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Quando nem Cristiano é solução

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Insosso, inerte e débil.

Esta é a maneira mais correta de caracterizar a equipa que foi ao Santiago Bernabéu golear o Real Madrid CF, por 0-3, e garantir o acesso à final da Taça do Rey. Naquele que foi o El Clássico mais fraco e pobre dos últimos anos.

A equipa de Solari foi incapaz de penalizar a quantidade assustadora de erros que a equipa do Barcelona acumulou ao longo dos 90 minutos e isso é verdadeiramente preocupante para o atual campeão europeu. Perante um Barcelona insosso, onde Messi não efetuou nenhum remate à baliza, irreconhecível no momento de transição defensiva, doía ver Busquets em campo, e que confundiu constantemente controlo com inação o Real foi, novamente, humilhado em caso perante o seu grande rival.

Não vale a pena esconder e negar, que o Real Madrid sentiu a falta de Cristiano Ronaldo. Principalmente nos grandes jogos, onde a baliza fica mais pequena e o Guarda-Redes adversário fica com o dobro do tamanho. Faltou a frieza para matar, faltou golo.

Agora, com Cristiano ontem em campo o Real tinha ganho? Arrisco-me a dizer que não, e esse é o precisamente o ponto. Todas as ocasiões de golo que Real Madrid gerou foram criadas por Vinícius. Não aconteceram pela intervenção coletiva, mas do brilhantismo e da irreverência dos 18 anos do brasileiro.

Fonte: Real Madrid CF

O Ronaldo que hoje conhecemos não têm esta capacidade para criar situações de golo, é um animal diferente. Um que independentemente da magnitude da ocasião, da pressão, se a equipa for capaz de lhe criar um contexto favorável para ele dizer “matar”, CR7 nunca perdoa. Assim, a chave para o Real Madrid de hoje não é Ronaldo, porque este Real é coletivamente incapaz de criar ocasiões, criar o tal contexto favorável.

A facilidade com que Vinícius mudava de velocidade, ultrapassava adversários, e ficava cara a cara com Ter Stegen era notável, mas esta não pode ser a única forma de uma das maiores equipas do futebol mundial criar perigo.

Não se pense que este filme estreou na última noite. No reinado de Solari, já o vimos várias (demasiadas) vezes, em especial frente a AFC Ajax, Club Atlético de Madrid e Real Bétis Balompié. Uma equipa trabalhadora, solidária, com um grande foco na solidez defensiva, que deixa para segundo plano o talento e o risco.

É um guião engraçado, mas que não serve para quem ambiciona vencer um Oscar, ou pelo menos lutar por ele.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por: Jorge Neves

Os convocados de Tite para os primeiros jogos do ano

O técnico Tite convocou os 23 jogadores que disputarão os primeiros amistosos da Seleção Brasileira em 2019. O Brasil enfrentará o Panamá, no Porto, e a República Checa, em Praga. Os jogos servirão de preparação para a Copa América que será disputada no Brasil em junho e julho desse ano. Podemos considerar que o amistoso contra o Panamá será mais um que não acrescentará muita coisa para a seleção. A CBF arranjou mais um jogo contra uma seleção tecnicamente muito inferior e que não deverá criar resistência ou exigir muito do Brasil. Talvez o jogo valha mais pela festa em que o Estádio do Dragão se transformará, afinal muitos brasileiros vivem na Invicta e os próprios portugueses costumam prestigiar a seleção canarinha. Se analisarmos bem, nem o jogo contra a República Checa será de grande desafio para o Brasil.

Contudo os jogos estão marcados e a convocação está feita. Veja a lista dos convocados:

Goleiros: Alisson (Liverpool), Ederson (Manchester City) e Weverton (Palmeiras);

Defensores: Alex Sandro (Juventus), Daniel Alves (PSG), Danilo (Manchester City), Éder Militão (Porto); Filipe Luís (Atlético de Madrid), Marquinhos (PSG), Miranda (Inter de Milão) e Thiago Silva (PSG);

Meio-campistas: Allan (Napoli), Arthur (Barcelona), Casemiro (Real Madrid), Fabinho (Liverpool), Felipe Anderson (West Ham), Lucas Paquetá (Milan) e Philippe Coutinho (Barcelona);

Atacantes: Everton (Grêmio), Firmino (Liverpool), Gabriel Jesus (Manchester City), Richarlison (Everton) e Vinicius Junior (Real Madrid).

No gol as convocações de Alison e Ederson eram esperadas. O terceiro goleiro chamado foi Weverton que faz boa temporada no Palmeiras.

Nas laterais, se pensarmos em Copa América a convocação do Daniel Alves faz sentido, pois ainda é um jogador de qualidade. Porém, se considerarmos que o Brasil já deva começar a sua preparação para a Copa do Mundo de 2022 o jogador do PSG não deveria ser mais lembrado. Afinal, na Copa do Catar Dani Alves terá 39 anos e nem sabemos se ainda estará atuando. Ainda nas laterais faltou algo novo. O lateral do FC Porto, Alex Telles, há algum tempo pede passagem na seleção e encaixaria perfeitamente no lugar do Filipe Luís. Também não podemos ignorar a ausência do Marcelo que mesmo não vivendo a sua melhor fase, ainda é um jogador de extrema qualidade.

Na zaga a grande novidade é o excelente Éder Militão. O Portista é um zagueiro moderno e que tem uma ótima saída de bola. A princípio a zaga titular deve ser formada por Marquinhos e Thiago Silva. Mas Militão poderá virar protagonista na próxima Copa do Mundo. Para o lugar do Miranda quem deveria ter sido lembrado é o Dedé, do Cruzeiro. O cruzeirense vive melhor fase e merece uma chance na Seleção Brasileira.

Vinícius Júnior terá a sua primeira experiência na seleção principal do Brasil. A expectativa sobre o ex-jogador do Flamengo é alta.
Fonte: CBF

No meio campo a surpresa é Felipe Anderson do West Ham. O jogador faz uma bela Premier League e a convocação faz juz. Lucas Paquetá também terá a sua chance na seleção. O atleta recém-chegado ao Milan tem tudo para evoluir taticamente e isso lhe acrescentará muito. Pensando em um time titular, Paquetá pode jogar a frente do Arthur e do Casemiro. Talvez a única convocação contestável para o setor seja do Philippe Coutinho. Desde que chegou ao Barcelona o ex-atleta do Liverpool não se encontrou. O jogador foi contratado para fazer a linha de três do Barça com Suarez e Messi, mas vê o jovem francês Dembelé se sobressair e tomar o seu espaço. Não descarto o Coutinho em futuras convocações, mas nessa quem poderia ter tido uma chance é o atacante Dudu do Palmeiras. O palmeirense vem jogando muito bem e foi eleito o melhor jogador do último brasileirão. Porém, na seleção não vem tendo chances.

Mas é no ataque que vem a grande, e grata, novidade do Tite. A convocação do Vinícius Júnior é justa e pode mostrar a “nova cara” da seleção. Talvez o jogador do Real Madrid até divida as atenções com o Neymar. Vinícius Júnior vem demonstrando muita personalidade na Espanha. Com apenas 18 anos é titular da sua equipe e o jogador mais acionado em campo. De certa maneira assumiu a responsabilidade deixada pelo português Cristiano Ronaldo. Apesar que essa responsabilidade não deveria ser dele, afinal é muito jovem e acabou de chegar ao clube. Com essa idade ainda vai evoluir, essa evolução passa por decidir melhor como definir as jogadas e melhorar a sua finalização. Entretanto, o seu início de carreira é promissor e empolgante.

Agora vamos aguardar os amistosos para podermos avaliarmos como o “novo Brasil” após Copa do Mundo irá atuar. Ressalto que os adversários não darão muito parâmetro para uma análise mais profunda, mas de qualquer maneira poderemos observar algumas questões dentro de campo.

Foto de capa: CBF

 

As limitações de Marcel Keizer

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Marcel Keizer chegou a Alvalade e encantou. Com um registo de vitórias e de golos marcados face a golos sofridos, dignos de registo, colocou as expetativas dos adeptos leoninos novamente em alta. No entanto, apesar deste começo empolgante, a verdade é que os Leões desde o jogo com o Vitória SC, nunca mais se encontraram e tem sido cada vez mais preocupante o rendimento dos leões, juntamente aos maus resultados que apresentam.

É verdade que Marcel Keizer entrou a meio da época, com um plantel não construído por si, com erros de pré-época que não foram cometidos por ele de igual forma, mas José Peseiro deixou o comando técnico a 2 pontos do primeiro lugar. Neste momento o Sporting CP já vai a onze do FC Porto e com uma luta pelo terceiro lugar muito renhida, frente a um SC Braga que se afirmou ao longo dos últimos anos. E nisto a culpa terá de ser de Keizer.

Foi Keizer quem colocou o Sporting CP a jogar melhor? É um facto. Mas a verdade é que os resultados vão sempre superar as boas exibições. Nem sempre se joga bem e ganha-se, mas nos últimos anos a grande diferença entre os três grandes é precisamente essa: FC Porto e SL Benfica mesmo não jogando tão bem conseguiam ganhar maior parte dos jogos, o Sporting CP não. José Peseiro não apresentava um futebol vistoso mas os adeptos olhando para a diferença pontual na sua saída para os dias de hoje, acabam por ser muito mais críticos com o atual treinador e a questionar até se José Peseiro não faria igual ou melhor.

Eu não gosto nem de José Peseiro nem de Marcel Keizer. Não são treinadores para o Sporting CP e para as suas ambições. Face ao que aconteceu recentemente em Alvalade era preciso alguém com um pulso mais firme no balneário, algo à semelhança do que faz Sérgio Conceição no FC Porto.

Mas entre um e outro, gostava da ideologia inicialmente apresentada por Marcel Keizer. Disse gostava porque uma das vantagens do técnico holandês foi por água abaixo muito rapidamente. A ideia de jogo fluída, apoiada, com pressão alta, com um futebol vistoso mesmo que o processo defensivo fosse muito débil, que permitia ao Sporting CP marcar vários golos e sair por cima dos adversários, foi substituída por um futebol novamente lento, previsível, sem ideias e sem soluções. Juntando ainda o facto de a aposta na formação/jovens jogadores ter sido uma breve miragem.

Jovane Cabral, Miguel Luís, Bruno Paz, Pedro Marques, Thierry Correia ou até Abdu Conté foram alguns nomes que foram surgindo nas convocatórias e alguns tiveram, inclusive, minutos na Liga Europa. E era esta a ideia que Keizer trazia mas que se desvaneceu. Apenas Jovane e Miguel Luis foram aposta e cada vez com menos tempo e visibilidade, chegando inclusive a jogarem nos sub-23. Francisco Geraldes regressou de um empréstimo e conta com sensivelmente 15 minutos de jogo.

Marcel Keizer chegou com uma filosofia de não se agarrar a uma equipa-base para passar a usar sempre a mesma equipa. Com a quantidade de jogos que os grandes clubes têm de disputar actualmente, começa a não fazer grande sentido o conceito de equipa-base. Os jogadores têm grande desgaste, sofrem lesões com frequência, há castigos, pelo que a equipa tem de estar sempre a mexer. Além de que, deste modo, se mantêm todos os jogadores motivados. No entanto, Keizer insiste sempre nos mesmos jogadores e sobretudo em jogadores que não rendem o que devem render e que não acrescentam nada ao processo ofensivo, quer defensivo dos Leões.

Por exemplo, Nemanja Gudelj na teoria tem uma ótima meia distancia, um ótimo passe e visão de jogo, no entanto nunca remata ou remata mal, nos passes não é vertical, apenas lateraliza ou joga atrás. Faz o mesmo que Petrovic basicamente. É incrível como com a chegada do jovem Idrissa Doumbia, que demonstrou excelentes indicadores e até por todas as lacunas que o plantel leonino tem, não seja de titular de caras sobretudo pelas suas características individuais: uma enorme aliança entre o ponto de vista físico e o ponto de vista técnico.

Outro exemplo é o de Bas Dost. De goleador passou a um jogador nulo em campo. Desmotivado ou não, Dost não é um jogador de equipa grande. Não é. Marca muitos golos? Sim. Mas marca muitos de penalty ou muitos de encostar que qualquer um faria. É a minha opinião. E eu prefiro um jogador que marque menos mas que dê mais à equipa, que participe mais no jogo, que defenda, que ataque. Enfim, que faça um pouco de tudo, permitindo naturalmente à equipa criar mais oportunidades. Não marca 20 ou 30 golos, marca 10 ou 15 mas a equipa no seu coletivo irá ter uma performance melhor e naturalmente outros jogadores irão acabar por fazer golo.

Dost neste momento não liga o jogo ofensivo, não pressiona (aliás, nunca o fez), não reage à perda da bola e o mais gritante de tudo – sobretudo no jogo contra o Villarreal – é não ajudar na organização defensiva. O Sporting CP jogou quase uma parte inteira com menos um jogador e Dost andou na frente, no meio dos únicos 2 jogadores da equipa espanhola, à espera que a bola lhe chegasse como por milagre. Quando chegava, oferecia sempre a bola aos jogadores adversários. Foi desgastante assistir a este jogo, sobretudo neste ponto de vista mais tático que prejudicou a eliminatória.

A eliminatória europeia ficou comprometida com a abordagem de Keizer
Fonte: Sporting CP

A verdade é que recentemente, Keizer conseguiu surpreender o SC Braga com um 3x4x2x1 ou 3x4x3 e a equipa beneficiou e muito nesse jogo desse sistema. Surpreendeu, ganhou de forma inequívoca e a equipa parecia novamente mais solta. Mas durou apenas um jogo. Como se costuma dizer, um relógio parado está sempre certo duas vezes num dia. E é aqui que quero chegar e é aqui que o titulo do artigo começa a fazer todo o sentido. O holandês começou com um 4x3x3 e funcionou, começou a ser previsível e começou a ter maus resultados e a perder o rumo e o controlo da situação. Alterou ao fim de N jogos para o tal 3x4x3 que só voltou a funcionar na perfeição num jogo.

Depois juntando a isto, a capacidade para ler o jogo e para mexer na equipa é nula! Nula! Mexe numa equipa aos 70/75 minutos. Raramente gasta as substituições todas, maior parte das vezes mexe mal: um treinador nunca pode deixar Dost em campo tendo em conta a situação da eliminatória da Liga Europa na altura da expulsão, era preciso meter jogadores mais rápidos e frescos, procurando o contra-ataque.

Mas o que fez o holandês? Tira Diaby, mete Raphinha. Permanece Dost, tenta defender em 4x4x1 ou em 5x3x1 em que muitas vezes era Bruno Fernandes a defesa esquerdo, completamente esgotado. Vejo um treinador em casa, a perder com o eterno rival e a primeira solução que vejo saltar do banco é Petrovic. O mercado de Janeiro, com as saídas de Nani e Montero só permitiu ao Sporting CP piorar o seu plantel, quer a nível tático mas sobretudo a nível técnico.

Enfim, uma panóplia de más decisões que Marcel Keizer tem tomado e mais pressão sobre a direcção de Frederico Varandas. Muito dificilmente vejo o Sporting CP a chegar à final da Taça e a conseguir o terceiro lugar do campeonato. É e será uma época totalmente falhada quer por parte da direcção – que é o maior responsável pela situação atual do clube – quer por parte do treinador holandês que começa a revelar não ter a capacidade necessária para treinar em grandes palcos.

Foto de Capa: Sporting CP

O Benfica vai ser campeão de Voleibol

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O Campeonato Nacional de Voleibol ganhou nova vida com o ingresso do Sporting na temporada passada. O Benfica, clube que tem estado muito por cima nos últimos dez anos, ainda que por vezes não consiga expor o seu forte orçamento.

A entrada do Sporting a ser logo campeão foi uma forte machadada no orgulho benfiquista e, para evitar que tal situação se repetisse, a equipa fez um forte investimento, com o regresso de Rapha ou os ingressos de Théo Lopes e Nuno Pinheiro.

O reforço Théo Lopes é melhor pontuador encarnado no Campeonato
Fonte: SL Benfica

Nesta temporada, o Benfica já venceu por quatro vezes o Sporting, na Supertaça, duas vezes no campeonato e uma vez durante a pré-temporada. Mostrando uma superioridade evidente do clube encarnado.

Se nas primeiras três vitórias podia-se falar num maior entrosamento do Benfica em relação ao Sporting, nesta última vitória tal não se pode dizer, visto estarmos numa altura já avançada da temporada.

O plantel do Sporting, em teoria, podia ser melhor que o do Benfica. Mas na prática, que é o que interessa, o plantel encarnado está a mostrar a sua qualidade e também entrosamento de vários anos.

Tudo o que já vimos este ano, quer no confronto direto, quer em vários outros duelos, além de um provável fator casa para a final, mostra que em 2018/2019 o Benfica está mais forte que o Sporting e, como tal, vai ser campeão este ano.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Crise financeira teima em não deixar o Vitória FC

Na última semana a frágil saúde das finanças do Vitória FC voltou a ser notícia, depois de anunciado mais um Plano Especial de Revitalização (PER) – o terceiro em seis anos – que mostrou as dívidas astronómicas dos sadinos e o largo rol de credores que exigem pagamentos em atraso junto ao emblema setubalense.

Depois de um primeiro PER em 2013, que garantiu um perdão de parte da dívida de 29 milhões de euros do Vitória FC, seguiu-se um segundo plano em 2016, que acabou considerado nulo pelo Supremo Tribunal de Justiça e contribuiu para a saída de Fernando Oliveira da presidência dos sadinos.

Já neste terceiro plano o emblema setubalense apresenta dívidas que chegam aos 20 milhões de euros, mais de metade desse valor devido ao Estado (Segurança Social e Autoridade Tributária), mas também com antigos atletas, treinadores e clubes de futebol na fila para receber o devido pela SAD do Vitória FC. Nomes como Luis Felipe, Pedro Queirós, Amuneke, José Couceiro, Benfica e Sporting da Covilhã fazem parte dessa lista de credores.

As batalhas dos sadinos com os problemas de tesouraria já são antigas. Pelo menos desde 2006 que há dores de cabeça nas finanças do Vitória FC, altura em que o plantel ameaçou fazer greve devido aos salários em atraso, com a situação resolvida após a venda de Moretto para o SL Benfica. Desde então, cada vez aparecem mais credores à porta do Estádio do Bonfim, com relatos de salários em atraso a repetirem-se ano após ano e a SAD sadina parece constantemente ligada às máquinas para continuar a viver na Primeira Liga.

A equipa sub-23 do Vitória FC está, alegadamente, com três meses de salários em atraso
Fonte: Vitória FC

Agora o leitor pergunta-se: “mas como é que o Vitória ainda está na Primeira Liga com tanta dívida acumulada?”. Pois, os responsáveis setubalenses têm tapado o sol com a peneira, ano após ano, com pequenas entradas de dinheiro aqui e ali, principalmente no mercado de inverno. As saídas de jogadores como o já falado Moretto, Cissokho, João Amaral ou Costinha deram receita suficiente para apaziguar as exigências dos credores até ao ano seguinte. Porém, uma gestão sempre no fio da navalha não pode ter futuro e com o passar dos anos cada vez mais os fantasmas de uma possível insolvência surgem, principalmente com as constantes lutas por não descer do Vitória FC.

A juntar a todos os ex-elementos e clubes a quem o Vitória FC tem dívidas, surgiram rumores através da página do Facebook “Training Compensation”, gerida pelo empresário Paulo Teixeira, de relatos dramáticos vividos no seio dos sadinos, desde empréstimos de milhares de euros em dinheiro vivo de origem duvidosa para garantir a inscrição dos setubalenses na Liga NOS, a vários meses de salários em atraso para todo o plantel sub-23 até a ordenados pagos através da conta de Vítor Hugo Valente, presidente dos vitorianos. A veracidade destas acusações ainda está por provar, mas com tantos casos divulgados de dívidas, não surpreenderia se fossem histórias reais.

Muita tinta vai rolar com mais este PER, mas as dificuldades no Vitória FC não são novidade e temos de questionar quanto tempo mais conseguirão os sadinos sobreviver na corda-bamba financeira. Será que se avizinha o fim de mais um histórico do futebol português? Esperemos que não, mas a ver vamos…

 

Foto de Capa: Vitória FC

A continuidade dos Big 3

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Novak Djokovic, Rafael Nadal e Roger Federer são, sem sombra de dúvida, lendas do ténis e do desporto mundial. Grupo de jogadores designado por Big 3, que tem no seu palmarés um total de 254 títulos (52 Grand Slams, 11 ATP Finals, 6 Davis Cups e 3 medalhas de ouro nos jogos olímpicos).

Porém, os anos vão passando e estes vão envelhecendo, surgindo várias perguntas nas cabeças dos amantes da modalidade: Quando Federer vai parar de jogar? Qual será o jogador com mais títulos de Grand Slam, quando os três se retirarem? Será que o Federer ainda vai ganhar mais algum Grand Slam? Até quando vão conseguir continuar a “dominar” o circuito? Vai existir algum jogador no futuro que poderá atingir os feitos que um dos Big 3 alcançou?

Algumas destas perguntas ninguém sabe responder, mas toda a gente tenta mandar o seu palpite, por isso ouvimos afirmações (boatos), como “O Federer vai-se retirar nos próximos Jogos Olímpicos porque só lhe falta a medalha de ouro na sua carreira” ou “O Djokovic depois de ter ganho o 15º Grand Slam, vai atingir os títulos em majors de Roger Federer”. Não passam de crenças e adivinhas, mas algo é certo, eles ganharam os últimos 9 Grand Slams, ou seja, a hegemonia ainda lhes pertence. Este ano, a final do Australian Open (1º Grand Slam do ano e único, até ao momento) foi entre o Novak Djokovic e o Rafael Nadal, apesar da vitória do sérvio em 3 sets só comprova que a idade para eles ainda não é problema.

Três jogadores com estilos de jogo bastante diferentes, cada um com as suas distintas personalidades e arrisco-me a dizer que Rafa é o melhor atleta, Novak é o mais completo e Roger é o mais perfeito, fazendo dos três juntos o que eu gosto chamar de divindade tenística. Tenistas que nasceram na mesma era defrontaram-se como nunca ninguém havia se defrontado e produziram uma rivalidade que não passaria nos sonhos de qualquer apaixonado pelo ténis, há 20 anos.

Golos com golos se pagam!

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FC Porto e SL Benfica medem forças este sábado num clássico que promete ser quente, dentro e fora de campo. As bancadas vão estar cheias e as expectativas são grandes, mas para já uma coisa é certa, independentemente do resultado, ainda nada fica decidido, apesar de poder ficar bem encaminhado, numa altura em que as duas equipas lutam efusivamente pelo título de campeão.

Desde a chegada de Bruno Lage que o SL Benfica tem subido exponencialmente de rendimento, com um registo ofensivo impressionante, mas nas contas do campeonato ganhar 10-0 ou 1-0 continua a valer três pontos. E, apesar de ofensivamente o FC Porto não ter os mesmos números, certo é que defensivamente é a equipa menos batida do campeonato e continua na liderança isolada. São números, mas no final de contas, todos os registos podem ser importantes.

No início de 2019, o FC Porto tinha mais sete pontos do que os encarnados mas, fruto de três empates, desperdiçou a vantagem e, neste momento, tem apenas mais um ponto. Com esses resultados aquém das expectativas, a equipa de Sérgio Conceição atravessou uma fase mais controversa, perdendo inclusive a Taça da Liga. No entanto, as coisas parecem ter voltado ao rumo desejado. Depois de dois empates consecutivos – diante do Vitória SC e Moreirense FC – e da derrota em Roma, o FC Porto voltou aos bons resultados, conseguindo vencer o Vitória FC, CD Tondela e, mais recentemente, o SC Braga.

Festejo da equipa no primeiro golo do FC Porto diante do Braga, a contar para a Taça de Portugal
Fonte: FC Porto

Diante da equipa de Abel Ferreira, o FC Porto conseguiu uma exibição de gala, com um domínio avassalador durante todo o jogo. Esse domínio acabou materializado em golos, com Brahimi a marcar um golaço de tirar o chapéu já no tempo de compensação.

Mesmo sem as principais referências do ataque, com Óliver a orquestrar o meio-campo, os portistas conseguiram superar as expectativas e colocar pé e meio no Jamor. O resultado avolumado responde aos resultados dos encarnados. Golos com golos se pagam. As duas equipas estão motivadas, mas num jogo destes é preciso mais do que saber marcar.

O treinador Sérgio Conceição conseguiu perceber que tem mais opções no banco, e opções de qualidade que podem ser uma mais valia. Os níveis de confiança aumentaram, a união está inabalável e tudo pode acontecer.

Frente a frente estará a equipa com mais golos marcados diante da equipa com menos golos sofridos… quem é que levará a melhor?

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Força da Tática: João Félix e o estou-me cagandismo

Há muito tempo atrás, o Seixal foi o local escolhido para o início da materialização do sonho de dois irmãos, que iria mudar para sempre a história de Portugal. Foi nessa cidade do Distrito de Setúbal que Paulo e Vasco da Gama construíram as embarcações para a viagem à Índia. 520 anos mais tarde, as margens do estuário do Tejo voltam a presenciar o início de uma nova história de sonho.

Este jovem não irá “navegar por mares nunca dantes navegados”, mas o único e fascinante “estou-me cagandismo” vai encantando as bancadas do Estádio da Luz.

Como todos sabemos, no próximo fim-de-semana o SL Benfica vai ao Estádio do Dragão para um jogo que será decisivo na luta pelo título. Félix vai marcar (novamente)? Assistir (novamente)? Colocar Seferovic em condições de decidir o jogo (novamente)?

Ninguém sabe, mas o tal “estou-me cagandismo” continuará a ser parte importante deste “novo” Benfica, que vai procurar assaltar a liderança azul e branca, com o veneno, a agressividade, e as chegadas constantes e de qualidade a zonas de finalização, que têm carterizado a equipa de Bruno Lage.

Afinal, o que é o “estou-me cagandismo”?

Para ter a resposta mais correta e verdadeira possível, só perguntando a Ricardo Araújo Pereira, que acredito ser o autor a quem “roubei” esta expressão. Contudo, recordo-me de pensar na primeira vez que o vi jogar João Félix: “Será que puto sabe quem é o adversário? Parece que está no parque”.

Agora, eu pergunto ao leitor: O que se recorda do SL Benfica x Sporting CP da 1ª volta?

Será que foi de um “puto” que entrou, dono de uma personalidade que não conhece intimidação ou pressão, e empatou o jogo?

Precisamente.


Fonte: BTV

Como ele sabe e como ele quer.

Joga com o 79, decide como um 10, finaliza como um 9 e impacta o jogo como um 5.

Entra para cada jogo sem expetativas nenhumas. Independentemente daquilo que o jogo lhe peça para tocar, seja piano, violino, bateria, acordeão ou bateria, a sua inteligência e capacidade técnica nunca deixam a equipa refém da incerteza do jogo.

Por mais difícil que seja o contexto, ele acaba sempre por encontrar e tomar a melhor decisão. Com e sem bola, todas as decisões deste “veterano” de 19 anos colocam o coletivo primeiro e mais perto do sucesso.

Não faz parte daquelas sensações do Youtube, que, por cada finta que adicionam ao seu fantástico vídeo de 5 minutos de “Skills”, somam uma brutalidade de perdas de bola. A sua intervenção aporta sempre valor. Tenta ser aquilo que a sua precisa que ele seja em cada momento do jogo.

Que seja um 10, numa cabine telefónica, a assistir?


Fonte: Liga Portugal

Que seja um 9, no sítio certo para encostar (e ainda fintado a câmara de TV)?


Fonte: Liga Portugal

Que seja o Defesa Central que sobe à área para a bola parada?


Fonte: Liga Portugal

Que seja o Médio Centro que ajuda no início da criação?

Fonte: Liga Portugal

A sua criatividade, inteligência, e tomada de decisão permitem-lhe ser tudo em campo, contudo, não é pela capacidade de ser “tudo” que João Félix é absurdo, mas pela sua capacidade em o ser no momento certo. Na forma como dribla, como provoca o adversário, tudo acontece no timing certo.

Assim é o “estou-me cagandismo” de João Félix. Onde não há urgência em ir atrás da gratificação imediata, não há existe pânico, mas sim serenidade, não há sofrimento, mas prazer.

Onde há futebol.

Artigo corrigido por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

O Passado Também Chuta: Krassimir Balakov

A brevidade da minha existência impacienta-me. E, sem a devida e consentida autorização, a jovialidade incorpora-se na alma que restringe a minha fuga à realidade, descaracterizando a vontade de apreciar o que de belo existe. Se dependesse exclusivamente de mim, o superavit existencial concedia-me uns 20/30 anos com o simples desígnio de vivenciar a divindade futebolística que é Krassimir Guenchev Balakov.

A ideologia que me acorrenta poderá estar próxima da estupidez, mas considero que o búlgaro se localiza no mesmo patamar de grandeza e virtuosismo de Luís Vaz de Camões: o centro campista, durante a passagem por Alvalade, escreveu uma verdadeira epopeia no seio das quatro linhas, estendendo-as de norte a sul do país e extrapolando-as para pontos bem conhecidos do globo terrestre, deliciando e “enlouquecendo” o público coagido pela quimera e pela fantasia das suas exibições.

A ausência de robustez física e a baixa estatura não constituíam um entrave à genialidade que o caracterizava. A visão de jogo era assídua e pontual, a capacidade de desmarcação dos colegas conferia-lhe virilidade e o protagonismo que adquiria maioritariamente, a excelência no trato de bola era notoriamente exagerada e a rapidez de execução suscitava náusea e repulsa por parte do setor mais recuado adversário.

Além disto, a sua magistralidade primava-se pela “simplicidade” com que delineava e orquestrava cada jogada, afinando e oleando a postura dos restantes dez companheiros que, por ele, resistiam e combatiam até à última gota de suor e derradeira amostra de sangue. A envergadura dos dois dígitos (número dez) assentou na perfeição. Classe, entrega, objetividade e precisão coordenam o registo do búlgaro mais acarinhado pela massa adepta leonina na diretriz do ideal leonino “Esforço, Dedicação, Devoção e Glória”.

Cingindo energias a factos e números: Krassimir Balakov alinhou em 168 partidas com a listada verde e branca, efetivando os seus pontapés fulminantes num total de 60 vezes. O cenário de guerra edifica-se diante da batalha: nas seis dezenas de golos marcados, o médio bombardeava as balizas adversas, preferencialmente a longas distâncias e de bola parada, onde a redondinha descrevia trajetórias já antes descritas por flechas incandescentes projetadas através de um arco na conquista e domínio do opositor.

Verdadeiro artista e maestro leonino
Fonte: Wiki Sporting

17 de outubro de 1992. A SIC era o canal de informação mais recente e orientou a transmissão do eterno derby: o Sporting Clube de Portugal defrontou o Sport Lisboa e Benfica, partida relativa à oitava jornada do campeonato referente a 1992/1993. Com Bobby Robson a comandar a armada verde e branca, a equipa leonina vence o encontro por 2-0. Contudo, o destaque centra-se em “Bala” (era assim designado): o pontapé de saída pertence ao Benfica e, em apenas 13 segundos, o Sporting consegue recuperar a redondinha e o maestro, absorvido pelo fumo e nevoeiro concentrados em Alvalade, remata de fora da área sem qualquer hipótese de defesa para Silvino. Exibição portentosa do médio que culminava numa assistência para finalização de Ivaylo Yordanov.

29 de agosto de 1993. A segunda jornada do Campeonato Nacional ditava o embate entre Setúbal e Sporting CP, dois históricos nacionais. A turma de Carlos Queiroz saiu vencedora pela margem mínima (2-3). Porém, o astro disfarçado de homem igualou o encontrou ao minuto 55: após mau passe do central sadino, Balakov rouba a bola e dribla, num primeiro movimento, dois adversários; imprime velocidade, ultrapassa o meio campo adversário e trivializa os centrais, ludibriando-os numa execução rápida e frutífera; após tamanho gesto, ainda serpenteia o guarda-redes e finaliza à boca da baliza. Maradona rendeu-se ao criativo e talentoso baixinho, Pelé bajulou os seus pés e Johan Cruyff acompanhou os dois astros numa vénia e num aplauso.

30 de abril de 1995. Estádio da Luz, jornada 30 do Campeonato Nacional. No reduto das águias, o Rei Leão afiou as garras e mostrou-as perante os milhares de espectadores. Uma vez mais, o búlgaro foi protagonista da partida, encerrando em si uma exibição de classe e um golo de “bradar aos céus”. Passo a explicar: Michael Preud`homme ao receber um passe de Dimas e, pressionado por Yordanov, erra o alvo e entrega a bola a “Bala”; ora, o cenário encheu-se de magia quando vê o guarda redes do Sport Lisboa e Benfica adiantado e, num gesto técnico aprimorado, faz sobrevoar a bola sobre o mesmo num remate soberbo. O resultado ditava 0-2 e a rendição dos corações leoninos era já total.

Três instantes numa história que teve o epílogo em cinco anos. As memórias permanecem vivas e acesas na alma de cada sportinguista que acompanhou cada passo do génio búlgaro e que teve o privilégio de ser “possuído” pelo mesmo, bradando o seu nome aos sete ventos sempre que as exibições fossem consideradas autênticas relíquias.

Krassimir Guenchev Balakov é o nome tatuado em milhões de adeptos. A sua história é contada de geração em geração pelo facto de ter capital importância na história do clube centenário. Sem margem para dúvidas que, sem ele, o Sporting Clube de Portugal perderia um talento com luz própria, um astro no meio do espaço celeste leonino.

Foto de Capa: Sporting CP

Apostas na Rede | Um XI de FC Porto e SL Benfica

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Em vésperas de um dos jogos mais importantes do campeonato, decidimos misturar as coisas. Olhámos para os dois onzes prováveis e fizemos um onze de sonho de FC Porto e SL Benfica.

Por posição, escolhemos um jogador que pode ter influência no resultado final, tendo em conta o histórico do atleta e as aptidões técnicas e táticas demonstradas por cada um nos últimos jogos.