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Jardim murcho no Principado

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O AS Mónaco voltou a entrar em falso na Liga Francesa, ao sofrer duas derrotas pesadas nos dois primeiros desafios e ao empatar diante do Nimes na tarde deste domingo, em jogo da terceira jornada. Os adeptos monegascos estarão a ter um déjà-vu da atribulada temporada passada, em que a luta pela manutenção durou até ao fim.

Leonardo Jardim iniciou mais uma época ao leme dos monegascos, a sexta consecutiva, mas não de forma contínua, uma vez que na temporada passada foi despedido e contratado três meses depois. Mesmo depois do reingresso no Principado, não melhorou substancialmente os anteriores maus resultados (sob a sua orientação e sob a orientação de Thierry Henry) e viu de muito perto a zona vermelha do campeonato.

Longe dos (recentes) tempos áureos em que atingiu as meias-finais da Liga dos Campeões e conquistou o campeonato gaulês, a direção monegasca voltou a apostar forte neste mercado, despendendo mais de 120 milhões de euros em nomes como Ben Yedder, Gelson Martins, Maripán, Lecomte, Onyekuru ou Islam Slimani. Juntando estes reforços a nomes como Fabregás, Jemerson, Golovin, Falcao ou Keita Baldé, reunimos um plantel para, no mínimo, atacar os lugares europeus.

Depois da saída de Rony Lopes, residem em Ben Yedder e Slimani as principais esperanças do Mónaco
Fonte: AS Monaco

Mas não é isso que se tem visto. Os três primeiros desafios mostraram um Mónaco amorfo, com alguma falta de ideias ofensivas, com muita desorientação defensiva e com bastante indisciplina: em três jogos, três expulsões, não terminando nenhum jogo com 11 jogadores.

O jogo deste domingo, no estádio Louis II, diante do Nimes, parecia ser uma mudança de paradigma nos monegascos: depois dos 0-3 diante do Lyon e do 3-0 diante do recém-promovido Metz, o Mónaco vencia confortavelmente por 2-0 ao intervalo, com golos das duas mais recentes contratações, Wissan Ben Yedder e Islam Slimani.

Porém, mais um caso de indisciplina viria a mudar tudo. Jemerson viu o cartão vermelho direto (algo exagerado, a meu ver) e o Mónaco começou a ressentir-se da sua ausência. A equipa forasteira galvanizou-se e partiu para cima do adversário, que tremeu e permitiu o empate, sofrendo dois golos com culpas para o lateral adaptado Gelson Martins. Os minutos finais foram de sofrimento para os da casa, denotando-se a falta de confiança que os jogadores do Mónaco atravessam, que neste momento, mais que um clube, é uma casa a arder.

O plantel está, novamente, recheado de grandes jogadores, mas coletivamente rendem pouco. Leonardo Jardim tem muito trabalho pela frente e a equipa precisa urgentemente de uma vitória para aumentar os níveis de confiança e afastar os fantasmas. O jardim do Principado vive dias cinzentos.

Foto de Capa: AS Monaco

artigo revisto por: Ana Ferreira

Análise ao Clássico: o dragão consumiu todo o oxigénio na Luz

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Foi um final de tarde de sábado penoso para o SL Benfica. E o resultado é o menos relevante. Em pleno Estádio da Luz, tanto no relvado como nas bancadas e tirando momentâneos fogachos encarnados, só deu azul.

Vi um FC Porto mais próximo da sua identidade com um meio-campo a três capaz de preencher os espaços, pressionar o portador da bola e, com qualidade, controlar, circular e rasgar o jogo com bola. Além disso a dupla Pepe-Marcano parece começar a ganhar maior consistência. Este FC Porto com maior poder central, com maior capacidade de pressão e retenção da bola, mais seguro sem bola e no momento de recuperação, beneficia depois da capacidade dos seus laterais e avançados de partirem em força e velocidade para cima da defesa adversária. Foi isto que vimos ontem na Luz. Um Porto dominador no centro do terreno, seguro a defender, forte na recuperação e depois eficaz no lançamento dos seus avançados a despedaçar o posicionamento defensivo da equipa da casa.

Assim, foi sem espaço para jogar pelo centro que o Benfica desde cedo começou a demonstrar grandes dificuldades em respirar.

A equipa de Bruno Lage apresentou-se na Luz sem surpresas no 11 inicial e com uma série de 12-0 em três jogos disputados. Cheia de uma confiança que logo desapareceu assim que Jorge Sousa apitou para o arranque do Clássico.

O Benfica apareceu desconfortável no jogo e incapaz de colocar a funcionar o seu futebol rápido, criativo e de toque, e aos 10 minutos de jogo parecia já não haver oxigénio suficiente que permitisse aos jogadores encarnados pensar e executar. A bola queimava, as decisões demoravam a ser tomadas e caiu-se numa constante procura do jogo pela profundidade com a bola frequentemente a sobrevoar o meio-campo encarnado.

Foi com o jogo totalmente amarrado que saltaram à vista os erros de casting deste plantel e principalmente das escolhas do Bruno Lage. Equívocos que têm sido camuflados pela força do colectivo e eficácia ofensiva dos jogadores mais criativos.

O primeiro tempo foi totalmente controlado pela equipa visitante. Já a segunda-parte trouxe-nos um jogo diferente, com mais Benfica, mas ainda assim insuficiente.

A entrada de Taraabt permitiu à equipa ter mais bola, ter saída com mais critério e ter ainda maior criatividade no último terço ofensivo. Contudo, apesar desta melhoria, a equipa continuou só a encontrar espaços nas laterais e os constantes cruzamentos foram sendo totalmente controlados pela dupla de centrais portista. E se a subida encarnada não trouxe grande perigo à baliza de Marchesín, o guardião não pode dizer o mesmo dos espaços que esta gerou para os atacantes do Porto explorarem o ataque à baliza.

Bruno Lage voltou a decidir bem com o lançamento de Chiquinho, contudo a decisão de tirar Florentino para lançar Vinícius foi um acto de desespero e totalmente desapontador, pois a equipa ficou totalmente exposta à posse de bola dos médios portistas e à velocidade dos atacantes adversários. O segundo golo poderia ter surgido mais cedo e apareceu a colocar justiça no marcador.

O Benfica mostrou-se desconfortável e foi incapaz de por a funcionar o futebol rápido, criativo e de toque
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Apesar dos dois golos sofridos, o problema do Benfica não morou na sua baliza. Vlachodimos foi igual a si próprio – fantástico entre os postes e totalmente desconfortável fora destes. É um guarda-redes que não dá qualquer segurança para se jogar com a linha defensiva mais subida no terreno.

Na defesa, só Rúben Dias pareceu aguentar a pressão do clássico e dos jogadores adversários. Enquanto Ferro tremeu o jogo todo, com e sem bola, Rúben foi tentando impôr a sua presença e liderança. Grimaldo, tal como Ferro, apareceu a jogar totalmente sufocado, sem bola mostrou-se incapaz de acompanhar o seu adversário e com bola várias vezes perdeu o controlo ao primeiro sinal de alguma pressão. Já Nuno Tavares simplesmente confirmou que é um equívoco alguém pensar nele como uma solução para a lateral direita. Condução de bola com o pé exterior, pouca qualidade e confiança para passar e cruzar com o pé direito e incapaz de controlar o espaço nas suas costas por rodar precisamente para o lado contrário.

O meio-campo foi simplesmente abafado pelo trio adversário. Sem espaço para terem bola e em inferioridade no momento da pressão, Florentino e Samaris foram dois jogadores somente destinados a correr atrás da bola e dos adversários.

Também de Pizzi e Rafa não veio a magia que temos vistos nos últimos jogos. Sofreram pela derrota colectiva da equipa e viram o seu jogo totalmente condicionado. No ataque, Rafa não teve qualquer espaço para arrancar pelo centro como tão bem faz. Contudo é de ressalvar que foi incansável na perseguição a Corona e nas compensações a Grimaldo.

No centro do ataque está o outro grande equívoco de Bruno Lage. A dupla Seferovic e RDT não funciona neste sistema de jogo. O Benfica procura jogar da mesma forma que na época transacta e Bruno Lage não pode continuar a ignorar que até Maio o centro criativo da equipa era Jonas ou João Félix. Até essa data, os encarnados actuavam com um jogador criativo, inteligente e de técnica superior atrás do ponta de lança. Um jogador que fazia a ligação entre o meio-campo, as alas e o avançado. Um jogador que fazia a bola rodar no centro atacante e que desmontava as defesas adversárias com as suas movimentações, tabelas e passes. Um craque sempre de cabeça levantada. A ausência de um jogador com estas características naquela posição tem sido, especialmente neste jogo, fatal ao futebol encarnado. Raul de Tomas não é esse jogador e continuando ali tudo o que teremos é alguém a correr muito para condicionar a saída de bola do adversário. Há no plantel opções para esse lugar e Bruno Lage terá de tomar algumas decisões. Seferovic não tem correspondido, o colectivo da equipa está condicionado e o próprio RDT é desperdiçado naquela posição, pois o seu lugar é indubitavelmente o de ponta de lança.

A uma semana do fecho do mercado, este jogo confirmou a necessidade do Benfica em se reforçar – Vlachodimos é bom, mas não é o guarda-redes ideal para o jogo de Lage e a lateral direita não pode continuar 100% dependente de André Almeida.

Este foi então um jogo extremamente bem conseguido por parte do FC Porto que parece caminhar para a consolidação das suas parcerias – Marega e Zé Luis; Pepe e Marcano; Danilo, Uribe e Baró. Foi também um jogo que expôs as debilidades actuais do Benfica, uma lição que pode trazer grandes aprendizagens a um treinador humilde e inteligente como é Bruno Lage. Sem Gabriel, ou se aposta em Taarabt ou o treinador necessita de fazer uma última exigência ao mercado. Sem Jonas e Félix, a solução terá de passar por Chiquinho e Jota. Já Raul de Tomas deverá ter a oportunidade de disputar o lugar de ponta de lança com Seferovic.

Resultado justo. Talvez ainda afectado pela dor afirmo que foi mesmo um massacre azul e branco em pleno Estádio da Luz.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portimão vestiu-se de “encarnado”

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O maior torneio da pré-época no futsal decorreu neste fim-de-semana na arena de Portimão, e contou com a presença, como sempre, de quatro das equipas mais fortes da Europa. Este ano, como em todas as edições anteriores, contámos com a presença de duas equipas nacionais, o Sporting CP e o SL Benfica, e duas equipas convidadas, o Inter Movistar FS, de Ricardinho, e o vice-campeão europeu em título, o Kairat Almaty AFC, oriundo do Cazaquistão.

Ao longo dos dois dias de competição, vimos futsal de alta qualidade neste torneio relativamente recente, mas que se afirma cada vez mais como uma paragem obrigatória para todos os clubes de topo europeu e mundial.

Como já vem sendo habitual, os representantes nacionais tiveram uma prestação muito positiva, ficando nos lugares cimeiros da tabela classificativa. Dos quatro jogos desta competição, três foram ganhos por equipas nacionais, com a única exceção a ser o empate entre Sporting e Inter, uma igualdade que acabou por se revelar decisiva para apurar o campeão, o Benfica.

Com a época oficial 2019/20 prestes a arrancar, com a realização da Supertaça, podemos antever mais uma temporada fantástica em Portugal.

O ano passado houve discussão até à negra pelo campeonato. Agora, há o primeiro dérbi na Supertaça
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Vamos ter duas belas equipas candidatas aos troféus nacionais e europeus, e como também é normal. Temos também um lote de boas equipas a lutar por lugares de destaque na Liga e pela conquista das Taças, como o SC Braga/AAUM, a AD Fundão, o MODICUS. Pode haver ainda outras equipas que se possam superar e chegar aos lugares tipicamente ocupados pelas equipas acima mencionadas.

Mas falando um pouco mais pormenorizadamente do que se passou no Sul do país. No primeiro dia, o Benfica começou por ganhar à equipa do leste europeu por 3-1. Num jogo bem conseguido pelos pupilos de Joel Rocha, com golos de Afonso Jesus, Tiago Brito e Robinho para os encarnados.

O Sporting empatou a três bolas com o Inter Movistar, encontro em que deu para observar inequivocamente a qualidade e a valia dos reforços Taynan e Pauleta. Estão a evoluir de jogo para jogo e prometem fazer muita mossa nesta próxima época. Os golos leoninos foram marcados por Leo, Rocha e Taynan.

Partíamos assim para o último dia de competição com três pontos para o Benfica, um para o Sporting e Inter e zero para o Kairat.

No domingo, o dia começou com um jogo entre Sporting e Kairat, e mais uma derrota para a equipa cazaque. Desta feita por três golos sem resposta (bis de Taynan e terceiro golo de Leo), num jogo que deixava o Sporting a torcer por um empate entre Inter e Benfica no último jogo.

Fernandinho foi decisivo no jogo com o Inter, pelo que jogou, pelos golos que fez e pelas assistências
Fonte: SL Benfica – Modalidades

Mas as “águias” não deixaram fugir esta oportunidade de ouro de conquistar este título e venceram 5-0, com golos de Miguel Ângelo, Fernandinho (2), Robinho e Chaguinha. O SL Benfica sagrou-se assim vencedor desta International Masters Cup pela primeira vez e Portimão teve festa em tons de “encarnado”. O SL Benfica ficou então com seis pontos, contra os quatro do Sporting, um do Inter e zero do Kairat.

Gil Vicente FC 1-1 SC Braga: Fortaleza do galo não olha a estatutos

Primeiro o FC Porto, agora o SC Braga. Para já, ninguém passa em Barcelos. Depois de uma primeira parte apagada, o Gil transfigurou-se no segundo tempo e dominou por completo um SC Braga completamente diferente daquele que alinhou no último jogo.

Sá Pinto mudou toda a equipa e quase tinha um dissabor maior, apesar de as coisas terem começado de feição para os Guerreiros. Pelo meio, o jogo esteve parado durante cerca de meia hora por falta de luz. Gilistas e arsenalistas seguem empatados na classificação, com quatro pontos.

Foram onze (!) as peças que Sá Pinto mudou em relação ao confronto europeu com o Spartak três dias antes do compromisso com os galos. Tantas mudanças de uma assentada poderiam, como é normal, ter impacto na dinâmica de jogo da equipa, em virtude de uma mais do que previsível dificuldade em articular o seu futebol. Não foi assim e a entrada dos Guerreiros em jogo diz muito da capacidade e da qualidade das opções que Sá Pinto tem neste momento.

Rui Fonte e Galeno, os últimos jogadores a chegarem a Braga tiveram entrada direta no onze (o brasileiro já havia feito alguns minutos com o Sporting CP) e acabaram por ser eles a cozinhar o primeiro momento de festa no Estádio Cidade de Barcelos. O ex-Fulham solicitou a arrancada do ex-FC Porto/Rio Ave através do espaço disponível entre o lateral esquerdo e o central gilistas e este, ainda que com pouco ângulo, rematou forte e rasteiro para golo, com Denis a não ficar bem na fotografia.

SE ACHAS QUE ESTE EMPATE NÃO VAI ABALAR A CONFIANÇA DOS BRACARENSES NA LIGA EUROPA, APOSTA JÁ!

À imagem do que já se vira na última jornada, em Moreira de Cónegos, este Gil tem ainda um problema sério para resolver. Jogando com a linha defensiva mais subida no terreno, os galos vêem-se expostos na retaguarda, essencialmente contra equipas do calibre do SC Braga, que sabe explorar bem essa lacuna, essencialmente com duas setas como Galeno e Murilo.

Ainda assim, a pouco e pouco, os gilistas, que abanaram com o murro no estômago bem cedo no encontro, foram-se equilibrando defensivamente e, no plano ofensivo, ainda que de forma pouco acutilante, ia colocando o SC Braga em sentido. Eduardo, contudo, só teve de sujar o equipamento para segurar ou afastar os muitos cruzamentos que o Gil ia tirando.

No início do segundo tempo, o jogo esteve interrompido cerca de meia hora por causa de uma falha de energia
Fonte: SC Braga
No segundo tempo, tudo (literalmente) mudou. Inclusive, uma peripécia que fez o jogo prolongar-se cerca de meia hora para lá do que era esperado. Esta foi uma noite bastante chuvosa em Barcelos, com muita trovoada à mistura, o que levou a uma falha de energia que deixou tudo e todos às escuras.

No reatamento, um novo Gil se ergueu, em contraste com um SC Braga a acusar aquilo de que falava e se suspeitava no início. Sem ideias e sem organização, fruto do desconhecimento que a maior parte dos jogadores tinha uns dos outros. O primeiro aviso a sério veio dos pés do recém entrado Lino (que substituíra ao intervalo o lateral Edwin e transformara o Gil numa equipa bem mais ofensiva), que fugiu da direita para o centro e atirou com estrondo ao poste de Eduardo.

Galvanizados, os galos apontaram os canhões à baliza arsenalista e o guardião bracarense teve de fazer uso da sua capacidade e experiência para travar com enorme mestria os remates com selo de golo de Lourency, João Afonso e Kraev. Sá Pinto percebeu que a equipa vinha fraquejando (quem não percebia?) e lançou de uma assentada Fransérgio e Trincão e mais tarde Esgaio, para emprestar maior capacidade de controlo e segurança nas saídas para o ataque.

Isso, contudo, não foi suficiente, pois o balanceamento gilista era tal que o justo golo do empate seria questão de minutos. Assim foi. Lançado por Soares, Alex Pinto correu até à linha de fundo onde sacou um cruzamento muito tenso mesmo sobre a linha de golo para Sandro Lima encostar ao segundo poste.

Não havia capacidade de resposta por parte do SC Braga, que apareceu sempre muito errático no momento de idealizar os seus ataques. Hassan pareceu sempre muito distante dos colegas e sem oportunidades para alvejar a baliza. O Gil, agora com menos coração e mais cabeça, não enjeitou a possibilidade de completar a reviravolta, mas as pernas também não chegam para tudo e, no final, todos pareciam relativamente contentes. Uns porque conseguiram chegar ao empate depois de quase terem descido ao inferno no primeiro tempo. Outros porque viram-se livres de um mal pior, pois arriscaram e muito sair de Barcelos com a bagageira vazia de pontos.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Gil Vicente FC: Denis, Alex Pinto, Rodrigo, Rúben Fernandes, Edwin (Samuel Lino, 46’), Soares, João Afonso, Kraev, Arthur, Lourency (Leonardo, 90+35’) e Naidji (Sandro Lima, 90+9’).

SC Braga: Eduardo, Diogo Viana, Tormena, Lucas, Cajú (Ricardo Esgaio, 90+10’), Claudemir, João Novais, Murilo, Galeno (Trincão, 87’), Rui Fonte (Fransérgio, 87’) e Hassan.

FC Porto 28-22 AA Águas Santas: “Azuis e brancos” vencem Supertaça

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AA Águas Santas e FC Porto disputaram, este domingo, a conquista do primeiro troféu da época. O encontro teve lugar no centro Multiusos de Lamego e colocou frente a frente o atual campeão nacional (FC Porto) e o finalista vencido da taça de Portugal (AA Águas Santas).

Tal como seria de esperar, assistiu-se a um excelente espetáculo desportivo, num jogo que marcou o arranque oficial da temporada 2019/2020.

As equipas entraram muito bem no encontro. Os azuis e brancos com o seu habitual sistema defensivo 6:0 e a turma “maiata” com o seu 5:1, sendo que inicialmente era Pedro Cruz – melhor marcador do campeonato na época transata – o defesa mais avançado.

Fazendo jus ao favoritismo, a equipa azul e branca entrou por cima no encontro, tendo inaugurado o marcador por intermédio de André Gomes, jovem internacional português. No entanto, a turma de José António Silva não tardou em responder e, até aos 12 minutos da primeira metade assistiu-se a um enorme equilíbrio no marcador.

Equilíbrio esse, que se foi dissipando, não por falta de determinação, mas de soluções que os maiatos apresentavam para contrariar os argumentos portistas e, nem mesmo a audácia de João Gomes (jovem lateral maiato) foi suficiente para desassossegar a equipa portista.

Desta forma, os pupilos de Magnus Andersson, não demoraram assumir as rédeas da partida e a cavar uma vantagem favorável de três golos. Nada obstante, o Águas Santas teve ainda tempo para reduzir e recolher aos balneários com o resultado 14-12.

Lateral maiato atira à baliza portista
Fonte: FPA

Recarregadas as baterias, e já com Alfredo Quintana no terreno de jogo, os dragões entraram para o segundo tempo a todo gás e a vantagem, que outrora fora de dois golos, passou rapidamente para seis. O principal culpado disto, foi nada mais nada menos, o guarda-redes portista luso-cubano, que com um vasto leque de defesas, fez desvanecer instantaneamente as aspirações maiatas.

Note-se, que mesmo a perder por uma diferença de seis golos desde o minuto 12 da segunda parte, a Associação Atlética de Águas Santas, procurou sempre ir atrás do prejuízo. Ainda assim, insuficiente para alterar o desfecho da partida, que terminou com a mesma diferença de golos no marcador, 28-22.

Assim, à imagem do que aconteceu na final da Taça de Portugal, o FC Porto volta a levar de vencida a equipa do AA Águas Santas e conquista a sua 7ª supertaça de andebol.

Marcadores:

FC Porto: André Gomes (2), Víctor Iturriza (2), Rui Silva (2), Miguel Martins (5), Miguel Alves (2), Fábio Magalhães (1), Djibril M´Bengue (1), Diogo Branquinho (3), Daymaro Salina (3), António Areia (4), Ángel Hernández (3)

AA Águas Santas: Mário Lourenço (1), Mário Oliveira (4), Vasco Santos (5), João Gomes (5), Pedro Cruz (4), Francisco Fontes (3)

Clássico ao detalhe: Da pressão de Zé Luís à preponderância de Uribe

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O FC Porto deslocou-se ao Estádio da Luz este sábado para defrontar o maior rival pelo título de campeão nacional e atual detentor do mesmo, SL Benfica, tendo vencido por duas bolas a zero. Vamos então à análise do jogo dos dragões na Luz.

O FC Porto entrou dominante, assumindo o controlo do jogo e da posse de bola, numa demonstração de força perante o teórico favoritismo do SL Benfica, que jogava diante dos seus adeptos e que vinha de uma temporada 100% vitoriosa.

Os homens de Sérgio Conceição construíram com bola os seus ataques, jogando sempre entre linhas, com um destaque, principalmente no primeiro tempo, para Romário Baró, que apareceu diversas vezes isolado a oferecer linha de passe, ajudando a equipa a progredir no terreno. Baró teve, inclusive, oportunidades de golo, não tendo finalizado da forma mais correta. Todo o meio-campo portista se movimentou em progressão, dando sempre oportunidades de triangulações com os laterais e extremos portistas, criando superioridade numérica no lado da bola e, com isso, chegando com mais perigo à baliza de Vlachodimos.

Após a situação de finalização, quando a bola passava para a posse do Benfica, o processo defensivo dos azuis e brancos começava logo em Zé Luís, o primeiro homem, juntamente com Marega, a sair na pressão ao portador da bola, de forma a obrigar as águias a jogar direto na frente, onde os dragões tinham Pepe e Marcano para disputar bolas nas alturas, e a dar tempo ao meio-campo portista, nomeadamente a Danilo e Uribe, de se posicionarem corretamente para contrariar a ofensiva adversária. Esta pressão dos avançados portistas surtiu resultados, tendo os médios defensivos do SL Benfica, no caso Florentino e Samaris, de recuar excessivamente para dar linhas de passe aos seus defesas, e partindo assim, por completo, o meio-campo encarnado, não havendo pontos de ligação para uma progressão com bola, como habitualmente sucede.

Zé Luís foi crucial não só pelo seu golo, mas pelas suas ações defensivas
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Nas jogadas em que os homens da casa conseguiram suprir as primeiras linhas de pressão portista, havia muita dificuldade por parte dos avançados encarnados de interligarem o jogo, sendo prontamente cercados por dois ou três elementos portistas que, ao sobrecarregar o lado da bola, ganharam facilmente a posse do esférico.

O primeiro golo portista surgiu de um canto, com Zé Luís a mostrar o seu instinto de golo e a aparecer no local exato e no momento certo para finalizar com classe por baixo das pernas de Vlachodimos.

Para a segunda parte, o SL Benfica procurou mexer com o jogo, abdicando de Samaris e lançando Taraabt como elo de ligação entre a defesa e o ataque encarnados, mas, de uma forma geral, o marroquino não conseguiu trazer desequilíbrio ao jogo, fruto da pressão incessante do FC Porto e das movimentações constantes dos jogadores azuis e brancos cortando linhas de passe.

À medida que o relógio ia correndo, os homens de Bruno Lage iam acumulando nervosismo e tentavam lançar-se para diante, de forma a chegar ao golo que lhes garantiria o empate, e o FC Porto cumpriu o seu papel de aguentar o ímpeto vermelho e branco e procurar o contra-ataque, sobretudo através do jogo direto para Marega, que acabou por marcar o segundo dos dragões e fechar a partida.

Num jogo em que o FC Porto esteve taticamente irrepreensível, muito graças ao trabalho da equipa técnica por ter estudado bem o adversário e esmiuçado as suas lacunas, a finalização continuou a ser o grande problema a apontar. Os azuis e brancos pecaram em várias jogadas, na definição no último terço do terreno, com destaque para um remate falhado de Marega quando estava completamente isolado frente a Vlachodimos.

O aspeto crucial da partida, e onde penso que os portistas terão ganho mais vantagem sobre os encarnados, foi a inclusão de Uribe como duplo pivot, trancando assim as portas do meio-campo, anulando o jogo vertical do SL Benfica e anulando Rafa, uma das principais ameaças encarnadas. O colombiano dos dragões foi praticamente a sombra do extremo português durante todo o jogo, fazendo-o perder a notoriedade que tem habitualmente no processo ofensivo dos lisboetas.

O FC Porto sai de Lisboa com os três pontos e com a sensação de missão cumprida. Os dragões foram superiores em todos os aspetos e dominaram o adversário no aspeto tático.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Portimonense SC 1-3 Sporting CP: O quente Verão algarvio

Após a vitória do FC Porto em pleno Estádio da Luz, os leões visitaram o Portimonense SC sabendo que, em caso de vitória, se colocariam à frente dos dois rivais.

Marcel Keizer decidiu mexer na equipa, tirando do onze inicial Borja e baixando Acuña para a lateral, tendo o compatriota Vietto ocupado o lugar do internacional argentino no lado esquerdo do ataque.

Em cima do primeiro par de minutos de jogo, Raphinha recebe a bola já dentro do meio-campo da equipa de Portimão e, num movimento característico seu, cortou da direita para dentro “à Robben” e rematou ao ângulo superior esquerdo contrário. O leão começava da melhor maneira em Portimão.

Ainda antes dos cinco minutos, veio o segundo golo leonino. Numa excelente jogada colectiva, Vietto descobre Bruno Fernandes por entre a defensiva algarvia e o capitão do Sporting assistiu de forma fácil Luiz Phellype, que só teve que encostar. Com uma mão cheia de minutos passados, Bruno Fernandes já levava duas assistências na partida.

Aos sete minutos, foi a vez da equipa da casa marcar e voltar à discussão do resultado. Iuri é carregado em falta do lado esquerdo da grande área por Mathieu e Carlos Xistra apontou, com justiça, para a marca de grande penalidade. Dos onze metros, Rómulo converteu bem o castigo máximo não dando hipóteses a Renan, que ainda se atirou na direção da bola.

O início de jogo em ebulição não ficou por aqui, e aos dez, foi o Sporting a ter uma grande penalidade assinalada a seu favor. Pedro Sá tocou no pé de Luiz Phellype, mesmo no limite da área, mas, após a verificação do VAR, o árbitro voltou atrás com a decisão, assinalando uma falta de Thierry Correia no início da jogada. Uma decisão bastante discutível, uma vez que o lateral leonino parece tentar evitar o contacto com o adversário.

O jogo acabou por acalmar e começou a ser mais perceptível os elementos tácticos preparados por Keizer. Tanto Vietto como Raphinha eram extremos com enorme liberdade para flectirem para zonas mais interiores, onde apenas Luiz Phellype tinha um lugar mais posicional, até porque Bruno Fernandes deambulava muito pelo ataque verde-e-branco.

O fulgor inicial ia-se esfumando com o passar dos minutos e, apesar de algumas jogadas perigosas de parte a parte, as oportunidades de golo foram praticamente nulas até aos últimos dez minutos do primeiro tempo.

Aos 37, Vietto volta a descobrir Bruno Fernandes com um grande passe e o capitão do Sporting conseguiu picar a bola por cima do guarda-redes do Portimonense, valeu aos algarvios o central Willyan a tirar a bola muito perto da linha de golo.

Na resposta, um contra-ataque bem desenhado pelo lado esquerdo dos comandados de Folha e Iuri, sozinho frente a Renan, cabeceou ao lado da baliza leonina.

Numa primeira parte de grande nível, ficou o destaque para o espectacular início de jogo no Municipal de Portimão e o bom entendimento entre dois jogadores que, segundo o técnico leonino seriam quase incompatíveis: Bruno Fernandes e Luciano Vietto.

Bruno Fernandes esteve em todos os golos do Sporting
Fonte: Sporting CP

O início de segunda parte foi morno, sem a emoção dos dez minutos da primeira parte, mas a mostrar que a segunda parte tinha tudo para ser tão bem disputada como a primeira. António Folha decidiu mexer na equipa logo ao intervalo, tirando o lateral Henrique para o lugar do médio ofensivo Lucas Fernandes.

À passagem dos cinquenta e cinco minutos, ambas as equipas tiveram duas oportunidades de criar perigo. Primeiro foi Vietto que, numa bela jogada individual, passou pela defensiva do Portimonense e chutou com pouca força para a defesa de Ferreira. Pouco depois, foi a vez de Aylton Boa Morte chegar atrasado a um cruzamento de Anzai.
O Sporting parecia estar conformado na partida mas, na terceira assistência da tarde algarvia, Bruno Fernandes descobriu Raphinha nas costas da defesa alvinegra e o extremo brasileiro bisou na partida, não dando hipótese ao guardião da formação da casa.

Depois do terceiro golo leonino, o treinador da equipa de Portimão decidiu arriscar e colocar a equipa num formato mais ofensivo e com mais soluções no ataque, na procura de um resultado melhor do que a derrota.

Contudo, se o Sporting se sentia bem com o 1-2, mais confortável estava com a vantagem de dois golos, descendo linhas e controlando a partida, aproveitando para colocar o adversário em sentido através de contra-ataques. Num desses contra-golpes, e após mais um tremendo passe de Vietto, Raphinha apareceu isolado frente à baliza, mas perdeu a hipótese de somar um hat-trick ao permitir a defesa a Ferreira.

Uma vitória justa da equipa de Alvalade, numa partida de futebol bastante intensa e bem disputada. O Sporting fica, assim, com sete pontos no campeonato e fica à espera do resultado do FC Famalicão para saber se fica a comandar a Primeira Liga.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Portimonense SC: Ferreira (GR), Anzai, Willyan, Jadson e Henrique (Lucas Fernandes, 45′); Cevallos (Dener, 68′), Rómulo, Pedro Sá e Rodrigo Tabata; Iuri (Jackson Martínez, 63′) e Aylton Boa Morte.

Sporting CP: Renan Ribeiro (GR), Thierry, Coates, Mathieu e Acuña (Borja, 86′); Doumbia, Wendel (Eduardo, 79′) e Bruno Fernandes; Raphinha, Vietto e Luiz Phellype.

GP Grã-Bretanha: Rins bate Márquez na reta da meta!

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O mundial de motociclismo regressou este fim-de-semana para mais uma corrida, desta feita, no circuito de Silverstone, na Grã-Bretanha.

O espanhol Marc Márquez partia da pole position e tudo parecia encaixar para mais uma vitória do piloto da Honda Repsol, mas houve por ali um Alex Rins decidido a querer brilhar. E brilhou.

Mas vamos ao ponto de partida… Márquez arrancou bem, seguido de Valetino Rossi. O italiano da Yamaha tinha conseguido partir da segunda posição e tentou correr atrás do espanhol que se mostrava decidido em conquistar mais uma vitória.

Quartararo cometeu um erro logo à saída da curva um, ainda na primeira volta, e levou consigo Andrea Dovizioso que não conseguiu fugir e acabou por saltar com a sua Desmosedici por cima da Yamaha de Quartararo e acabaram ambos fora da corrida, sendo que a Ducati do italiano acabou por ficar em chamas.

Lá na frente, seguia Marc Márquez perseguido por Alex Rins e Valentino Rossi. No entanto, o italiano foi perdendo gás na sua Yamaha e acabou ultrapassado por Marverick Viñales, ficando à porta do pódio.

A luta pela vitória passava, agora, pelo duelo entre Márquez e Rins que aumentaram o ritmo da corrida e conseguiram ter dois segundos de distância para Viñales e Rossi.

Não foi apenas a queda de Dovizioso e Quartararo a marcar este grande prémio. O português Miguel Oliveira acabou abalroado pelo colega de equipa, Johann Zarco, que perdeu o controlo da sua RC16 e acabou por colocar o falcão de Almada fora da corrida.

Oliveira viu-se obrigado a desistir da prova, após o incidente com Zarco
Fonte: KTM Tech 3
Enquanto Oliveira se viu obrigado a desistir da prova, Rins pressionava Márquez que continuava seguro e sem cometer erros. A verdade é que o espanhol da Honda tem vindo a evoluir bastante no que há calma e concentração diz respeito, até porque é líder incontestável e há erros que acabam por não se justificarem.

A três voltas do final, Rins continuava a perseguição a Márquez, apesar de ter Viñales a apenas  segundos de distância. O piloto da Suzuki queria atacar o espanhol da Honda e esperou pelo momento certo… E esse momento certo, acabou por ser a última volta.

Rins ultrapassou Márquez que não se deu por vencido e ripostou, em seguida. Depois de muitas trocas e baldrocas, a última oportunidade para Alex Rins ficava resumida a um feroz ataque na última curva.

Um golpe de sorte, uma trajetória diferente e o homem da Suzuki conseguia ganhar vantagem nos últimos metros da reta da meta e acabou por cruzar a bandeira de xadrez com poucos centímetros à frente de Marc Márquez. O pódio ficou completo com Maverick Viñales.

Márquez e Viñales completaram o pódio em Silverstone.
Fonte: MotoGP

Apesar do segundo lugar, Márquez saiu de Silverstone com a liderança do mundial reforçada. E já leva 78 pontos de avanço sobre Andrea Dovizioso.

CD Santa Clara 0-0 Belenenses SAD: Inconformismo vs Passividade

O Estádio de S. Miguel abriu portas para juntar os adeptos do CD Santa Clara e do Belenenses SAD na 3.ª jornada da Primeira Liga. O Santa Clara vem duma vitória frente ao FC Paços de Ferreira, o Belenenses SAD vem duma difícil derrota frente o SL Benfica.

Os primeiros minutos reservaram um encontro divido, ainda que com uma equipa do Belenenses SAD a querer tomar a iniciativa. Por seu turno, a equipa da casa tentava explorar o contra-ataque, a fim de criar perigo junto da baliza defendida por Koffi.

Neste sentido, e já depois de o Belenenses ter efetuado o primeiro remate da partida, por intermédio do camisola 11, Matija (passara ligeiramente ao lado do poste direito), foi a vez de a formação encarnada ripostar, através de um grande remate de meia-distância do capitão Osama Rashid, que obrigou o guardas-redes da equipa visitante a aplicar-se.

Aos 37 minutos, Thiago Santana através duma assitência de Ukra, remata para a baliza de Koffi.

A equipa da casa não desiste em aparecer na baliza do Belenenses e desta vez Carlos JR faz as honras. Numa combinação entre Santana que passa para Ukra e este, por sua vez, passa para a cabeça e Carlos , que tenta a sua sorte a apontar a “redondinha” para as redes mas sem efeito.

Santana volta a aparecer e, em cima do intervalo, remata para as mãos de Koffi, fechando assim a primeira parte da partida com o nulo a prevalecer.
A partida ficou marcada por um Belenenses pouco agressivo e um Santa Clara a tentar adiantar-se no marcador
Fonte: Bola na Rede
Na segunda parte, o Belenenses ainda tentou aventurar-se a atacar, no entanto sem grande objetividade. O jogo acabou por se centralizar a meio campo com poucas situações de perigo. Ainda assim, a equipa da casa mostrou mais vontade de entrar a jogar por subir a suas linhas, de forma a assumir o jogo e, assim, tentar alterar o resultado, tendo causado algumas ocasiões de perigo junto à baliza do Belenenses.

Esse perigo veio a comprovar-se com as constantes tentativas de colocar a redondinha no fundo das redes de Koffi. Minutos mais tarde, Carlos Jr aparece num remate no entanto, este acaba por sair por cima. O jogo continuou concentrado a meio campo, com um Santa Clara a tentar pressionar mais e com uma maior posse de bola. A passividade e pouca agressividade do Belenenses, acabou por dar abertura à equipa da casa para chegar
à baliza, no entanto esta não foi suficiente para alterar o resultando.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

CD Santa Clara: Marco, Mamadu, F. Cardoso, João Afonso, Patrick, B. Lamas (73’ Lincoln), O.Raashid, Francisco R., Carlos JR (67’ Zé Manuel), T. Santana, Ukra (81’ G. Schettine);

Belenenses SAD: Koffi, Calila, Gonçalo S., Kau, Varela, Matija (81’ Matija), Licá, Nuno Coelho, A. Santos (32’ André Santos), Kikas (67’ Nico Velez), Lucca.

Em busca da reputação europeia

Há uns dias, assistiu-se a mais um feito histórico no futebol feminino em Portugal. A equipa feminina do SC Braga passou a fase de grupos da Liga dos Campeões feminina, tornando-se na segunda equipa a conseguir chegar aos 16 avos de final da competição, repetindo o feito do Clube Atlético Ouriense em 2014/2015.

Depois de uma época em que conquistaram o campeonato e a Supertaça, os primeiros títulos conquistados pela equipa feminina arsenalista, o clube fez um forte investimento na secção de modo a conseguir uma boa campanha europeia e para já, esse investimento está a dar frutos.

Não se adivinhava uma tarefa fácil na Fase de Grupos disputada em Riga, com a presença das austríacas do SK Sturm Graz e as cipriotas do Apollon Ladies, equipas de países que estão à frente de Portugal no ranking da UEFA (Chipre em 17º, Áustria em 18º e Portugal em 24º), mas a equipa orientada por Miguel Santos mostrou que estava pronta para estes desafios.

No jogo inaugural contra o Sturm Graz, a equipa deu logo uma amostra do seu valor ao ganhar por 2-0, resultado que apenas pecou por escasso tal foi o domínio da equipa arsenalista. Seguiu-se o confronto contra o Apollon Ladies, que teoricamente, era o jogo mais difícil para as bracarenses, não só pela vitória por 10-0 das cipriotas sobre o Rigas FS na jornada inaugural, mas também porque é uma equipa que costuma investir fortemente para a competição. No final, a equipa venceria por 1-0, conseguindo o tão desejado apuramento para os 16 avos de final.

Shade Pratt causou impacto imediato na equipa arsenalista
Fonte: SC Braga

A vitória por 8-0 sobre as anfitriãs do Rigas FS serviu apenas para cumprir calendário. No entanto, esta equipa mostrou que tem armas para andar nestes patamares, mostrando também que não será nada fácil para Benfica e Sporting conseguirem destroná-las na luta pelo título.

O SC Braga investiu forte no plantel para esta temporada, contratando a guarda-redes irlandesa Marie Hourihan, a lateral-direita Rayane Machado e ainda fez regressar a internacional portuguesa Dolores Silva, após um ano no Atlético de Madrid. Mas o principal destaque nesta Fase de Grupos foi a norte-americana Shade Pratt. A avançada marcou nos três jogos da Fase de Grupos, mostrando ser uma jogadora bastante agressiva sem bola e exímia a explorar o espaço nas costas da defesa.

Resumindo, temos aqui uma equipa bastante competitiva e que mostrou ser capaz de fazer frente a qualquer adversário. Como tal, creio que esta vai ser uma época muito interessante para as arsenalistas e para o futebol feminino nacional.

Foto de Capa: SC Braga

artigo revisto por: Ana Ferreira