A Luz nem sempre é sinónimo de vitórias para o SL Benfica…
A derrota inesperada contra o Portimonense SC fixou-se como a 44ª em 19 épocas da nova Luz, um número bastante positivo se considerarmos a quantidade de jogos ali disputados: 457.
Com 338 vitórias, a taxa de sucesso de 73% torna a Catedral num ‘bunker’, espaço reservado na sua maioria aos triunfos benfiquistas – são raras as equipas, descontando os principais rivais ou a elite europeia, que ali consegue sequer pontuar.
Há exceções inolvidáveis que confirmam essa ideia e decidimos reunir cinco das mais insólitas, tendo em conta todo o contexto que as envolveu, de forma cronológica.
Uma viagem que se inicia em 2003, na anticlimática inauguração oficial, e que se desenvolve até 2018, quando se deixou esfumar o sonho do “Penta”.
A CRÓNICA: INÉDITA PARTICIPAÇÃO PORTUGUESA NA EUROPA COM EXIBIÇÃO TATICAMENTE EXÍMIA
Escreveu-se mais um pedaço de história no Futebol Feminino, com o SL Benfica a ser a primeira equipa portuguesa a chegar à Liga dos Campeões. Chegado à fase de grupos, estava na altura de enfrentar o primeiro adversário: o FC Bayern Munchen.
Num encontro de estrelas e de estreias, esperava-se um duelo bastante duro. A primeira parte acabou por revelar-se bastante equilibrada entre ambas as formações, mas com nota muito positiva para a exibição taticamente perfeita das comandadas de Filipa Patão, nos primeiros 45 minutos.
As grandes e flagrantes oportunidades de golo não existiram em demasia, mas se o SL Benfica tivesse chegado a concretizar durante o decorrer da primeira parte, não seria escandaloso. Já da parte das alemãs, o perigo ainda foi aparecendo, mas Letícia não deixou as companheiras de equipa na mão e disse sempre “presente”.
À entrada para a segunda parte, esperava-se mais Fútebol e mais espetáculo como o demonstrado antes do intervalo. O SL Benfica continuava a aguentar o ritmo de jogo imposto pelo coletivo, mas com um FC Bayern Munchen destemido e a não desistir.
Mesmo a fazer um jogo taticamente irrepreensível, criando algumas ocasiões de golo, as águias começavam a tornar-se algo previsíveis para as bávaras.
Fizeram-se soar os alarmes aos 78 minutos, após Saki Kumagai inserir a bola no fundo da baliza de Letícia, mas a árbitra espanhola, Marta Huerta De Aza, anulou o lance depois de, alegadamente, ter visto a bola embater no braço da jogadora da equipa bávara. Suspirava-se de alívio no Seixal.
Com o aproximar do final do jogo, o nervosismo começou a ser transparente para quem o estava a acompanhar. Filipa Patão efetuou substituições favoráveis ao ataque, com Valéria a dar muito trabalho à defesa do FC Bayern Munchen e a titular Catarina Amado a fazer uma exibição de grande nível. Já Jens Scheuer também se mostrava apreensivo, dado que o empate não saía disso mesmo. E não saiu mesmo.
No primeiro jogo de uma equipa portuguesa na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina, o SL Benfica bem pode orgulhar-se do empate a zero frente ao FC Bayern Munchen. Seguem-se jogos frente ao Olympique Lyonnais e ao BK Hacken.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
SL Benfica – O jogo podia ter pendido para qualquer um dos lados e isso diz muito sobre a exibição coletiva do SL Benfica neste duelo.
Enfrentaram a equipa campeã alemã na estreia da maior competição europeia e fizeram-no com alto rigor. Existem aspetos a melhorar, mas devido às oportunidades que conseguiram criar e ao nível tático imposto pela equipa de Filipa Patão, pouco mais se poderia pedir.
Viviane Asseyi – A jogadora francesa do FC Bayern não esteve nos seus dias. Cotada como uma das grandes jogadoras que Jens Scheuer tem ao dispor, esteve abaixo das expectativas neste encontro frente ao SL Benfica.
ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA
Filipa Patão arquitetou um 4-4-2, moldável entre o esquema clássico e losango. A baliza pertenceu à guarda-redes Letícia, enquanto o quarteto defensivo foi composto por Catarina Amado à direita e Lúcia Alves à esquerda.
Na zona central deste primeiro setor, atuaram Ana Seiça e Carole Costa. Pauleta completou o meio-campo com Ana Vitória, Andreia Faria e Francisca Nazareth na frente. No último setor, permaneciam Nycole e Cloé Lacasse.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Letícia (8)
Catarina Amado (8)
Ana Rita Seiça (7)
Carole Costa (7)
Lúcia Alves (8)
Pauleta (7)
Andreia Faria (6)
Ana Vitória (6)
Cloé Lacasse (6)
Francisca Nazareth (7)
Nycole (6)
SUBS UTILIZADAS
Valéria Silva (7)
Beatriz Cameirão (6)
Christy Ucheibe (6)
Marta Cintra (6)
ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MUNCHEN
Jens Scheuer montou a sua equipa num 4-5-1, onde todo o processo de construção de jogo passou por Saki Kumagai.
Laura Benkarth ocupou lugar entre os postes, com Carina Wenninger Glodis Viggosdottir na zona central da defesa, e Hanna Glas com Giuli Gwinn nas laterais.
Para além de Kumagai, Linda Dallmann e Viviaa Asseyi permaneciam no centro da linha criada antes do último terço. Sofia Jakobsson e Maximiliane Rall atuaram nas alas com Lea Schuller a ser a mulher de referência.
Honrai agora os ases que nos honraram no passado, Benfica…
O SL Benfica é um clube com muita história e tradição nas competições europeias, tendo tido muitas prestações que ainda hoje estão nas memórias dos adeptos.
Mas, infelizmente, após a crise que começou a assolar o SL Benfica nos anos 90, os encarnados nunca mais se mostraram um clube capaz de se assumir entre os melhores da Europa de forma consistente.
Ainda assim, teve algumas épocas de grande nível na Europa e, por isso, irei aqui deixar aquelas que foram as melhores noites europeias do SL Benfica neste século.
Depois de um primeiro episódio cheio de ação, suspense, voltas e reviravoltas, continua a saga: “Guerra de laterais no FC Porto”. Neste segundo episódio, o confronto entre Jesús Corona e João Mário, à direita. Do realizador Sérgio Conceição… Fiquem com o novo episódio: “O amuado e o injustiçado”.
Comecemos com uma revisão do que se passou no episódio 1: o protagonista Zaidu sofreu um duro revés quando viu chegar Wendell, um adversário mais forte.
Surpreendentemente, Zaidu reaparece em Madrid, mas Wendell volta a roubar-lhe protagonismo (apesar de um dado jornal ter escrito que Zaidu tinha sido melhor nessa batalha).
Zaidu recuperou a titularidade frente ao Liverpool FC na Liga dos Campeões, mas a exibição menos boa do lateral fez com que fosse remetido ao banco de suplentes na partida seguinte. Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede
Por fim, no dia de um concerto de Jurgen Klopp, um artista de versões hardrock dos clássicos dos “Beatles”, Zaidu impediu todos os colegas de aproveitar o momento. Wendell ameaça… Wendel consegue, pouco tempo depois, caçar um castor… Fiquem atentos aos próximos episódios.
Episódio 2 – os laterais do lado direito
Para “O amuado e o injustiçado”, dois novos protagonistas: um rufia mexicano e um “tuga”. Agora a sério… Corona nada tem de “rufia”. Passou a melhor época da carreira dele a alternar de posição quando era, claramente, o mais tecnicista da equipa.
João Mário tem razões para estar amuado. Conceição fez dele lateral, pô-lo a jogar e… Adaptou um extremo à sua posição nos jogos mais importantes.
Voltando ao léxico da ficção… Faz-me lembrar de um tal de Lopetegui, que, perante uma missão quase impossível em Munique, lançou o soldado Reyes que, com uma fisga, tentou parar Robben. Um tal de soldado Ricardo Pereira, a quem o major Lopetegui prometeu oportunidades durante um ano inteiro, ficou a ver.
João Mário deve, neste momento, estar a pensar: “Porquê?”. Assim como Corona: “Porquê, realizador Conceição?”. “Porque mataste a personagem mais querida do público, João Mário, quando a equipa mais precisava dele?”.
João Mário merecia a front line nas digressões dos “The Jurgen Klopp” e de “El Simeone”, mas o bilhete foi para Corona… E ele nem gosta assim muito de rock!
Fiquem atentos aos próximos episódios, porque há mais personagens, laterais de origem ou adaptados, a surgir…
Pouco se falou de Marcano no episódio 1… Mas ele esteve lá.
Pouco se falou de Manafá no episódio 2… Mas ele ainda pode aparecer.
O videojogo de Futebol mais famoso de sempre chegou para a nova temporada e, com ele, chegaram os tão discutidos ratings de que toda a gente fala, inclusive os jogadores.
Segundo a EA Sports, é o The Ratings Collective que avalia os jogadores. Este grupo é uma rede scouting de talentos que “observa meticulosamente o que acontece nas quatro linhas e avaliam os jogadores relativamente a mais de 30 atributos que definem o nível de habilidade de um jogador”.
Alguns surpreendentes, outros nem tanto, mas a sua revelação é sempre emocionante.
Quando decidi escrever sobre este tema, a equipa de Futebol Feminino do Sporting tinha um percurso invencível, tendo como vitórias todos os jogos oficiais disputados na presente época desportiva. Actualmente, tem já um empate com o SCU Torreense, equipa que está empatada com as leoas na tabela classificativa.
Apesar desse empate no último encontro, a equipa do Sporting CP continua no topo da tabela classificativa da sua fase, e o brilhantismo deste início de temporada mantém-se, principalmente por ter já jogado duas vezes contra o actual campeão nacional, tendo ganho os dois de uma forma categórica.
Escrevo que o arranque é surpreendente, porque houve um claro desinvestimento na equipa, ou se quisermos uma mudança no projeto do Futebol Feminino do Sporting, com metade do plantel das leoas a ser dispensado no final da temporada passada, sendo algumas das atletas dispensadas já referências para os adeptos leoninos, com Ana Capeta à cabeça, não esquecendo as duas guarda-redes, sendo uma delas titular da seleção nacional, ou a central e capitã, Nevena Damjanovic, esteio da defesa e a avançada de qualidade, Raquel Fernandes.
Muitas foram as saídas nas leoas que foram colmatadas com contratações cirúrgicas, com destaque para a guarda-redes croata Doris Bacic, a avançada portuguesa Diana Silva que regressa, e a média espanhola Brenda Pérez que tem uma qualidade técnica acima da média.
A guarda-redes das leoas, por ser alta e ágil, parece ser, até agora, uma jogadora que nos poderá valer muitos pontos, apesar de sabermos que no campeonato português, em muitos jogos será poucas vezes posta à prova. Ainda assim, mostrou grande segurança nos jogos mais exigentes até agora. Já a avançada portuguesa, todos conhecemos por ser um regresso a casa, onde já mostrou toda a sua qualidade e rapidez. Quanto à pequena média espanhola, deu para perceber que faz o que quer com a bola nos pés, e dá gosto ver como ela a trata no meio-campo sportinguista.
As leoas já venceram o primeiro troféu da época
Ou seja, uma equipa que dispensou muito e contratou o suficiente até ver, com uma visão estratégica completamente nova, fruto também da nova equipa técnica encabeçada pela jovem treinadora Mariana Cabral, que orientava as equipas de formação leoninas, teve o seu primeiro teste a valer contra as actuais campeãs nacionais, que continuam a aposta forte no reforço da sua equipa, fruto da sua participação na Champions, tendo as leoas passando com distinção e trazendo para o museu de Alvalade o primeiro trofeu da época. A supertaça de Portugal.
E se muitos continuavam desconfiados, e pensavam que poderia ter sido apenas um acaso este resultado das leoas, poucas semanas depois o dérbi iria repetir-se, tendo a equipa leonina alcançado nova vitória, agora por números muito mais expressivos, tendo mostrado a toda a gente, mesmo os mais cépticos que diziam que a equipa estava a ser desmembrada, que há qualidade suficiente, pelo menos para lutar pelo título.
A verdade é que o campeonato português de Futebol Feminino começa a ficar mais competitivo, tendo deixado de ser totalmente dominado por duas equipas que ganhavam praticamente todos os jogos, e talvez se comecem a ver surpresas em alguns jogos. Está-se a disputar ainda uma fase regular dividida em Norte e Sul, onde serão apuradas as quatro primeiras de cada fase para disputarem o apuramento de campeão, o que quer dizer que estes duelos e resultados, apesar de muito motivadores para o que resta jogar, ainda contam pouco para conseguir alguma vantagem competitiva sobre os rivais mais fortes no futuro.
Ainda assim, acredito que, com a qualidade demonstrada, as leoas têm argumentos para fazer frente a qualquer adversário, mesmo os que aparentemente se apresentavam como favoritos, tanto pelo título que albergam como pelo investimento apresentado.
O projecto do Futebol Feminino, como o masculino, está a virar-se para a formação, com alguns retoques de experiência, e para já parece estar a resultar. Está no ADN do Sporting, e é por aí que devemos seguir. O Futebol Feminino agradece.
Ira, entusiasmo, explosão de alegria, nervos à flor da pele. Um constante duelo entre a razão e a emoção. É este o cenário que os clássicos provocam e que os tornam tão especiais – é difícil imaginar o Desporto-Rei sem a rivalidade e a inflamabilidade destes encontros que param, autenticamente, nações. Em diversos países, sob várias línguas e cores.
Se é certo que o Futebol move paixões e não é só um jogo, nestes duelos essa vertente é levada ao expoente máximo. Uma questão de orgulho, de querer impor superioridade ao rival. Verdadeiras epopeias, eletrizantes, arrepiantes e cujas origens remontam a várias décadas atrás e pelos mais diversos motivos: seja a religião, passados em comum, ou mesmo por razões políticas.
Se, por terras lusitanas, as partidas entre os denominados “três grandes” monopolizam, a par do dérbi do Minho, o fascínio dos adeptos, fora de portas, cada país tem as suas batalhas e encontros únicos que prendem milhões à ação dentro das quatro linhas.
Assim, no presente artigo, proponho-me a traçar uma viagem ao redor do globo pelos maiores clássicos do “Beautiful Game”.
Vila Nova de Gaia, 1986. O sustento da naturalidade é oriundo dos dados explanados na internet. Eduardo Moreira, treinador de profissão e filho da experiência por gozo e ambição foi pantera negra ainda imberbe e (depois de ler Kafka?) transformou-se em “pau para toda a obra” e abraçou inúmeros desafios – vocábulo que o estimula constantemente. Cresceu sustentadamente, defende. Construiu escadas até atingir o seu topo e não um simples cume. Falou de futebol à semelhança de quem o vive e respira. E lembrou um mestre já desaparecido. Para ler, no Bola na Rede, a entrevista com técnico de futebol e comentador-residente do Bola na Rede TV.
«Sempre quis chegar ao topo. Mas sabia perfeitamente que precisava de uma escada, de trabalho… foi isso que fiz no Boavista e no Salgueiros»
Bola na Rede: Regressemos ao ano zero, ao prólogo desta caminhada. Quando é que o futebol começou a suscitar interesse e em que período é que tomaste a decisão de querer ser treinador?
Eduardo Moreira: O futebol entra na minha vida desde muito novo, quando era jovem e comecei a praticar a modalidade. Mas, sinceramente, nunca tive assim muito jeito nem grandes aptidões para a prática; então, cedo percebi que não ia fazer uma carreira ao nível daquelas que ambicionava o sonhava. Deixei o futebol por volta dos 15, 16 anos e – felizmente – fruto de um convite de uma pessoa muito próxima e amiga, o professor José Moreira, ingresso nas camadas jovens do Boavista FC com 17 anos. Mesmo sem saber muito bem aquilo que era o futebol e o que o mesmo exigia, foi aí que comecei a dar os primeiros passos neste mundo, a treinar jogadores mais novos que eu um ano (na altura), belíssimos a grande maioria deles porque o clube sempre foi uma referência nacional ao nível da formação.
Fonte: Eduardo Moreira
Bola na Rede: Relativamente aos nossos registos, estiveste seis anos no Bessa, três deles como treinador-adjunto das camadas jovens (sub-15, sub-17 e sub-19), uma como preparador físico e duas como treinador-adjunto dos seniores. Para ti, é mais do que um clube? Quais foram as razões de uma permanência longa?
Eduardo Moreira: Acima de tudo, foi com o sentimento de grande gratidão que eu abracei essa oportunidade de me abrirem as portas no mundo do futebol, juntamente com um departamento que reunia grandes nomes, na altura, com quem eu aprendi e cresci muito. O Boavista FC acabou por ser a minha casa e eu não pensava noutra coisa. Não pensava em gestões de carreira, para onde iria a seguir ou algo do género. Cresci como homem ali, evoluí ali. Existia um sentimento de compromisso e um sentimento de gratidão enormes. Mesmo de motivação porque estávamos sempre a disputar acessos às fases finais, aos títulos nacionais, contra as melhores equipas (FC Porto, SL Benfica e Sporting CP). Era algo que me motivava realmente. Foi ali uma mistura de sentimentos mútuos e obviamente que essa etapa fica marcada para sempre na minha carreira.
Fonte: Eduardo Moreira
Bola na Rede: Seguiu-se o SC Salgueiros. Por que razão te mudaste? Consideraste um projeto mais aliciante?
Eduardo Moreira: Sim. O Boavista FC, para concluir o capítulo, foi o encerrar de um ciclo – digamos assim – e o acompanhar do clube numa trajetória descendente, com tudo aquilo que aconteceu. O clube sofreu uma reestruturação profunda, com várias e entradas e saídas. Para terem uma noção, pouca gente restava do meu último ano para o ano no qual entrei. Aí, decidi aceitar a proposta do SC Salgueiros, precisamente por ser também um clube de referência na zona Norte, por ter uma mística e um peso tremendo e por estar muito bem organizado em termos de futebol de formação pelo professor José Manuel, onde eu pude ter contacto com outro tipo de organização e outro tipo de metodologias. Eu saí de um registo onde disputávamos títulos e passei para um registo competitivo onde o objetivo era subir as equipas aos escalões nacionais. Estive lá dois anos, percorri todos os escalões de formação e culminei com o futebol sénior (ainda Salgueiros 08). Foram dois anos bem vividos e de muita aprendizagem. Contudo, no fim desse período, concluo que o percurso no futebol de formação estava já traçado, porque já me sentia preparado para outros desafios, como o futebol sénior… Não queria estar a treinar formação contrariado, não deixei que isso acontecesse, porque considero ser uma falta de respeito para com os miúdos. Decidi sair, na altura, para nada. Fui trabalhar para outras áreas, enquanto procurava uma oportunidade no futebol sénior.
Bola na Rede: Entre adultos e miúdos, qual a casta que requer um maior cuidado e preocupação? Qual foi o maior desafio?
Eduardo Moreira: Eu acredito no crescimento sustentado e acredito também que, para seres bom treinador, competente, tens que ter experiência, é fundamental. Durante o meu trajeto de carreira, eu quis passar por tudo para me preparar e para fazer aquilo que faço hoje. Com os treinadores que trabalho e com os que ofereço mentoria, costuma dizer que não faço distinção entre treinadores de primeira, segunda ou terceira divisão. Faço uma distinção clara entre treinadores de formação e treinadores seniores! Porque a abordagem, a metodologia e a forma que tens de liderar, na formação e nos seus vários patamares, é muito especifica, é muito concreta e isso requer valências diferenciadas. Por essa razão se veem, por vezes, treinadores que até teriam capacidade para subir de nível, mas que aquela é a vocação deles, é ali que eles se sentem bem e concretizados. Só assim é que faz sentido treinar a formação! Eu pensei e procedi de tal forma, preparei-me até atingir o futebol sénior. Porque foi sempre o que quis verdadeiramente e para o qual trabalhei a minha vida toda. Sempre quis chegar ao topo. Mas sabia perfeitamente que precisava de uma escada, de trabalho… foi isso que fiz no Boavista e no Salgueiros. Trabalhar na formação tem especificidades muito bem traçadas e um dos requisitos é que estejas lá por inteiro e que tenhas capacidades pedagógicas para exercer. Futebol sénior já é outro mundo, já tens que ter outro tipo de lidar com a pressão, lutar por vitórias, lutar por resultados. Estás sujeito à ingratidão do resultado… e isso não é para todos!
O estado de graça que se vivia pelos lados de SL Benfica esmoreceu-se assim, num ápice! O Portimonense SC foi à Luz e impingiu a primeira derrota aos encarnados nesta temporada.
Após um jogo memorável a meio de semana a contar para a Liga dos Campeões, em que levaram de vencida a equipa do FC Barcelona por três bolas a zero, as águias voltam a pisar a superfície da Terra e caem em pleno Estádio da Luz, frente à equipa de Portimão.
A equipa que se apresentou este domingo foi a mesma, à exceção da troca de Gilberto por Valentino Lázaro, que jogou para a Liga dos Campeões, mas o resultado foi bem diferente. Mas afinal o que mudou num espaço de menos de uma semana?
Não, o Portimonense SC não é melhor do que a equipa catalã e o SL Benfica não é menos equipa do que há uma semana, mas, ainda assim, a verdade é que a equipa algarvia regressou ao sul com mais três pontos na bagagem e com o moral em alta.
Samuel Portugal foi um dos principais culpados da derrota do SL Benfica Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
O SL Benfica podia estar a noite toda a jogar que a bola não ia entrar! Era um daqueles dias em que simplesmente a bola parece que ganha vida própria e resolve o seu próprio destino.
Neste caso, o destino impingiu a primeira derrota da temporada para o SL Benfica, isto sem tirar o mérito ao Portimonense SC e a Samuel Portugal, que estava num daqueles dias em que nada passava. Yaremchuk ainda introduziu a bola dentro da baliza, mas o golo foi invalidado por fora de jogo.
Mas não se pode culpar a sorte de tudo; ou melhor, a falta de sorte. A verdade é que há coisas que não entendo e que acredito que influenciam diretamente o resultado do jogo desta última jornada.
O italiano Sonny Colbrelli sagrou-se, este domingo, vencedor da 118.ª edição do Paris-Roubaix, batendo Mathieu Van der Poel e Florian Vermeersch no sprint. Foi a sua primeira participação na prova francesa e logo a fechar com chave de ouro.
Depois do interregno de 2020, a prova voltou à estrada, com condições climatéricas favoráveis a complicações, visto que a chuva e a lama foram uma constante durante o dia.
Para além de ser um dos cinco monumentos, o Paris-Roubaix é, para muitos, a prova de um dia mais bela do calendário internacional. Os trilhos de empedrado, o cenário envolvente, a euforia do público e a dureza do percurso colocam a prova noutro patamar – um verdadeiro “Inferno do Norte”!
Foi uma edição que trouxe a chuva, 18 anos depois, para causar ainda mais dificuldades aos ciclistas. Foram 258 quilómetros com muitas quedas e furos à mistura, mas, no final, foram apenas três a discutir o triunfo.
Vários nomes importantes ficaram afastados da discussão final devido a infortúnios. Foi o caso de: Stefan Kung, Peter Sagan, Edward Theuns, Mads Pedersen, Florian Senechal, Lampaert, Asgreen e Jasper Stuyven. O português André Carvalho também foi ao chão quando até estava a realizar uma boa prova.
A corrida começou a intensificar-se a 62 quilómetros do fim, quando Gianni Moscon, Tom Van Asbroeck e Florian Vermeersch seguiam isolados na frente. Após nove quilómetros, o italiano Moscon despachava os seus colegas e seguia numa jornada a solo. Mathieu Van der Poel vinha atrás juntamente com Boivin e Colbrelli.
Wout Van Aert seguia num terceiro grupo, visto que não conseguiu responder às movimentações de MVDP no setor 17 de empedrado. O ataque do holandês estragou as contas a vários nomes importantes, quando ainda faltava muita corrida.
A vantagem de Moscon para os perseguidores, a 30 quilómetros do final, era de pouco mais de um minuto. Mas depois vieram os problemas, pois o italiano furou a 30 km do final e caiu 4000 metros depois, devido a uma escorregadela numa zona lamacenta.
Com Asbroeck para trás e com a queda de Boivin, eram apenas três na perseguição, chegando depressa a Moscon, que viu a sua vantagem a esfumar-se.