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Quem és tu, Eusébio?

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cabeçalho benfica

Quem foi Eusébio? Eu sei, e o meu caro leitor também saberá, mas será que os miúdos sabem? Não falo dos jovens da formação. Esses respiram Benfica 24 horas por dia, sabem quem está na estátua à porta do estádio e o seu valor. Mas as contratações, sobretudo de jovens estrangeiros. Saberá Talisca quem foi realmente Eusébio, em toda a sua dimensão? Quem diz Talisca diz Carcela, Mitroglou ou Raúl Jiménez. Para uns este pormenor de história clubística pode ser um detalhe, para mim deveria ser requisito de entrada.

Eusébio foi um futebolista português, um dos maiores de todos os tempos. Foi o craque, o King. Foi a pérola do Benfica e a jóia da selecção nacional. Venceu duas botas de ouro. Marcou uma geração, marcou um país. Mais, era um símbolo de um regime, quando lá fora éramos conhecidos pelo país dos três F’s (fado, futebol e Fátima). Os nossos jogadores da formação ainda o sabem. Provavelmente não tão bem como a geração que viu jogar Eusébio, mas sabem-no. Porque mesmo não sabendo tão bem quanto os que o viram jogar sabem que ele foi um marco na viragem da página do futebol português. E, atenção, não são só os jovens encarnados que o sabem. Eusébio é matéria interclubista, ele era demasiado grande para ser só do Benfica… E agora, passados poucos dias de ter feito dois anos que ele partiu, vemos jogadores a colocarem nas redes sociais fotos de Eusébio, jogadores recém-chegados. Enquanto outros nem tentam disfarçar. A minha pergunta é simples: será que eles sabem quem foi realmente Eusébio?

Os adeptos gritam por ele todos os jogos; Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica
Os adeptos gritam por ele todos os jogos
Fonte: Facebook do Sport Lisboa e Benfica

Para mim isto é importante e deveria ser pergunta de exame para qualquer jogador que assine pelo Benfica, fosse ele o Messi ou o Ronaldo. Eles tinham que saber quem foi Eusébio e a sua importância para a história do Benfica e do futebol português. Há jogadores que quando chegam se esforçam, é verdade. Samaris é um bom exemplo disso: nem há um ano cá estava e já o via a falar um português limpo e sem grandes engasgos. Acredito que ele saiba quem foi Eusébio, acredito que esta entrega profissional não seja unicamente na fala, mas também na história do clube.

Um jogador que não sabe quem foi Eusébio é também um jogador que não saberá a importância de um clássico ou de um dérbi. É um jogador que não sabe que aqueles jogos com Porto e Sporting valerão muito mais que três pontos para o ego de qualquer adepto. É um jogador que não sabe o peso do emblema que carrega ao peito. É um jogador que está ali para jogar e que não sente o cântico dos No Name a meio do jogo: “Tu és o nosso Rei, Eusébio”. Eu gosto de ganhar, mas não gosto de jogar com peões, com mercenários. Não gosto de que haja ditos cujos a vestir o manto encarnado sem saberem o que está por detrás de cada estrela, o que simboliza a roda da bicicleta e quem é Eusébio, em toda a sua dimensão e em todo o seu esplendor.

Em 2014, no início do ano, estava no Estádio da Luz a partilhar com milhares de pessoas a dor por ver o King partir. Nesse dia choveu. Choveu imenso. O céu chorou lágrimas que muitos hoje não entendem e se não entendem o nosso património, se não entendem a alma imaterial de quem dedicou a sua vida ao futebol, como poderão entregar-se com dignidade, amor, raça e paixão ao jogo, enquanto envergam a camisola do Benfica?

Lobos em pele de Leão

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sporting cabeçalho generícoExiste um ditado popular que divide os lobos em dois tipos. Os que assumem que são lobos e atacam de frente as ovelhas, e os que vestem a pele das ovelhas para atacar desde o interior do rebanho.

A meu ver, os piores são os últimos acima apontados. Isto porque atacam e nunca conseguimos ver de onde surgem esses ataques. Podemos chamar-lhes bons estrategas, mas na maior parte das vezes são só oportunistas e/ou cobardes.

Este tipo de lobos esconde-se principalmente quando vê que o rebanho está unido e forte, para poder esperar por um pequeno descuido e tentar enfraquecer o grupo desde o seu interior.

No entanto, este tipo de comportamento não se restringe só aos lobos. Há por aí uns hominídeos que adoptaram estas mesmas tácticas de guerrilha.

E peço desde já perdão aos lobos por esta comparação, uma vez que o lobo faz isto por instinto e necessidade de sobrevivência. Já esses Homo Sapiens fazem-no principalmente por maldade e ganância.

Tudo isto a propósito de observações várias que tenho feito nos blogues associados ao clube que tento aqui defender, onde tenho comprovado a existência de uns pseudo-adeptos/sócios, que sempre estão contra qualquer opção que seja tomada pela actual direcção.

Dir-me-ão que oposição sempre existirá, e que nem todos têm as mesmas opiniões. Entendo, se se criticarem algumas opções tomadas e se apresentarem alternativas. O facto de estar sempre contra qualquer medida vindo de determinado quadrante só porque sim nem pode ser considerado oposição (Sim, é verdade que existem pessoas que são do contra só porque sim).

Devo dizer que, infelizmente, nos corredores de Alvalade sempre se sentiu uma forte oposição interna, e tem sido isso que nos tem enfraquecido. Porque não nos podemos concentrar em lutar unicamente contra os adversários, temos também de nos preocupar com os que vivem nas nossas fileiras. É muito mais complicado ter que lutar em duas frentes do que numa única.

E, quando Bruno de Carvalho foi eleito, tenho a sensação de que conseguiu cerrar fileiras, não se ouvindo tantas vozes dos próprios órgãos sociais do clube contra a direcção em funções, até porque os “velhos do restelo” que se arrastavam por aqueles corredores foram reformados.

No entanto, apesar de reformados, passaram de “velhos do restelo” a ressabiados por terem sido colocados nos seus devidos lugares. E, como os poderes instalados são muito difíceis de extinguir, sempre se ouvirão vozes de oposição, principalmente logo após pequenas derrotas, ou em vésperas de algum evento importante que tenha mais probabilidades de se tornar mais difícil de ultrapassar.

Sei que isto sempre existiu, e sempre existirá, o que só me deixa triste.

A cobarde acção dos outdoors teve a melhor resposta possível, com a assinatura do contrato com a NOS Fonte: tvgolos.pt
A cobarde acção dos outdoors teve a melhor resposta possível, com a assinatura do contrato com a NOS
Fonte: tvgolos.pt

Agora o que me deixa preocupado é que está a surgir uma oposição que se propõe, de forma organizada, voltar os Sportinguistas uns contra os outros, chegando mesmo a mandar fazer cartazes, e organizando-se para, durante a noite, os afixar em pontos estratégicos.

É que a oposição de mandar “bocas” em blogues, e escrever nas paredes, é um pouco indiferente porque pode ser feita até por crianças de dez ou 15 anos que não sabem muito bem do que falam, mas esta oposição organizada deve preocupar todos os Sportinguistas.

Existe agora alguém que se predispõe a gastar do seu dinheiro para fazer forte oposição à direcção do próprio clube. E o pior é que essa oposição não tem cara. Esconde-se com a sua pele de cordeiro (de leão, no caso).

Podem dizer que podem não ter sido sportinguistas a fazer esses mesmos cartazes. Verdade, até porque este presidente criou vários inimigos fora do Sporting que terão todo o interesse em que este caia e para lá voltem “Roquettes” e seguidores. Mas até por isso os sportinguistas se deveriam unir ainda mais, uma vez que até agora me parece que as batalhas foram provocadas para defender os interesses do próprio clube.

Se acharem que estou enganado, expliquem-me por que razão pessoal o presidente teria que abrir guerras com empresários de jogadores, fundos, entidades rivais que criticam e tomam medidas contra Sporting.

Este texto não pretende criticar quem se opõe a algumas medidas, ou ao próprio estilo do presidente do Sporting. Gosto são gostos, opiniões são opiniões – cada um tem direito às suas. Mas até agora este presidente, que conseguiu salvar um clube da bancarrota, tem uma oposição muito mais feroz que a que tiveram presidentes anteriores que lentamente levaram a instituição à “quase” extinção.

Entendo que todas as mudanças profundas, em qualquer instituição, geram conflitos. Entendo, no entanto, também, que teria que se mudar alguma coisa, quase tudo, para mudar o rumo que o clube estava a seguir.

Esta direcção já errou? Pode ter errado. Vai errar? Tenho certeza de que vai. Mas até agora tem acertado tantas mas tantas vezes que deveria envergonhar qualquer anterior dirigente que vem para as televisões e jornais criticar erros pontuais dos que estão em funções.

E não me venham com estatísticas de títulos conquistados porque, para se poder recuperar uma instituição virada de pernas para o ar, tem que se dar prioridade à sua recuperação estrutural, e posteriormente apostar nas grandes conquistas desportivas.

Penso que, agora que o clube parece mais estabilizado, poderemos começar a pensar em lutar por títulos importantes. E, apesar do que se vende por esses jornais fora, até o conseguimos fazer gastando menos que os nossos adversários.

Com os pés bem assentes no chão, para não voltarmos ao caos financeiro e estrutural em que o clube se encontrava, acredito que esta direcção e equipa técnica conseguirão criar e gerir boas equipas de futebol para lutar por coisas importantes. Isto, claro, e como o treinador tem feito questão de referir no fim de todos os jogos, com o grande apoio de todos os sócios e adeptos do GRANDE, ENORME, SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.

 

Foto de Capa: Sporting CP

FC Porto 1-1 Rio Ave FC: Caro leitor, és um grande palerma

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Sim, tu! És um grande palerma e extremamente ridículo. Queres que te explique porquê? Porque nem para ti és bom. Tantas vezes se diz por aí que o FC Porto é dos adeptos e não do fulano ou do sicrano que por lá passam. Então porque é que os adeptos se alheiam por completo da responsabilidade pelos maus resultados? Perdão, porque é que tu te alheias dessa responsabilidade? O FC Porto também não és tu? Ou só és do FC Porto quando o clube ganha?

Tem sido gritante e repudiável a tua falta de apoio. Os assobios constantes têm sido bastante penalizadores para a equipa. O que é que fazes quando vês a tua casa a arder? Sopras? Atiças o fogo? Caramba… É assim tão complicado perceber que os assobios já prejudicam mais do que ajudam? Eu percebo que no norte, na grande cidade do Porto, não há lugar para meninos. Há lugar para homens e homens não se fazem com palavras bonitas e palmadinhas nas costas. Fazem-se, sim, através de críticas duras e de uma leve desvalorização do trabalho de forma a “picar” os jogadores. O que tu, leitor, não consegues entender é que os jogadores são diferentes e não reagem todos da mesma forma. Aqueles que têm uma personalidade forte poderão conseguir levantar-se através de palavras duras; contudo, também existem aqueles jogadores que precisam quase sempre de uma palmadinha nas costas.

Um 12.º jogador que só estorva? Fonte: Blog Dragon Tour
Um 12.º jogador que só estorva?
Fonte: Blog Dragon Tour

Há, porém, um grande problema. Quando os resultados não aparecem, torna-se complicado para o treinador levantar a moral da equipa se não tiver o apoio do público. Atenção, eu também quero o Lopetegui dali para fora o mais rápido possível! Mas tu também tens de perceber que, por vezes, deves deixar as palavras duras de lado e colocar-te lado a lado com a pessoa que precisa de ti. Se as coisas lhe correm mal ela não precisa de que estejas contra ela. E não é por tu lhe dizeres que ela precisa de mudar que ela vai mudar. Ela precisa, acima de tudo, de sentir que estás ao lado dela. É aí que começa a transformação.

Quero partilhar algo contigo. Após a vitória sobre a Académica, o treinador dos estudantes afirmou que “a estratégia passava por colocar os sócios do FC Porto contra a equipa, enervar o adversário (…)”. Consegues perceber o que quero dizer quando dizes que és um palerma e que nem para ti (nem para o FC Porto) és bom? Eu tenho mais argumentos se precisares… Vamos lá deixar os treinadores adversários em paz e assumir o papel de um jogador de futebol. Após a saída de Nuno Espírito Santo do comando do Valência, Rodrigo disse isto: “Quando referi o mau ambiente referia-me à relação dos adeptos com o treinador. Era evidente que as pessoas não estavam satisfeitas com o treinador anterior. Acontecesse o que acontecesse, as pessoas pediam a sua saída. Quando tens de jogar, essa situação não é fácil, porque o treinador é o que comanda o barco, e tínhamos de jogar sob pressão; não era fácil jogar em casa com esse ambiente.”. É preciso dizer-te mais alguma coisa ou já percebeste quão palerma és?

Calem-se, por favor… Apoiem a equipa! Fonte: FC Porto
Calem-se, por favor… Apoiem a equipa!
Fonte: FC Porto

Não, eu também não gosto do treinador. Sim, eu também o acho incapaz. Mas o treinador não é o último culpado. É também a direção, a equipa técnica, os jogadores, e também os adeptos! Confesso-te que, quando vi o FC Porto empatado com o Rio Ave ao intervalo, acreditei que aí pudesse residir o ponto de viragem dos nossos resultados menos positivos. Acreditei que aquilo que os Super Dragões disseram no comunicado pudesse ter efeito e que tu pudesses começar a apoiar a equipa. Mas não… Continuaste a assobiar. Achas que foi bom para o estado anímico de uma equipa que sentia que tudo lhe corria mal? Acabou por correr. Sim, empatámos! E no final do jogo… Só no final do jogo tinhas direito a criticar a equipa, a assobiar, a levantar os lenços brancos. Só no final, quando já não há nada a fazer! Se continuas a achar que fazes bem, desculpa-me. Desculpa-me por achar que tens capacidades para perceber que és um palerma e por te fazer perder tempo a ler esta crónica.

Para finalizar, caro leitor, queria apenas desculpar-me pelo facto de te ter feito ler este artigo. Podes muito bem ser um mero adepto que gostava muito de ir ao estádio apoiar a equipa mas não consegue. Ou podes ser daqueles que continuam a ir ao estádio apoiar mas que são abafados pelo coro de assobios. Contudo, se és mesmo um daqueles adeptos que continua a assobiar a equipa jogo após jogo… Não peço desculpas nenhumas! É que tu és mesmo um palerma!

Foto de capa: FC Porto

Entre o Barreiro e as ilhas muito se tem de lutar

basquetebol feminino

A Liga Feminina de Basquetebol regressa este fim de semana com o arranque da segunda volta da fase regular e como tal vou fazer um breve apanhado do que foi a primeira volta desta competição.

Tendo eu visto jogos de praticamente todas as equipas, faltando-me apenas a Quinta dos Lombos e o Olivais, posso dizer que existe uma divisão clara em três grupos. O da frente, em que estão o GDESSA Barreiro, o CAB Madeira e o União Sportiva; um segundo grupo, em que estão as equipas situadas entre o quarto lugar e o 11.º; e o terceiro grupo, onde fica apenas a Ovarense, que não parece ter argumentos para esta divisão.

Analisando o primeiro grupo, o grande destaque tem de ir para a equipa do Barreiro, que somou por vitórias os 11 jogos que fez  – tem de ser um justo líder. Mas, apesar disto, não acredito no título do GDESSA. O CAB, que não começou da melhor forma a temporada – neste caso é mesmo por não ser tão dominante como no passado -, é quem parte como favorito. Uma equipa bem trabalhada e com muitas opções para as várias posições, o que lhe dá vantagem sobre as atuais campeãs, é a União Sportiva. As açorianas nesta primeira volta perderam em casa com estas duas adversárias: contra o CAB ficou patente o que já escrevi, já contra o GDESSA as lesões que afetaram a União Sportiva durante o jogo não lhe permitiram continuar a lutar pela vitória, precisamente por esta equipa ter um plantel muito mais curto que as restantes duas. Sendo assim, o meu top3 para apostas é CAB, União Sportiva e GDESSA.

O regresso de Faustino pode ajudar o Sporting
O regresso de Faustino pode ajudar o Sporting
Fonte: Sporting CP

No tal segundo grupo uma das equipas que vai subir a sua produção é o Sporting. No ano de estreia na Liga muitas lesões têm dificultado a vida às leoas (chegaram a ir a jogos com sete atletas) mas o início de 2016 marca o regresso das lesionadas de maior duração, com destaque para a Inês Faustino. Mas o equilíbrio reina aqui neste grupo também, sendo o Vagos e o Olivais as duas equipas mais fracas mas que não podem ser descuradas, podendo complicar muito a vida e ganhar a qualquer uma destas equipas. Com quase todas as equipas a reforçarem-se para esta fase fica difícil perceber quem vai desequilibrar a seu favor a melhor posição de apuramento para os playoffs, neste caso o quarto e quinto lugares, de forma a evitar as três equipas mais fortes.

Por fim temos a Ovarense, que ainda não venceu e que parece ter reservado o último lugar da competição. A equipa de Ovar é a única sem estrangeiras, o que pode facilitar um pouco a percepção do motivo deste maior afastamento em relação às outras equipas. Ganhar um jogo não é impossível, mas afigura-se tarefa muito difícil.

A Liga deste ano está sem dúvida mais equilibrada que a do ano passado a todos os níveis. Se no ano passado muitos diziam que a luta era para ver quem ficava em segundo atrás do CAB – apesar de não ter acontecido – este ano não se pode dizer quem será o campeão; três muito boas equipas podem lá chegar, qual será a quarta equipa a chegar à fase final? É impossível responder agora; existem muitas equipas a lutar por este posto e com qualidade para tal.

Foto de capa: GDESSA

Vitória FC 0-6 Sporting CP: Chuta, que ela entra

sporting cabeçalho generíco

Este leão já não se limita a vencer. Insaciável é a palavra que define o momento do Sporting, perfeição é a que resume o jogo do Bonfim. O principal objectivo – a manutenção da liderança – foi alcançado de forma esmagadora, com uma goleada que confirma a melhoria exibicional a que se tem assistido nas últimas partidas. O Vitória, muito longe do que tem mostrado esta época, foi a vítima que apareceu no caminho, mas esta humilhação não apaga a excelente campanha do conjunto sadino.

Bruno César esteve impressionante na estreia e demonstrou que pode ser um reforço de peso (não, não se trata de uma brincadeira com a forma física do brasileiro). Slimani continua imparável e juntou mais um bis à conta pessoal, mas a exibição de William Carvalho, uma das melhores da temporada, também merece destaque.

O Sporting não teve vida fácil no início do encontro, com a equipa do Vitória a entrar bem na partida, agressiva nos duelos e capaz de impor velocidade através de André Horta, a principal figura dos da casa, e Costinha. Contudo, tal como tinha acontecido na jornada anterior, o golo de Slimani – finalizou de pé esquerdo um cruzamento de Bruno César – teve um efeito muito positivo na equipa leonina, que assumiu totalmente o controlo das operações. O Sporting pôde contar com a melhor versão de William (há quanto tempo não se via uma exibição tão imponente do português), sempre bem posicionado, com facilidade a recuperar e a lançar a transição, e anulou completamente as tentativas de chegada ao ataque por parte do Vitória. Com Suk completamente apagado, o sector ofensivo dos sadinos (que abusou do jogo directo) foi uma nulidade e não incomodou minimamente a defesa verde e branca.

O destaque da primeira parte foi, ainda assim, Bruno César, que, na estreia com o leão ao peito, fez uma assistência, um golo à sua imagem (remate potente com o pé esquerdo) e ainda teve tempo para acrescentar uma série de iniciativas que demonstram que pode vir a ter uma dimensão muito importante na segunda volta. O “chuta-chuta” deve ter agarrado a titularidade para os próximos jogos.

Bruno César não podia ter melhor estreia Fonte: Sporting CP
Bruno César não podia ter melhor estreia
Fonte: Sporting CP

O primeiro remate à baliza por parte do Vitória aconteceu aos 49’ e parecia ser um sinal de que a equipa aparecia para a segunda parte com vontade de alterar o rumo dos acontecimentos, mas o Sporting rapidamente fechou a hipótese de uma possível reacção. E de que maneira. Os leões marcaram 3 golos em pouco tempo (Slimani, João Mário, que subiu de produção na segunda parte, e Bruno César), aproveitando as falhas de uma defensiva sadina que esteve completamente desastrada. A equipa de Quim Machado baixou os braços com o avolumar do resultado (Aquilani também teve tempo para marcar) e o líder do campeonato pôde descansar com bola, já a pensar no jogo com o Braga.

Apesar da qualidade do meio campo e do ataque, cada vez mais entrosados, a segurança do sector defensivo, visível pela ausência de oportunidades do Vitória, voltou a ficar patente. Como se não bastassem os golos marcados pelo Sporting, ainda se festejou o empate do Rio Ave no Dragão e até houve tempo para duas crianças invadirem o relvado e levarem camisolas para casa. Tudo corre bem no reino do leão.

A Figura

Bruno César – Era difícil uma estreia melhor para o “chuta-chuta”. O debute enquanto titular não o intimidou e a exibição que fez no Bonfim deve ter-lhe garantido lugar cativo nas próximas partidas. Para além dos golos e da assistência, demonstrou um excelente entendimento com Bryan Ruiz e Slimani e acrescentou a capacidade de desequilíbrio que se pede a um extremo de um candidato ao título.

O Fora-de-jogo

Suk – A cabeça do sul-coreano pode ter estado em muitos sítios, mas certamente não esteve no Bonfim. Não se viu aquele jogador que foi um dos destaques da primeira volta, fazendo a diferença em muitos jogos com a sua mobilidade, agressividade e qualidade técnica. Mesmo tendo em conta que esteve quase sempre desacompanhado na frente de ataque, pedia-se um Suk mais focado e menos apático naquele que pode ter sido o último jogo com a camisola do Vitória.

CF “Os Belenenses” 2-2 CD Nacional: Segunda parte quente em noite fria

futebol nacional cabeçalho

Noite gelada no Restelo, com a organização do jogo a querer lembrar isto ao meter ao intervalo o “Let it Snow”.

O jogo começou muito mexido e com o Belenenses por cima, apesar de não criar muito perigo. Aos 12 minutos a equipa madeirense cria o seu primeiro lance de perigo com um remate de Witi ao lado muito perigoso, ficou o aviso. Aviso que foi confirmado logo no minuto seguinte com um golo de Luis Aurélio que deu assim a vantagem ao Nacional após um cruzamento de Salvador Agra, aproveitando as facilidades da defesa azul.

O Belenenses apenas aos 24 minutos conseguiu responder com perigo, uma boa jogada de Kuka que cruzou, Tiago Caeiro cabeceia mal e a bola sobra para Geraldes que remata ao lado. Seis minutos depois Kuka volta a criar perigo pela esquerda, fazendo um passe atrasado para André Sousa que cruza e Tiago Caeiro a falhar um golo certo ao não chegar à bola. Quase na ida para o intervalo Kuka e André Sousa tiveram boas oportunidades de remate, mas tentaram sempre o passe perdendo a bola num lance que podia ter criado muito perigo a Gottardi.

Ao intervalo o resultado acaba por ser justo; um Belém com mais posse de bola, mas um Nacional a ser mais perigoso e eficaz.

A segunda parte foi muito mais intensa; logo aos 49 minutos André Sousa marca um livre de forma soberba com uma igual defesa de Gottardi, apesar de Bruno Paixão ter marcado pontapé de baliza para os madeirenses, no seu erro mais grave ao longo do jogo. Foi o sinal que o golo estava a chegar.

Foram poucos mas muito bons os adeptos do Nacional
Foram poucos mas muito bons os adeptos do CD Nacional

Quase de seguida Sturgeon cruza e Kuka responde da melhor maneira fazendo a igualdade. Aos 56′ mais um livre perigoso, desta vez por Tiago Silva mas a defesa do Nacional resolveu da melhor maneira.

Como quem não marca sofre, o Nacional voltou para a frente do marcador através de Boubacar, num remate à entrada da área após passe de Luís Aurélio. Aos 70′ Zainadine saltou mais alto após um canto mas não conseguiu marcar.

E mais uma vez o ditado quis mostrar que é verdadeiro, no lance seguinte o Belenenses volta a empatar o jogo, novamente com um cruzamento da direita mas desta vez de Tiago Silva concluído da melhor maneira por Tiago Caeiro que mergulhou para o melhor golo da noite.

Até ao final ambas as equipas podiam ter marcado. O Nacional tem dois lances seguidos por João e Luis Aurélio, de seguida são os azuis a terem duas oportunidades falhadas, primeiro Caeiro de cabeça e Miguel Rosa com um remate fora da área, nos últimos lances de real perigo, apesar de ambas as equipas terem estado sempre a tentar fazer o 3-2.

julio velazquez
Julio Velazquez considera que a sua equipa podia ter ganho por mais do que um

Manuel Machado considerou o resultado justo, dizendo que a primeira parte foi da sua equipa e a segunda do Belenenses. Acrescentando que se fosse agora talvez tivesse tentado guardar o 1-2 em vez de procurar o 1-3 nos 15 minutos que faltavam. Já Julio Velazquez considerou que a sua equipa merecia a vitória e focou-se muito no trabalho que ainda tem que fazer na defesa, isto apesar de ainda não ter perdido desde que chegou a Portugal (uma vitória e dois empates).

A Figura:

Sturgeon – O extremo do Belenenses fez uma excelente segunda parte e levou a sua equipa às costas, apesar de muito bem apoiado por Kuka.

O Fora-de-Jogo:

Espetadores – A organização fala em 1183 pessoas presentes, mas pareciam muito menos, de qualquer forma é de destacar que os sete adeptos do Nacional presentes fizeram muito mais barulho que os restantes 1176.

 

Artigo de Nuno Raimundo e Rodrigo Fernandes
Imagens: Nuno Raimundo

SL Benfica 6-0 CS Marítimo: Enxurrada de golos esmagou os madeirenses

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Num dia chuvoso de Inverno, pouco favorável à prática do futebol, o Benfica deu seis alegrias aos mais de trinta mil corajosos que, mesmo assim, foram até ao Estádio da Luz a meio da semana. Os que esperavam um jogo algo monótono, condicionado pelo mau tempo e com menos qualidade ainda não tinham olhado bem para a composição do onze encarnado. Estava lá Carcela, o desbloqueador de nulos. As expetativas em relação ao que os insulares poderiam fazer depois da vitória de há uma semana no Porto duraram pouco mais de meia hora.

O jogo até começou por ser equilibrado. Depois de uma gigantesca “perdida” de Jiménez, isolado, os leões do Funchal meteram as garras de fora e quase faziam mossa por Dyego Sousa. O atrevimento tático da formação de Ivo Vieira, que veio a Lisboa jogar no seu tradicional 4-3-3, sem cautelas adicionais frente ao melhor ataque do campeonato, só poderia dar dois resultados: ou corria muito bem ou corria muito mal. E só começou a correr muito mal no último quarto de hora da segunda parte, quando, em cinco minutos, o Benfica faz três golos sem ninguém o esperar. Aquela que até ali estava a ser mais uma incómoda exibição no plano do “mediano” a tombar para o “mau”, transformou-se num ápice em goleada, com o contributo decisivo de Carcela. Foram dele a arrancada e o excelente cruzamento que estiveram na origem da primeiro golo e foi também dele o passe de rutura que ajudou a contruir o segundo. Dois golos de Pizzi a que se seguir outro de Jiménez e o Marítimo a dez minutos do intervalo estava destroçado e tinha o jogo perdido.

Carcela foi decisivo no arranque da goleada Fonte: SL Benfica
Carcela foi decisivo no arranque da goleada
Fonte: SL Benfica

Os madeirenses entraram para a segunda parte sem nenhum tipo de reação e cometeram dois penáltis escusados que Jonas aproveitou para se destacar ainda mais na liderança dos melhores marcadores da Liga. E aos 53 minutos, o placard já indicava 5-0 a favor do Benfica. Pela cabeça de muitos já passava a hipótese de hoje serem igualados ou até ultrapassados os míticos 9-0 com que, em 1985, o Benfica tinha derrotado os verde-rubros. Acabou por não acontecer, não porque o Marítimo tivesse resistido, mas porque os encarnados baixaram claramente o ritmo por causa da carga de jogos que se avizinham, a começar já na sempre difícil Choupana no domingo. Ainda houve tempo para Talisca marcar um bom golo. Continuo a não perceber a utilização sistemática deste jogador que, na minha opinião, nada traz à equipa, muito pelo contrário.

Devido à forma como o jogo se foi desenrolando, não é possível dizer se houve uma evolução significativa na qualidade exibicional em relação ao jogo em Guimarães mas notaram-se hoje mais movimentações de Jonas e Jiménez entre os defesas a pedir passes de rutura, quer rasteiros quer pelo ar. Diria que a equipa ainda não está “no ponto”, ainda não apresenta uma regularidade exibicional que transmita total confiança aos adeptos (longe disso), mas, numa altura em que estamos praticamente no fim da primeira volta, há vários jogadores em clara subida de forma e, se não houver mais nenhuma lesão grave (e com os regressos de Salvio e Semedo), temos plantel que baste para chegar ao tri.

A figura:

Carcela- Frenético. Explosivo. O belga/marroquino tem uma capacidade de aceleração estonteante e raramente não ganha um “um-para-um”. Não marcou mas desbloqueou o jogo mais uma vez. Já estive mais preocupado com uma possível saída de Gaitán.

O fora de jogo:

Equipa do Marítimo- Uma semana depois de ter ganho no Dragão (para a Taça da Liga, é certo), apresentou-se na Luz com excesso de confiança e poucas cautelas e saiu goleada. Os jogadores estiveram apáticos e a lesão de Salin no início do jogo não ajudou.

Foto de capa: SL Benfica

CF União da Madeira 1-0 Boavista FC: Um reforço de inverno, três pontos

futebol nacional cabeçalho

Situado no Vale da Serra d’ Água, Ribeira Brava, o Centro Desportivo da Madeira prima pela bonita imagem que se vislumbra no horizonte. Nos socalcos onde essencialmente crescem bananeiras adjacentes, aproveitam-se os pedaços de terra e constroem-se verdadeiros camarotes privados onde a ementa servida é cerveja e tremoços. Ao intervalo, aproveita-se é dá-se de comer aos animais, na sua maioria galinhas.

Poderia ser este um resumo perfeito para a primeira parte do jogo desta tarde entre União da Madeira e Boavista. Foram poucos os lances de perigo que se desenharam ao longo da primeira parte, situação que levou mesmo os adeptos de ambas as equipas a pedirem mais, muito mais, para o segundo tempo. Nem mesmo o adepto e investidor mais famoso do União, irmão do melhor do mundo, parecia estar a gostar do “Uniãozinho da bola”, como também é conhecido o clube azul e amarelo entre os adeptos.

Começou melhor o Boavista, que tomou conta do jogo devido a um União apático, e logo aos três minutos José Manuel cabeceou para a defesa de André Moreira. Moreira foi mesmo o melhor jogador – a par com Breitner – do lado dos insulares. Na resposta aos sucessivos ataques dos axadrezados, Paulinho e Amilton rasgaram, cada um pelos seus flancos, esquerda e direita, cruzaram para a área de Gideão, mas sem qualquer perigo.

O jogador dos insulares foi dos melhores elementos em campo. Fonte: CF União da Madeira
O jogador dos insulares foi dos melhores elementos em campo
Fonte: CF União da Madeira

Aos 17 minutos, com um União a despertar da profunda apatia dos primeiros quinze, Amilton remata e a bola bate no braço de Anderson Santos, reclama-se penálti, mas Luís Ferreira manda jogar. Três minutos depois, Shehu parece não ter ainda regressado das férias de Natal e decide oferecer a bola a José Manuel, que isolado remata para uma grande defesa de André Moreira. Até ao final da primeira metade, realço apenas, aos 33 minutos, houve um remate de Breitner.

Na segunda parte puxou-se dos cobertores. Caiu o frio sobre o Complexo Desportivo da Madeira e os intervenientes na partida despertaram. Para combater o frio começou-se a correr mais. Jogo muito mais intenso, com as equipas mais irrequietas, em busca do golo. O mais irrequieto e agressivo, pela positiva, do lado insular foi Amilton. Com belos rasgos por todo o campo procurou sempre servir o reforço de inverno, e titular esta tarde, Toni Silva. E aos 10 minutos da segunda parte a parceria entre Amilton e Toni Silva resulta no golo do União da Madeira, com meio tento a pertencer, sem qualquer dúvida, a Amilton, que tirou três adversários do caminho e serviu Toni Silva, que cara a cara com o guarda-redes Gideão só teve de rematar e colocar os azuis e amarelos em vantagem. Festejos muito efusivos por parte dos cerca de 1200 adeptos presentes nas bancadas, com um recado de Amilton para a massa adepta unionista.

Até ao final foi um jogo que continuou intenso, com o União da Madeira a procurar ampliar a vantagem e com o Boavista à procura de, pelo menos, um precioso ponto. Idrissa, do lado dos axadrezados, e Amilton, do lado dos insulares, até ao final da partida foram sempre os mais irreverentes.

No final, três preciosos pontos para as contas da manutenção do União.

Sala de Imprensa:

Erwin Sánchez

Foi um treinador muito cabisbaixo aquele que chegou à sala de imprensa. “Estamos a atravessar uma fase muito má.”, disse. Sánchez queixou-se ainda da pouca sorte que a equipa tem tido: “há jogos em que podemos andar a batalhar e a rematar e a bola acaba por entrar, mas isso não está a acontecer com o Boavista.”, concluiu.

Norton de Matos

O treinador do União chegou à sala de imprensa contente com os três preciosos pontos que a equipa tinha acabado de conquistar. Muito falador, Norton de Matos reconhece que o jogo que esta tarde se jogou na Ribeira Brava “não foi muito bonito de se ver” mas também salientou o crescimento da equipa. Norton de Matos disse ainda que o factor decisivo no jogo desta tarde foi a eficácia.

A Figura:

Amilton – O jogador do União da Madeira foi o mais inconformado dentro das quatro linhas. Muito lutador, muito ambicioso e irreverente, mostrou que as críticas que vinham da bancada só lhe dão mais força. É dele e quase só dele a responsabilidade da vitória desta tarde. Claro está, a par com André Moreira, que voltou a evitar a entrada de bolas na baliza insular.

O Fora-de-Jogo:

Centro Desportivo da Madeira – Nos dias de hoje, um estádio do qual se diz estar preparado para receber jogos da Liga NOS não ter uma cobertura de internet aceitável, tomadas eléctricas, e condições para os jornalistas trabalharem parece algo da pré-história. Mas não. Na Ribeira Brava, não fosse a bateria do portátil estar completamente carregada e o inconstante sinal de cobertura 3G do telemóvel, a função de quem lá foi para informar seria muito mais difícil.

Foto de Capa: CF União da Madeira

Surpresa? Só para alguns…

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cab futsal

Antes de me debruçar sobre o tema que até aqui me traz quero aproveitar para desejar a todos os leitores do Bola na Rede um ótimo 2016, para que possa, de facto, ser o ano em que tudo o que mais queiram se realize e que, no caso português, seja o ano da nossa afirmação enquanto potência europeia e mundial.

Finalizado este pequeno aparte, vou agora falar sobre a grande revelação da Liga Sport Zone, pois só vai na sua segunda época no escalão máximo do Futsal português (alcançou a subida na época 2013/2014). Já sabe de quem estou a falar? Se respondeu Burinhosa, então devo dizer-lhe que acertou em cheio, uma vez que os bravos de Pataias, uma freguesia do concelho de Alcobaça, estão a realizar um campeonato autenticamente fabuloso, com um inteiramente merecido terceiro lugar na tabela classificativa, apenas atrás de SL Benfica e Sporting CP e à frente de Sporting de Braga/AAUM e AD Fundão, entre outros teoricamente mais fortes. Mas não é só a posição que é ocupada pelos comandados de Kitó Ferreira que merece destaque, pois também o estilo de jogo altamente atrativo que os seus jogadores praticam é de destacar. Eles participam em diversos jogos repletos de golos, mostrando assim o jogo altamente positivo que praticam e que, em termos de lugar na tabela, só surpreende quem não acompanha os jogos.

Outro fator explicativo da boa campanha é a grande aposta no desenvolvimento do Futsal, com a criação de um moderno centro desportivo com todas as condições para que os jogadores do Centro Cultural Recreativo e Desportivo da Burinhosa possam potenciar ao máximo o seu valor, sendo que, a partir da edificação deste complexo, a equipa do distrito de Leiria começou a somar sucessivos sucessos e a subir rapidamente desde os distritais até ao primeiro escalão. Por fim, também o apoio frenético dos adeptos, que, em todos os fins-de-semana em que há jogo no Pavilhão Municipal da Burinhosa, se deslocam em massa para assistir aos respetivos jogos, sendo assim um bom exemplo para muitas das equipas que atuam na Primeira Liga de Futebol de 11, que, exceção feita aos jogos contra os três grandes, raramente registam boas afluências ao estádio.

Plantel 2015/2016 do CCRD Burinhosa
O Plantel do CCRD Burinhosa em 2015/16

Por todas estas razões e mais algumas, é de salientar o projeto que este clube, oriundo de uma pequena aldeia com apenas 700 habitantes, razão que lhe valeu a alcunha de Aldeia do Futsal, tem vindo a realizar, com especial enfoque para a subida a pulso ao longo destes últimos anos, desde 2006, ano da inauguração do tal pavilhão, até aos dias de hoje. Caso a direção entenda manter o atual técnico por mais uns anos, é de prever que num futuro próximo possamos ter mais um candidato não só aos lugares cimeiros, mas também a discutir títulos. No entanto, só o futuro o dirá.

Fotos: CCRD Burinhosa 

Os jogadores não se medem aos “sprints”

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sexto violino

Muito se fala da solidez do sector defensivo, da boa forma recente de Adrien, da inteligência de João Mário ou da enorme entrega do insaciável Slimani. Mas houve um jogador que teve de provar muito mais para só agora começar a ser elogiado de forma consistente pela crítica. Falo de Bryan Ruiz, o “lento”, o “soneca”, o “fora de forma”, o “gajo que tem de abancar” – como foi chamado por muitos sportinguistas ao fim de uns quantos jogos menos exuberantes no início da época, sensivelmente na mesma altura em que se começavam a ouvir, aqui e ali, algumas críticas a Jorge Jesus porque o Sporting ganhava mas não goleava e/ou não jogava bem.

Ora, a verdade é que nem os leões são uma equipa de Football Manager, onde são frequentes os resultados volumosos, nem Bryan Ruiz é um super-homem. Nesse sentido, tanto em termos colectivos como individuais, tem de existir um período de adaptação, que poderá ser grande ou pequeno consoante a qualidade do treinador e do jogador em causa. Tanto no caso de Jesus como de Bryan, estamos a falar de intervenientes de primeira categoria. Eis a razão pela qual, decorrido tão pouco tempo, este já é o melhor Sporting da última década e, simultaneamente, também o motivo pelo qual o jogador costa-riquenho chegou e, num curto espaço de tempo, ouviu críticas, assimilou as ideias do treinador e se tornou um dos melhores jogadores do campeonato – tudo isto mais rapidamente do que o diabo a esfregar um olho, ou do que um qualquer Gonçalo Guedes a completar o ciclo “jovem desconhecido – novo Ronaldo – suplente proscrito – porque-agora-temos-um-brinquedo-novo-na-equipa”.

Bryan Ruiz tem sido um jogador fundamental no Sporting de Jesus. Extremo-esquerdo de recurso durante quase toda a primeira volta, o número 20 compensa com inteligência aquilo que lhe falta em velocidade, deriva para o meio como Jesus bem gosta para quebrar marcações e confundir adversários e, com cinco meses de Sporting, é já o “prolongamento” do treinador em campo. Já o era antes da época iniciar oficialmente, aliás, quando JJ afirmou a seu respeito que Bryan “é um jogador que sabe tudo”. Mérito também para o treinador, que percebeu isso de forma quase instantânea. De facto, Jesus vê aquilo que muitos outros deixam escapar.

As pessoas que acham que os futebolistas se medem aos “sprints” e que, em consequência disso, acabam a bater palmas a Djalós (será preciso lembrar os anos de crédito que este jogador teve em Alvalade, ou o facto de alguns Sportinguistas continuarem a dizer que ele “não era assim tão mau”?) e a assobiar Bryans devem pôr os olhos neste jogador. Ele é a prova de como, mais do que com os pés, o futebol se joga com o cérebro. O bom futebol, pelo menos. E essa é a diferença entre as equipas medíocres e as boas equipas.

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Para JJ, Bryan é indiscutível: “é um jogador que sabe tudo”
Fonte: Sporting CP

Correr mais não é sinónimo de correr melhor. Ter conhecimento táctico, saber gerir a bola quando a equipa precisa de a conservar e perceber quando se deve contemporizar ou soltar – contra o FC Porto, Bryan foi fundamental nestes aspectos – são qualidades que não saltam tanto à vista como um extremo velocíssimo ou um pontapé-canhão, mas revestem-se de grande importância numa equipa. E o Sporting tem, hoje em dia, provavelmente o melhor jogador em Portugal nesse binómio virtuosismo/inteligência. Completando a citação de Jorge Jesus sobre Bryan Ruiz feita no último Verão: “O que me impressiona mais nele é a cultura táctica. Ele é um jogador que sabe tudo. Sabe tudo. Em termos tácticos sabe tudo, sabe posicionar-se, enfim. Pode fazer três posições e vai fazê-las bem ao longo da época. É um atleta, tem 1,88 metros, bate bem as bolas paradas. Por isso é um jogador que é um reforço”. Jesus lançou os dados em Agosto, a realidade encarregou-se de lhe dar razão logo depois. E, perante tamanho elogio, haverá alguém que ainda se atreva a discordar?

Inteligência, técnica, liderança, capacidade de decisão, critério táctico, regularidade. O futebol de Bryan é de outros campeonatos, mas em boa hora aterrou em Alvalade. A forma como recebe a bola e, em poucos instantes, consegue ler o jogo e descortinar soluções que poucos descobririam faz dele um craque, estatuto consolidado pelo facto de ser um “pensador” que decide bem muitas vezes. Não desdenho o valor de um extremo rápido e agitador numa equipa – e como o Sporting necessita de alguém assim! – mas, ao olhar para Bryan Ruiz, quase tenho vontade de perguntar: “Quem precisa de velocidade de ponta quando tem no plantel um jogador com esta velocidade de execução?”. Dois tipos de velocidade – a primeira é mais nítida, mas a segunda é a que, quando bem aplicada, mais me encanta. E Bryan Ruiz é mestre nessa arte.

O seu estilo aparentemente despreocupado faz com que, nos dias em que as coisas correm menos bem, Bryan seja um dos alvos mais fáceis dos adeptos, como aliás se viu logo ao início. Não contem com este jogador para correrias desenfreadas e sem critério, porque ele não dá um passo que não seja necessário. E isso não é uma crítica, nem uma forma camuflada de lhe chamar “pastelão”, mas sim uma prova da inteligência do jogador. A verdade é que Ruiz não sabe jogar mal porque pensa bem e, dessa forma, está alguns segundos à frente de todos os outros.

No jogo com o FC Porto, Luís Freitas Lobo disse algo muito acertado sobre este jogador: ele “sabe jogar cansado”. É por isso, aliás, que muitos adeptos, onde por vezes me incluo, costumam dizer, nos primeiros minutos após o intervalo, que “o Bryan tem de sair”. Contudo, ele lá continua a tocar na bola com requinte e a calar tudo e todos, não raras vezes subindo até de rendimento nas segundas partes.

Até agora, não é favor nenhum dizer que o costa-riquenho tem sido um dos melhores jogadores do campeonato. De todos os futebolistas do plantel do Sporting, Bryan Ruiz é o que, devido à sua calma e inteligência, me dá mais confiança de poder estar a festejar em Maio. É uma honra poder contar com a qualidade do seu futebol.

 

Algumas jogadas e golos de Bryan Ruiz no Sporting:

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Foto de capa: Sporting CP