O Borussia Mönchengladbach atravessou uma fase difícil neste início de época, mas reencontrou-se depois da saída de Lucien Favre. A equipa tem voltado a exibir-se a um nível altíssimo – o jogo deste fim-de-semana com o Bayer Leverkusen foi um evento à parte – e no meio-campo tem brilhado um novo talento: Mahmoud Dahoud. A entrada de André Schubert para o lugar de Favre – treinador despedido ao fim de cinco jornadas desastrosas – acabou por ser o ponto de viragem na época do talentoso médio, sendo um dos responsáveis pela excelente campanha com o novo treinador.
Ainda fora dos radares mais desatentos, Mahmoud Dahoud é um médio-centro de fino recorte que nasceu em Amuda, Síria. A mudança para a Alemanha com a família levou-o a jogar nas camadas jovens de equipas como SC Germania Reusrath e Fortuna Düsseldorf, antes de ser resgatado pelo Gladach. A sua estreia pela equipa principal deu-se com Lucien Favre na época passada, em Saravejo, jogo a contar para a Liga Europa. Desde essa ocasião, a sua presença foi frequente nas convocatórias, mesmo não sendo uma aposta recorrente. O início tremido e a saída da estrela da companhia, Cristoph Kramer, fez com que fosse preciso abanar os pilares e Schubert não teve medo em apostar neste médio que, devido à sua enorme qualidade, pode fazer todos os lugares do meio-campo com facilidade.
Mahmoud Dahoud é um talento emergente na Bundesliga Fonte: Juventus FC
A Liga dos Campeões e o campeonato alemão têm sido a sua praia e existe um sem número de qualidades a apontar-lhe. Assume-se no novo meio-campo do Gladcach, ao lado de Xhaka, e abrilhanta todos os jogos em que participa com a sua elegância no transporte e qualidade técnica acima da média, sendo também dono de um vistoso remate fora-de-área. A maneira como recebe sempre de forma orientada cada bola denota uma leitura de jogo fora do comum, estando sempre um passo à frente dos seus adversários. Os 19 anos chocam de frente com a eloquência com que joga, parecendo que estamos perante um veterano que já conhece cada canto do terreno.
Os dois golos e as quatro assistências na Bundesliga são números que ajudam a entender o que se tem passado neste auspicioso início de carreira do internacional alemão nas camadas jovens. As exibições seguras já atraem os “tubarões” – a Juventus, adversário na Champions, é um dos interessados – e certamente que irá ser breve o seu tempo a espalhar classe pelo Borussia-Park.
A 16 de Maio de 2001, o emblemático Westfalenstadion em Dortmund foi palco da final da Taça UEFA que opôs o velho gigante europeu Liverpool FC a uma equipa de bravos guerreiros provenientes da cidade de Vitoria-Gasteiz no País Basco, que dava pelo nome de Deportivo Alavés. Logo à partida, esta era uma final diferente de tantas outras, uma vez que o duelo que se iria travar era uma espécie de batalha entre David e Golias, mas no fim de contas foi vencida, com alguma sorte à mistura, pelo velho e gigante soldado dos filisteus. O jogo terminou com um surpreendente 5-4 favorável aos homens de Gérard Houlier, mas foi necessário o recurso ao tempo-extra para se encontrar o vencedor da partida. Um golo de ouro na própria baliza apontado pelo antigo internacional espanhol Delfi Geli pôs fim à resistência da equipa basca, que terminou a partida com apenas nove jogadores, após as expulsões do capitão Antonio Karmona e do avançado brasileiro Magno.
Embora fosse um emblema com parcos recursos e sem qualquer tradição a nível internacional, essa equipa do Deportivo Alavés, superiormente orientada por José Manuel Esnal, mais conhecido por Mané, contava com jogadores bastante interessantes e de bitola elevada, como eram os casos de Cosmin Contra, Javi Moreno, Jordi Cruyff, Hermes Desio ou Ibon Begoña. Dois desses nomes, que se tornaram verdadeiras lendas do clube, o argentino Hermes Desio e o internacional romeno Cosmin Contra, “reecontraram-se” no ano passado numa entrevista telefónica para a Radio Vitoria, onde não só reviveram uma velha amizade como também recordaram esses tempos de glória do Deportivo Alavés.
O médio argentino, que terminou a sua carreira no conjunto basco, elogiou aquele grupo de trabalho, onde todos os jogadores, mesmo os suplentes, estavam totalmente comprometidos para com a causa da equipa e onde existia uma relação quase harmoniosa entre o plantel, o treinador e toda a estrutura do clube. Nessa entrevista, Desio não se cansou de elogiar Mané e passou para o treinador os louros daqueles momentos gloriosos vividos pelo clube.
Hermes Desio foi o espelho da tristeza do conjunto vitoriano após a derrota com o Liverpool na final da Taça UEFA em 2001 Fonte: Europa Football
No futebol, contudo, as medalhas e os momentos de glória não servem de garante para sucesso e prosperidade no futuro, e os últimos anos da história do Deportivo Alavés estiveram bem longe daquele cenário quase idílico que o emblema basco viveu há 15 anos.
Após regressar à Liga Adelante em 2014, o Deportivo Alavés não conseguiu melhor do que duas épocas verdadeiramente medíocres, terminando no 13.º e no 18.º postos da tabela classificativa, respectivamente. A necessidade de mudança era um imperativo e a direcção da formação vitoriana acreditou que uma das formas de alterar o rumo dos acontecimentos passaria pela mudança de treinador. Em Junho passado, chegava ao fim o reinado de Alberto López, um treinador que, apesar de todos os contratempos, conseguiu manter o Deportivo Alavés na Liga Adelante, e abriam-se as portas do clube a José Bordalás, um técnico com experiência de segunda divisão e que até ao momento tem feito um trabalho extremamente meritório ao leme do emblema vitoriano.
José Bordalás à esquerda da imagem num abraço de grupo com os seus jogadores que felicitam Toquero aquando do seu primeiro golo na Liga Adelante Fonte: Cadena Ser
O Deportivo Alavés está actualmente, ao fim de 17 jogos, no segundo lugar da Liga Adelante, a apenas três pontos do líder Córdoba CF, e está também a atravessar um momento bastante bom com quatro vitórias e apenas um empate nas últimas cinco partidas. No passado Sábado, o emblema basco recebeu em Mendizorroza o AD Alcorcón (curiosamente a equipa que José Bordalás orientou até à temporada passada) e não conseguiu melhor do que um empate a uma bola. O conjunto madrilista deu boa conta de si e adiantou-se no marcador com um golo do ex-FC Porto José Campaña, mas o Deportivo Alavés nunca baixou os braços e chegou ao empate sete minutos mais tarde através do talentoso jovem médio espanhol Kiko Femenía. Este jovem, antigo internacional espanhol que José Bordalás trouxe consigo do AD Alcorcón, tem estado em especial destaque esta temporada, mas não é o único. Dani Pacheco, que também chegou nesta época ao emblema vitoriano por empréstimo do Real Bétis, tem sido de extrema importância nas manobras atacantes da equipa. O capitão Manu García e o antigo avançado do Athletic Bilbao Gaizka Toquero, que é o melhor marcador da equipa, têm também sido preponderantes no trajecto vitorioso deste novo Deportivo Alavés.
O escritor espanhol Miguel de Cervantes afirmou em tempos que “quem perde os seus bens perde muito; quem perde os seus amigos perde mais; mas quem perde a coragem perde tudo”, e na verdade coragem não tem faltado ao Deportivo Alavés para ultrapassar todos os obstáculos que lhe têm aparecido no caminho desde que marcou presença naquela memorável final da Taça UEFA em 2001, e este início de temporada de alto nível dos pupilos de José Bordalás deixa antever a forte possibilidade de o clube vitoriano voltar ao convívio com os grandes (lugar de onde nunca devia ter saído) muito em breve.
A jornada 13 já tinha sido pródiga em jogos de bom futebol e muitos golos. Sobrava um Académica-Belenenses, um duelo do qual não se esperaria tanto mas de onde se extraiu tanto ou mais do que em todas as partidas anteriores. 4-3 para os da casa, duas grandes penalidades, várias oportunidades de golo e muita, muita emoção.
A Académica de Coimbra, privilegiando os flancos em busca de desequilíbrios que não iam surgindo mas que revelavam uma equipa cheia de confiança, parecia ter a noção de que essa sagacidade seria premiada e que era uma questão de tempo até a bola rondar a baliza adversária. E foi mesmo. À passagem do minuto 20, Gonçalo Paciência recebe um cruzamento da esquerda e dispara contra a mão de João Afonso. Penalti claro, assinalado e devidamente convertido pelo jogador cedido pelo FC Porto.
O Belenenses não pareceu acusar o golo e, à medida que Sá Pinto ia pedindo mais intensidade, os azuis do Restelo iam crescendo (Ricardo Dias teve papel fulcral neste período, saindo a jogar sem problemas e situando-se sempre na zona onde a bola pairava de forma a estancar o ataque contrário) e chegaram mesmo a criar perigo, com Carlos Martins a rematar, à entrada da área, fortíssimo para defesa brilhante de Trigueira, para canto. Na sequência do mesmo, Fernando Alexandre comete grande penalidade sobre João Afonso. Luís Leal, chamado à conversão, bate bem… mas Trigueira voltou a brilhar e defendeu o castigo máximo.
O Belenenses, desta vez, esmoreceu (Sá Pinto confirmou-o em conferência de imprensa), e a Académica de Coimbra aproveitou para vincar que estava a fazer os melhores 45 minutos da época (“a nível de entrega e intensidade fizemos um jogo extraordinário até ao 2-0”, concordou Gouveia), voltando a superiorizar-se ao adversário, ampliando a vantagem, por Pedro Nuno (“se trabalharem, terão oportunidades”, disse Filipe Gouveia em conferência de imprensa), que aproveitou um ressalto proveniente de um cruzamento tenso de Nii Plange para, à entrada da área, fazer o 2-0. Ambas as equipas pareciam conformadas com o desfecho da primeira parte, mas, sobre o minuto 45, Luís Leal cruzou sobre a direita do ataque do Belenenses, a bola sofreu um desvio em Ricardo Nascimento e traiu Trigueira. Estava feito o 2-1 e encerrado o primeiro tempo, num manto de dúvidas…
… logo desfeito, nos primeiros instantes da primeira parte, com o 3-1 (outro duro golpe nas ambições belenenses, disse o técnico dos azuis do Restelo) para a Briosa. Leandro Silva disparou de longe, Ventura defendeu mas não segurou a bola, e Ivanildo, na recarga, voltou a ampliar a vantagem. Sá Pinto, que apostara num 4x4x2 (4x2x4 em posse), com a entrada de Caeiro e a saída de Sturgeon, ao intervalo, viu a estratégia ruir e voltou a mexer, com Tiago Silva a substituir Ruben Pinto, numa declaração de guerra na busca ao golo… que trouxe dividendos. Luís Leal, fugindo a Ofori, galgou terreno rumo à linha de fundo, cruzou para trás e deu o golo a Tiago Caeiro. 3-2, jogo novamente lançado. O Belenenses voltava a acreditar e passou a dominar, intimidando a Académica de Coimbra, que permitiu vários lances de perigo aos azuis: Luís Leal, aproveitando o “raide” e cruzamento de João Amorim, cabeceou ao lado, e Carlos Martins e Tiago Caeiro dispararam de longe para duas boas estiradas de Trigueira.
Gouveia admitiu haver aspectos a melhorar mas ficou vaidoso pela sua equipa. José Eduardo Simões dedicou a vitória a Rui Prata Ribeiro
Vendo a equipa sufocar, Gouveia já tinha decidido reforçar o miolo, com Nuno Piloto a substituir Pedro Nuno, mas a equipa, sentindo que o seu líder tinha algo a temer, não respondeu da melhor maneira. Então, o técnico dos estudantes decidiu, antes, refrescar o ataque em busca de matar o jogo, tentando aproveitar o espaço dado que o balanceamento ofensivo do Belenenses permitia. E não demorou muito até esta jogada ter resultado. A Académica de Coimbra, numa sucessão de cantos, voltou a marcar. Leandro Silva, depois de ver devolvida a bola batida no canto por si batida, não desistiu e voltou a cruzar para a área belenense, onde apareceu Fernando Alexandre, pleno de oportunidade, a cabecear para o 4-2.
Até ao final, Carlos Martins voltaria a perder o duelo contra Trigueira, rematando mais uma vez para defesa do guardião, ainda que se “vingasse” com uma assistência para Ruben Pinto, de cabeça, assinar o 4-3 (“se o jogo tivesse mais dois ou três minutos, empatávamos o jogo, tenho a certeza absoluta” disse Sá Pinto. “É sofrer até ao fim”, suspiravam os adeptos da Briosa junto à zona da tribuna de imprensa onde estava instalado o Bola na Rede…
… mas, desta vez, ao contrário dos últimos jogos no Cidade de Coimbra, valeu a pena para eles. Não houve golos anulados, nem pontos perdidos perto do apito final e o preço do bilhete valeu bem a pena o espectáculo que os intervenientes proporcionaram. E a sorte, tanto tempo afastada dos estudantes, esteve do lado deles, que marcaram em momentos cirúrgicos do encontro.
A Figura:
Pedro Trigueira – Sofreu três golos, é verdade, mas salvou a sua equipa da derrota, travando duelo particular com Carlos Martins do qual saiu claramente vencedor. Susteve o ímpeto ofensivo do Belenenses na segunda parte, com quatro defesas de bom nível, e foi o principal responsável pela segunda vitória da Académica de Coimbra no campeonato.
O Fora-de-Jogo:
Ofori – Dois dos três golos do Belenenses nascem do lado direito do ataque, e em ambos Ofori cedeu muito espaço a Luís Leal, que aproveitou para cruzar, primeiro para o auto-golo de Ricardo Nascimento e depois para o golo de Tiago Caeiro. Contribuiu para o desassossego academista ao longo do encontro.
Jogo grande da 16.ª jornada da magnífica Barclays Premier League. A equipa sensação, Leicester, a defrontar a desilusão da época, o Chelsea, de José Mourinho, no King Power. Por um lado, a equipa caseira a querer recuperar o primeiro lugar, e, por outro, os londrinos a procurarem sair desta espiral negativa cada vez mais profunda. Mas foram os pupilos de Ranieri que, com Mahrez endiabrado, levaram os três pontos, enterrando ainda mais a turma de Mou.
A primeira parte até foi pouco mexida; de destacar as substituições forçadas que obrigaram Ranieiri a trocar Drinkwater por King, aos 16 minutos, e Mourinho a substituir Hazard por Pedro, aos 30. O momento do primeiro tempo foi obviamente o golo do Leicester. O inevitável Jamie Vardy, aos 34 minutos da partida, assistido por Riyad Mahrez, fez abanar as redes do Chelsea. O inglês apareceu sozinho entre os centrais e respondeu da melhor forma ao excelente cruzamento do companheiro de equipa.
No recolher aos balneários, o Leicester estava em vantagem e muito confortável na partida. Os Blues não conseguiam desequilibrar nem criar perigo, devido às enormes dificuldades em jogar no último terço. Ramires e Matic não acrescentam criatividade; Oscar foi menos um em campo; Willian ainda tentou mas sem sucesso; Costa está muito longe do avançado que vimos na última temporada, que disputava todas as bolas e era um tormento constante para todas as defesas (mas melhorou na segunda parte).
O segundo tempo começou da pior maneira possível para o Chelsea. Riyad Mahrez, com menos de dois minutos jogados, fez o segundo para a equipa da casa. O argelino recebeu, com classe, o passe de Albrighton, trocou as voltas a Azpilicueta e executou de forma estonteante, sem hipóteses para o gigante belga.
Mahrez marcou, de forma soberba, o segundo golo da partida Fonte: Premier League
Aos 53 minutos, Mourinho decide (e bem) arriscar, retirando Terry – o capitão estava a ser dos piores em campo – e colocando Cesc Fábregas em campo. A equipa melhorou com a entrada do espanhol e começaram a conseguir penetrar a defesa do Leicester. Ao minuto 62, surge a melhor oportunidade dos visitantes até então: passe fantástico de Fábregas para as costas da defesa, mas Schmeichel faz uma grande defesa e impede o golo a Diego Costa. No seguimento, após a execução do canto, Ivanovic desperdiça uma oportunidade clamorosa, de baliza aberta. O treinador português, consciente da importância da partida, decide reforçar a frente de ataque e lança Remy, retirando um apagadíssimo Oscar. E, ao minuto 77, foi mesmo o ponta de lança francês que fez o golo. Grande cruzamento na esquerda de Pedro, e Remy, nas alturas, a reduzir a desvantagem.
No entanto, a equipa de Londres não conseguiu voltar a marcar, somando assim a nona derrota na Premier League, e vê os lugares europeus cada vez mais impossíveis de alcançar. O Chelsea até fez uma boa segunda parte, mas os erros defensivos e a terrível primeira parte condenaram o resultado final. A Liga dos Campeões é a única esperança dos adeptos dos leões de Londres (relembro que em 2011-2012 terminaram em sexto lugar na Liga, mas ganharam a liga milionária, garantido a presença na edição seguinte).
Por outro lado, continua assim a temporada de sonho das raposas, que continuam isolados no primeiro posto. Claudio Ranieri está a calar todos os críticos que duvidavam da sua capacidade como treinador. Esta equipa joga futebol espetáculo, positivo e sem estas modernices do tiki-taka. Num 4-4-2 clássico, este Leicester pratica um futebol muito direto, privilegiando as transições rápidas à posse de bola, o que causa grandes desequilíbrios nas defesas adversárias.
Em suma, vitória justa da equipa da casa, que foi a melhor durante a maior parte da partida e soube gerir o melhor momento do Chelsea. Quanto ao futebol jogado, a segunda parte foi bem melhor do que a primeira, com oportunidades para ambos os lados e notáveis momentos de futebol.
A Figura:
Riyad Mahrez – Este argelino é absolutamente fantástico e um prazer de ver jogar. Assistiu o primeiro golo e marcou, de forma soberba, o segundo. A isto acrescentou uma dose de apontamentos de grande classe, que evidenciam a sua técnica apurada. No entanto, também aqui poderia estar Kanté; o médio francês esteve incansável e preencheu todo o campo durante os 90 minutos.
O Fora-de-Jogo:
Oscar – O médio internacional brasileiro continua (como quase toda a equipa do Chelsea) num mau momento de forma e hoje foi um jogador a menos para a equipa de Mourinho. Não ofereceu a criatividade e a imprevisibilidade de que é capaz e fartou-se de perder bolas. Acabou por ser substituído, aos 65 minutos, por Remy.
Custou, mas foi. Num jogo dividido em duas partes, devido ao nevoeiro presente no Estádio da Madeira, o FC Porto conseguiu vencer o Nacional por 1-2 num jogo marcado pela polémica e por mais uma exibição muito fraca da equipa azul e branca.
Depois da derrota em Londres e consequente eliminação da Liga dos Campeões, o jogo na Ilha tinha um caráter decisivo sobretudo para Julen Lopetegui. A incompetência mais uma vez demonstrada durante a semana tinha que ser reparada e nada melhor que um duelo na pérola do Atlântico, um território tantas vezes maldito para o FC Porto. Como não podia deixar de ser, os dragões entraram na Choupana num 4-3-3 clássico, com Aboubakar a voltar à posição de onde não devia ter saído em Stamford Bridge. Lopetegui optou por deixar Maicon e Imbula no banco, colocando Indi como central e Rúben Neves a formar novamente duplo pivô com Danilo Pereira. Herrera era, no tridente do meio campo, o homem responsável por levar a equipa para a frente, onde Brahimi, Corona e Aboubakar eram setas apontadas à baliza de Rui Silva.
O início de encontro acabou por demonstrar aquilo que se esperava: duas equipas balanceadas no ataque, com o Nacional a privilegiar as transições rápidas e o FC Porto a buscar ter domínio com bola. A verdade é que só a equipa de Manuel Machado foi bem-sucedida. O primeiro quarto de hora trouxe os três golos que pintaram o marcador: primeiro foi Marcano, na sequência de um canto, a desfeitear o guarda redes adversário; depois, Willyan, novamente num canto, empatou a partida; enquanto aos 14 minutos, Brahimi aproveitou as sobras de Herrera para voltar a pôr o FC Porto na liderança do marcador. O jogo estava elétrico e apenas por demérito dos portistas. Tendo em conta a superioridade natural dos dragões e o estilo que tanto gostam de implantar, aquilo que se exigia é que, recuperada a liderança no encontro, se visse um FC Porto mais intenso, pressionante e dominador taticamente. O problema é que nada disso aconteceu: tal como tem acontecido tantas vezes, os azuis e brancos raramente tiveram o controlo de jogo e por isso tantas vezes foram postos em problemas pelo Nacional.
Lopetegui continua a inventar no banco portista Fonte: FC Porto.pt
Honra seja feita a Manuel Machado: com Salvador Agra e Soares como principais armas no ataque, os madeirenses foram sempre um tormento para a defensiva portista. A pressão era praticamente inexistente e as constantes bolas junto à área azul e branca foram sempre fazer perigar o resultado. Apesar do cariz dinâmico do jogo, as oportunidades de golo foram poucas. Brahimi e Corona eram oásis num marasmo de ideias que tinha em Aboubakar o exemplo mais flagrante. No segundo tempo, e já com o nevoeiro a pairar no relvado, o avançado camaronês voltou a falhar um golo fácil, numa história cada vez mais vista nas últimas semanas. Até Jorge Sousa se ver obrigado a parar definitivamente o jogo, fica a imagem de um Nacional que, com as alterações produzidas, foi sempre procurando ir à procura do empate. O mesmo não se pode dizer de Julen Lopetegui: a substituição de Miguel Layún por Maicon é algo que entra novamente no livro das invenções do treinador espanhol. Fazer uma substituição destas num jogo com o Nacional da Madeira é discutível e demonstra bem as dúvidas que pairam na cabeça do basco. Apesar do resultado estar em aberto, a alteração voltou a mostrar uma “cobardia tática” que não se coaduna com o FC Porto.
O início da tarde desta segunda feira trouxe o segundo round deste desafio mas, ao contrário do que se poderia esperar, pouco ou nada mudou. O descanso não teve qualquer efeito e aquilo que se viu nos últimos 15 minutos de jogo foi um Nacional afoito e um FC Porto amedrontado. Às tantas, já poucos sabiam quem era o suposto grande e o suposto pequeno na Choupana. Evandro ainda foi a jogo com Lopetegui a voltar a errar, tirando Brahimi, o único homem que conseguiu levar a equipa para a frente. Apesar da duração curta de jogo, Marcano ainda foi a tempo de fazer uma grande penalidade tão clara como inacreditável sobre João Aurélio. Jorge Sousa não marcou o castigo máximo e o FC Porto acaba por salvar a vitória. Isto num jogo onde apenas o resultado final se salva. Tudo o resto, com particular destaque para a inoperância de Lopetegui, mantém-se igual. Este FC Porto continua sem brilho, sem garra, sem intensidade, sem nada. O deserto de ideias é o mesmo e o futuro que se avizinha parece cada vez mais negro.
A Figura:
Brahimi – No meio do marasmo de ideias do FC Porto, Yacine Brahimi voltou a mostrar uma vontade como há muito não se via. O golo da vitória tem o selo do argelino mas fica sobretudo na retina a atitude que o avançado pôs em campo.
O Fora-de-Jogo:
Lopetegui/Marcano – Lopetegui voltou a estar em destaque pela negativa no jogo com o Nacional. A entrada de Maicon e Evandro para os lugares de Layún e Brahimi são apenas mais dois exemplos da incompetência que paira na cabeça do treinador do FC Porto. Marcano é indiscutivelmente uma das figuras do desafio com os madeirenses. Para além do golo marcado, o central espanhol destaca-se pela grande penalidade ridícula que comete sobre João Aurélio.
Há algo mágico nos sorteios de competições futebolísticas. Não será de agora, mas o glamour (patrocinado pelo crescimento do futebol-indústria) que normalmente os circunda ajuda a que se tornem numa atração especial, o evento a ver para além dos jogos de futebol para os adeptos do desporto-rei. Seja pelo entusiasmo da surpresa sobre quem calhará em sorte (ou azar) e pelo que isso pode trazer ao clube a longo prazo, ou pelo simples retirar de um papel dentro de umas réplicas das bolas das competições em causa. Há algo de fantástico nisto, e nem o adepto mais esclarecido conseguirá explicar.
Hoje foi dia de sorteio da fase a eliminar das competições europeias, e os portugueses, claro, marcaram presença. 3 treinadores (André Villas-Boas, José Mourinho e Rui Vitória) e 1 clube (Benfica) na Champions, 5 treinadores (Jorge Jesus, Marco Silva, Paulo Fonseca, Paulo Sousa e Vitor Pereira) e 3 clubes (Braga, Porto e Sporting) na Liga Europa.
No que ao SLBenfica diz respeito, calhasse um “tubarão” ou um clube mais acessível, já se tinha atingido o objectivo que era passar aos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, mas à medida que foram saindo os “tubarões”, foi crescendo a esperança de se olhar um pouco mais além, que se concretizou e é legítima. Calhou o Zenit, um dos clubes mais apetecíveis do sorteio (juntamente com o Wolfsburgo). Uma equipa que derrotou duas vezes os encarnados na fase de grupos do ano passado, mas um conjunto que as águias já eliminaram nesta fase, e é a isso que os orientados por Rui Vitória se querem agarrar, mesmo enfrentando André Villas-Boas, que tem por hábito trazer dissabores à Luz (festejou lá uma passagem ao Jamor, assinando reviravolta fantástica e um campeonato). Depois disso, caso se qualifique, o Benfica pode ambicionar a seguir em frente, é que os adversários teoricamente mais fáceis (se é que isso existe) de ambos os potes “casaram-se” (Wolfsburg – Gent) e um deles poderá calhar em sorte. Caso isso não aconteça, e partindo sempre do pressuposto que o Benfica se qualifica para os “quartos”, as hipóteses de calhar uma equipa fortíssima são grandes, pois estes oitavos de final da Liga dos Campeões têm vários duelos de titãs (Chelsea-PSG, Real Madrid-Roma, Barcelona-Arsenal e Bayern-Juventus).
O SL Benfica é a única equipa portuguesa na Liga dos Campeões
Quanto às equipas da Liga Europa, a qualificação brilhante do SC Braga servia como dever cumprido, a do Sporting CP como uma espécie de “fardo” e a do FC Porto, vindo da Champions, como mais um desafio na busca de um título europeu. Porém, os adversários que podiam calhar em sorte não eram, à partida, os mais acessíveis (principalmente para o Sporting, único colocado no pote de não-cabeças de série), sendo esta primeira fase a eliminar da Liga Europa uma das mais competitivas de sempre, com nomes como os de Manchester United, Valência, Dortmund, Leverkusen, Tottenham, Nápoles, Fiorentina, Sevilha ou Liverpool a fazer crescer àgua na boca nos tais fãs de sorteios e a criar um nervoso miudinho nos clubes portugueses. Quando dois deles calharam juntos (Tottenham e Fiorentina), sossegaram-se os corações lusos, mas logo a seguir veio o Dortmund e… o Porto.
Duelo luso-alemão que se repetirá no Sporting-Leverkusen. Dois embates de “Champions”, que não foram nada favoráveis às nossas cores, mas o mesmo poderão dizer os adversários dos clubes nacionais. Quanto ao Braga, recebeu uma prenda de natal antecipada, ao enfrentar um dos adversários teoricamente mais fáceis (Sion), embora nunca seja demais lembrar que deixou para trás o Rubin Kazan e causou dificuldades ao Liverpool na fase de grupos da Liga Europa. As ambições dos clubes portugueses na Liga Europa podem ser altas, até porque se enfrentam há equipas grandes que, garantidamente, ficarão pelo caminho (Marselha – Bilbao, Galatasaray – Lazio ou Villareal – Nápoles são jogos que imaginaríamos, facilmente, como finais da competição). É certo que também se poderá apanhar, garantidamente, uma dessas equipas. Mas é tudo uma questão de ver o copo meio vazio ou meio cheio.
Eis a composição das equipas sorteadas na Liga Europa
Haja competência, e faremos boa figura, numa altura em que, de facto, precisamos, pela aproximação de França e Rússia no ranking da UEFA e que nos podem retirar os dois acessos directos à Champions e um via playoff. O Benfica vai entrar directamente nessa luta, enfrentando o Zenit, o Braga terá de cumprir a sua obrigação e seguir para os oitavos-de-final da Liga Europa, e de Sporting e Porto esperem que lutem desbravadamente com os grandes alemães, esperando que Mourinho elimine o PSG, que Vítor Pereira deixe o Lokomotiv de Moscovo para trás e que St.Ettiene, Marselha e Krasnodar sejam surpreendidos por adversários teoricamente mais fracos.
Este sorteio não dá só a legitimidade de se sonhar. Dá-nos esperanças concretas de uma gracinha portuguesa nas competições europeias.
“Allez, Real Madrid, Allez”, assim se recebiam os jogadores da equipa de basquetebol do Real Madrid que enfrentava hoje, na 10ª jornada da Liga Endesa, o 5º classificado, Herbalife Gran Canaria. Ambiente quente, não fosse o basquetebol o segundo desporto mais importante de Espanha, com o público eufórico e mais efusivo do que em muitos jogos de futebol do clube. Mas formava-se um microclima dentro das quatro linhas, com um início frio para os de camisola branca, tendo os visitantes entrado a ganhar, chegando rapidamente ao 2-6 em poucos minutos. Contudo, a dupla de Sergios assumiu o comando dos madridistas e conseguiu inverter o resultado para 7-6.
Via-se um Real Madrid mais eficaz nos ressaltos e com Ayón, uma das estrelas, inspirado, mas os de Pablo Laso insistiam em facilitar a entrada do adversário na área sagrada. Final de primeiro período polémico e que deixou o Real Madrid com um jogador a menos, já que Jaycee Carroll foi expulso com dupla falta técnica por protestos indevidos. O americano corria para o vestuário e deixava a camisola 20 no chão do Palácio como forma de descontentamento. Aplausos de apoio ao jogador e gritos de uma claque crítica da decisão tomada pela equipa de arbitragem. 23-20, apenas 3 pontos separavam os dois rivais neste primeiro período bastante equilibrado e com pouco brilho.
Sergio Rodriguez foi o grande protagonista da noite
O segundo período foi sem dúvida o momento mais desapontante da noite, com ambas as equipas a cometer erros e com prestações de pouca qualidade. Taylor, com 8 pontos, e Willy com 6, foram os que mais sobressaíram neste ping-pong no marcador que terminou num parcial de 39-37 ao soar o apito para o intervalo.
O Real Madrid renasceu com o segundo tempo e, tal como aconteceu em Munique, desfrutou de um terceiro período refrescante e certeiro na linha de triplo, o que resultou num marcador muito movimentado nos primeiros 4min, chegando aos 50-41. De destacar este período revolucionário de Sergio “Chacho” Rodríguez, protagonista indiscutível deste evento. Taylor, com 8 pontos e imbatível nos ressaltos, juntamente com Sergio Llull, também com 8 pontos e figura visível na conversão eficaz de triplos, ajudaram a equipa da casa a distanciar-se no marcador. 62-51, pela primeira vez as duas equipas estavam afastadas por mais de 10 pontos, resultado que espelhava a quebra no rendimento dos canários, que pontuavam praticamente apenas na cobrança de lances livres, já que os de Laso anularam por completo Omic, jogador chave da equipa adversária.
O quarto e último período foi marcado pelo “momento Jeff Taylor”, jogador que se mostrou dinâmico tanto na defesa como no ataque e cada vez mais cómodo na rotação. Foi o jogo mais completo que este sueco desempenhou ao serviço do Real Madrid, somando 17 pontos e tendo 18 de valoração, com direito a um afundanço que fez tremer as bancadas deste monstruoso Barclaycard center. 85-68 fixava o marcador e com este resultado o Real Madrid fechou uma semana triunfal, com a terceira vitória em sete dias e a nona consecutiva na Liga. Na próxima semana terá um encontro fundamental com o Estrasburgo a contar para a Euroliga, às 19h45 hora portuguesa. A liderança desta Liga ACB continua a pertencer ao Valência, invicto nesta temporada.
Jeff Taylor esteve em grande no último período
5 inicial Real Madrid: J. Maciulis, F. Reyes, S. Rodríguez, G. Ayón, S. Llull
5 inicial Herbalife Gran Canaria: K. Pangos, B. Newley, S. Salin, E. Báez, A. Omic
A toda-poderosa Juventus está mesmo de regresso. No grande desafio da ronda 16 da liga italiana, a Vecchia Signora, “Velha Senhora” em português, derrotou por 3-1 a sensacional Fiorentina orientada por Paulo Sousa. Tratou-se de um triunfo justo para os bianconeri que assim prosseguem com a sua notável recuperação – seis vitórias consecutivas para o campeonato –, o que coloca o tetracampeão transalpino no quarto lugar, a seis pontos do líder Inter.
Em Turim aguardava-se com expectativa este duelo entre clubes com uma rivalidade histórica, sendo a noite abrilhantada com o regresso de Paulo Sousa a uma cidade que tão bem conhece, depois das fantásticas temporadas que cumpriu como jogador pela Juventus, entre 1994 e 1996. Ambos os conjuntos alinharam com os seus onzes de gala, mantendo as suas filosofias de jogo muito próprias, sustentadas por sistemas de jogo idênticos, estando os comandados de Massimiliano Alegri de sobreaviso de forma a evitarem uma derrota estrondosa como aquela que o Inter já sofreu, esta época, em casa frente à Fiorentina (1-4).
Mandzukic e Dybala, dupla atacante da Juventus na festa do golo Fonte: Juventus FC
O início de jogo foi estupendo. O cronómetro ainda marcava três minutos e já os Viola se adiantavam no marcador, através de uma grande penalidade bem convertida por Ilicic. Mas a vantagem da formação de Florença foi sol de pouca dura, visto que aos 6’ Cuadrado restabeleceu a igualdade para os donos da casa, “traindo” assim um clube que representou entre 2012 e 2015. A partir daí o equilíbrio foi quase total: muita coesão defensiva, a Fiorentina a não ceder ao ambiente hostil e a conseguir trocar a bola com segurança, a Juventus a não conseguir provocar mossa no adversário. Aliás, uma das imagens de marca da equipa de Paulo Sousa, que seja em que estádio for apresenta uma consistência a todos os títulos notável, alicerçada pelo talento de jogadores como Ilicic e Bernardeschi. Mas esta Juventus também já não é aquela que realizou um péssimo arranque de temporada, estando cada vez mais próxima da força dos últimos anos, havendo um nome que se destaca nas suas fileiras: de seu nome Paulo Dybala, avançado argentino de 22 anos comprado ao Palermo a troco de 32 milhões de euros e que vai encantando e desequilibrando a favor da Vecchia Signora.
E a verdade é que até aos 80’ houve a sensação de que dificilmente este jogo entre dois históricos sairia do empate, tal era a ausência de oportunidades para marcar. Porém, nesse mesmo minuto a Juventus passou a estar em vantagem numa recarga de Mandzukic – que até estava a realizar uma pobre exibição – a uma boa saída de baliza do guarda-redes Tatarusanu. Esse tento lançou os campeões em título para uma recta final de partida de grande intensidade, para a qual muito contribuiu Alex Sandro, ex-FC Porto, entrado ao 77’. Como corolário de mais uma grande exibição, Dybala sentenciou a contenda aos 90’+1 com o seu genial pé esquerdo, permitindo à Juventus reforçar a candidatura na luta pelo scudetto, após um intenso jogo no qual se pôde constatar mais uma vez que esta Fiorentina apresenta muita qualidade, fruto de um fantástico trabalho de Paulo Sousa. A turma de Florença não treme e embora não tenha as mesmas armas de uma Juventus, Inter ou Roma ou o futebol-espectáculo de um Nápoles pode perfeitamente lutar pela liga italiana, prova que não conquista desde 1969.
A Figura:
Dybala – Autêntico diabo à solta, muito influente na manobra da Juventus, teve acção directa no segundo golo e apontou o terceiro. Foram quase sempre dele que partiram as jogadas mais perigosas da equipa de Turim muito por culpa da sua velocidade e técnica. É o melhor marcador do colosso transalpino com oito tiros certeiros na liga.
O Fora-de-Jogo:
Falta de atrevimento da Fiorentina – Como referi mais acima os Viola estiveram longe de rubricar uma má exibição, mas ficou a sensação de que a equipa podia ter feito algo mais em termos ofensivos. Muita consistência e segurança até aos 80’ não se traduziu em oportunidades de golo.
Na ressaca da vitória sobre o Besiktas e consequente passagem aos dezasseis avos na Liga Europa, Jorge Jesus optou pela rotatividade, jogando sem William e João Mário no meio-campo e Paulo Oliveira e João Pereira na defesa.
Com o Sporting a dar o pontapé de partida, antevia-se um jogo quente para contrastar com o frio que se fazia sentir nas bancadas. Ambas as equipas mostravam que não queriam perder, apesar de o Sporting aparecer mais motivado que o Moreirense para levar os três pontos, com um ataque organizado e com a bola a passar por grande parte dos jogadores leoninos, o que quase o levou ao golo logo no primeiro minuto.
A equipa de Moreira de Cónegos ia tentando fazer a sua aparição no jogo através de ataques, que a defesa verde e branca travava com tranquilidade, apostando no contra-ataque organizado pelos dois lados.
Inevitavelmente, o Sporting acaba por chegar ao golo por Gelson Martins que, assistido por Bryan Ruiz, remata cruzado e acaba da melhor forma a jogada, culminando assim a ameaça que já se vinha a sentir à baliza de Stefanovic.
Com o desenrolar do jogo, o Sporting acabava por mostrar cada vez mais a sua superioridade, impondo o seu próprio ritmo ao jogo. Após isto, com naturalidade, acabaram por chegar ao segundo golo, através de Aquilani.
O golo de Alberto Aquilani tranquilizou o leão Fonte: Sporting CP
Já na segunda parte, o Moreirense acabou por começar a aparecer no jogo, acabando a defesa por resolver. Mas, como não há duas sem três, o Sporting chegou ao terceiro tento por Slimani, em cima da hora de jogo. Após falhar o penálti, acaba por se redimir na recarga.
O Moreirense acabou por acordar nos últimos dez minutos do jogo, em que, após grande penalidade cometida por Naldo, Rafael Martins marca colocado, sem hipóteses de defesa para o guarda-redes leonino. Rui Patrício foi ainda chamado a jogo, onde teve que fazer mais duas defesas importantes para o resultado. A equipa de Miguel Leal aproveitou ainda o adormecimento dos leões, tentando fazer golos após bola parada, valendo sempre a atenção de Patrício.
Apesar de mostrar que tinha argumentos para discutir uma boa segunda parte, a equipa visitante acordou demasiado tarde num jogo em que o Sporting mostra que tem boas referências no banco para o seu meio-campo. Desta forma, mantém a sua liderança isolada na liga, antes de saber quem será o seu próximo adversário na liga Europa.
Assim, o Sporting mantém a invencibilidade em casa, fechando com uma vitória os jogos em Alvalade para a Liga Portuguesa este ano.
A Figura:
Gelson Martins – o jovem jogador sportinguista mostrou qualidade e competência durante todo o jogo, tanto participando nas jogadas ofensivas, como também ajudando no processo defensivo, mantendo o equilíbrio durante todo o jogo.
O Fora-de-Jogo:
Naldo – O central leonino não acrescentou muito ao jogo, precisando muitas vezes de ajuda na hora de defender, culminando com o penálti cometido e que deu o golo para o Moreirense.
“No meu tempo eram os pobres que jogavam futebol, hoje é um desporto para os ricos.”
“Naqueles tempos, eu amava o meu clube de todo o coração… para os futebolistas de hoje em dia, o clube que lhes paga melhor é aquele que eles amam.”
“Entristece-me que o desporto tenha perdido o seu senso-comum.” – Predrag Pašić
Estas frases soltas descrevem bem a forma de pensar de um dos melhores futebolistas de sempre da ex-Jugoslávia, que, apesar de ter tido uma carreira bastante bem sucedida, foi após ter pendurado as botas que atingiu o seu momento mais glorioso.
Predrag Pašić nasceu em Sarajevo em 1958 e foi na verdade um futebolista de excepção. O seu espírito rebelde, de onde transbordava talento, fez de Pašić o porta estandarte de uma geração e um dos melhores jogadores de sempre a ter vestido a camisola do FK Sarajevo e da selecção da Jugoslávia. Depois de 10 anos ao serviço dos Divovi, Pašić mudou-se para o VfB Stuttgart, onde privou, entre outros, com Jürgen Klinsmann, de quem se tornou grande amigo. Pašić era um médio de ataque, que actuava muitas vezes como segundo avançado, e fez parte da memorável equipa do FK Sarajevo que na temporada de 1984-85 deixou para trás os seus grandes rivais da altura para se sagrar, contra todas as expectativas, campeã da Liga de Futebol Jugoslava.
Eric Cantona e Predrag Pašić, aquando da visita do ex-jogador francês a Sarajevo no âmbito do seu projecto Les Rebelles Du Foot Fonte: revistauncanio.com.ar
Após cerca de três anos no futebol alemão, Pašić regressou à sua terra natal, Sarajevo, uma cidade cosmopolita sem credos nem raças e onde todos viviam em particular harmonia. O cenário quase idílico descrito por Pašić alterou-se violentamente com o sangrento conflito que eclodiu nos Balcãs em 1991. A cidade de Sarajevo viu amigos de outrora virarem costas por motivos religiosos ou étnicos e foi palco de alguns dos episódios mais sangrentos de todo o conflito. Pašić, que não poucas vezes teve oportunidade de sair do país, optou por ficar na cidade onde, como o próprio afirma, sempre quis viver e com a qual tinha uma “dívida” de gratidão. Conhecido entre os demais por aquilo que alcançou como jogador de futebol, Pašić juntou um grupo de amigos e criou, debaixo de bombas, obuses e tiros de metralhadora, uma escola de futebol para crianças, a qual viria a baptizar como Bubamara.
Numa mescla de culturas e credos como era, e ainda é, Sarajevo, Bubamara destacava-se pelo seu cariz apolítico e natureza não-discriminatória. A escola serviu de abrigo a milhares de jovens que apenas saíam de sua casa para jogar futebol no centro desportivo de Skenderija, eludindo para isso os snipers que cercavam a cidade e fugindo às bombas que caíam diariamente na capital da Bósnia.
Por essa escola que Pašić criou passaram vários jogadores bósnios da actualidade, entre eles o incontornável Edin Dzeko, que sofreu de perto as agruras da guerra mas que o projecto Bubamara ajudou a fazer crescer.
Bubamara, que traduzido à letra significa Joaninha, sobreviveu à guerra e continuou a ser um farol de optimismo num país que tem, aos poucos, sido tolhido pela intolerância étnica, religiosa e cultural, herdados das reminiscências de um conflito sangrento que ceifou a vida a largos milhares de pessoas. Bubamara não pôs fim à guerra mas serviu para proporcionar horas de dignidade e alegria às milhares de crianças que por lá passaram, e tudo isto aconteceu graças à perseverança de um homem, Predrag Pašić, que apenas me recordo de ver jogar através de velhas cassetes VHS mas que ocupa um lugar de destaque no top de jogadores que mais admiro e pelo qual tenho o mais profundo respeito.