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Nacional da Madeira 1-2 Benfica: Sofrer para aprender

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Jogo tradicionalmente difícil para o Benfica na Choupana, em que a única palavra de ordem era ganhar para colocar pressão nos dois rivais, que só depois entrariam em campo. Com alguma surpresa, Jorge Jesus procedeu a duas alterações que modificam, e muito, a dinâmica da equipa. Se por um lado a parceria de Jonas com Lima oferece uma variedade de soluções bem diferentes daquelas de que Talisca (ainda não?) é capaz, por outro, o recuo do homem-golo para o duplo pivot com Enzo Pérez deixa a equipa bastante desequilibrada na hora de defender. E nem sequer foi preciso esperar muito para o provar. Ainda nem um minuto de jogo se havia cumprido quando Edgar Abreu aproveitou a tal descoordenação do meio-campo defensivo encarnado. Muito espaço para o jovem português poder rematar de fora da área e fazer o 1-0, apesar de ter ficado a impressão de que Júlio César poderia ter feito melhor.

Entrada em falso do Benfica, mas que rapidamente veio a ser corrigida. Com (muita) ajuda de Rui Silva, guarda-redes dos madeirenses, a equipa de Jorge Jesus deu a volta ao marcador. Primeiro foi Salvio a responder de cabeça a uma jogada iniciada por Jonas, que desmarcou Gaitán para assistir o extremo argentino para o 1-1. Enormes responsabilidades no golo para o guardião do Nacional, que, literalmente, colocou a bola dentro da baliza. Importante para o Benfica não ter deixado o 1-0 arrastar-se no tempo e recolocar, de pronto, a igualdade aos sete minutos. Numa primeira parte que primou pelo futebol de boa qualidade de ambas as partes, o Nacional respondeu de pronto e Marco Matias obrigou Júlio César a excelente defesa para canto. Mas pouco tardou para o Benfica passar para a frente do resultado: Jonas aproveitou a passividade da defesa da equipa da casa para, à vontade e liberto de marcação na pequena área, fazer o 1-2. Ainda antes do intervalo o Benfica dispôs de soberana oportunidade para fazer o terceiro e, quiçá, evitar o sofrimento que a segunda parte trouxe. Salvio desperdiçou clamorosa oportunidade de cabeça, e não mais Benfica houve a partir daí.

Nessa perdida de Salvio o Benfica esgotou as oportunidades de golo, e o Nacional aproveitou. Mais pressionante e a ganhar com facilidade as segundas bolas no meio-campo, o Nacional conseguiu ter o domínio do jogo contra um Benfica encostado atrás. Samaris substituiu Lima para, supostamente, reequilibrar a equipa, o que não se verificou. O Nacional ia acreditando no empate. Com o passar do tempo, o cansaço notava-se cada vez mais, e o Benfica nem três passes seguidos conseguia fazer. Até ao final da partida, a equipa de Manuel Machado tem razões de queixa da equipa de arbitragem, já que Marco Matias viu um lance mal anulado na cara de Júlio César, que permitiria o empate à equipa da casa. Sem capacidade para parar as constantes investidas dos extremos do Nacional, o Benfica recorreu inúmeras vezes a faltas perto da grande área e colocou-se a jeito para um desfecho amargo.

Um Benfica eficaz e a jogar q.b. foi suficiente para trazer os três pontos da Choupana. O primeiro terço do campeonato está quase concluído e a liderança isolada é uma realidade, sim. Jesus e a equipa têm esse mérito. Mas é mais do que urgente começar a jogar futebol a sério: jogar q.b. não vai resultar sempre.

A Figura

Nacional da Madeira – perante a passividade do Benfica, o Nacional dominou por completo o segundo tempo e merecia o empate. A equipa de Manuel Machado tem mais qualidade do que a classificação mostra.

O Fora de Jogo

Salvio – Apesar do golo, o extremo argentino continua muito longe da sua melhor forma. Entre aquilo que Salvio está a fazer e o que pode vir a fazer está muito do que o Benfica poderá melhorar.

Sporting de Braga 2–0 Gil Vicente: Adriano não conseguiu parar tudo…

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O Sporting de Braga disputou a sexta partida esta época em casa (contando com o jogo da Taça de Portugal) e venceu… pela sexta vez! A turma orientada por Sérgio Conceição recebeu o último classificado e entrou bem no jogo. Logo aos 12 minutos, começou o espetáculo de Adriano Facchini. O guarda-redes brasileiro do Gil Vicente negou o golo a Rafa após uma boa arrancada do internacional português. Os bracarenses continuaram melhor em campo no decorrer da primeira parte, com Pardo a liderar as investidas à baliza dos “galos” mas falhando sempre na finalização.

Aos 35 minutos, Luís Silva viu o segundo amarelo (tinha visto o primeiro três minutos antes), e a tarefa já de si difícil ficou ainda mais. Sem ter ganhado ainda na Liga, os gilistas tinham agora de enfrentar 55 minutos com menos um homem em campo. Até ao intervalo, primeiro Adriano e depois Peck’s negaram o golo ao colombiano Felipe Pardo.

O Braga foi sempre superior, chegando ao intervalo com 17 remates e mais de 70% de posse de bola. Contudo, ao contrário do que seria de esperar, o Gil Vicente entrou melhor na segunda metade. Marwan Mohsen deu algum trabalho a Aderlan Santos e André Pinto, mas foi através de Diogo Viana e Jander que o Gil Vicente incomodou Matheus. O guardião do Braga evitou o golo mas mostrou sempre alguma intranquilidade, que se estendia às bancadas, onde os adeptos assobiaram a equipa por mais do que uma vez.

Um remate de Pedro Tiba aos 62 minutos para mais uma espetacular defesa de Adriano foi o clique para o Braga voltar ao domínio do encontro. Os “Guerreiros” trocavam a bola no meio-campo barcelense, mas com muito pouca velocidade e criatividade para furar a organização defensiva pensada por José Mota.

No último quarto de hora, já com Pedro Santos em campo, André Pinto tem mais uma grande oportunidade após centro de Pardo, mas Adriano fez mais uma defesa magnífica. Contudo, apenas conseguiu adiar por uns minutos a vantagem dos homens de vermelho. Salvador Agra e Sami também já estavam dentro das quatro linhas quando, ao minuto 82, Pardo fez o primeiro golo da partida. Canto batido por Agra na esquerda, no segundo poste apareceu Aderlan Santos a cabecear para a boca da baliza, e aí Pardo foi mais forte e encostou para as redes. Estava materializada em golo a superioridade do Sporting de Braga no terreno, apesar do escasso número de ocasiões claras na segunda metade.

José Mota ainda colocou o possante avançado Simy em campo (ainda fez dois remates nos menos de 10 minutos em que esteve no relvado), mas era muito difícil aos “galos” inverterem o rumo dos acontecimentos. A cinco minutos dos 90, na sequência de um contra-ataque conduzido por Rafa, Salvador rematou para uma grande defesa de Adriano, mas, na recarga, Pedro Santos chutou para o segundo golo, perante os protestos dos gilistas, que alegaram uma pretensa mão do autor do tento na disputa da jogada.

Pedro Santos marcou o segundo golo Fonte: Sporting Clube de Braga
Pedro Santos marcou o segundo golo
Fonte: Sporting Clube de Braga

Mesmo antes da expulsão de Luís Silva, o Braga sempre foi a equipa que teve as melhores ocasiões, porém, notou-se demasiado nervosismo e intranquilidade nos homens da casa e nos seus adeptos até à chegada do primeiro golo. Os primeiros 15 minutos da segunda parte são um bom exemplo disso. O Sporting de Braga terminou o encontro com 25 remates, quase metade deles mal direcionados. Aqui dou um especial destaque a Aderlan Santos. O central tentou algumas vezes o remate, mas sempre de muito longe e quando tinha melhores soluções para continuar as jogadas. Hoje os remates do “33” saíram muito tortos e originaram alguns dos muitos assobios que foram audíveis ao longo do jogo no Estádio AXA.

Além de Adriano, destaco a exibição muito positiva de Felipe Pardo, sempre o homem mais esclarecido no ataque da turma de Sérgio Conceição e o que mais vezes ameaçou as redes do guardião gilista, tendo sido mesmo o autor do golo que deu vantagem aos da casa.

Com este resultado, o Braga ascendeu provisoriamente ao quarto lugar, mas pode ser ultrapassado este domingo pelo Belenenses, que jogará em Moreira de Cónegos, e ainda por Sporting ou Paços de Ferreira, que vão medir forças em Alvalade. O Gil Vicente tem apenas três pontos fruto de três empates ao cabo de 10 jornadas e já deve sentir bastante peso na lanterna vermelha que carrega.

A Figura

Adriano – O guarda-redes do Gil Vicente adiou em vários momentos o que acabou por ser inevitável. Esteve a grande nível na defesa das redes gilistas com intervenções seguras aos minutos 12, 40, 62 e 78. No segundo golo ainda faz uma excelente defesa no remate de Agra mas foi impotente para travar o pontapé de Pedro Santos.

O Fora-de-Jogo

Luís Silva – O médio gilista até pode alegar que mal tocou no braço de Ruben Micael na jogada que dá o segundo amarelo, mas não tinha necessidade de dar esse pequeno toque quando o madeirense se aproximava das imediações da área dos “galos”. Viu o primeiro cartão amarelo ao minuto 32 e depois deixou a equipa a jogar com menos um, num terreno muito difícil. Não foi apenas por isto que o Gil Vicente perdeu, mas Luís Silva deveria ter sido mais prudente.

O Passado Também Chuta: A Quinta do Buitre

o passado tambem chuta

A “Quinta do Buitre” foi muito mais do que quatro jogadores. Foi o Madrid do presidente Mendonça, onde se conta que os jogadores, ou certos jogadores, tinham um mimo especial que se traduziu em chorudos contratos. No entanto, como grupo procedente das camadas inferiores do clube, a Quinta foi também mais do que quatro. Ochotorena era o guarda-redes da equipa da formação e chegou a internacional; Chendo foi o defesa-direito do Real Madrid e da Seleção durante muitos anos além de ser o capitão, até que se cansou do Real. Francis, capitão do Castilla, a equipa da formação, foi um excelente central, que brilhou a grande altura no Espanhol de Barcelona até que as lesões perturbaram a sua carreira. E mais alguns craques que a minha memória não tem presente.

Como grupo mediático estava formado, exclusivamente, por Manolo Sanchis, Rafael Martin Vasquez, Michel e Emílio Butraguenho. O carisma de Butraguenho e César Iglésias do jornal El País batizaram o grupo. Posteriormente lembraram-se de que Miguel Pardeza também era membro de pleno direito. Também como grupo ficou além das suas possibilidades e utopias; tropeçou na Europa com o Milão de Van Basten. No entanto, ganhou o que lhe apeteceu em Espanha e somou duas Taças da UEFA. Evidentemente, estes jovens jogadores foram agasalhados com a aquisição de jogadores como o guarda-redes galego Paco Buyo, o defesa-medio Gordillo ou o goleador mexicano Hugo Sanchez. Em contraposição, este grupo de jogadores foi apelidado a “Quinta dos Machos”.

A Quinta do Buitre
A Quinta do Buitre

Os entendidos e outros fabricantes de opinião alimentaram debates sobre qual dos membros da Quinta do Buitre sobressaía em relação aos restantes; um número considerável de opiniões situou o centrocampista Rafael Martin Vasquez como o vértice de qualidade do grupo. Possivelmente, Martin Vasquez reuniu um somando de qualidades superiores aos restantes, mas este grupo teve um jogador que enchia todas as medidas e todas as importâncias dentro de um relvado: chamava-se Manolo Sanchis. Foi um médio reconvertido a defesa-central. Foi o capitão, depois de Chendo entregar a braçadeira, e foi o único que levantou a Taça da Europa. Para ser defesa-central não era muito alto mas tinha uma excelente técnica e saía com a bola jogada como um craque. Também não posso esquecer um dos jogadores paralelos desta mediática Quinta. Não me posso esquecer do extraordinário marcador que foi o defesa-direito Chendo. O futebol pode ser belo a atacar e a defender.

Além de ter a má ventura de tropeçar com o Milão de Van Basten, esta geração recebeu várias críticas pela carência da Taça da Europa. Mendonça, o Presidente da Quinta, foi acusado de os tratar à base de docinhos e miminhos bem traduzidos em cifrões. Não sei, nunca se poderá saber, mas parece-me que eram excelentes; no entanto, nunca possuíram a excelência do Milão de Van Basten. Ser segundos no mundo da alta competição muitas vezes é considerado uma derrota; eu discordo deste tipo de avaliações. O Brasil do Sócrates que disputou o Mundial de Espanha foi eliminado; no entanto, ainda hoje é recordado pela sua beleza e qualidade.

Resta recordar que o treinador que os começou a introduzir na primeira equipa do Real Madrid foi e chamou-se Alfredo Di Stéfano.

Ode a Brahimi

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a minha eternidade

Chegou ao Porto azul e branco um argelino, tecnicista veloz, que “rebentou” no Granada antes de incendiar o Dragão com a sua chama inebriante. Yacine Brahimi de seu nome. Seus pés o apresentam, sua cabeça o guia, recebe, pensa, faz magia. A contenção da sua explosão é sofrível; por favor explode, jogador temível.

O seu engenho leva ao rubro os portistas, que admiram a sua habilidade e destreza pungente para com as defensivas contrárias. Este jogador é merecedor de um artigo em forma de ode estilo camoniana ao seu inefável talento. Não julguem que estou a enveredar por um panegírico desmedido e descabido – neste caso, a hipérbole não é exagero, é a medida certa. Nele, o instinto selvagem torna-se matemática, ciência exacta, inteligência prática. Brahimi é a personificação das sinuosidades: com o seu drible quebra o aborrecimento linear do jogo, transforma em golo o previsível, subverte o plausível, estilhaça, com um chuto, o código indestrutível.

Este meu tom laudatório para com este excelso futebolista transparece toda a admiração e prazer que sinto quando presencio o seu jogo, as suas acções autodidactas e os seus “diálogos” com a equipa que são um deleite. Em apenas dois meses de riscas azuis e brancas ao peito, a massa adepta já o deseja imperecível. Por favor, que a “lei da morte não se aplique a Brahimi”, gritam, em súplica fervorosa, os dragões que o amam.

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Brahimi está a ser o grande jogador do FC Porto neste início de temporada
Fonte: footmercato.net

Nesta última semana resolveu dois jogos a favor do Futebol Clube do Porto. Na partida contra o Nacional, tabelou com um colega e niilistamente rematou, perante a “inexistência” de dois adversários por perto. No País Basco, marcou um golo e assistiu, numa arrancada estonteante, colocando o Porto nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. É justo relevar a sua importância para o bom momento do Porto: tem sido o jogador mais procurado e eficaz na criação de desequilíbrios, o melhor da equipa, sem dúvida, neste arranque de época.

Vai ser doloroso para os adeptos, também para os apreciadores de futebol e quem sabe para a equipa, não poder contar com o seu virtuosismo indescritível entre Janeiro e Fevereiro, período da Taça das Nações Africanas de 2015 (se tal competição não for, entretanto, suspensa, devido à propagação do Ébola). O Porto, com o excelente conjunto de extremos que tem, poderá não sentir muito a sua partida para terras africanas. Mesmo que o mês de ausência de Brahimi em África não seja tortuoso para as hostes portistas, mesmo que a sua ausência não seja “sebastianicamente” excruciante, o universo portista ansiará pela “embrumada manhã” do seu regresso à invicta.

Afirmo que, quando lemos ou escrevemos algo sobre Yacine Brahimi, não estamos defronte artigos de análise futebolística, mas sim, perante uma exegese bíblica.

Um problema chamado equipa B

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hugo almeida rebelo

Os últimos resultados da equipa B do Sporting na Liga 2 expuseram, da forma mais clara possível, um problema que mora no seio deste conjunto desde o início da temporada.

O problema diagnosticado dá-se pelo nome de “défice organizacional”, e, atingiu o seu expoente máximo numa derrota expressiva (5-0) diante do Atlético Clube de Portugal, na última jornada da Segunda Liga nacional.

Em treze jornadas que o Sporting B disputou na Liga 2, já estiveram entre os convocados cerca de quarenta jogadores. Por entre este batalhão de futebolistas verificamos a existência de três tipos de atletas: os da equipa A, que não contam para Marco Silva, os excendentários para os quais não foi possível arranjar colocação, os jogadores realmente da equipa B e os jogadores que mais dão nas vistas nos juniores. Ora esta situação, obviamente, não deveria acontecer, e, terá de ser resolvida o mais rapidamente possível.

A equipa B terá de funcionar como um fase de transição entre a equipa de juniores e o plantel principal, e não como um depósito de jogadores em relação aos quais não há esperança. A irregularidade que se nota em cada onze inicial desta equipa, semana após semana, provoca uma total desmotivação nestes atletas, fruto de uma ausência de objectividade crescente. Perante esta situação começa-se a reparar na existência de muito talento estagnado nesta equipa B do Sporting, o que, a meu ver, é algo extremamente preocupante num clube que nos orgulha pelo grande sucesso da sua aposta na formação.

Apesar deste grande problema que aqui exponho, acredito piamente que haverá soluções que poderão ser executadas, com maior ou menor facilidade, já a partir de Janeiro, de forma a poder respirar-se saúde no Stadium Aurélio Pereira, a saber:

Solução nº 1- A mudança de treinador. A época começou com Francisco Barão como treinador, mas cedo se percebeu que, apesar do seu sportinguismo, não seria, nem por sombras, o nome indicado para liderar esta equipa. A solução foi João de Deus. Sinceramente também não me parece a solução mais viável, pois João de Deus não possui cultura de Sporting nem nunca deu provas sequer de poder representar com sucesso a maior instituição desportiva do nosso país. O homem indicado para este lugar terá de ser alguém que transmita com facilidade a estes jovens o que é o Sporting, o que significa representar este clube e que lhes mostre o orgulho e o espírito leonino. O homem ideal? Sem dúvida, Ricardo Sá Pinto. Porém, como sabemos, Ricardo “Coração de Leão” está a fazer um bom trabalho no Atromitos na Liga Grega, pelo que o seu regresso para comandar a equipa B seria praticamente impossível. Perante esta impossibilidade o nome de Pedro Barbosa parece-me encaixar-se que nem uma luva neste papel. O antigo capitão leonino tem o curso de treinador concluído, e, melhor do que ninguém, sabe o que é a magia de representar e viver o Sporting Clube de Portugal.

 

Pedro Barbosa, a escolha acertada para liderar a Equipa B Fonte: SuperSporting.Net
Pedro Barbosa, a escolha acertada para liderar a Equipa B
Fonte: SuperSporting.Net

 

Solução nº 2- Os jogadores da equipa A são para ficar na equipa A e não para entupir o plantel da B. Jogadores como Ramy Rabia, Simeon Slavchev, Ryan Gauld, André Geraldes e Hadi Sacko, a meu ver, não deveriam integrar o plantel secundário do Sporting. Estes nomes foram contratados com o intuito de fazer parte da equipa principal dos “Leões”, logo, se quiserem fazer parte das contas de Marco Silva, terão de se esforçar mais para fazer valer o dinheiro investido nas suas contratações e merecerem uma oportunidade na equipa principal. Num plantel com cerca de 25 jogadores, como é óbvio, nem todos podem ser convocados. Os não-convocados terão de se contentar em ver o jogo na bancada e  não competir nesse fim-de-semana. A equipa B não é um abrigo para os excendentários. Caso não se veja capacidade nestes jogadores para assumir um papel activo na equipa principal, o empréstimo ou a saída definitiva terá de ser a solução. Gauld e Slavchev terão de rodar na Primeira Liga a partir de Janeiro, enquanto Geraldes foi uma contratação desnecessária e a porta da saída definitiva parece-me ser a solução mais viável. Já Rabia tem feito exibições desastrosas pela equipa B, porém, regressa de lesão grave, pelo que lhe deveremos dar o benefício da dúvida. O egípcio deverá ser integrado no plantel A, trabalhar afincadamente e esperar a sua oportunidade num plantel principal em que a qualidade da zona central da defesa não abunda.

 

Slavchev é um dos jogadores a emprestar Fonte: A Bola
Slavchev é um dos jogadores a emprestar
Fonte: A Bola

Solução nº 3- Os atletas que militam na equipa B há mais de 2 anos ou que depois de cedência temporária (a equipas primo-divisionárias) voltaram a integrar a equipa B terão de sair por empréstimo (se mostrarem qualidade para servir o Sporting) ou mesmo definitivamente (se não tiverem qualidade para representar o clube). A meu ver, na equipa B de um clube, nenhum atleta poderá jogar por mais de 2 anos, para evitar a estagnação da evolução do futebolista. Se por outro lado, o atleta já tiver sido emprestado a um clube de divisões superiores, não me parece que faça sentido a sua inclusão no plantel B do Sporting. No Sporting B existem alguns casos nestes moldes:

– Ricardo Esgaio está há 3 anos no plantel secundário do Sporting. Teve ao longo dessas 3 épocas algumas oportunidades na equipa A, porém, neste momento, encontra-se tapado devido ao regresso de Miguel Lopes. Trata-se de um grande talento do futebol nacional, e, sem dúvida alguma, que qualquer clube da Primeira Liga gostaria de contar com os seus serviços por empréstimo. É urgente colocar este rapaz a rodar ao mais alto nível. Ou isso ou estagnará.

– Nuno Reis, quase a completar 24 (!!!) anos de vida, passeia alternadamente desde 2010 pelo Sporting B, Cercle de Brugge e Olhanense. Várias vezes me questiono sobre se isto tem algum cabimento. Reconheço qualidade a este jogador, mas claramente estancou devido a tanto percalço no seu percurso. Este atleta acaba o contrato no final da presente época e não me parece que vá renovar contrato. Com quase ¼ de século de vida, não faz sentido este rapaz continuar na equipa B do Sporting. Se não é aposta, nem existe a intenção de renovar o seu contrato, dispensem-no.

– Seejou King cumpre a sua terceira época no plantel secundário do Sporting. O dinamarquês, de ascendência gambiana, deu muito boas indicações na sua primeira época no Sporting B (por empréstimo do Nordsjaelland) levando mesmo o clube a adquirir o seu passe. A partir daí foi sempre a cair. King desceu de qualidade na época transacta e este ano não tem sido aposta. Tem contrato até 2016, mas não me parece ter qualidade para servir o Sporting. Terá de ser dispensado o mais rápido possível.

– Mica Pinto é um jogador de inegável qualidade, presença assídua nas selecções jovens de Portugal, mas também já está parado na equipa B há 3 anos. Já não faz sentido. Mica tem qualidade para vir a integrar o plantel principal do Sporting, mas para isso tem de dar o salto e rodar a título de empréstimo numa equipa da primeira divisão. Interessados não vão faltar.

– Fabrice Fokobo é um estranho caso. De aposta de Jesualdo Ferreira na fatídica época de 2012/2013 (com alguma qualidade sempre que foi chamado), passou a um jogador apagado na equipa B do Sporting. Apesar da sua queda, parece-me que ainda pode sair algo deste jogador. A sua força bruta na posição de trinco pode ser uma boa arma para equipas que lutam para não descer na Primeira Liga.

– Iuri Medeiros, como todos já percebemos, tem um talento inato. Um talento grande demais para a Liga 2. Se tal ainda não fosse um dado adquirido, as suas exibições nos Sub-21 de Rui Jorge dissiparam todas as dúvidas. Tapado por Nani, Carrillo, Capel, Mané e Héldon, o jovem açoriano terá de rodar na principal liga nacional. Com a sua técnica, velocidade e repentismo, pode ser uma forte arma para qualquer equipa da Liga Portuguesa. A meu ver, um dos atletas que têm mais facilidade em arranjar colocação. Precisa de dar o salto urgentemente.

– Salim Cissé, no meu entender, foi uma contratação falhada. Está a entupir o plantel B do Sporting. Já se percebeu que não há colocação para este jogador pois a tentativa foi feita ao longo de todo o defeso, sem sucesso. Depois de um empréstimo inconsequente ao Arouca, penso que a solução passa por uma rescisão de contrato ou colocação definitiva a troco de percentagens de uma próxima venda.

 

Iuri Medeiros é um dos jovens leoninos a precisar de dar “o salto” Fonte: O Jogo
Iuri Medeiros é um dos jovens leoninos a precisar de dar “o salto”
Fonte: O Jogo

 

Soluções nº 4- Os jogadores com idade de júnior devem integrar a equipa júnior do Sporting Clube de Portugal. A evolução de um jovem jogador deve ser sustentada. Se existe talento na equipa B para quê estar a desfalcar a equipa júnior? Os melhores juniores terão a sua oportunidade na equipa B (ou mesmo A) na próxima época. Não existe necessidade de acelerar demasiado os processos. Trazer Gelson Martins ou Matheus Pereira para a equipa B deixa os juniores sem dois dos seus maiores trunfos, e mais vulnerável aos maus resultados que têm vindo a acontecer durante esta época. Ao contrário do que se diz, o Sporting não tem uma má equipa de juniores, mas precisa de consistência e estabilidade. Se estivermos constantemente a “roubar” os melhores juniores para a equipa B, continuaremos a perder com equipas fracas no Campeonato Nacional de Juniores e a ser goleados na Youth League. Tanto a equipa B, como a equipa de juniores, para atingirem bons resultados, precisam de um plantel fixo, sem constantes revoluções.

Gelson Martins vem jogando pela Equipa B e pelos Juniores Fonte: A Bola
Gelson Martins vem jogando pela Equipa B e pelos Juniores
Fonte: A Bola

Isto não pode acontecer no Sporting. É urgente dispensar, emprestar, criar um núcleo de cerca de 20 jogadores de equipa B (podendo em casos pontuais ser incluído um junior numa ou outra convocatória), e dar estabilidade à equipa sub-19 para que os resultados possam aparecer quer na B, quer nos juniores.

Temos a melhor formação do mundo. Temos de ter resultados e há condições para isso. As soluções para tal são óbvias, estão à vista, e não tenho dúvidas de que a competência da nossa direcção nos irá levar ao caminho correcto para que se elimine de vez este défice organizacional no seio da equipa B.

Ganhar a Taliscar

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coraçãoencarnado

Anderson Souza Conceição. Um metro e 88 centímetros, 74 quilos. Leve como uma pena e rápido como uma águia que voa bem alto e só para com a bola dentro da baliza. Não, não é o Rivaldo (ainda) mas parece. É craque, marca que se farta e até já deu que falar lá para os lados de Londres.

Veio do Bahia e tem uma música só dele: 

«Desde pequeno, com sete anos já jogava com alegria

mas agora o moleque cresceu e anda jogando é no Bahia

Ele é o rei de campo que a galera toda vibra

Sabe de quem eu tô falando? É do meu mano Talisca

bate para cima dos adversários a torcida começa a cantar

joga com muita febre e raça para fazer o seu time ganhar

deixa o Talisca jogar.» 

O Talisca nasceu no dia 1 de fevereiro de 1994. Até me custa dizer isto, mas aquele brasileiro ligeiro que vai fintando desde o meio-campo até à baliza é mais novo do que eu. Yaya Talisca, Rivaldo ou D´Artagnan tem apenas 20 anos e facilmente conquistou os nossos corações encarnados. Apesar da inicial indecisão quanto à posição onde iria jogar (na posição de número oito, entrando para o lugar de Enzo ou mais avançado no terreno, perto de Lima), Talisca depressa assimilou os processos que Jesus lhe pedia. Aos poucos foi ganhando confiança, tornando-se no maior goleador do Benfica, com nove golos marcados.

Gostava também de realçar que, apesar das muitas dúvidas que por essa imprensa andaram, não me parece sequer racional pôr em causa o valor deste jovem brasileiro. É craque, craque, craque! Fala-se já numa possível ida à selecção principal brasileira. Apesar de me parecer cedo, não posso esconder que o meu sorriso ganha vida quando leio essas notícias vindas do outro lado do Atlântico. Sim, porque não somos só nós que olhamos para o mágico. Durante esta semana tive algumas conversas com amigos brasileiros, onde o tema principal foi o novo Rivaldo. Como seria de esperar, já conheciam bem as características do “meio-campista”. Ambos me revelaram o prazer que tinham ao ver aquelas pernas a beijar o esférico, seja num livre ou num remate de fora-de-área colocado onde a “coruja dorme”. Bem, mas por que é que estou a falar do Talisca no “Coração Encarnado” desta semana? Primeiro, porque estou apaixonado. Segundo, porque este homem tem-me dado pontos e mais pontos. E, terceiro, porque é o melhor marcador do campeonato. Chega?

Talisca agradecendo o seu mágico pé esquerdo Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Talisca agradecendo o seu mágico pé esquerdo
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Vou passar a primeira justificação, visto não vos querer fazer perder tempo com as minhas paixonetas por jogadores do Sport Lisboa e Benfica. Mas vou-me focar na segunda razão: pontos. Pois é, Yaya Talisca Rivaldo D´Artagnan tem-nos dado sorrisos e mais sorrisos, que quando todos somados dão origem ao tal místico sorriso de líder. E o jogo de terça-feira foi mais um exemplo disso mesmo. Não foram só três pontos, foi muito mais do que isso. Foi uma equipa toda abraçada na bandeirola de canto. Foram os meus gritos a percorrer Espanha até chegarem à Luz. Foi a demonstração de força de todos os nossos guerreiros. Foi a certeza de que o monstro europeu ainda lá está, bem vivo. Foi o retomar da certeza de que juntos somos mais fortes. Foi uma vitória ao Mónaco, que tanto gozo me deu. E, por fim, foi a esperança a sair da alma de cada um de nós e a juntar-se num todo cheio de tudo. Há vitórias que são muito mais do que isso, e a de terça é só isso: um triunfo que sabe a tudo o que de bom o futebol tem.

Não posso fechar este comentário sem falar dos receios para o jogo de amanhã. Mais uma final e mais um jogo de dificuldade de Champions. Ah! E que venham os jogos de Liga dos Campeões todos juntos, que já não os tememos. O Talisca vai lá estar. Que os três pontos venham com vocês para Lisboa, rapazes! Um abraço e não se esqueçam: quem não Talisca não petisca!

 

O Capitão voltou!

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serefalaraporto

Na Europa, o FC Porto é neste momento, a par do Bayern de Munique, a equipa que menos golos sofreu. Tal proeza só foi possível, não somente devido à eficácia dos defesas da equipa, mas também às várias grandes intervenções dos Guarda-Redes azuis e brancos.

No que diz respeito à defesa, os postos parecem ter sido definitivamente entregues, com as laterais, pela terceira temporada consecutiva, a pertencerem aos dois internacionais Brasileiros, Danilo e Alex Sandro. Estes dois jogadores para além de terem sido transferidos em simultâneo para o Porto, jogam juntos desde os 17 anos na Vila Belmiro (Santos) e nos escalões mais jovens da seleção canarinha. Ao longo do seu percurso foram vários os troféus que conquistaram – Mundial sub20, Copa América sub20, Medalha de Prata Olímpica, 2º lugar no Mundial de clubes e Taça dos Libertadores. Por outro lado, a zona central da defesa também já encontrou os seus donos: Martins Indi, o barreirense holandês que se formou no Feyenoord, e Maicon, que está no Porto desde 2009 tendo alternado entre a titularidade e o banco de suplentes ao longo das épocas.

Na baliza, Fabiano é até agora o guarda-redes mais utilizado, tendo sofrido 3 golos no campeonato (Braga, Guimarães e Sporting), 3 golos na Liga dos Campeões (Shakhtar Donetsk e Atlético de Bilbao). Já Andrés Fernandes sofreu até a data 3 golos, todos eles consentidos aquando do jogo da Taça de Portugal frente ao Sporting. Ricardo tem sido opção apenas na equipa B do Porto, não tendo ainda oportunidade de pisar o campo nos jogos da equipa principal.

destaque
Helton e Fabiano: será a passagem de testemunho?
Fonte: publico.pt

Para além destes três guarda-redes, sente-se a ausência de Helton! Todavia, o Capitão voltou ao fim de 8 meses lesionado, depois de um lance em Alvalade. O guardião brasileiro está no clube desde 2005 tendo já realizado mais de 300 jogos e, desde a saída de Vitor Baia, é o titular dos Dragões (é sempre bom fazer um apelo à memória dos azuis e brancos e recordar o momento da emotiva saída de Vitor Baia para dar lugar a Helton no último jogo do número 99). Helton já conquistou 22 títulos, de onde se destaca a Liga Europa, em Dublin, onde ergueu o trofeu na condição de capitão de equipa no dia do seu aniversário, sendo hoje uma figura do Dragão, uma vez que mais do que as suas excelentes capacidades técnicas, possui uma simpatia acima da média, ou seja, é capaz de transmitir paz e harmonia aos adeptos. Para além disso, paralela à sua função de guarda redes, Helton veste o papel de “bobo da corte”, animando as viagens e os serões antes dos jogos (cenários, por si só, carregados de tensão) com a sua guitarra. Por isso, Helton é um guarda-redes com samba nos pés, nas mãos e nos dedos!

Em suma, Helton é inegavelmente um guarda-redes de qualidade reconhecida e promete lutar pela titularidade da baliza azul e branca. Fabiano tem feito grandes exibições e tem-se mostrado estar à altura das expectativas, confirmando qualidades já evidenciadas quando estava ainda no Olhanense (clube que representou antes de rumar ao Porto). Será o nº12 portista capaz de aguentar a pressão de ter Helton a lutar por um lugar? Será que Helton regressará com a mesma força e vontade após uma grave lesão e já não sendo um jovem? Quererá Helton dar o seu lugar a um colega mais novo? Será que Lopetegui irá dar uma oportunidade a uma figura mítica do clube? Tudo questões que o tempo irá responder. O certo é que com dois guarda-redes de tamanha qualidade é possível manter reduzido o número de golos sofridos!

GD Carris 0-3 Estrelas de Lisboa: Poder de decisão fez a diferença

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Tendo como vista o Aeroporto de Lisboa e ouvindo-se o som dos aviões (isto para quem é amante de observar esses gigantes do ar a aterrar em pista), GD Carris e Estrelas de Lisboa encontraram-se no campo dos OLIVAIS Sul para mais uma partida da Liga de Futebol 11 da SideLine.

Equipas com arranques diferentes no campeonato, pois a Carris procurava a sua primeira vitória; já os Estrelas de Lisboa queriam dar seguimento ao bom início de campeonato.

Jogador do GD Carris em acção Foto: Ricardo Pais
Jogador do GD Carris em acção
Foto: Ricardo Pais

Foi um jogo sempre de muita raça e muita luta. Assistiu-se a um Estrelas de Lisboa mais eficaz na primeira parte. A equipa da Carris bem tentou mas nunca soube o que fazer com a bola; já do outro lado estava uma equipa que sabia o que fazer de cada vez que atacava e era mais perigosa. Sem espanto, os Estrelas de Lisboa chegaram ao 2-0. Primeiro num canto e depois num ataque que acabou num fantástico remate. Ao intervalo, era visível no rosto dos jogadores do GD Carris a frustração. A equipa não estava a funcionar bem.

Mas o intervalo foi aquilo de que a equipa precisava. Mais descansados, de cabeça fresca, a equipa da Carris parecia outra. Mais perigosa, a saber o que fazer com a bola, teve um início de segunda parte bastante bom, conseguindo pôr em sentido os Estrelas de Lisboa. Ainda assim não teve resultados práticos, apesar dos bons pormenores mostrados e do perigo criado. A equipa do Estrelas de Lisboa conseguiu equilibrar a partida, voltando esta a uma fase de disputa de bola e luta. Foi já quando este equilíbrio estava instalado que os Estrelas de Lisboa matariam o jogo. Um 3-0 onde só foi possível encostar e que matava por completo o jogo e as aspirações da Carris. No final, ganhou a equipa mais inteligente. O Estrelas de Lisboa soube o que fazer na primeira parte quando atacava, foi eficaz e capaz de aguentar os ataques do adversário. Já no GD Carris, fica a ideia de que, se a equipa tivesse tido mais clarividência na primeira parte e continuado a pressão no início da segunda, poderia ter causado danos ao adversário. Apesar do mau arranque, esta equipa tem qualidade para fazer mais. Já tinha visto outro jogo deles, onde chegaram à final e provaram a qualidade que existe.

O terceiro golo Foto: Ricardo Pais
O terceiro golo
Foto: Ricardo Pais

No final, o treinador estava conformado. “Fizemos o possível, fomos guerreiros. Eles ganharam bem, aproveitaram dois erros nossos, mas os meus jogadores estão de parabéns pelo esforço feito”. Mas lamenta as dificuldades de preparação do encontro. “Hoje era para termos adiado o jogo, mas seria feio para a organização e para o adversário. Inicialmente tinha 17 convocados, depois cinco tiveram de ir trabalhar e eu tive de me equipar para ajudar a equipa.”

Do outro lado, o treinador do Estrelas de Lisboa estava feliz. “Foi um bom jogo, onde estivemos por cima. Estamos a vir em crescendo e aproveitámos bem para conseguirmos a primeira vitória.” O início de campeonato está a ser bom e os objectivos são claros: “Ganhar jogo a jogo, mas queremos andar sempre lá em cima e tentar ser campeões.”

O efeito Nani

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Reduzir o excelente momento que vive o Sporting à presença de Nani na equipa seria completamente falaccioso. Muito deste sucesso deve-se a Marco Silva, aos jogadores e também à estrutura do clube. No entanto, o jogador do Sporting é um jogador único e a sua importância em campo é tremenda, seja a motivar a equipa ou a amedrontar os adversários.

Chegado em Agosto, já com o campeonato em andamento, a entrada não poderia ter sido pior, falhando um penálti na recepção ao Arouca. Ainda assim, Nani não se deixou abater face ao início menos conseguido e, nas jornadas seguintes, mostrou a diferença de ritmo e de experiência para com os restantes colegas e adversários, rubricando excelentes exibições.

Até agora, o jogador, formado em Alcochete, já apontou seis golos neste seu regresso a casa, mas o verdadeiro contributo do camisola 77 não passa apenas por golos e assistências. Revendo o último jogo dos leões para a Champions, é fácil perceber as dificuldades – e por vezes o pânico – que Nani cria aos jogadores adversários, juntando à sua volta dois ou mais adversários.

Nani marcou o golo que lançou o Sporting para uma vitória especial no Dragão
Nani marcou o golo que lançou o Sporting para uma vitória especial no Dragão

O golo de Jefferson é um exemplo nítido do respeito que os oponentes do Sporting têm pelo jogador nascido na Amadora. Tanto o lateral Uchida como o médio Obasi caíram em cima de Nani, negligenciando a proximidade do lateral leonino, que sem oposição rematou para o golo que proporcionou a reviravolta no marcador. Ainda na primeira parte, Nani já tinha tido uma acção semelhante, chamando a si três jogadores germânicos e descobrindo depois Carlos Mané solto de marcação, mas o jovem acabaria por cabecear ao lado.

Já no Dragão, deslocação mais difícil que o Sporting teve até ao momento, tendo em conta que era um jogo a eliminar, notou-se a preocupção de José Angél, Danilo ou Casemiro em tapar os caminhos da baliza ao jogador leonino, algo infrutífero, como se veio a comprovar, e onde Nani teve uma das suas melhores exibições.

Com um jogador como Nani em campo, o Sporting parece que joga sempre em vantagem numérica, porque a atenção dada ao extremo é tanta que acaba por destapar áreas de perigo e soltar jogadores nas redondezas das balizas adversárias. Nani é um jogador singular e maduro, mas também bastante inteligente, conseguindo na maioria das vezes entender o que há-de fazer com a bola. E talvez seja isso que o separa da maioria dos jogadores do nosso campeonato, essa mesma capacidade de saber o que fazer em cada momento do jogo: procurar o remate ou cruzar, partir para cima do defesa ou chamar assim mais oponentes para depois soltar a bola. Tudo isto torna Nani o melhor jogador do campeonato português.

E como é um prazer ver-te jogar!

A arte de bem “taliscar”

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paixaovermelha

Não querendo ferir suscetibilidades, Portugal é um país de tascas e tasqueiros. Há alguém, de norte a sul, que não tenha orgulho nos petiscos tradicionalmente servidos nas nossas tasquinhas!? Lisboa, como capital, está, infelizmente, num processo de remodelação, onde as tascas puras dão lugar aos gourmets e outras coisas com nomes ainda mais invulgares. Felizmente, para nós, benfiquistas, surgiu, em pleno relvado da Luz, uma nova e brilhante forma de “taliscar”, que, porém, requer aperfeiçoamento.

Ora, como todos já perceberam, refiro-me ao jogador brasileiro Talisca, que tem tido um sucesso absolutamente incrível nestes primeiros meses de águia ao peito. Talisca (ou D’Artagnan, para os mais atentos) chegou do Bahia, rotulado de craque, no último período de transferências. Em pouco tempo conquistou os adeptos benfiquistas com golos, e muitos, diga-se. Até ao momento foram nove golos. Oito deles na Primeira Liga Portuguesa, que fazem de Talisca o melhor marcador do campeonato, à frente de nomes como Jackson Martínez ou Slimani. Porém, há uma dúvida que permanece sem resposta: onde deve, verdadeiramente, jogar Talisca?

Talisca já conquistou o coração dos adeptos encarnados Fonte: www.esporteinterativobr.com
Talisca já conquistou o coração dos adeptos encarnados
Fonte: esporteinterativobr.com

Sem contar com os jogos da pré-época, nas catorze partidas que o jogador do Benfica disputou, Jorge Jesus já colocou Talisca nas mais variadas posições táticas. No eterno 4-4-2 do treinador português, Talisca já foi médio-centro, trinco, médio-esquerdo, segundo-avançado e box-to-box. Se olharmos para o sucesso de Talisca em frente à baliza, eu afirmo perentoriamente: deve jogar a segundo-avançado, no apoio a um avançado móbil que permita ao ex-Bahia encontar espaço para finalizar. É aí que o Benfica pode “taliscar” o melhor dos petiscos. Brincando um pouco mais com a analogia, se o relvado da Luz fosse uma mesa de taberna, Talisca poderia ser uma patanisca razoável ou um bolinho de bacalhau decente. Mas, é a segundo-avançado, ali, pertinho da baliza, que o brasileiro pode tornar-se uma bela e tentadora bifana.

Nos outras posições, creio que o (ainda) médio brasileiro perca protagonismo e influência na dinâmica da equipa, que, é justo sublinhar, sofre diretamente com as mudanças de posição do brasileiro. Aliás, é perfeitamente visível que Talisca oscila entre o muito bom e o péssimo durante os 90 minutos de jogo. Não deixa de ser notável, no entanto, que um jogador com apenas 20 anos, acabado de chegar do campeonato brasileiro – que é incomparavelmente menos intenso que o português – tenha um impacto tao forte numa equipa como a do Benfica. O talento está lá, à vista de todos, e Jorge Jesus já provou, por inúmeras vezes, que sabe tirar todo o potencial dos jogadores que tem à disposição. Resta saber, então, se o treinador português tem, em si, a arte de bem “taliscar”.