Início Site Página 10832

FC Steaua Bucuresti 1–5 Sporting CP: Com Bruno Fernandes tudo é mais fácil

sporting cp cabeçalho 1Foi em Bucareste, num estádio lotado e com relvado novo, que o Sporting fechou as contas para o apuramento para a fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de um nulo em Alvalade, que deixou o universo leonino em estado de alerta, não só pelo simples facto de o Sporting nunca ter vencido (ou sequer empatado) em território romeno.

Ainda assim, foi com imponência e com agressividade – que se exigia à equipa de Jorge Jesus – que o Sporting iniciou a partida, com destaque para o facto de, neste jogo, Doumbia ocupar o lugar de Bas Dost. O treinador da equipa leonina quis dar profundidade e rapidez nas combinações ofensivas com a entrada do costa-marfinense no onze, e foi isso mesmo que conseguiu: numa jogada “à Jorge Jesus”, lançamento longo de Piccini, com um desvio de Mathieu ao primeiro poste, e Doumbia a aproveitar uma bola perdida na grande área para furar as redes e deixar o Sporting em vantagem na eliminatória. O que parecia impossível na primeira mão, concretizou-se em apenas 15 minutos em Bucareste. O Sporting continuou “mandão” no jogo, com Adrien a servir de âncora da equipa, dando liberdade para Bruno Fernandes surgir entre-linhas e Gelson agitar o jogo nas alas.

O ritmo da partida foi baixando com o passar dos minutos (falta experiência europeia ao Sporting para lidar com estes momentos do jogo) e o Steaua foi aparecendo lentamente na partida, com Alibec sempre em evidência. Num mau passe de Coates e num erro de abordagem de Mathieu (pareceu claramente limitado fisicamente, nesta partida), Alibec apareceu com espaço na grande área e, depois de um remate forte, Junior Maranhão encostou na recarga, deixando o resultado de novo empatado. A partir daí o Steua cresceu na partida, subiu as linhas e o Sporting chegou ao intervalo… a precisar dele.

O avançado fez a sua estreia a marcar pelo Sporting Fonte: UEFA
O avançado fez a sua estreia a marcar pelo Sporting
Fonte: UEFA

Na segunda parte, o Steaua continuou a exibição ascendente na partida, colocando o jogo em patamares muitos perigosos para a equipa leonina, pois foram várias as vezes em que a equipa romena surgiu com lances de perigo perto da baliza de Rui Patrício. O Sporting baixou as linhas, trocou Doumbia por Bas Dost, e a eliminatória estava em risco até que a bola, aos 60 minutos, chegou a Bruno Fernandes. Aí, quase como que “vendo o jogo de cima”, o internacional sub-21 desmembrou a equipa romena e, consequentemente, a eliminatória, com um passe teleguiado, que deixou Acuña numa posição em que só tinha de respeitar o talento do português. Ultrapassando o guarda-redes, o argentino voltou a colocar o Sporting em vantagem no resultado.

Com a partida desbloqueada, e quando o Sporting precisava de gerir bem a partida até ao final e de por o jogo num congelador, Gelson Martins decidiu dissipar qualquer dúvida, e cinco minutos depois, num remate cruzado, fechou a eliminatória.

A partir daí, o que era um ambiente infernal passou a um silêncio ensurdecedor. A equipa do Steaua conformou-se com o resultado e com a qualidade da equipa leonina, que mesmo que não tendo feito um jogo excepcional, mostrou o que se pedia: superioridade relativamente ao adversário. No meio deste cenário, Bruno Fernandes voltou a abrir o livro, e num rápido contra-ataque isolou Gelson, que já mais dentro do seu habitat, fez a assistência perfeita para Bas Dost juntar mais um golo à sua conta pessoal nesta época. 4-1 no marcador, resultado que ainda foi ampliado no último minuto por Battaglia após trabalho fantástico de Coentrão.

Cinco a um final, goleada que apura o Sporting para a fase de grupos da Liga dos Campeões, que confirma o bom início de época em Alvalade, e que mostrou aquilo que Jorge Jesus parecia ter alguma dificuldade em admitir: o Sporting está bem acima deste Steaua de Bucareste. A todos os níveis.

Carrega AQUI para ver os golos da partida.

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Jogadores Que Admiro #78 – Luisão

jogadoresqueadmiro

Por esta altura, estará prestes a fazer 14 anos que o Benfica contratou um jovem defesa central brasileiro de nome Anderson Luís da Silva: Luisão para os amantes do futebol. Na altura, veio pela mão do treinador José António Camacho, que pretendia dar mais altura a um centro de defesa que contava com jogadores experientes, mas de relativamente baixa estatura: Argel, Hélder e Ricardo Rocha.

Ao fim de um ano de águia ao peito, Luisão não era opção indiscutível na equipa encarnada e com certeza que a esmagadora maioria dos benfiquistas estavam longe de imaginar que ele faria carreira no nosso clube. E a verdade é que, 14 anos e mais de 500 jogos depois, Luisão é um dos históricos do Sport Lisboa e Benfica.

Já é o jogador com mais títulos conquistados com o emblema encarnado, está entre os 10 jogadores com mais jogos ao serviço do Benfica, é o jogador com mais jogos a ostentar a braçadeira de capitão e também o segundo defesa com mais golos de águia ao peito, seguindo o legado de grandes capitães do Sport Lisboa e Benfica, tais como José Águas, Mário Coluna, António Simões, Toni, Humberto Coelho, Veloso, João Vieira Pinto e Simão Sabrosa.

São mais que muitas as boas recordações que o “Girafa” nos traz, inclusive no que a golos diz respeito. Desde os golos decisivos no campeonato (ao Sporting em 04/05 e ao SC Braga em 09/10), a golos nas competições europeias, desde o golo da vitória do campeão europeu Liverpool, o golo acrobático em Eindhoven ou o bis em White Hart Lane.

Luisão a festejar o seu último golo de águia ao peito Fonte: Facebook Oficial de Luisão
Luisão a festejar o seu último golo de águia ao peito
Fonte: Facebook Oficial de Luisão

Mas, mais do que a sua importância em campo e no balneário, Luisão é um símbolo do Benfica moderno por outras razões fora das quatro linhas: primeiro que tudo, porque numa altura em que está a tornar-se cada vez mais difícil para os clubes nacionais segurarem os seus melhores jogadores, Luisão soube resistir durante anos a fio ao assédio dos “tubarões” europeus, fazendo do Sport Lisboa e Benfia a sua casa e merecendo assim o respeito de todos.

Depois, Luisão é um dos símbolos da recuperação e reestruturação do clube. Como todos devem saber, Luisão chegou ao Benfica numa altura em o clube estava a começar a reerguer-se após anos de sucessivas más gestões tanto a nível desportivo, como a nível financeiro. Quando Luisão chegou, o clube jogava numa casa emprestada e ainda não tinha um campo próprio onde treinar. Como tal, Luisão testemunhou toda a evolução e crescimento do clube, a nível desportivo, financeiro e patrimonial.

Como tal, Luisão merece todo o respeito e admiração dos benfiquistas e inclusive dos amantes do futebol português. Da minha parte, essa admiração será intocável. Obrigado capitão!

Foto de Capa: Facebook Oficial de Luisão

Gil Vicente 1-0 CF União: Golaço desfaz equilíbrio

0

Cabeçalho Futebol NacionalUm grande golo de Luís Tinoco, já em cima dos 90’, resolveu um jogo que sempre foi pautado pelo equilíbrio entre os dois conjuntos. Para o Gil, foi a primeira vitória em casa na nova época. Do lado do União, trata-se da primeira derrota em jogos oficiais.

O equilíbrio foi a nota dominante nesta tarde de quarta feira, em Barcelos, onde o termómetro marcava 32º à hora do jogo. A jogar em casa, o Gil Vicente tentou sempre tomar as rédeas da partida, essencialmente através das investidas de Camara, do lado direito do ataque, que ia colocando a cabeça em água à defensiva madeirense. Contudo, a falta de critério na hora de atirar à baliza foi sempre o maior entrave na conclusão dos lances.

À exceção de um remate de meia distância de Júnior, aos 7’, por cima, e de uma grande incursão de Batatinha, a correr quase meio campo, a fletir da esquerda para a zona central e a rematar para defesa segura de Tony, nenhuma das equipas conseguiu revelar-se superior à outra. Depois de um período inicial de maior circulação de bola por parte do União, que tinha superioridade numérica na zona de meio campo, face ao seu 4-3-3 que se superiorizava ao 4-4-2 do Gil, Casquilha emendou essa deficiência e, já em 4-2-3-1, os homens de Barcelos foram equilibrando a contenda, chegando mesmo a dispor de uma soberana oportunidade, mas o cabeceamento de James (35’), a responder a um bom cruzamento de Tinoco, foi travado por uma enorme defesa de Tony.

A segunda parte trouxe um espetáculo mais pobre, certamente fruto do imenso calor que se fez sentir e do cansaço próprio de quem disputa três jogos em nove dias. Equipas partidas e constantes contra ataques que, contudo, estavam longe de levar perigo a qualquer um das balizas. Ainda assim, o União, já com Flávio Silva em campo, partiu para cima da defensiva gilista no último quarto de hora e, aos 81’, só os reflexos de Rui Sacramento permitiriam que o nulo se mantivesse.

Os gilistas garantiram os tres pontos ao cair do pano Fonte: Gil Vicente FC
Os gilistas garantiram os tres pontos ao cair do pano
Fonte: Gil Vicente FC

Foi então que, em cima dos 90’, Luis Tinoco bateu um livre à entrada da área, colocou a bola no ângulo superior esquerdo da baliza de Tony e assinou um golo de autor, que levou ao rubro as centenas de adeptos que marcaram presença no Cidade de Barcelos.

O jogo não terminaria sem uma resposta unionista, que aos 90+2’, obrigou Rui Sacramento a fazer a defesa da tarde, com o pé esquerdo a negar o golo ao recém-entrado Danilo Dias. Na recarga, Flávio Silva atirou ao poste.

Com este resultado o Gil iguala os sete pontos do União da Madeira no campeonato. Na próxima jornada, os homens de Barcelos viajam até Coimbra, já o União recebe o Sporting B.

 

Gil Vicente:

Titulares – Rui Sacramento, Gonçalo Duarte, Sandro, Tormena, Luís Tinoco, Jumisse, André Fonte, James, Camara, Batatinha e Rui Miguel.

Suplentes não utilizados – Júlio Neiva, Miguel Abreu, Rui Faria e Henrique.

Substituições – Jonathan por James aos 45’; Fall por Camara aos 55’; João Pedro por André Fontes aos 70’.

União da Madeira:

Titulares – Tony, Sylla, Allef, Romaric. Laércio, Ciss, Sagna, Micael, Junior, Rodrigo Henrique e Luan.

Suplente não utilizados – Chastre, Mendy, Marakis, Paulo Vasconcelos e Gonçalo.

Substituições – Flávio Silva por Luan aos 75’ e Danilo Dias por Rodrigo Henrique aos 78’.

CD Nacional 3-0 FC Famalicão: Dia de extremos na Choupana

Cabeçalho Futebol NacionalO CD Nacional regressou às vitórias caseiras, que já fugiam desde dezembro de 2016, frente ao FC Famalicão, numa tarde de condições climatéricas altamente irregulares. Apenas dez minutos antes do pontapé-de-saída, o nevoeiro regressava ao Estádio da Madeira, chegando mesmo a impedir que se vissem as extremidades do terreno de jogo. À hora do apito inicial, contudo, já o sol brilhava e o calor começava a fazer-se sentir.

O encontro arrancou a meio-gás e nem as temperaturas, que chegaram a rondar os 27ºC, nem o estado do relvado na Choupana ajudavam à qualidade do jogo. O Nacional procurava assumir a partida, enquanto o Famalicão tentava os contra-ataques rápidos, mas nenhuma das formações era particularmente feliz.

Ao intervalo, o nulo permanecia, imperando a igualdade e equilíbrio entre duas equipas que procuravam esticar o jogo às balizas, embora sem grande critério. Os famalicenses eram ligeiramente mais desembaraçados na frente e dispuseram mesmo da melhor oportunidade para marcar, mas o remate de Willian foi intercetado antes da linha de golo pelo central Júlio César, cobrindo o batido guarda-redes Daniel Guimarães.

Para a segunda parte, regressou muito mais ativo o Nacional, dispondo de três boas oportunidades, logo nos primeiros sete minutos e, depois de uma boa arrancada de Camacho, foi Murilo a desperdiçar a melhor oportunidade para os homens da casa. Os extremos insulares eram mesmo os mais perigosos e verticais intervenientes no jogo.

A tarde começou cinzenta e com nevoeiro cerrado, mas o calor foi-se evidenciado e levou mesmo a duas pausas técnicas Fonte: Bola na Rede
A tarde começou cinzenta e com nevoeiro cerrado, mas o calor foi-se evidenciado e levou mesmo a duas pausas técnicas
Fonte: Bola na Rede

Sem chegar ao golo, contudo, o ímpeto nacionalista foi arrefecendo e foi numa fase de menor intensidade que o golo chegou, aos 67 minutos, na cobrança de um livre. Kaká foi quem adiantou os insulares, com um golo algo caricato e até um pouco anti climático.

Em vantagem no marcador, o Nacional pressionava os famalicenses e quase chegava novamente ao golo, quando a bola bateu caprichosamente nos dois postes, sem transpor a linha de baliza. Não chegou então, mas chegou mais tarde o segundo tento alvinegro, quando Jota respondeu da melhor maneira à jogada iniciada por Witi na esquerda.

O Nacional dominava por completo a partida e estava bem perto de aumentar a vantagem, pressionando alto e forçando vários erros adversários. Demonstrando claras melhorias na fluidez do seu jogo e embalados pelo bom momento, os madeirenses chegaram mesmo ao terceiro, na sequência de um pontapé de canto finalizado de cabeça por Júlio César, aos 87’.

Vitória clara e justa do Nacional, que venceu no seu estádio pela primeira vez em 2017. Ainda com algumas falhas no terço de ataque, especialmente no último passe e na finalização, os alvinegros conseguiram melhorar imenso o seu jogo na segunda parte e a eficácia lá surgiu. Uma vitória que serve de motivação para um Nacional em crescendo e de boa prenda para os adeptos, numa tarde de calor e humidade altíssimos.

Trade Bombástica, mas não fantástica

0

Cabeçalho modalidadesQuando achamos que a NBA não nos pode surpreender mais, surpreende. O desejo de Kyrie Irving de abandonar os Cleaveland era já por todos sabido. Talvez longe do que todos pudessem pensar, este acabou de ser apresentado como jogador dos Boston Celtics.

Irving nos Celtics teve um preço: Isaiah Thomas. Mas, aparentemente, não era suficiente para os Cavaliers, que têm agora também na sua equipa Jae Crowder e Ante Zizic e ficaram com a escolha do Draft de 2018 que pertencia ao Brooklyn Nets.

A questão é: terá sido esta trade benéfica para ambos os lados? Não tirando valor a Isaiah (jogador que, pessoalmente, gosto imenso), Irving é superior, portanto, os Celtics ficam a ganhar. Já acerca dos Cavaliers, não se pode dizer o mesmo. Com uma equipa que há três anos consecutivos chega à final, de nada vale o “baixinho” e outros dois jogadores que nem na equipa de Boston tinham espaço. Ou seja, a meu ver, os Cavs saem a perder com a trade.

Quem terá mais a ganhar com a troca? Fonte: ftw.usatoday.com
Quem terá mais a ganhar com a troca?
Fonte: ftw.usatoday.com

Seria algo espetacular se esta tivesse sido realizada com uma equipa em construção. Suponhamos que Irving pertencia aos Philadelphia 76ers: trocar Irving por Isaiah Thomas, Jae Crowder, Ante Zizic e ainda o lugar dos Nets no draft, era fenomenal, visto que os 76ers têm uma equipa em construção. Na minha perspetiva, é uma troca com pouco sentido para os vice-campeões.

De qualquer das maneiras, dia 17 de Outubro, as duas equipas vão defrontar-se, logo na abertura da temporada, e aí veremos qual dos dois ficou mais a ganhar: Boston com Irving ou Cavaliers com Thomas?

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Jogadores Que Admiro #77 – Kevin Durant

jogadoresqueadmiroCom tudo o que se passou há cerca de um ano, julguei ser a melhor altura para contribuir para a rubrica Jogadores Que Admiro e mostrar o porquê de Kevin Durant ser um atleta que, de alguma forma, me tocou.

Nunca escondi o quanto gosto dos Golden State Warriors, mas, para que fique claro desde já, esta admiração nada tem a ver com a equipa que KD agora representa. Independentemente da cor que um Homem vista, as suas qualidades são as mesmas e, mesmo envergando a camisola dos OKC, Durant nunca me foi indiferente. Dentro de campo, não é possível negar a sua qualidade. Nunca foi e dificilmente será.

Em 2007, foi a segunda escolha geral do draft, depois de uma carreira universitária recheada de troféus individuais, como Oscar Robertson e Adolph F. Rupp e de ter sido eleito Jogador Universitário do Ano. Aliás, a Universidade do Texas retirou a camisola 35 em homenagem ao seu jovem prodígio.

Draftado pelos Seattle SuperSonics (agora Oklahoma City Thunder), Durant realizou alguns jogos na NBA Summer League, tendo sido de imediato escolhido para fazer testes para a seleção, participando, assim, na State Farm USA Basketball Challenge, onde pode jogar com estrelas como LeBron James e Kobe Bryant.

Fonte: www.cincinnativseveryone.com
Fonte: www.cincinnativseveryone.com

A sua primeira época foi de sonho. Como seria de esperar, o camisola 35 não desiludiu os Seattle, o que lhe valeu o prémio de Rookie of the Year. A partir desse momento, Kevin Durant prometeu, em campo, que só iria descansar quando fosse o melhor entre os melhores. Em 2014, o extremo atingiu o seu auge, já em Oklahoma. Os OKC acabaram em segundo lugar da conferência oeste e o atleta terminou a temporada regular com uma média de 32 pontos por jogo. Merecidamente, KD conquistou o desejado título de MVP. Infelizmente, na seguinte época, devido às lesões, a sua prestação sofreu uma quebra, muito sentida pela equipa, que nem sequer chegou aos playoffs.

Depois de nove temporadas nos Thunder, um título de MVP e algumas presenças na NBA All-Star Team, Kevin Durant agitou o mundo do basquetebol americano, quando decidiu que havia chegado a altura de deixar a equipa que sempre o acolheu. Fez as malas para São Francisco e juntou-se a Curry, Thompson e Green, realizou o seu sonho e conseguiu, na primeira época, aquilo que não havia conseguido ainda em toda a sua carreira: o anel de campeão.

Criticado por muitos, Durant jamais perdeu a sua postura ou humildade. Sim, eu considero Kevin Durant um dos jogadores mais humildes a atuar na NBA (juntamente com Isaiah Thomas). Com tudo o que é, foi, ganhou e continua a ganhar, o extremo não esqueceu as suas raízes, a sua família e tudo aquilo por que passou. E, se eu tivesse de escolher um momento para demonstrar um dos porquês da minha admiração por este atleta, sem dúvida que seria este:

Um jogador é admirável quando não precisamos de procurar razões para admirá-lo. E foi por isso que hoje escolhi o Kevin Durant para esta rubrica.

Foto de Capa: Ellwood/NBAE

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

Depois do eclipse: cinco jogadores prontos a emergir das sombras

0

Cabeçalho modalidadesEsta semana houve eclipse total do Sol, visível nos Estados Unidos. Toda a gente comentou, toda a gente viu. A Terra seguiu a sua rotação, a Lua também e por breves momentos, tapou o Sol. Todos, excepto Kyrie Irving e os seus amigos da Terra plana, sabem isso e, embora este seja um evento natural de relevância, é altura de seguir em frente. E seguimos para o que costuma acontecer após um eclipse: depois da escuridão, voltam os raios de sol. Para estes jovens atletas, a próxima temporada é o momento certo para voltarem a brilhar depois de momentos menos bons na época transata.

D’Angelo Russell precisava de um “novo início”. E precisava praticamente desde o momento em que foi escolhido pelos Lakers. Um dos melhores da sua draft class, Russell foi notícia por motivos extra-basquetebol e nunca conseguiu fugir a essa etiqueta. Em Brooklyn, D’Angelo pode começar de novo. Com um ataque desenhado à sua medida, numa equipa jovem e sem grande pressão, o base pode mostrar o que vale mais pela sua qualidade basquetebolística do que pelas más bocas do balneário dos Lakers.

Ao chegar a Minnesota, muitos diziam que Kris Dunn seria finalmente o base que os Timberwolves precisavam, com Ricky Rubio a nunca atingir o nível que se esperava. Mas Dunn foi mau em Minnesota. Muito mau. Embora tenha tido bons momentos a defender, Dunn é bem capaz de ter sido o pior lançador da última temporada. Trocado para Chicago, Dunn será o titular de uma equipa em reconstrução e em quem ninguém acredita. Depois de bons anos na universidade e uma péssima experiência como rookie na NBA, o jogo ofensivo do base terá de melhorar. Mas o difícil é mesmo não melhorar…

Stanley Johnson experimentou a curva que nenhum jogador de segundo ano gosta de ter na NBA: a sua segunda temporada foi pior do que uma primeira, que nem tinha sido nada demais. Johnson tem as ferramentas físicas necessárias para marcar pontos e defender com qualidade extremos e até alguns postes mais baixos. Mas essa capacidade terá sempre de partir da parte dele. Um ano de desconfiança nunca é bom para um jovem jogador que foi escolhido na lotaria do draft, mas será esse o tipo de ano que Stanley viverá. Porém, depois de dois anos maus e numa equipa de Detroit que parece querer finalmente crescer, o extremo tem tudo para subir a sua produção.

Johnson e Winslow fizeram parte das dez primeiras escolhas do draft em 2015 Fonte: mlive.com
Johnson e Winslow fizeram parte das dez primeiras escolhas do draft, em 2015
Fonte: mlive.com

Depois de uma boa época como rookie, com bastante utilização numa equipa de playoff, a temporada de afirmação de Justise Winslow não aconteceu. Uma lesão no ombro fez com que Winslow não participasse sequer em vinte jogos em toda a temporada e levanta questões sobre um jogador que já tinha um lançamento nada famoso. No entanto, há muito por onde gostar no jogo de Justise: defende como poucos, é rápido, consegue ser um playmaker e atacar o cesto, fazendo tudo o que é necessário para a sua equipa vencer. Winslow pode fazer quase tudo em campo e numa equipa à procura de alguém que seja capaz de a transportar para o próximo nível, o jovem extremo pode muito ser esse homem.

Por fim, Kevin Love. E o que faz aqui uma das estrelas da segunda melhor equipa da última temporada? Bom, quando o segundo melhor jogador da tua equipa está com vontade de ir embora e a imprensa cai em cima de ti sempre que a tua equipa perde, para além de jogares na equipa de LeBron James, é normal que achemos que vivias na sombra e que podes, finalmente, voltar a brilhar. Love foi um autêntico monstro em Minnesota, mas os seus números caíram em Cleveland e, com isso, choveram críticas. Ainda assim, se não houver Irving, haverá mais bola para Love. E com LeBron na equipa, é bem possível que isso seja exatamente o que Kevin Love precisa para voltar aos bons velhos tempos e ser o Robin que o Batman James necessita.

Foto de Capa: D’Angelo Russell

Artigo revisto por: Francisca Carvalho

A longa ausência de Bruno

0

sporting cp cabeçalho 2

A graduação do novo Presidencialismo do Sporting marcou-se pela assiduidade da presença de Bruno de Carvalho em todos os momentos do Clube. Durante todo o primeiro mandato foi vê-lo na linha da frente de todos os debates, com homólogos ou não, mostrando que o principal porta-voz do Sporting encontra-se também no topo da sua pirâmide. Se olharmos para as posturas dos antecessores de Bruno de Carvalho, é com natural evidência que reparamos na alteração comportamental da Presidência, o que veio alterar também a noção de Presidente que qualquer Sportinguista tinha, assim como os rivais, que de repente encontraram numa só figura todo o objecto alvo para direccionar críticas para além do Desporto.

Este novo repto trouxe-nos também uma nova imagem, que embora não seja nova na história, assume pelo menos esse estatuto nos tempos que correm. Um Presidente no banco, renunciador de camarotes e de egocentrismos de bancada, que prefere saltar para o relvado a ter que se conter ao lado do outro Presidente que está sentado ao lado dele. Lá estava ele. Ora com Leonardo Jardim ou Marco Silva até à Era de Jorge Jesus, Bruno de Carvalho não falhou um jogo. Ao lado da equipa técnica e dos Jogadores, foi o primeiro a festejar e a desiludir-se, a falar nas entrelinhas com os árbitros e a assinar a folha da delegação ao jogo.

Jorge Jesus já não tem Bruno de Carvalho a fazer-lhe companhia no banco de suplentes Fonte: Sporting CP
Jorge Jesus já não tem Bruno de Carvalho a fazer-lhe companhia no banco de suplentes
Fonte: Sporting CP

Acredito que qualquer Sportinguista tenha, mais tarde ou mais cedo, parado para pensar nas reais valias que a presença de Bruno de Carvalho no banco de suplentes trazia para o rendimento da equipa. Então as opiniões birfucavam-se. Por um lado era bom, porque impunha respeito, obrigava a dar o litro e a suar a camisola. Estava ali o patrão. Por outro lado era mau, porque a sua presença interferia com o trabalho do treinador, que poderia perder o protagonismo na sua área técnica. Mas as coisas mudam.

Agora que estamos nos primeiros tempos do seu segundo mandato, Bruno de Carvalho tomou a decisão de abandonar o banco de suplentes e de acompanhar a equipa nos jogos fora em sinal de protesto para com a justiça desportiva. Confrontado com esta decisão, Jorge Jesus assumiu gostar da presença do Presidente no banco, embora nem todos tenham ficado convencidos com a sua resposta. A verdade é que os teóricos das coincidências afirmam hoje que tinham razão. O Sporting está a fazer um bom arranque de época, e Bruno de Carvalho não está no banco. Coincidência? Talvez. E caso seja não me importo com isso, até porque o que importa são mais estes três pontos. E mais estes. E mais aqueles. E sei que Bruno de Carvalho também pensa assim, mesmo que hoje pareça estar muito longe quando afinal está sempre tão perto.

Foto de Capa: http://tuvaisvencer.blogspot.pt

Três à Retaguarda

0

sl benfica cabeçalho 1

Itália, o berço da pizza, da pasta, da ópera e do Roberto Di Baggio. Sim, jamais pensaria fazer um artigo sobre algo oriundo do Futebol italiano sem mencionar, ainda que ao de leve, um dos meus jogadores preferidos. Mas não é dele que falamos. Quando pensamos na terra dos romanos e associamos a isso o Futebol vem-nos à cabeça o AC Milan no tempo de Kaká, o Inter de Mourinho, Totti, e a mais recente hegemonia da Juventus. É mais do que isto. Estamos a falar de uma nação tetracampeã mundial, o último do quais em 2006, na final que ficou marcada pela famosa cabeçada de Zidane a Materazzi.

“Em Itália o Futebol é mais lento”. Ouvi isto numa conversa de café com amigos. Não é que o Futebol seja mais lento, mas há uma razão e fundo para se dizer isto. Em vez de lento, em Itália, o Futebol é mais estratégico. Está tudo ligado à tática e à principal característica de boa parte das equipas italianas: saber defender.

A velocidade de jogo depende tudo daquilo que está no papel: a tática. O tempo encarregou-se de munir os italianos com uma capacidade de adaptação que lhes permitiu criar algo de absolutamente invulgar e com resultados fantásticos: o Três-Quatro-Três.

A ideia de abordar um jogo de Futebol com três defesas parece quase suicida, mas facto é que os italianos e alguns países da América do Sul já o fazem há algum tempo. O problema disto estava na forma como aquilo que estava escrito era transposto para o relvado. Inicialmente, os três defesas estavam lá, e quando digo três defesas são três centrais de raiz. Se há skill pelo qual o defesa-central não é muito conhecido, embora hoje em dia menos, é a rapidez. Ora, isto fazia com que a equipa ficasse mais permeável à abordagem dos atacantes adversários. E a compensação? Perguntam vocês. Essa era outra dor de cabeça. Quando as coisas apertavam, passava-se a ter cinco em vez de três defesas, que, por norma, eram os dois médios mais recuados.

Jardel ainda não contabilizou qualquer minuto, em jogos oficiais, esta época Fonte: Instagram de Jardel
Jardel ainda não contabilizou qualquer minuto em jogos oficiais esta época
Fonte: Instagram de Jardel

Este modelo de jogou começou a ganhar novos fãs. Primeiro com o Chile de Sampaoli e, mais recentemente, com um oriundo do país de Júlio César: António Conte. O atual treinador do Chelsea começou por usar este esquema na Série B, com o Siena, em 2011, quando terminou em segundo lugar na Série B. Garantida a promoção, o ex-jogador da Juventus recebeu um convite para ir treinar a Vecchia Signora.

Conte foi treinador da Juve durante três anos e três vezes campeão. Chiellini, Barzagli e Bonucci eram os três defesas com os quais Conte contava, tanto na Juventus como na seleção italiana, que treinou, aí sim sem grande brio, durante dois anos. Hoje, estes papéis são representados por David Luiz, Gary Cahill e Azpilicueta.

Em Portugal ainda não se vê muito disto. Começam a surgir vislumbres e pequenas adaptações, exemplo do Benfica que, no último jogo com o Belenenses em casa, acabou com Lisandro, Jardel e Luisão em campo, sendo Salvio substituído por Chiren, fazendo com que Eliseu (de todos) subisse no terreno e ficasse senhor e dono da ala esquerda.

Contudo, ainda não há quem arrisque mais do que isto. E porquê? O Futebol em Portugal ainda é um pouco como a sua gente: fechado. Não me cheira que tão cedo algum treinador da primeira liga veja o 3-4-3 como uma alternativa táctica plausível. Estamos demasiados habituados a ter 4 defesas e isso, por cá, tem dado resultado.

Lá fora, na Inglaterra e Itália joga-se desta forma com bastante facilidade. Nas terras da senhora Majestade começou com o Chelsea, depois veio o Tottenham e nesta altura West Ham, Southampton, Arsenal e até o United de Mourinho usam o 3-4-3.

Por cá, vamos ter de esperar. Honestamente, neste Benfica este esquema táctico só resultaria se a tripla defensiva fosse composta por André Almeida, Jardel e Kalaica/Luisão com Grimaldo e Cervi a fazerem os corredores, Fejsa e Pizzi a dividirem o meio-campo com o sérvio mais recuado e Jonas, Seferovic e Salvio/Rafa na frente.

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Projetos que valem ouro

Cabeçalho Futebol NacionalPara quem pensa que o mundo do Futebol é só jogar e marcar golos está muito enganado. Muitos clubes, para sobreviver, necessitam de investimentos de terceiros, caso contrário o clube pode ter de fechar as portas.

Longe vão os tempos em que equipas como o Ajax, o Estrela Vermelha ou o Steaua de Bucareste ganhavam Ligas dos Campeões. O Futebol tornou-se cada vez mais num negócio apetecível para os homens mais poderosos do mundo.

Apesar de ser mais habitual ouvir falar em investidores de clubes internacionais, Portugal não fica atrás. Exemplo disso temos: Rio Ave, Portimonense, Chaves, Feirense e o próprio Cova da Piedade.

O Rio Ave, equipa de Vila do Conde que tem consolidado nos últimos a sua posição no Futebol português, é um dos clubes com apoio financeiro. Neste caso, o clube viu-se acompanhado da ajuda por parte do Grupo Fosun, uma empresa chinesa que deu, inicialmente, uma verba de dez milhões de euros para a construção da SAD do clube, empresa essa com ligações ao empresário Jorge Mendes.

Para além das verbas investidas no clube, têm sido alguns os jogadores de qualidade que o empresário português tem colocado no clube. Na última época, Gil Dias e Adama Traoré, ambos vindos do Mónaco, outro clube com ligações ao empresário, foram dois dos jogadores com maiores pergaminhos a representar o clube do Norte. Para além destes, grandes jogadores têm passado por Vila do Conde, à cabeça: Fábio Coentrão, Ederson, Rafa Soares, Krovinovic, Hassan, Heldon, entre outros.

Portimonense, um clube recém-chegado ao principal escalão do Futebol português, é outro bom exemplo. Numa primeira fase, foi necessário solucionar os problemas que o clube tinha. A equipa passava por uma fase complicada quando Theodoro Fonseca decidiu investir na turma de Portimão. A verdade é que, fruto de um trabalho consolidado e bem estruturado, a equipa do sul do país foi conseguindo galgar terreno em busca do seu lugar ao sol no Futebol português. Também no caso da equipa de Portimão, são muitos os nomes de qualidade que têm passado pelo clube. Um deles, a estrela da companhia, Paulinho.

Outro bom exemplo de gestão é o do Desportivo de Chaves. A equipa transmontana tem vivido um verdadeiro conto de fadas no Futebol português. Ainda há uns anos a equipa batalhava nos pesados campos do CPP e agora é um dos clubes mais respeitados do Futebol nacional. Tudo graças a um investidor: Francisco Carvalho, presidente honorário do clube, homem que ficou conhecido por ter ganhado uma grande fortuna no famoso “euromilhões”. O transmontano foi responsável pelo salto competitivo que a equipa de Chaves tem dado nas últimas épocas. Com um projeto muito bem orquestrado pelos seus dois filhos, a equipa tem conseguido voltar a recuperar a glória de outros tempos. Na temporada passada, que marcou o regresso da equipa à competição maior do Futebol português, o clube transmontano foi uma das principais sensações da prova. É importante referir os dias negros que o clube passava há cinco/seis anos. Hoje em dia, o clube respira saúde financeira e esta época poderá ser um dos grandes candidatos a lutar pela qualificação para a Europa.

Também o CD Aves, clube recém-chegado ao principal escalão do Futebol nacional, tem sido notícia por receber apoio financeiro na construção do seu plantel. Aliás, esta época, o Aves tem sido a equipa mais em voga no mercado de verão. Foram quase duas dezenas os jogadores a entrar no plantel da equipa avense. Entre os nomes maiores que reforçaram o clube, destaque para: Nélson Lenho, Fachini, Salvador Agra, Derley, Braga, Gonçalo Santos, Amilton. São muitos os jogadores de qualidade a representar o elenco orientado por Ricardo Soares, também ele contratado para o projeto. Depois de uma subida de divisão há já muito esperada, a equipa da Vila das Aves pretende garantir, pela primeira vez, a manutenção na Primeira Liga. Neste caso, e em comparação com o Portimonense, a equipa das Aves optou por um projeto mais arriscado. O Portimonense decidiu manter a grande maioria do plantel e o próprio treinador, responsáveis pela conquista da Segunda Liga enquanto o Aves decidiu dispensar muitos jogadores e contratar outros para o seu lugar.

O chaves foi uma das sensações da temporada passada, com boas prestações no campeonato e na taça de Portugal. Fonte: GD Chaves
O GD Chaves foi uma das sensações da temporada passada, com boas prestações no campeonato e na taça de Portugal.
Fonte: GD Chaves

Notas de destaque também para clubes como o Feirense e, na Segunda Liga, para o Cova da Piedade, um dos clubes com maior orçamento na prova.

Mas, indo ao que interessa, é prejudicial ou não a existência de investidores nos clubes nacionais? A resposta deve ser ponderada. Há bons exemplos de gestão no Futebol português de clubes que conseguiram manter um equilíbrio nos seus planteis, nos seus projetos, que não tentaram dar o passo maior do que a perna e que mantiveram o seu projeto. E, numa altura em que o Futebol gera cada vez mais dinheiro, será cada vez mais inevitável que apareçam mais casos destes no Futebol em geral. O que se deve perceber é que há uma barreira entre o investidor e as pessoas que, efetivamente, gerem o clube. E isso tem acontecido em alguns clubes portugueses.

Nesta temporada, curiosidade para ver como se sairão os dois recém-promovidos no campeonato, Portimonense e Aves, clubes que têm recebido injeções de dinheiro de investidores e que optaram por dois projetos completamente distintos. Numa altura em que o campeonato nacional é considerado, cada vez mais, como desnivelado ou pouco competitivo, urge a necessidade de surgirem projetos destes. Sim, para os românticos do Futebol, não é algo necessariamente positivo, mas temos de enquadrar que o Mundo está em mudança e que o Futebol, tal como o mundo, não irá voltar ao que era há vinte anos atrás. Infelizmente.

Foto de Capa: Rio Ave FC

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão