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Tiro basco em falsa partida catalã

De costas voltadas para o Mar das Baleares, mira-nos nos olhos e clama pela independência da Catalunha. Cidade de monumentos inacabados e nome do último álbum de estúdio de Freddie Mercury na sua carreira a solo, em Barcelona pontifica “més que un club”: o Fútbol Club Barcelona.

Embalados pela conquista do último campeonato, e sustentado nos pés de veludo das aquisições, o emblema catalão que parte para a 81.ª participação na primeira divisão de Espanha perfilava-se como o clube mais bem posicionado, entre os três crónicos candidatos, para a conquista desta edição da La Liga.

À parte a novela Neymar, cujos capítulos se arrastam, o mercado da formação orientada por Ernesto Valverde foi, ao invés do que vem sendo regra, cirúrgico. Josep Maria Bartomeu vestiu a bata blaugrana e, na mesa de operações, foi direto ao coração da equipa.

Frenkie de Jong, ventrículo do meio-campo do Ajax que encantou o mundo do futebol na última temporada, assinou pelo clube que lhe estava destinado à nascença. Já Antoine Griezmann, o neto mais conhecido de Paços de Ferreira, viu finalmente consumadas as suas pretensões de rumar ao clube quatro vezes vencedor da Liga dos Campões. A estes juntaram-se Neto, Júnior Firpo e Marc Cucurella, todos eles com provas dadas no exigente campeonato espanhol.

Fonte: FC Barcelona

Ao reforço do plantel, a crise no Real Madrid e as inúmeras alterações no paradigma Simeone faziam antever uma temporada otimista internamente e na Liga dos Campeões. Eis senão quando, qual plot twist cinematográfico, outra comunidade autónoma resolve contrariar o destino traçado por Johan Cruijff, Rivaldo e tantos outros deuses de Camp Nou, e inflige uma profunda machadada nas aspirações da equipa que vem sendo carregada às costas pelo astro mais pequeno do mundo.

Em Bilbao, o Athletic Club vergou o clube de Messi, Suárez e Busquets, com uma obra de arte digna de Gaudí, assinada pelo basco mais mortífero de San Mamés: Aritz Aduriz.

O golo solitário em moinho do avançado, que anunciou poucos dias antes a retirada no final desta época, devolveu os adeptos blaugrana à letargia de um passado recente e trouxe a terreiro algumas reflexões importantes, nomeadamente o sistema de jogo adequado e que consiga conciliar tamanha qualidade em campo, onde só podem jogar onze de cada vez.

Domingo, frente ao Villarreal Club de Fútbol, Semedo e companhia terão oportunidade de emendar a mão e provar que o resultado da semana anterior não passou de um percalço; para isso, bastará seguir o rastilho da estrela cadente argentina que não pôde iluminar o caminho do golo frente ao Athletic, mas que, provavelmente, embaterá com estrondo no Submarino Amarelo.

The Beatles e Freddie Mercury, Lionel Messi e golo, futebol e música: Barcelona, mais que clube, uma forma de estar.

Foto de Capa: FC Barcelona

artigo revisto por: Ana Ferreira

Antevisão SL Benfica – FC Porto: Não ter alternativa ajuda muito

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É com a necessidade de ganhar que o FC Porto vai entrar em campo este sábado frente ao SL Benfica. Igualar os seis pontos do rival são o objetivo, mas a necessidade obriga a esquecer os horrores das últimas semanas. Ora, exorcizar os fantasmas de Barcelos e do FK Krasnodar é uma forma de aliviar a pressão, que só se consegue vencendo na casa do maior rival.

Os últimos clássicos vão assentando uma regra que aponta para um maior interesse quando uma das equipas, ou até as duas, jogam com a necessidade de vencer. De facto, os últimos anos indicam que quem precisa dos três pontos acaba por conquistá-los, fruto da filosofia imposta, que assenta num estilo ofensivo e virado para a baliza. O FC Porto, no seu caso, pode tomar como exemplo a última vitória no Estádio da Luz, que o catapultou para o último título. A única alternativa passava por vencer, não sendo possível encarar o jogo com a tranquilidade que um empate poderia oferecer.

SERÁ QUE OS DRAGÕES VÃO SER CAPAZES DE VENCER?
NÃO PERCAS MAIS TEMPO,APOSTA JÁ!

É mais ou menos essa a premissa para o jogo grande deste fim de semana. As águias manter-se-ão tranquilas na frente qualquer que seja o resultado que não uma derrota. Por outro lado, os dragões necessitam de uma demonstração de força e vitalidade, que faça um reset na cabeça dos adeptos e eleve os níveis anímicos dos atletas. Uma boa exibição ajudará ao ego, mas uma vitória terá efeitos muito positivos, naturalmente. A equipa e o próprio clube são alvos de uma incrível subvalorização, que até aos olhos dos próprios adeptos os deixem numa posição delicada.

É esperada mais uma grande exibição do Mar Azul
Fonte: FC Porto

O contexto não é favorável. O SL Benfica é uma equipa forte, bem trabalhada e com os processos todos automatizados. Em sentido inverso, o FC Porto vai sofrendo as dores de crescimento, que até já lhe custou o primeiro grande objetivo da época. Os últimos sinais, contudo, apontam para um crescimento técnico-tático, que acalenta esperanças.

Para se ter uma noção das mudanças significativas que o plantel azul e branco vem sofrendo nos últimos tempos, importa notar que apenas quatro jogadores que estiveram no último triunfo na Luz, em abril de 2018, deverão repetir a titularidade: Marcano, Alex Telles, Danilo e Marega.

Em relação à estatística as coisas são favoráveis ao conjunto de Sérgio Conceição: desde os primórdios, SL Benfica e FC Porto defrontaram-se em 241 ocasiões, com os portistas a saírem por cima em 93 dos jogos. As águias venceram 88 e os restantes 60 terminaram empatados. Os benfiquistas apontaram 379 golos, melhor que os dragões, que só conseguiram 347. Já nos últimos 15 jogos no novo Estádio da Luz, o FC Porto venceu seis, empatou outros tantos e perdeu apenas três.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Será o Paços uma equipa de primeira?

Dois jogos, zero pontos, seis golos sofridos (pior defesa do campeonato) e último posto da tabela classificativa: assim se define a equipa do Paços de Ferreira esta época.

A equipa de Filó, recém-promovida à Primeira Liga, não começou a temporada da melhor maneira. Apesar de ter vencido a primeira partida oficial nesta época (venceu o Estoril Praia SAD nas grandes penalidades na eliminatória da Taça da Liga), os ‘castores’ têm tantos jogos quanto derrotas no campeonato e não se avista uma caminhada nada fácil.

Na primeira jornada, os homens da Capital do Móvel deslocaram-se à Luz e nem luta deram ao SL Benfica. Sem rematar sequer à baliza nesse jogo, os pacenses perderam por 5-0 e começaram assim o campeonato da pior maneira possível.

Uma semana depois, ou seja, na segunda jornada, foi a vez do estádio da Capital do Móvel voltar a sentir a vida de Primeira Liga. Porém, o resultado não foi o melhor para os homens da casa e o CD Santa Clara conseguiu os três pontos graças a um golo de Thiago logo aos 17 minutos.

Dois resultados negativos depois, é preciso analisar esta equipa do Paços de Ferreira. Comecemos pelo treinador. Depois de ter subido de divisão graças ao fantástico trabalho do homem das subidas, Vítor Oliveira, a direção pacense optou por uma decisão arriscada e decidiu contratar Filó ao SC Covilhã. Ora, Filó nunca tinha treinado no primeiro escalão do campeonato português e à partida seria uma aposta de risco total. Tem-se confirmado agora que esta não foi, de todo, a melhor decisão possível, o que se pode confirmar pelo fraco futebol produzido.

Filó estreia-se na primeira liga´
Fonte: FC Paços de Ferreira

Porém, o treinador não aparenta ser o único problema desta equipa. A verdade é que o plantel pacense parece ser escasso em termos de qualidade e são poucos os nomes sonantes nesta equipa. O guarda redes Ricardo Ribeiro, o defesa Marco Baixinho, e os médios André Leão e Luiz Carlos são os jogadores de maior destaque e assim se nota logo a (pouca) qualidade existente neste plantel.

Os números? São claros. Zero golos marcados, apenas três remates à baliza e duas derrotas.

Foto de Capa: FC Paços de Ferreira

artigo revisto por: Ana Ferreira

Sucesso europeu incompatível com competitividade interna?

O andebol português passa hoje por uma das suas melhores fases dos últimos anos. As prestações europeias do Sporting Clube de Portugal e do FC Porto são a prova viva disso mesmo. Na mesma lógica, a seleção nacional está de volta às grandes competições e disputará, em janeiro, o europeu.

Simultaneamente, temos vindo a assistir a um fosso cada vez maior entre os três grandes e os restantes. Numa primeira fase, Sporting e Porto distanciaram-se dos seus adversários. O desempenho de ambos nas competições europeias é, de certa forma, demonstrativos da evolução que têm vindo a fazer. Perante este cenário, o SL Benfica tenta este ano aproximar-se, tendo feito um investimento considerável de forma a ser um verdadeiro candidato ao título.

– Ao comando de Carlos Resende, o SL Benfica tenta aproximar-se de Sporting e Porto. Para esta temporada, o clube da luz fez um investimento forte e contratou alguns nomes sonantes, como Carlos Molina ou René toft Hansen.
Fonte: SL Benfica

Em 2015-2016, o ABC conseguiu sagrar-se campeão nacional e bater o SL Benfica na final da Taça Challenge. Esse cenário parece hoje quase anedótico, mas a verdade é que foi possível e não foi assim há tanto tempo. O que falta para que seja possível um outsider sagrar-se campeão novamente?

COMO EQUILIBRAR UMA BALANÇA ALTAMENTE DESIQUILIBRADA?

Qual é então a conclusão que devemos retirar? O investimento dos três grandes e o seu sucesso nas competições europeias é incompatível com um campeonato mais competitivo? O que pode a Federação Portuguesa de Andebol (FPA) fazer para diminuir o fosso entre os três grandes e os restantes?

Em 2015-2016, o ABC sagrou-se campeão nacional. No entanto, nos últimos anos a equipa de Braga tem vindo a afastar-se dos três grandes.
Fonte: ABC de Braga

Todas estas perguntas são bastante complexas e não podem ser resolvidas com soluções mágicas.

Em primeiro lugar, e numa opinião muito pessoal e que pode ser algo controversa, entendo que o recente investimento por parte de Sporting, FC Porto e SL Benfica terá como consequência natural uma diminuição da competitividade do campeonato português, pelo menos no curto prazo. A contratação de jogadores como Carlos Ruesga, René Toft Hansen, Carlos Molina, Djibril Mbengue ou Tiago Rocha faz, naturalmente, com que a balança se desequilibre favoravelmente para os três grandes.

Por outro lado, a participação positiva das equipas portuguesas nas competições europeias faz com que os jogadores sejam sujeitos a momentos de maior pressão competitiva e o seu processo de evolução seja naturalmente mais positivo. Um dos melhores exemplos do que acabei de referir é o jogador do Sporting Pedro Valdés. Em 2017-2018, chegou ao clube de alvalade vindo do Avanca e desde aí a sua evolução tem sido exponencial.

Como em quase todas situações, existe sempre um reverso da medalha. Como adepto do andebol português, desejo que as equipas portuguesas continuem a triunfar por essa Europa fora. Entendo também que esse mesmo sucesso pode não ser incompatível com a competitividade do campeonato português. No entanto, para que tal aconteça, a FPA tem de tomar rapidamente algumas medidas para proteger e “favorecer” as equipas mais pequenas.

A ETERNA DISCUSSÃO: PLAYOFFS OU FASE REGULAR?

Sporting e Porto têm dominado por completo o andebol português nos últimos anos. Na Europa, ambas as equipas têm tido resultados bastante positivos. Em 2019-2020, Porto e Sporting estarão na Liga dos Campeões.
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Uma das grandes discussões do andebol português é qual o modelo competitivo mais adequado para a nossa realidade. Atualmente, temos uma fase regular normal, seguida de uma segunda fase em que as seis melhores equipas disputam o título e as seis piores lutam para ficar na primeira divisão. A variante é que da primeira para a segunda fase as equipas vêm os seus pontos reduzidos para metade.

Confesso que entendo a opção por este modelo competitivo. Em primeiro lugar, permite que Porto, Sporting e Benfica se defrontem inúmeras vezes. Se fizermos as contas, vemos que temos por época pelo menos 12 jogos entre os três grandes. Esta é um aspeto que não deve ser desvalorizado. A modalidade precisa de visibilidade e este tipo de jogos são quase sempre os que alcançam mais pessoas e, verdade seja dita, são também os jogos mais espetaculares.

A outra solução seria a adoção dos playoffs. Na minha opinião, esta seria a solução ideal.

Em primeiro lugar, porque permitiria um aumento da competitividade interna. Bem sei que este é um argumento controverso, mas entendo que é mais fácil o ABC bater Sporting, Benfica ou Porto num playoff do que num campeonato inteiro.

Em segundo lugar, esta solução retiraria importância à fase regular e permitiria às equipas portuguesas apostar forte nas competições europeias, que têm às suas fases iniciais nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro.

Por último, os playoffs fariam com as equipas grandes se defrontassem entre si um maior número de vezes e que esses mesmos jogos tivessem um caráter decisivo ainda maior. Para além da maior visibilidade, esse tipo de jogos são as situações em que os jogadores mais evoluem.

Em suma, a verdade é que o no ano em que o ABC se sagrou campeão o modelo competitivo em vigência eram os playoffs. Este parece-me a maior prova de que a solução que maior promove a competitividade e diminui o fosso entre os três grandes e os restantes são mesmo os playoffs.

FUTURO RISONHO

Apesar de entender que o atual modelo competitivo não é o mais adequado, não queria deixar de dar uma palavra à FPA e ao trabalho que a mesma tem vindo a desenvolver. O sucesso das seleções nacionais, sobretudo nos escalões mais jovens, e a fase em que o andebol português atualmente se encontra em muito se deve à FPA.

Para terminar, penso que o regresso dos playoffs estará para breve e, a acontecer, seria a cereja no topo do bolo.

Foto De Capa: EHF Champions League

artigo revisto por: Ana Ferreira

Quem são os favoritos à vitória na Vuelta?

Chegou a altura da terceira Grande Volta do ano, a La Vuelta! A prova terá o seu início neste sábado e após 21 etapas, num total de 3.272 quilómetros, terá a sua chegada a Madrid.

Esta será a 74ª edição da Volta a Espanha, num ano que a camisola vermelha fará dez anos de existência! A sua primeira aparição aconteceu em 2010, com o britânico Cavendish a envergá-la pela primeira vez.

Este ano, haverá muitas etapas de montanha, com oito chegadas em alto. Na quinta etapa irá haver diferenças significativas na geral individual, com o final a culminar numa montanha de primeira categoria, com 11,7 quilómetros a 7,5% de inclinação média.

Irão ser feitos dois contrarrelógios este ano. No primeiro dia será feito o contrarrelógio coletivo, com 13,4 quilómetros de extensão e no décimo dia de competição o contrarrelógio individual de 36,2 quilómetros em Pau.

Este ano a Vuelta contará com a presença de três corredores que já venceram a prova: Valverde (Movistar), Aru (Emirates) e Quintana (Movistar). E serão cinco portugueses que irão alinhar à partida da Vuelta: Domingos Gonçalves (Caja Rural), Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Nuno Bico e Ricardo Vilela (Burgos BH) e Nélson Oliveira (Movistar).

Uma novidade será a introdução da camisola branca para o melhor jovem da prova, tal como acontece no Giro e no Tour.

Muitas equipas este ano não apostaram na Vuelta, visto que não trazem o seu bloco de corredores mais forte, equipas como a: Team INEOS, Deceuninck ou a Mitchelton são alguns exemplos disso mesmo. No entanto, existem muitos nomes a ter em conta para a geral!

Era uma vez em… Turim

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O mais recente filme de Quentin Tarantino, “Era uma vez em… Hollywood”, chegou este mês às salas de cinema e tem dado muito que falar. Com um orçamento “hollywoodesco” e a participação de estrelas como Leonardo DiCaprio, Brad Pitt e Margot Robbie, este era um dos títulos mais aguardados do ano. Em Turim, sob a realização de Maurizio Sarri, com argumento de Andrea Agnelli e participação de estrelas como Cristiano Ronaldo, Gianluigi Buffon e Matthijs de Ligt, esta também é umas das “fitas” mais aguardadas do ano. E o seu primeiro capítulo tem estreia marcada para este sábado às 17h, em Parma, quando a Juventus FC iniciar a defesa do título contra a equipa local.

Uma das estrelas maiores desta produção de elevado orçamento é Maurizio Sarri, uma das novas contratações da Juventus para esta temporada, escolhido para suceder ao histórico, ainda que não tão consensual, Massimiliano Allegri. Dois treinadores semelhantes na origem (italianos) mas diferentes no estilo e na abordagem ao jogo e foi precisamente por isso que a escolha de Andrea Agnelli recaiu em Sarri, com o objetivo de alterar o paradigma da Vecchia Signora, que mais do que a hegemonia interna que já detém há vários anos, procura a glória europeia que tarda em retornar.

Porque falar da Juventus é, principalmente, falar do seu maior protagonista, Cristiano Ronaldo, o técnico italiano tem utilizado a estrela maior da sua constelação num papel ligeiramente diferente do que este tem estado habituado, fazendo-o até regressar às origens. Sarri tem optado por colocar o português na posição de extremo/avançado mais descaído no corredor esquerdo, justificando esta aposta com a capacidade de explosão de Ronaldo, traduzida em diagonais vertiginosas do corredor para o centro, em busca do golo ou de um passe de morte que coloque um companheiro de equipa na cara do golo. Uma alteração clara em relação ao guião do seu antecessor, cujos efeitos práticos ainda estão por saber, mas que mostra uma clara intenção de Sarri se desmarcar de Allegri e deixar o seu próprio cunho.

Maurizio Sarri conta com um elenco de luxo para esta época
Fonte: Juventus FC

Relativamente a transferências, os bianconeri reforçaram-se e bem neste defeso, com o objetivo de reforçar o plantel para o ataque à Champions, trazendo para jogar ao lado de Cristiano jogadores como Matthijs de Ligt (85,5 milhões €), Danilo (37,5 milhões), Cristian Romero (26 milhões), Luca Pellegrini (22 milhões) e Merih Demiral (18 milhões). A custo zero chegaram ainda Aaron Ramsey e Adrien Rabiot, para além do regresso do filho pródigo Gianluigi Buffon. Foi notório o esforço dos responsáveis do clube em conseguir aquisições cirúrgicas, para acrescentar qualidade à que já existe no plantel, mais numa ótica de qualidade do que de quantidade. O resultado final é um elenco de luxo, vasto e com muita qualidade, que permite aos adeptos da Juventus sonhar com uma verdadeira obra-prima.

Nos últimos dias muito se tem especulado sobre uma eventual transferência de Neymar para os bianconeri, por troca com Dybala, que tanto pode vestir o papel de herói como de vilão. A confirmar-se, poderá ser benéfico se o brasileiro estiver motivado e empenhado em mostrar o que vale porque, caso contrário, Neymar continuará a ser notícia pelas birras e infantilidades e não pela qualidade que já demonstrou dentro de campo. Um jogador que pode ir de herói a vilão num ápice seria mais um excelente predicado na produção às ordens de Sarri.

Ao longo dos jogos de pré-temporada Sarri foi desvendando algumas pistas sobre o enredo que vai apresentar esta época. O modelo de jogo escolhido deverá ser o 4-3-3, mas que facilmente poderá passar a 4-4-2 fruto das características dos médios e, sobretudo, dos avançados à disposição do treinador italiano. A titularidade da baliza tem sido entregue a Szczesny, ao passo que na defesa as alas serão entregues aos brasileiros Danilo e Alex Sandro e o eixo central será composto pelo experiente Chiellini e pela nova coqueluche do futebol europeu, de Ligt. No meio-campo a três abundam a qualidade e a quantidade mas as primeiras escolhas de Maurizio Sarri deverão passar por Khedira, Pjanić e Rabiot. Na frente de ataque, a única certeza será Cristiano Ronaldo, mais provavelmente na ala do que no eixo do ataque, com a companhia de Douglas Costa e Higuaín.

E porque só podem jogar 11 de cada vez, ainda poderão “saltar” para a ribalta e atuar às ordens de Sarri jogadores como Buffon, De Sciglio, Bonucci, Ramsey, Matuidi, Emre Can, Bentancur, Cuadrado, Bernardeschi, Dybala e Mandžukić. Um luxo que muitos ambicionam mas que apenas está ao alcance de (muito) poucos.

Em suma, a expetativa é grande para aquilo que pode fazer a Juventus de Sarri esta época. Se a nível interno a pressão é a de continuar a hegemonia trazida dos anos anteriores, por outro lado há uma grande expetativa pela atuação da Vecchia Signora no palco europeu, onde já foi aclamada e premiada por diversas vezes. Se no ano passado a eliminação na Liga dos Campeões foi precoce, este ano a conquista do maior troféu europeu de clubes terá de ser, indubitavelmente, o grande objetivo desta Juve. O sucesso está nas mãos e na cabeça de Sarri, assim como nos pés do seu elenco de luxo. Luzes, câmara… e que role a bola!

Foto de Capa: Juventus

artigo revisto por: Ana Ferreira

Ferro: Um central de aço com um toque de porcelana

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Olhando de relance para o sucesso e para o bom futebol praticado pelo Benfica, desde a chegada de Bruno Lage, há certos executantes que se destacam e magnetizam assim para si toda a atenção do público. Rafa e toda a sua velocidade, Pizzi e o seu toque de bola e qualidade de passe, Gabriel e os seus passes típicos de quarterback, Florentino e a sua capacidade de posicionamento defensivo. Tudo isto capta a atenção dos adeptos encarnados e provoca aplausos em catadupa no Estádio da Luz. No entanto, para mim, há um jogador cuja importância para a equipa, tanto ofensiva como defensivamente, é claramente menosprezada, Ferro.

Até dentro do próprio setor defensivo, Ferro acaba por ser algo desvalorizado face às exibições do seu companheiro no setor central da defesa, Rúben Dias. Em termos defensivos, Ferro é uma grande mais valia para o Benfica. Fazendo uso da sua boa estatura física (1.89 metros de altura), na época transata, Ferro ganhou 58,6%* dos duelos aéreos (*dados OptaSports trabalhados pelo Sofa Score), face aos 57% de Rúben Dias, jogador bem mais conhecido pela sua capacidade no jogo aéreo.  Já na questão dos duelos no solo, Ferro é também bastante eficaz ganhando 60% dos mesmos, mais 9% do que Rúben Dias que ficou pelos 51%.  Já em termos disciplinares, Ferro cometeu apenas 0,5 faltas por jogo, o seu compatriota Rúben Dias chegou às 1,6 faltas. Estes dados estatísticos, por muito relativos que possam ser, demonstram a capacidade que Ferro tem no posicionamento defensivo, na leitura do jogo e a sua eficácia no momento do desarme, eficácia essa que subiu para lá dos 75%.

Ferro tem sido decisivo na equipa encarnada
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Apesar de ser bastante competente defensivamente, é no momento ofensivo que o jovem central de 22 anos, se diferencia de grande parte dos centrais na Europa. A equipa de Bruno Lage aposta quase sempre na construção de jogo a partir de trás e com a recente mudança na regra do pontapé de baliza, que veio permitir a entrada dos defesas na área, a importância de ter centrais capazes de pensar e iniciar o jogo é cada vez mais fundamental. A perceção do jogo e a inteligência tática da qual Ferro dispõe, são características algo atípicas para um jogador de tão tenra idade. Ferro é capaz de ser decisivo no momento ofensivo em duas situações de construção diferentes:

No caso da equipa encarnada enfrentar equipas com as linhas mais juntas e que não aposte na pressão alta, Ferro transporta o esférico, “invadindo” os espaços que se abrem pela inexistência de pressão, aproximando-se o mais possível do meio campo ofensivo e aí realiza passes verticais com a intenção de “quebrar linhas”, ou seja, que permitam que algum jogador do Benfica receba a bola mais perto da baliza adversária e que ao mesmo tempo esteja mais longe das primeiras linhas de pressão do adversário. Quando a equipa das águias enfrenta situações destas, quase sempre os laterais estão projetados dando “largura” à equipa e os extremos procuram espaço interior. Isto deixa a equipa algo vulnerável a um contra-ataque rápido do adversário, caso aconteça a perda da bola, tendo apenas os centrais recuados e possivelmente os médios na cobertura. Face a esta situação é absolutamente preponderante a ação e a qualidade de passe dos centrais. Ferro prospera nesta conjuntura tendo uns impressionantes 80% de passes completados para o meio campo ofensivo, números de elite a nível europeu. Os passes de Ferro não se limitam a ser direcionados para a zona correta ou para o jogador desmarcado, a bola sai quase sempre dos pés do internacional sub21 “com contrapeso e medida”, de forma a facilitar a receção orientada dos seus colegas, de forma a permitir a continuidade da jogada.

Numa situação em que o Benfica sofra uma maior pressão na primeira fase de construção do jogo, em que o transporte de bola é dificultado, o camisola 97 das águias, opta quase sempre por passar o esférico aos laterais que, perante a pressão adversária, ajudam na construção, ou para um médio que baixe no terreno com a intenção de ligar o jogo. Neste capítulo, Ferro é igualmente eficaz, tendo uma taxa de acerto de 92% de passes dentro do seu próprio meio campo. Sobretudo nos jogos europeus, onde o Benfica terá que jogar necessariamente muitos minutos à procura de transições rápidas, a capacidade do passe longo torna-se um recurso fundamental na procura da baliza adversária. Esta será provavelmente uma das “melhores armas do arsenal” de Ferro. O jogador formado no Seixal, completa 63% dos passes longos, números incríveis em comparação com 90% dos centrais no mundo do futebol. Para que se tenha melhor noção, a eficácia de Ferro nas bolas longas é superior à de defesas centrais como Koulibally, Hummels ou Bonnuci, todos centrais de classe mundial e bastante elogiados pela sua qualidade de passe.

Ferro ainda comete alguns erros defensivos e por vezes toma decisões erradas, mas estes erros apenas poderão ser reduzidos com a experiência dentro de campo. O que é certo é que o central do Benfica demonstra já muita qualidade, tanto defensivamente como ofensivamente, e tem ainda muita margem de progressão. Na minha opinião, o que mais diferencia Ferro dos restantes é a enorme maturidade tática e emocional da qual o jovem já dispõe. A manter o trajeto de progressão que já tem sido seu apanágio, não ficará muito mais anos em terras lusas.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

artigo revisto por: Ana Ferreira

Antevisão US Open: Está a chegar a 139ª edição!

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Chegamos (finalmente!) às últimas semanas do mês de agosto, que acabam em grande: inicia-se o US Open, o quarto e último Grand Slam do campeonato ATP e WTA de ténis profissional.

Nem precisamos de esperar pelo último dia do mês: já a partir da próxima segunda-feira, dia 26, até dia 8 de setembro, vai ser possível acompanharmos toda a edição de mais um incrível espetáculo de ténis, que nos deixa com expetativas cada vez maiores ano após ano.

É importante referir que as qualificações para o torneio decorrem durante esta semana, onde já tivemos a participação dos nossos tenistas portugueses Pedro Sousa e João Domingues.

O favoritismo deste ano recai sobre o tenista sérvio Novak Djokovic e a tenista japonesa Naomi Osaka, que, na edição anterior, foram os vencedores do torneio, e ambos lideram o ranking do ATP e WTA, respetivamente.
Naomi Osaka e Novak Djokovic foram os campeões da edição número 138 do US Open, realizada em 2018
Fonte: US Open

UM POUCO DE HISTÓRIA

Durante os seus 139 anos, o torneio realizado em Nova Iorque tem, nas veias, uma longa História para contar, e que, certamente, não ficará por aqui. Mas então, o que poderemos contar sobre o US Open?

O Open dos Estados Unidos é o segundo Grand Slam mais antigo da História, ficando atrás do torneio inglês de Wimbledon, com uma diferença de apenas quatro anos um do outro (1877-1881).

O mais curioso é o facto deste torneio ser dos únicos na sua História que teve experiência com os três tipos de superfície – relva (1881-1974), terra batida (1975-1977) e piso rápido (1978-atualmente). E o tenista Jimmy Connors, improvavelmente, foi o único que ganhou em todos eles.

Surpreendentemente, nenhum dos maiores detentores do torneio é tenista do século XXI – o mais próximo de obter o recorde de mais títulos (sete) é Roger Federer, com cinco títulos consecutivos.

Roger Federer detém cinco títulos consecutivos no Open dos Estados Unidos, conseguidos entre 2004 e 2008
Fonte: US Open

Jogadores que Admiro #104 – Florentino

A admirável série televisiva Dark, de produção germânica, explora as implicações existenciais e os efeitos dos saltos temporais na mente humana. Dividindo a quarta dimensão em ciclos de 33 anos, são criados loops, onde as histórias se repetem eternamente num ciclo sem final aparente, criando paradoxos pelo caminho e pondo em causa a perspectiva linear do tempo.

Estamos em 1982. Um rapaz sueco chegava a Portugal com a UEFA debaixo do braço: Eriksson era um jovem talentoso, mas a sua idade criou desconfianças inicialmente. Assente no seu 4-4-2 vertiginoso e abrigando-se do sol nas abas largas do seu panamá da Macieira, o sucesso não demorou a aparecer e, assim, poucas foram as vozes que se atreveram a questionar as opções tomadas. Numa equipa recheada de qualidade individual, Sven entrega o comando do seu meio-campo a um rapaz calmo, tímido, que raramente se exaltava e jogava de pantufas. De aspecto franzino, Shéu Han, seu nome, fazia da inteligência e da gentileza as suas armas como grande recuperador de bolas, num trajecto profissional sempre de mãos dadas com o Benfica.

Senhor Shéu prestes a ser educado novamente
Fonte: SL Benfica

Ora, 33… não, 37 anos depois, Bruno Lage assume o Benfica, num clima de incertezas várias, derivado do seu parco currículo. Era uma opção a prazo. Igualmente fã de um 4-4-2 elétrico, impõe as suas ideias naturalmente e os resultados tornam-se avassaladores. De fininho, foi introduzindo os meninos da B e entrega a batuta do meio-campo a um Florentino Luís que em tudo se assemelha à lenda benfiquista: pouco expressivo, nunca exaltado, sempre leal e com as mesmíssimas pantufas calçadas. Orgulhosamente e sem grandes dramas, Florentino Ibrain Morris Luís percorre todo o centro do terreno pedindo com licença, tirando a bola muito educadamente dos pés adversários e a entregá-la, limpa e bem cuidada, nos homens da frente encarnada.

Florentino só abre a boca para, aqui e acolá, ser educado. Mentalmente, tira um raio-x do campo e guarda as coordenadas de cada adversário. A seguir, calça as pantufas, corrige a postura e dirige-se a cada um deles: “peço desculpa, era uma bola, por favor” e tira-a, nunca de forma brusca. O 10 adversário vai a passar e quando dá por ele, tem um rapaz educado a tocar-lhe no ombro, “boa noite, queria uma bola, se faz favor”, e puff. É um requintado pedinte. A sua esmola, que é uma bola Select de motivos vermelhos em fundo branco, é a única coisa de que precisa para ser feliz e manter-se vivo.

Quero então acreditar que a série está correcta: Florentino é Shéu, Shéu foi Florentino e assim será sempre, num ciclo interminável de desarmes limpos e linhas de passe bloqueadas. Os dois, que são um, a mesma pessoa, combinaram separar-se para ensinar boas maneiras num campo de futebol e, consequentemente, na vida. Quiseram demonstrar que o futebol não é só para brutos e que, um trinco, para ser genial, pode pregar a palavra de Paula Bobone por esses estádio fora.

Foto de Capa: SL Benfica

artigo revisto por: Ana Ferreira

SC Braga 1-0 FC Spartak Moskva: Vitória justa em jogo desinteressante

Para chegar à fase de grupos da Liga Europa, o SC Braga tem de ultrapassar os russos do Spartak e a primeira mão realizou-se na Pedreira, com os minhotos a quererem um bom resultado que lhes permitisse encarar com mais tranquilidade a longa deslocação à terra dos czares.

A primeira parte foi no geral, diga-se, bastante aborrecida. Aliás, os primeiros minutos foram disputados a meio-campo sem nenhuma das equipas parecer capaz de apresentar um futebol suficientemente organizado para criar perigo. Somente aos 21’ houve um primeiro momento de interesse, com uma boa defesa do guardião moscovita.

Finalmente, os últimos dez minutos do primeiro tempo trouxeram outro alento ao jogo e, além de uma admoestação a Sá Pinto, houve lugar para alguns remates interessantes do Spartak, mas Matheus demonstrou-se sempre à altura.

Manteve-se uma intensidade moderada, mais uma vez sem situações de maior a surgirem para qualquer dos lados. Mas, seguindo um guião semelhante ao dos primeiros 45 minutos, tudo aqueceria nos últimos 20 minutos do encontro.

Fonte: SC Braga

Aos 70’, por duas vezes estiveram os arsenalistas perto de inaugurar o marcador, mas acertaram ligeiramente ao lado da baliza. Três minutos volvidos, foi a vez de Maksimenko intervir bem e, por instinto, a evitar um auto-golo. Finalmente, aos 74’, numa jogada de insistência, Ricardo Horta desviou para o 1-0.

Até ao final, o Braga continuou por cima e foi criando algum perigo, com especial destaque para uma bomba de Novais aos 84’ que saiu ligeiramente ao lado. Ainda assim, o Spartak também esteve perto do empate aos 88’, mas uma excelente defesa de Matheus resolveu a situação.

Tratou-se de um jogo fraco em termos futebolísticos, com o Spartak a acabar por acusar o cansaço. Contra uma equipa rápida como este Braga, juntando-lhe o menor tempo de descanso e a longa viajem, foi combinação fatal para os russos, que terão de jogar melhor em casa para reverter a desvantagem.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

SC Braga – Matheus; Esgaio, Pablo (Tormena 64’), Bruno Viana, Sequeira; Palhinha, Fransérgio (Novais 45’), André Horta (Murilo 85’); Wilson Eduardo, Ricardo Horta, Paulinho

FC Spartak Moskva – Maksimenko; Eschenko, Gigot, Dzhikiya, Ayrton; Zobnin, Schurrle, Guliev (Umyarov 85’); Bakaev, Ponce, Mirzov (Melgarejo 63’)