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Uma família de Campeões

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cab desportos motorizados

O Mundial de Motociclismo deslocou-se até à Comunidade Valenciana para o último grande prémio da temporada, onde a festa estava já garantida. Foram 197.000 adeptos das duas rodas a marcarem presença, no total dos três dias de prova. Um número exorbitante para os portugueses, mas que em Espanha é mais do que habitual. E num fim-de-semana em que a chuva poderia ser uma presença constante. Imaginem se o sol tivesse aparecido.

Das três classes existentes na competição- moto3, moto2 e MotoGP- só a classe mais baixa ainda não tinha campeão do Mundo. Algo que teria, obrigatoriamente, de mudar. E mudou. Tanto Jack Miller como Alex Marquez tinham a festa preparada. Mas foi o espanhol que levou a melhor.

Num ano em que o campeonato esteve ao rubro em todas as classes, eram muitos os assuntos que se poderiam abordar nesta retrospectiva do mundial. Mas a festa das duas rodas terminou com a festa dos dois irmãos que conquistaram os títulos das respectivas categorias: Marc Marquez em MotoGP, Alex Marquez em Moto3.

Falar do apelido «Marquez» é falar de campeões. Contam já com cinco títulos e o ano de 2014 foi de ouro para os dois irmãos que têm uma paixão comum: as duas rodas.

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Os dois irmãos têm uma paixão comum: as duas rodas
Fonte: instagram.com

Na classe rainha, o miúdo que corre como se de um veterano se tratasse (ainda que os mais críticos do piloto espanhol possam alegar falta de responsabilidade na sua pilotagem agressiva) sagrou-se campeão no grande prémio do Japão.

Em Moto3, Alex Marquez foi a aposta da Honda e da KTM para atacar o Mundial. Jack Miller foi o seu adversário mais directo ao longo dos meses e quase iniciou uma campanha «Anti irmãos Marquez». O australiano chegou a criticar o estilo agressivo de pilotagem de Alex, que tal como o irmão Marc não tem medo de arriscar e leva cada corrida até ao limite.

No final, na última corrida, Miller subiu ao mais alto do pódio mas o segundo lugar levou Alex Marquez a conquistar o Mundial de Moto3. O golpe final estava dado e foi visível o sentimento de frustração na cara de Miller.

Mas sejamos sinceros nesta análise… Para ser campeão do Mundo em qualquer categoria do Mundial é preciso algo mais do que talento, coisa que aos irmãos Marquez não falta. É preciso uma estrutura sólida, uma capacidade fora do normal para lidar com a pressão de cada grande prémio, e uma moto que esteja desenvolvida o suficiente para se destacar da concorrência. E todos estes pré-requisitos estão no seio da família Marquez.

É normal que os irmãos sejam acusados de demasiada agressividade, mas são ambos jovens e não querem saber dos limites. E isso é visível nos títulos conquistados este ano.

Marc «arrumou» com a concorrência na primeira metade do campeonato e soube gerir de forma inteligente – ainda que tenha cometido alguns erros que lhe custaram a vitória – a vantagem que tinha. Não satisfeito com o alcançado, foi quebrando recordes atrás de recordes. Parecia que não havia impossíveis para o espanhol.

Já o seu irmão Alex, a competir na classe mais baixa do Mundial onde a exigência é igualmente elevada, só conseguiu alcançar o título na última corrida. Um autêntico teste à capacidade de concentração do espanhol que não vacilou e venceu.

Encontrados os campeões, é tempo de pensar já na próxima temporada que conta com o regresso da Suzuki e da Aprilia à grelha de partida da classe rainha. Os primeiros testes da pré-temporada de 2015 já começaram; contudo, é demasiado cedo para fazer previsões. Só os testes de Inverno nos darão dados que permitem fazer alguma futurologia sobre como será a temporada de 2015.

As duas rodas vão para a garagem, mas prometem voltar. E nós também!

A vontade de Frederico Gil

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cab ténis

O tenista português Frederico Gil colocou recentemente uma fotografia no seu perfil do Facebook afirmando que “a vontade continua” e que está em “exames médicos e físicos para preparar a próxima temporada”.

Falar de Frederico Gil é quase o mesmo que falar de Vanessa Fernandes ou Fábio Paim, dando exemplos de outros desportos. Nós sabemos que o talento está lá, a vontade de triunfar também; só não sabemos quando estarão novamente mentalmente preparados para os esforços da competição.

Quem fala negativamente de Frederico Gil pode ser mal entendido em Portugal. Eu não o quero ser. Cresci com Frederico Gil, joguei ténis federado enquanto Frederico Gil era a grande estrela portuguesa e fiquei mais vezes acordado para ver Frederico Gil do que para ver João Sousa. Tenho pelo tenista sintrense um carinho especial, mas a verdade é que se o ténis português muito nos deve, nós também o podemos “pressionar”, no bom sentido, a voltar a ser o que era.

Isto porque o ténis português precisa de um jogador como o Frederico Gil. De alguém que sabe o que é estar no topo e estar em baixo, de alguém que sabe o que é transportar a esperança de um país às costas. Quem não se lembra do que vibrámos na final do Estoril Open, quando nesse mesmo dia o Benfica foi campeão? A tarde foi passada a vibrar com o ténis. O ténis português.

Para além do que Frederico Gil representa para o comum dos adeptos portugueses de ténis, o tenista é também um activo importante para os agentes e promotores do ténis em Portugal. Em 2010 salvou o Estoril Open mais caricato de sempre a João Lagos, e agora, pontuando pelos Futures realizados em Portugal, vai distribuindo simpatia e experiência pelos torneios recentemente criados em Portugal.

Frederico Gil representa para o ténis português o início daquela que pode vir a ser a verdadeira geração de ouro. A geração de João Sousa e Gastão Elias, e numa outra, a de Frederico Silva, e este outro Frederico, o Gil, é o “pai” de toda esta geração moderna do ténis português, que tem mostrado saber dar passos sólidos que a leve a patamares mais elevados.

O finalista do Estoril Open tem certamente muito a dar ao ténis quando decidir “encostar a raquete”, mas a julgar pela sua vontade de jogar ainda terá certamente algo a dar dentro dele, embora, e isto são factos, completar o ano de 2014 com uma vitória num future e uma meia-final não seja um indicador francamente positivo para alguém que já conquistou tanto como Frederico Gil.

Veremos então o que reserva o ano de 2015 ao tenista português.

Os processos, o balneário, o 10, o central, o treinador

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a norte de alvalade

Era inevitável que a queda para o oitavo lugar não trouxesse atrás de si alguma (ou até muita) turbulência. As notícias confundem-se com os rumores, deixando o adepto a interrogar-se, tentando destrinçar as diferenças entre umas e outras. O post de hoje comentará algumas delas (notícias) ou deles (rumores).

Os processos

Não sei que grau de veracidade tem a notícia de ontem do DN, dando conta da intenção de Bruno de Carvalho processar jogadores (Patrício, Nani, Jefferson), por se sentir visado de forma critica, nas reacções pós-Schalke 04. Se havia fundamento na notícia e a intenção não se concretizar abrir-se-á campo à culpabilização dos autores e à vitimização dos citados, no que não seria nada de novo.

Como dizia o poeta, uma mentira para ser mentira tem de ter um fundo de verdade e é aqui que me interrogo. A notícia parece tão inverosímil que até é difícil de acreditar que possa ter sido inventada, a menos que o jornalista se sentasse a escrevê-la em plena viagem alucinogénica. A ser verdade, significaria um profundo desnorte, e isso sim seria a pior de todas as notícias, uma vez que o Sporting teria tudo a perder. Perderia credibilidade o presidente, que assim se arriscava a perder o balneário (Patrício e Nani deverão ter aí preponderância), acabaria por perder o clube. Por tudo isso prefiro recusar-me a acreditar.

O balneário

Não sei, nem tenho como saber, como reagiu o balneário às tão faladas críticas públicas do presidente. Pronunciei-me sobre o método, que me parece despropositado, sobretudo por não lhe reconhecer outras consequências contabilizáveis que o ruído e a má imprensa, e por me parecer injusto e produto de uma má avaliação das causas dos problemas. Não me surpreenderia que, por isso, não tivessem caído bem no balneário mas também não vi, na atitude dos jogadores, que os tivesse desmobilizado.

Continuo a pensar que, pelo menos para já, os problemas têm origem em questões técnicas, que cabem sobretudo ao treinador resolver, e nas óbvias limitações do plantel que, para o treinador, são pouco mais que os 15 jogadores a quem deu mais de 300 minutos, um terço do tempo de jogo até agora disputado nos 10 jogos da Liga. Sobre o que hoje se diz de Marco Silva ter vedado o balneário, parece-me mais uma inverosimilhança que também me recuso a acreditar. Do que conheço da vontade dos treinadores, não acredito que não fosse sempre assim desde sempre. Imagino que esta e a notícia do ponto anterior venham a merecer desmentido oficial.

O 10 e o central

Com a aproximação da janela de mercado é natural que se falem novamente em nomes para acrescentar ao plantel. Um jogador com características de 10 e um central. A questão do central deve ser agora consensual face às evidências, embora “um central de qualidade e experiente” seja uma daquelas expressões tão vazias como infelizes. A aquisição do oposto não faria sentido, embora o Rabia e o Sarr até já cá estejam… A questão do 10 não deixa de me surpreender, porque não vejo onde ele possa entrar no modelo até agora em uso por Marco Silva. E a experiência Shikabala deve ter deixado algum ensinamento no seu rasto de insensatez e perplexidade. Esta questão empurra-nos para o ponto seguinte.

E que tal ouvir Marco Silva?

Depois de uma pré-época a adquirir pacotes de jogadores sem o aval de Marco Silva com os resultados que se conhecem – não vale a pena repetir o nome de jogadores em que o treinador não reconhece valor para contar com eles –  talvez fosse bom envolver o treinador no processo, se ele vier a existir, de futuras aquisições. Esta possibilidade faz ainda mais sentido quando se ofereceu a Marco Silva um contrato longo, o que esbate o perigo de contratar jogadores que, com a saída deste, acabem por ficar a embaraçar nos corredores. Duvido, embora reconheça o carácter especulativo do meu sentimento,  que estivéssemos a sentir os problemas que estamos a sentir com o lote de centrais, se o treinador tivesse tido uma palavra a dizer na sua definição.

Então e os miúdos?

futebol de formação cabeçalho

Em Portugal existe a necessidade de se realizar uma reflexão séria acerca do nosso futebol de formação. Para já têm sido produzidas variadíssimas críticas, opiniões e algumas acções. Umas mais construtivas do que outras – e aqui há que saber sempre inserir o devido filtro. Contudo, e após tudo isto (e mais um par de botas), chegamos à conclusão de que na realidade a mudança ainda não foi operada, e que essa reflexão tem sido sobretudo evitada por quem mais a deveria fomentar.

Actualmente – olhando as seleções nacionais como um exemplo –, paira no ar um ambiente “perigoso”, pois parece que após o Mundial 2014 as coisas já se estão a recompor por si mesmas de forma autopoética. Entre diversos factores, este ambiente justifica-se pela saída de Paulo Bento, pela chegada de Fernando Santos e pelas acções revitalizadoras deste último na Selecção A.

Por sua vez, a selecção de sub-21 apurou-se somente com vitórias para o Europeu da respectiva categoria e parece que existe por cá uma geração de atletas com menos de 23 anos que se apresenta altamente promissora. Mas atenção, sem o devido acompanhamento e as respectivas oportunidades, esta geração mais recente poderá acabar tristemente banalizada como as duas anteriores (e inclusive uma delas produziu uma equipa campeã da Europa em sub-16). Convém por isso recordar que nada está assegurado sem sustentabilidade e uma aposta real nos jovens.

Pelo caminho os títulos do futebol de formação no passado servem também de almofada para o sustento de uma certa sensação de que mais tarde ou mais cedo vamos voltar a ter atletas de altíssimo nível. Enfim, assenta-se numa lógica – brutalmente errada – de que “se já houve, há de voltar a haver”.

No seio de tantas sensações, emoções e fluxos, perdeu-se a oportunidade de repensar seriamente o futebol de formação em Portugal e os modelos que o asseguram. E isto é muito grave (!). Olhou-se para o futebol sénior de forma ruídosa, mudou-se um departamento médico federativo e criou-se mais uma ilusão de falso bem-estar. Acima de tudo, e pior do que qualquer outra coisa, “varreu-se” da memória colectiva que os êxitos do nosso futebol no passado dependeram em muito de um trabalho sustentado e organizado metodologicamente na formação. E não de um belo acaso que nos caiu dos céus. Curiosamente esse trabalho desapareceu de forma consistente há mais de dez anos e só agora se deu pela sua falta.

É evidente que nos “três grandes” do nosso futebol os projectos de formação desportiva e social se mantêm relativamente actuais, bem organizados e ao cuidado de profissionais competentes. Mas o nosso futebol não existe somente na realidade desportiva e social de Porto, Benfica e Sporting. Aliás “essa coisa” do futebol de formação em Portugal vai dos convívios entre escolinhas de futebol até à Selecção Olímpica (sub-23).

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Jogo entre Benfica B e Carregado em Juniores B sub17
Fonte: ADC Somos Nós

Tudo isto existe numa complexidade tremenda em que apenas um focar em três clubes e num par de selecções não permite retirar qualquer conclusão clara. E dada essa complexidade, será mais útil neste texto olhar para alguns pontos que se apresentam eminentes pela sua urgência e gravidade. De antemão convém notar que não existem receitas infalíveis nem milagres, mas existe necessidade de pensar e repensar a realidade.

Um dos primeiros focos deverá ser a “humanização” do futebol jovem. A prática do futebol é executada por seres humanos. Logo, o trabalho deve ser orientado também por esse princípio. A natureza e as condições do jovem atleta devem ser respeitas e analisadas. Cada atleta e cada colectivo apresentam problemas específicos relativamente a si mesmos. Um jovem atleta está inserido num contexto desportivo e social e o seu papel e estatuto não se reduzem ao pontapear uma bola para o interior de uma baliza. Não se pode reduzir os atletas e as equipas a meros objectos de lazer ou de competição.

O futebol de formação não é “puro lazer” nem é meramente competição. Em Portugal é urgente reconhecer o espaço que se reserva para este fenómeno, pois a ideia de “puro lazer” ou a competição exacerbada têm gerado resultados negativos por culpa da ausência de modelos de formação adequados às idades e aos níveis de maturação dos jovens.

Um dos grandes desafios para o nosso futebol de formação é também a questão da criatividade. É fundamental que os nossos jovens se sintam confortáveis e confiantes mas sobretudo que sejam criativos. É evidente que existem princípios e subprincípios que devem ser interiorizados. Mas em Portugal já se “castrou” demais. Nos últimos quinze anos, castraram-se os atletas ao máximo tendo transformado os mesmos em máquinas tácticas que cumprem na ocupação do espaço e na leitura de jogo mas que tecnicamente já não desequilibram como antes. Restam hoje Ronaldo, Nani e Quaresma.

Em Portugal é essencial compreender que a relação com a bola e a criatividade são aspectos que não se podem anular. Os nossos jovens serão sempre mais fortes no futuro se hoje for realizado um trabalho assente em situações de jogo reduzido e no consequente estímulo das competências técnicas, tácticas e psicológicas. Por outro lado, serão mais banais se continuar a vigorar uma política de forçar os jovens a devorar princípios de jogo e estratégias aos nove anos de idade.

Muito haverá por debater e analisar, mas não se pode colocar de parte a reflexão sobre a mentalidade com que se tem abordado o futebol de formação. Raramente se olha para o futebol de formação como um momento, lá está, de formação desportiva e social. Olha-se antes como quem olha para a final de um Campeonato do Mundo: como pura (e dura) competição. Um exemplo de como há algo que está errado é o facto de serem dadas coberturas jornalísticas orientadas apenas para os resultados e para a arbitragem. Como uma cobertura de há alguns dias atrás, num dos principais jornais desportivos nacionais, onde a página dedicada ao futebol de formação era quase inteiramente dedicada ao árbitro e à sua actuação num jogo. Então e os miúdos?

Formação e Empréstimos

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tinta azul em fundo brando pedro nuno silva

O Futebol Clube do Porto perdeu pontos no Estádio da Amoreira, diante do Estoril, com um golo marcado por um jogador cujo passe lhe pertence, numa grande penalidade que o dito futebolista não tinha obrigatoriamente de marcar. Mas vamos por partes e reflectir sobre o ciclo de um futebolista português, que pode ir da formação à polémica.

A aposta na formação nunca foi levada tão a sério como agora: o exemplo de sucesso de algumas equipas fazem-nos ver que é possível construir um plantel campeão com uma grande percentagem de jogadores vindos das camadas jovens do clube. O Porto não é excepção e devido à pressão de adeptos, mas também em virtude da qualidade dos jogadores e das condições financeiras, vê-se que está a tentar promover os seus escalões inferiores. Para isso contribuem também a existência de uma parceria com o Porto Canal (transmite noticias e jogos de vários escalões) e a recuperação das equipas B. No entanto, se olharmos para o plantel principal concluímos que os nossos jovens não estão no plantel sénior do Porto, mas antes nos seniores de outras equipas.

Durante anos, a filosofia portista passava por emprestar jogadores – depois destes saírem da formação – a equipas estrangeiras e, principalmente, portuguesas. Estes jogadores continuavam ligados contratualmente aos dragões que, na maior parte das vezes, lhes pagavam o salário por inteiro. Esta estratégia levanta dois problemas: o facto de se estar a pagar a um jogador que, possivelmente, não vai ser aproveitado e a questão de o jogador em causa, estando por empréstimo a representar outra equipa, jogar ou não contra a casa-mãe. E aqui nunca se irá agradar a gregos e troianos.

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A equipa ‘B’ portista a treinar no Olival
Fonte: fcporto.pt

Se um jogador pertence ao Porto, acho que nos deviam reservar o direito a colocar uma cláusula que impossibilitasse o jogador de defrontar os dragões, pelo menos no caso de haver um só jogador emprestado a esse clube, tendo em conta que não seria uma grande mudança na equipa adversária. Isto ia evitar, à partida, que os opinion-makers do costume, a espumar por polémica e desculpas, andassem com teorias em que eles fingem acreditar para diminuir a dor do seu insucesso. Ia evitar também um caso de discussão sobre moral, ética ou legalidade (e aqui nem arrisco, fica para outros especialistas…).

Imaginem um cenário em que, no Estoril-Porto, Tozé falhava a grande penalidade. O “circo” do costume quando o assunto é Porto – é sempre assim com os vencedores – ficaria montado, esquecer-se-iam paixões antigas e todo o mal do futebol português residiria naquele lance de penalty falhado.

É preciso entender que a estratégia antiga de emprestar jogadores é o resultado de uma formação que talvez não seja completamente eficiente mas que, no entanto, deixa em aberto a esperança de que o jogador atinja os niveis a que a equipa-mãe – Porto, neste caso – se propõe. Mas até atingir (ou não) esse nível, e enquanto estiver ligado contratualmente ao Porto, esse jogador é nosso.

Os gritos, o realismo, o frio

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amarazul

Já tinha saudades de sair de casa em dia de jogo com um destino bem definido. Na verdade, o único possível, a existir um: o estádio. Tinha saudades dos gritos, da troca de sorrisos e emoções, de os ver ali tão perto. E do frio que sempre nos acolhe.

Ontem, quase quatro meses depois, voltei a ver o meu Porto. Regressei aos relvados. Ah, como é bom! Perseguido pela maldição Lopetegui que começou na minha estreia no Dragão (e o frio tão característico). Lá estava eu, perante os nossos heróis, desejoso por gritar ‘Golo!’.

À batalha dentro do campo antecederam-se outras, todas elas igualmente difíceis de ultrapassar: o mau acesso, a longa espera e, sobretudo, o frio. E a esse o Dragão não resistiu. Em noite gelada, foi congelado. A defesa, o cérebro de Fabiano no lance que resulta na grande penalidade e, de certa forma, o resultado.

Não faltou, contudo, emoção. Os comandados de Lopetegui, mais uma vez alinhados de forma diferente, bem tentaram, mas foram mais uma vez traídos por golpes surpreendentemente maus no sector defensivo – aquele que continua a ser, ainda assim, o melhor do campeonato português.

Mas voltemos ao estádio e às emoções únicas que nos proporciona. Tinha saudades. Saudades de ver a equipa aquecer e de bater palmas sempre que Quaresma se aproxima da bancada azul e branca. Saudades de gritar ‘golo!’ como se não houvesse amanhã. Sentia, acima de tudo, saudades de sofrer como nunca se sofre atrás de um ecrã. Como é bom ir ao estádio.

De ser treinador de bancada… na bancada. E comigo estavam muitos outros assim. “Passa, para este lado!”, “Cruza, cruza a bola!”, “Remata… nunca rematamos” foram algumas das expressões mais ouvidas. E assim, noventa e cinco minutos passados, chegou ao fim mais um dia único. Vestido de azul e branco, com pouca voz e feliz. Porque acima de tudo fomos Porto.

Jogadores Que Admiro #26 – Michel Preud’Homme

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Grande parte das minhas memórias dos anos 90 são passadas em Alvalade. Ainda hoje me lembro da primeira vez em que entrei na velhinha nave ou que assisti a um dos treinos dos juniores, em que o meu pai me dizia “aquele Simão vai ser bom jogador”. Mas uma das memórias mais vincadas que tenho foi curiosamente a primeira vez que vi o Preud’homme em Alvalade. Desde miúdo que quis ser guarda-redes; fosse no futebol, futsal ou andebol, aquele espaço era onde me sentia bem. Não queria marcar golos e não queria fazer fintas e mais fintas. Desde miúdo que quis ser como aquele senhor belga que defendia as redes do clube rival e defender tudo o que viesse na direcção da minha baliza.

Apesar de já ter chegado à Luz com 35 anos, Saint Michel parecia um homem elástico, ágil como um jovem mas maduro e cheio de experiência. Vi defesas incríveis, vi uma segurança enorme que tranquilizava qualquer defesa e atormentava qualquer avançado. No entanto, e para mim, o melhor momento do incrível belga foi frente a Batistuta, num jogo em casa frente à Fiorentina para a Taça das Taças, em que fez uma defesa do outro mundo, negando o golo a um dos melhores avançados de sempre. Formado num dos maiores clubes belgas, o Standard de Liége, Preud’homme apenas conheceu três clubes na sua carreira, e foi no Mechelen que conseguiu os seus maiores feitos colectivos, vencendo uma Taça das Taças frente ao Ajax de Cruyff e a Supertaça Europeia ao PSV, vencedor da Liga dos Campeões contra o Benfica.

Sucessor de Jean-Marie Pfaff, outro monstro sagrado das balizas de origem belga, Preud’homme foi figura também da sua selecção, fazendo parte de uma geração que chegou à final do Euro 1980 e às meias-finais do Mundial de 1986. Contudo, foi no Mundial de 1994 que o guarda-redes mais se destacou, fazendo defesas que o tornaram conhecido do público e vencendo o prémio para melhor guardião do torneio.

Nesse mesmo ano transfere-se para Lisboa, onde, numa equipa frágil e a atravessar um período negro, se transforma num ídolo para os benfiquistas e não só. Acaba por vencer somente uma Taça de Portugal, em 1996, e num jogo marcado pelo homícidio de Rui Mendes, adepto do Sporting Clube de Portugal. É algo que ensombra a história de um dos melhores guarda-redes que passaram por Portugal, repartindo esse estatuto com Peter Schmeichel. Para mim, tenho a agradecer a Preud’homme o gosto pelo futebol e o gosto pelas balizas. Foi sempre um exemplo, seja no campo ou fora dele, onde se comportava como o grande senhor que foi, admitindo até que trocaria a vitória na Taça pela vida do adepto do clube rival.

O título que falta a Federer

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cab ténis

Eu sei. Eu sei que tecnicamente faltam muito mais títulos a Roger Federer do que aquele que será o protagonista nas linhas em baixo, mas hoje o destaque vai a 100% para a Taça Davis, que o suíço vai tentar ganhar entre os dias 21 e 23 de Novembro em França.

A selecção suíça viu-se este ano reforçada com a melhor arma que poderia receber, e que responde pelo nome de Roger Federer. O suíço “meteu na cabeça” que queria conquistar a Taça Davis e pegou de estaca na competição, vencendo todos os jogos que disputou este ano e valendo assim a conquista de muitas eliminatórias, tendo em conta que em duas jogou duas vezes.

Há quem critique a atitude do suíço por muitas das vezes se mostrar indisponível para representar a selecção. Entendo esse ponto de vista, mas o que acho que digno de destaque é que o suíço, que aos 33 anos e com 17 títulos do Grand Slam no bolso quis vencer este título, chegou, viu e está perto de vencer.

A vitória até pode nem se consumar nos próximos dias 21, 22 e 23 de Novembro. Do outro lado está uma França com Tsongas, Gasquets e Monfils, mas a determinação do suíço em pegar na selecção e conduzi-la ao jogo do título é impressionante.

Veja-se Rafael Nadal. O espanhol também teve os seus momentos de glória na Taça Davis e desde há três anos para cá que relegou essa competição. Em termos de calendário é um evento que não é fácil de gerir, e é assim entendível que os tenistas de topo, depois de garantirem este troféu no currículo, acabem por relegar a competição para segundo plano. Nadal começou por aqui, Federer escolheu terminar por aqui.

Isto leva-nos a um outro tema, que é o da importância da Taça Davis no panorama do ténis mundial. Já aqui escrevi sobre a importância desta competição, mas mais uma vez volto ao tema. Se a Taça Davis tem vindo a perder valor ao longo dos anos numa óptica mais global, a verdade é que os grandes tenistas não querem deixar a modalidade sem deixarem a sua marca na competição por equipas do ténis mundial.

Recorde-se Henri Leconte, um dos mais geniais tenistas mundiais, que ficará eternamente conhecido na história por ter sido um dos mosqueteiros franceses na conquista da Taça Davis. Não há competição como esta para unir os fãs de ténis de um país. A mística que vem das bancadas seja no grupo mundial, seja no grupo III, é inigualável.

Para concluir, a Roger Federer faltam dois grandes títulos: a Taça Davis e a medalha de ouro dos Jogos Olímpicos (em singulares), mas o tenista suíço ainda vai até 2016, por isso…

Foto de capa: Flickr (sacks08)

Estoril 2-2 FC Porto: A teimosia tem limites… e consequências

eternamocidade

O futebol está longe de ser uma ciência exata: nem sempre por se ter melhores jogadores se ganha, nem sempre por se criar oportunidades infinitas se vence e nem sempre por se começar a ganhar se consegue gerir um jogo. Apesar do futebol não ser matemática, há coisas que, semana após semana, se tornam difíceis de perceber: depois de uma exibição com tanta qualidade em Bilbau, aquilo que seria normal é que Lopetegui mudasse o menos possível. Com a ausência por fadiga muscular de Tello, aquilo que todos esperavam é que a troca do espanhol por Ricardo Quaresma fosse a única alteração que o técnico espanhol fosse fazer. Seria o mais lógico, o mais natural e, muito provavelmente, o melhor para a equipa do FC Porto.

Ao contrário do que era expectável, Lopetegui decidir retirar um coelho da cartola e lançar Adrián López em campo, em detrimento do médio Óliver Torres. Depois do erro de palmatória cometido frente ao Sporting, para a Taça de Portugal, o treinador portista decidiu repetir o brilhante feito do jogo da Taça e mais uma vez errou. Perdeu o meio-campo, deixou que Herrera fosse o único homem a construir jogo ofensivo e, sobretudo, colocou um jogador a menos em campo porque, salvo outra opinião, por esta altura ainda não sei se Adrián entrou ou não na Amoreira, esta noite. Do lado do Estoril, José Couceiro retirou o lesionado Kléber do onze e colocou Babanco de início, oferecendo maior consistência ao meio-campo e deixando Tozé como falso “9”.

O início da partida demonstrou rapidamente as dificuldades do FC Porto: com Casemiro encostado aos centrais na primeira fase de construção, apenas Herrera foi o elo de ligação entre o meio-campo e o ataque. Do mexicano até aos quatro homens da frente era um autêntico buraco, com Brahimi e Quaresma a serem os únicos capazes de baralhar as marcações canarinhas. Jackson Martinez nunca conseguiu adaptar-se ao sistema de dois avançados na área, enquanto Adrián não foi mais do que uma sombra durante os 60 minutos em que esteve em campo. Mesmo com uma exibição profundamente desinspirada nos primeiros minutos do jogo, a questão individual voltou a evidenciar-se e, como não raras vezes esta temporada, Brahimi decidiu fazer mais uma jogada brilhante e assinar o primeiro golo dos portistas no Estoril. Apesar do golo portista aos 20 minutos, a vantagem não foi boa conselheira para os azuis e brancos, que apenas 6 minutos depois viram Kuca fazer o empate para os canarinhos. Com tanto equilíbrio durante a primeira meia hora, o empate era o resultado mais ajustado tendo em conta o que Estoril e FC Porto faziam. O certo é que o golo do extremo cabo-verdiano foi um bom tónico para os portistas, que, até ao intervalo, podiam ter chegado à vantagem no marcador, por Brahimi, Quaresma e Jackson.

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Jackson Martínez voltou a ficar em branco e o FC Porto deixou pontos na Amoreira
Fonte: lebuteur.com

A segunda parte trouxe um Estoril menos afoito e um FC Porto mais balanceado no ataque. Com Herrera em plano de destaque, a equipa de Lopetegui entrou muito mais pressionante sob o adversário e, apesar de não ter criado grandes oportunidades de golo junto da baliza de Kieszek, adivinhava-se que o golo dos portistas poderia surgir a qualquer momento. Do lado canarinho, era por demais evidente a estratégia de contra-ataque sustentada na velocidade de Kuca, Sebá e Tozé, que ainda assim tiveram poucas oportunidades de levar perigo à área de Fabiano. Ainda assim, e após as entradas de Quintero e Aboubakar para as saídas de Casemiro e Adrián, o Estoril começou a ter mais espaço entre linhas, o que foi aproveitado por Esiti, Diogo Amado e Babanco para criar mais problemas aos portistas. Numa dessas oportunidades, Fabiano acabou mesmo por fazer falta sobre Tozé, dando a possibilidade ao jogador emprestado pelo FC Porto de cometer uma pequena “traição” ao seu clube ao fazer a reviravolta para o Estoril-Praia, aos 81 minutos.

Com pouco mais de 10 minutos para jogar e com uma equipa completamente partida em campo, apenas a alma e determinação portistas impediram que o resultado na Amoreira fosse ainda pior. Aos 92 minutos, após mão de Yohan Tavares na área estorilista, Óliver isolou-se perante Kieszek e restabeleceu a igualdade. Até ao apito final de Artur Soares Dias, destaque apenas para um remate de Jackson que o guarda-redes polaco impediu que resultasse numa vitória portista.

Com este empate – repetição do resultado da época passada – o FC Porto cai para o 3.º lugar do campeonato, a 1 ponto do V. Guimarães, a 3 do Benfica e com 5 de vantagem para o Sporting. Esta noite na Amoreira o FC Porto só se pode queixar de si próprio por não ter levado um resultado melhor. E quando digo FC Porto, quero sobretudo deixar o reparo a Lopetegui: este resultado negativo deve-se a ele e a uma alteração completamente disparatada na equipa, retirando Óliver, colocando Adrián e desvirtuando um modelo tático que tinha resultado em Bilbau e que podia e devia ter-se mantido. Lopetegui quis inventar e com isso perdeu 2 pontos. E assim, às vezes, se perdem campeonatos.

 

A Figura

Yohan Tavares – O central do Estoril-Praia foi uma completa barreira às investidas portistas e não foi por acaso que Jackson Martinez passou, durante a maior parte do tempo completamente, ao lado do jogo.

O Fora-de-Jogo

Lopetegui/Adrián López – A teimosia de Lopetegui voltou a dar mau resultado e a aposta em Adrián fez com que o FC Porto tenha sido uma equipa completamente alterada relativamente ao que tinha feito em Bilbau. Depois de uma exibição quase perfeita em Espanha, não havia por que mudar. O treinador fê-lo e leva apenas 1 ponto para casa para recordar. Quanto ao suposto “avançado” espanhol, não há muito mais que possa dizer. É que perante tanta mediocridade, às vezes nem sequer as palavras fazem sentido. 

Sporting 1-1 Paços de Ferreira: As perspectivas viciadas

escolhi

Desculpem-me a ousadia: vou extravasar os limites dos noventa minutos de hoje em Alvalade para falar sobre o Sporting vs Paços de Ferreira. Assim o exige o contexto. É que no campeonato aquilo que se passa nos terrenos alheios onde jogam Benfica e Porto não é indiferente ao Sporting, tal como também não o é o contrário. E se quem aterrasse hoje de Marte não conseguiria ver nada de estranho na partida de Alvalade, quem cá está a acompanhar o que foram as dez primeiras jornadas só não vê aquilo que não quer.

“Os campeonatos perdem-se nas primeiras oito jornadas e ganham-se nas últimas oito”
Munique, 13 de Setembro de 2013 – Pep Guardiola

Justificava Guardiola esta sua opinião com a ideia de que quem cede mais de quatro/cinco pontos nas primeiras oito jornadas entra em campo sempre sob uma pressão que lhe dificulta a conquista dos seguintes pontos e que pode gerar um ciclo vicioso negativo. Ora, o contrário também se aplica: quem entra com uma vantagem confortável para determinada jornada tem sempre um maior à vontade para enfrentar os seus adversários. O que se deve questionar, olhando para o nosso campeonato, é como é que uma equipa como o Benfica – com dificuldades notórias nos mais variados níveis futebolísticos – está oito (!!) pontos à frente de outra que, também tendo os seus defeitos, se mostra superior naquilo que é possível às equipas trabalhar: o seu futebol. A resposta está na própria pergunta – o Benfica tem oito pontos de avanço mesmo praticando pior futebol do que o Sporting porque tem beneficiado de factores extra-futebol. São sucessivas as “coincidências”: em lances de maior ou menor dúvida, a decisão é sempre para o mesmo sentido.

No fim-de-semana passado, com a equipa de Jesus a vencer por um, foi anulado (e bem!) um golo ao Rio Ave por posição irregular, ainda que milimétrica e ainda que o fiscal de linha em questão não tivesse quaisquer condições para assinalar tal lance devido ao seu péssimo posicionamento. Um dia depois, em Guimarães, o Sporting sofreu um golo também irregular mas que seria validado. E, imagine-se, o fiscal estava muito bem posicionado e tinha todas as condições para anular o golo. Perspectivas, coincidências, chamaram-lhe. Hoje, na Madeira, o Nacional sofreu um golo (que viria a valer os três pontos) quando Jonas está novamente numa posição de limite entre o fora-de-jogo e o não fora-de-jogo. Novamente a decisão foi benéfica aos encarnados. Na segunda parte, a equipa da casa viu-lhe ser muito mal anulado um lance que seria de potencial perigo e que poderia valer o empate. O mesmo fiscal que validou o golo de Jonas decidiu anular o lance.

Neste lance, Montero marca e vê o golo anulado. Slimani, numa posição de limite, não tem interferência no lance.
Neste lance, Montero marca e vê o golo anulado. Slimani, numa posição de limite, não tem interferência no lance.

Mais tarde, em Alvalade, eis que Montero volta a ver um golo completamente legal ser-lhe anulado, tal como se vê na imagem em cima. Não há posição de dúvida nem perspectiva que justifique o erro. O que seria o segundo golo do Sporting no jogo foi mal anulado e, pela segunda semana consecutiva, a equipa viu-se prejudicada por aquilo que não pode controlar.

Só assim se explica uma diferença futebolística onde ela não existe! 

E com estes fenómenos extra-futebolísticos acabamos quase sempre por deixar a alguns a falta de atenção que não merecem: o Paços de Ferreira teve o dom de saber complicar a vida aos verde-e-brancos e não alterou uma vírgula naquilo que é a sua identidade. Paulo Fonseca está a provar que o sucesso não é ocasional e que, perante as suas boas ideias e convicções, conseguirá bons trabalhos em quase todos os seus desafios. Na primeira parte, o Paços dividiu o jogo com o Sporting e procurou sempre ter a bola tanto quanto possível, saindo da pressão alta com qualidade. Ao intervalo, o resultado aceitava-se. No futebol o demérito do adversário nunca é independente do nosso mérito e o contrário também é verdade – por isso, o Paços foi o principal culpado dos 45′ leoninos menos conseguidos.

Na segunda parte, Marco Silva mexeu (bem) no jogo e, mesmo arriscando, conseguiu encontrar um maior equilíbrio. João Mário desceu no campo para jogar sempre de frente e potenciar o momento em que é mais forte: o da construcção (e não na definição); Montero soube aproveitar os espaços entre linhas e tornar mais difícil à defesa do Paços a ocupação dos mesmos; Mané entrou com intensidade e conseguiu, principalmente através de investidas individuais, desequilibrar a defensiva contrária. A partir daí, o Sporting tornou-se dono e senhor do encontro, chegou à igualdade e também à superioridade, que posteriormente foi anulada. Pelo avalanche ofensivo do segundo tempo, os três pontos deveriam ter sido conquistados pelo clube de Alvalade. Apesar disso, o Paços fez por merecer o ponto que conseguiu e em nada deve alterar aquilo que o tem levado ao sucesso recente. No fim, nota para o tempo de compensação peremptoriamente escasso que existiu depois de tantas paragens. E aqui não há questões de perspectiva associadas. Mas assobiemos para o lado, ou não fossemos portugueses.

A Figura

Fredy Montero – O avançado colombiano apontou um golão e, mais do que isso, foi quem mais e melhor encontrou os espaços que viriam a virar o jogo, embora não o marcador. Ainda apontou o segundo, mas já se sabe o que aconteceu.

O Fora de Jogo

Islam Slimani – O outro avançado do Sporting teve uma noite para esquecer: golos falhados com os pés e até com a cabeça com a qual costuma ser letal.