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A “sorte” de Conceição!

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O Futebol Clube do Porto segue em primeiro lugar no campeonato nacional, líder isolado, com mais dois pontos que o segundo classificado. Apesar de ter dividido os pontos, no passado domingo, com a equipa leonina, ficou claramente demonstrada a superioridade dos dragões, tanto nos processos ofensivos como nos processos defensivos.

Dias antes deste clássico, o FCP defrontou o campeão em título da liga francesa, num jogo fora que se adivinhava o mais complicado do grupo, e onde o Porto era obrigado a somar pontos, dado que tropeçou (com um estrondo) frente aos turcos do Besiktas no Dragão e uma possível derrota iria ser um duro golpe nas aspirações europeias. E a equipa de Sérgio Conceição não vacilou, demonstrou ser uma equipa pragmática que neutralizou os monegascos de Leonardo Jardim, o Porto venceu por três bolas a zero e ficou à vista de todos, tanto dos adversários nacionais como dos europeus, o poder que este plantel tem. Mas qual foi a formula mágica? Quais são as componentes por de trás deste início fulminante de campeonato e das grandes exibições da equipa?

Sérgio Conceição chegou a Invicta com o objetivo de ser campeão, com a agravante de que não iria poder contar com os milhões que os seus antecessores tinham tido. A ex glória azul e branca pegou no que o seu antecessor (Nuno Espirito Santo) tinha feito e melhorou. A equipa agora dispõe de um caudal ofensivo enorme, à partida com nomes menos sonantes que nas épocas passadas na frente de ataque, mas com números para apresentar. Na época passada, o Porto na décima jornada contava com 17 pontos em 30 possíveis, 18 golos marcados e oito golos sofridos, em contrapartida, esta época, na oitava jornada tem 22 pontos de 24 possíveis, 19 golos marcados e três sofridos.

Estes dados mostram que não só a frente de ataque está mais finalizadora como a defesa melhorou exponencialmente. A defesa foi sempre o setor que NES privilegiou e, no final da época passada, não era debatível a questão de quem tinha a melhor defesa do campeonato, claramente o Porto mostrava-se muito mais forte que os seus oponentes. Com uma nova época e com um novo treinador que claramente privilegia mais os processos ofensivos, esperava-se um Porto que sofresse mais golos, mas aconteceu exatamente o contrário, o plantel não só continuou bom a defender, como melhorou, tanto em termos de quantidade como de qualidade, nomes como Ricardo Pereira e Diego Reyes ajudaram a dar uma nova profundidade ao setor defensivo.

Sérgio Conceição foi a grande aquisição do FC Porto Fonte: FC Porto
Sérgio Conceição foi a grande aquisição do FC Porto
Fonte: FC Porto

Mas não foi só o setor defensivo que ganhou profundidade, o meio campo também recebeu homens, com o nome de maior destaque a ser, sem dúvida, Sérgio Oliveira, que foi aposta para o meio campo, e André André que embora não tivesse saído do clube, renasceu das cinzas e tem feito jogos com muita qualidade.

Nas alas, encontramos Hernâni que tem sido aposta frequente do treinador no banco, vemos um maior rendimento de Brahimi e Corona, e na frente de ataque nomes improváveis há uns anos atrás (como Marega e Tiquinho Soares) mas que, atualmente, vão valendo o primeiro lugar aos azuis e brancos, não só o primeiro lugar como o melhor ataque e a melhor defesa.

Ainda é prematuro fazer considerações da classificação do campeonato a médio-longo prazo, mas uma coisa é certa, Sérgio Conceição teve “sorte” no seu grupo de trabalho. Esta sorte de que eu falo é a mesma sorte que Vítor Pereira falou na conferência que antecedia o Porto vs Benfica na penúltima jornada do campeonato. Citando o ex treinador portista: “a sorte dá trabalho”. E esta sorte de Conceição é fruto de muito empenho e de um plano que foi bem feito e bem executado, se a equipa continuar a desenvolver este trabalho, com a mesma garra, com a mesma ambição e, acima de tudo, com o mesmo pragmatismo, não tenho dúvidas de que, em Maio, os Aliados voltarão a pintar-se de azul e branco e que os cânticos de “campeões” voltarão a ser entoados no Dragão.

No sucesso ou no fracasso, seguimos juntos.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Beatriz Silva

Escola Croata

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Passou-me pela cabeça começar a crónica desta semana enumerando todos os bons croatas que já vi joga à bola. O Modric, o Srna, o Manduzkic e por aí fora, mas depois apercebi-me que nenhum deles jogou de águia ao peito, infelizmente. Para piorar a situação o único que me veio à memória é um “traidor”, falo do Sokota. No meio destas lendas todas surge agora o nome Krovinovic.

Este é mais um daqueles casos em que me pergunto: “Como é que um puto que joga desta maneira e tem perfume nos pés só agora é que chega ao Benfica?”. A sério? Isto é sinal que estamos tão mal que até os olheiros do Rio Ave sabem observar melhor do que os nossos?

Se este for o caso que se ponha em prática aquela tática de comprar os que fazem melhor do que nós, como antigamente fazíamos quando algum jogador marcava um golo ao Benfica, e em vez de ter todos os extremos do mundo passamos a ter todos os bons observadores de bola profissional do mundo.

Krovinovic chegou ao Benfica com uns tenros 22 anos e proveniente do Rio Ave. Sim, tenros e 22 anos. Bem sei que ainda vem com boa idade e com potencial de crescimento, mas visto que nos últimos anos os clubes grandes têm vindo a apostar em jovens ainda mais novos com o propósito deles renderem no futuro pensei que o Benfica tivesse reparado nele, achado que não era mau mas que não era jogador à Benfica e deixado seguir. Não foi o caso.

Independentemente da demora no processo de aquisição ele chegou. Começou mal embora de forma involuntária. Chegou com uma lesão grave que lhe valeu uma ida à faca e 5 meses, aproximadamente, de ausência. Foi treinado até começar a ganhar ritmo e forma e chegar ao ponto onde Rui Vitória o considerou apto para jogar.

Krovinovic é a contratação mais cara do SL Benfica nesta época Fonte: SL Benfica
Krovinovic é a contratação mais cara do SL Benfica nesta época
Fonte: SL Benfica

O miúdo tem magia nos pés. Tem toque de bola, é bom a decidir e tem posicionamento. Atenção, todas estas características são fruto daquilo que me lembro dele no Rio Ave. No Benfica ainda não vi muito. A questão é porquê?

Porque enquanto existir Pizzi ou Jonas tiver a companhia seja de Seferovic ou de Jiménez o jovem croata só vai conseguir ser figura nos últimos 20 minutos de jogos no campeonato ou em 90 minutos de jogo na Taça da Liga. Mais uma vez com um infelizmente a acompanhar.

Rui Vitória testou-o nas costas de Jonas nos últimos 10 minutos, talvez nem isso, em casa frente aos Paços de Ferreira. Não deu para ver muito. Tocou pouco na bola, fez duas faltas, sofreu uma, ganhou duas divididas e perdeu outras tantas. Pouco para alguém como Krovi.

A sugestão feita é só uma, pô-lo a jogar mais vezes. Onde? Preferencialmente no lugar de Pizzi. Mesmo sabendo que o Benfica funciona melhor quando o maestro de Trás-os-Montes está em campo, e quando não está ocupado a assistir os jogadores do Basileia no lance do 4-0, é de bom-tom começar a ver o que ele rende naquela posição.

Repito bem sei que é arriscado mas penso que terá de ser. Não em jeito de revolta ou de descontentamento, que me parece ser bastante óbvio nesta altura, mas sim como forma de potenciar mais um que pode sair da Luz daqui a uns 2 a 3 anos a troco de 30 a 35 milhões.

Agora, se este for o caso façam-me um favor. Invistam em jogadores para o lugar. Só para não dar a barraca que tem dado.

Foto de Capa: SL Benfica

Os 5 maiores flops do Ténis moderno

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Fonte: Facebook de Ernests Gulbis
Fonte: Facebook de Ernests Gulbis

Ernests Gulbis – Filho de um dos maiores magnatas Letãos, Ernests Gulbis é um dos mais paradigmáticos casos de talento desperdiçado. Ou não. O “menino-rico” que possui para além de um helicóptero, um submarino e uma nave espacial (sim, leu bem, uma nave espacial) diz que não joga ténis pelo dinheiro, fama, ou tão pouco pelo amor ao desporto. Faz tudo “meramente pelo gozo” que lhe dá. Até mesmo quando passou uma noite na prisão, antes de participar no ATP de Estocolmo, o letão achou piada à experiência e chega até a recomendar a todos que o façam “pelo menos uma vez na vida”. Dentro do court, deu nas vistas em 2007 quando eliminou Tim Henman em Roland Garros, chegando aos quartos-de-final desse Grand Slam no ano seguinte. Em 2014 atingiu a sua melhor classificação de sempre (10º) após uma fantástica época de terra batida que culminou nas meias-finais de Roland Garros (eliminou Roger Federer e apenas foi derrotado por Djokovic). Detentor de uma esquerda fabulosa e serviço potente, já tornou bem claro que num dia bom, pode eliminar qualquer um. “Dias bons” é que têm sido poucos, e o letão ocupa agora o 208º posto do ranking ATP.

CF “Os Belenenses” 1 – 0 Vitória SC: Tandjigora foi o oásis num deserto de ideias

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Em dia de eleições e clássico, e numa bela noite de Outono, Belenenses e Vitória SC disputaram, no estádio do Restelo e a uma hora tardia (21:30h), o fecho da jornada, a par do Marítimo – Benfica – sendo estes talvez factores para o pouco interesse do público presente no Restelo.

Belenenses e Vitória SC partiram para este jogo em igualdade pontual. O Belenenses vinha de duas vitórias consecutivas, a última das quais por uns esclarecedores 1 – 4 no terreno do Feirense. Quanto ao Vitória SC, vem de uma vitória caseira frente ao Marítimo mas fora de portas a equipa de Guimarães mostra dificuldades e ainda não venceu para o campeonato. Além disso, o Vitória vinha de uma derrota para a Liga Europa e não sabíamos até que ponto estava a condição física da equipa. Ao invés, o Belenenses mostrava um registo limpo com duas vitórias e um empate. Estava bastante moralizado para este encontro.

No início de jogo, foi feito minuto de silêncio em memória do antigo árbitro internacional José Pratas. O jogo começou muito dividido, sobretudo a meio campo, e a primeira oportunidade apareceu apenas aos 15 minutos de jogo, quando Tiago Caeiro, muito bem servido por André Sousa, cabeceia para uma grande defesa de Miguel Silva. Logo a seguir, no contra ataque, Heldon isola-se na frente e remata cruzado para defesa apertada de Muriel. Duas boas ocasiões num espaço de um minuto faziam antever que o jogo iria ser mais disputado mas tal não aconteceu.

A partida continuou muito disputada e dividida, com algumas faltas, uma das quais a originar aquele que seria o golo do jogo. Tandjigora bate de forma sublime Miguel Silva, num livre directo exemplarmente cobrado e colocando os azuis do Restelo na frente da partida.

Domingos soma e segue, 3ª vitória seguida do conjunto de Belém Fonte: Getty Images/ Gualter Fatia
Domingos soma e segue: é a 3ª vitória seguida do conjunto de Belém
Fonte: Getty Images/ Gualter Fatia

O Vitória pegou no jogo, mas sem grandes estragos. Notava-se falta de força atacante e notava-se também que Raphinha não estava a ser bem coadjuvado pelos restantes companheiros de ataque. Já o Belenenses, ia controlando as fracas investidas do Vitória e, mesmo antes do intervalo, tem nova oportunidade por Tiago Caeiro que remata com relativo perigo ao lado da baliza defendida por Miguel Silva. Talvez para dar essa força ao ataque no início da segunda parte, Pedro Martins tenha tirado Rincon, muito apagado,  para dar lugar ao estreante Tallo Jr.

Um Vitória muito mais pressionante apareceu na segunda parte, mas sem causar grandes jogadas de perigo. Claramente, faltava alguém que pensasse o jogo: nos primeiros 20 minutos da segunda parte notou-se isso mesmo, com um jogo muito faltoso e a clara ausência de ideias de parte a parte.

Mesmo com as substituições, o jogo não melhorou. Do lado do Vitória, Sturgeon entrou mas foi inconsequente e quem ia aproveitando era o Belenenses, que, a espaços, tentava chegar à área adversária, mas, tal como o Vitória, sem perigo. Os minutos passavam e a pressão do Vitória adensava-se com alguns momentos de frisson e sempre com Raphinha em destaque.

De destacar a boa organização defensiva do Belenenses, que foi sempre anulando aqui e ali as tentativas de golo do adversário. Os azuis tentavam quebrar o ritmo do adversário e com as várias paragens de jogo a juntar às  substituições a compensação foi de 7 minutos. Tempo muito contestado pelos adeptos da casa e aplaudido pelos visitantes.

Mas nem com a compensação o jogo melhorou e a melhor ocasião foi mesmo uma bela jogada colectiva do ataque do Belenenses conduzida por Yebda, que podia e devia ser melhor finalizada. E o jogo foi muito isto: muita disputa de bola, poucas jogadas de interesse, Guimarães atacar com muito coração e pouca cabeça, Belenenses muito organizado ataca pouco mas com perigo acaba por merecer a vitória, que ficou marcada pelo belo golo de Tandjigora.

Nas bancadas viveu-se mais o jogo, com a claque do Vitória a puxar os 90 m pela equipa, como é hábito, mas a não ter resposta à altura dentro do campo por parte da sua equipa.

Foto de capa: Vitória SC

CS Marítimo 1-1 SL Benfica: Que o barco tenha batido no fundo

sl benfica cabeçalho 1O Benfica deslocou-se esta noite ao Estádio dos Barreiros para cumprir o calendário da oitava jornada da Liga NOS. Os encarnados subiram ao relvado com apenas uma mudança no 11 inicial(comparação com a derrota em Basel) e uma novidade no banco de suplentes. Salvio reconquista o lugar ao jovem Zivkovic e Svilar é o guarda-redes suplente em vez de Bruno Varela. Douglas estreou-se nos convocados mas não tinha o seu nome na ficha de jogo.

Melhor forma de começar a partida era impossível. Ainda nem o relógio marcava os 2 minutos de jogo e o Benfica punha-se em vantagem com um belíssimo golo de Jonas. O suspeito do costume aproveitou o espaço que os jogadores do Marítimo lhe deram e levou a bola a fazer um arco e entrar no canto superior esquerdo da baliza adversária. A partir do golo o Benfica tentou implementar o seu futebol ofensivo mas acabou, com tempo, a ter a reação que tem sempre que marca: baixar as linhas e sofrer com a pressão adversária.

A restante, toda, a primeira parte acabou por ser contraditória daquilo que foram os dois primeiros minutos. Quando se esperava que o Benfica conseguisse corrigir a falta de organização no processo defesa-ataque, voltámos a ver o Benfica a ter muita bola mas raramente conseguia rematar à baliza. Destaca-se a jogada onde Jonas faz um forte remate mas Charles acabava por travar a bola com uma difícil defesa. Aos 44 minutos, quando se pensava que a defesa dos encarnados estava organizada, o avançado do Marítimo Pinho faz um remate acrobático e alerta, e de que maneira, Júlio César. Mais um momento que mostrou o quão fora de forma está a nossa linha mais recuada.

A segunda parte começou da mesma forma que terminou a primeira: falta de concretização no último terço do terreno. Aos 57 minutos dá-se talvez o melhor momento de Júlio César no encontro. Mais uma vez Pinho, foge da marcação e de fora de área remata de pé esquerdo. O veterano brasileiro voou e parou a bola com uma bela palmada. Excelente momento do guarda-redes encarnado e do avançado do Marítimo. 62 minutos de jogo e o Benfica faz o primeiro remate na segunda parte: Salvio, depois de um passe a desmarcar, transportou a bola, sentou o adversário e só foi parado por Charles que fez uma bela defesa.

Fonte: Facebook oficial de CS Maritimo
Fonte: Facebook oficial de CS Marítimo

Quem não marca sofre e o Benfica acabava por voltar a cair no erro do costume: num lance rápido e num cruzamento em arco para o segundo poste, Ricardo Valente cabeceou forte e empatou a partida. O Benfica voltou ao habitual e, depois de marcar, relaxou e sofreu o empate. A assistência (e que assistência) ficou a cargo do lateral direito Bebeto. Tanto como o golo sofrido como outras jogadas de ataque do Marítimo devem-se essencialmente a, dar a bola ao adversário e a péssima forma de André Almeida, principalmente nas marcações. (nunca mais chega o mercado de Janeiro).

Salvio tem sido muito criticado mas no encontro de hoje destacou-se várias vezes. Se houve jogador que procurou sempre soluções no ataque encarnado foi o internacional argentino. Está a melhorar de forma. Jardel, em oposto, mostrou pouco trabalho e aos 81 quase que dava o golo aos adversários não fosse a categoria de Júlio César no frente-a-frente com um jogador do Marítimo.

Rui Vitória fez entrar Krovinovic, Rafa e o reforço Seferovic mas a entrada dos 3 não deu nada de diferente ao encontro. Krovinovic está completamente fora de forma, Rafa nunca deu nada de diferente e Zivkovic era uma opção com maior valor (tendo em conta os últimos encontros) e Seferovic entra para o lugar de Jonas e Raul deixa de ter um apoio essencial.

O Benfica acaba por terminar a partida e a dividir os pontos com o Marítimo depois de ter estado a vencer durante um largo período de tempo. Este empate coincide com o empate entre os nossos rivais que, caso vencêssemos, ficaríamos mais próximo dos mesmos.

Foto de capa: radioregional.pt

Sporting CP 0-0 FC Porto: Nulo entre candidatos no 1.º Clássico da época

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Noite de Democracia e de Clássico, o primeiro da época. Sporting CP e FC Porto abriram a época de grandes jogos em Portugal, partilhando um empate a zero em Alvalade. Um empate que mantém o topo da classificação da Liga NOS igual, com dragões e leões nos primeiros lugares, separados por dois pontos.

Relativamente aos onzes iniciais, os dois treinadores fizeram poucas mudanças, em relação aos seus compromissos europeus a meio da semana. Começando pela equipa da casa, Jorge Jesus fez alinhar de início Jonathan Silva e Bas Dost, por troca com Fábio Coentrão e Doumbia, ambos lesionados. Do lado visitante, Sérgio Conceição mudou somente Miguel Layún, que entrou no lugar de Ricardo Pereira.

A partida começou como era já expectável: o ritmo era intenso, a posse da bola era partilhada, e apesar de a equipa do FC Porto ter mais bola, ninguém dominava a partida, com os dois emblemas a apresentarem demasiado rigor tático e pouco caudal ofensivo. Tanto que, nos primeiros quinze minutos de jogo, só Miguel Layún e Sérgio Oliveira atiraram à baliza, remates esses, que, contudo, foram inofensivos para Rui Patrício. Mas foram essas tentativas que acabaram por transformar a partida, com sinal positivo para os Dragões. A equipa azul e branca tomou-lhe o gosto e agarrou a partida com mais três remates perigosos, primeiro por Aboubakar, depois por Herrera, e ainda por Brahimi, perto dos vinte minutos de jogo. O Sporting mostrava dificuldades para circular a bola, e as sucessivas perdas de bola a meio-campo, aliadas à falta de ideias, tornavam o FC Porto mais forte, num momento em que dominava a partida.

Entre o minuto vinte e o minuto quarenta, a tendência manteve-se, mas sem remates, com o FC Porto a dominar a meio-campo. O jogo só acordou quando o relógio marcou o minuto 43, e logo com os dois momentos mais perigosos para ambos os lados: primeiro foi o Sporting, a fazer o seu primeiro remate da partida, com William Carvalho a cabecear, com espaço, por cima da baliza; e depois foi a dupla atacante azul e branca a funcionar, com Marega a cabecear à barra e Aboubakar, na recarga, a atirar para grande defesa de Rui Patrício. A primeira parte chegou logo a seguir e ficou patente o descontentamento dos adeptos da casa face à exibição: o FC Porto dominava por completo, quer em posse quer em ocasiões, com os Leões a rematarem por apenas uma vez no primeiro tempo.

FC Porto esteve melhor nos primeiros 45 minutos de jogo, frente a um Sporting irreconhecível Fonte: Bola Na Rede
FC Porto esteve melhor nos primeiros 45 minutos de jogo, frente a um Sporting irreconhecível
Fonte: Bola Na Rede

 

A segunda parte começou sem alterações nos onzes iniciais e na tendência do jogo: o FC Porto continuava a estar mais perto da área leonina, enquanto a equipa da casa continuava com grandes dificuldades na saída ofensiva. Foi esta a constante da partida, até que o Sporting mudou a estratégia: deixou jogar a equipa nortenha, bem estabelecida no meio-campo leonino, para depois partir em contra-ataque. Foi assim que fez num cruzamento a que Bas Dost chegou tarde, bem como no remate de Bruno Fernandes, aos 58 minutos, que saiu muito por cima da baliza de Casillas. Esse foi, de resto, o último momento do médio dos Leões em campo, já que minutos depois acabou por ser substituído por Bruno César.

A partir daqui, o jogo equilibrou e estagnou, quer em posse quer em fluxo ofensivo, abrindo novamente uma partida que parecia estar destinada a uma vitória sem grandes problemas para o FC Porto. William Carvalho voltou a assustar para o Sporting aos 68 minutos, com um remate por cima, e só voltaríamos a ver a bola perto das balizas dez minutos depois, com Marega, isolado após desconcentração da defensiva leonina, a rematar para grande defesa de Rui Patrício. Depois desta ocasião deu-se mais um jejum de remates, apenas quebrado por um livre direto de Miguel Layún, na última tentativa do Clássico, que terminou assim empatado a zero.

Após o seu primeiro jogo sem vencer, o FC Porto mantém assim a liderança da Liga NOS, com 22 pontos, enquanto o Sporting continua a dois pontos dos dragões, seguindo na segunda posição.

Sporting CP 0-0 FC Porto: Na frente, continua tudo na mesma!

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A oitava jornada trouxe consigo o primeiro clássico da época. Em Alvalade, o Sporting recebeu o FC Porto, num jogo que terminou empatado a zero. Depois de uma primeira parte de claro domínio azul e branco, com os leões a registarem apenas um remate à baliza, a segunda parte trouxe equilíbrio à partida, com as oportunidades a acontecerem junto das duas balizas.

O encontro entre os líderes da tabela aconteceu num momento diferente para as duas equipas. Depois de um arranque forte de ambos no campeonato, o clássico chegou quando as primeiras diferenças se fizeram evidenciar. O FC Porto chegou a Lisboa moralizado por uma vitória importante para a Liga dos Campeões, tendo vencido o Mónaco, fora, por três bolas a zero. Na liga, seguiam isolados no primeiro lugar, depois de baterem o recém subido Portimonense por 5×2 e terem beneficiado do empate do Sporting em Moreira de Cónegos. Foi precisamente contra o Moreirense que os leões cederam os primeiros pontos da época, ao empatarem 1×1 tendo depois, na segunda jornada da Champions, perdido em casa frente ao FC Barcelona.

No que ao jogo diz respeito, foram os azuis e brancos que entraram por cima, tendo protagonizado os momentos de maior perigo junto da baliza. Com maior controlo no meio campo e capacidade de pressionar nas saídas dos leões, o FC Porto foi-se aproximando da área adversária, com o primeiro lance de perigo a chegar perto dos vinte minutos, por intermédio de Aboubakar. O camaronês atirou em jeito, com a bola a passar perto do poste. Também Herrera, logo de seguida e num momento de transição da equipa, teve a possibilidade de levar perigo à baliza de Rui Patrício, tendo optado por rematar quando tinha, de ambos os lados, colegas em melhor posição para o fazer. À passagem do minuto 40, Aboubakar tem novamente a possibilidade de desbloquear o marcador, aparecendo solto na área mas acabando desarmado numa grande intervenção de Rui Patrício. O primeiro sinal de perigo por parte do Sporting acontece já perto do intervalo, com William Carvalho a cabecear com perigo e a obrigar Casillas a uma boa defesa. O apito não suou, no entanto, sem uma nova oportunidade para os dragões. No lance de maior perigo até à altura, Marega enviou a bola ao poste com Aboubakar, na recarga, a atirar para uma defesa apertada de Patrício.

E se a primeira parte teve domínio azul e branco, na segunda o mesmo já não aconteceu. Com os jogos a meio da semana para as competições europeias a fazerem-se sentir nas pernas dos jogadores, a intensidade dos primeiros 45 minutos deu lugar a um jogo partido, com o Sporting a aparecer mais activo e a chegar com mais frequência perto da baliza de Casillas. Na sequência de um roubo de bola a Danilo, Bruno Fernandes rematou forte, com a bola a passar por cima da barra. No entanto, e apesar do crescimento dos leões, foi novamente o FC Porto a dispor das principais situações de perigo. A cerca de dez minutos do final, e depois de alguma confusão na marcação de um lançamento, Otávio apareceu solto pelo lado esquerdo do ataque, cruzando para Marega que, sozinho, permitiu a Rui Patrício uma grande defesa.

Num encontro entre as duas equipas melhor classificadas no campeonato, o empate ditou que permanecesse tudo na mesma na frente da tabela. O FC Porto sai de Alvalade com a liderança, mantendo os dois pontos de avanço sobre o Sporting. Com a perda de pontos para os dois lados, poderá ser o SL Benfica o principal beneficiado do clássico. O clube da luz tem, no jogo com o Marítimo, a oportunidade de encurtar distâncias, depois de já ter cedido cinco pontos na liga.

SC Braga 6-0 GD Estoril Praia: Desastre canarinho na Pedreira!

Cabeçalho Futebol Nacional

Tarde de calor no Estádio Municipal de Braga para se jogar o SC Braga x GD Estoril Praia referente à 8ª jornada da Liga NOS. Do lado da equipa da casa a moral estava em alta na sequência das quatro vitórias alcançadas nos últimos cinco jogos disputados e da vitória “europeia” frente ao Istambul BB. Por outro lado, os estorilistas vinham de cinco derrotas consecutivas e a precisar urgentemente de pontos para sair da antepenúltima posição da Liga NOS ocupada à entrada para esta jornada.

Em dia de eleições autárquicas e num estádio com menos de meia casa (10651 espetadores), o SC Braga entrou em campo com muitos dos habituais titulares (como Paulinho, João Carlos Teixeira ou Ricardo Ferreira) no banco de suplentes. Nota de destaque ainda para as ausências, por lesão, de Marafona, Sequeira, Mauro, Rosic e Wilson Eduardo. Já a equipa de Pedro Emanuel teve como principal surpresa a não inclusão no 11 inicial do jovem Pêpê Rodrigues, titular nos últimos encontros. Mano, Abner e Luís Ribeiro não foram igualmente a jogo por se encontrarem lesionados.

Numa primeira parte algo “morna”, foi até o GD Estoril Praia a entrar melhor em campo e a criar as melhores ocasiões de golo nos primeiros 15 minutos. A equipar totalmente de azul, os “canarinhos” tiveram a primeira oportunidade logo aos 11 minutos de jogo, com Lucas Evangelista já dentro da grande área a rematar forte para uma grande defesa de Matheus. Aos 16 minutos Eduardo Teixeira trabalhou bem no corredor central, deixou a bola na esquerda para Aylton Boa Morte, mas este acabaria por rematar fraco para defesa de Matheus.

Após o domínio inicial dos estorilistas, aos 17 minutos de jogo tudo mudou. André Horta fez um excelente passe de rotura para Bruno Xadas que, a partir da direita, cruzou rasteiro para Dyego Sousa, à boca da baliza, encostar para golo. O brasileiro já não marcava para a Liga NOS desde janeiro! Daí em diante o GD Estoril Praia claramente esmoreceu animicamente e o SC Braga começou a tomar conta do jogo. As oportunidades sucediam-se com Dyego Sousa, aos 27 minutos, após abertura de Jefferson, a realizar um grande trabalho individual dentro da grande área que culminou num forte remate apenas travado por José Moreira. Aos 40 minutos o SC Braga acabaria mesmo por conseguir alargar a vantagem; Xadas apontou um livre teleguiado a partir da direita com Raúl Silva, o central goleador, a aparecer ao primeiro poste para cabecear de forma exímia para golo. 2-0 no marcador, resultado com que se chegaria ao intervalo sem que o GD Estoril Praia parecesse capaz de esboçar qualquer reação perante a maior qualidade individual e coletiva dos “gverreiros do Minho”.

Goleada à moda do Minho, com evidente superioridade braguista em todo o encontro Fonte: SC Braga
Goleada à moda do Minho, com evidente superioridade braguista em todo o encontro
Fonte: SC Braga

Após um intervalo no qual não se realizaram substituições em qualquer das equipas, o GD Estoril Praia regressou mais atrevido, com uma grande oportunidade de golo logo aos 48 minutos de jogo; Lucas Evangelista trabalhou bem na esquerda, cruzou rasteiro e, na marca de penálti, Eduardo Teixeira surgiu isolado a rematar ao lado da baliza à guarda de Matheus. A partir daí o cenário foi mais do mesmo, com o SC Braga a ir concretizando a sua superioridade em golos. Primeiro aos 55 minutos, com Xadas a fazer um excelente passe para a desmarcação de Ricardo Esgaio que, junto à linha de fundo, cruzou rasteiro para Fábio Martins, que se antecipou à defesa “canarinha” para encostar para golo. Pouco depois, aos 57 minutos, foi André Horta quem realizou uma grande abertura para Bruno Xadas que, à entrada da área pelo lado esquerdo, “encheu o pé” para marcar o golo da tarde. Golaço no Estádio Municipal de Braga!

Aos 62 minutos foi a vez de Raúl Silva entrar na grande área e deixar a bola para Ricardo Horta para que este, com um remate forte e colocado, marcasse o quinto golo para o SC Braga. Goleada na “Pedreira” sem que o GD Estoril Praia, muito frágil defensivamente, parecesse capaz de contrariar a evidente superioridade demonstrada dentro das quatro linhas pela equipa bracarense. Victor Andrade ainda rematou forte e ligeiramente por cima da baliza à guarda de Matheus, aos 65 minutos, mas haveria de ser o SC Braga a alargar a vantagem. Aos 82 minutos João Carlos Teixeira ameaçou perigosamente e, aos 83 minutos, o golo (mais um!) chegou mesmo; Esgaio cruzou a partir da direita para a zona do primeiro poste, com Ricardo Horta a bater mais uma vez um desamparado Moreira.

Derrota pesada para o GD Estoril Praia, que cai assim para a última posição da tabela classificativa. Pedro Emanuel tem muito trabalho pela frente, sobretudo no momento defensivo da equipa, caso pretenda ainda ter a possibilidade de vir a realizar uma época tranquila. Já o SC Braga está em crescendo, e conta no seu plantel com jovens como André Horta ou Bruno Xadas que, seguramente, fazem com que Abel Ferreira encare o que resta da presente temporada com relativa tranquilidade.

GP Malásia: 20 anos e um dia

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A 15 de maio de 2016, escrevi um texto que tinha o título “18 anos, sete meses e 16 dias”. Na altura, falava sobre a primeira vitória de Max Verstappen, no GP de Espanha, e da página escrita pelo jovem holandês na história, enquanto piloto mais novo de sempre a vencer um Grande Prémio. Hoje, celebro os 20 anos de Max. Numa época em que o azar tem sido superior ao talento, Max mostrou que ainda tem muito para dar; mostrou que é grande parte dos motivos pelos quais vamos continuar a ver Fórmula 1 nos próximos anos.

Lewis Hamilton foi 45 milésimos de segundo mais rápido do que Kimi Raikkonen e conquistou a 70.ª pole-position da carreira. Depois do finlandês da Ferrari, os dois Red Bull ficaram com a segunda linha da grelha – Verstappen mais rápido do que Ricciardo. Quando a Vettel, passou a Q1 a queixar-se de falta de potência e ainda trocou de motor, mas acabou por não conseguir registar qualquer tempo. Saiu, então, da última posição do grid. O segundo Mercedes, de Valtteri Bottas, saiu do quinto lugar.

Se as coisas já estavam difíceis para a Ferrari com Sebastian Vettel a sair de último, imagine como ficaram quando o monolugar de Raikkonen foi transferido da grelha de partida para as boxes, para tentar resolver um problema – também no motor. Quando a corrida começou, toda a gente esperava a saída de um Ferrari da pit lane. Mas nada aconteceu. Raikkonen não arrancou e Vettel estava em último.

No arranque, Hamilton saiu bem e agarrou a liderança. Bottas também começou bem e atacou de imediato os Red Bull para se juntar ao colega de equipa, enquanto que Vettel na terceira volta já era 12.º. Um dos momentos da corrida chegou logo na quarta volta, quando Max Verstappen – que com a ausência de Raikkonen tinha saído de segundo – ultrapassou Lewis Hamilton e assumiu o primeiro lugar do pelotão. Com mais uma ultrapassagem saída dos livros de poesia, o holandês mostrou todo o talento que lhe corre nas veias.

Duplo pódio para a Red Bull Fonte: Red Bull Racing
Duplo pódio para a Red Bull
Fonte: Red Bull Racing

A partir daqui, Hamilton nunca fez muito para vencer. Fez o resto da corrida com os olhos nos espelhos retrovisores, enquanto controlava Vettel, claramente mais preocupado com a classificação geral do que com a classificação deste GP. O alemão da Ferrari fez uma autêntica corrida de escalada e foi ganhando posições a cada volta, mas não conseguiu passar do quarto lugar, quando esbarrou em Daniel Ricciardo. Ainda tentou a ultrapassagem e um estrondoso pódio, a dez voltas do fim, mas os pneus supermacios já acusavam um tremendo desgaste e a tentativa acabou por se revelar apenas e só isso mesmo – uma tentativa. Ricciardo segurou o terceiro lugar até ao final e a Red Bull colocou os dois pilotos no pódio. Bottas ficou mesmo em quinto, atrás de Vettel, apesar de a ultrapassagem ter acontecido enquanto o Mercedes estava na box.

Nota positiva, obviamente, para a Red Bull e Max Verstappen. Chegamos a uma altura em que já não podemos dizer que a scuderia é “a melhor dos outros”. Quanto um piloto ganha um GP e o outro fica em terceiro, já não são os outros; já são parte ativa da competição. Destaque também para a McLaren, já que Stoffel Vandoorne ficou no top 10 e Alonso às portas dos pontos, em 11.º. Na Hungria, o sucesso dos McLaren foi atribuído ao chassis. Mas na Malásia, é tudo sobre o motor. Será que é agora, quando é tarde demais, que o motor Honda está a corresponder?

Nota negativa para a Ferrari. Desde 2015 que Raikkonen não realizava uma única volta num GP. O quarto lugar de Vettel deixa Hamilton fugir ainda mais na classificação geral e uma vitória do alemão no Campeonato do Mundo deste ano torna-se cada vez mais improvável.

Esta etapa ainda teve um caso insólito: já depois da bandeira axadrezada, na volta de desaceleração, Stroll e Vettel bateram e o Ferrari ficou destruído. O alemão acabou por regressar à pit lane à boleia do carro de Wehrlein.

Naquela que foi a despedida da Fórmula 1 do circuito de Sepang, Verstappen ganhou e Sebastian Vettel está agora a 34 pontos de Lewis Hamilton, quando faltam cinco corridas para o fim do campeonato. A Fórmula 1 regressa já no fim-de-semana de 6 a 8 de Outubro, com o Grande Prémio do Japão.

Foto de Capa: Red Bull Racing

Alex Muralha, o vilão escolhido

Cabeçalho Futebol Internacional

Cruzeiro e Flamengo decidiram a Copa do Brasil 2017. Após o primeiro jogo ter terminado empatado em 1 x 1 – no Maracanã – o jogo de volta teria todo caráter dramático que em uma final com dois gigantes do futebol nacional se espera. O jogo de volta no Mineirão foi bem fraco tecnicamente. Ambas as equipes não jogaram com ânsia de ser campeã do torneio, nem parecia um jogo de final da Copa do Brasil. O resultado do confronto foi outro empate – dessa vez por 0 x 0 – e a decisão do título ficou para as cobranças de pênaltis.

Esse cenário – de disputa por pênaltis – era talvez o melhor que poderia ter acontecido a um jogador das duas equipes. O goleiro Alex Muralha do Flamengo vinha sendo muito criticado por parte da imprensa e dos torcedores pelas fracas atuações que teve na temporada e também por ser considerado um goleiro que não consegue defender pênaltis. Vale lembrar que o Flamengo tem em seu elenco o goleiro Diego Alves que é considerado o melhor goleiro brasileiro na questão de defesas de pênaltis. Porém, o arqueiro não estava inscrito para atuar na Copa do Brasil.

A pressão sobre o Muralha nessa decisão foi demasiadamente exagerada. Não se pode exigir que o goleiro defenda uma cobrança de pênalti. É claro que essa qualidade pode ser aprimorada e os goleiros devem evoluir nessa questão. Esperar o máximo de tempo possível para escolher o canto, estudar os batedores adversários e ter boa impulsão são alguns requisitos que o goleiro deve ter.

Mas apesar da pressão que estava vivendo, era um bom momento para o jogador dar a resposta a todos. Era a chance de mostrar que é competente nesse requisito e consagrar-se no clube sendo o herói da decisão. Entretanto, as coisas não saíram como imaginou o goleiro e o Cruzeiro foi campeão da Copa do Brasil. Para piorar a situação o jogador não defendeu nenhuma cobrança e sempre pulava para o mesmo lado, o canto direito. Após o jogo Muralha disse que pulou apenas para o canto direito por questão de tática.

Thiago Neves escorregou na sua cobrança de pênalti mas mesmo assim conseguiu fazer o gol no goleiro Muralha que pulou para lado direito do gol  Fonte: Uarlen Valério/O Tempo/ Estadão Conteúdo 1
Thiago Neves escorregou na sua cobrança de pênalti mas mesmo assim conseguiu fazer o gol no goleiro Muralha que pulou para lado direito do gol
Fonte: Uarlen Valério/O Tempo/ Estadão Conteúdo 1

Após a derrota flamenguista choveram críticas ao goleiro e o responsabilizaram pela perda do título. O Muralha não é goleiro de nível para o Flamengo. E realmente ele não é o goleiro titular do Flamengo. O Diego Alves é o titular indiscutível da posição.  Mas mesmo não estando à altura do clube que defende era o que o time tinha de melhor disponível. Muralha fez um jogo seguro, não foi tão exigido e as suas participações no tempo regulamentar foram satisfatórias. Talvez na cobrança de pênaltis tenha tomado à decisão errada de sempre pular para o mesmo lado. Porém, aquele é o momento do jogador e ele tem que decidir qual tática adotar. Caso perceba que algo não está dando certo cabe ao atleta aprimorar-se.

O Flamengo perdeu a Copa do Brasil não pelo fato do Muralha não ter defendido pênalti e sim por que o Cruzeiro foi mais eficiente nessa questão. O meia Diego – grande nome da equipe Rubro-Negra – desperdiçou uma cobrança e isso sacramentou a queda da equipe carioca no Mineirão. Agora crucificam mais o goleiro do que o meia. Não que ache que o Diego mereça ser crucificado pelo pênalti perdido. O Flamengo foi muito mal no sistema ofensivo nos dois jogos. Criando poucas chances de gol e fazendo uma transição ofensiva muito ineficaz. Culpar o goleiro pela perda do título em uma disputa de pênalti é no mínimo não querer ver as deficiências que o time apresentou em campo.

O jogador e o clube devem seguir caminhos diferentes na próxima temporada. O que será muito bom para o jogador que poderá ter mais tranquilidade para trabalhar em novos ares. Jogar no Flamengo é sempre complicado e quando a pressão chega a um nível insustentável é melhor ocorrer a separação entre as partes.