos os homens da cozinha, mas parece ter mais afeição para o lado do chefe Luís. No entanto, do lado da sua figura cordial e bem posta, facilmente se entende que se acha tão ou mais importante que o resto do staff da casa. Procura, sempre sem excepção, ter opinião em todos os assuntos da tasca, e não poucas vezes tenta que a mesma seja a seguida pelo ‘chefe’. Lá no fundo, o homem quer ter tanta influência na gestão da casa, como os homens da cozinha. E todos os restantes sabem disso.

Se António se dá bem com os cozinheiros, o mesmo não se pode dizer com um dos membros da sala. Miguel, ou Lisboa, é um dos dois empregados de mesa. Faz as coisas sem levantar muitas ondas, mas, volta e meia, transborda e ‘deita tudo cá para fora’. De boa aparência, há no entanto algo que prejudica, consideravelmente, a casa: Lisboa e António mal se falam. Têm valores totalmente contrários, e parece existir até, entre eles, uma luta constante. Em alguns momentos parece até existir um ‘ódio patente’ nos seus olhares para com o outro, ou não fossem eles ‘migrantes’ de cidades próximas do norte do país.

Por fim temos o outro empregado de mesa. De uma classe média-baixa, vive com algumas dificuldades e aceita praticamente tudo o que lhe dizem. Parece ser o género de pessoa que ‘quer mas não consegue mais’. Recebe menos, vive na sombra dos outros e quase sempre tem de se contentar com as escolhas dos restantes. Poucas vezes se consegue fazer ouvir e quando o faz, acaba por ser camuflado pelas ideias ou exigências do restante staff. Não parece ter grandes perspectivas de evoluir muito e quando surge algo advindo de si, rapidamente os demais tomam conta ‘do caso’, abafando-o na maioria das vezes.

Conseguirá o chefe dar a volta a toda esta falta de comunicação? Conseguirá que a casa deixe de arder? Que a comida passe a ser servida com qualidade e que os clientes fiquem satisfeitos por serem tratados de forma correcta, cuidada e com paixão?

Não perca, já a seguir… Pesadelo na cozinha da Tasca da Liga.

Foto de Capa: Ljubomir Stanisic

Revisto por: Jorge Neves