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O Passado Também Chuta: O Sir Cenourinha

Em pequeno sempre me disseram que as cenouras fazem bem à vista, e de facto houve uma cenoura que me fez bem à vista e me encantou enquanto pisou os relvados de futebol. Essa cenoura chama-se Paul Scholes.

Scholes, foi um médio que representou o Manchester United toda a sua carreira e foi um dos “boys” criados em Manchester por Sir Alex Ferguson, juntamente com outros craques, como David Beckham, Ryan Giggs, Nicky Butt e os irmãos Neville.

Pode-se explicar a carreira de Scholes, primeiramente por ter um tutor como Sir Alex Ferguson. O escocês lançou muito dos grandes jogadores britânicos na Premier League e Scholes não fugiu à regra.

Depois, crescer num grupo de enorme qualidade e que ao longo dos anos conquistou praticamente tudo o que havia para conquistar a nível de clubes pelo Manchester United, mostram toda a dimensão do que era a escola preconizada por Sir Alex Ferguson, basta ver que actualmente os jovens que são lançados actualmente em Old Trafford não têm nem a mística nem um tutor que os faça elevar de patamar competitivo.

Foi neste contexto que a carreira de Scholes se notabilizou. Inicialmente Scholes jogava como um Second Striker, um segundo avançado, o que ajuda a explicar o elevado número de golos na sua carreira.

Com o avançar da carreira, Scholes foi decaindo no terreno até se tornar um médio centro de eleição com visão apurada de jogo, grande sentido táctico, e nuances mentais do jogo que juntamente com os seus atributos físicos e técnicos, fizeram dele um dos melhores médios da sua geração.

Ele não é o típico jogador inglês, é muito mais que isso, a sua qualidade extravasa para além dos campos da Premier League. Podia colocar Scholes a jogar no Barcelona que encaixaria como uma luva. Inteligência a jogar, qualidade quer no passe curto, quer no passe longo, são atributos essenciais para se jogar nos blaugrana e que Scholes tinha de sobejo.

Mas tal como jogaria no Barcelona, também colocaria Scholes a jogar noutra equipa de topo da Europa sem problema.

Fonte: Premier League

Não é exagerada a minha observação, pese embora o seu reconhecimento individual não ter sido espelhado em títulos internacionais. Nada que fizesse o seu desempenho baixar, o reconhecimento que tinha dos colegas, adversários e adeptos é melhor que qualquer bola ou bota forrada a ouro!

Querem mais uma prova de que este cenourinha era um senhor? Muito bem.

A 31 de maio de 2011, Scholes anunciou a sua retirada do futebol para uma bem merecida reforma.

Mas como vimos muitas vezes nos filmes de Rambo, quando o Coronel Trautman vai buscar o seu melhor soldado à paz da sua reforma para ajudar nos seus intentos da guerra, com Scholes passou-se o mesmo.

Ferguson, qual Trautman, num momento de aflição que o seu plantel atravessava fruto de uma grave crise de lesões, decide falar com o ex-número 18 para o ajudar numa última batalha, Scholes nem hesitou em dar uma ajuda à pessoa que o levou a ser o jogador que foi e ingressou na equipa em Janeiro. E tal como Rambo, Scholes acabou por ser o herói da equipa ao marcar no seu jogo de estreia após ter vindo da reforma e logo perante os rivais de Manchester, num jogo da taça de Inglaterra!

Uma história que só podia ter terminado com um final feliz pois no final dessa época o Man Utd sagrar-se-ia campeão inglês.

Agora, um pequeno exercício para vocês, imaginem um jogador de topo que escolheriam para cada atributo que vou mencionar. Capacidade de desarme, tabelinhas e passes a lateralizar, transição com bola, remate fora de área, cabeceamento e finalização dentro de área.

Pois bem, para todos estes atributos escolhia apenas UM jogador, Paul Scholes!

Tem todos estes atributos, o que o coloca no patamar de Lenda!!

Olhem para este palmarés e vejam se não é digno de uma lenda:

Premier League: 1995–96, 1996–97, 1998–99, 1999–00, 2000–01, 2002–03, 2006–07, 2007–08, 2008–09, 2010–11 e 2012–13

Champions League: 1998–99 e 2007–08

Mundial de Clubes da FIFA: 2008

Taça Intercontinental: 1999

Taça da Inglaterra: 1996, 1999 e 2004

Taça da Liga Inglesa: 2006 e 2009

Supertaça de Inglaterra: 1994, 1996, 1997, 2003, 2007, 2008 e 2010

No total foram 718 jogos, 155 golos e 75 assistências, só em Manchester, já na seleção o pecúlio foi menor mas não menos impactante, 66 jogos, 14 golos e nove assistências.

Podia ser Ronaldo? Podia.

Podia ser Pirlo? Podia

Podia ser Zidane? Podia

Mas é Scholes quem escolhi para meu ídolo, pois sempre me disseram que as cenouras fazem bem à vista!

Foto de Capa: Premier League

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Club Sintra Football | Um clube movido pela vontade

Ao todo, foram sete os clubes da Primeira Liga a serem eliminados na terceira eliminatória da Taça de Portugal: CS Marítimo, CD Tondela, Portimonense SC, Boavista FC, CD Aves, Sporting CP e Vitória SC.

A equipa minhota, que até tem vindo a ser uma das sensações no campeonato, foi eliminada pelo Club Sintra Football, clube que se está a estrear na Série D do Campeonato de Portugal. Mas o que há de especial neste clube, para além de já ter conseguido eliminar um clube da Primeira Liga na Taça de Portugal?

Aquilo que era inicialmente um clube criado entre amigos para competir no Inatel, tornou-se algo um pouco mais sério. Fundado em 2007, o Club Sintra Football nasceu sem nada e agora pouco mais tem. O Club Sintra Football é um clube que ainda não tem um campo próprio e treina em Oeiras.

O Club Sintra Football eliminou o Vitória SC da Taça de Portugal
Fonte: Club Sintra Football

Apesar de todas as carências, o clube que nasceu sem adeptos, tem um número significativo de pessoas a assistir aos jogos, mas há mais segredos por detrás disto. À entrada do estádio, cada adepto recebe uma almofada para se sentir mais cómodo. E ao intervalo, o clube oferece um lanche a todos os adeptos presentes nas bancadas. Para além disso, o clube também oferece refeições aos jogadores nos dias dos treinos e arranjam cursos e emprego a quem precisa.

Dinis Delgado, fundador e presidente do clube, disse numa entrevista ao Jornal Público, que o dia-a-dia no clube é praticamente o mesmo que era nos tempos da fundação.

Apesar do crescimento desportivo do clube, a nível financeiro continuam a fazer pela vida, indo inclusive para a feira de Sintra vender coisas para angariar mais dinheiro para o clube, competindo no CPP com um dos orçamentos mais baixos da competição.

O Club Football Sintra é um clube que não tem património, não tem SAD nem investidores, sendo apenas movido pela vontade das pessoas. Actualmente, ocupa o nono lugar da Série D do Campeonato de Portugal e tem a ambição de estar na Primeira Liga daqui a 10 anos. Claramente é um clube que ainda não tem a alavanca financeira que outros têm, mas, ainda assim, enriquece o futebol por se destacar dos outros do ponto de vista financeiro e social.

Foto de Capa: Club Sintra Football

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Leicester na luta pelo regresso à Europa

O Leicester City Football Club regressou à Premier League em 2014 e na época seguinte surpreendeu o mundo com aquele que foi um dos maiores feitos da história do futebol, tendo-se consagrado campeão da Premier League em 2015/2016, sob o comando técnico de Claudio Ranieri. O plantel era unido e caminhou todo junto para o mesmo rumo. Pode-se dizer que toda a equipa teve a mesma importância na conquista do troféu, apesar de se destacarem Jamie Vardy, o melhor marcador do campeonato, Riyad Mahrez, o desequilibrador e maior assistente da equipa e N’Golo Kanté, considerado o melhor jogador da liga. Foi, sem dúvida, um acontecimento marcante na história do desporto.

Na época a seguir, jogadores como Kanté e Drinkwater tiveram propostas tentadoras e transferiram-se para outras equipas. O Leicester estava agora na Liga dos Campeões, mas os objetivos do clube passavam a ser os mesmos: a manutenção e possível sonho de qualificação para a Europa. Os foxes ficaram em 12º lugar no campeonato e conseguiram a mítica proeza de chegar aos quartos-de-final da Liga dos Campeões, tendo perdido apenas, por um agregado de 2-1, contra o Atlético de Madrid. Nessa temporada, Ranieri foi treinador da equipa até fevereiro e Craig Shakespeare até ao final da época.

Na época 2017/2018, Shakespeare orienta a equipa apenas até outubro e é substituído por Claude Puel. O LCFC faz uma boa temporada, ficando em 9º lugar e chegando aos quartos-de-final de ambas as taças. Puel ainda orientou a equipa na primeira metade da temporada 18/19, no entanto, os resultados não estavam a ser os melhores e o Leicester não praticava o futebol esperado para a equipa que tinha. Este período coincidiu também com a tragédia de helicóptero a seguir a um jogo, que causou a morte do dono do clube, Khun Vichai, e de outras 5 pessoas, que está agora para fazer um ano, dia 27 de outubro. Alguns meses depois, Puel foi então substituído por Brendan Rodgers em fevereiro de 2019.

O Leicester ao longo destas épocas, antes da chegada de Rodgers, mexeu-se bem no mercado e contratou jogadores que hoje fazem parte do plantel e são aproveitados pelo treinador, como é o caso de Mendy, Ndidi, Iheanacho, Tielemans, Johnny Evans, Soyuncu, Ricardo Pereira, Maddison, o próprio Maguire que ainda foi utilizado por Rodgers e Harvey Barnes, jogador da formação do clube. Ainda houve outros casos de jogadores pouco rentabilizados como é o caso dos ex-sportinguistas Adrien Silva e Islam Slimani ou ainda de Ahmed Musa, que foram jogadores que custaram uma boa quantidade de dinheiro e não encaixaram nos planos do clube.

Fonte: Leicester City Football Club

Como referido anteriormente, Brendan Rodgers assumiu o controlo da equipa em fevereiro de 2019 e pegou num Leicester debilitado e afundado na segunda metade da tabela, com 5 derrotas nos seus últimos 6 jogos. Rodgers fez uma recuperação extraordinária e o Leicester quase que chegou a lugares europeus, tendo terminado a época em 9º lugar, mas acima de tudo, com futebol de qualidade e a deixar os adeptos entusiasmados para a época que aí vinha.

Os foxes este ano adquiriram o passe de Tielemans, que estava emprestado pelo Mónaco, compraram Ayoze Pérez ao Newcastle, Dennis Praet à Sampdoria e ainda James Justin ao Luton. Com a venda de Maguire, conseguiram praticamente ter estas compras todas pagas, visto que o Manchester United pagou 87 milhões de euros pelo central inglês.

Rodgers é um treinador com uma filosofia de jogo atrativa e baseia o seu jogo na posse de bola com elementos parecidos aos de Guardiola, embora mais pragmático. O técnico inglês também é conhecido por desenvolver jovens talentos, como acontecia quando era treinador das camadas jovens do Chelsea, nos tempos de José Mourinho, o que poderá agora continuar a fazer, no plantel do Leicester, com tanta “juventude” para desenvolver.

Rodgers já tinha feito um bom trabalho no Liverpool e foi o treinador que esteve mais perto do título neste século, a seguir a Klopp o ano passado. A equipa jogava num 4-4-2 losango, que mais parecia um 4-3-3 com um meio-campo pressionante, Suárez e Sturridge na frente, Sterling e Coutinho nas suas épocas de explosão e Gerrard como patrão do meio-campo.

Um aspeto interessante em Rodgers é a sua versatilidade nas táticas. O que fez com o Liverpool, também aconteceu quando treinou o Celtic. Jogava na habitual tática 4-2-3-1, que variava para um 3-2-4-1, aproveitando a subida de um ala, o outro lateral formava uma linha defensiva de 3, fazendo com que um extremo ocupasse a zona central do terreno.

Fonte: Leicester City Football Club

As equipas dele são conhecidas por construir com tempo e aproveitar a posse de bola, no entanto, alteram-se facilmente para outro esquema tático, tudo com duas coisas em comum: o pragmatismo e a objetividade. É de destacar o trabalho feito no Leicester. Os foxes neste momento estão em 3º lugar do campeonato, apenas atrás de Liverpool e Man. City (que já fazem parte de outra liga) e desde que Rodgers chegou à equipa, se existisse uma tabela desde essa semana, o Leicester estaria em terceiro lugar. Para além disso, desde esse momento até ao final da época passada só o Liverpool (25) fez mais golos que o Leicester (19) no campeonato.

Nos últimos jogos da época passada, Rodgers começou a adaptar a sua tática para um sistema parecido ao de Pep Guardiola, o que denota os elementos comuns entre os treinadores. O Leicester passou a jogar num 4-1-4-1, com Vardy na frente a pressionar alto e a fazer movimentos de rutura na defesa adversária. Ndidi é o médio mais recuado e aquele que oferece todo o equilíbrio ao jogo dos foxes. No momento defensivo, por vezes recua e junta-se aos centrais e é importante no apoio ao lateral-esquerdo Chilwell. Nenhum jogador recuperou mais vezes a posse de bola do que Ndidi na época passada (299).

Na altura, jogavam Maddison e Tielemans à frente de Ndidi e Barnes e Gray nas alas. Esta época há algumas alterações em relação ao ano passado. Sai Maguire, entra Soyuncu para central. À frente de Ndidi jogam agora Tielemans e o reforço Dennis Praet. Nas alas, Maddison e o reforço Ayoze Pérez ocupam os lugares.

Este Leicester faz o que o Celtic de Rodgers fazia: a variação de um 4-1-4-1 para um 3-2-4-1. Um dos laterais sobe no terreno (Chilwell), o que obriga Maddison a sair do corredor e procurar a zona central, juntando-se a Praet. Tielemans faz duplo pivot com Ndidi. O outro lateral (Ricardo) não sobe e forma uma linha de 3 com Johnny Evans e Soyuncu, já a pensar no momento defensivo e num possível contra-ataque adversário.

O Leicester sem bola pressiona de maneira agressiva e não deixa o adversário ter muito tempo para organizar. Procuram quebrar as linhas de passe e em muitas ocasiões obrigam a equipa contrária a fazer passes de risco.

As alterações desta equipa são visíveis e podem-se comprovar com números. O Leicester de Rodgers aumentou a posse de bola em 7% relativamente ao de Claude Puel.

Fonte: Leicester City Football Club

Os foxes ainda têm várias opções de qualidade no banco. Pérez é o titular mais frequente, mas Rodgers pode ainda contar com Harvey Barnes e Demarai Gray, jogadores bastante úteis no passado. Ainda tem os experientes Wes Morgan e Christian Fuchs, como alternativas aos centrais e ao lateral-esquerdo, respetivamente. Tem também Choudhury, um jovem médio que chegou o ano passado e já mostrou boas indicações e Kelechi Iheanacho, um jogador de grande qualidade que não é titular só mesmo porque existe Jamie Vardy, e é difícil tirar-lhe o lugar. Para o meio-campo existe ainda Mendy, Amartey e o calejado Albrighton.

De destacar também Ricardo Pereira, considerado o melhor jogador da equipa na temporada passada e James Maddison que tem um futuro brilhante pela frente. Os 45 milhões investidos nestes dois parece uma pechincha nos dias de hoje.

O Leicester tem aqui uma equipa entusiasmante e um projeto bastante interessante, os adeptos estão confiantes para esta época e o King Power Stadium ainda poderá continuar a sorrir.

Foto de Capa: Leicester City FC

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Mundial de Rugby: Quartos de final sem surpresas

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Há cerca de um mês desembarcaram no Japão vinte seleções para disputar o mundial de Rugby. Número este que se viu reduzido a quatro equipas com a realização dos quatro jogos a contar para os quartos de final, no passado fim de semana.

No primeiro jogo, entre ingleses e australianos, a seleção da rosa foi superior. Apesar do domínio territorial e de posse Wallabie, a Inglaterra impôs a sua dinâmica de jogo intensa e eficaz, dificultando a manobra ofensiva da Austrália. Os ensaios de Johnny May (2), Kyle Sinclair e Anthony Watson aliados à eficácia de Owen Farrell no que toca à conversão de pontapés aos postes, ditaram vitória inglesa por 40-16.

Destaque para a excelente exibição do terceira linha inglês Tom Curry, ao realizar 17 placagens e um turnover.

Tom Curry (nº6 inglês), o melho em campo, e David Pocock no seu último jogo internacional
Fonte: Rugby World Cup

Com esta participação falhada no campeonato do mundo, o selecionador australiano Michael Cheika já sabe que não continuará a orientar a seleção do seu país.

No jogo mais aguardado dos quartos de final, aquele que opunha Nova Zelândia e Irlanda, os bicampeões mundiais confirmaram o seu favoritismo. Uma Irlanda com fragilidades defensivas permitiu aos neozelandeses adiantarem-se no marcador desde cedo, através de dois ensaios de Aaron Smith e outro de Beauden Barrett, facilitando assim a tarefa à equipa do Pacífico. Os All Blacks mostraram um rugby muito pragmático, utilizando toda a largura e profundidade do terreno, enquanto que a Irlanda apresentou um jogo muito curto, de primeiro canal, com dificuldades em alargar o perímetro de jogo.

Beauden Barret foi o homem do jogo
Fonte: Rubgy World Cup

Os irlandeses apenas conseguiram dois ensaios tardios, um de Robbie Henshaw e um ensaio de penalidade. A história repete-se. A Irlanda, em nove edições do campeonato do mundo de Rugby, nunca atingiu as meias finais.

Com esta derrota pesada (46-14), despedem-se o capitão Rory Best, que anunciou o fim da sua carreira, e o selecionador Joe Schmidt, que vai abandonar o cargo de treinador da Irlanda.

A Rainha pouco democrática

A Taça de Portugal 2019/20 cumpriu a sua 3ª eliminatória e aguarda agora sorteio para definir os duelos que se seguem. Já com as equipas da Primeira Liga em ação, assistimos a surpresas e ao surgimento dos tão acarinhados “tomba-gigantes”.

À margem dos feitos históricos que clubes de pequena dimensão alcançam, está o outro lado de uma prova gasta, cansada e, no limite, desvirtuada. Falo, claro está, do sistema de “repescagem”. A ideia surge para combater aquilo que, no meu entender, já era um erro desde o início.

De acordo com o regulamento da prova rainha, participam na competição todos os clubes integrantes dos campeonatos nacionais, isto é, Primeira e Segunda Liga e Campeonato de Portugal. Além destes, também os vencedores das Taças Distritais e segundos classificados dos Campeonatos Distritais podem participar, desde que confirmem atempadamente o seu interesse.

Aqui começam as deficiências da prova; se o objetivo é levar a Taça a sítios onde nunca foi e estender a magia e a festa a todo o país, porque não alargar a participação a mais equipas? Desta forma garantir-se-ia um número elevado de participantes desde o início e suficiente para que não fosse necessário proceder a repescagens ou eliminatórias com equipas isentas.

Outra das melhorias residiria na introdução das equipas da Primeira e Segunda Liga desde a primeira eliminatória. À luz do regulamento atual, estes emblemas só entram em competição a partir da terceira eliminatória.

A par do Club Sintra Football, o FC Alverca foi uma das sensações da jornada ao eliminar o detentor do título
Fonte: FC Alverca

Reunindo todos os clubes dos campeonatos profissionais e vencedores das Taças Distritais, o número de participantes rondaria os 128 necessários para que a prova decorresse sem percalços. Com este número assegurado de início seriam necessárias cinco eliminatórias, duas meias-finais e a grande final para encontrar o vencedor; sem repescagens, sem clubes isentos.

Afinal, que mal vinha ao mundo, ao colocar de início FC Porto, SL Benfica ou Sporting CP a defrontar SC São João de Ver, SC Bustelo ou GD Coruchense? Isso sim, seria levar a Taça a todo o lado. Isso seria uma prova disputada em igualdade de circunstâncias. É que entrar a meio da prova e vencê-la com metade dos jogos disputados tem muito que se lhe diga.

Outro dos pormenores ridículos, e que permitem anormalidades na prova, é a repescagem. Os clubes envolvidos em nada são culpados, apenas fazem o que o regulamento permite. Senão, veja-se: na 1ª eliminatória, o CF Canelas 2010 eliminou o Valadares Gaia FC, mas voltaram a encontrar-se na 3ª eliminatória, com nova vitória dos canários. Também na 1ª eliminatória, o AC Marinhense foi eliminado nas grandes penalidades pelo CD Fátima, mas reeditaram o encontro na 3ª eliminatória e desta vez o Atlético levou a melhor. O eliminado virou apurado…

A dúvida que se põe é se a palavra “eliminação” tem outro significado no dicionário da FPF que não seja expulsar ou suprimir… Ainda assim, com todas estas condicionantes, os clubes de menor dimensão não mostram qualquer inibição em eliminar primodivisionários e campeões em título, como se assistiu nesta 3ª eliminatória. É urgente reformular a prova e conferir-lhe a justiça de que precisa. Não tem mal nenhum se não forem os mesmos de sempre a vencer. Só ganha o futebol português.

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por Diogo Teixeira

 

 

Os novos cenários depois de Doha (Provas Masculinas)

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Uma época de verão bastante longa chegou ao fim em Outubro com os Campeonatos de Doha, a terem tanto de controversos a nível organizativo e da eleição do local, como de excelentes a nível de performances no estádio. Foram os Campeonatos da história com melhores resultados e serviram também para provar que as épocas talvez até se possam alongar mais um pouco… Mas depois de 10 dias de intensa competição, o que mudou afinal no Atletismo? Há eventos que tudo mudaram…

100 METROS: UM DONO ÚNICO

Christian Coleman (USA) é rápido. Sim, já o sabíamos, mas provou-o mesmo sob enorme pressão depois de ter sido salvo, administrativamente, de uma suspensão. O norte-americano não se importou com as suspeitas (nunca acusou doping, mas falhou na atualização dos dados de localização) e correu no Qatar o tempo mais rápido da sua carreira – 9.76 segundos, marca que é também a mais rápida no mundo nos últimos quatro anos. É difícil dizer até onde poderá ir, embora acreditemos que tenha potencial para subir no ranking e vir a ser até, quem sabe, o 2.º atleta mais rápido da história (9.69 de Blake e Gay). Superar os registos de Bolt parece uma outra conversa… Ainda assim, a grande conclusão que se retira de Doha é que ele é o favorito único no seu evento favorito, não havendo ninguém que se aproxime das suas marcas neste momento.

200 METROS: LYLES VENCE, MAS DE GRASSE VOLTA A SER DESTAQUE

Noah Lyles (USA) é um fenómeno e pode ser a nova cara da velocidade masculina, mas na final de Doha não foi tão superior como havia sido durante os últimos dois anos, tendo, ainda assim, vencido em 19.83 segundos. Se Lyles acusa a pressão de grandes momentos ou não, ainda é cedo para sabermos e por isso não iremos retirar conclusões depois do que foi um título mundial. Grande destaque, após as duas provas de velocidade, foram as duas medalhas do canadiano Andre de Grasse (Prata nos 200, Bronze nos 100), mostrando que está de regresso e que será um nome em cima da mesa de discussões para medalhas em Tóquio.

400 METROS: GARDINER SAÍDO DA ZOMBIELAND

O grande favorito Michael Norman (USA) falhou redondamente e até terá baixado as enormes expectativas que tínhamos para Tóquio de ver um duelo particular entre ele e Wayde van Niekerk (RSA). O evento volta a parecer em aberto, não só porque o outro grande favorito – Fred Kerley (USA) – voltou a falhar, mas também porque Steven Gardiner (BAH) “acordou” de um profundo sono e conquistou o título mundial, subindo a 6.º mais rápido de sempre (43.48), num ano em que ainda não tinha baixado dos 44 segundos! Tinha sido 2.º em Londres e, em 2018, havia começado bastante bem a temporada, sendo uma das estrelas dos primeiros meetings da Liga Diamante. As lesões pareciam tê-lo retirado de combate para este ano, mas veio mais forte do que nunca.

800 METROS: QUANTOS CÃES PARA UM OSSO?

A abrupta saída de cena de David Rudisha (KEN) – envolto em mais novelas pessoais do que a família Kardashian – tornou bastante imprevisível uma disciplina que parecia ter dono para muitos anos. Em 2017, a prova foi vencida por Pierre-Ambroise Bosse (FRA) de forma totalmente surpreendentemente e nenhum dos três medalhados desse ano chegou sequer à final em Doha. Aliás, nenhum dos finalistas de 2017 repetiu a presença em 2019!

Desta vez, a vitória sorriu a Donavan Brazier (USA), que teve uma temporada em grande (também venceu a Diamond League e bateu o recorde norte-americano) e que já é o 9.º mais rápido de sempre. Emmanuel Korir (KEN), que dominou de forma avassaladora em 2018, nem sequer foi à final destes Mundiais e Nijel Amos (BOT), com problemas físicos. Juntando-se nomes como Ferguson Rotich (KEN), Amel Tuka (BIH) ou Adam Kszczot (POL), percebe-se que a diferença entre ficar fora dos finalistas ou chegar ao Ouro pode ser, de momento, bastante ténue.

1.500 METROS: HÁ MANANGOI PARA CHERUIYOT?

Timothy Cheruiyot (KEN) foi o grande dominador desta temporada, mas a ausência de Elijah Manangoi (KEN) dos Mundiais (por lesão) deixa sempre no ar a interrogação se o mais velho dos manos Manangoi traria algo preparado para defender o título. Cheruiyot mereceu o título e esteve sempre acima este ano, mas será muito interessante verificar o que nos espera em 2020, depois de Manangoi ter dito nas redes sociais que a proeza de Kipchoge em Viena o inspirou a pensar que… 3:25 é possível!

As 10 noites marcantes do SL Benfica europeu

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O Benfica é tão mais feliz nos boémios serões de Paris, Madrid, Turim ou Liverpool. Cosmopolita, requintado e com um gosto especial pelo hedonismo das noites a meio da semana, a história encarnada além-fronteira assenta num mágico conjunto de glórias e peripécias que a fama e o álcool, por vezes, provocam.

ACHAS QUE O SL BENFICA REGRESSA À GLÓRIA EUROPEIA JÁ NO JOGO FRENTE AO OLYMPIQUE DE LYON? ENTÃO, APOSTA JÁ!

O Benfica é um convidado tão assíduo nas cortes do Velho Continente que perderíamos infinidades a debruçar-nos sobre todas as epopeias já escritas. Em dia de confronto decisivo na prova rainha de clubes, aproveitamos para relembrar dez míticas noites que ajudaram à construção do mito encarnado em termos continentais.

Antevisão da época 2019/20: Southwest Division

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E chegamos ao fim da viagem por todas as equipas, com a última divisão do lado Oeste. Em semana de início da temporada regular, examinamos à lupa as pretensões ao título dos Rockets, a reconstrução dos Grizzlies e as aspirações de playoffs de Mavericks, Pelicans e Spurs.

Sporting CP 4-3 UD Oliveirense: São Girão salva vitória no reduto do Leão

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Foi mais um grande jogo de Hóquei em Patins no Pavilhão João Rocha diante de dois candidatos à conquista do título nacional, Sporting CP e UD Oliveirense. Ambas as formações vinham de vitórias nos últimos jogos que realizaram.

A formação de Paulo Freitas levou de vencida a formação do Riba D’Ave por quatro bolas a uma e contou ainda com uma vitória na Liga Europeia diante da formação italiana do Lodi por 4-2. Já a equipa comandada por Renato Garrido também só conheceu o sabor das vitórias nos últimos dois jogos: para o campeonato nacional, vitória caseira por seis bolas a três diante da formação do Paço de Arcos e, para a Liga Europeia, vitória também em casa por 3-0 frente à equipa francesa do Saint Omei.

O jogo começou com um grande vendaval ofensivo da equipa da casa. Na verdade, a primeira parte só teve um sentido: a baliza de Nelson Filipe, guarda-redes que ainda fez um punhado de várias defesas para travar a fúria dos Leões endiabrados.

A Oliveirense esteve irreconhecível neste primeiro tempo, procurando sempre explorar os erros do adversário. Do lado do Sporting, coube inicialmente a Pedro Gil a tarefa de comandar a organização ofensiva da equipa e, do lado da Oliveirense, essa função foi incumbida a Jordi Bargalló. Mas a investida ofensiva dos forasteiros teve sempre no contra-ataque a sua arma principal.

O Sporting procurava, e conseguia, um hóquei de posse, contando com uma boa circulação de bola, que baralhou e muito a defesa da Oliveirense. Foi o jogo mais maduro dos Leões, que levou aos três golos logo na primeira parte: o primeiro, logo ao minuto dois por Matías Platero respondendo a um passe de Pedro Gil e, ao minuto sete, o recém-entrado Ferrant Font marcou o segundo tento depois de mais um passe de génio do “mago” Pedro Gil. Font vingou, assim, a grande penalidade falhada instantes antes.

Ao minuto dezassete surge o terceiro golo do Sporting desta vez por Telmo Pinto. O passador mudava agora de protagonista e era Ferrant Font o encarregado de serviço no que aos “passes de morte” dizia respeito. O espanhol marcava e dava a marcar. Impressionante. Font fez o que quis dos defesas da formação de Oliveira de Azeméis nesta primeira parte.

Ferran Font marcou e deu a marcar, sendo assim uma das figuras da primeira parte
Fonte: Sporting CP

A segunda parte começou com uma Oliveirense claramente por cima da formação da casa: procurava a posse de bola que não procurou na primeira parte e, fruto disso, colocou muitas vezes à prova o guardião leonino. De facto, Girão foi, nesta noite, como em tantas outras pelo Sporting e pela seleção nacional, um verdadeiro São Girão. Este homem já merece uma estátua no João Rocha. Faltam adjetivos para definir as suas exibições.

O segundo tempo só deu praticamente Oliveirense, invertendo-se os papéis que vinham da primeira parte. Era agora a formação da casa que estava “encostada às cordas”, restando apenas Girão, que se multiplicava na baliza defendo quase tudo o que havia para defender. Marc Torra da Oliveirense parecia o mais inconformado, mas foi Ricardo Barreiros, ao minuto sete, que marcou o primeiro tento da formação da Oliveirense. Aproveitou da melhor forma um penalti cobrado que deixou Girão batido.

O quarto golo do Sporting surgiu em contracorrente. Numa fase do jogo onde a formação de Renato Garrido estava por cima e a querer discutir o resultado final, eis que Gonzalo Romero decide lançar uma “bomba” à baliza de Nelson Filipe, que sofre uma mudança de trajetória de Platero “à boca” da baliza, fazendo com que as redes da baliza dos forasteiros abanassem pela quarta vez. Momento nevrálgico no jogo, pois a partir daqui só deu Sporting, voltando ao mesmo padrão da primeira parte.

É justo dizer que Platero fez KO à Oliveirense, pois esta nunca mais se levantou verdadeiramente e quando o fez já foi tarde. Acordou apenas ao minuto 23 com um golo de Jordi Bargalló, que viria a repetir a dose mais para o final da partida, selando o encontro em quatro bolas a três para a formação lisboeta. Jogos assim? Queremos mais!

CINCOS INICIAIS

Sporting CP – Ângelo Girão (GR), Matías Platero, Pedro Gil, João Souto e Gonzalo Platero

UD Oliveirense – Nélson Filipe (GR), Jordi Bargalló, Marc Torra, Henrique Magalhães e Jorge Silva

NFL Semana 7: Cowboys de regresso, MVP Aaron Rodgers e a defesa dos Patriots

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A solução para qualquer problema de qualquer equipa da NFL é, razoavelmente, simples de encontrar: ganhar o próximo jogo. Concluída que está a sétima ronda de jogos, os favoritos começam a afirmar-se e a pressão a fazer tremer os que não estão prontos.

A jornada começou em Kansas, na madrugada de quinta para sexta, com os Chiefs a somarem mais uma vitória caseira, desta vez frente aos Denver Broncos. No final do jogo, o placar marcava uns expressivos 30-6 favorável à equipa treinada por Andy Reid. Mas ninguém em Kansas pensava no resultado, e sim no que aconteceu aos cinco minutos do segundo período. Numa tentativa de se esgueirar para um touchdown, o quarterback (Qb) Patrick Mahomes lesiona o joelho e é forçado a abandonar o jogo. Apesar de a lesão se ter revelado aparentemente menos grave do que a previsão inicial, a equipa de Kansas é demasiado dependente de Mahomes e qualquer paragem do jovem Qb pode significar um desastre para as aspirações dos Chiefs.

Já no domingo, foi a vez de Aaron Rodgers mostrar que, apesar dos 35 anos de idade, ainda cá está para as curvas. A equipa de Green Bay foi até Oakland para enfrentar os Raiders, com Rodgers a lançar a bola para umas impressionantes 429 jardas, com cinco passing touchdowns a que juntou ainda um rush touchdown. Se a este jogo juntarmos o recorde de 6-1 e a postura cada vez mais alegre e confiante de Rodgers em campo, o Qb dos Packers entra oficialmente na discussão para MVP da fase regular. Resta saber se consegue manter este nível ou se a instabilidade que tem marcado a história recente da equipa voltará ao primeiro sinal de adversidade.

O outro jogo grande de domingo foi a visita dos Philadelphia Eagles aos Dallas Cowboys, com a equipa de Texas a provar que é realmente um candidato ao titulo ao ganhar por 37-10 quando muitos julgavam a equipa dos Eagles superior. As comparações entre Dak Prescott e Carson Wentz têm sido constantes, com este jogo ficou provado o contrário daqueles que acreditam no Qb dos Eagles como sendo superior. Dak foi melhor, ganhou, soube o que fazer e o que não fazer, quando lançar e quando deixar Ezekiell Elliot correr com a bola.

Ezekiel Elliot continua a mostrar o porquê de ser um dos melhores jogadores da atualidade
Fonte: Dallas Cowboys

A fórmula para a equipa de Dallas tem de ser esta: proteger ao máximo Dak, procurando a todo o custo não o obrigar a lançar a bola demasiadas vezes e garantir que este está rodeado das peças necessárias para vencer. Quanto à equipa dos Eagles: um desastre. A defesa não parece ser capaz de segurar jogos, e o running game é inexistente. A isto é obrigatório juntar as debilidades de Carson Wentz, que começa a revelar-se como um dos maiores flops da época.