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Sporting CP 31-21 CF Os Belenenses: A homenagem que Pedro Solha nunca teve

Após o empate no fim-de-semana para a Liga dos Campeões de andebol, o Sporting CP recebeu a equipa do CF Os Belenenses em jogo a contar para a nona jornada do Andebol 1. Em oito jogos, os leões somavam oito vitórias e dividiam a liderança com o FC Porto. Por sua vez, a equipa de Belém vinha de três jogos consecutivos a perder e tentava no jogo de hoje inverter esta tendência. Um dos pontos de maior destaque da partida de hoje era o regresso de Pedro Solha, jogador que representou o Sporting CP por uma década e, que, na hora da saída, não teve qualquer homenagem por parte do clube de Alvalade.

PRIMEIRA PARTE QUE NÃO FOI PARA ALÉM DOS SERVIÇOS MÍNIMOS

O CF Os Belenenses até começou bem e dispôs de algumas vantagens de dois golos (0-2, 2-4 e 3-5). Todavia, a equipa de Thierry Anti, que não contava com Frankis Carol e Edmilson Araújo por lesão, rapidamente perdeu fôlego e o Sporting CP passou pela primeira vez para a frente do marcador quando estavam decorridos 12 minutos. A partir desse momento, não mais os leões largaram a liderança do encontro. Na primeira parte, destaque para o guarda-redes verde e branco, Manuel Gaspar. O jovem internacional português defendeu um livre de sete metros e teve várias intervenções de bom nível. No final dos primeiros trinta minutos, o resultado era de 15-12.

SEGUNDA PARTE LEONINA PAUTADA PELO RIGOR E PELA QUALIDADE

Como já tem sido hábito, os leões melhoraram no segundo tempo e aproveitaram também algum desgaste da equipa azul. Se ao intervalo a vantagem era apenas de três golos, no final do encontro o resultado fixou-se em 31-21. Destaque neste encontro para a estreia do reforço leonino Marko Vujin. Apesar dos quatro golos marcados, o sérvio de 34 anos demonstrou ainda precisar de ritmo competitivo, mas é um jogador de créditos firmados e o facto de ser canhoto pode ser uma grande mais-valia para a equipa leonina.

Houve tempo ainda para o jovem Duarte Seixas com apenas 17 anos se estrear a marcar. No capítulo individual, e apesar de algumas falhas técnicas e desconcentrações, Pedro Valdez foi o melhor marcador do encontro com oito golos. O Sporting CP soma assim nove vitórias em tantos jogos e fruto da diferença de golos assume a liderança do Andebol 1. Os leões deslocam-se agora à Finlândia para defrontar o Riihimäen Cocks em jogo a contar para a quinta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. A partida acontece no próximo sábado pelas 16h.

PEDRO SOLHA: A HOMENAGEM QUE DEVERIA TER TIDO

No desporto, como na vida, devemos ser gratos a quem muito nos deu e, também na hora da despedida, devemos demonstrar isso mesmo. Pois bem, não foi nada disso que o Sporting CP fez com Pedro Solha. O jogador português vestiu o emblema leonino por uma década, mas acabou por sair pela porta pequena. A direção do Sporting CP nem sequer entendeu ser justo chamar Pedro Solha ao Pavilhão João Rocha para que, no meio de um qualquer intervalo, homenageasse o jogador português. Essa homenagem até poderia ter sido feita hoje, mas o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

No entanto, os adeptos verde e brancos não se esqueceram do que Pedro Solha fez pelo Sporting CP e trataram de o homenagear. Uma das claques organizadas do clube apresentou uma faixa em que expressava o seu agradecimento pelos dez anos em que Solha representou o clube. Contudo, não foram apenas as claques organizadas que o quiseram fazer. Os adeptos presentes no pavilhão João Rocha aplaudiram cada golo que Pedro Solha marcou e, no final do encontro, cantaram o seu nome bem alto. O jogador acabou até por verter algumas lágrimas. A homenagem não foi oficial, como deveria ter sido, mas foi certamente bastante mais saborosa para Pedro Solha.

WRC 2019: Ott Tanak o novo rei?

A temporada de 2019 do WRC pode vir a ser histórica. O reinado francês está muito perto de acabar, com Ott Tanak a estar muito perto do título mundial quando faltam apenas duas provas para terminar o campeonato: o Rali de Espanha, onde o piloto da Toyota pode já sagrar-se campeão, e o Rali da Austrália.

Antes de continuarmos, vamos a contas. Já se disputaram 11 dos 13 ralis do WRC de 2019 e Ott Tanak tem sido, claramente, o principal nome desta edição do campeonato mundial. O piloto da Estónia venceu por seis vezes e terminou no pódio mais duas vezes, totalizando 240 pontos. Sébastien Ogier, campeão nos últimos seis anos, tem 212 pontos, fruto de três vitórias e de mais cinco pódios, já o outro candidato ao título, Thierry Neuville, tem 199 pontos, após duas vitórias e cinco pódios. Facilitando as contas, estão em disputa 60 pontos e Tanak tem 28 pontos de vantagem para Ogier e 41 para Neuville, ou seja, podemos ter campeão do mundo já em Espanha entre 24 e 27 de outubro, caso Tanak faça mais três pontos de Ogier.

Agora que os números estão esclarecidos, vamos falar do campeonato. O domínio Sebastien que acontece desde 2004, primeiro com Loeb e agora com Ogier já esteve perto do fim na temporada passada. O Toyota Yaris WRC e Ott Tanak já estiveram em boa sintonia, mas os três últimos ralis da temporada deitaram tudo a perder. As apostas para 2019 já davam todas Tanak como favorito e o piloto não está a desiludir.

Ogier está próximo de perder o seu trono
Fonte: Citroen Racing

Tanak liderou ralis este ano durante 109 classificativas, os restantes pilotos todos juntos lideraram 114, acho que este é o melhor número para mostrar a excelente temporada que Tanak está a fazer em 2019.

Para vencer não basta ser bom piloto, também é preciso ter um bom carro. O Toyota Yaris WRC já provou ser um bom carro. Esta é a terceira temporada do carro da marca japonesa no campeonato, e tirando o ano de 2017, onde mesmo assim venceu por duas vezes, o Yaris mostrou que é o melhor carro desta geração de WRCs, embora o Hyundai i20 WRC não fique muito atrás. O trabalho desenvolvido pela equipa de Tommi Makinen é soberbo e conseguiu atingir o topo de forma muito rápida.

Este vai ser o terceiro ano consecutivo onde o pódio final do campeonato vai ter Ott Tanak, Sébastien Ogier e Thierry Neuville, e não existem muitas dúvidas de que são os três melhores pilotos do WRC neste momento. No entanto, parece-me que fica claro que Tanak e Ogier estão ligeiramente a cima de Neuville.

O piloto belga também deverá ser o que tem mais pressão dos três. Ogier não tem nada a provar a ninguém. O facto de se mudar para a Citroen esta temporada só prova que não tem medo de desafios. Aliás, o facto de antes ter estado na M-Sport já o tinha provado. Ott Tanak tem estado muito bem nos últimos três anos, principalmente no último ano e meio. Já Neuville tem estado sempre próximo da frente, mas o grande investimento da Hyundai nunca resultou no que a marca quer, o título do WRC. São já seis anos de muito investimento e não conquistaram nada até agora. Com o título de pilotos praticamente perdido, a Hyundai vai querer manter a liderança do campeonato de construtores e assim finalmente ganhar algum campeonato. Neste momento oito pontos separam Hyundai e Toyota.

A pergunta que fica, no entanto, é outra: Terá Tanak um domínio como o de Loeb ou Ogier? A temporada de 2018 e esta indicam que é possível. Tem a palavra o piloto estoniano e, claro, os seus adversários.

Resumindo este artigo. Ott Tanak está muito perto de se sagrar campeão do WRC em 2019, num título que a acontecer será mais do que merecido. A Hyundai, por todo o trabalho que tem feito, também merece ficar com o título de construtores. No final de outubro, após a prova espanhola, ficaremos a saber se temos novo campeão ou se é preciso esperar até à Austrália.

Foto de Capa: Toyota Gazoo Racing WRC

Um palco vazio, num país fechado e quem perdeu foi o futebol

Pode-se dizer, que é no mínimo “estranho”, imaginar um jogo de futebol entre as duas Coreias, mas o sorteio assim o ditou. Na terça feira, a Coreia do Norte recebeu em Pyongyang a congénere do Sul, em jogo a contar para a fase de qualificação da zona asiática para o Mundial 2022, no Qatar.

O jogo terminou empatado a zero, mas há que destacar a presença de Paulo Bento, no banco da Coreia do Sul. Creio que é legítimo dizer que, em conjunto com a sua equipa técnica, foram os únicos portugueses que conseguiram ver esta partida…

Um dérbi com contornos diferentes do habitual, já que o Estado local não permitiu qualquer tipo de adeptos no estádio, bem como jornalistas estrangeiros. Apenas Gianni Infantino (presidente da FIFA) e dois dirigentes da Coreia do Sul, puderam ver de perto este pseudo espetáculo.

E digo pseudo, pela simples razão de que, para haver um espetáculo, têm de estar reunidas certas condições. Os protagonistas (neste caso, ambas as formações), o público comum e a comunicação social. Há jogos, em que são os adeptos, que carregam a equipa às costas. Fez falta o tal 12º jogador. Aquela energia extra que vem das bancadas, e que muitas vezes, ajuda a mexer no marcador.

Por vezes, só um ato de protesto como o do Irão, pode mudar o que já devia ter sido mudado há décadas
Fonte: FIFA

Em certas culturas, o futebol, é dos principais impulsionadores para uma mudança. Veja-se o exemplo recente que decorreu no Irão. Uma sociedade moldada por costumes “apertados” que viu no desporto rei uma forma de protesto. Há cerca de uma semana, foi a primeira vez em quarenta anos, que as mulheres iranianas tiveram permissão para entrar num estádio.

Na sequência da tragédia, na situação, o suicídio de uma adepta, após lhe ter sido dada a sentença de seis meses de prisão, pelo “crime” (naquele país) de ter tentado ir “à bola”, a FIFA agiu. Depois da polémica nas redes sociais, que levou variadas figuras mediáticas pedirem ao organismo mor, que fizesse alguma coisa, a federação iraniana, disponibilizou quatro mil ingressos para mulheres, assistirem ao Irão – Camboja.

Ainda que o recinto albergasse 80 mil pessoas, este foi apenas um pequeno passo para a igualdade. Mas a Coreia do Norte é um mundo à parte. Um único homem dita as leis. Um povo reprimido nada pode fazer, tal qual as organizações mundiais.

Este embate, teria todos os ingredientes para ser um jogo, dito “normal”, se tivesse sido realizado em Seul, por exemplo. Uma Coreia do Sul teoricamente superior, com jogadores nos principais campeonatos europeus (Son, Lee Kangin, Hwang), perante uma Coreia do Norte em crescimento (a nível futebolístico) e um técnico luso. Eu, um adepto do futebol mundial, gostava de ter acompanhado este jogo, imagino a vontade maior dos coreanos.

As Coreias partilham a liderança do grupo H, ambas com sete pontos em três jornadas.

Foto de Capa: FIFA

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Será Córdova o mexicano que se segue na Invicta?

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Há mais um talento a sobressair no futebol mexicano, mais concretamente, Sebastián Córdova, que atualmente defende as cores do CF América. O jovem futebolista, fruto das suas exibições recentes, já está a ser apontado a diversos clubes do “Velho Continente” e o FC Porto é um deles. Quem o diz é o jornal mexicano “Recórd”, que informa que os azuis e brancos são um dos emblemas atentos ao médio-ofensivo e que brevemente poderão avançar para uma proposta mais formal, com a finalidade de adquirir o seu passe em definitivo.

Porém, devido à enorme ascendência que está a ter no seu futebol, a tarefa dos dragões não ser adivinha fácil, uma vez que, ultimamente, a imprensa mexicana e internacional tem associado o jogador a equipas como o Real Bétis Balompié, o Sevilha FC, o Manchester United FC e até ao SL Benfica Sebastián Córdova viu o seu nome ligado. Por sua vez, há aqui um fator a ter em conta, ou seja, o CF América é o mesmo clube a quem o FC Porto foi buscar recentemente dois atletas, que são eles Matheus Uribe e Agustín Marchesín. E este é um ponto que merece algum destaque, dado que os seus ex-colegas de balneário podem dar as melhores referências sobre o clube e tudo o que o envolve, como por exemplo a cidade e os adeptos e isso poderá ser algo que possa vir a seduzir a cabeça de Córdova, além do projeto desportivo que a formação nortenha tem para lhe oferecer.

Córdova tem-se destacado e chamado à atenção de vários clubes europeus
Fonte: CF América

No entanto, muito dos nossos leitores podem ainda estar a perguntar, “mas afinal quem é este Córdova?” e é esse o nosso próximo passo. Desta forma, o atleta mexicano apresenta-se como um médio-ofensivo de enorme qualidade. E por esse facto é alguém que possuí uma técnica bastante apurada e que gosta de deambular pelo terreno de jogo na manobra ofensiva. Apesar da sua baixa estatura não se deixa intimidar por adversários mais poderosos fisicamente e utiliza o seu “cérebro” para ganhar vantagem face aos seus opositores. Tal como um verdadeiro virtuoso ou “maestro”, Córdova gosta de utilizar a sua fantasia para trazer jogo para a frente e fazer passes cruciais, que deixe os seus companheiros em posição privilegiada de finalização. Por conseguinte, outro dos aspetos que o carateriza é o seu forte remate de longa distância, que pode ser essencial para desbloquear partidas em que não haja tantos espaços abertos para potenciar as qualidades do jogador já mencionadas.

Por tudo isto, Sebastián Córdova seria alguém que vinha acrescentar algo extra ao ataque da formação orientada por Sérgio Conceição. Ou seja, iria incutir mais criatividade e classe à transição ofensiva do FC Porto, assim como complementar o jogo dos azuis e brancos em alguns aspetos que neste momento evidenciam algum défice, como a longa distância, ou então ser aquele homem que assuma o papel de organizador de jogo sem grandes dificuldades. Assim, o mexicano, à primeira vista, parece ser um jogador que preenche todos os requisitos do que deve ser um verdadeiro reforço na sua verdadeira acessão da palavra!

Foto de capa: CF América

Artigo revisto por Diogo Teixeira

A “democracia” verde e branca

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Após uma conturbada e polémica Assembleia-Geral do Sporting CP, onde houve beijinhos à mistura, Frederico Varandas foi alvo de contestação por parte de muitos associados, que o assobiaram no Pavilhão João Rocha. À saída, nas curtas declarações que foi deixando à imprensa, o atual presidente do clube leonino afirmou que no Sporting CP impera a democracia. Será mesmo assim?

O método de voto do clube beneficia os sócios mais antigos. Quero com isto dizer que, quanto mais anos de sócio um indivíduo tiver, maior o seu número de votos a favor. Assim, o número total de votos numa eleição não significa que seja a vontade da maioria, mas sim do número de pessoas que tem mais anos de afiliação ao clube. Justo? Na minha ótica, não.

Olhemos agora para o caso do atual presidente do Sporting CP. Frederico Varandas por várias vezes, para se defender das críticas, reforçou que no clube o que existe é democracia. Contudo, a sua própria eleição não é, quanto a mim, digna de uma situação democrática. No ano passado, em Setembro, decorreram umas eleições das mais quentes na história do clube, e foi o ex-médico do clube o vencedor com 42,32% dos votos, enquanto que João Benedito, candidato que ficou em segundo lugar, teve 38,64%. Contudo, olhando para a percentagem de votantes, o caso muda de figura. Se o Sporting CP utilizasse um sistema de votação totalmente democrático, com um voto por sócio, teria sido João Benedito o vencedor, com 43,46% dos votos, enquanto que Frederico Varandas ficava apenas pelos 38,92%, na segunda posição.

A contestação à direção leonina tem subido de tom
Fonte: Sporting CP

Se analisarmos também os resultados da última Assembleia Geral, verificamos que o caso é semelhante. O Relatório e Contas do clube, do exercício da época 2018/2019, foi aprovado por 52,95% dos votos, mas se analisarmos o número de votantes, constatamos que 756 sócios votaram contra e apenas 596 é que deram o parecer positivo às contas do clube.

Concluindo, a democracia que Frederico Varandas apregoa não é correta. A maneira como foi eleito não representa a vontade da maioria dos sócios e o atual sistema de votação não é, nem nunca será, justo enquanto se der mais votos a uns do que a outros. Julgo que deveria ser um tema discutido, mas duvido que o atual presidente tenha intenções de mudar, uma vez que tem sido o principal beneficiado desta situação.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Belenenses SAD recebe dois reforços de peso para ultrapassar a crise

A Belenenses SAD recebeu dois reforços de peso para atacar o regresso após a pausa das seleções, tratam-se de Silvestre Varela e Marco Matias, dois jogadores bem conhecidos do panorama do futebol português.

Silvestre Varela, 34 anos, chega proveniente do Kayserispor, da Turquia, onde esteve nas últimas três temporadas depois de sair do FC Porto. Internacional pela seleção portuguesa, o extremo conta com 27 jogos e cinco golos. Já Marco Matias, de 30 anos, chega proveniente do Sheffield Wednesday FC, que atua na segunda liga de Inglaterra.

Dois jogadores experientes que podem trazer ao plantel dos “azuis” experiência e conhecimento tático. Recordo que o inicio de campeonato da equipa lisboeta tem sido de grande tormenta, com apenas cinco pontos conquistados em sete jogos, sendo que neste momento são o pior ataque da liga portuguesa com apenas quatro golos marcados.

Fruto dos maus resultados a Belenenses SAD trocou de equipa técnica: saiu Jorge Silas e entrou Pedro Ribeiro. Face a este cenário, os dois reforços chegam no momento certo, acalentando nos adeptos a esperança que sejam para reforçar a equipa no imediato.

Na minha opinião com estes dois jogadores, a Belenenses Sad forma um conjunto de atacantes interessantes onde aliam a irreverência do jovem Kikas, um dos jogadores que mais se destacou na época passada, à experiencia de Marco Matias, Silvestre Varela e Licá.

Depois de na época passada terem terminado em nono lugar a, praticar um futebol positivo e atrativo, não era de prever um inicio tão desastroso. Porém, no futebol nada é linear e por isso neste momento a equipa lisboeta luta para se afastar o mais depressa possível da zona de despromoção.

A competição regressa já este fim de semana e aí já vamos poder observar como Pedro Ribeiro trabalhou a sua equipa para sair desta “maré negra”.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Antevisão da época 2019/20: Southeast Division

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Para finalizar a viagem pelo Este, visitamos a divisão mais a sul: a Southeast Divison. Os Hornets e Wizards parecem completamente perdidos e sem ideias para sair de situações complicadas, embora distintas. Os Hawks prosseguem a reconstrução do seu plantel com jovens com muito potencial, os Magic procuram solidificar o seu lugar como equipa de playoff e os Heat adicionaram uma estrela para tentarem voltar à ribalta.

Kosovo: O futebol é maior do que tudo

Com o desenrolar da fase de apuramento para o Euro 2020, apercebi-me dos resultados de uma seleção que praticamente não tem pergaminhos nem neste, nem em qualquer outro desporto, falo da seleção do Kosovo.

Kosovo, um país que recentemente se tornou independente, consegue ser um dos destaques desta qualificação para o Euro 2020 estando na luta inusitada para o apuramento.

Uma seleção que nasceu graças ao esforço de um dos seus, Fadil Vokrri, falecido em 2018, que foi um dos grandes impulsionadores da “luta” que permitiu que a seleção Kosovar pudesse competir ao mais alto nível nas competições internacionais.

Vokrri sempre defendeu que não misturava futebol com política, e o seu trabalho está agora a começar a receber os dividendos.

Depois de terem subido de divisão na Liga das Nações, e de terem ganho uma vaga para disputar esta qualificação, a seleção kosovar tem deixado perplexo o mundo do futebol com uma campanha de qualificação bastante impressionante tendo em conta que os kosovares foram admitidos pela FIFA apenas em 2016. Antes disso, o país teve que jogar alguns amigáveis de forma clandestina, isto porque nem FIFA, nem UEFA, os reconheciam como um país.

Adeptos homenageiam aquele que consideram o pai desta selação, Fadil Vokrri
Fonte Federação Kosovo

Antes de encarar jogos oficiais, o Kosovo organizou-se e recrutou muitos jogadores com origens no país, e montaram uma equipa muito jovem.

Guiados pelo treinador suíço Bernard Challandes, o Kosovo conta com uma equipa com uma média de idades de 25 anos, sendo Samir Ujkani o jogador mais velho com 31 anos.

Apelidados de “filhos de Vokrri”, e mesmo não contando com jogadores sonantes, a equipa tem um elevado nível de qualidade para os seus padrões. Tem vários jogadores nas melhores ligas europeias, e sendo jovens e com margem de progressão poderemos ter jogadores a chegar a patamares mais elevados de qualidade, sendo até que alguns deles chegaram a jogar nas seleções mais jovens de outros países de grande poderio, como a Alemanha, por exemplo.

O grande destaque desta equipa é Valon Berisha que optou por deixar a seleção da Noruega, e em boa altura o fez, e que é uma das grandes referências desta seleção.

Nos seus quadros podiam estar dois jogadores de renome, Xherdan Shaqiri e Granit Xhaka mas as instâncias da guerra não permitiram que estes, e outros jogadores, pudessem representar o país onde nasceram.

A figura maior da seleção kosovar: Valon Berisha
Fonte: UEFA

No campo, a sua história começa a contar-se com a participação na qualificação para o Mundial 2018 onde apenas conquistou um ponto na fase de qualificação e logo no seu primeiro jogo oficial com a Finlândia, um jogo que deixou a nação dos balcãs em autêntico delírio.

Os restantes jogos, mesmo acumulando derrotas, foram vividos de forma única, pois pela primeira vez, na sua curta história, o Kosovo conseguia entrar nas grandes disputas internacionais.

A seguir veio a Liga das Nações, e o Kosovo ficou inserido num grupo juntamente com Azerbaijão, Malta e Ilhas Faroé, seleções com o ranking mais fraco da Europa, mas mostrou que os seus voos são outros, e no total dos seis jogos, somou quatro vitórias e dois empates, logrando assim subir de divisão e entrar na fase de apuramento para o Euro 2020.

Aqui, inseridos num grupo que conta com a poderosa seleção de Inglaterra e a República Checa, os principais favoritos à qualificação, os kosovares lograram vencer em casa os checos, naquela que terá sido até ao momento uma das melhores vitórias na sua curta carreira.

Antes do jogo contra a Inglaterra, o Kosovo contava com quinze jogos sem perder, um marco fantástico que lhe valeu não só, a subida de divisão na Liga das Nações mas também a disputa da qualificação para o Euro 2020. No jogo com os ingleses, e apesar da derrota, a seleção do Kosovo deixou uma excelente imagem, ficando na retina o esforço que fizeram para recuperar de tão grande desvantagem, no final saíram derrotados por 5-3 mas ganharam o respeito do mundo do futebol.

Com dois jogos por disputar e a apenas um ponto do segundo lugar e a quatro do primeiro, o Kosovo terá o grande teste já na próxima jornada quando se deslocar à República Checa. Uma vitória aqui lança a equipa para a segunda posição e na última jornada receberá pela primeira vez no seu país a Inglaterra, e todas as almas kosovares vão estar com os seus para ajudar no apuramento. Engraçado que caso o Kosovo se classifique no segundo lugar, poderá apanhar Portugal nos playoffs.

Quinze jogos sem perder, foi o pecúlio desta seleção antes de defrontar a Inglaterra
Fonte: Federação Kosovo

Não podemos esquecer que o Kosovo é um país que sofreu com as mazelas da guerra e ainda encara algumas consequências do conflito pela sua independência, limitando as condições estruturais do seu futebol. Vai ser um crescimento lento, mas as raízes desse crescimento são fortes, pois Fadil Vokrri encarregou-se disso.

Se há desporto que pode fazer um povo esquecer, por momentos, as desventuras da guerra, o futebol é sem dúvida esse desporto. Basta ver quando a FIFA aceitou a adesão do Kosovo, para ver todo um povo na rua a festejar, e esquecer por momentos por tudo o que passou.

Parafraseando Fadil Vokrri “o futebol é maior do que tudo” e vendo este caso do Kosovo, é capaz de ter razão.

Fonte: Federação Kosovo

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Carlos Vinícius: uma força da natureza à beira da titularidade

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Estádio da Luz, minuto 64: o Benfica vai empatando a zero com um Vitória Futebol Clube muitíssimo recuado. Na sequência de um pontapé de canto batido por Grimaldo, no meio da confusão da grande área, o esférico sobra para Carlos Vinícius que pica a bola sobre Makaridze e finaliza à meia volta de forma sublime, tendo este sido o golo que deu a vitória aos encarnados.

Este era o segundo golo de Vinícius no campeonato em apenas 68 minutos de jogo, mas o mais impressionante foi ter precisado apenas de dois remates para fazer as redes abanarem por duas vezes. Esta eficácia aparece como uma lufada de ar fresco para os adeptos benfiquistas, numa altura em que a dupla Raul de Tomas e Seferovic leva ainda poucos golos.

Mas, afinal, quem é Carlos Vinícius e o que motivou o Benfica a pagar 17 milhões de euros pelo seu passe? E estará o brasileiro pronto para a titularidade?

Vinícius começou a sua carreira futebolística ao serviço das camadas jovens do Santos, onde jogava, surpreendentemente, a defesa central. Transferiu-se subsequentemente para o Palmeiras, atuando na equipa B do “verdão”.  Foi aqui que Vinícius, sem espaço no centro da defesa, foi avançando no terreno até chegar à sua posição atual – ponta de lança.  No entanto, não se destacou no gigante brasileiro e seguiu para clubes de menor dimensão: Caldense e Anápolis.

Em 2017, chegaria a Portugal pela mão do Real Sport Clube – pequeno clube das freguesias de Massamá e Queluz-Belas -, que tinha sido recém-promovido à segunda liga. Na estreia em Portugal, Vinícius chegou, viu e venceu.

Os realistas viriam mesmo a ser a lanterna vermelha do campeonato, mas Vinícius foi o segundo melhor marcador da liga, com 19 golos (o Real marcou apenas 47), e foi mesmo eleito o melhor avançado do campeonato. Demonstrou, ao longo de toda a época, ter qualidade para integrar projetos mais ambiciosos, tendo características muito próprias.

Para mim, foi estranho não ter surgido qualquer interesse por parte dos três grandes no jogador, que demonstrou ter qualidade para, pelo menos, evoluir numa equipa B. No entanto, quem esteve bastante atento à sua época foi o Nápoles. O clube napolitano avançou para a sua contratação, emprestando-o posteriormente ao Rio Ave.

Ao mais alto nível em Portugal, Vinícius comprovou tudo o que lhe era apontado. Marcou 14 golos em vinte jogos, incluindo golos a cada um dos três grandes.  No Dragão, recebeu uma bola em profundidade, deixou os centrais para trás, ultrapassou Casillas e colocou a bola no fundo das redes. Esta jogada resume na perfeição o que é Carlos Vinícius. Apesar do sucesso, o brasileiro ficaria apenas meia época no clube de Vila do Conde, tendo seguido para o AS Mónaco na janela de transferências de janeiro.

No clube do Principado, Vinícius não se destacou tanto, tendo feito apenas dois golos em 16 jogos. Todavia, esta foi uma fase muito instável do clube monegasco, o que pode ter afetado negativamente o jogador. Esta segunda parte de época mais fraca não impediu o Benfica de abrir os cordões à bolsa e contratar o futuro camisola ’95’.

Vinícius destacou-se no Real Sport Clube e comprovou a sua qualidade no Rio Ave
Fonte: Real SC

Vinícius traz ao Benfica uma série de qualidades e características distintas dos demais avançados do plantel encarnado.

A sua capacidade física é, provavelmente, uma das suas melhores armas. Um jogador incansável e muito trabalhador, que pressiona, sempre de forma muito agressiva, a primeira fase de construção da equipa adversária. Encaixa como uma luva na ideia defensiva de Bruno Lage. Ter jogado a defesa central, numa fase embrionária da sua carreira, deu-lhe uma capacidade de compreensão, acima da média, dos movimentos defensivos do adversário.

Apesar da sua boa estrutura física (1,90 metros de altura), Vinícius é surpreendentemente móvel. Sempre em constante movimento, aparece muitas vezes nos corredores laterais, podendo fazer diagonais, com muito perigo, em direção à baliza do adversário.

A maior arma ofensiva de Vinícius é, precisamente, a procura do espaço. Muito forte e veloz na desmarcação, encontra, quase sempre, o espaço nas costas da defesa, procurando constantemente a profundidade, seja através de movimentos verticais ou diagonais vindo das alas. Esta procura do espaço pode ser aproveitada de forma positiva por Gabriel ou Pizzi, jogadores de qualidade no capítulo do passe longo. Neste sentido, o brasileiro é algo semelhante a Seferovic: ambos são avançados móveis que procuram frequentemente o espaço.

Com o espaço encontrado, Vinícius foi, ao longo de toda a sua carreira em Portugal, sempre extremamente eficaz em frente à baliza. Demonstra ter uma rara frieza no momento do um-para-um com o guarda-redes, finalizando com categoria ou ultrapassando o guardião com relativa facilidade. O camisola ’95’ tem também habitualmente um bom sentimento posicional ofensivo, utilizando de forma eficaz a sua compleição física para ganhar posição. Tem um bom pé esquerdo, mas tem ainda muita margem de progressão com o seu pé mais fraco (o direito).

Daniel Ramos, treinador de Vinícius no Rio Ave, apontou o jogo aéreo como a área a melhorar por parte do jogador do Benfica. Apesar da sua elevada altura, Vinícius é ainda pouco efetivo com a cabeça. Tem poucos tentos de cabeça e tem uma baixa taxa de sucesso nos duelos pelo ar. É sem dúvida uma área a melhorar.

Outro ponto menos positivo (ou melhor, menos consistente) é a sua qualidade técnica. É um jogador capaz de conduzir a bola durante vários metros, ultrapassar adversários no momento individual e ter pormenores interessantes em frente à baliza, mas faltam-lhe ferramentas mais básicas do jogo. Vinícius tem ainda alguma dificuldade em receber a bola entres setores. Muita desta dificuldade deve-se à forma como coloco os apoios (pés sempre muito paralelos), dificultando assim uma receção orientada, vendo-se obrigado a efetuar um passe para trás ou mesmo a ceder o esférico ao adversário. Esta dificuldade na receção e o fraco jogo aéreo fazem com que seja difícil a sua utilização como um avançado fixo e de referência, exigindo assim um companheiro mais técnico e menos móvel ao seu lado. Já lá iremos.

No momento da construção, Vinícius é também algo limitado, não sendo um exímio passador. Mesmo recebendo a bola de costas para a baliza, tem alguma dificuldade em combinar com os colegas de equipa. No entanto, creio que Vinícius tem condições para melhorar nestas aéreas e irá certamente consegui-lo ao serviço do Sport Lisboa e Benfica.

Vinícius traz ao jogo dos encarnados uma dimensão diferente de qualquer outro avançado: não é um jogador muito dotado tecnicamente, mas é exímio na finalização e trabalha imenso para a equipa. Pondo as suas características em perspetiva, parece poder formar uma boa dupla com Raul de Tomas. O espanhol pode colmatar as lacunas de Vinícius na receção e na construção de jogo e o brasileiro pode explorar o espaço habitualmente criado por de Tomas. Ambos têm, igualmente, qualidade para colocar a bola na baliza inúmeras vezes.

A dupla parece boa no papel, mas terá que ser testada. Provavelmente, os dois jogadores irão a jogo frente ao Cova da Piedade, naquela que será a quinta dupla atacante dos encarnados.

Estará, neste momento, Carlos Vinícius preparado para assumir a titularidade indiscutível no Benfica? Creio que ainda não, mas tem certamente qualidade para lá chegar num curto espaço de tempo.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Jovane Cabral | Um diamante por lapidar

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Na Academia leonina existem algumas promessas que deixam os sportinguistas de água na boca, como são os casos de Joelson Fernandes e de Diogo Brás, sendo que estes dois extremos possuem uma elevada capacidade de decisão, drible e velocidade, o que lhes confere um estilo de jogo muito atrativo. Contudo, existe outro jogador mais subvalorizado e que possui uma enorme qualidade, principalmente pela sua capacidade de decisão e velocidade, de seu nome Jovane Cabral.

Nascido em Cabo Verde, transferiu-se para o Sporting na época 2014/2015 e desde cedo começou a dar nas vistas na formação leonina, com exibições de encher o olho e sendo ele um extremo veloz, conseguiu sempre um papel de destaque até chegar à equipa principal.

Porém, a sua inclusão e consolidação no onze inicial da equipa principal tem se vindo a adiar. O jogador tem feito exibições intermitentes, sendo que num jogo consegue sair do banco e resolver jogos, como também consegue ser titular e ser um deserto de ideias em campo, acabando por ser substituído sem mostrar todo o seu potencial.

Já mostrou a espaços do que é capaz, mas falta regularidade a Jovane para que ganhe mais preponderância na equipa
Fonte: Sporting CP

Verdade seja dita, desde Jorge Jesus que nunca mais houve um treinador que acreditasse nele e que o trabalhasse para ser titular. Apesar disso, esta também é uma má fase do clube leonino, onde só os resultados importam e mesmo que um jogador da formação mostre serviço em um ou outro jogo, basta ter dois jogos maus e começa logo a deixar de ser aposta.

Tal facto só prejudica o jogador e impede o seu desenvolvimento, porque só a jogar – com muito treino à mistura, mas nisso Jovane é um jogador exemplar – é que o jogador nascido em Cabo Verde conseguirá a tão esperada estabilidade exibicional. A melhor forma para alcançar essa estabilidade penso que passaria por um empréstimo a uma equipa da primeira liga, ou então numa liga mais exigente, como a alemã.

Jovane é um jogador que está numa fase muito delicada da carreira e com o encerramento da equipa B do Sporting, terá poucas oportunidades para mostrar todas as suas capacidades e todo o seu potencial. Mas os treinadores terão que acreditar nele a sério e ter em conta que a sua consolidação levará tempo, paciência e trabalho. Se o jogador for trabalhador, certamente que será melhor ainda que Gelson Martins.

Foto de Capa: Sporting CP

Revisto por: Jorge Neves