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FC Paços de Ferreira 2-2 CD Aves: O antídoto para a eficácia adversária estava no banco

Cabeçalho Futebol NacionalApós saírem derrotados na primeira jornada, Paços de Ferreira e Desportivo das Aves conquistaram os primeiros pontos na 1ª Liga. A equipa da Vila das Aves colocou-se cedo em vantagem e logo com dois golos. O Paços só respondeu na segunda-parte, mas ainda foi a tempo de empatar a partida. Tarde muito quente, com um jogo de futebol interessante e bastante mexido e com duas equipas que procuraram sempre impor a sua ideia de jogo.

Num jogo que começou intenso e com bastantes faltas, o primeiro lance de perigo surgiu num remate do meio da rua por parte do regressado à Capital do Móvel, Bruno Moreira. Mas foi o Aves que, poucos minutos depois, abriu a contagem. Canto marcado à maneira curta e o central Carlos Ponck, com um excelente gesto técnico, a inaugurar o marcador um pouco contra a corrente do jogo. O Paços mantinha-se no meio-campo avense, mas o contra-ataque da equipa forasteira mostrava-se demolidor. Vítor Gomes recuperou a meio-campo, combinou com Braga e o experiente médio isolou Salvador Agra, que, na cara de Mário Flegueiras não perdoou e aumentou para 0-2. O Paços continuou a ter bola, mas o facto de os únicos lances de relativo perigo surgirem por parte do ponta-de-lança Bruno Moreira a trinta metros da baliza, diz bem da inoperância ofensiva dos castores.

À volta da meia-hora, o livre-direto de Pedrinho testou Adriano Fachini, que se ia mostrando tranquilo. Com a vantagem no marcador, o Aves foi-se soltando no campo e criou mais um lance de muito perigo, quando Nelson Lenho cruzou já dentro da área para um desvio subtil de Guedes, ao primeiro poste, para fora. Do lado do Paços, continuavam os remates de longa distância e os “mil e um” cruzamentos que nunca trouxeram perigo. Intensa, mas nem sempre bem jogada, a partida chegava ao intervalo com os forasteiros na frente, muito por culpa da tremenda eficácia nos minutos iniciais.

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

Ao intervalo, Vasco Seabra colocou o melhor marcador pacense da época passada, Welthon, em campo e os castores voltaram a crescer no jogo. Os pacenses deixaram mesmo as ameaças e Pedrinho reduziu após assistência de Bruno Moreira, numa jogada que começou com um belo passe de Welthon e que foi corroborado pelo vídeo-árbitro. Nos minutos seguintes, o Paços continuou a carregar e Bruno Moreira e Pedrinho, os dois atores principais do golo pacense, criavam algum perigo. Ambos ficaram perto do golo (o avançado por duas vezes), mas o esférico saiu sempre perto do poste.

Os minutos seguintes foram parados, com vários jogadores no chão e muitas paragens, porém a equipa pacense chegaria mesmo ao empate, no minuto 86. Um golo fabricado por dois jogadores que começaram a partida no banco. Nabil trabalhou na esquerda, fletiu para dentro e assistiu Luiz Phellype que fez o segundo pacense com um remate seco de pé esquerdo, cinco minutos após ter entrado. Em cima dos noventa, Welthon esteve perto de dar ao Paços a sua primeira vantagem. O jogo, esse, acabaria mesmo por terminar empatado, numa tarde muito quente no Estádio Capital do Móvel. Confronto muito intenso, com o Paços mais tempo no controlo e o Aves a beneficiar de um início fulgorante, que depois acabou por não se traduzir numa vitória.

Gil Vicente FC 1-2 CD Cova da Piedade: Duro golpe para os galos

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Um golo a fechar a primeira parte, novo golo a abrir a segunda, tremenda ineficácia gilista e –sejamos justos- uma boa dose de azar para a equipa de Casquilha ditou a derrota dos homens de Barcelos, que vinham de uma vitória na casa do FC Porto B. Do lado do Cova Piedade, o pragmatismo foi a chave que permitiu apagar da memória a derrota da ronda inaugural, com o Santa Clara.

Já quase não se usa no dicionário futebolístico os termos “sorte” e “azar”, mas, tal como ambos os treinadores reconheceram no final, a fortuna acercou os homens do concelho de Almada e, por outro lado, o azar bateu à porta dos gilistas que viram, por duas vezes, a bola ser devolvida pelos ferros da baliza.

O Gil, que entrava em campo com a moral em alta depois da vitória na casa dos bês portistas, protagonizou uma primeira parte de bom nível, criando inúmeras oportunidades de golo essencialmente por intermédio de Rui Miguel e Jonathan, que viram os seus remates, aos 20’ e aos 38’, respetivamente, embaterem nos ferros da baliza à guarda de Pedro Alves. Este foi, de resto, o principal responsável pelo facto de o Cova da Piedade sair de Barcelos com a vitória, numa tarde em que foi quase intransponível face às inúmeras batalhas que foi travando com o ataque dos galos.

A velha máxima do futebol voltou a aplicar-se e, não marcando, o Gil acabou mesmo por sofrer. Na sequência de um canto, aos 44’, a bola sobra para Firmino que, à entrada da área, isola Daniel Almeida e este, em frente a Rui Sacramento, não perdoou.

Na segunda parte, Casquilha arriscou, retirou André Fontes do campo e promoveu a estreia de Rafael Batatinha, mas a estratégia foi logo por água a baixo quando Sandro, ultrapassado em velocidade por Dieguinho, cometeu grande penalidade. Chamado a converter, o avançado brasileiro não desperdiçou e elevou a contagem.

A partir daqui, o discernimento da equipa de Barcelos foi pouco, contrastando com a segurança dos homens de João Barbosa que, através do contra ataque, procuravam ferir ainda mais o adversário. Quando tudo parecia já resolvido eis que João Pedro (90+2’), saltado do banco, reduziu o placard e ofereceu um golo, que não serviu mais do que um fraco consolo para os minhotos.

CF União 2-0 Real SC: Entrar a matar para seguir a gerir

Cabeçalho Futebol NacionalO CF União venceu sem grandes dificuldades o Real SC, graças a uma boa primeira parte de domínio quase incontestado, no Centro Desportivo da Madeira, na Ribeira Brava. O encontro representava a estreia em casa do União para a Segunda Liga, depois do empate conseguido na jornada inaugural em casa do SC Braga B, enquanto o Real se deslocava à Madeira, depois da contundente vitória por 4-1 na receção ao Leixões SC.

Logo aos 36 segundos de jogo, Tiago Moreira intercetava a subida da equipa do Real e lançava em contra-ataque Júnior, que colocou em vantagem os azuis e amarelos. Uma entrada forte do União, que nos minutos seguintes fez por justificar a supremacia. Apenas de livre conseguiu o Real incomodar minimamente o guarda-redes da casa, obrigando Tony Batista a uma saída de punhos, embora sem grande dificuldade.

Os lisboetas eram uma equipa praticamente inofensiva e, face à pressão e intensidade exercidas pelos unionistas, foi sem grandes surpresas que surgiu o segundo golo. Depois de um canto batido pela esquerda, por Mica Silva, foi o central costa-marfinense Romaric quem tornou a introduzir a bola na baliza defendida por Tom, aos 29 minutos.

 

Fonte: Bola na Rede
Fonte: Bola na Rede

O Real procurava dar seguimento ao bom arranque da primeira jornada, mas viu a estratégia derrubada com o golo sofrido bem cedo

Só à passagem da meia-hora, surgiu a primeira grande oportunidade para o Real, por intermédio de Marcos Barbeiro, jogador emprestado pelo CS Marítimo. Afastado o perigo, contudo, a toada geral do encontro permaneceu inalterada, com a equipa da casa a dominar em quase todos os aspetos do jogo. À saída para os balneários, tudo corria de feição para os insulares. O Real, por seu turno, desiludia, face ao que havia demonstrado nos encontros anteriores.

No reatamento, os forasteiros voltaram com mais vontade e mais ativos em busca do golo que os relançasse na partida, embora sem grande consequência. O União geria o resultado, perdendo alguma influência ofensiva, apesar de continuar a dispor das maiores oportunidades de perigo quando se aproximava da baliza dos realistas.

A partir daí, o encontro foi parco em oportunidades, até aos minutos finais, quando a equipa da casa voltou a imprimir alguma velocidade e dispôs de três boas jogadas para incomodar o guarda-redes do Real. O resultado, contudo, manteve-se inalterado até ao apito final, que selou a justa vitória unionista, conseguida depois de uma boa entrada no jogo por parte dos comandados de Paulo Alves.

Foto de capa: Bola na Rede

FC Arouca 2-2 FC Porto B: Jogo quente em manhã de calor

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Fazendo cinco alterações em relação à derrota em Famalicão, o Arouca de Jorge Costa começou o primeiro jogo caseiro na Segunda Liga com Nuno Valente a jogar na extrema esquerda, com, surpreendentemente, Vargas a tomar o lugar de João Amorim na lateral direita.

Do lado da formação secundária dos dragões, António Folha mexeu só em duas peças e até foi o emblema da Serra da Freita que entrou a criar perigo no ataque, com Nuno Valente, aos 6’ e 8’, a aproximar-se do inaugurar do marcador.

Só que aos 12’, Luís Mata apareceu liberto na ala esquerda e cruzou para o interior da área onde Luizão, em posição privilegiada, recebeu o esférico e, à segunda, deu-lhe um ‘volley’ que bateu Rafael Bracali. Ainda aturdido pelo tento azul e branco, uma perda de bola na defesa foi quase fatal para os homens de Jorge Costa, que viram a barra impedir Fede Varela de ampliar o marcador, ele que cinco minutos depois voltou a tentar a sua sorte de fora da área.

À meia hora de jogo, Vargas aparece junto à linha de fundo, num cruzamento que não encontrou rematador, mas saiu para canto. Na sequência, Ericson, na pequena área, viu Diogo Costa parar um remate de cabeça de uma forma vistosa.

A primeira parte terminou quente fora do relvado com Joel Pinho, diretor desportivo do Arouca, a ser expulso por protestos.

O Arouca teve dificuldades em controlar o virtuosismo do ataque dos azuis e brancos Fonte: FC Porto
O Arouca teve dificuldades em controlar o virtuosismo do ataque dos azuis e brancos
Fonte: FC Porto

Para a etapa complementar, o Arouca entrou bem mais forte no jogo, marcando logo na primeira ocasião. Aos 49 minutos, Nuno Valente marca após lançamento de Vargas e desvio de Cícero. Um minuto depois, um desconcentrado Arouca permite Fede Varela colocar novamente o Porto em vantagem.

Os jovens atletas de António Folha foram tendencialmente ficando mais à defensiva e o Arouca assaltando a baliza de Diogo Costa com cruzamentos para a área e remates de meia distância. Após Vítor Costa (57’) chutar por cima, Palocevic (63’), acertou, à segunda, na baliza e restabeleceu a igualdade com uma remate rasteiro à entrada da área.

Até final, nota para a expulsão de Djim por agressão a Hugo Basto, aos 81 minutos, que fez dos minutos finais uma partida de sentido único no meio campo defensivo do Porto. Palocevic, aos 90 minutos, podia ter bisado, mas Diogo Costa impediu.

Um empate com quatro golos e emoção. O FC Porto B fica mais satisfeito com a divisão de pontos. O Arouca queria ganhar para esquecer a atribulada semana, mas não conseguiu.

Jogo Simples #1 – De Neymar ao FC Porto: o que é o Fair-Play Financeiro da UEFA?

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Jogo Simples

De tempos a tempos, lá aparece aquela expressão no meio de uma notícia, deixando-nos logo a imaginar que não teremos capacidade para compreender o conteúdo da mesma: fair-play financeiro. Em Portugal começou a ser falado no período mais negro da história do Sporting, aquando da presidência de Godinho Lopes, estávamos nós em meados de 2012. Contudo, regressou atualmente às páginas dos nossos sites e jornais devido a dois atores: FC Porto e Neymar. Jogue simples e perceba o que é o fair-play financeiro da UEFA, para que serve e como estarão implicados os clubes portugueses e a maior transferência da história do futebol neste mecanismo.

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1.    O que é o fair-play financeiro da UEFA?

O fair-play financeiro é um mecanismo da UEFA, regulado pelo Comité de Controlo Financeiro dos Clubes da UEFA (CFCB), que tem como principal objetivo manter as contas dos clubes que participam nas competições europeias em níveis saudáveis. Este sistema foi criado em 2010, mas entrou em funcionamento real em 2011. Jogando simples, podemos dizer que este sistema obriga os clubes que se qualificam para as competições da UEFA a provarem que pagaram as contas: que não têm dívidas em atraso em relação a outros clubes, jogadores, segurança social e autoridades fiscais.

Que batalha!

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Cabeçalho modalidades

Naquele que foi o melhor jogo da etapa de Siófok até ao momento, foi necessário recorrer às grandes penalidades para decidir o vencedor da batalha entre portugueses e polacos que, ao final do tempo regulamentar e do prolongamento, estava empatado a 3-3. Na ronda decisiva dos penáltis, Jordan marcou e Ziober falhou, entregando a vitória a Portugal.

O jogo teve um início equilibrado, mas a primeira oportunidade pertenceu à seleção portuguesa. Com um minuto e meio jogado, bela jogada de Portugal e Von, de bicicleta, rematou ao lado.

Depois de um inicio equiparado, a seleção nacional começava, aos poucos, a tentar tomar conta da partida. Tendo mais tempo de posse de bola e recuperando-a rapidamente quando a perdia. Porém, sem conseguir criar grandes oportunidades de golo, Portugal ia tentado aproveitar alguns livres-diretos de que ia beneficiando, mas a distância dos mesmos da baliza não permitia o êxito.

À passagem dos cinco minutos, na primeira situação em que conseguiu dispor-se na areia como pretende, uma iniciativa individual de Bê Martins resultou no 1-0. Os polacos responderam e pouco depois deixaram um aviso. Após um lançamento lateral, Jesionowski cabeceou para defesa de Andrade. Depois do canto que em nada deu, contra-ataque de Portugal, mas Bê Martins não aproveitou a oportunidade ao rematar por cima.

Os últimos minutos da primeira parte foram bastante animado, o que deixou o encontro mais rápido e intenso, com as duas seleções a terem várias chances de golo. A cerca de três minutos da pausa, a Polónia voltou a estar perto da igualdade, mas a bicicleta de Friszkemut passou ao lado. Volvido um minuto e foi a fez de a seleção portuguesa estar perto do golo. Bola lançada por Andrade para Bê Martins, que tentou servir o seu irmão no centro da área, mas um corte da defensiva polaca evitou o 2-0.

Terminado o primeiro período, que foi bastante dividido, Portugal estava na frente do marcador pela margem mínima. Resultado justo, visto que, as oportunidades mais perigosas foram suas.

A segunda parte começou da melhor maneira para a Polónia pois, logo na bola de saída, Depta tocou e Gac rematou para fazer o golo do empate, onde a Andrade é traído pela areia. De seguida, a bola de saída de Portugal resulta num pontapé de bicicleta de Von à barra, na recarga Bruno Novo atirou ao lado.

Madjer apenas marcou por uma fez, mas fez o melhor golo do encontro Fonte: Beach Soccer
Madjer apenas marcou por uma fez, mas fez o melhor golo do encontro
Fonte: Beach Soccer

O jogo continuava bastante equilibrado e com muita luta pela posse de bola. Aos quatorze minutos e meio, Portugal ficou perto de voltar para a frente, mas Gasinski conseguiu para a bicicleta de Madjer. No respetivo canto, Von, a meias com Jesionowski, devolveu a vantagem a Portugal.

Vídeo-árbitro ou vídeo-polémica?

Cabeçalho Futebol NacionalArrancou a Primeira Liga e com ela uma nova era do nosso futebol. A era do vídeo-árbitro. A nossa liga foi uma das “contempladas” pelo International Board como liga experimental para o vídeo-árbitro, altura, por isso, de fazer uma análise daquilo que tem sido a utilização do mesmo até agora, e a maneira como o público em Portugal tem reagido a esta nova ferramenta que pretende remover o erro grosseiro do futebol.

O vídeo-árbitro tem tido um início tudo menos pacífico no futebol português até aqui. Depois de uma estreia calma na final da Taça de Portugal, sem que houvessem muitas dúvidas em que o vídeo-árbitro pudesse intervir, neste início de época o mesmo já tem sido alvo de muitas críticas, polémicas, páginas e páginas nos jornais desportivos.

Árbitros portugueses num treino com vídeo-arbitro Fonte: Federação Portuguesa de Futebol (FPF)
Árbitros portugueses num treino com vídeo-arbitro
Fonte: Federação Portuguesa de Futebol (FPF)

Nos jogos entre Aves-Sporting, Rio Ave-Belenenses, Feirense-Tondela, Marítimo-Paços de Ferreira e Vitória SC-Chaves não se vislumbraram quaisquer lances que tivessem requerido o vídeo-árbitro, pelo que não há muito a acrescentar sobre este tema tendo por base estes jogos.  Esta análise foca-se apenas nos jogos onde o vídeo-árbitro foi definitivamente usado e a maneira como o foi (se correta ou incorrectamente).

Começando pela Supertaça entre Benfica e Vitória de Guimarães, existiram queixas por parte dos vitorianos sobre um alegado penalty por mão de Salvio que o árbitro não sancionou assim como o vídeo-árbitro. Começava aqui uma longa semana em que este instrumento iria ser alvo de grande crítica e conversa por parte dos adeptos portugueses. Com o arranque da Liga, e o vídeo-árbitro a ser usado em todos os jogos, foi possível vê-lo em acção em diferentes contextos, tipos de jogos, competitividades etc…  E começando pelo primeiro caso polémico, houve imensas queixas do treinador José Couceiro, treinador do Vitória de Setúbal, no empate 1-1 frente ao Moreirense. José Couceiro visou o árbitro e o vídeo-árbitro com as suas criticas devido a um vermelho directo mostrado, aos 71 minutos, a Vasco Fernandes, uma decisão tomada pelo árbitro sem que o mesmo mudasse a sua decisão. Começava-se a perceber, com estas criticas de José Couceiro, que o vídeo-árbitro em Portugal talvez não fosse a melhor combinação neste momento. A culpabilização das arbitragens que em Portugal são tão facilmente alvos de critícas não acabaram nem irão acabar com o vídeo-árbitro, e isso ficou bem visível nesta primeira jornada, e talvez tenha até aumentado a discussão no nosso futebol em volta da arbitragem graças à introdução do vídeo-árbitro pois agora há mais um elemento para se criticar.

Menino prodígio ou tomba gigantes, como preferirem chamar-lhe

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Cabeçalho modalidadesHá alguma coisa mais bonita no desporto do que ver um menino a divertir-se em campo com a irreverência natural da tenra idade e a “perda” de respeito para quem se encontra do outro lado da rede? Na minha opinião, não. E por isso tenho dito que este torneio ATP1000 de Montreal tem sido um dos mais espetaculares eventos do circuito profissional de ténis deste ano. Para além de Alexander Zverev (até onde irá chegar este portento alemão de 20 anos?) que vem de uma vitória no torneio ATP500 de Washington e já está nas meias-finais nesta prova canadiana, a grande estrela tem sido Denis Shapovalov.

“Shapo” é uma mistura de culturas e principalmente países: tem nacionalidade canadiana apesar de ter nascido em Israel, é filho de pais russos e tem residência oficial nas Bahamas. Por ser “da casa” e habitar fora do top-100 à data do sorteio, recebeu wild card para disputar o quadro principal desta prova ATP1000 e é sobre ele que todos os holofotes recaem, mesmo estando ainda em prova o campeoníssimo Roger Federer. O sorteio não se revelou sorridente para o jovem Shapovalov, porém este tratou de o simplificar a seu favor. Na ronda inaugural derrotou Rogério Dutra da Silva, sendo obrigado a disputar uma terceira partida. Esperava-o na segunda ronda a “Torre de Tandil” Juan Martin del Potro que começou bem a prova ao eliminar Isner. Perspetivava-se vida complicada para Shapo pelo que, ao cabo de 1h43 minutos, foi mesmo del Potro que teve o mesmo destino que Dutra da Silva e viu o canadiano vencer a partida por 6/3 e 7/6. Nesta altura, duas coisas eram certas: o jovem Denis estava em forma, a jogar bom ténis e o próximo adversário seria…Rafael Nadal.

Nesse encontro dos oitavos-de-final, o espanhol entrou para court sabendo apenas que tinha pela frente um jovem de 18 anos, 143º classificado no ranking mundial e que, até à data, o mundo apenas tinha ouvido o seu nome por causa da bizarra atitude que o levou a ser alvo de uma pesada multa (na eliminatória da Taça Davis deste ano frente à Grã-Bretanha, Shapovalov, ainda com 17 anos, irritou-se e depois de sofrer break atirou uma bola com força que, sem intenção, acabou por atingir o olho do árbitro de cadeira). Pois bem, nessa noite cedo se percebeu que estava presente o dono de uma feroz e chapada direita de canhoto, um serviço acutilante e uma consistência invulgar no fundo do court. E não era Rafael Nadal. O espanhol nunca pareceu estar confiante nas suas pancadas e viu-se obrigado a recorrer várias vezes a volleys (por vezes despropositados) para ver concluídas as longas trocas de bolas: um sinal claro de que o espanhol não estava à vontade com a situação.

Nadal não resistiu a Shapovalov Fonte: ATP
Nadal não resistiu a Shapovalov
Fonte: ATP

Ainda assim, o primeiro set acabou 6/3 a favor do candidato ao topo do ranking mundial. No set seguinte Shapo manteve a sua enorme agressividade do fundo do campo, disparou winners atrás de winners quer de direita quer de esquerda (e que maravilha de esquerda tem este rapaz!) e, acima de tudo, manteve-se calmo quando a ocasião assim exigia. E o resultado foi 6/4 a seu favor. Quem não conseguia manter a calma de forma nenhuma era o público presente no Centre Court, que se levantava a cada winner disparado por Shapovalov, criando uma autêntica atmosfera de Taça Davis. O momento da partida foi o 3º jogo de serviço do 3º set. Shapovalov tinha o serviço e ao fim de 8 pontos com “vantagem” e 3 break points salvos, conseguiu desenvencilhar-se e continuar na luta. Não houve breaks até ao fim do set e o tie-break chegou para definir o vencedor. Nadal chegou a vencer por 3-0 mas Shapovalov não baixou os braços e depois de igualar 3-3, cedeu apenas um ponto vencendo por 7-4 e levando de vencida o número 2 mundial Rafael Nadal. O espanhol admitiu posteriormente em conferência de imprensa que esta havia sido provavelmente a sua pior e mais dura derrota da temporada, uma vez que estava perto de regressar a número 1 ao invés de Denis Shapovalov que disse estar ainda “sem palavras”.

Passado esse turbilhão de emoções podia prever-se uma “ressaca”, tão frequente em jogadores que como Shapo, têm uma grande vitória inesperada e depois acabam por vacilar frente a jogadores até menos cotados. Shapo teria pela frente Adrian Mannarino para disputar um lugar na meia-final. E o impensável voltou a acontecer. 3 sets, quase 3 horas de ténis ao mais alto nível, e uma reviravolta quase tirada a papel químico do jogo frente a Nadal permitiram a todos os canadianos presentes – incluindo o prodígio de 18 anos – festejar efusivamente este feito.

Zverev vai tentar bater Shapovalov Fonte: ATP
Zverev vai tentar bater Shapovalov
Fonte: ATP

O próximo adversário é Alexander Zverev, que como já foi referido no início do artigo, é um dos melhores do circuito neste momento, e certamente que não poupará esforços para terminar esta caminhada épica de Shapovalov. Já o menino prodígio canadiano tentará chegar à Final pela primeira vez na carreira para, provavelmente, enfrentar aquele que confessou ser o seu “ídolo de criança” Roger Federer. Prevê-se um encontro de alta tensão, entre dois “miúdos” muito emotivos que já mostraram que sabem o que fazer dentro do court e acima de tudo ténis de muita, muita qualidade. O encontro terá transmissão televisiva em Portugal a partir sensivelmente da 1 da manhã (hora portugesa).

Foto de Capa: ATP

artigo revisto por: Ana Ferreira

O melhor onze de sempre do FC Porto: Lucho González

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fc porto cabeçalho

Luis Óscar González era um jogador sem grande velocidade, sem uma capacidade de drible acima da média, sem poder físico para se destacar nesse campo dos demais e que não tinha um forte jogo aéreo. Em suma, foi o melhor oito que o FC Porto alguma vez teve!

Lucho foi um daqueles casos onde se encaixa na plenitude a expressão “chegar, ver e vencer”, tal a facilidade com que assumiu o comando de uma equipa onde havia falta de liderança dentro de campo. Falo da época 2005/2006, depois do falhanço que foi a anterior. Os Dragões procuravam devolver carácter à equipa e reconquistar o estatuto de campeão de Portugal entretanto perdido para o Benfica. O argentino desde cedo mostrou que todas as limitações já citadas se tornam irrelevantes quando se joga com inteligência. E “inteligência” seria a palavra que eu escolheria para o descrever se me fosse pedido que o fizesse usando apenas uma.

Fonte: UEFA
Fonte: UEFA

Com a camisola 8 na primeira passagem pelo clube e a 3 na segunda – um número bastante simbólico no clube -, Lucho deliciou os portistas com passes magistrais, intercepções bem medidas e remates de meia distância que lhe valiam sempre à volta da dezena de golos por temporada. A sua capacidade de liderança foi um factor determinante para o regresso a casa em Janeiro de 2012, uma vez que permitiu a Vítor Pereira controlar um balneário que parecia até então incontrolável.

Amado pelos adeptos e respeitado pelos colegas, foi o primeiro capitão estrangeiro do FC Porto e transportou a mística azul e branca como poucos. O profissionalismo do argentino nunca foi questionado por ninguém e existem dezenas de exemplos que o comprovam, sendo o exemplo máximo o dia em que decidiu ajudar a equipa jogando mesmo depois de receber a notícia do desaparecimento do pai.

Num futebol cada vez mais físico, menos inteligente, mais virado para o que se passa fora das quatro linhas, e onde o amor à camisola significa cada vez menos, Lucho Gozález foi um Oásis e mostrou que ainda há quem se guie por valores que em outros tempos eram a norma. Por mérito próprio conquistou um lugar na História do FC Porto e no coração de todos os portistas.

Foto de Capa: FC Porto 

Académica OAF 2-0 SC Braga B: Capas negras lidam bem com o calor

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Cabeçalho Futebol NacionalAo primeiro jogo da Liga Ledman Pro 2017/18 no Cidade de Coimbra, a primeira vitória da Académica. A Briosa foi superior ao SC Braga B em quase todo o encontro e mereceu, por isso, os três pontos conquistados… no início do encontro.

Apesar da hora, vá lá, madrugadora do encontro, ninguém entrou a dormir. Aos 18 minutos já o resultado tinha sido modificado por duas vezes e já tinham sido criadas outras tantas oportunidades de golo claras. Zé Tiago foi o principal protagonista deste início frenético. Primeiro, deu o mote para a reacção à boa entrada do Braga B (culminada com um lance aos 4 minutos, em que André Ribeiro, isolado por Didi, permitiu a defesa a Ricardo Ribeiro), cabeceando, em boa posição, ao lado da baliza de Filipe. Depois, ao assistir Tozé para o golo inaugural após jogada individual (onde, convenhamos, contou com alguma sorte nos ressaltos). E, por fim, ao assinar o 2- 0, correspondendo da melhor maneira a um cruzamento exímio de Ki.

Fonte: Facebook oficial da AA Coimbra
Fonte: Facebook oficial da AA Coimbra

O jogo foi acalmando à medida das necessidades da Académica, capaz de “fechar” o seu meio-campo e controlar, assim, o jogo. O Braga B, munido de irreverência, tentava furar essa barreira, mas só por uma vez, até ao final da primeira parte, foi capaz de o fazer – André Ribeiro voltou a ser perdulário e, novamente isolado, deixou que o perigo fosse neutralizado por Ricardo.

A segunda parte começou como a primeira. O Braga B entrou com vontade de mudar o jogo, sobretudo pelas iniciativas de Kiki (entrado para o lugar de Denisson), capazes de agitar o flanco esquerdo do ataque arsenalista, porém, estas não tiveram a eficácia desejada, já que acabou por ser a Académica a única equipa a criar perigo. Em jogada de contra-ataque, Ki procurou o segundo poste, onde apareceu Toze a cabecear, obrigando Filipe a grande defesa.

Depois disto, o jogo foi dominado pelo calor que se fez sentir no Cidade de Coimbra e foi preciso chegar o minuto 90 para voltar a existir novo momento de perigo. Em lance de contra-ataque, Luisinho (entrado para o lugar de Ki), atirou ao poste da baliza de Filipe, em jeito de ponto de exclamação relativamente ao domínio da Briosa ao longo do jogo. Os capas negras lidaram melhor com o calor.

Pedro Machado