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Emagrecer o plantel!

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Ter um plantel com 29 jogadores quando existe uma equipa B é um verdadeiro exagero. Se a necessidade de emagrecer o plantel já era pertinente, a eliminação da Liga dos Campeões veio tornar essa necessidade uma obrigação! O encaixe financeiro que estava previsto no orçamento (cerca de 60 milhões de euros) torna muito complicada a vida da estrutura portista, em particular, do administrador financeiro Fernando Gomes. As contas do último exercício que encerrou a 30 de junho, fecharam no verde e isso era importantíssimo mas, esta eliminação vai complicar o último ano em que o FC Porto está sobre “vigilância” da UEFA.

É evidente que Sérgio Conceição não quer perder nenhum dos jogadores preponderantes da equipa. Não era difícil vender Danilo, Alex Telles ou Marega mas estes são peças fundamentais no sistema de jogo idealizado pelo treinador portista. Este é o dilema da administração azul e branca, equilibrar as contas com vendas significativas ou enfraquecer a equipa ao nível desportivo e, com isso, ficar mais longe de voltar a conquistar o título e entrar diretamente na próxima Liga dos Campeões. É como se diz na gíria “uma pescadinha de rabo na boca”!

Aboubakar pode estar de partida do clube azul e branco
Fonte: FC Porto

Uma das formas de ajudar a equilibrar as contas e, possíveis problemas de tesouraria, é baixar a massa salarial e para isso a saída (quer por empréstimo ou vendas definitivas) é uma das poucas soluções plausíveis. Existem jogadores que terão pouca utilização e para a qual existem outras soluções no plantel. Vaná, Diogo Queirós, Osório, Loum, Otávio e Aboubakar são alguns desses jogadores. Aboubakar é, por exemplo, um dos jogadores mais bem pagos do plantel e terá poucas ou nenhumas hipóteses de jogar esta época. Entre salário e uma possível taxa de empréstimo rapidamente se consegue uma poupança de cinco milhões de euros. Osório com uma boa Copa América tem mercado e uma possível venda não é de descartar. E como é evidente o plantel não precisa de seis centrais por isso é necessário encontrar soluções. Otávio apesar de ser um jogador muito apreciado por Sérgio Conceição não é uma “peça chave” e tem algum mercado.

A estrutura portista precisa de trabalhar rápido com eficiência e imaginação para encontrar soluções até ao final do mercado (2 de setembro) para que a tesouraria azul e branca possa ficar um pouco mais desafogada. Mesmo a nível do planeamento do treino e da gestão de grupo não faz qualquer sentido ter um plantel desta dimensão.

Foto de capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Atualização do Sporting CP no mercado: Novela Bas Dost

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Foi uma semana morna em Alvalade e foi nas saídas que se deu o maior destaque. Radosav Petrovic foi confirmado no Almería e é menos um dossier por resolver no reino do Leão. É de recordar que o jogador auferia um salário bastante elevado, o que por um lado dificultava a sua colocação noutro clube e por outro tornava-se também um encargo difícil de suportar pela SAD leonina.

No entanto, o destaque é para Bas Dost que aquece o mercado em Alvalade e que toma conta da imprensa desportiva nacional. O Sporting CP já emitiu um comunicado onde coloca a responsabilidade no avançado holandês, acusando o jogador de travar e dificultar a saída para o Eintracht Frankfurt. A transferência e a saída do goleador holandês para os alemães era dada como praticamente certa, com os valores a rondarem os 8M€ limpos, mas o avançado terá preferido ficar em Alvalade e o agente do jogador terá exigido também encargos financeiros de última hora – como se pode ler no comunicado emitido pela Sporting SAD na manhã desta terça-feira.

Com isto é de esperar pelas próximas horas para saber como será o desfecho da história e da novela Bas Dost, sendo que o treinador Marcel Keizer afirmou que gosta do avançado e preferia contar com ele nos planos para atacar a presente época.

A possível transferência do holandês tem sido um dos temas mais discutidos da atualidade
Fonte: Sporting CP

Em termos de entradas não se registou nenhuma novidade no plantel leonino. Ainda assim, o treinador holandês confirmou que caso a saída de Bas Dost se torne oficial, será necessário que o clube leonino recorra ao mercado em busca de uma alternativa. Os mais recentes rumores davam conta de que Islam Slimani poderia regressar por empréstimo, no entanto o argelino já foi confirmado no AS Monaco. Todavia, a hipótese de Giovanni Simeone reforçar os Leões por empréstimo por parte da Fiorentina, num empréstimo que poderá ser para duas épocas, tem sido também veiculado na esfera mediática.

Oussama Idrissi, extremo de 23 anos do AZ Alkmaar, terá despertado a atenção dos responsáveis leoninos e reforça a ideia de que a SAD leonina não descarta a hipótese de contratar mais um extremo com capacidades acima da média e com capacidade para desequilibrar o jogo, que é algo que tem faltado ao jogo dos pupilos de Marcel Keizer. Justin Kluivert poderá ser outra opção, por empréstimo da Roma.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

O que esperar dos recém-promovidos esta temporada?

O que esperar de FC Paços de Ferreira, FC Famalicão e Gil Vicente FC? Esta poderia ser a pergunta deste artigo, o qual envolve uma análise das classificações obtidas pelas equipas recém-promovidas à Primeira Liga no ano de competição no escalão máximo, na última década.

Recuando até à Primeira Liga 2009/2010, constata-se que SC Olhanense e UD Leiria – os dois conjuntos acabados de subir e por isso os mais recentes – conseguiram atingir a manutenção no campeonato principal. Na época seguinte foi a vez de SC Beira-Mar e Portimonense SC disputarem a principal prova nacional, com os destinos de ambos a seguirem caminhos diferentes, uma vez que os aveirenses conseguiram manter-se e os algarvios acabaram por descer de divisão. O mesmo sucedeu em 2011/2012, quando Gil Vicente FC e CD Feirense, recém-promovidos, obtiveram sortes diferentes. Os “fogaceiros” não conseguiram evitar a despromoção e os gilistas mantiveram-se no principal escalão. Na temporada seguinte o cenário repetiu-se. GD Estoril Praia e Moreirense FC, que subiram de divisão, experienciaram sentimentos distintos no final da época, uma vez que os canarinhos terminaram na quinta posição e os cónegos viram a descida confirmada, seguindo a tendência dos anos anteriores, em que, pelo menos uma das duas equipas que sobem, acabam por ser despromovidas no ano seguinte.

O mesmo aconteceu em mais três temporadas, quando, FC Penafiel em 2014/2015, CF União da Madeira em 2015/2016 e CD Nacional na época transata viram as suas ambições defraudadas com a queda ao segundo escalão.

O Gil de Vítor Oliveira vai tentar manter-se entre os ‘’grandes’’ depois de vários anos de ausência
Fonte: FC Paços Ferreira

Nesta última década, apenas em quatro temporadas se verificou o contrário, ou seja, as duas equipas promovidas conseguiram manter-se na Primeira Liga após terem subido, o que demonstra, no geral, a dificuldade destas em permanecer em simultâneo no nível mais alto do futebol nacional. Daí que, as três equipas que competem no escalão máximo em 2019/2020 depois de terem passado por divisões inferiores, necessitam de criar condições para realizarem um bom campeonato e fugirem às situações adversas da tabela classificativa. Certamente que estas formações pretendem fugir à tendência da última década e manter-se na Primeira Liga, mas o caminho revela-se complexo e só com muito trabalho e competência os objetivos ficam mais perto de serem atingidos.

Até ao momento, as três formações nortenhas reforçaram-se consideravelmente com o intuito de competirem de igual forma com os adversários e deixarem uma boa imagem, alcançando os resultados desejáveis. No FC Paços de Ferreira, destaque para os reforços Bernardo Martins, ex-Leixões SC e SL Benfica B e Hélder Ferreira, ex-Vitória SC. Para os castores, o campeonato iniciou com uma pesada derrota em plena Luz, seguindo-se novo desaire em casa frente ao Santa Clara. Está a ser um início de época pouco agradável, mas o conjunto orientado por Filipe Rocha promete ser uma equipa bastante competitiva ao longo da temporada, como tem sido hábito do histórico pacense.

No FC Famalicão, salientam-se as entradas de Nehuen Pérez e Gustavo Assunção, provenientes do Atlético Madrid e também de Diogo Gonçalves e Fábio Martins, com passagens por SL Benfica e SC Braga respetivamente. Os famalicenses estrearam-se na Liga da melhor maneira, tendo vencido o CD Santa Clara nos Açores e deram seguimento ao bom momento com um triunfo caseiro frente aos rioavenses. Até agora são um dos destaques da Liga e apesar de ter sido construído um plantel com jogadores interessantes, são ainda uma incógnita no que a previsões diz respeito, depois de 25 anos de ausência entre os ‘’grandes’’.

Finalmente, o regresso do Gil Vicente FC está a ser marcado pela entrada de muitos jogadores, entre os quais se destacam Sandro Lima, que representou o GD Estoril na época passada e Alex Pinto, ex-SL Benfica B. Também Lourency e Kraev devem ser tidos em conta. Os gilistas apresentam um plantel bastante remodelado, uma vez que transitaram do CP por via administrativa. Apesar de tudo, a principal aposta centra-se em Vítor Oliveira, um treinador experiente e consagrado que vai tentar manter Barcelos no mapa dos ‘’grandes’’ do futebol nacional. A estreia vitoriosa frente ao FC Porto representou um importante fator motivacional neste regresso aos grandes palcos, embora a derrota expressiva em Moreira de Cónegos tenha servido para esfriar um pouco os ânimos.

Conseguirão estes clubes alcançar os objetivos e permanecer no topo do futebol nacional, ou, como se tem observado pela última década, pelo menos um não conseguirá evitar a despromoção? A minha convicção é que pelo menos um acabará por ser despromovido, dando seguimento ao registo tendencial dos últimos dez anos. As respostas só serão conhecidas por volta de maio de 2020, pelo que, até lá, resta aos mais recentes primodivisionários lutar pela melhor classificação possível.

Foto de capa: FC Famalicão

artigo revisto por: Ana Ferreira

O Zé, a dupla mágica e a surpresa

Jogou-se no passado fim de semana e afins, a segunda jornada da Primeira Liga. Parece que voltou tudo, minimamente, ao normal. Os grandes ganharam, portanto, (quase) todos estarão razoavelmente satisfeitos. Ou não é assim que costuma ser no nosso querido futebol?

Resumindo, foi mais ou menos assim: E um dos dois líderes do Campeonato é …. o FC Famalicão! Venceu o Rio Ave FC por 1-0 e continua a corresponder às expectativas criadas na pré-época. O Porto entra de rompate e Zé Luis faz o primeiro ao Vitória FC. Pizzi brilha. Rafa brilha ainda mais. O ‘novo’ Belenenses ameaça antes do intervalo. O Odysseas não era para ir para o banco? O Moreirense mostrou ao FC Porto como se ganha ao regressado Gil Vicente: chapa três. Sem espinhas!

Golo do Rafa. Golo do Zé Luis (outra vez?). Porto está forte afinal. Uribe já é dono do meio campo. Marega ainda tem barriguinha? O Rafa marcou outro? Não… desta vez foi o Pizzi… a passe do Rafa. Onde andas RDT?

Zé Luís tornou-se rapidamente no ‘ Zé do Golo’
Fonte: Bola na Rede

O ‘novíssimo’ CD Aves ganhou 3-1 ao Marítimo. Sabem quem é o Mohammadi? Nós também não sabíamos. Mas acho que ouviremos falar mais dele. Ouviremos falar de mais alguém de nome estranho: Matchoi Djaló. Tem 16 anos, joga no Paços de Ferreira e tem muita qualidade para um menino. A mesma qualidade que faltou à equipa da capital do móvel, batida pelo CD Santa Clara em sua casa por 0-1.

Ainda ninguém marcou ao Vitória SC. Mas esqueceram-se que Lucas marca muitos. O central que regressou ao Boavista fez das suas e pumba: 1-1, em pleno D. Afonso Henriques já nos descontos. E lá se foi parte da euforia de início de época dos de Guimarães. E golo… Zé Luis a transformar-se em Zé do Golo em pleno Dragão. O Porto deu 4 e Zé Luis tem mesmo os pés na cabeça. Que cabeceamentos…

Domingo à noite: Sporting CP – SC Braga. Bela ementa para o jantar das 21 horas. Sporting marca cedo. Braga reage. Só dá Braga. Bruno ‘faz tudo’ marca ao cair da pimeira parte. Parece um jogo de hóquei. Braga, Sporting, Sporting, Braga, Braga e mais Braga e golo do ‘traidor mor’ que tanto marca ao Sporting. Wilson Eduardo, pois claro! Jogo até ao fim e Keizer com medo do empate. Mas a vitória sorriu ao Sporting. Um grande ‘ufa’ terá soltado o treinador holandês.

Por fim, e para variar, segunda-feira à noite lá jogou de novo o CD Tondela. Perdeu em casa com o Portimonense e os algarvios levam 4 pontos e estão no grupo dos terceiros classificados. Para o CD Tondela, com novo treinador e novo onze quase na totalidade, este início não promete ser fácil.

Agora que venha de lá a terceira jornada. Zé do Golo dará uma fulminante cabeçada na Luz? Odysseas irá para o banco? Rafa e Pizzi trocarão a bola mais do que 200 vezes entre si? RDT irá ser ainda mais criticado por ter estado (três!) jogos sem marcar? Bas Dost estará de castigo ou ainda amudado? Bruno Fernandes ainda jogará no Sporting? O António fará a Folha ao Keizer? O vice líder Famalicão passará em Guimarães e lancará já a candidatura europeia? E o galo? Dará mais uma bicada num dos mais fortes clubes do nosso Campeonato?

Não percam esta e outras respostas no próximo episódio desta nossa amada Liga. Até lá é aguentar.. está quase!

Foto de Capa: Liga Portugal

 

Super Licença FIA: O bilhete dourado para a Fórmula 1

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Em plena ‘silly season‘, onde são lançados inúmeros rumores sobre mudanças de pilotos na Fórmula 1, os redatores de desportos motorizados, na secção da Fórmula 1, do nosso site decidiram procurar fora da caixa. Foram às várias categorias do desporto motorizado ver quem tem pontos suficientes na Super Licença FIA (a partir de 40 pontos) para entrar na Fórmula 1, e analisar se os mesmos têm alguma possibilidade de o fazer.

Mas, o que é a Super Licença FIA? A Super Licença FIA é a qualificação de um piloto que permite ao seu titular competir no Campeonato do Mundo de Fórmula 1. Para tal, o piloto dever ter uma idade mínima de 18 anos, ser titular de uma licença de competição de Grau Internacional A. Deve ter carta de condução automóvel válida e completa para o país de nacionalidade do piloto. Deve obter aprovação num exame teórico da FIA, com base no conhecimento dos códigos e regulamentos desportivos da Fórmula 1.Também deve ter completado pelo menos 80% de cada uma das duas temporadas de um dos campeonatos de monolugares suplementares à Fórmula 1, de acordo com os regulamentos. E finalmente, ter acumulado pelo menos 40 pontos sobre as três épocas anteriores em qualquer combinação dos Campeonatos referidos no Suplemento 1 dos regulamentos.

David PachecoCo-Editor das Modalidades Bola na Rede

Antes de começarmos, é de relembrar que, há dias, a página oficial da Fórmula 1 divulgou que há apenas 9 de 20 pilotos confirmados para a próxima época. Quem poderão ser os próximos melhores pilotos da atualidade?

 Ex-pilotos de Fórmula 1

Destacámos, em primeiro lugar, os pilotos que já passaram pelo topo do desporto motorizado, que, tendo mais de 15 Grande Prémios na modalidade, não precisam de pontuação para obter a Super Licença. São estes: Esteban Ocon, Fernando Alonso, Jolyon Palmer, Marcus Ericsson e Sergey Sirotkin.

Todos, como antigos pilotos, serão sempre possíveis (e fortes!) candidatos a um lugar para o campeonato de 2020. Porém, nem todos conseguiram destacar-se, tanto na sua passagem por lá, como no(s) ano(s) que estiveram ausentes. É o caso de Jolyon Palmer, que nos últimos anos não se tem destacado de todo no mundo automobilístico, estando em desvantagem nas hipóteses para a vaga.

Os restantes acabam por ser mais-valias para a Fórmula 1: Ericsson tem-se destacado no campeonato de IndyCar; Sirotkin continua na competição como piloto de testes da Renault e da McLaren.

Para além destes, é de destacar o possível regresso de Fernando Alonso, que só traria aos seus adversários um intenso desafio a cada corrida, algo que nos habituou durante a sua passagem de cerca de 17 anos. Mas ao que parece o espanhol já está confirmado na Toyota para o DAKAR.

No entanto, o maior desafio seria o retorno de Esteban Ocon, que, com uma saída inesperada do piloto francês da Racing Point em 2018, teve a oportunidade de se tornar piloto de reserva da Mercedes, e, possivelmente, poderá ser o próximo sucessor de Valtteri Bottas na equipa.

Com Bottas sem confirmação na Mercedes para o ano, a especulação cresce, implicando o possível regresso (e em grande) de Esteban Ocon.
Fonte: Mercedes AMG F1

Fórmula 2:

No campeonato mundial de Fórmula 2, encontrámos, na sua maioria, jovens que procuram a sua próxima oportunidade e a (possível) estreia na Fórmula 1.

Temos, com o maior número de pontos para a Super Licença, Anthoine Hubert (78), Luca Ghiotto (66) – que já foi apontado à Toro Rosso, mas sem confirmações – e Artem Markelov (64).

Porém, nem tudo indica que são os únicos que poderão ter uma hipótese. Também Nyck De Vries (60), o atual líder no campeonato de Fórmula 2, e Jack Aitken (60), que já é piloto de testes da Renault, têm-se revelado pilotos competentes e focados em conseguir um lugar numa das dez atuais equipas de topo.

No limite dos pontos, encontrámos Nobuharu Matsushita (48), Sérgio Sette Câmara (41), piloto de reserva da McLaren, que se tem destacado pela positiva, e Nicholas Latifi (40), piloto de testes da Williams.

Apesar de, especificamente nesta edição, o campeonato de Fórmula 2 estar a ser extremamente competitivo, em que os primeiros lugares estão constantemente a mudar, destacámos os três primeiros colocados atuais – De Vries, Latifi e Sette Câmara – como possíveis ascensores à Fórmula 1.

Nicholas Latifi poderá ser o próximo sucessor de Robert Kubica na equipa da Williams, que também não está confirmado para o ano.
Fonte: Fórmula 2

O rival do Bayern que (quase) cai no esquecimento

Todos nós conhecemos a velha expressão popular do «parente pobre». A “extravagância” deste termo (e de vários outros) permite-nos estabelecer um paralelo perfeitamente ajustado em casos da gíria futebolista.

Falemos do TSV 1860 Munich. Um nome pouco falado, mas que trará algumas memórias aos leitores com mais de 25 anos. Aos mais novos, este não passará de um clube que é apenas uma nota de rodapé do futebol alemão. Decidi por isso carinhosamente apelidar o TSV 1860 Munich de «parente pobre» da cidade de Munique. Uma cidade claramente e totalmente dominada pelo colosso europeu, FC Bayern München.

Imaginando o cansaço que terão de ouvir falar sempre dos mesmos clubes, hoje a nota de rodapé deste artigo será o Bayern Munique e não o TSV 1860 Munich.

Como o próprio nome indica, o TSV 1860 Munich foi um clube fundado a 17 de Maio de 1860, ainda assim, a sua secção de futebol apenas abriu portas a 6 de Março de 1899. Um ano antes do seu vizinho, Bayern.

Falar por isso do «Munich Derby» é falar de uma rivalidade que começou a 21 de Setembro de 1902, já lá vão 116 anos! O resulto do primeiro encontro entre estas duas equipas seria já uma antevisão para aquilo que podíamos esperar no futuro, um Bayern contundente a vencer por três bolas a zero.

O primeiro verdadeiro período de sucesso do TSV 1860 Munich vem com o Terceiro Reich e a reorganização que houve na altura do futebol alemão. A divisão do futebol alemão em 16 ligas que estavam dividas geograficamente permitiu ao TSV 1860 conquistar a Gauliga Bayern, a liga da Baviera, duas vezes. A conquista da liga regional dava diretamente acesso ao playoff final, mas quem dominava o futebol alemão na altura era o FC Schalke 04.

Ainda assim, o TSV 1860 Munich conquista o seu primeiro grande troféu em 1942, em plena Guerra Mundial, com a vitória na Taça da Alemanha.

O «parente pobre» desta altura em Munique era o Bayern que tinha perdido alguns jogadores judeus, por razões óbvias.

No entanto, o grande período do TSV 1860 Munich vem nos anos 60 com a primeira (e única) conquista da Bundesliga em 1965-1966 e a segunda vitória na Taça da Alemanha em 1963-1964.

Para além do sucesso nacional evidente, o clube da Baviera conseguiu uma excelente campanha na Taça das Taças de 1965. Um dos clubes que “sofreu” com esta trajetória dos alemães foi o FC Porto, após ter sido eliminado num agregado de 2-1 das duas mãos. O TSV 1860 Munich chegaria à final em Wembley onde perderia para um dos clubes da cidade, o West Ham United.

Esta foi sem dúvida a década mais dourada do clube alemão. No entanto, o clube não conseguiu estabilizar e seguiu-se um período negro onde ficaria por três décadas nos escalões secundários do futebol alemão.

1994 marcaria o regresso do TSV 1860 Munich ao principal escalão do futebol alemão, depois de um terceiro lugar na Segunda Liga Alemã, faltou apenas um ponto para chegar ao titulo. Estavam de regresso os derbies à cidade de Munique.

A melhor classificação obtida pelo clube nesta “estadia” na Bundesliga seria o quarto lugar conquistado na época 1999/2000, ainda assim os adeptos do TSV 1860 Munich tiveram que ver o seu rival Bayern Munique ser campeão nacional, havendo no entanto a consolação de ter batido o seu rival nos dois jogos em que se defrontaram para o campeonato.

Os adeptos do TSV 1860 Munich certamente que estariam felizes nesta altura ao ver um plantel que juntou a experiência, à cabeça o internacional búlgaro Daniel Borimirov e o internacional alemão com mais de 100 internacionalizações, Thomas Hassler, com uma juventude bastante promissora.

Nesse plantel emergia um jovem natural da cidade de Munique, que tinha feito a formação no rival Bayern, Daniel Bierofka.

O defesa internacional alemão nunca se chegou a estrear pela equipa principal do Bayern Munique e procurou a felicidade no outro clube da cidade onde encontrou um clube que hoje o idolatra. Bierofka passou nova épocas, não consecutivas, no clube e hoje é o treinador da equipa principal.

O clube parecia ter encontrado a vontade e as condições de se manter no topo e cimentou essa convicção quando em 2001 anunciou a intenção de construir um novo estádio em parceria com o Bayern, o estádio que todos nós hoje conhecemos como o Allianz Arena. Nessa parceria ficou acordado que a propriedade do Allianz Arena ficaria dividida em partes iguais pelos dois clubes.

O problema foi quando o TSV 1860 Munich desceu de divisão em 2004, antes do Allianz Arena ter sido concluído. Quando os dois clubes se mudaram para este moderno e grande estádio, em 2005, o TSV 1860 Munich viu-se a jogar a Segunda Liga Alemã num “monstro” dispendioso.

Este seria o inicio da queda do TSV 1860 Munich financeiramente. O clube seria forçado, dada a sua saúde financeira, a vender a sua parte do Allianz Arena ao Bayern Munique por 11 milhões de euros em 2006.

O clube continuou a jogar no Allianz Arena, mas a pagar uma renda anual de 3.5 milhões de euros ao Bayern Munique. Apesar de disputar os escalões secundários da Alemanha, o clube manteria sempre uma média de espetadores de 20.000 em cada jogo no Allianz Arena.

Com a sua débil saúde financeira, o clube viu-se obrigado a voltar-se para a academia de modo a rentabilizar os seus jovens jogadores e a verdade é que o TSV 1860 Munich não se deu nada mal com essa politica.

A Bundesliga faria mesmo um 11 do século de jogadores oriundos da academia do TSV 1860 Munich e rapidamente sobressaem-se os irmãos Bender, Lars e Sven, Julian Weigl, Fabian Johnson e Kevin Volland.

Fonte: Bundesliga

As coisas para o TSV 1860 Munchen não continuavam bem financeiramente e apesar de ter sido adquirido por um investidor árabe, Hasan Abdullah Ismaik, a época 2016/2017 com o treinador português, Vítor Pereira, ao comando do clube marcaria significativamente a história recente do clube.

O clube tinha investido cerca de 10 milhões de euros em reforços e mesmo assim descia de divisão.

O 16º lugar na classificação geral da Segunda Liga Alemã significou jogar o play-off de despromoção com o terceiro classificado da Terceira Liga Alemã, o Jahn Regensburg.

Após um empate a 1-1 na primeira mão, na segunda mão no Allianz Arena esperava-se o clube tivesse a capacidade para conquistar a manutenção, mas a verdade é que um 2-0 ainda na primeira parte sentenciou o destino do TSV 1860 Munchen.

Os adeptos do clube conhecidos por serem mais fervorosos que os do próprio vizinho Bayern Munique provocaram desacatos uma vez que o jogo chegou aos 80 minutos. mostrando palavras de ordem contra o dono e o cenário era dantesco.

A relação entre a administração e os adeptos com o proprietário nunca tinha sido pacifica, pois na Alemanha a mentalidade é muito contra o investimento estrangeiro em clubes de futebol, e Hasan Ismaik acabaria por recusar pagar os milhões necessários para pagar a licença da terceira divisão Alemanha levando o TSV 1860 Munchen a cair nas distritais da Alemanha.

A intenção do investidor era levar o clube a recomeçar do zero, refugiando-se no exemplo do RB Leipzig, mas os adeptos, que já não gostavam muito dele, passaram a detesta-lo por este se ter recusado a pagar a licença e nada que Ismaik fizesse/dissesse iria acalmar os animos dos adeptos.

Em dezembro de 2017, o clube anunciaria que o “acordo de cooperação entre o clube e Hasan Ismaik terminaria”. O investidor árabe continua com a sua quota-parte do clube, pois não consegue vende-la, mas com o compromisso de não dar mais dinheiro ao clube e de não ter qualquer influência futura em decisões desportivas, deixando a atual administração eleita pelos adeptos trabalhar tranquilamente.

Estas foram as tréguas possíveis e que já trouxeram novas alegrias aos adeptos do TSV 1860 com o clube a mudar-se para o estádio onde em 1966 o seu único troféu da Bundesliga foi levantado, no Grünwalder Stadion.

Neste momento o TSV 1860 Munchen disputa a Terceira Liga Alemã depois de já ter conquistado o campeonato regional da Baviera que lhe deu acesso aos campeonatos nacionais.

Falamos de um clube que possui cerca de 22 mil sócios, não de um clube qualquer.


Foto de Capa: TSV 1860 München

Futuro Risonho

Seguindo o exemplo da equipa de sub-21, a selecção nacional de sub-19 terminou em quarto lugar no Campeonato do Mundo da categoria, que se disputou em Agosto na Macedónia do Norte, uma classificação histórica no escalão, e tendo em conta que Portugal entrava na competição como um dos underdogs.

Depois de um 11º lugar no Europeu de sub-18 em 2018, a selecção falhara o apuramento para o Mundial e esperava-se um Verão sem grandes competições para os sub-19. No entanto, ditou a sorte portuguesa que a Nova Zelândia e a Austrália desistissem e abrisse assim lugar para Portugal. E os jovens portugueses agarraram essa oportunidade com tudo o que tinham.

Entrando como wildcard, a selecção ficou inserida no grupo D, juntamente com Islândia, Alemanha, Servia, Tunísia e Brasil. E apesar de não ter a pressão de ser uma das favoritas ou de ter que chegar longe, a equipa portuguesa tinha o objectivo de apagar a imagem que ficara do Europeu de 2018.

O primeiro jogo foi uma entrada em grande. Frente à poderosa Alemanha, Portugal saiu triunfante por 33-26, dando assim o mote para as restantes jornadas da fase de grupos. Iguais destinos tiveram Sérvia, Islândia, Tunísia e Brasil, que acabaram vencidas pela turma portuguesa. Assim, a equipa repescada terminou a fase de grupos em primeiro lugar, com cinco vitórias em cinco jogos. De seguida era a vez de enfrentar a equipa da casa, a Macedónia do Norte.

Frente a uma equipa organizada e um pavilhão cheio, Portugal foi mais forte, vencendo por 29-25 e marcando assim um encontro nos quartos-de-final contra a França, a bi-campeã em título. Numa partida em que a defesa portuguesa esteve irrepreensível, uma constante ao longo do campeonato, os jovens seguiram o exemplo dos seniores e venceram a selecção francesa por 31-26, carimbando assim a passagem às meias-finais pela primeira vez na história do escalão.

Sete jogos, sete vitórias. Era este o cartão de visita de Portugal frente ao Egipto, adversário na meia-final e a única coisa que separava Portugal da final. No entanto, e tal como aconteceu no escalão de sub-21 um mês antes, a resistência física traiu a equipa quando era mais precisa, e ao longo do jogo viu-se uma defesa desgastada e um ataque que não conseguia dar resposta à quantidade de golos marcada pela selecção egípcia. 41-36 acabou por ser o resultado final e depois de uma caminhada imaculada, Portugal perdia à porta da final e virava atenções para a medalha de bronze, onde iria enfrentar a Dinamarca.

Tal como o seleccionador Carlos Martingo afirmara no início do campeonato, a maior fraqueza de Portugal era a inconsistência, e nos últimos dois jogos foi isso o que assistimos. Depois de um colapso defensivo frente ao Egipto, frente à Dinamarca assistimos a um ataque sem ideias e a uma defesa incapaz de parar o ataque dinamarquês, de tal forma que o resultado final seria de 27-35.

Para a história fica a quarta posição num mundial, um lugar que há anos atrás parecia apenas um sonho. E a verdade é que no espaço de dois meses assistimos a dois quartos lugares em mundiais jovens, tanto nos sub-21, como agora nos sub-19. A explicação tem sido o constante desenvolvimento e aposta na formação, com os resultados a serem mais que notórios.

O futuro parece risonho para o andebol português, com várias gerações jovens a assumirem lugares de destaque em competições internacionais. Agora apenas falta aquele pequeno passo, ultrapassar este bloqueio que separa as equipas de meia-final dos campeões que disputam as finais e atingem as medalhas.

O Caso Schettine e o comunicado do SC Braga

Confesso que não gosto de comentar as discussões ou polémicas que assolam o futebol português, sobretudo as que envolvem clubes que não são o meu. Ainda assim, por mais que se queira dar apenas atenção ao que se passa dentro das quatro linhas, é impossível ficar indiferente ao comunicado emitido, na passada semana, pelo presidente do SC Braga, António Salvador, sobre a transferência falhada do jogador Guilherme Schettine do Santa Clara para o clube arsenalista. Trata-se, pois, de uma tomada de posição dura e com graves contornos acusatórios por parte do clube minhoto perante o SL Benfica, sem precedentes. No entanto, também não deixa de ser um “lavar de roupa suja” que, além de despropositado, só prejudica a sua imagem.

Vamos por partes:

No referido comunicado, Salvador queixa-se de que “O futebol português transformou-se num teatro de marionetas”. Não se “transformou”, sempre foi e ele sabe bem disso. Como também sabe que as marionetas sempre foram as mesmas.

É certo que o SC Braga tem procurado assumir uma maior responsabilidade desportiva tanto em Portugal como na Europa. No entanto, nunca teve, talvez porque nunca lhe foi possível, apresentar-se como uma figura de independência. É que qualquer clube português que não faça parte dos “Três Grandes” tem dificuldade em conquistar a sua independência sem sofrer influências do espectro dos clubes dominantes. Essa é, desde logo, uma das principais características de um campeonato absolutamente desequilibrado como o é o campeonato português. Basta ver a desproporção a nível de pagamentos de valores pelas transmissões televisivas aos Três Grandes e aos restantes clubes. O Santa Clara, por muito respeito que tem e merece, é apenas mais um peixinho “Nemo” a nadar no meio dos tubarões.

O SC Braga não foi uma excepção a esta doença crónica das marionetas do futebol português. Aliás o clube minhoto foi um “compagnon de route” do SL Benfica nas várias posições assumidas pelo clube da Luz contra os seus rivais nas últimas temporadas.  O SC Braga tenta, agora, desfraldar uma bandeira de independência, mesmo com uma visível aproximação ao FC Porto. Ora para o mais comum dos adeptos de futebol, paira aqui uma incoerência flagrante.

Convirá não esquecer que há não muitos anos atrás, o mesmo SC Braga presidido por António Salvador vendeu Rafa ao SL Benfica por um preço inferior ao que havia exigido ao FC Porto que também estava na corrida pelo jogador português. Veja-se, mais recentemente, o caso de Dyego Sousa que dispensa considerações…

 

Guilherme Schettine formou-se no Athletico Paranaense
Fonte: site oficial do Club Athletico Paranaense.

Quanto ao negócio em causa… Quem é Guilherme Schettine? É um jovem avançado móvel que apresenta várias soluções na frente de ataque, tendo marcado 7 golos na época passada ao serviço do Santa Clara. Independentemente das motivações que possam levar o SL Benfica a querer a contração deste jogador, creio que se o mesmo não tivesse um mínimo de qualidade jamais despontaria qualquer interesse por parte do clube encarnado. Porventura pode até vir a ser um recurso de baixo custo que já deu provas no campeonato português, contrariamente a jogadores como Castillo e Ferreyra que custaram muitos e muitos milhões e nunca lograram afirmar-se na Luz.

Por outro lado, a diferença para menos de meio milhão de euros da proposta do SL Benfica poderá aceitável para o Santa Clara se tivermos em conta cláusulas de empréstimo do jogador em causa ou de outros jogadores, eventuais acordos para futuras transferências ou negócios feitos no passado. Não esqueçamos que o Santa Clara já beneficiou e muito de jogadores provenientes do SL Benfica como Patrick e Fábio Cardoso.

Posto isto, e não querendo, de todo, tomar o partido de qualquer um dos intervenientes neste caso, parece-me que o comunicado do SC Braga não é mais que um alarido revelador de frustração por um negócio falhado. Se o jogador em causa era tão imprescindível para o SC Braga e se o próprio jogador pretendia jogar no SC Braga (como alega António Salvador), então por que motivo o SC Braga não “acrescentou” meio milhão de euros à sua proposta inicial e não “bateu” a cláusula de rescisão de dois milhões de euros do jogador?

Mais séria é a alegação feita pelo SC Braga no aludido comunicado de que o Santa Clara foi vítima de coação por parte do SL Benfica e que certamente terá que provar. E como reagirá o clube encarnado a esta acusação grave? Será que irá instaurar contra o SC Braga um processo criminal por difamação, à semelhança do que tão prontamente fez contra o Sporting CP durante a era de Bruno de Carvalho?

Fonte: CD Santa Clara

Revisto por: Jorge Neves

«No Football Manager fui aquilo que que devia ter sido na vida real» – Entrevista BnR com Evandro Roncatto

Com um currículo digno de um globetrotter, a carreira de Evandro Roncatto teria conteúdo suficiente para contar uma história de superação, digna de um filme de Hollywood: dos tempos em que era a estrela maior de um Mundial Sub-17, ao lado de Fàbregas e David Silva, até às dificuldades para receber um ordenado no final do mês. Uma carreira com altos e baixos de um atleta que se recusa a deitar a toalha ao chão e que já foi reconhecido mundialmente… por ter sido a estrela do jogo de computador, Football Manager.

– O sucesso no Mundial Sub-17 frente a David Silva e Fàbregas –

«Fomos campeões do mundo com todo o mérito».

Bola na Rede [BnR]: Evandro, antes de mais, obrigado por teres aceitado o nosso convite. Começamos pelo início da tua carreira profissional, que coincide praticamente com a conquista do Mundial de Sub-17, em 2003. Como foi essa experiência?

Evandro Roncatto [ER]: Foi muito bom e uma experiência maravilhosa na minha vida. Foi o que impulsionou a minha carreira. Acabou por ser um Mundial complicado porque empatámos no primeiro jogo, se não me engano, frente aos Camarões (1-1). Depois precisávamos de ganhar a Portugal e ao Iémen para seguir em frente. O nosso grupo era muito forte e unido e já trabalhávamos juntos há dois anos. Isso explicou o sucesso. Contra Portugal vencemos por 5-0 e isso deu-nos muita confiança, depois do “tropeção” no primeiro jogo. Depois foram só vitórias e vitórias até sermos campeões do mundo!

Evandro Roncatto brilhou num Mundial em que estiveram presentes Fàbregas e David Silva
Fonte: FIFA

BnR: Eras titular indiscutível nessa equipa e, na final, o Brasil até ganhou a uma Espanha (1-0), recheada de estrelas como David Silva ou Fàbregas. Qual era o segredo dessa equipa?

ER: Foi um jogo complicado porque não estávamos habituados a jogar num campo sintético. A nossa equipa era muito forte, mas a Espanha também tinha muito bons jogadores, como os que disseste, Fàbregas ou o Silva. Só que o nosso grupo estava muito concentrado e sabíamos que tínhamos de vencer o título. Fomos campeões com todo o mérito!

A história da rivalidade entre SL Benfica e FC Porto

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SL Benfica e FC Porto protagonizam uma rivalidade centenária que contagia as duas principais cidades do país: Lisboa e Porto.

A primeira vez que Benfica e FC Porto se defrontaram foi no longínquo ano de 1912. Na altura, o clube azul e branco convidou os encarnados para disputar dois jogos de futebol no campo da Rua da Rainha. O jogo entre as segundas categorias terminou com uma vitória do Benfica por 1-2. Já o jogo entre as equipas principais terminou com uma vitória esmagadora da equipa convidada por 2-8.

Esta rivalidade voltaria a atingir um dos seus pontos altos na primeira metade da década de 50, período no qual ambos os clubes inauguraram novos estádios. No dia 28 de Maio de 1952, seria inaugurado o Estádio das Antas, com o SL Benfica a ser o convidado de honra para o jogo de inauguração, vencendo por 2-8, com destaque para o hat-trick apontado pelo avançado Arsénio.

E AGORA? QUEM É QUE VENCE ESTE CLÁSSICO?
NÃO PERCAS MAIS TEMPO,APOSTA JÁ!

Cerca de dois anos e meio depois, no dia 1 de Dezembro de 1954, dar-se-ia o ponto alto das comemorações do cinquentenário: a inauguração do Estádio da Luz. O FC Porto seria o clube convidado para a inauguração do mesmo e, desta vez, levaria a melhor no confronto dentro das quatro linhas, com o clube azul e branco a vencer por 3-1.

Ao longo das primeiras décadas de história, a rivalidade entre Benfica e FC Porto sempre foi saudável. Apesar de sempre existir um ou outro momento de maior tensão – com destaque para o Caso Calabote – sempre predominou o clima de cordialidade e respeito entre ambos os clubes. Esse cenário começou a mudar quando Jorge Nuno Pinto da Costa chegou ao FC Porto, primeiro como Director Desportivo (entre 1976 e 1980) e mais tarde como presidente do clube a partir de 1982. Daí para a frente, a rivalidade ficaria marcada por um constante clima de guerrilha e tensão.

Eusébio e Cubillas, duas antigas glórias dos respectivos clubes
Fonte: SL Benfica

Juntamente com José Maria Pedroto, Pinto da Costa criou uma teia de argumentos que lhes permitiram declarar uma guerra contra aquilo a que chamavam de “Hegemonia de Lisboa”. Esta guerra regionalista encabeçada pela dupla azul e branca contagiou toda a região e deu força a um FC Porto que atravessava uma seca de títulos, tendo quebrado um jejum de 19 anos sem ganhar um campeonato.

Seria neste período em que o FC Porto voltaria a emergir como uma das maiores forças do futebol português, que a rivalidade com o SL Benfica atingiria um dos momentos de maior tensão. Na temporada 1979/1980, com a guerra regionalista entre Porto e Lisboa a atingir um dos seus pontos mais altos, adeptos de Benfica e Sporting CP uniram-se na final da Taça de Portugal de 1979/1980, na qual o clube encarnado venceria por 1-0.

Esta final deu-se num período em que o FC Porto atravessava uma crise directiva, no qual Pinto da Costa e Pedroto se insurgiram contra o presidente Américo de Sá, que se mostrava cansado do clima de guerrilha implementado pelos dois homens fortes do futebol azul e branco. A derrota nessa final da Taça de Portugal acabaria por ditar a saída de Pinto da Costa e Pedroto, bem como de 15 jogadores do plantel, dando assim início àquele que seria o Verão Quente do FC Porto.

Seria dois anos mais tarde, em Abril de 1982, que Pinto da Costa viria a suceder Américo de Sá, tornando-se no 33º presidente da história do FC Porto. E seria ainda nos seus primeiros tempos enquanto presidente, que se daria mais um episódio de maior tensão entre os clubes rivais.

Decorria a época 1982/1983, quando Benfica e FC Porto marcaram presença na final da Taça de Portugal. No entanto, Pinto da Costa e José Maria Pedroto (regressado ao clube após a eleição de Pinto da Costa a presidente), recusaram-se deslocar a Lisboa para disputar a competição, tendo-se realizado uma Assembleia Geral que aprovou a comparência na final da Taça de Portugal, apenas se esta fosse realizada no Estádio das Antas.

Todas estas confusões levaram a que a final da Taça fosse adiada para o início da época seguinte, no dia 21 de Agosto de 1983, onde Benfica e FC Porto disputariam então a final da competição nas Antas, que o Benfica acabaria por ganhar com um golo solitário de Carlos Manuel.

Seria a partir dos anos 80 que o FC Porto começaria a assumir-se como a segunda maior força do futebol português e, nos anos 90, tornar-se-ia no principal dominador do futebol português, fruto das sucessivas más gestões de que o Benfica foi alvo.

SL Benfica e FC Porto também já disputaram confrontos acesos nas Taças. Na Taça de Portugal, o Benfica leva uma vantagem esmagadora, ao vencer oito das nove finais contra o clube azul e branco, perdendo apenas na temporada de 1957/1958. Na única final da Taça da Liga em que se defrontaram, o Benfica também levou a melhor com uma vitória por 3-0 em 2009/2010.

Por outro lado, na Supertaça Cândido de Oliveira, tem sido o FC Porto a levar um domínio absuluto, perdendo apenas uma das Supertaças defrontadas contra o rival lisboeta, na temporada de 1985/1986.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves