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Especial Clássico: FC Porto 1-3 Sporting

O Sporting derrotou o FC Porto em jogo a contar para a 3.ª eliminatória da Taça de Portugal, eliminando os azuis e brancos no seu próprio estádio. Nani ameaçou logo aos 2′ com um remate ao poste, mas foi Marcano, central portista, a introduzir a bola na sua própria baliza aos 31′ e inaugurar o marcador. Poucos minutos depois, Quintero descobriu o compatriota Jackson Martínez com um passe deslumbrante e o capitão do FC Porto repôs a igualdade com um chapéu a Patrício. Ainda antes do intervalo, Nani chegou mesmo ao golo – erro da defensiva portista, assistência de Montero e remate indefensável do internacional português. Na segunda parte, Lopetegui o FC Porto foi à procura do empate mas o ataque dos anfitriões revelou sempre muita ineficácia – o penalty falhado por Jackson aos 52′ é a prova disso mesmo. O Sporting conseguiu conservar a vantagem e acabou mesmo por ampliá-la: depois de um bom trabalho de Slimani, a bola ressaltou para Carrillo, que, isolado, disparou para o 1-3. Sete anos depois, o Sporting venceu no Dragão e seguiu em frente na Taça de Portugal.

Nani e Adrien - dois dos melhores em campo no Dragão  Fonte:  Miguel Riopa / APF / Público
Nani e Adrien – dois dos melhores em campo no Dragão
Fonte: Miguel Riopa / APF / Público

a minha eternidade

Cumpre-se a tradição: Sporting “bem recebido” no Dragão

Este Futebol Clube do Porto de Julen Lopetegui ainda tem muito a melhorar. Espero que o treinador dos azuis e brancos reconheça os aspectos que devem ser alterados e proceda à sua rectificação. A época transacta deve ser o exemplo de que a persistência no erro tem, obviamente, resultados prejudiciais, e que mesmo que a mudança de paradigma teórico seja efectuada ela deve ser feita em tempo útil, caso contrário corre o risco de se tornar infrutífera.

O Porto tem urgência em repensar o seu modelo de saída de bola. Na primeira fase de construção do momento ofensivo os quatro defesas estão perfilados, empreendendo um processo de passe em constante circulação. Os laterais nesse momento não se projectam ofensivamente, permitindo linha de passe curta ao central. Marco Silva, treinador do Sporting, percebeu essa debilidade e pressionou bem a primeira linha de construção do Porto. Quando os avançados leoninos se espraiavam fechando “alto”, ficou notório o erro conceptual do modelo de início de construção do Porto. Lopetegui quer iniciar obsessivamente em posse, mas quando a sua linha recuada é pressionada, ou perde a bola e fica exposta ou joga longo na frente, ficando desgarrada e traindo assim os seus princípios basilares de jogo apoiado. Não compreendo esta insistência de iniciação, que não “fere” de forma alguma os adversários. Compreendo a circulação apoiada a toda a largura e a variação de sentido de jogo somente no meio-campo ofensivo, para desmontar os posicionamentos zonais ou perturbar as marcações individuas. Este modelo de jogo no início do momento ofensivo é uma completa perda de tempo.

Lopetegui deve repensar a conceptualização da primeira fase de construção  Fonte: A Bola
Lopetegui deve repensar a conceptualização da primeira fase de construção
Fonte: A Bola

Esta conceptualização errada influiu negativamente sobre todos os outros processos e comportamentos da equipa. Lopetegui procedeu à sua rotatividade habitual, desta feita não apenas alterando jogadores, mas também o sistema táctico. Iniciou o jogo em 4-4-2, deixando de lado o habitual 4-3-3. Penso que esta alteração tentou favorecer Adrián López, que jogou próximo de Jackson Martinez. Colocou Quintero bastante aberto sobre a direita a procurar movimentos interiores e Óliver a fechar no lado esquerdo, com preocupações de estancar o corredor leonino. Casemiro jogou sozinho como pivot defensivo mas foi incapaz de contrariar Adrien e João Mário. No segundo golo do Sporting, Maicon revolveu bem o lance jogando para Casemiro, que tem a tentação de voltar a recuar o jogo para a zona defensiva, bola em Nani e grande remate para golo. Mesmo a linha média tem a tentação de devolver inúmeras vezes a bola para trás, com o intuito de nova “mastigação inútil”. É nesta teorização que Lopetegui tem de retroceder.

Na segunda parte, o Porto necessitava de uma reacção consequente, que lhe permitisse contrariar a desvantagem de 1-2 no marcador. Julen Lopetegui normalmente “responde” bem às contrariedades que o jogo lhe impõe, mas desta vez as suas substituições não fizeram efeito. Concordo com a alteração de Casemiro por Rúben Neves (melhor solução para a posição), devido à má exibição do brasileiro. Não me pareceu bem a saída de Óliver (para entrar Tello), que foi quem melhor impediu a progressão de Nani; aliás, o primeiro golo do Porto nasce de um roubo de bola do jovem espanhol ao “astro” leão. Adrián seria o sacrificado natural devido à desconexão com os seus companheiros. Este espanhol parece invisível para os colegas; não houve sequer uma única boa combinação sua com os outros elementos do onze portista. Já dentro dos últimos 15 minutos, quando finalmente o espanhol Adrián saiu e entrou o craque argelino Brahimi, era expectável que inúmeros desequilíbrios fossem surgir pelos seus pés. Mas Brahimi não pode jogar tão aberto numa ala, tem de procurar zonas mais interiores para decidir. Embora tenha ainda conseguido um remate perigoso, para jogar junto à linha o jogador mais avalizado seria Quaresma, capaz de tirar cruzamentos venenosos.

Óliver - o que melhor controlava os movimentos da “arma” mais perigosa do Sporting, Nani - não devia ter saído  Fonte: zerozero.pt
Óliver – o que melhor controlava os movimentos de Nani – não devia ter saído
Fonte: zerozero.pt

Considero o momento do jogo o penalty falhado por Jackson Martinez, que desconcentrou por completo o próprio, que nunca mais conseguiu jogar em apoios, e fez também descrer os seus companheiros, que não estabilizaram emocionalmente, perdendo a calma e a confiança para tomar decisões que levassem ao empate.

Acho o Sporting a equipa mais bem trabalhada do futebol português. Não sendo a melhor em termos absolutos, julgo-a quase um produto final. Com a recente inclusão de João Mário na equipa titular, encontrou a melhor configuração para o seu 4-3-3, com William a cobrir toda a largura do terreno e Adrien Silva (mais adiantado do que no início da época) finalmente a ter o protagonismo que merece e que a equipa necessita para explanar o seu melhor futebol. Nani tem sido o melhor extremo do campeonato português; a forma como jogou entrelinhas foi sublime. Os portistas nunca o conseguiram marcar, porque soube habilmente posicionar-se entre o médio defensivo e os centrais e também entre os médios interiores e os laterais portistas. Foi, para mim, o melhor jogador da partida. A mais bem pensada nuance táctica de Lopetegui foi a colocação de Óliver junto de Nani. Esta “cartada” foi desfeita ao intervalo pelo treinador portista. Foi um erro estratégico que o Porto pagou caro, como vimos no terceiro golo, em que o extremo teve toda a liberdade para servir Slimani.

Lopetegui deve retroceder enquanto a confiança dos jogadores ainda é forte. No ano passado Luís Castro também empreendeu as alterações necessárias, mas os jogadores já não tinham a estabilidade para responder condignamente. Na prática não se aplicou proficuamente a teoria. Lopetegui, ao expor os defesas desta forma na construção de jogo, está a desenterrar deficiências que no ano passado se manifestaram. Se não retroceder na sua ideologia, as fragilidades passadas irão ser alvo de recalcamento pelos profissionais portistas e poderão dar azo ao agudizar de traumas, impeditivos de uma época frutífera em títulos. Urge uma mudança na conceptualização de jogo.

O penalty falhado por Jackson foi o "lance do encontro"  Fonte: zerozero.pt
O penalty falhado por Jackson foi o “lance do encontro”
Fonte: zerozero.pt

Andrés Fernandéz (6) – Sem culpa nos três golos e com duas excelentes defesas. Não comprometeu.

Danilo (6) – O melhor elemento da defesa. Conseguiu transformar recuperações em contragolpes que ele próprio finalizou. A sua inexcedível entrega não lhe permite, por vezes, ter o melhor discernimento durante todo o jogo.

Marcano (4) – Mal quando teve de participar na construção de jogo. Revelou dificuldades no seu aspecto mais forte, o jogo aéreo. A sua abordagem no auto-golo é tecnicamente desastrosa.

Maicon (5) – Parece o jogador “chave” da equipa. É um central que mais parece um número dez, pois a equipa procura-o incessantemente para jogar em posse. Não tem culpa do estilo de saída que o seu treinador pretende incutir na equipa, mas esse desejo organizacional faz com que erre passes e exponha o colectivo em demasia. No entanto, é justo reconhecer que não teve erros de vulto.

José Ángel (4) – Nani é um jogador dificílimo de anular. O lateral espanhol não conseguiu lidar com a qualidade do seu oponente directo. Sem dinâmica ofensiva não se lhe viu uma combinação que gerasse perigo. No terceiro golo não fez o imperativo movimento de aproximação, abrindo assim uma “cratera” para Nani servir Slimani.

Casemiro (4) – Não joga bem de costas para a baliza. Sem confiança para rodar e se perfilar com o meio-campo contrário quando pressionado, procurou em demasia os defesas. Nessas inúmeras solicitações, “assistiu” Nani no segundo golo do Sporting.

Herrera (5) – Bem na batalha pelo miolo. Pressionou e roubou bolas melhor do que transportou e construiu. Sem confiança para rematar quando teve espaço, fez mais um jogo que desiludiu, não pelo que fez, mas pelo muito melhor que tem qualidade para fazer.

Quintero (6) – Jogou muito sobre a linha, o que não o favorece, pois é em zonas interiores que consegue definir jogadas e jogos. Foi numa dessas fugas para a zona central que fez uma assistência magistral para Jackson marcar. Porque não foi Adrián a começar no flanco? Era preferível o treinador ter dado primazia às necessidades do colombiano, em detrimento das do espanhol.

Jackson (5) – Extraordinário a jogar em apoios. Aqueles toques de primeira a solicitar o companheiro são de um grau de dificuldade técnica elevadíssimo. Belo chapéu no golo. O facto de ter permitido a defesa a Rui Patrício deflaciona a sua nota. Estes jogos são definidos no detalhe e Jackon, no penalty, não superou o guarda-redes contrário. O estado depreciativo que decorreu desse lance não permitiu a reacção táctica necessária da equipa.

Rúben Neves (5) – Não acrescentou nada de muito relevante ao jogo. Em comparação com Casemiro saiu a ganhar. Acrescentou qualidade e simplicidade na circulação de bola.

Tello (5) – Recepções orientadas para dribles, arrancadas estonteantes que dificultaram o trabalho da defesa sportinguista. Mal na definição, tanto no último passe como no remate.

Brahimi (5) – Não deve jogar junto à linha lateral, o seu “perfume” acentua-se mais em zonas interiores. Só aí pode finalizar as jogadas que magistralmente cria. Num desses movimentos quase marcou. Quaresma deve ter pensado: para jogar aberto, estou cá eu!

A Figura

Óliver (6) – Entrou sobretudo para controlar Nani, o que fez muito bem. Melhor do que os defesas ou médios portistas. Ganhou alguns duelos individuais com o craque adversário, tendo uma dessas contendas superadas dado em golo portista. Escolho-o como elemento primordial pelo bom jogo que fez e também pela sua saída. A melhor variação táctica deste jogo empreendida por Lopetegui foi o seu posicionamento junto ao flanco. Esteve bem Lopetegui no pré-jogo e mal na resposta ao seu decorrer. Quando Óliver saiu, Nani parecia um “menino de rua a brincar”.

O Fora-de-Jogo

Ádrian (3) – Sem pôr em causa a sua qualidade e inteligência, o espanhol foi uma nulidade neste jogo. Errou todas as combinações; deveria simplificar mais o jogo até ganhar confiança – algumas vezes precipitado, outras perdendo o momento de entrega; não ganhou segundas bolas nem disputas aéreas. Ainda conseguiu falhar um golo isolado. Não percebe as movimentações dos companheiros e a equipa nem o “vê”. Alvo de assobios do público, parece-me uma “célula” estranha no “organismo” azul e branco. Também está a pagar pelo elevado preço que custou, situação de que não tem culpa. Uma coisa é jogar através de Diego Costa, que procura rupturas em profundidade. Situação diferente é servir um ponta-de-lança que segura a bola e joga pedindo apoios. Acho que este jogador não vai ser muito produtivo para o Porto. Kelvin anda a fazer golos na equipa B e Ricardo nas selecções jovens…

David Guimarães 

porta10

Nani e Patrício dão vitória justa

Marco Silva decidiu fazer algumas alterações para este clássico no Dragão em relação à última partida frente ao Penafiel.  Maurício voltou ao onze, fazendo companhia a Paulo Oliveira; Capel e Montero ocuparam as posições de Carrillo e Slimani; e Jonathan resgatou o lugar de lateral esquerdo.

Tal como aconteceu no jogo do campeonato, o Sporting tomou logo as rédeas da partida e aos 35 segundos de jogo já tinha atirado uma bola ao poste, por intermédio de Nani num remate fora da área. Isto animou a enorme massa adepta leonina que se deslocou ao Dragão, que nunca mais parou de apoiar a equipa até ao final da partida.
No minuto seguinte, João Mário assistiu Montero de calcanhar, mas o remate do avançado colombiano sai muito fraco. Até aos 20’, o Sporting não mais criou grande perigo para a baliza de Fernandez, saindo apenas desse marasmo através dum cabeceamento de Maurício, na sequência de um livre lateral apontado por Nani.

Após um início forte do Sporting, o Porto conseguiu equilibrar o meio-campo, com Oliver e Quintero em especial destaque. Casemiro, muito faltoso, não conseguia controlar João Mário e era o elemento menos em jogo nesta luta a meio do terreno. O Sporting pressionava muito em cima, colocando sempre a defesa portista, especialmente Maicon, em sobressalto. Contudo, esta pressão deixava algum espaço na retaguarda, o que permitia ao Porto conseguir sair em ataques rápidos, tendo assim algum ascendente nesta fase do encontro.

À meia hora de jogo a equipa de Alvalade adiantou-se no marcador através de um auto-golo de Ivan Marcano. Cruzamento excelente de Jonathan Silva na linha de fundo e Marcano, após falha de Montero, cabeceou para a própria baliza. A vantagem dos leões demorou apenas quatro minutos – Quintero fez um excelente passe a rasgar a defesa leonina e Jackson Martinez, sozinho frente a Patrício, não perdoou. O Sporting mostrava assim que continuava com alguns problemas ao nível das marcações, assim como com desconcentrações fatais.

O golo sofrido não desmotivou os leões, e oito minutos após o primeiro golo o Sporting voltou a ganhar vantagem. Falha de Casemiro, aproveitada por Montero, que assistiu Nani para um golo tremendo. Ao contrário do jogo de Alvalade, o Sporting aproveitava com grande rigor as oportunidades de golo, chegando ao intervalo com vantagem no marcador.

O Sporting nunca esteve em desvantagem ao longo dos 90 minutos  Fonte: zerozero.pt
Nani levou o Sporting em vantagem para o intervalo
Fonte: zerozero.pt

Uma primeira parte jogada muito a meio-campo, com uma ligeira superioridade do Porto. Muitas bolas perdidas naquela zona do terreno, assim como alguma dureza de parte a parte. Ainda assim, Marco Silva tinha a equipa mais rotinada e mais segura, mostrando uma maior tranquilidade em campo. Patrício, Jonathan e Nani foram os jogadores mais em foco neste primeiro tempo, sendo que o extremo português criou inúmeros desequilibrios e marcou um excelente golo.

Logo aos cinco minutos da segunda parte, penalty para o Porto, numa jogada que nasce a partir de uma posição ilegal de Jackson. Na marcação do castigo máximo, Patrício faz uma excelente defesa – mais uma -, negando o segundo golo na partida ao avançado do Porto e colocando alguma justiça em todo este lance.

Os comandados de Marco Silva entraram na segunda parte menos pressionantes, sendo um pouco mais permissivos e dando mais bola ao Porto, mas nunca deixando de assustar Fernandéz. William, aos 56’, rematou forte para uma defesa complicada do guardião espanhol.

Esta jogada de perigo mudou o sentido de jogo, passando o Sporting a dominar o encontro e a jogar no meio-campo do Porto, obrigando os dragões a jogar mal e a perder inúmeras bolas ainda na sua metade do terreno. Ainda assim, o Porto criou dificuldades ao último sector leonino em duas bolas paradas, mas Patrício, sempre ele, brilhou a grande nível da baliza dos leões.

Nos últimos vinte minutos da partida, a equipa azul e branca voltou a crescer, tendo em Quintero o seu maior protagonista, o que levou a que o Sporting recuasse no campo e começasse a cometer várias faltas perto da sua área. Foi assim um pouco contra a corrente do jogo que os leões sentenciaram a partida – excelente desmarcação de Slimani na direita, fintando um defesa portista e rematando para defesa incompleta de Fernandez, a bola chegou a Carrillo, que só teve que encostar para o terceiro golo do Sporting, quando faltavam sete minutos para o final da partida. Com este golo, Marco Silva soube fechar os caminhos para a sua baliza, tirando João Mário para a entrada de Uri Rosell. Os últimos minutos foram de festa no Porto, com os quatro mil adeptos do Sporting em delírio, a ouvirem-se a alto e bom som.

Uma vitória justa, com o Sporting a aproveitar bem os erros adversários e a mostrar uma maior maturidade. Após sete anos sem vitórias no Dragão, os leões seguem em frente na Taça, eliminando um dos maiores rivais. Um prémio para Marco Silva, que conseguiu montar uma estratégia que deu frutos, utilizando bem as substuições e nunca perdendo totalmente o controlo da partida.

Os cerca de 4.000 sportinguistas que foram ao Dragão fizeram a festa  Fonte: Miguel Araújo / Correio da Manhã
Os cerca de 4.000 sportinguistas que foram ao Dragão fizeram a festa
Fonte: Miguel Araújo / Correio da Manhã

Cédric (7) – O recém-internacional português começou o jogo tranquilo, apenas tremendo no segundo tempo, quando Quintero ou Brahimi lhe apareceram pela frente.

Maurício (7) – O defesa brasileiro, apesar de ter cometido o penalty sobre Jackson, esteve mais seguro do que nos últimos jogos.

Paulo Oliveira (6) – Fica ligado ao golo do Porto, tendo ficado a sensação de que poderia ter feito mais. Ainda assim, conseguiu alguns cortes vistosos, como aquele sobre Danilo ainda na primeira parte.

Jonathan (8) – Mostrou que é melhor lateral do que Jefferson, mais consistente a defender e claramente melhor ao nível do cruzamento e das combinações ofensivas.

William (8) – Muito boa exibição do médio defensivo leonino, ganhando a batalha a meio-campo, principalmente na primeira parte.

Adrien (7) – Um jogo a muito bom nível do número 23 leonino, ajudando William defensivamente e conseguindo ser o primeiro a lançar os ataques do Sporting.

João Mário (7) – Entrada a bom nível, assistindo Montero já dentro da área do Porto. Um jogo mais de luta e raça do que de genialidade, mas em que o jovem leão nunca se escondeu.

Nani (8) – Divide com Patrício o prémio de homem do jogo. Uma primeira parte de grande nível, com vários desequilíbrios no lado direito e no centro do terreno. Um grande golo foi o culminar de uma grande exibição.

Montero (6) – Um jogo de luta e de dedicação, mas muitas vezes escondido do jogo. Mostrou a sua importância, ganhando a bola cabeceada por Casemiro e assistindo Nani para o segundo golo leonino.

Slimani (6) – Boa entrada do argelino, ganhando duelos aos já cansados defesas portistas e fazendo estragos. Foi dele o remate que permitiu a Carrillo sentenciar a partida.

Carrillo (7) – O peruano está um jogador diferente, com maior vontade (esperemos que seja para ficar). O golo que marcou foi mais um passo na afirmação de La Cuebra no Sporting e fará subir ainda mais os seus índices de confiança.

Uri Rosell (6) – A substituição que se pedia. O catalão foi o tampão que ajudou William a aguentar o último esforço do Porto.

A Figura
Rui Patrício (9)
– O guarda-redes leonino está em óptima forma. Foram incontáveis as defesas que manteram a vantagem do Sporting. Que o digam Adrian, Marcano ou Jackson. Está cada vez mais a mostrar-se como o melhor guardião português da última década.

O Fora-de-Jogo
Diego Capel (5)
– Mais um jogo aquém daquilo que Capel mostrou na primeira época nos habituou. Cruzamentos falhados, pouca participação no jogo e alguns maus passes. Valeram-lhe as combinações com Jonathan Silva.

Vítor Miguel Gonçalves

Sp. Covilhã 2-3 Benfica: Doeu mas foi

Bem, antes de mais quero realçar as saudades que já tinha da Taça. Venha ela! Equipas “pequenas”  a dar tudo, adeptos de largo sorriso na bancada e muita festa. O futebol precisa disto!

Doeu mas foi… Ao ver o resultado, facilmente se percebe que a estreia do Sport Lisboa e Benfica na Taça de Portugal não foi nada fácil. E é verdade. O jogo até começou bem, com Ola John a ganhar um penalty aos 30 segundos de jogo. Jonas, com elegância a meter a bola no fundo das redes. 1-0! Depois disso, tivemos um Covilhã atrevido, bem-organizado e eficaz. Traquina fez o golo no minuto 9, numa falha grave do lado esquerdo benfiquista.  Depois disso o jogo equilibrou-se naturalmente, com poucas oportunidades de lado-a-lado (ressalvar uma defesa de Taborda a remate de Pizzi e um remate do miúdo Gonçalo Guedes). E ao minuto 32, lá mirrou o nosso coração encarnado. Golo do Sporting da Covilhã,  Erivelto foi o protagonista – bom cruzamento por parte de Traquina e finalização de cabeça do homem do Covilhã. O apitou soou e os primeiros 45 minutos já tinham ido. O Benfica perdia ao intervalo, com um meio-campo pouco inspirado.

Devo revelar em privado que neste momento olhei para o nosso banco. Fiquei preocupado, pois não encontrei nenhum jogador que pudesse mudar a história do jogo – sou totalmente a favor da rotação do plantel, mas parece-me prudente deixar pelo menos um ou dois jogadores do onze titular disponíveis para, se necessário, entrarem em campo. No jogo de hoje, percebo que muitos deles estavam cansados ou precisavam de descanso, outros jogaram pelas selecções, no entanto jogadores como Salvio ou Lima poderiam perfeitamente estar no leque de convocados.

Mágico Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Mágico
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Voltando ao jogo, a segunda-parte começou com um Benfica bem mais agressivo, a ganhar muitas segundas bolas e com um meio-campo mais solto – Cristante conseguiu-se libertar e o jogo ficou mais fluído. Golo de Jonas no minuto 54, a corresponder com uma finalização de génio ao passe magistral de Cristante. Que bom que é ter-te connosco Jonas Gonçalves Oliveira, há muito tempo que não via um avançado no meu clube a beijar a bola como tu! Como seria de prever, com o empate o Covilhã ficou contraído e o desgaste começou-se a notar. Pizzi ficou com mais espaço, Bebé soltou-se e o miúdo Gonçalo continuou com a vontade da primeira-parte. Aos poucos, o Sport Lisboa e Benfica foi abrindo a defesa contrária, tanto com iniciativas do lado esquerdo como do direito. E sem muita surpresa, lá veio ele outra vez: J-O-N-A-S! Hat-trick. Há palavra mais bela que esta? Não me parece. De pé esquerdo, picou a bola por cima do Taborda como se fosse bem fácil. Já ganhávamos por 3-2 e eu não parava de gritar.

Os últimos vinte minutos foram tranquilos, com o Covilhã a tentar surpreender de novo, mas sem forças para tal. No fim, uma situação caricata entre o César e o Jorge Jesus, com o último no seu melhor. Atenção, nada que mereça alarido – foquemo-nos no resultado. Como nota final, gostava de realçar a exibição segura do Artur, a braçadeira de capitão no braço do André Almeida (é sempre bom ver um dos nosso miúdos a capitanear o onze do Maior de Portugal), a interessante estreia do Gonçalo Guedes e a exibição de nos pôr a gostar ainda mais de futebol do Jonas. Fica na história um Sporting da Covilhã lutador e difícil, contornado pela genialidade de um brasileiro que muitos mais golos marcará de águia ao peito. Para a próxima, não é preciso sofrer tanto. Já sei, é a festa da Taça, mas mesmo assim…

A Figura:

Jonas – Com jogos destes, escolher a Figura do encontro é tarefa fácil. Jogo excelente do avançado brasileiro, tanto de costas para a baliza como no momento da finalização. Três golos importantes, dois deles finalizados com pé de génio.

O Fora-de-Jogo:

Benito – Parece-me que foi o elo mais fraco da equipa benfiquista. Está na origem do primeiro golo do Covilhã e nunca se afirmou no lado esquerdo do ataque. Melhorou na segunda-parte, muito pela descida de rendimento do Traquina.

Man. City 4–1 Tottenham: Ao ritmo do tango!

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Hoje foi dia de jogo grande no Ethiad, com o Tottenham a visitar o Manchester City. O City apresentou-se com algumas alterações – de realçar o regresso de Demichelis ao onze titular e a troca de Yaya Touré e Fernandinho por Fernando e Lampard no meio-campo. Do lado da equipa londrina, um quarteto ofensivo constituído por Eriksen, Chaldi, Lamela e Soldado entusiasmava.

A tabela classificativa e o historial de jogos faziam prever um jogo altamente competitivo, com o City a lutar para não deixar o Chelsea fugir ainda mais na tabela e o Tottenham a deixar tudo em campo num terreno difícil, onde perderam por 6-0 na época passada, e com vontade de inverter o péssimo rácio de 2 vitórias em 8 jogos em todas as competições.

O facto de os spurs virem de uma vitória frente à equipa sensação da época, o Southampton, fazia esperar uma equipa moralizada e com vontade de encarrilhar numa senda de vitórias. Tal não aconteceu.

O jogo começou bem, com as duas equipas a disputarem o meio-campo e a chegarem ao último terço do terreno através das alas. Logo ao sétimo minuto, Mason falhou o golo na cara de Joe Hart – mérito para o guarda-redes internacional inglês. Poucos minutos demorou o entusiasmo do Tottenham. O City rapidamente pôs o “pé no acelerador” e cimentou-se no meio-campo adversário. Não demorou muito tempo até conseguir fazer o golo – aos treze minutos vimos Aguero parado no meio da grande área à procura de alguém em quem colocar a bola. Mas enganou-nos. O argentino, num movimento rápido e inesperado, tira Kaboul do caminho e com um remate colocado ao canto inferior direito, fez o primeiro golo do encontro. Mas a vantagem não demorou muito. Volvidos dois minutos, grande erro defensivo de Fernando, que viu a bola ser roubada por Mason. Este colocou a bola em Soldado, que faz um passe para o lado direito do terreno onde apareceu Eriksen para fazer o golo do empate com potência e precisão.

Eriksen fez o único golo do Tottenham na partida  Fonte: The Guardian
Eriksen fez o único golo do Tottenham na partida
Fonte: The Guardian

O jogo continuou bem disputado e com um empate a afigurar-se como sendo o resultado mais justo. E era. O Tottenham estava bem no jogo, pelo menos até Lamela ter-se lembrado de cometer uma verdadeira infantilidade – o jovem internacional argentino, que esteve desaparecido todo o encontro e que quando foi chamado a intervir foi sempre lento e pouco eficaz, teve a infeliz ideia de empurrar o experiente médio Frank Lampard dentro da sua grande área. Penalty claro. Quem foi chamado a converter? Aguero. O argentino não facilitou diante de Hugo Lloris e bisou no encontro. Aos 20 minutos, parecia que estávamos a ver aquele que viria a ser um grande jogo. Mas apenas parecia. Após o segundo golo do City o rendimento dos spurs começou a cair e Eriksen e Chadli eram os únicos com vontade de jogar à bola. No sector defensivo, Danny Rose via-se atrapalhado para conseguir parar as combinações entre Sagna e Jesús Navas.

Quando o jogo começava a ganhar um bom ritmo, com um futebol rápido, directo e forte, Lampard lesionou-se. Para o seu lugar entrou Fernandinho. E logo o ritmo decaiu – não pela saída do ex-blue, mas porque aos 32 minutos Kaboul fez um carrinho completamente fora de horas e derrubou Silva dentro da sua área. Aguero foi novamente chamado a converter e, quando já cheirava a hat-trick, o argentino… falhou. O City assumiu o comando do jogo, com grande destaque para Milner e David Silva. O primeiro a romper na ala esquerda com força e a entregar muito bem a bola, o segundo a descobrir linhas de passe e a mandar no meio-campo.

Antes do intervalo há que assinalar uma grande jogada de Eriksen que só não deu em golo graças à lentidão de Lamela e a uma grande defesa de Joe Hart, bem como um penalty que ficou por assinalar por mão de Sagna na área do City e que podia ter ditado um outro rumo do jogo. Antes de a bola regressar ao meio-campo ainda houve tempo para mais um capítulo no duelo entre Aguero e Lloris, com o francês a levar melhor, com uma grande defesa após um bom remate à entrada da área do internacional argentino.

Aguero protagonizou uma exibição de sonho  Facebook Oficial do Man City
Aguero protagonizou uma exibição de sonho
Facebook Oficial do Man City

A segunda parte começava com a esperança de um Tottenham forte, atacante e com vontade de inverter o resultado. E teve oportunidade para isso! Aos 60 minutos foi assinalado penalty a favor dos spurs. Falta de Martin Demichelis sobre Soldado (com algumas dúvidas se foi ou não dentro de área), e o espanhol a permitir a defesa de Joe Hart. A exibição apagada e triste da equipa londrina continuava e agravava-se com mais um penalty. Falta de Fazio sobre Aguero. Um acto escusado e que levou à expulção do ex jogador do Sevilha. Aguero voltou a ser chamado a converter e desta vez não desperdiçou:  hat-trick! O argentino, que até agora tinha sido um desequilibrador no último terço do terreno, aproximava-se de Diego Costa no topo da lista dos melhores marcadores da Premier League.

Com um jogador a menos, Pochettino viu-se obrigado a fazer entrar Vertonghen e a fazer um jogo contido na esperança de não sair novamente goleado do Ethiad. E sabem que mais? Novamente tal não aconteceu. Aos 75 minutos, após um brilhante passe de Sagna a desmarcar Aguero, o internacional argentino efectuou uma grande recepção e arrancou em direcção à área adversária, onde fintou um, fintou dois e atirou para o fundo das redes. Grande golo. E poker de Kun Aguero. O argentino a afirmar-se como artilheiro de serviço dos citizens. Depois do 4-1, o jogo perdeu ritmo e atitude. Até aos 90 apenas há a assinalar uma bomba de Milner ao poste e, já no tempo de compensação, um penalty de Kompany sobre Towsend que ficou por assinalar. Kompany que teve muita sorte em terminar o jogo sem cadastro!

Este Tottenham desilude. Apenas 2 vitórias em 9 jogos. É triste. E esta equipa dá para mais e é difícil de compreender exibições de jogadores como Lamela, que, apesar de um bom arranque de temporada, tem muitas lacunas, sobretudo a nível defensivo. Danny Rose também não me parece ser a melhor opção para o lado esquerdo da defesa. É jovem mas ainda não tem qualidade suficiente para conquistar um lugar no onze do Tottenham. A juntar a isto tivemos uma exibição muito fraca de Kaboul, com muitas falhas de marcação. Foi triste ver que apenas os jovens Eriksen e Chadli eram os únicos com vontade de dar resposta.

Aguero marcou dois penalties e falhou um  Fonte: The Guardian
Aguero marcou dois penalties e falhou um
Fonte: The Guardian

Por outro lado, o City entusiasma! Mesmo sem jogadores como Yaya Touré, Nasri ou Dzeko, o clube de Machester apresenta soluções de alto nível e um futebol ofensivo. Milner tem aproveitado da melhor forma a lesão de Nasri, e tem ganho o seu espaço na equipa. E é um espaço mais do que merecido. Na frente, Aguero e Silva deixam-me de água na boca, com pormenores e passes esplêndidos do espanhol e com arrancadas, fintas e finalizações do argentino. Por outro lado, realçar que a defesa dos campeões em título tem as suas lacunas e hoje assistimos a um Kompany muito faltoso e a um Demichelis imprudente.

Pochettino assinalou aqui mais uma fraca exibição, mas a verdade é que se aquele penalty de Sagna tivesse sido assinalado o jogo certamente decorreria de outra forma! Esperemos para ver como reagem os spurs e em que posição fica o treinador argentino.

 

A Figura

Kun Aguero, Hugo Lloris e James Milner – o argentino só podia ser a figura do jogo ao assinalar um poker. Parece que as lesões não destruíram o instinto matador do avançado! Hugo Lloris, apesar de ter sofrido quatro golos, não teve culpa em nenhuma deles e foi o responsável pelo resultado não ter sido mais avantajado tendo feito frente a Kun Aguero. Por último, há que salientar a grande exibição de Milner. Passes certos, arrancadas fogosas e remates perigosos (uma bola ao poste, inclusive) fazem deste jogador um motor de jogo eficaz em qualquer sector do terreno.

O Fora-de-Jogo

Lamela, Kaboul e Fernado: O internacional argentino em tem muito que fazer para compensar o avultado investimento feito nos seus direitos económicos e desportivos. O extremo comete muitos erros: falha passes, falha na cobertura defensiva e demora com a bola nos pés. Esta exibição foi decepcionante. Kaboul teve uma exibição triste. Não deu conta de Aguero e cometeu um penalty. Falhas de concentração e de marcação. Por último temos Fernado, teve uma exibição para esquecer. Falhou passes e cometeu vários erros defensivos. Precisa de crescer para ser uma figura neste meio campo!

 

Dortmund: Fadiga, Lesões e Falta de Soluções

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Em Signal Iduna Park vivem-se momentos difíceis. O Dortmund está numa posição preocupante, ocupando um impensável 13º lugar. A atmosfera que se vive é de enorme tensão e já se ouvem vozes de contestação ao “Louco” Klopp. Neste texto vou tentar explicar as razões que levaram à apocalíptica classificação do clube e apresentar soluções que, acredito eu, ajudariam a virar o jogo.

As razões são, aparentemente, fáceis de decifrar. Os jogadores “mais” da equipa são os que estão constantemente no estaleiro: Reus, Mkhitaryan e Gundogan são as principais ausências de momento. O primeiro é um dos melhores jogadores do campeonato alemão e um desfalque importantíssimo nas ambições do Dortmund; o segundo e o terceiro também são peças-chave, e Gundogan é um dos clientes habituais do departamento médico. Kuba e Nuri Sahin são os jogadores que completam esta lista que vai atormentando Klopp e vai deixando a equipa totalmente desamparada e sem soluções reais.

O cansaço é outro dos maiores inimigos da táctica engendrada pelo treinador alemão. As transições supersónicas e a pressão alta são propícias a causar um desgaste rápido e, sem alternativas ao nível daquilo que se pede, é complicado almejar muito num campeonato tão competitivo como este. A nível de reforços deparamo-nos com uma situação algo desconfortável. O Bayern continua, ano após ano, a desfalcar o plantel do Dortmund – Lewandowski e Gotze são jogadores de classe mundial -, que, ao invés de contratar valores acima da média, se vai refugiando em jogadores que podem acrescentar qualidade mas que não são claramente jogadores de topo. Temos, como exemplo, as contratações de Immobile e Ramos. São dois jogadores que seriam excelentes opções de recurso mas que não fazem um Lewandowski.

Marco Reus é a ausência mais notada deste início de época  Fonte: sport.net
Marco Reus é a ausência mais notada deste início de época
Fonte: sport.net

Algumas soluções passam pela recuperação dos jogadores-chave que se encontram de momento lesionados, enquanto noutros casos a situação obriga a ir ao mercado para se alcançar um certo nível qualitativo. O clube passa por um momento de fôlego financeiro e é hora de repor os valores.

As laterais, tanto esquerda como a direita, precisam de um upgrade. Piszczek e Schmelzer não têm alternativas reais e temos em Portugal dois jogadores que encaixariam na perfeição: Danilo e Alex Sandro – amadureceram bastante na passagem por Portugal e são alvos apetecíveis. O meio-campo, com a chegada de Kagawa, tem opções mais do que suficientes e de qualidade certificada; nas alas falta um jogador que acompanhe Reus, e esse poderia ser Nico Gaitán ou Muniain. O craque argentino pede outros voos e é um jogador extremamente completo que tem na irreverência o seu principal dínamo; o espanhol é mais novo mas muito habituado à alta-roda do futebol. Ambos são bastante capacitados tanto a nível técnico como a nível táctico e não teriam problemas em adaptar-se rapidamente. Na frente existem inúmeras opções que, apesar de dispendiosas, seriam uma melhoria fundamental no conjunto alemão. Jackson Martinez e Edin Dzeko possuem um conjunto de habilitações que se adequavam na perfeição: o colombiano é um portento físico e é tecnicamente evoluído; o bósnio junta experiência, títulos e golos com uma qualidade indubitável.

Jürgen Klopp é um treinador mais do que capaz – no passado mostrou do que era feito – e estará certamente a pensar na melhor maneira de dar a volta à situação, para voltar imediatamente aos bons resultados.

Quaresma é de Ouro e não é Bidão!

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Ricardo Andrade Quaresma Bernardo, nascido a 26 de Setembro de 1983, é conhecido no mundo do desporto por Quaresma. No seu currículo encontramos troféus em quase todos os clubes por onde passou. Ao serviço do Sporting, o seu clube de formação, ganhou um campeonato nacional, uma Taça de Portugal e uma Supertaça de Portugal. Mais tarde, como jogador do FC Porto, venceu três campeonatos nacionais, uma Taça de Portugal, duas Supertaças de Portugal e uma Taça Intercontinental. Também no estrangeiro foram vários os títulos conquistados: no Chelsea venceu uma FA Cup, no Inter de Milão uma Serie A, uma Taça Italiana e uma Liga dos Campeões, no Besiktas uma Taça da Turquia. Individualmente, Quaresma conquistou três títulos: futebolista português no ano em 2005 e 2006, personalidade Portuguesa do ano em 2007 e o Bidão de ouro em 2008 (pior contratação do ano). No que concerne à sua participação nas selecções, Quaresma conquistou o Euro sub-17 em 2000.

A carreira de Quaresma podia ter sido um conto de fadas, uma vez que enquanto jovem era considerado uma grande promessa do futebol mundial. Para muitos, era até melhor do que Cristiano Ronaldo… Quaresma era e sempre será um talento nato em campo! Quem não se lembra das assistências para Adriano, quem não se lembra das inúmeras trivelas, quem não se lembra das letras e das fintas? Apesar disso, teve uma carreira muito irregular – de um ano para o outro passava de “bestial a besta”. A título de exemplo, saiu do FC Porto como um ídolo para a massa associativa azul e branca e, no ano seguinte foi considerado a pior contratação do ano na Serie A italiana. Também na Turquia inicialmente era grande ícone do Besiktas, mas mais tarde acabou por ser dispensado do clube. Indiscutivelmente, nem tudo se sabe sobre a vida de Quaresma; sabe-se, porém, que muitas más decisões que foi tomando ao longo da sua vida acabaram por influenciar o seu futuro, quer profissional quanto pessoalmente.

Na época passada, Pinto da Costa resgatou Quaresma ao Médio Oriente, sendo que mais uma vez este jogador estava com problemas com o seu clube. Quaresma chegou numa altura em que faltavam referências ao plantel azul e branco e veio, sem dúvida, dar uma enorme alegria à sua massa adepta. O “Harry Potter”, o “Mustang”, o “Cavalo Lusitano” estava de volta. Quaresma trouxe magia aos relvados do Dragão, trouxe assistências, trouxe golos, trouxe grandes exibições! Todavia, não foi suficiente para que Paulo Bento o levasse ao Mundial do Brasil. Esta foi, talvez, a maior tristeza da sua carreira, dado que ninguém lhe pode apontar não ter dado tudo neste regresso ao Dragão.

Novo ano, novo treinador e, todavia, a irregularidade está de volta… Ora titular, ora capitão, ora joga dois minutos, ora não é convocado, ora passa o jogo no banco! Quaresma parece ainda não ter convencido Lopetegui… No entanto, olhando bem para o seu percurso, será que Quaresma precisa de convencer alguém de que merece um lugar na equipa? Há uma frase, dita na última época, que jamais sairá da memória dos portistas: “Este é o clube que eu amo e respeito; se tiver de morrer em campo por este clube, morrerei sem problema nenhum”!

Porém, a qualificação para o Europeu 2016 marcou o regresso de Quaresma à seleção – a dupla de ouro dos sub-21 voltou a jogar junta! Quaresma e Ronaldo! “Oliver Tsubasa e Tommy Misaki”! E qual foi o resultado? Um fantástico cruzamento de Quaresma para um golo de Ronaldo já depois dos 90 minutos! E um golo no jogo anterior.

Concluindo, a escassez de jogadores nacionais no FC Porto é uma realidade. Tendo um jogador desta envergadura no plantel não será uma certeza que tem de jogar? Terá, por exemplo, Adrián Lopez mais qualidade do que o Harry Potter? Claro que Quaresma é e sempre será irregular – sempre será capaz de fazer um golo do outro mundo e de ser expulso no minuto seguinte, ou de fazer três golos num jogo e passar os dois jogos seguintes a passear em campo. Mas, mesmo sendo isto uma possibilidade, Quaresma é um jogador da casa, é um jogador que as crianças têm como ídolo! É um mágico que precisa de confiança para espalhar a sua magia. A mesma confiança que, em tempos, lhe foi dada por Jesualdo Ferreira ou que lhe foi dada agora por Fernando Santos na seleção nacional – no fundo, a confiança que Lopetegui precisa de lhe dar…

Ricardo Quaresma allez! Ricardo Quaresma allez!

O Bobo da Corte

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Tal como ocorria nos serões palacianos da idade média, ontem tivemos a oportunidade de assistir à actuação de um bobo no horário nobre da televisão portuguesa. Mas, ao contrário do que acontecia há séculos atrás, este “palhaço” não era inteligente ou sagaz como os seus antigos colegas, antes pelo contrário.

De estatura pequena e cabelo grisalho, inspirado talvez em Triboulet, a verborreia contínua que apresentou tinha todos os princípios básicos de uma tragicomédia. Alguém que se mostrou inútil, incapaz, e que levou o Sporting Clube de Portugal ao ponto mais baixo da sua história, não só desportivamente mas em todos os prismas possíveis; conseguia tornar tudo isso num mundo perfeito de gestão, tornando o seu mandato algo brilhante.

A necessidade urgente de um internamento psiquiátrico passou-me pela cabeça ontem: claramente o Eng.Godinho (ler Engodinho) Lopes estaria a ter acessos de loucura, de alguém que vive numa realidade paralela e num constante ilogismo. Dizer que a recuperação financeira e desportiva a ele se deve é algo que devia dar direito a um colete de forças. O homem que quase sozinho destruiu o que levou mais de um século a criar tinha de estar senil para ter aquele discurso.

Vejamos: sobre Izmailov o senhor Bobo referiu que os critérios que levaram à renovação de contrato com o russo foram racionais, uma vez que o jogador iria ao Euro-2012… O que não referiu foi que o jogador jogou apenas 20 minutos nessa mesma competição, 11 no jogo frente à Polónia e 9 frente à Grécia. Tendo em conta que a renovação foi de 2,5 milhões de euros por época, cada minuto em campo no Euro 2012 custou ao Sporting 125 mil euros! Um génio louco, mas um génio!

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“Punchline” ou loucura?
Fonte: thumbs.web.sapo.io/

Voltei a pensar em mandar a ambulância aos estúdios da RTP; aquele senhor claramente estava a ter um ataque de alucinações, mas depois lembrei-me dos bobos da corte… Acalmei-me, pousei o telefone e assisti ao espectáculo de “Sit-down Comedy”.

O tema seguinte foi a excelente caminhada do Sporting durante o seu mandato, o 3º lugar no campeonato (o que durante os anos do Projecto Roquette era quase um título), a meia-final da Liga Europa ou a final da Taça de Portugal, brilhantemente perdida frente a uma medíocre Académica. Também referiu o facto de a equipa B ir no terceiro treinador nesta época, algo que claramente não aconteceria no seu mandato; que o digam Sá Pinto, Oceano, Vercauteren ou Jesualdo!

Infelizmente, o espectáculo gratuito (muito obrigado, RTP, pelo serviço público) estava perto do fim, o que me deixou com um misto de sensações. Se por um lado estava deliciado com a capacidade que aquele Bobo tinha de me fazer rir, por outro sentia vergonha alheia e preocupação pela saúde mental daquele senhor.

Optimista como sou, acho que este senhor claramente devia largar a Engenharia Civil e dedicar-se ao mundo da comédia. Adeus Bruno Nogueira ou Chris Rock, o Eng.Godinho está aqui para ficar!

Próxima paragem: Odivelas

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Decorem estas datas e marquem na vossa agenda pois o melhor do futsal vai estar presente num palco português. De 18 a 23 de Novembro, o Sporting será o anfitrião de um dos quatro grupos da Ronda de Elite da Taça UEFA. O Barcelona (campeão europeu em título), o Kairat Almaty (Cazaquistão) e o Chrudim (República Checa) juntam-se à formação leonina ao acolher os restantes grupos da competição. E como uma boa notícia nunca vem só – apesar de já estar definido anteriormente -, os leões serão também cabeças de série, tal como os homens do Barcelona, do Kairat Almaty e do Araz Naxçivan (Azerbaijão).

A competição

Foram 24 as equipas que participaram na Fase Principal da Taça UEFA para tentar garantir um lugar na Ronda de Elite. O Barcelona, o Sporting, o Kairat Almaty e o Araz Naxçivan foram “excluídos” desta etapa por terem a melhor classificação no ranking e, consequentemente, estarem automaticamente apurados para a Ronda de Elite.

Assim sendo, as restantes 24 equipas foram divididas em seis grupos, dos quais se apuraram os vencedores de cada um, bem como os segundos classificados. De facto, um dos segundos classificados que superaram esta fase da prova será mesmo anfitrião da ronda de elite (o já referido Chrudim).

A Ronda de Elite irá contar então com as seguintes equipas:

Cabeças-de-série: 
FC Barcelona (ESP, campeão)
Kairat Almaty (CAZ)
Araz Naxçivan (AZE)
Sporting Clube de Portugal (POR)

Vencedores de grupos da fase principal: 
Sporting Clube de Paris (FRA, Grupo 1)
FK Nikars Riga (LVA, Grupo 2)
ISK Dina Moskva (RUS, Grupo 3)
Inter FS (ESP, Grupo 4)
Baku United FC (ENG, Grupo 5)
MVFC Berettyóújfalu (HUN, Grupo 6)

Segundos classificados dos grupos da fase principal:
FK EP Chrudim (CZE, Grupo 1)
FC Grand Pro Varna (BUL, Grupo 2)
Futsal Team Charleroi (BEL, Grupo 3)
Lokomotiv Kharkiv (UKR, Grupo 4)
KMF Ekonomac Kragujevac (SRB, Grupo 5)
Slov-Matic Bratislava (SVK, Grupo 6)

Estas 16 equipas disputarão a derradeira fase da Taça UEFA com o objectivo claro de demonstrar toda a sua qualidade, bem como representar da melhor forma possível o seu país.

Espera-se um Barcelona demolidor nesta competição Fonte: Germán Paga/FCB
Espera-se um Barcelona demolidor nesta competição
Fonte: Germán Paga/FCB

Na frente do pelotão podemos colocar o Barcelona, por todos os resultados que tem conseguido alcançar ao longo dos últimos anos. Se tivermos em conta as últimas três edições da Taça UEFA, esta equipa protagonizou duas finais – as quais acabou por vencer nas épocas 2011-2012 e 2013-2014 – e marcou presença na Final Four de 2012-2013. São, de facto, feitos de que poucas equipas se podem gabar.

Atenção igualmente redobrada para o ambicioso Inter, equipa onde actuam os portugueses Ricardinho e Cardinal. A formação espanhola deseja certamente tornar-se tetracampeã, sendo vigiada de perto pelo Barcelona, que procura o terceiro título. Os rivais que se entendam!

Muitos adeptos aguardarão pelas exibições mágicas de Ricardinho Fonte: LNFS
Muitos adeptos aguardarão pelas exibições mágicas de Ricardinho
Fonte: LNFS

Posso também referir um cabeça de série que poderá dar dores de cabeça aos seus adversários. O Kairat Almaty, do Cazaquistão, é já uma equipa conhecida desta Ronda de Elite. Na verdade, desde que a competição se encontra no actual formato (2006-2007), esteve presente nesta fase em todas as temporadas, sagrando-se até campeão em 2012-2013.

Quanto aos “novos rostos”, o Dina Moskva é o único estreante desta época que consegue atingir a Ronda de Elite, enquanto o Varna, o Baku e o Sporting Paris são os primeiros clubes dos respectivos países a alcançarem esta fase.

Por fim, mas não menos importante – muito pelo contrário –, o Sporting tem pela frente mais uma árdua tarefa. Depois de ter alcançado a Final Four em 2011-2012, prepara-se para mais um desafio que só poderá trazer coisas positivas ao seu jogo e à forma como aborda o Futsal. E relembro: jogando em casa com os seus adeptos presentes tudo se torna mais emocionante.

O sorteio realizar-se-á hoje pelas 13h, e fazemos todos figas para que a sorte sorria à equipa portuguesa quanto aos adversários que terá de enfrentar no seu grupo.

Roger Federer e a sua eternidade

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Sou um apaixonado por ténis e, como tal, uma das minhas grandes referências é Roger Federer. Detentor de 17 títulos do Grand Slam, o suíço apaixona qualquer amante da modalidade. No início desta temporada muitos especialistas afirmavam que o tempo de Federer tinha acabado. Depois de uma temporada desastrosa, o suíço alcançou as meias-finais do Australian Open, onde só perdeu para Rafael Nadal, a sua grande besta negra.

A parceria com Stefen Edberg começou a dar os seus frutos eos resultados foram sendo muito satisfatórios: titulo no ATP 500 do Dubai, finalista nos Masters 1000 de Indian Wells e Monte Carlo, vencedor do ATP 250 em Halle, vice-campeão em Wimbledon, finalista no Masters 1000 do Canadá e campeão no Masters 1000 de Cincinnati. Todos estes resultados relançaram Federer na luta pela primeira posição do ranking. O suíço perdeu uma grande oportunidade ao ser derrotado nas meias-finais do US Open por Marin Cilic, futuro campeão, que parecia em estado de graça.

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Aos 33 anos, Federer ainda pode tentar a conquista da Taça Davis. Será que vai conseguir?
Fonte: ibnlive.in.com

O Masters 1000 de Shangai pode ter sido o ponto de viragem. Federer até nem começou muito bem a semana, tendo inclusive de salvar match-points frente ao argentino Leonardo Mayer, mas Roger sobreviveu e foi jogando cada vez melhor ao longo do torneio. No encontro das meias-finais, defrontou Djokovic – usando e abusando do serviço-volley e exibindo-se ao mais alto nível, Roger Federer derrotou o sérvio e acabou assim com a série vitoriosa de Djokovic em terreno chinês (28-0). Como consequência da excelente prestação no torneio, o suíço recuperou a 2.ª posição do ranking mundial e está na luta pela liderança.

Chegou a altura em que Federer terá de fazer escolhas: a posição cimeira do ranking ou a Taça Davis. Restam dois grandes torneios – o Masters 1000 de Paris e o Barclays ATP World Tour Finals – e ainda a Taça Davis. Em condições normais, o ex-campeão do Portugal Open investiria em todos estes torneios, mas a idade assim não o permite e Roger tem de ter bastantes cuidados com a sua condição física. Ele próprio o admitiu: “eu nunca sei como o meu corpo vai recuperar”. Federer já assumiu o desejo de conquistar a Taça Davis, colmatando assim uma grande falha no seu curriculum. No entanto, a tarefa não se adivinha nada fácil. A França é uma seleção muito forte e, com o apoio dos seus adeptos, será um adversário muito difícil de bater.

Irá Roger Federer apostar no regresso à primeira posição do ranking ou na conquista da Taça Davis? Chegará aos dois objectivos ou vai morrer na praia? São questões para serem respondidas num emocionante final de temporada.

Quando o Olimpico não chamava por Francesco Totti

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No Stadio Olimpico da “Cidade Eterna” ainda ecoam cânticos em seu nome – em nome daquele que tinha a mente de um defesa e os pés de um fantasista. Elegante mas potente, brilhante na leitura do jogo, monstruoso no jogo aéreo, perfeito no posicionamento e insuperável na antecipação. Quando estava em campo, a Roma sentia-se invulnerável – tinha alguém que prevalecia sobre os atacantes, tinha Aldaír Nascimento Dos Santos. Antes de Francesco Totti, a Roma tinha em Aldaír o seu símbolo máximo e quando juntou estes dois a Cafú, Montella e Batistuta alcançou o tão merecido scudetto!

Aldaír nasceu na Bahia e foi o Flamengo que deu os primeiros passos no mundo do futebol. Jogou pelo clube carioca entre 86 e 89, transferindo-se em 1989 para o Benfica de Sven-Göran Eriksson. Na época de 89/90 chegou à final da Taça dos Campeões Europeus, onde viria a ser derrotado pelo AC Milan, tendo ainda assim conquistado o campeonato nacional. Segundo se diz por terras transalpinas, na final com o Milan o defesa encantou Dino Viola e o então presidente da AS Roma decidiu levá-lo para o clube italiano.

Em 90/91 começava a jornada giallorossi de um dos mais aclamados jogadores no Olimpico. Os 13 anos em que defendeu as cores da AS Roma são lembrados pelos adeptos romanos como um dos períodos mais felizes da história do clube e muita dessa felicidade deveu-se a Aldaír Nascimento Dos Santos. Um dos episódios mais marcantes dessa história passou-se a 11 de Abril de 1999, dia de derby na capital italiana. A Roma ganhava por 2-1. Aldair recebeu a bola, Alen Boksic pressionou-o; seguiram-se três dribles consecutivos de Aldair e um remate contra a perna do croata para conquistar pontapé de baliza. Em seguida, agarrou na bola, deu-a ao adversário e disse-lhe que seria a única vez que ele tocaria nela.

Aldair era uma das principais figuras da Super-Roma do início do século  Fonte: asromaultras.org
Aldair era uma das principais figuras da Super-Roma do início do século
Fonte: asromaultras.org

Pela AS Roma, Aldair conquistou um scudetto, uma Taça de Itália e uma Supertaça de Itália. Pela canarinha completou 81 internacionalizações, venceu o Mundial de 1994, duas Copas América e uma Taça das Confederações.

Foram 415 jogos pelo emblema da cidade eterna, muitos deles a carregar a braçadeira de capitão e para qualquer giallorossi a carreira do ícone brasileiro acabou em 2003, quando na mais profunda das tristezas o Stadio Olimpico se despediu dele. A alma, a garra, a classe e o profissionalismo com que o brasileiro defendeu o emblema romano foram de tal forma exemplares que, após a sua saída, a AS Roma retirou a camisola 6 em sua homenagem. Na frieza dos factos, a carreira de Aldaír acabou em 2010 pelo Murata, de San Marino, e a camisola 6 da Roma encontrou novo dono em 2013. Mas o que interessam os factos, quando arruínam uma verdadeira história de amor entre adeptos, clube e jogador? Nada! Futebol é isto e é lindo de se ver, ouvir e ler!

A camisola 6 de Aldair foi entregue a Strootman em 2013  Fonte: asromaultras.org
A camisola 6 de Aldair foi entregue a Strootman em 2013
Fonte: asromaultras.org

Da formação também saem craques

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Alexandre Lacazette e Paco Alcácer. Dois jovens em grande forma, que têm brilhado nos respectivos campeonatos e que, pelo potencial que apresentam, podem ser avançados de referência no futebol europeu durante vários anos.

No Valência, que está a ser a grande sensação da Liga Espanhola, vários jovens têm estado em destaque. Rodrigo e André Gomes, ex-Benfica, e Gayá, lateral-esquerdo na linha de Jordi Alba e Bernat, têm feito excelentes exibições, mas a principal figura tem sido Paco Alcácer. Formado no Mestalla, o jogador de 21 anos tem dado continuidade às boas indicações que deixou na época passada, assumindo um papel preponderante na equipa de Nuno Espírito Santo. O espanhol não vive exclusivamente de golos (apesar de já levar 4 no campeonato) e, a actuar como único avançado de um 4-2-3-1, Paco destaca-se pela sua inteligência na leitura de jogo, ora dando apoio frontal, ora procurando os corredores laterais. Num conjunto em que os alas (Piatti e Rodrigo) e o médio ofensivo (André Gomes) têm demonstrado enorme facilidade de aparecer em zonas de finalização, o jovem tem tido sucesso no capítulo das assistências, somando 4 até ao momento.

Nuno terá uma boa dor de cabeça quando Negredo estiver recuperado. Tendo em conta o que tem feito o actual titular, terá de ser o ex-jogador do City a provar que merece a titularidade, havendo também a possibilidade (pouco provável nesta fase) de o técnico português optar por um sistema com dois avançados. A alternativa, e única maneira de os dois avançados serem compatíveis, é deslocar Paco para o flanco direito, onde tem jogado Rodrigo.

Paco Alcácer protagonizou uma estreia fulgurante pela selecção principal  Fonte: gentevalencia.com
Paco Alcácer protagonizou uma estreia fulgurante pela selecção principal
Fonte: gentevalencia.com

A evolução que Paco tem tido no Valência não passou despercebida a Del Bosque, que já vê o jovem como a segunda opção para o ataque, logo atrás de Diego Costa. O avançado tinha marcado no encontro na Eslováquia (derrota por 2-1) e foi premiado com a inclusão no 11 que alinhou frente ao Luxemburgo (em simultâneo com o hispano-brasileiro). Paco correspondeu e somou o terceiro golo na qualificação, com apenas 3 remates feitos. O instinto e a eficácia que tem vindo a demonstrar no Mestalla foram transportados para a selecção, o que representa mais um passo importante na afirmação do jovem ao mais alto nível. O problema do Valência é que Paco tem uma cláusula de rescisão de apenas 18 milhões de euros, o que poderá fazer com que rume rapidamente a outras paragens.

Num Lyon bem diferente daquele que dominou o futebol francês durante vários anos, Alexandre Lacazette tem sido claramente a figura maior. Saído da formação do clube, que tem revelado alguns talentos nos últimos anos (Anthony Lopes, Umtiti e Fekir são os últimos), o avançado é um elemento muito acima da média no Olympique e, se continuar em boa forma, será um alvo muito apetecível para emblemas com outro poderio. Aos 23 anos, o francês está um jogador diferente de quando começou a sua carreira; inicialmente era um jogador de ala, explosivo e forte tecnicamente, mas agora, apesar de manter essas características, é um avançado mais completo, tendo evoluído bastante no capítulo da finalização. Leva já 7 golos no campeonato, 3 deles apontados ao Lille na última jornada.

Lacazette tem sido o grande destaque do Lyon esta época  Fonte: madeinfoot.com
Lacazette tem sido o grande destaque do Lyon esta época
Fonte: madeinfoot.com

Internacional pela selecção gaulesa, Lacazette tem uma concorrência fortíssima na luta por um lugar na convocatória. Benzema é indiscutível e não faz parte destas contas, Gignac é o melhor marcador do campeonato francês, Remy é um jogador da confiança de Deschamps (treinou-o no Marselha) e ainda há Giroud. Tendo em conta que o Lyon é actualmente uma equipa modesta, o avançado terá mais condições de ir à selecção regularmente se provar que consegue destacar-se num emblema mais competitivo. Não faltam interessados no seu concurso e, tal como Paco Alcácer, deverá chegar mais cedo ou mais tarde aos grandes palcos.