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CD Santa Clara 3-2 Sporting CP: Dos Bravos reza a história

O estádio de S. Miguel abriu portas para a 17ª. Jornada, na primeira sexta feira do ano, para a partida entre CD Santa Clara e o Sporting CP.

O Santa Clara vem de uma derrota na ultima jornada mas, em casa, tem se mostrado confiante e conseguiu arrecadar os 3 pontos nas últimas duas jornadas em casa. Por outro lado, temos um Sporting com melhor defesa do campeonato que promete dificultar o trabalho para a equipa açoriana.

A primeira parte começava e o Santa Clara entrava a pressionar bem e a conseguir mostrar-se seguro e confiante. O Sporting não se deixa levar e tenta, também pressionar.

Essa pressão dos leões viria a dar frutos quando, na primeira oportunidade de golo, aos 10 minutos, Mansur faz um corte e Palhinha, que estava no lugar certo à hora certa, remata a seco, Marco ainda tenta defender mas a pouca visibilidade não lhe permitia ver a direção da bola e o Sporting inaugura, assim, o marcador.

O clube de Lisboa não perde tempo e volta a ameaçar as redes dos bravos. Depois de um corte de Mansur, que dá origem a canto, Nuno Santos tenta rematar mas a bola não entra sai e acaba por sair muito por cima.

Apesar do Sporting tentar manter-se por cima da partida, os açorianos mantinham a calma e procuravam controlar o jogo. Esse controlo viria a mostrar efeito quando Mansur recebe a redondinha para Lincoln, que aponta para Jean Patric e, este, para Rui Costa mas não chega a tempo  e a bola acabaria por sair pela linha de fundo.

Pouco tempo depois, os bravos açorianos ameaçavam e numa saída de bola, Lincoln na direita espera por Jean Patric que cabeceia e faz o golo do empate aos 30 minutos. Momentos depois Palhinha ainda ameaça mas sem efeito, o empate manteria-se ao intervalo.

A segunda parte começava e o ritmo mantinha-se. O Santa Clara entraria a pressionar e a ir contra as transições do Sporting. Este não baixa a guarda e Sarabia confirma isso. Aos 5 minutos do início da segunda parte, recebe a bola de Pedro Gonçalves e de pé direito marca o segundo golo.

A resposta do Santa Clara seria imediata. Lincoln passa para Jean Patric que atrasa, novamente, para Lincoln e este faz o golo do empate.

Após os golos, a partida acabaria por ficar mais partida, mas sem baixar o seu ritmo. Prova disso é um erro de Esgaio que viria a ser prejudicial para os verdes e brancos. Lincoln aproveita o momento, apanha a bola, conduz à grande área, espera por Ricardinho que remata de forma incrível e faz o terceiro golo na partida.

Já nos momentos finais da partida, um pisão de Bragança a Ricardinho leva o árbitro a tirar o cartão vermelho do bolso e este acaba por ser expulso sem grandes oposições.

Paulinho ainda tentaria a sua sorte mas não era o dia dele e acabaria por falhar. O apito final soava e um resultado histórico ficava marcado na história do futebol português não só pelo resultado mas, também, pela qualidade durante toda a partida.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Lincoln – O mágico 10 do Santa Clara foi importantíssimo na partida. O brasileiro esteve presente em momentos fulcrais para a equipa onde conseguiu uma assistência e um golo. Sem dúvida que todo o esforço e dedicação tem dado frutos no craque da equipa açoriana.

 

O FORA DE JOGO

Ricardo Esgaio
Fonte: Sebastião Rôxo / Bola na Rede

 

Esgaio – O defesa dos leões esteve desatento e com algumas falhas durante a partida que acabariam por prejudicar a sua equipa em alguns momentos cruciais como, por exemplo, aquando do terceiro golo dos açorianos na segunda parte.

 

ANÁLISE TÁTICA – CD SANTA CLARA

Tiago Sousa, técnico interino dos açoriano, procurou manter o habitual esquema tático. Marco Pereira à sua frente contou com quatro homens. Mansur à esquerda, Boateng e João Afonso como dupla de centrais e Pierre Sagna à direita para maior mobilidade. Morita e Anderson Carvalho ajudavam a construir jogo. Lincoln e Rui Costa ajudavam a procurar oportunidades. Jean Patric era o homem da velocidade e Cryzan que ao estar mais solto, tinha mais liberdade para avançar no terreno.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marco Pereira (5)

Mansur (6)

Boateng (3)

João Afonso (4)

Pierre Sagna (4)

Anderson Carvalho (4)

Morita (3)

Jean Patric (6)

Lincoln (6)

Rui Costa (5)

Cryzan (5)

SUBS UTILIZADOS

Ricardinho (6)

Bouldini (3)

Paulo Henrique (-)

Néné (-)

Julio Romão (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – SPORTING CP

Adán à sua frente contava com Neto, Coates e Matheus Reis. Apesar de focados na partida alguns erros acabaram por serem prejudiciais e fizeram com que a equipa da casa levasse a vantagem. O trio de ataque composto por Pablo Sarabia, Paulinho e Pedro Gonçalves, funcionou bem mas não foi suficiente para alterar o resultado final. Ainda assim, a equipa tentou de tudo até ao apito final.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Adán (5)

Neto (4)

Coates (6)

Matheus Reis (5)

Ricardo Esgaio (3)

Matheus Nunes (5)

Palhinha (4)

Nuno Santos (5)

Pedro Gonçalves (6)

Paulinho (5)

Sarabia (6)

SUBS UTILIZADOS 

Tabata (5)

Daniel Bragança (4)

 

 

 

 

 

 

 

 

Futebol Nacional | Os 5 principais momentos em 2021

E assim, em menos de nada, se passou mais um ano desportivo que, talvez por ser tão apaixonante e cheio de emoções, passou sem que tenhamos dado conta da sua rapidez.

Começando pelo início, foi um ano que iniciou com as marcas e obrigações a que a pandemia obrigava, com estádios vazios e, consequentemente, um futebol mais pobre e triste. Até ao final da temporada de 2020/21 foi esse o único registo possível face ao panorama que se vivia, mas com a nova época vieram novas regras e felizmente o futebol em todo o mundo ganhou nova vida e estádios voltaram a encher-se do elemento mais essencial deste mundo que move multidões: as pessoas.

A verdade é que, pelas melhores e piores razões, este foi também um ano especial para o nosso futebol e para as equipas do nosso país, que viram alcançados grandes objetivos e ultrapassados limites que não pensariam poder alcançar. No entanto, toda a moeda tem a sua outra face e não seria este um verdadeiro mundo mediático se não existissem acontecimentos menos positivos, que de certa forma acabam por manchar a imagem do futebol no nosso país. Para que fique claro, essa não é nem nunca será a intenção, mas a verdade é que aqui e ali eles vão acontecendo e cabe aos protagonistas acabarem com esse tipo que confusões que continuam a dar alguma razão a quem diz que o futebol tem mais de negativo do que de positivo.

Assim não é, e numa espécie de rescaldo daquilo que foi o ano de 2021 a nível nacional, fazemos um top cinco com os melhores e piores momentos do nosso futebol, começando com os dois que servem de exemplo para aquilo que não deve acontecer no futuro e acabando com três que merecem destaque pela glória e mérito com que foram alcançados.

FC Porto: Novo ano, novas metas

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Dragão de cabeça virada para o Campeonato, Liga Europa e Taça de Portugal

Os Dragões iniciaram a presente época com os mesmos objetivos de praticamente todos os anos, vencer a Primeira Liga, ir o mais longe possível na Champions League, vencer a Taça de Portugal e vencer a Taça da Liga.

Para quem acompanha atentamente o percurso azul e branco sabe que estes objetivos tornaram-se inatingíveis, isto porque, a equipa viu-se eliminada da prova milionária, estando agora a competir na Liga Europa e foi eliminada da Taça da Liga.

Contudo o plantel dá provas de estar bem e recomenda-se, tendo ainda a possibilidade de arrecadar três títulos.

Se tivermos em conta o ADN azul e branco, é certo que a Liga Europa passou a ser um novo objetivo para esta época e ditou o sorteio que o primeiro adversário a eliminar seja uma casa que diz muito ao míster Sérgio Conceição, a SS Lázio S.p.A.

Em relação à Prova Rainha, a tarefa não parece ser muito complicada, os Dragões vêm de uma exibição de gala frente ao SL Benfica, onde venceram por três bolas a zero, colocando um dos adversários mais complicados de fora da competição. Na próxima fase segue-se o FC Vizela.

Por último temos, se calhar, aquele que é o principal objetivo do clube para esta época, vencer a Primeira Liga Portuguesa. Atualmente o FC Porto encontra-se no primeiro lugar da classificação, derrotando nesta última jornada um dos candidatos ao título (SLB) por 3-1, deixando-os a sete pontos da liderança.

O clube irá passar a Passagem de Ano em primeiro, mas falta uma jornada para encerrar a primeira volta e poder sagrar-se “Campeão de Inverno”, mas para isso terá de vencer o GD Estoril Praia.

A equipa, até ao momento, no campeonato, não conheceu o sabor da derrota e parece estar num bom caminho, apresentando bons argumentos na luta pelo título, mas tem “à perna”, com os mesmos pontos o atual detentor do título, o Sporting CP e tendo em conta o desenrolar dos acontecimentos, parece ser o único rival que pode causar problemas nas contas azuis e brancas.

Se o compromisso, entrega e garra dentro das quatro linhas continuar a evoluir como nos últimos jogos, o FC Porto parece estar no bom caminho para dar grandes alegrias ao mar azul.

Um Feliz Ano Novo!!

CD Santa Clara x Sporting CP | A energia que se pe(r)de

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Primeira Liga: Sexta-feira, 18:30, 07 de Janeiro de 2022

ANTEVISÃO: A ENERGIA QUE SE PE(R)DE

O treinador-adjunto Carlos Fernandes alerta para a qualidade do CD Santa Clara que “apesar do momento imprevisível pode vencer qualquer equipa do campeonato” e admite que o grupo gostaria de contar com a “energia muito positiva” de Rúben Amorim.

O SPORTING NUNCA PERDEU COM O SANTA CLARA PARA O CAMPEONATO. SERÁ HOJE? APOSTA COM A BWIN

CD Santa Clara e Sporting CP encontram-se à 17ª jornada da liga. Os leões entram para esta partida com algumas baixas, sendo a mais impactante a de Rúben Amorim que – tal como Geny Catamo, José Marsà e Gonçalo Inácio – está infectado pelo vírus da Covid-19. Jovane continua a ser baixa, Pedro Porro não seguiu viagem e o regresso de Feddal é o mais assinalável, depois da lesão sofrida no embate frente ao eterno rival.

O Santa Clara entra para esta partida ocupando, surpreendentemente, a 15ª posição, com 13 pontos, somando apenas três vitórias – todas elas caseiras e sempre pela margem mínima – frente a Vitória Sport Clube, FC Arouca e Gil Vicente FC (as duas primeiras no transato mês de Dezembro). São a segunda pior defesa da competição.

Contrariamente à titubeante equipa da casa, o Sporting vive um bom momento. Invicto, vem de 11 vitórias consecutivas no campeonato (16, levando em conta todas as competições nacionais) podendo ascender provisoriamente à liderança, caso vença a partida introdutória da jornada 17. Marcou em todos os encontros desta edição da liga.

O treinador interino Tiago Sousa não espera facilidades, mesmo sem o timoneiro leonino no banco, apelando à “superação dos jogadores em todos os momentos do jogo” para poder pontuar e, se possível, levar de vencida a turma de Alvalade. Do lado dos leões, Carlos Fernandes desconfia do momento dos açorianos e aponta à qualidade do plantel adversário, que conta com nomes como Morita, Lincoln ou Cryzan.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. Rúben Amorim, como treinador, nunca perdeu contra o Santa Clara. Ao comando dos leões, conta por vitórias os três jogos realizados;
  2. O Sporting venceu nas cinco últimas deslocações a casa do Santa Clara;
  3. Na época anterior, ambos os encontros entre leões e os bravos açorianos terminaram com o mesmo resultado: 2-1.
  4. O Sporting nunca perdeu com o Santa Clara para o campeonato (10 vitórias e 2 empates);
  5. A última vez que o Sporting não venceu o Santa Clara foi em 2001/02, quando se registou um nulo em Alvalade.
  6. A vitória mais expressiva dos leões, em Ponta Delgada, foi um 0-4 na época de 2019/2020.
  7. O maior triunfo do Sporting em casa frente ao Santa Clara foi um 4-1 na temporada 1999/2000;
  8. O resultado mais comum em casa dos açorianos entre estas duas equipas é o 1-2 a favor dos leões;
  9. Os jogadores do Sporting com mais golos apontados ao conjunto da casa são Pedro Barbosa e Pedro Gonçalves com 3 tiros certeiros;
  10. Do lado do Santa Clara, Jorge Gamboa foi quem mais vezes fez as redes balançar (2 golos em 2 jogos);

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Sporting
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Pedro Gonçalves (Sporting CP) – O melhor marcador da temporada passada será uma seta apontada à baliza do guardião Marco. Apesar da recente seca de golos, o Estádio de São Miguel é de boas memórias para “Pote”, dado que bisou na última visita. Caso restem dúvidas, nos últimos 20 anos, só Jardel e Bas Dost faturaram mais que o craque leonino ao cabo dos primeiros 50 jogos.

 

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Lincoln (CD Santa Clara) – O criativo e irreverente médio brasileiro dos açorianos poderá ser uma espécie de “abre-latas” na criação de espaços na defesa leonina. É o jogador mais utilizado, levando 2 golos e 3 assistências. Aliando a técnica à forma enérgica que emprega em cada lance, perfila-se como principal agitador no último reduto adversário.

 

XI’S PROVÁVEIS

Sporting CP (3-4-3): António Adán; Luís Neto, Sebastián Coates, Matheus Reis; Ricardo Esgaio, Palhinha, Matheus Nunes, Nuno Santos; Pedro Gonçalves, Pablo Sarabia e Paulinho.

Treinador: Carlos Fernandes

“É uma equipa com um plantel com mais qualidade do que a pontuação indica. No início do ano estiveram perto de se qualificarem para a fase de grupos da prova europeia, e não o conseguiu por muito pouco, tendo sido eliminada na última ronda de apuramento. Uma equipa que elimina o FC Porto demonstra que tem essa capacidade. Tem características muito específicas, um guarda-redes que joga muito bem com os pés, que tem soluções e profundidade no plantel. Têm o Morita que joga muito bem. Têm jogadores com capacidade de rotura.”

CD Santa Clara (4-3-3): Marco Ferreira; Pierre Sagna, Kennedy Boateng, João Afonso, Paulo Henrique; Anderson Carvalho, Hidemasa Morita, Lincoln; Ricardinho, Cryzan e Rui Costa

Treinador: Tiago Sousa

“Vai ser preciso o melhor Santa Clara e para tê-lo teremos que resgatar tudo o que trabalhamos de bom nos últimos três anos e meio. Vamos defrontar um super Sporting e se quisermos pontuar teremos que ser super em tudo.Vamos defrontar o campeão nacional, uma belíssima equipa, pelo que espero um Santa Clara de elevada tração para este jogo, um Santa Clara competente e empenhado em reverter os trinta minutos finais do último jogo.”

PREVISÃO DE RESULTADO: CD SANTA CLARA 0-2 SPORTING CP

 

Artigo com opinião de Sérgio Pires

«O Estrela da Amadora estará de volta à Primeira Liga nos próximos anos» – Entrevista BnR com Ricardo Chéu

Professor Neca entrevista À BnR

Os salpicos da chuva miúda transtornam quem circula pelas ruas. Perante o risco de intempérie, o Estádio José Gomes abre portas para oferecer abrigo à conversa com Ricardo Chéu. O tricolor das bancadas destoa do cinzento do céu e ao relvado aparam-se-lhe as pontas para que fique na medida certa. Com 40 anos, o treinador do CF Estrela da Amadora consegue ser dos elementos mais velhos da estrutura de um clube revitalizado, que vai ao passado buscar inspiração para o presente. Fluente em futebolês e fã incondicional de dinâmicas, abre o jogo para explicar as ideias que tem para o clube da Segunda Liga sobre o qual lança perspetivas ambiciosas.

– Pensar o jogo –

«O jogador está sempre à espera que aconteça algum tipo de incoerência para ter a razão do lado dele»

 

Bola na Rede: Veio valorizado do estrangeiro enquanto treinador?

Ricardo Chéu: Estive três anos fora do país. Se me perguntassem se estaria à espera de ter o mercado aberto de uma forma mais clara, estava. Tive uma experiência fantástica em Itália, uma experiência na Eslováquia – que é pouco visível em Portugal, mas que tem qualidade ‑, depois, estive numa equipa de Liga Europa. Às vezes, precisamos de passar por essas experiências para nos tornarmos mais ricos, vermos as coisas de uma forma diferente e darmos valor a coisas que, enquanto estamos no mercado português, não damos. Sinto-me valorizado, em termos pessoais. Fora daquilo que é o aspeto individual, não tenho tanta certeza que me tenha aberto portas. Tive uma possibilidade forte de treinar uma equipa de Primeira Liga. Não se concretizou e, entretanto, tive apenas algumas de Segunda Liga. De qualquer maneira, continuo focado naquilo que é o meu caminho. Ainda sou um treinador jovem, independentemente de já ter muitos jogos como treinador profissional, quer em Portugal, quer fora de Portugal, acredito muito que posso dar um passo ainda maior e chegar a outros patamares no futebol português.

Bola na Rede: Em 2020/21, não esteve no ativo. Essa paragem deu-lhe tempo para estudar o jogo? 

Ricardo Chéu: Estive de fora por opção muito própria. Primeiro, por questões pessoais. Depois, porque achei que os projetos que me apareceram não foram aliciantes para aquilo que queria em termos de continuidade para a minha carreira. Vinha de um projeto de Liga Europa, o FC Spartak Trnava, e sentia que estava preparado para um projeto mais sustentado. Deu para fazer uma reflexão sobre estes anos em que estive sempre no ativo, nunca parei. Consegui pensar sobre a forma como vejo e entendo o jogo. Também serviu para ver outras ideias. Como disse um colega meu, um treinador é um ladrão de ideias.

Ricardo Chéu
Fonte: CF Estrela da Amadora

Bola na Rede: Nesse período de reflexão, onde é que foi roubar mais ideias?

Ricardo Chéu: Sou fã de treinadores que ganham mais vezes. Existem alguns treinadores com quem me identifico muito. Começando pelos portugueses, temos o caso do Luís Castro, que é alguém que admiro muito pelo discurso e pela forma como subiu na carreira, o Paulo Fonseca, que tem um ADN muito vincado no que pretende para as suas equipas, e o Carlos Carvalhal, que consegue transpor para o campo aquilo que são as vertentes universitárias. Em termos de treinadores estrangeiros, o Bielsa, que é alguém que admiro ao nível do treino, pois faz um treino fragmentado. Gosto de seguir treinadores italianos devido à experiência que tive em Itália. Passei a ser um amante do futebol italiano pelo detalhe, pela forma como os treinadores trabalham as equipas em termos defensivos.

Bola na Rede: Para um treinador ter sucesso, o que é mais importante? Bases académicas, experiência como jogador, ser apenas treinador…

Ricardo Chéu: É tudo importante. Não existem bons nem maus treinadores por serem antigos jogadores, por serem professores, por serem outro tipo de profissões. Acredito muito que a competência e a forma como vivenciamos as experiências nos torna melhores treinadores. Não sou daqueles que pensa que apenas ex-jogadores podem ser treinadores. Cada vez mais percebemos que o treino tem um papel fundamental, mas cada vez mais somos uns gestores do que são as expectativas dos jogadores. Os jogadores são todos diferentes. Não acredito que devam ser todos tratados por igual. Temos que perceber que uma abordagem funciona para um jogador, mas para outro não. O mais difícil para um treinador é manter a coerência ao longo de uma época desportiva. O jogador está sempre à espera que aconteça algum tipo de incoerência da parte do treinador para ter a razão do lado dele. Esse é o aspeto mais difícil para se manter um plantel animado, unido e a defender a ideia do treinador.

Bola na Rede: Capacidade agregadora?

Ricardo Chéu: Exatamente. Antigamente, dizia-se que o treino tinha uma percentagem muito importante naquilo que queremos ver no jogo. Isso é verdade, mas cada vez mais temos que perceber que quem interpreta as nossas ideias são os jogadores e se eles não estiverem connosco será muito difícil passarmos a matriz que queremos para a nossa equipa. 


Circo sem música, palhaços à solta | SL Benfica

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Será que o reino da Águia virou um circo mediático?

Desastre anunciado há muito e agora consumado. Caiu toda a areia da ampulheta de Jorge Jesus, que nunca imaginaria ver-se trocado por Paulo Sousa.

Uma jogada deliciosa dos dirigentes brasileiros, e que provocou a cisão final entre a sua equipa técnica e o plantel, ao meter os pontos nos is de Pizzi, em tempos seu protégé e agora arma de arremesso para fins pessoais, e que sucedeu a intermináveis rumores de mau estar no balneário (lembrar Otamendi…).

Ao ditado que diz ser prudente nunca voltar a uma casa onde se foi feliz respondeu a direção benfiquista com indiferença, dando-se assim mais uma prova da viabilidade do dito e do erro histórico cometido no Verão de 2020.

Com tudo isto, acaba finalmente a assombração do fantasma Jesuíta no reino da Águia, que tanto incomodou Rui Vitória e Bruno Lage, fiéis e leais serventes da nossa causa e que viram o seu trabalho sabotado por saudades de tempos alegres (mascarados pelo revisionismo) que se viu agora serem… injustificadas. Teima-se em perpetuar mitos de Sebastianismo.

A agravar o circo mediático que se alimentou às custas da instabilidade benfiquista, com equipa e treinadores expostos a cobertura extensiva dos principais órgãos de comunicação, estava Rui Costa e o seu seletivo mas gutural silêncio que mais não fez do que suportar teorias da conspiração e falsetes armados.

Não reagindo imediatamente ao encontro entre Jorge Jesus e o seu representante e com os dirigentes do Flamengo – para depois afirmar que foi… com consentimento do clube dias antes de um encontro com o principal rival para a Taça -, ou enfaixando a vista em relação ao almoço do seu Vice Jaime Antunes com o ex-presidente detido em funções Luís Filipe Vieira.

Ou, então, mantendo o silêncio após a terceira derrota humilhante perante um rival direto em questão de semanas – escureceu ainda mais a sua imagem perante uma massa adepta desconfiada que acusa o presidente de falta de pulso ou inaptidão para suportar as exigências de uma liderança deste nível.

Rui Costa preferiu manter-se nas sombras enquanto tudo se desenrolava à sua volta, sofreu o SL Benfica pela sua falta de ação e pela ausência de uma figura que o protegesse dos ataques ferozes à instituição.

Chegar, ver, perder… e mudar! | SL Benfica

Irá o SL Benfica chegar ao Dragão com uma postura diferente?

É, de novo, dia de Clássico. O SL Benfica vai, de novo, visitar o Estádio do Dragão. E se não mudar muito do que fez e sobretudo do que não fez vai, de novo, cair ante o FC Porto.

AS ÁGUIAS PROCURAM SOMAR TRÊS PONTOS NA ESTREIA DE NÉLSON VERÍSSIMO NO COMANDO TÉCNICO. SERÁ QUE CONSEGUEM? APOSTA JÁ NA BWIN.PT

Na partida referente à Taça de Portugal, os dragões venceram com muito mérito – pressionaram bem e alto, souberem golpear as águias da forma correta e pelo lado certo e foram letais.

Todavia, o demérito dos encarnados foi para lá de gritante e mais do que claro. É, portanto, vital aprender com os muitos erros e corrigi-los, para que a corrida pelo cetro de campeão nacional continue a ter três participantes. Há, contudo e desde logo, acrescidas circunstâncias que dificultam o processo.

Um dos pontos de ordem seria a correção da tática e da estratégia adotadas. Claramente, saiu gorada a inserção de Adel Taarabt no onze e a mudança para um 3-5-2 que foi cabalmente consumido e digerido pelos homens de meio-campo dos azuis-e-brancos.

Chegar SL Benfica
Taarabt foi engolido pelo meio campo portista na partida da Taça de Portugal
Fonte: Isabel Silva / Bola na Rede

E, acredito, Nélson Veríssimo sabe bem que o terá que fazer. O problema é que as ausências vão limitar a panóplia de novas estratégias e táticas a adotar.

Além de dificultarem as escolhas táticas, as ausências de Otamendi, Grimaldo e Darwin vão interferir em grande medida com as escolhas das individualidades que se vão apresentar de início no relvado portista.

Além, claro, do peso que estas ausências terão por si mesmas. Veríssimo terá, então, que apostar em jogadores nos quais deposita pouca ou nenhuma confiança ou engendrar planos e desenhos táticos que lhe permitam deslocar jogadores da sua confiança para posições que não as suas.

O aspeto mais técnico, tático e estratégico do jogo será um dos pontos a ter em consideração pelas águias nas mudanças que terão que operar na preparação para este jogo.

Não obstante, também o aspeto psicológico carece de trabalho depois da pesada derrota e da parca exibição da transata quinta-feira, não contribuindo para a melhoria desse aspeto o ambiente vivido internamente no clube da Luz, agravado com a saída de Jesus.

Para não ajudar, o fator casa estará, de novo, do lado portista – se bem que, de momento, o Estádio da Luz não deva ser um lar acolhedor. Contudo, este não é um elemento que as águias possam mudar. O que podem e devem mudar é um elemento em falta no jogo da semana passada e que se sobrepõe a todos os outros: a atitude dentro das quatro linhas.

Faltou no Dragão, como faltou na Luz frente ao Sporting CP, uma atitude minimamente condizente com os pergaminhos do clube e que entroncasse num dos mais importantes motes benfiquistas – “Raça, Crer e Ambição”. Faltou atitude desde o início, faltou atitude até ao fim. Faltou atitude contra 11, faltou atitude contra dez. Não pode faltar.

Posto isto, são muitos os pontos de necessária mudança do lado das águias na antecâmara de novo Clássico.

O mais importante, todavia, é este último – é obrigatório chegar e ter renovada atitude no relvado do Estádio do Dragão! Ah, claro, já me esquecia: jogar com (este) André Almeida é jogar com um a menos. Também convém mudar isso.

 

3 fragilidades do FC Porto que o SL Benfica pode aproveitar

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Serão estas 3 fragilidades suficientes para uma vitória encarnada?

O day after do clássico da passada quinta-feira entre SL Benfica e FC Porto para a Taça de Portugal abriu ainda mais uma ferida difícil de sarar no clube encarnado, ao ponto de Jorge Jesus ter colocado o lugar à disposição, aceite pelo Presidente Rui Costa.

Uma situação, diga-se, que já se previa após a derrota no Dragão. Era apenas uma questão de tempo num mês decisivo para o clube lisboeta em todas as competições, já que ao mínimo desaire a corda podia partir-se.

Nesse encontro da prova rainha do futebol português, tudo correu mal ao SL Benfica que logo aos 30 segundos de jogo entrou a perder e a partir daí o conjunto da Luz nunca mais se encontrou.

Os encarnados nunca conseguiram ter o jogo na mão, até mesmo quando ficaram em superioridade numérica. Os dragões controlaram o jogo como bem lhes apeteceu e rubricaram uma boa exibição frente a uma equipa amorfa e sem ideias.

O SL Benfica encara agora o desafio do campeonato frente ao FC Porto como o tudo ou nada em relação ao objetivo principal desta época. Ou vence e continua na corrida pelo título, ou, em caso de derrota, ser campeão nacional já esta época começa a ser uma miragem.

E o embate desta noite não se adivinha nada fácil, ainda para mais sem poder contar com três jogadores fulcrais da equipa, como são os casos de Nicolás Otamendi, Alex Grimaldo e Darwin Núñez.

Baixas de peso que poderão dificultar a vida à formação encarnada mas já se sabe que no futebol não há impossíveis nem equipas imbatíveis e a mentalidade dos jogadores terá de ser completamente diferente do jogo da Taça.

A questão agora é saber se o novo treinador do SL Benfica, Nélson Veríssimo, irá manter a mesma tática de três centrais que Jorge Jesus implementou para esta temporada, ou então voltar a utilizar esquemas mais clássicos como o 4-4-2 ou o 4-3-3.

Uma coisa é certa, Veríssimo já terá a receita para tentar levar de vencida os dragões e de certeza que passou os últimos três dias a estudar bem o adversário, no sentido também de descobrir os seus pontos fracos.

Embora o FC Porto esteja a passar por uma boa fase, especialmente na defesa onde não sofre golos há cinco jogos para as competições internas, há sempre uma ou outra fragilidade que o SL Benfica pode explorar para o encontro de hoje. Vamos, de seguida, enumerar algumas delas.

Os Momentos do Ano de 2021 nas Modalidades

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2021 terminou, e como sempre o fazemos, decidimos destacar os momentos do ano nas nossas Modalidades.

Assim, a equipa da Secção de Modalidades do Bola na Rede deseja a todos um ano de 2022 excelente. Sejam felizes!

Foto de Capa: Seleção Portugal

O estranho caso de Telmo Pinto | Hóquei em Patins

Este podia ser mais um daqueles thrillers escritos e contados por David Fincher. Envolve uma carreira profissional de dez anos que contempla muitos troféus, trocas entre clubes rivais e o mais importante: três troféus internacionais conquistados em sete meses. Não é um conto cinematográfico, mas sim a vida de Telmo Pinto, um dos nomes que perdurará na história do Hóquei em Patins nacional.

Telmo Alberto Sousa Pinto nasceu a 23 de janeiro de 1993 em Friburgo, na Suíça. A sua paixão pelo Hóquei deu-se cedo, já que, aos sete anos ingressou nas escolinhas do CH Carvalhos. Três anos foram suficientes para dar o salto para o FC Porto e chegar à Seleção Nacional. Nas seleções jovens tornou-se bicampeão da Europa de Sub-17, em 2008 e 2009, e de Sub-20, em 2010 e 2012. Esta geração de ouro do Hóquei nacional contava ainda com nomes como Gonçalo Alves e Hélder Nunes nas suas fileiras.

Em 2013 transferiu-se para a AD Valongo e integrou a equipa que, surpreendentemente, se sagrou Campeã Nacional e venceu a Supertaça, no ano de 2014. Dessa equipa saíram grandes nomes, tais como Ângelo Girão, Henrique Magalhães e Rafa Costa. Telmo Pinto abandonou o clube no final de 2015 e regressou ao Dragão para conquistar dois Campeonatos, três Taças de Portugal e 3 Supertaças. Em 2019 abandonou o clube, ao cabo de 11 anos, e ingressou no rival Sporting CP, para substituir Henrique Magalhães. Nesse mesmo ano tornou-se Campeão do Mundo por Seleções, na competição realizada em Barcelona.

Ao serviço do emblema leonino conquistou a primeira e até aí inédita Taça Continental dos leões. Sagrou-se Campeão Nacional no final da época passada e Campeão Europeu. Nestes três títulos existe um denominador comum: foram conquistados perante o seu então ex-clube. Em junho foi anunciado publicamente o seu regresso ao FC Porto, para substituir Poka, que saiu para o… SL Benfica.

Já a cumprir a terceira passagem pelo emblema da Cidade Invicta, Telmo Pinto disputou à bem pouco tempo, em Paredes, o seu primeiro Europeu enquanto internacional A. Na competição participou em todos os jogos e marcou dois golos, ambos na estreia, frente à Alemanha. Neste mês de dezembro venceu a Taça Intercontinental, em pleno João Rocha, depois do FC Porto bater o Sporting CP na final disputada a duas mãos. Telmo Pinto marcou no jogo do Dragão e é, atualmente, o único jogador de Hóquei que é Campeão Nacional, da Europa e do Mundo em simultâneo – este último a dobrar. Esse feito torna-se ainda mais inusitado por ter sido conquistado perante as suas antigas equipas.

Telmo Pinto não é um dos jogadores que nos vem à memória quando falamos de Hóquei em Patins. Não é um jogador que prima pelo brilhantismo, nem tão pouco pelos golos que marca. Atua como defesa e é um profissional aguerrido, intenso e que dá tudo pelo coletivo. Não dá um lance como perdido e está integrado nas equipas que conquistaram os maiores feitos para o Hóquei nacional. Em dez anos de carreira profissional já conquistou 18 troféus, o que dá uma média de praticamente dois por temporada. Podia ser um caso estranho, não fosse Telmo torná-lo cada vez mais normal.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo redigido por Tiago Alexandre