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Afinal, qual a finalidade das equipas B?

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atodososdesportistas

Ora viva, caros (des)Portistas! Antes de começar propriamente a minha publicação, gostava de dizer que o que me levou a escrevê-la prende-se com dois factores. O primeiro é o facto de este fim-de-semana ter sido altamente proveitoso para mim a nível da Liga II (e I também…): não só o meu FC Porto B ganhou com grande justiça ao Sporting B, com fantásticos golos de Iuri Medeiros e Tóze, como o clube da minha cidade universitária, SC Farense, deu um “banho de bola” ao Benfica B, que saiu derrotado por 3-1. E não foram pelo menos 5 porque o guarda-redes benfiquista carimbou uma exibição de luxo. Em segundo lugar, o meu primeiro texto no Bola na Rede espicaçou-me a escrever sobre este tema.

Fazendo um exercício de retrocesso, chego ao 3º parágrafo da minha publicação anterior [n.d.r.: “Fim de linha para Paulo Fonseca? Teremos nós no natal uma prenda “vinda das Arábias”?!”], no qual escrevi: “Equipa B – É curta. Para quê uma equipa B quando, quando sentimos necessidade de ter jogadores de posições raiz, não aproveitamos…? Ghilas lesionou-se. Na B temos Kleber (sim, esse mesmo, que até tem feito golos), Vion, Caballero e a nova coqueluche André Silva, ainda júnior. Mas não, vamos optar pelo Licá. Isso leva-me a questionar se é a equipa B que serve a A ou o contrário (talvez assunto para uma outra rubrica…).”

Pois bem, vou hoje abordar esse tema porque me parece que realmente tem sido a equipa A a servir a B, quando os pressupostos são precisamente os opostos. Vejamos, o plantel do FC Porto tem um total de 48 jogadores inscritos nas ligas profissionais de futebol, repartidos da seguinte forma: 25 na equipa A + 23 na equipa B (dados obtidos no site oficial do clube).
Continuando nesta matemática futebolística, chego ainda a mais uma conclusão: temos um total de 6 guarda-redes, 14 defesas, 15 médios e 16 avançados (embora, para mim, existam jogadores ditos avançados que são médios, mas enfim…)! Como é possível, com tanto jogador, falarmos em falta de opções?! Por que é que Bolat, Fabiano, Fucile, Reyes, Herrera, Carlos Eduardo e Kelvin jogam sucessivamente na equipa B (com o intuito de “ganhar ritmo”, coisa que até percebo) quando ainda não vimos nenhum jogador da B saltar para a equipa principal? Não existe alternativa a Alex Sandro? Temos Quiñonez e, acima de tudo, Rafa na segunda equipa. Não existe alternativa a Fernando? Temos Mikel. Não existe alternativa a Lucho? Temos Tozé. Estamos sem um segundo Ponta-de-lança? Temos André, Kleber, Vion, Caballero, Paciência… Quando se lembrará Paulo Fonseca de inverter o triângulo (e não falo do meio campo!) e passar a utilizar os “B” como uma alternativa realmente consistente em vez dos “adaptados”?

Não me interessa ter um Porto B em primeiro lugar. Não me interessa ter um Tozé como melhor marcador da segunda liga e muito menos me interessa que nos jogos complicados “enviem” 5 ou 6 jogadores da A (como este fim-de-semana) para ganharem e assim se manterem nos lugares cimeiros Liga2. Ainda me lembro do tempo em que da equipa B do Porto “saltaram” jogadores como Bruno Vale, Gualter Bilro (que marcou ao Benfica B!), Ricardo Carvalho, Paulo Machado, Vieirinha, Ivanildo, Postiga, Hugo Almeida… E porquê?!

Simples: na altura não fazíamos negócios milionários, éramos obrigados a recorrer aos recursos que já tínhamos internamente… E com resultados! Se olharmos para o lado, o Sporting fez uso daquilo que cultivou e está na liderança do campeonato (por enquanto…)! Foi tão lindo, no Euro 2004, ver um onze da selecção composto quase em exclusivo por jogadores do Porto (Paulo Ferreira, Ricardo Carvalho, Nuno Valente, Costinha, Maniche, Deco e, por vezes,Postiga). Hoje em dia isso já não se vê. Porquê? Por causa da falta de aposta no “PIB” do clube. Posso garantir que na nossa formação, e mesmo na equipa B, temos jogadores portugueses que poderiam facilmente fazer parte do plantel principal e jogar regularmente. Não é jogando na Taça da Liga uma vez por mês e com um onze totalmente sem rotinas que poderemos ver o potencial de certos craques, que, infelizmente, costumam acabar por se perder nas divisões inferiores até irem para o Chipre ou para a Grécia…

Amigo Paulo Fonseca (se ainda aí está): tem 48 jogadores, por favor não me diga que não existem alternativas. Podem não ter a qualidade dos principais, aí concordo. Jogadores como Alex Sandro, Lucho, Fernando, Mangala ou Jackson não têm substituto à altura (e não, não me estou a contradizer)! Mas, vamos lá ver, têm alternativa… Certo? E é isso o que nós, (des)Portistas, gostaríamos que entendesse! Chega de passar o Natal a ir a mercados estrangeiros!

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Vamos, num ano que seja, apostar na formação! Se não resultar, depois falamos… É bom lembrar que Mourinho chegou ao Porto e, do nada, fez… Tudo!

Por último, e passando por uma parte táctica, a prova de que equipa A não está em sintonia com a B: Paulo Fonseca joga num claro 1-4-(2+1)-3, ao passo que Luís Castro nunca abdicou de iniciar os jogos com o clássico 1-4-(1+2)-3. Não acham isto um pouco estranho, tendo em conta que a equipa B é uma dita “extensão” da A? Pode um jogador como Herrera adaptar-se à forma de jogar do Porto se quando joga pela equipa secundária a posição e a função não são as mesmas? Só se o único objectivo for ganhar ritmo, mas isso é pouco para aquilo que são as equipas B.

Costuma ser nos momentos de crise que se recorre àquilo que geralmente se põe de parte, espero que no meu Porto isso aconteça…

Bruno Fernandes, um talento que não engana

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Do Boavista para a Udinese em apenas duas épocas. Bruno Fernandes, médio ofensivo português, dificilmente imaginaria que, ao mudar-se para o Novara, teria uma ascensão tão rápida. Depois de uma grande temporada na Serie B, o jovem de 19 anos despertou a atenção dos principais emblemas italianos – estranhamente, a sua qualidade passou ao lado dos clubes portugueses –, mas optou por mudar-se para Udine (transferência no valor de 2,5 milhões de euros). Uma decisão que mostra que Bruno Fernandes, apesar de estar a mostrar um talento enorme de forma precoce, mantém os pés bem assentes na terra.

Bruno Fernandes teve uma ascensão meteórica / Fonte: cdn.record.xl.p
Bruno Fernandes teve uma ascensão meteórica / Fonte: cdn.record.xl.p

As boas exibições do português ao serviço da Udinese estão finalmente a dar-lhe o merecido protagonismo. O jovem já conquistou a titularidade – tem actuado como interior esquerdo, embora seja um 10 de origem – na equipa de Francesco Guidolin, estreando-se a marcar na última jornada da Serie A (empate a 3 no terreno do Nápoles). Fala-se inclusive no interesse de emblemas como a Juventus e o City, o que diz bem do potencial de Bruno Fernandes. É um jogador muito frágil fisicamente, mas com uma qualidade técnica espantosa. É rápido, tem uma excelente visão de jogo e destaca-se sobretudo pela facilidade com que cria desequilíbrios. Ainda assim, e apesar da sua juventude, mostra maturidade e inteligência táctica, cumprindo defensivamente. Aliás, a hipótese de no futuro vir a jogar um pouco mais recuado (como 8) não está, de todo, descartada.

Comparado com Pastore e com Rui Costa, Bruno Fernandes recebeu na temporada passada a alcunha de “Maradona de Novara”. Encantou tudo e todos (ignoremos os exageros), excepto os seleccionadores nacionais. Como se explica que não tenha sido opção para o Euro Sub-19 ou para o Mundial Sub-20? Parece óbvio que deveria ter sido convocado para, pelo menos, uma das competições. Numa fase em que a selecção principal não tem uma solução válida para a posição 10, podemos acreditar numa ida de Bruno Fernandes – que nem sequer é internacional sub-21 – ao Mundial do Brasil (isto se continuar a jogar com regularidade)? Sabendo da fraca aposta de Paulo Bento nos jovens, dificilmente isso acontecerá. Aproveitando esta questão, vejo, a médio prazo, jogadores com capacidade para colmatar a lacuna no meio campo ofensivo, órfão de um criativo desde a saída de Deco. Bruno Fernandes é um deles; Bernardo Silva, se o Benfica o permitir, é outra forte hipótese, tal como Rony Lopes (os dois últimos estão em clubes onde poderão ter poucas oportunidades). Ainda há Rafa, Tiago Silva e Tozé, que, não sendo um criativo, é um jogador dinâmico e com qualidade de passe e de remate.

É certo que Bruno Fernandes correu um risco quando decidiu sair para o estrangeiro tão cedo. No entanto, se tivesse ficado em Portugal muito provavelmente não teria a projecção que tem actualmente (e nada nos garante que não seria apenas um desconhecido). Graças ao seu talento e a boas opções de carreira, está no clube certo
para desenvolver o seu potencial. A Udinese dá bastante espaço aos jovens e, nos últimos anos, valorizou jogadores como Alexis Sánchez, Inler, Handanovic, Asamoah, entre outros. Esperemos que, para bem do futebol português, Bruno Fernandes seja o próximo.

Grandeza australiana

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cab Snooker

Foi bom mas já acabou. Um torneio que começou com 128 jogadores e que terminou com os dois primeiros no ranking mundial a lutar pelo título.

A final do williamhill.com UK Championship foi no domingo, dia 8, e fez de Neil Robertson o primeiro australiano a ganhar o ‘triple crown’ (conjunto de três torneios: o UK Championship, o World Championship, e os Masters).

Neil Robertson recuperou de 5-1 para campeão do UK Championship http://www.espn.co.uk
Neil Robertson recuperou de 5-1 para campeão do UK Championship
Fonte: ESPN.co.uk

O inglês Mark Selby, ou Mark The Shark, perdeu a final por 10 (19) 7, final essa que esteve a ganhar por 5-1. Robertson teve um regresso fabuloso, vencendo nove dos últimos onze frames.

Selby cometeu alguns erros, como por exemplo o grande falhanço de uma bola preta no 16º frame, mas isso não o impediu de levar para casa 70,533.30€ pela extraordinária entrada de 147 pts na semifinal contra Ricky Walden.

Durante todo o torneio vi braços a tremer, mas não tanto como nesta final. Apesar da vantagem do australiano, eram visíveis períodos de falta de confiança. A pressão é enorme! Perdeu algumas vezes o controlo da bola branca e o seu adversário ia percebendo o seu grande nervosismo. Mesmo assim, Robertson fez umas grandes jogadas e admitiu que só conseguiu esta vitória devido à presença dos seus pais.

Selby confessou a frustração com o seu jogo: “Estou desiludido com a minha performance. Joguei bem esta tarde, mas os últimos dois frames foram fundamentais, porque se eu tivesse chegado aos 6-2 até poderia ter sido diferente. Eu ainda tinha hipóteses suficientes esta noite (…). Neil jogou bem e mereceu a vitória.”

Vencendo um triple crown, Neil colocou-se ao nível de Steve Davis, Stephen Hendry, John Higgins, Ronnie O’Sullivan, Mark Williams, Terry Griffiths e Alex Higgins.

“É o mais emocionante que eu já tive depois de ganhar um título e a primeira vez que tenho lágrimas nos olhos”, disse Robertson. “Ganhar o triple crown significa que eu realmente me juntei aos ‘big boys’”.
Os Masters começam dia 12 de Janeiro e têm como fim dia 19, no Alexandra Palace, em Londres.

O galopar incessante da AJFB

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cab Volei

Mais um fim-de-semana e os resultados da primeira divisão masculina de voleibol traçam o rumo que prevejo há algum tempo – um Playoff disputado até à margem máxima de resultados em cada jogo entre os atuais principais candidatos ao título: AJ Fonte do Bastardo e SL Benfica.

No Sábado passado o Benfica havia igualado a nível de pontuação a AJFB, sendo que os terceirenses tinham um jogo a menos – disputando apenas no Domingo o confronto com a equipa “sensação” do CA Madalena.

Domingo à tarde, Praia da Vitória, Açores. Com o objetivo óbvio de manter o “galopar” em direção ao título, a Fonte, ao receber o CA Madalena, começa por “descair-se” no primeiro set, perdendo-o e fomentando as esperanças da equipa que detém a 3ª posição do campeonato, juntamente com o Castêlo da Maia. Um Madalena “sensação”, visto que subiu ao patamar mais alto da competição nacional este ano, que já conta com óptimas prestações e que tem inclusive dado algumas “dores de cabeça” em possíveis complicações nas contas da pontuação. A Fonte não deixou grandes oportunidades aos continentais, vencendo os sets seguintes, e deixando, no último, o Madalena “preso” nos 14 pontos do parcial.

A estatística não mente: João José contínua a mostrar a mais-valia que está a ser para a formação açoriana, sendo o segundo melhor blocador do campeonato. Caique Silva, também da Fonte, lidera no ataque, logo a seguir ao “vermelho e branco” Joan Diaz.

Alexandre Afonso - Treinador da AJFB  Record
Alexandre Afonso – Treinador da AJFB
Fonte: Record

Sendo assim, apesar de o Vitória SC não ter comparecido nos jogos nos Açores este fim-de-semana devido aos habituais problemas nas ligações áreas e de ainda haver datas a definir para estes jogos, a Fonte termina a competição de 2013 de forma tranquila. Na minha opinião, esta tranquilidade (que advém dos resultados mais do que claros desde o início da época) é um rascunho do final que fará da formação açoriana um dos mais claros e fortes candidatos ao título.

É certo que o galopar não cessará em 2014. Se isto acontecer, virá a reviravolta a que nos últimos anos se tem assistido – o Benfica volta ao primeiro lugar e a Fonte descai.

Carta ao Pai Natal

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milnovezeroseis
Olá, Pai Natal,

Sim, sou eu outra vez. Mas, por favor, não me ignores já. Tenta ler mais um pouco, porque eu prometo que desta vez o meu pedido é diferente. Aliás, este ano nem sequer te trago um pedido, mas um agradecimento. Estranho, não é? Por entre as centenas de milhões de cartas que recebes todos os Natais, a verdade é que ninguém se lembra de enviar um pequeno agradecimento pelo presente enviado. Nem uma carta. Nem um “Obrigado, Pai Natal”.

Tu, melhor do que ninguém, sabes que peço o mesmo presente desde miúdo. Tinha eu 10 anos quando quis pela última vez um jogo de playstation. A partir daí, nunca mais te escrevi por brinquedos, jogos, filmes ou bolas de futebol. Nem sequer uma gaja aos 15 e um carro aos 18 te pedi, porque o que eu queria era algo muito mais importante do que isso.

Pai Natal do Sporting / Fonte: educar.wordpress.com
Pai Natal do Sporting / Fonte: educar.wordpress.com

Mas porra, Pai Natal! Porra! Porquê tanto tempo? Por que me censuraste os pedidos durante mais de 10 anos? Tanto ignoraste as minhas cartas que os meus pedidos foram sendo mais pequeninos e modestos com o tempo. Comecei por pedir o Sporting campeão. Ignoraste-me. Uma e outra vez. Tanto me ignoraste e eu tanto desesperava que comecei a pedir-te apenas bons resultados europeus, Taças de Portugal, jogadores razoáveis, dinheiro nos cofres, 3ºs lugares. Deixaste-me chegar ao desespero de te escrever uma carta, lavada pelas lágrimas, em que só te fazia um pedido: que salvasses o Sporting Clube de Portugal.

A verdade é que hoje, depois de ter recebido o teu presente, já pouco penso no desespero que me fizeste sentir. Eu pedi-te a salvação do meu clube e tu deste-lhe um rumo. Não o colocaste automaticamente no topo, mas deste-lhe os homens que o tornariam possível. E, Pai Natal, eles tornaram. O meu clube está salvo, está vivo, e eu nunca estive tão orgulhoso dele.

No próximo ano voltarei a escrever-te, Pai Natal, mas não te pedirei mais nada. Nem a conquista do campeonato, nem uma contratação sonante, nem uma conquista europeia. Vou enviar-te, apenas, mais um agradecimento. Porque tu deste-me as pessoas que colocaram o Sporting onde ele deve estar sempre. E esse é um presente pelo qual nunca te poderei agradecer o suficiente.

Obrigado, Pai Natal.

Cinco Notas Soltas

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Pronúncia do Norte

1. A vitória sobre o Sporting de Braga. O FC Porto entrou nervoso e periclitante, esbarrando numa defesa subida e organizada, e foi novamente incapaz de ter um fio de jogo ao longo de todo o primeiro tempo. Na segunda parte, tudo mudou. A entrada de Carlos Eduardo ao intervalo e o consequente reposicionamento dos elementos do meio-campo ditaram uma melhoria substancial da produção ofensiva. Quando Paulo Fonseca se decidiu pelo óbvio – reinverter o triângulo e esquecer o duplo pivô -, a equipa soltou-se, cresceu e foi capaz de partir para um triunfo mais do que justo. Os últimos 45 minutos no Dragão parecem ter sido a resposta que o treinador anunciava há demasiadas jornadas. Terá sido o derradeiro “pontapé na crise”?

2. Carlos Eduardo e Kelvin. Os dois brasileiros, apostas frequentes na equipa B, nem sequer estão inscritos na Liga dos Campeões. No entanto, ambos podem aspirar a uma maior utilização na formação principal. Kelvin somou os primeiros minutos no campeonato e, dada a escassez de extremos de qualidade indiscutível no plantel, creio que pode (e deve) entrar mais frequentemente. Carlos Eduardo teve, pela primeira vez, a oportunidade de jogar uma parte inteira. A dinâmica que imprimiu à equipa e os pormenores técnicos que apresentou fizeram-no ganhar pontos importantes na luta por um lugar no meio-campo. Parece pronto para mais.

Carlos Eduardo foi uma das grandes figuras da última partida, frente ao Braga. / Fonte: Record
Carlos Eduardo foi uma das grandes figuras da última partida, frente ao Braga. / Fonte: Record

3. Importante e difícil confronto com o Atlético. O próximo desafio dos azuis e brancos é no Vicente Calderón. Embora não dependa somente de si para passar à fase seguinte, o FC Porto ainda pode chegar aos oitavos-de-final. Tem, nesta última jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões, a obrigação de se superar e de demonstrar cabalmente uma ruptura com o passado recente. Apesar de ter pela frente uma das melhores equipas da Europa, exige-se que vá a Madrid discutir os três pontos. Não é possível ganhar sem apresentar o nível da segunda parte da última partida e não é possível manter a estabilidade com mais uma derrota. Logo, é crucial, do ponto de vista anímico, fazer uma boa exibição e chegar a um bom resultado. Este jogo é a prova dos nove.

4. Regresso de Quaresma. Parece que o retorno do Mustang está praticamente consumado. Apesar da falta de ritmo competitivo (já não joga há mais de meio ano), das dúvidas em torno da sua condição física (foi operado nos últimos meses), das incertezas em relação à sua postura (se a sua carreira não foi mais brilhante foi porque a sua cabeça não o permitiu) e de eventuais dificuldades de entrosamento (não fazer a pré-época e entrar na equipa a meio do ano faz diferença), é inquestionável que Quaresma tem um talento fantástico. Embora esteja um pouco céptico em relação a esta transferência, espero que consiga fazer a diferença. Seria excelente para o FC Porto (e até para a selecção nacional) se Quaresma conseguisse reencontrar-se consigo próprio nestes próximos meses.

5. Renovação com Fernando. Está longe de ser oficial, mas já se gerou algum burburinho – na imprensa e nas redes sociais – em redor da renovação do contrato do “Polvo”. Parece que é provável que fique. Não me canso de o dizer: seria a melhor contratação que o FC Porto poderia fazer. Garantir a permanência de um médio com a qualidade de Fernando é fantástico, mas assegurar que há um jogador com o perfil indicado para envergar a braçadeira de capitão quando Lucho e Helton abandonarem o clube é ainda mais valioso.

Luis Suárez, El Pistolero

O meu artigo de hoje vai ser inteiramente dedicado a Luis Suárez, que nas últimas 10 jornadas da Premier League fez nada mais, nada menos do que 14 golos. O uruguaio é, sem dúvida alguma, a grande referência do Liverpool, e merece ser realçado que El Pistolero esteve suspenso durante as cinco primeiras jornadas da Premier League.

Luis Suárez vs West Brom / Fonte: Mirror.co.uk
Luis Suárez vs West Brom / Fonte: Mirror.co.uk

Suárez entrou na equipa na 3ª ronda da Taça da Liga Inglesa, que o Liverpool perdeu por 1–0 contra o Manchester United. Contudo, na jornada seis da Premier League, o uruguaio bisou logo contra o Sunderland, assegurando a vitória dos Reds. Desde então, Suárez assinou mais um bis, um hat-trick e um poker, marcando ainda vários golos que costumam embalar a equipa para a vitória.

Contra o West Brom, o ponta-de-lança rubricou uma exibição de luxo, marcando aos 12’ e aos 17’ minutos e finalizando a conta pessoal aos 55’ minutos, o que significa que nem de uma hora precisou para assegurar o hat-trick.

Já na passada semana, foi a vez do Norwich City sofrer na pele o que é jogar contra um Luis Suárez em grande forma – marcou quatro dos cinco golos da equipa de Merseyside, e que golos! É o 3º hat-trick que o avançado do Liverpool marca contra o Norwich City, a sua “presa” favorita.

Para se ter uma noção da importância do avançado, nos quatro jogos do Liverpool em que Suárez jogou e não marcou, os Reds perderam três e empataram o outro, deixando bem patente que o Liverpool não vive só do uruguaio, mas quase.

Porém, é de realçar que El Pistolero não resolve sozinho e a servi-lo tem dois grandes senhores, Steven Gerrard e Philippe Coutinho. O primeiro é um histórico do clube, que, com um pé direito de grande potência e precisão, é a grande figura do meio-campo do Liverpool. Já o segundo chegou em Janeiro deste ano e depressa se destacou como o grande criativo da equipa (diria mesmo maestro). Não só mexeu totalmente na estrutura, como rubricou de imediato grandes exibições.

Até ao regresso do uruguaio, o Liverpool viveu de Sturridge e Iago Aspas, com o primeiro destes a merecer destaque pelos golos importantes que foi marcando – contabiliza já, ao todo, nove golos.

Tabela Classificativa à 15ª jornada / Fonte: Premier League
Tabela Classificativa à 15ª jornada / Fonte: Premier League

O Liverpool não é um “oficial” candidato ao título, porém o 2º lugar augura uma boa campanha dos Reds, que têm ainda uma palavra a dizer esta temporada. Atualmente a 5 pontos da dianteira, será que este Liverpool tem o que é preciso para se manter na luta até ao fim?

Desafios adultos de um jovem atleta – Entrevista a Francisco Ferreira “Ferro”

entrevistas bola na rede

Francisco Ferreira é, a par de Florentino, duas das caras novas do plantel principal dos encarnados e conta com dois golos em outras tantas presenças na Primeira Liga. O jovem que fez grande parte da formação no Seixal sempre mostrou o desejo e ambição de representar o SL Benfica e recuperamos hoje uma entrevista antiga de Ferro ao Bola na Rede.

Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Francisco Reis Ferreira, defesa central que veste a camisola do SL Benfica há três épocas, conta com três internacionalizações ao serviço da equipa das Quinas.

Recentemente, tem sido destacado pelas suas prestações, a mais relevante fruto dos dois golos que marcou no derby de Juvenis A e pela notícia do contrato profissional assinado no passado dia 6.

Com seis anos de ligação ao SL Benfica, tomou o gosto pelo futebol na União Desportiva Oliveirense, clube onde jogava quando recebeu o primeiro convite, em 2009, para vestir a camisola de águia ao peito.

Vamos conhecer dimensões da vida deste jogador que extravasam os relvados. O desafio de viver longe da família, a sua forma de estar e de ser, e as suas expectativas para o futuro.

Imagem retirada do Facebook de Francisco Reis Ferreira
Facebook oficial de Francisco Reis Ferreira

BnR: Como foi o início da tua história no S.L Benfica?

Francisco Ferro [FF]: Quando tinha 12 anos, recebi o primeiro convite para integrar a equipa do SL Benfica e residir no centro de estágio. Porém, estive lá apenas dezoito dias… Não me adaptei porque nunca tinha estado tanto tempo longe dos meus pais. Não estava habituado a ter tanta autonomia e, com esta separação, não me senti preparado para dar este passo. Integrei a equipa da Associação Desportiva de Taboeira mas o Benfica continuou a acompanhar o meu percurso.

Grande desilusão na Grande Maçã

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Foi noticiado recentemente que Derrick Rose ficaria lesionado durante o resto da época, acontecimento que retirou o foco de um caso muito mais sério na NBA. O péssimo rendimento das duas equipas do estado de Nova Iorque, Brooklyn Nets e New York Knicks, está a causar um grande espanto na liga.

O incrível investimento feito pela equipa de Jay-Z durante o Verão está a surpreender de uma forma muito negativa, estando muito aquém das expectativas. Os Nets fizeram diversas trocas de perfil elevado ao trazerem os veteranos Paul Pierce e Kevin Garnett. Verdade seja dita, estes atletas não têm trazido nada de novo ao plantel. Paul Pierce não se tem sentido em casa como acontecia em Boston e Garnett não está com a presença extremamente intensa e intimidadora a que nos habituou. Incrivelmente, Pierce e Garnett marcam em conjunto uma média de 18 pontos por jogo, número que por si só é ridículo, uma vez que falamos de duas estrelas que marcam o desporto. Com o aparecimento de novos jogadores importantes e com o afastamento de atletas com menos qualidade, teoricamente, a qualidade dos Nets devia ser muito superior à apresentada, que tem sido, sem a mínima dúvida, desastrosa. Apesar de contar com um cinco inicial repleto de jogadores que podem ser considerados All-Stars, a equipa envergonha a cidade. Continuarei a falar deste desastre.

A segunda equipa, que tem provado ser uma tremenda desilusão esta época, é aquela que joga regularmente numa das arenas mais míticas da Grande Maçã. Situada dentro de Manhattan, Madison Square Garden já presenciou centenas de concertos, é a residência de Billy Joel e serve semanalmente de casa para duas equipas: os New York Rangers, equipa da NHL, e os New York Knicks. Os últimos têm sido um assunto de destaque devido à fraca qualidade de jogo demonstrada aos fãs.

Duas equipas que foram aos playoffs, fazendo parte das quatro melhores de uma conferência, estão actualmente no ponto oposto. Aliás, encontram-se numa situação muito mais delicada, pois estão classificadas entre as cinco piores equipas da liga de acordo com o seu historial de vitórias e derrotas.

A equipa de Brooklyn investiu bastante esta época, trazendo diversos jogadores e até mudando de treinador, acção que também está a ser um autêntico fiasco. É incrível como um ex-jogador com uma carreira que fala por si, está a manchar todos os seus feitos enquanto atleta, fazendo escolhas horríveis e treinando uma equipa que mais parece um conjunto de crianças a aprender a jogar basquetebol. Esta instituição e a própria carreira de Jason Kidd carecem de um estilo de jogo muito mais bonito, e neste preciso momento, muito mais eficaz. Em vinte jogos, a equipa de Brooklyn ainda só conseguiu celebrar a vitória por seis vezes. No entanto, uma das acções que mais furor causou na liga pertence a Kidd – o treinador dos Nets fez uma magia autêntica ao conseguir fazer parar o tempo. Passo a explicar o que aconteceu. Kidd entornou um copo de água “acidentalmente”, o que levou a um desconto forçado pelos árbitros para poderem secar o chão. Enquanto isso acontecia, a equipa técnica explicava o que os jogadores deviam fazer. O grande problema disto tudo, para além de uma multa de cinquenta mil dólares, é que os Nets não ganharam o jogo, para variar…

Ambos os jogadores têm estado muito aquém das expectativas. http://nextimpulsesports.com
Ambos os jogadores têm estado muito aquém das expectativas.
Fonte: nextimpulsesports.com

Por parte dos Knicks, não se percebe a ausência de resultados positivos. Apresentou apenas duas adições de peso, Andrea Bargnani, que na época passada teve boas exibições, e o mediático Metta World Peace, anteriormente conhecido por Ron Artest. As peças basilares da equipa continuam. Carmelo Anthony, Tyson Chandler, Raymond Felton, J. R. Smith fazem parte do plantel e apenas um está lesionado. Amar’e Stoudemire está a tentar voltar à forma que apaixonou os fãs nos seus tempos de glória, nos Phoenix Suns, e, mesmo assim, com estes jogadores disponíveis, são inexplicáveis os péssimos resultados de ambas as equipas. Há muita especulação à volta desta catástrofe. Pode ser causada por um confronto enorme de egos no balneário e pela incapacidade de os gerir por parte do treinador. Existe um enorme receio por parte dos fãs e da equipa. Receio da decisão de Carmelo Anthony, que acaba o contrato este ano, e de uma possível ida para os Lakers no final do Verão que se avizinha. Se juntarmos esses factores aos temperamentos de Metta World Peace e de J. R. Smith, dois jogadores muito inconstantes, poderemos ter explicações para as performances tão más.

É indubitável que a liga carece de uns Knicks e uns Nets que metam medo a qualquer um. Nova Iorque sente falta de equipas e de um ambiente fervoroso, além de qualidade de basquetebol soberbo. Infelizmente para a cidade e para os fãs, não se tem visto nada disso.

Jogadores que Admiro #6 – Dennis Bergkamp

jogadoresqueadmiro

A primeira vez que vi Dennis Bergkamp jogar foi numa antiga cassete do meu pai. Era muito novo na altura; antes mesmo de ter computador ou acesso à internet, tinha já dentro de mim o dito “bichinho do futebol”. A cassete era uma daquelas antigas, uma compilação dos melhores momentos, golos e jogadas dos Mundiais e Euros até então (e que saudades desses vídeos, ao invés dos clips de baixa qualidade e músicas de fundo manhosas de hoje em dia). Não me lembro contra quem foi – não consegui encontrar o vídeo no Youtube – mas acredito que tenha sido marcado na altura do Euro de 1992 – Van Basten, Gullit e um “jovem avançado”, jogavam todos na mesma equipa. Desde esse momento que posso afirmar que Dennis Bergkamp foi, provavelmente, o jogador que mais gostei de ver jogar até aos dias de hoje.

Dennis Bergkamp – lenda e símbolo do Arsenal / Fonte: www.telegraph.co.uk
Dennis Bergkamp – lenda e símbolo do Arsenal
Fonte: The Telegraph

Agora é a parte em que argumento o porquê da minha escolha. Não o vou fazer. Qual é o propósito de começar para aqui a apresentar palmarés, estatísticas e a história de Bergkamp? Até porque Dennis Bergkamp nunca foi sinónimo de prémios individuais. Não dos grandes, pelo menos – foi duas vezes nomeado o 3.º melhor do mundo. Mas a magia no jogo de Bergkamp nunca foi a de marcar mais golos, ou a de ter mais nomeações para melhor do mundo, ao contrário de hoje, que parece que é a coisa mais importante no futebol moderno. Não. A magia no jogo de Bergkamp residia no pormenor. Na técnica, na classe, na elegância do toque de bola, na visão de jogo superior, na capacidade de execução certeira. Bergkamp era o mago do minimalismo, aquele que, com quase nada, tudo fazia. E é disso que se deve falar.

The Non-flying Dutchman” (alcunha carinhosamente atribuída pelos adeptos do Arsenal devido à sua fobia de voar em aviões) jogou em três posições ao longo da sua carreira. Jogou a médio-ala no seu início de carreira, no Ajax, no Inter de Milão e na Selecção, e jogou como ponta-de-lança nos seus primeiros anos no Arsenal. Mas foi enquanto segundo avançado que Bergkamp mostrou ao mundo do futebol toda a extensão das suas habilidades. Até hoje, não consigo encontrar ninguém que tenha jogado ao nível em que Bergkamp jogou na posição de segundo avançado. Um terror para qualquer defesa, Dennis Bergkamp era o motor ofensivo da equipa do Arsenal na década em que representou as suas cores. As suas combinações, com avançados como Wright, Anelka e Henry, levaram a uma das melhores épocas da história do clube na Premier League.

Marcar um jogador como este é praticamente impossível. Marcação apertada era mentira – Bergkamp era exímio no primeiro toque e bastava um ou dois movimentos para desembaraçar-se de um defesa e arranjar espaço para distribuir jogo. Marcação à zona era suicídio – dono de um remate colocadíssimo, dar espaço fora da área ao holandês era sinónimo de muitos golos sofridos. Dois homens a marcá-lo? Bergkamp era como um maestro que compreendia como ninguém a movimentação dos seus companheiros de equipa. Era capaz de isolar e desmarcar com um simples toque de primeira. Mas desengane-se o leitor se pensa que estas capacidades se deviam ao seu porte físico. Dennis Bergkamp era um jogador franzino, não era possante nem excessivamente rápido. Aquilo que destacava Bergkamp dos outros era, pura e simplesmente, uma capacidade técnica fora-de-série. Há jogadores que utilizam essa dádiva superior para fintar até ao fim dos seus dias, outros que usam e abusam de um dado movimento técnico só porque o sabem fazer melhor do que os outros. Mas Bergkamp era diferente – sabia usar a sua técnica e aplicava-a com uma classe incomparável. Era capaz de receber um balão que vinha do meio-campo, dominar a bola com um toque, tirar o defesa com outro e finalizar ao terceiro – como de resto fez, no mítico golo marcado à Argentina para o Mundial de 1998, que valeu a passagem às meias finais da competição.

Mundial 98 – Bergkamp elimina Argentina com um golo de antologia / Fonte: www.operationsports.com
Mundial 98 – Bergkamp elimina Argentina com um golo de antologia
Fonte: operationsports.com

Dennis Bergkamp foi um jogador como nenhum outro. Foi líder e general de campo em grande parte da sua carreira. Tratava a redondinha como ninguém na sua geração e produziu vários momentos dignos de serem vistos, uma e outra vez, por verdadeiros amantes do futebol. À semelhança de muitos outros, acredito em que o seu génio nunca tenha sido realmente reconhecido e o seu talento suficientemente valorizado. Era um jogador prático e objectivo, senhor do minimalismo, mas que espalhava classe com o mais pequeno toque na bola. Para quê fazer trinta por uma linha para fintar um único defesa, quando um simples domínio e passe curto à esquerda libertam o ala que pode assim finalizar? Quando discuto com amigos e conhecidos sobre quem figuraria num melhor onze de sempre, Bergkamp era titularíssimo na minha equipa. Não só jogava, e muito, como conseguia pôr toda uma equipa a jogar. Se alguma equipa se esquecesse da sua presença durante meros minutos, normalmente acabava a ir buscar a bola ao fundo das redes, sem saber bem o que tinha acontecido. Nesses momentos, lá aparecia o nome de Bergkamp no placard electrónico, o suspeito do costume. Só depois, à terceira repetição, é que lá se via o holandês, com um passe magistral, uma tabelinha mortífera, um chapéu sublime, um remate que passou meio despercebido mas que tinha as coordenadas correctas. Felizmente, existem provas das “maldades” do “Non-flying Dutchman”. Basta ver as gravações dos jogos.

Nunca vi ninguém aproveitar espaços tão pequenos como Bergkamp. Dá impressão de que a jogar dentro de um armário e às escuras saía de lá com a bola controlada. Foi o jogador que provavelmente marcou ou criou os melhores golos que já vi. Uma classe de senhor, dono de um toque de génio e de uma visão a roçar o sobrenatural. Não tenho qualquer dúvida de que Dennis Bergkamp é, para mim, um dos melhores de sempre. E posso estar aqui a noite inteira a falar da pura magia que aqueles pés produziam. Melhor mesmo é ver alguns destes momentos.