Início Site Página 11024

SC Farense 1-2 SC Braga: Justo, mas desajustado

A CRÓNICA: ÁGUA GELADA NO ALGARVE, UMA NOVIDADE

O SC Braga regressou às vitórias no momento mais a sul do tempo de jogo, no estádio mais a sul do campeonato português (em Portugal Continental). O SC Farense, por seu turno, viu um ponto fugir de forma inglória, após um jogo de grande qualidade.

Início de partida de qualidade inegável, com a equipa da casa a superiorizar-se e a criar perigo por Pedro Henrique e Ryan Gauld, nos primeiros 15 minutos, momento que marca o equilibrar do encontro pelos arsenalistas. E são mesmo os de Braga a adiantarem-se no marcador.

João Novais bateu o canto pela direita do seu ataque e a bola viajou num voo sem turbulência até à cabeça de Al Musrati, onde “fez escala” a caminho da baliza à guarda de Beto. Canto cá, canto lá. Cinco minutos volvidos e restabelecimento do empate, com Ryan Gauld a colocar a bola na cabeça de Pedro Henrique, também na sequência de um canto pela direita. O intervalo chegou sem se dar por ele para recolher a igualdade no marcador, enquanto os intervenientes recolheram aos balneários.

Segunda parte de bom futebol, à semelhança da primeira, mas com menos oportunidades claras de golo. A primeira verdadeiramente digna de registo surgiu aos 79 minutos, por intermédio de Pedro Henrique, que, de cabeça, colocou à prova Matheus. O guardião brasileiro passou com distinção.

Reta final com dois momentos vitais para a resolução da partida. No primeiro desses momentos, Lucca e Pedro Henrique, de novo na sequência de um canto pela direita batido por Gauld, viram Matheus, por duas vezes, evitar o golo da vantagem algarvia.

No segundo momento, já em período de descontos, o SC Braga alcançou a vantagem que havia escapado aos algarvios minutos antes. Bom trabalho de Galeno, que apareceu tarde mas a boas horas para cruzar para um primeiro remate ao poste, que foi completado pelo cabeceamento vitorioso de Sporar.

Vitória justa da equipa que fez mais golos, mas desajustada em relação ao que se passou em campo. Não mereciam o banho de água gelada os jogadores algarvios.

 

A FIGURA

Ryan Gauld – Apesar de mais uma aparição de “São Matheus”, o prémio vai para o suspeito do costume. O médio escocês continua a mostrar qualidade, criatividade e trabalho incansável, um tridente de características que fazem dele o melhor jogador da turma farense e o melhor em campo neste 5 de abril de 2021.

 

O FORA DE JOGO

Galeno – Apesar da contribuição fulcral para o golo da vitória, esperava-se mais e o SC Braga precisava de mais do criativo brasileiro. Jogo apagado do ala esquerdo dos arsenalistas, que, ainda assim, conseguiu ajudar a equipa. Se for sempre assim, não vem mal nenhum ao Mundo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SC FARENSE

No momento defensivo, os algarvios apostaram num 4-5-1 que, por vezes, se convertia num 4-4-2, com um dos médios – o mais próximo da zona da bola – a auxiliar Pedro Henrique – regra geral – ou Bilel na pressão, este último quando o primeiro descaía para a direita.

Sobretudo no segundo tempo, os pupilos de Jorge Costa apresentaram um bloco mais baixo e mais condensado na hora de defender, evitando – pelo menos na forma tentada – que os criativos do SC Braga (Piazón, Ricardo Horta, João Novais, Galeno) encontrassem espaço entre linhas para trabalhar a construção bracarense nos últimos dois terços.

Nos seus ataques, a turma de Faro apostava muito num jogo vertical assente em bolas aérea em busca de Pedro Henrique. Quando o “96” dos alvinegros conseguia segurar a bola, esperava o apoio frontal de um dos médios – que, por norma, era Gauld. A manutenção da bola permitia igualmente a subida do lateral mais próximo da zona da bola.

Quando no último terço, os ataques desenvolvidos pelos farenses eram fugazes e pragmáticos, com os de Faro a procurarem o jogo aéreo ou uma finalização lesta, mesmo que com alguma distância a separar o esférico da linha de baliza e mesmo que o ângulo de remate não fosse o mais propício à concretização eficaz do lance.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Beto (6)

Tomás Tavares (6)

César Martins (6)

Eduardo Mancha (6)

Abner (5)

Amine (6)

Fabrício Isidoro (4)

Lucca (6)

Ryan Gauld (8)

Bilel (5)

Pedro Henrique (7)

SUBS UTILIZADOS

Madi Queta (6)

Mansilla (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – SC BRAGA

A turma de Carvalhal voltou a mostrar-se camaleónica, dando por corroborada a ideia cada vez mais badalada de que “não interessam os sistemas, interessam as dinâmicas”. Pois bem, no momento de ataque posicional, os arsenalistas mostraram várias disposições e movimentações, com particular incidência para duas.

Uma delas assentava na utilização de três defesas – os centrais de raíz e Borja – na primeira fase de construção, com Galeno e Esgaio a darem total largura, na esquerda e na direita, respetivamente. Esgaio era, nestes casos, muito procurado em profundidade, enquanto Galeno investia a maioria do seu tempo em movimentos interiores, movimento natural de um destro a jogar pela esquerda.

Na segunda opção mais utilizada pelos homens de Carvalhal, Borja era recolocado no seu lugar de origem – a lateral esquerda – e a construção fazia-se pelos centrais com o apoio de Al Musrati. O médio líbio, diga-se, também na outra forma de construir era o elemento de ligação.

No entanto, a segunda forma de estar em ataque posicional dos bracarenses forçava Musrati a maiores trabalhos, uma vez que a utilização de dois centrais visava precisamente um maior jogo interior do meio campo para a frente, com Galeno a posicionar-se por dentro por mais tempo, visto a ala esquerda estar entregue a Borja, qua abandonava a posição de central.

No momento de defender, o SC Braga exibia-se, geralmente, num 4-4-2, visando não deixar construir ou respirar a equipa adversária, com uma pressão grande logo sobre os primeiros pilares de construção.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Matheus (8)

Ricardo Esgaio (6)

Tormena (6)

Raúl Silva (6)

Cristián Borja (6)

Galeno (4)

Al Musrati (7)

Lucas Piazón (6)

João Novais (7)

Ricardo Horta (6)

Abel Ruiz (5)

SUBS UTILIZADOS

Nico Gaitán (5)

Sporar (5)

André Horta (5)

Rolando (-)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

SC Farense

BnR: O SC Farense, ofensiva e defensivamente, parece ter cumprido o seu plano durante todo o jogo, mas tudo caiu por terra nos momentos finais. Para sair daqui com pontos, faltou ao SC Farense mais eficácia ofensiva ou mais eficiência defensiva?

Jorge Costa: Acima de tudo, faltou eficácia. Jogámos contra um dos grandes, uma das melhores equipas do nosso campeonato. Foi mais demérito nosso do que mérito do Braga. Controlámos sempre o jogo com e sem bola. Conseguimos ter bola, conseguimos sair em transições rápidas, ter oportunidades claríssimas de golo. Mas, em alta competição, quando não marcas nas oportunidades… Não levarmos pontos hoje tem a ver com isso, faltou eficácia.

 

SC Braga

BnR: O SC Braga teve alguma dificuldade em encontrar a profundidade do Esgaio e o jogo interior, à medida que o bloco do SC Farense se foi condensando. Houve mais mérito da equipa adversária ou faltou algo ao SC Braga para ser a equipa dinâmica que conhecemos?

Carlos Carvalhal: Houve mérito do SC Farense e demérito nosso. O jogo interior existiu, mas não conseguimos encontrar o espaço que queríamos na área do SC Farense. Não eramos lestos a procurar o André Horta nem o Nico Tinhamos que buscar outras soluções. Perdemos capacidade de jogar entre linhas e, nas transições, o SC Farense criou-nos perigo.

Oeiras I Challenger 2021 | A participação portuguesa no torneio

0

O Oeiras I, como o nome indica, foi o primeiro de dois torneios Challengers 50 jogados no Jamor. Entretanto, durante esta semana, o presidente da Federação Portuguesa de Ténis (FPT), Vasco Costa, anunciou, também, a realização de mais um torneio deste nível no Jamor, o Oeiras 3, na semana de 24 de maio.

A participação portuguesa começou bem cedo na prova, quando seis tenistas tentaram garantir um dos quatro lugares de acesso ao Quadro Principal (QP). A primeira ronda correu muito bem e tivemos quatro portugueses a passar à última ronda de qualificação, Pedro Araújo, Luís Faria, Francisco Cabral e Tiago Torres, infelizmente foram os quatro derrotados nesta última ronda. Ainda assim, Francisco Cabral e Luís Faria acabaram por entrar no quadro como Lucky Losers (LL).

Fechado o QP, eram seis os portugueses que iam tentar chegar o mais longe possível no Jamor. Para além dos dois LL, Gonçalo Oliveira, qualificado diretamente, e Tiago Cação, Nuno Borges e Gastão Elias, que beneficiaram de wild card, foram os representantes portugueses.

Fonte: Federação Portuguesa de Ténis

Tiago Cação, que chegou aos quartos-de-final da prova, acabou por ter a sua melhor semana profissional. Este resultado foi particularmente especial para o tenista lisboeta que treina diariamente no Jamor e pôde viver “em casa” a melhor semana da sua carreira. Ao falar desta semana, Cação fez questão de realçar o valor que esta semana teve para ele: “Espero que seja uma semana de mudança na minha carreira. […] Espero que me ajude a ter bons resultados daqui para a frente”.

O melhor português, ainda assim, acabou por ser Gastão Elias. O tenista natural da Lourinhã teve um percurso sinuoso no início, mas, assim que chegou à velocidade cruzeiro, foi difícil pará-lo. No acesso à final, tinha pela frente um jogador que o tinha derrotado há pouco mais de um mês na final do ITF de Vale do Lobo, mas, tal como o português fez questão de realçar, as circunstâncias eram bastante diferentes e, em terra batida, o português poderia ser visto como favorito à chegada à final.

O português entrou melhor no encontro e conseguiu vencer o primeiro set com duplo break de vantagem. No segundo set, as coisas começaram por se complicar, perdendo logo o seu jogo de serviço, mas deu a volta por cima e venceu a segunda partida por 7-5. No final do encontro, Gastão Elias disse que a consistência era o ponto forte do seu adversário, mas disse também que sentiu que o adversário não tinha nenhuma pancada que lhe pudesse fazer mossa.

Desde 2017 que Gastão Elias não chegava ao último encontro de um torneio Challenger. Neste último encontro ia ter pela frente Zdenek Kolar, o carrasco de Nuno Borges e Tiago Cação.

Na final e, como admitiu Gastão Elias, o jogador checo foi superior e causou dificuldades que o português não conseguiu superar. Ainda assim, foi uma semana extraordinária de Gastão Elias que voltou à final de um Challenger mais de três anos depois. Depois desta semana, o tenista da Lourinhã já aponta as baterias para a próxima semana, para o Oeiras II.

Foto de Capa: Federação Portuguesa de Ténis

SL Benfica x CS Marítimo | Águias procuram meter a sexta

0

Primeira Liga, Jornada 25: segunda-feira, 19h, 5 de abril de 2021

ANTEVISÃO: ENCARNADOS PROCURAM SEXTA VITÓRIA CONSECUTIVA

Após o período de paragens para a realização dos jogos de qualificação para o Europeu de futebol, a Primeira Liga volta ao ativo, assim como o SL Benfica que recebe, no Estádio da Luz, o Clube Sport Marítimo pelas 19 horas de hoje.

UM SL BENFICA NUMA BOA FASE RECEBE O AFLITO CS MARÍTIMO. DEPOIS DE VENCER FC PORTO E SPORTING CP, CONSEGUIRÃO OS INSULARES FAZER NOVA SURPRESA? APOSTA COM A BET.PT!

Os encarnados vêm de um bom registo com quatro vitórias e um empate nos últimos cinco jogos da competição, estando a lutar por um lugar que dê acesso à Liga dos Campeões na próxima temporada. Por sua vez, o CS Marítimo tem apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, contando ainda com um empate e três derrotas que ajudaram a agravar a crise de resultados dos insulares que se encontram abaixo da linha de água, estando na zona de despromoção.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. SL Benfica e CS Marítimo defrontaram-se por 96 ocasiões na história com clara vantagem para os encarnados. São 66 vitórias para as “águias”, 18 empates e 12 vitórias para os insulares.
  2. Para a Primeira Liga realizaram-se, até à data, 82 jogos e o SL Benfica contabiliza 54 triunfos e 17 empates.
  3. Na Primeira Liga, nos encontros realizados na Luz, o SL Benfica venceu 35 dos 40 jogos disputados, registando 88% de vitórias caseiras neste parâmetro.
  4. A média de golos sofridos pelo CS Marítimo em jogos frente ao SL Benfica é de 2,47 golos por jogo, enquanto no que toca a golos marcados é de 0,79 golos/jogo.
  5. O CS Marítimo encontra-se na 18° posição da tabela da Primeira Liga com 21 pontos. Por sua vez, o SL Benfica tem 51 pontos e está na terceira posição.
  6. Julio Velazquéz é o terceiro treinador na presente temporada a assumir o comando técnico do CS Marítimo depois de Lito Vidigal e Milton Mendes terem sido dispensados à conta dos maus resultados.
  7. O SL Benfica tem, em média, 62% de posse de bola nos seus jogos, liderando o campeonato nesta estatística. Por sua vez, o CS Marítimo não vai além dos 43,6%.
  8. O CS Marítimo é o terceiro pior ataque da liga, com 21 golos marcados, apenas atrás do Rio Ave FC e do Belenenses SAD. É ainda a segunda pior defesa a par do Boavista FC com 37 golos sofridos apenas superados pelo Tondela que tem 39.
  9. O melhor marcador da equipa da Madeira é Rodrigo Pinho com nove remates certeiros, enquanto Haris Seferovic é o marcador de serviço dos encarnados com 14 tentos, sendo o segundo melhor marcador do campeonato.

10. Seferovic marcou nas últimas quatro jornadas consecutivas e vem numa excelente forma. Rodrigo Pinho cumprirá um jogo de castigo e estará ausente da partida frente ao SL Benfica.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Seferovic é o melhor marcador do SL Benfica na Primeira Liga
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Haris Seferovic (SL Benfica) -Está numa forma invejável para qualquer ponta de lança. São já quatro golos em outros tantos jogos, consecutivamente. Certamente pretenderá voltar a fazer o gosto ao pé novamente.

Atualmente é o segundo melhor marcador da Primeira Liga, a um golo de Pedro Gonçalves, que conta com 15 golos na sua conta pessoal.

Joel Tagueu (CS Marítimo) – Com a ausência de Rodrigo Pinho, o homem golo deste CS Marítimo, Tagueu é o “homem golo” da equipa insular. Tagueu é o segundo melhor marcador do CS Marítimo na Primeira Liga, com seis golos e é sempre uma ameaça para as redes adversárias.

O ponta de lança camaronês está a fazer uma das melhores temporadas da sua carreira e certamente pretenderá marcar no jogo frente aos encarnados.

 

XI`S PROVÁVEIS

SL Benfica: Helton Leite; Diogo Gonçalves; Lucas Veríssimo; Otamendi; Vertonghen; Grimaldo; Weigl; Taarabt; Rafa; Waldschmidt e Seferovic.

Treinador: Jorge Jesus

“O Marítimo é um clube histórico do nosso campeonato, a classificação (16.º lugar) não tem muito a ver com o valor da equipa, que eliminou o Sporting [Taça de Portugal] e venceu no Dragão”.

CS Marítimo: Abedzadeh; Winck Neto; Jean; Zainadine; Andrade; Hermes; Bambock; Guitane; Milson; Sassa e Joel Tagueu.

Treinador: Julio Velázquez

Previsão de resultado: SL Benfica 2 x 0 CS Marítimo

O jogo das cadeiras dos treinadores mundiais

Hoje escrevo sobre um tema que me é bastante querido e que está relacionado com a forma, na minha perspetiva muitas vezes absurda, como são tratados os treinadores de futebol um pouco por todo o mundo. Como em todas as áreas profissionais, há pessoas mais ou menos competentes, há pessoas que chegam a cargos de importância pelo mérito e pelo percurso consistente e outros que “dão o salto” sem grande currículo ou percurso que o justifique. Relativamente a este ponto não me vou pronunciar e até posso entender que exista alguma revolta, por vezes até dentro da própria classe profissional, porque como se costuma dizer “uns são filhos e outros enteados” e isto é algo que nunca cai bem.

A perspetiva que venho abordar no presente texto, já é uma “fase dois” do processo de contratação dos treinadores, que tem que ver com o pavio curto e total falta de confiança e crença nos projetos, ou em alguns casos um “desgaste” injustificado.

Não raras vezes, vemos treinadores titulados, com provas dadas nesse mesmo clube, a serem completamente secundarizados e arrasados por opções táticas ou por determinados resultados menos positivos, tanto do lado da comunicação social como do lado dos próprios adeptos e dirigentes. Um treinador pode ter ganho dois ou três campeonatos num clube, mas se tiver uma época menos positiva, fica imediatamente posicionado para a saída. Só raras vezes (normalmente em clubes com uma estrutura organizacional e liderança muito forte), se consegue resistir a esta “pressão social” que pretende ver sempre a mesma cabeça a rolar, mesmo que existam mil fatores externos a influenciar o rendimento da equipa, como falta de investimento, lesões, problemas de balneário ou erros de arbitragem. Diria até, que em alguns casos o fator sorte é absolutamente preponderante para a continuidade de um treinador.

Falando no caso concreto de Portugal, temos números assustadores. A quantidade de técnicos que são despedidos no decorrer de cada época desportiva é aterrador e um sinal claro da falta de memória de adeptos e dirigentes. Analisando o momento atual, e tendo em conta a boa época do Sporting Clube de Portugal, temos treinadores titulados e conceituados, como Sérgio Conceição, Jorge Jesus ou Fernando Santos, constantemente debaixo de fogo. Quando não ganham, não servem. Quando ganham, também não servem porque as equipas alegadamente jogam mau futebol.  Mesmo quando ganham e as estatísticas comprovam que a equipa foi melhor em todas as vertentes do jogo, muito vezes vem o discurso do “não me identifico com as ideias” ou então “já é muito tempo com o mesmo treinador, precisamos de algo novo”. Os portugueses nunca estão bem com a vida que têm, e não há nada que os deixe mais entusiasmados do que apresentar um novo técnico ou novos jogadores. Antes de tudo começar, quando a única coisa que existe é expectativa, é talvez o único período do ano em que o grosso dos adeptos portugueses está feliz.


Uma mentalidade que nunca vou conseguir entender. A falta de coerência de pensamento é uma coisa que me incomoda e que tenho dificuldade em aceitar. Eu assumo-me como um resultadista puro, alguém que olha para títulos, resultados e números. Por isso mesmo, nunca ninguém me viu defender que um treinador tem de ser substituído porque ganha, mas pratica mau futebol ou não me identifico com as ideias. Percebo que existam adeptos que não sejam tão centrados nos resultados e mais na parte estética do jogo, mas então que não venham mais tarde defender que o treinador da sua equipa deve abandonar o projeto porque tenta implementar uma ideia de jogo mais romântica, que permite boas exibições, mas que aqui ou ali acaba por claudicar nos resultados finais. Equipas perfeitas existiram muito poucas ao longo da história e é necessário entender que o futebol não é, nem nunca será, uma ciência exata, ainda que existam indícios que ajudam a explicar muita coisa.

Depois ainda há outra questão: o acreditar num projeto e numa ideia. Quando um clube ou os próprios adeptos defendem a contratação de um técnico para orientar a sua equipa, têm de se lembrar que contratam alguém pelo seu todo, com determinadas ideias e conceções de jogo e com todos os defeitos e qualidades que estão inerentes. Esta cisma de contratar um treinador (e vamos criar uma situação hipotética) que joga em 3x5x2, normalmente mais numa toada de transições rápidas e depois ficarmos aborrecidos porque ele não joga em 4x3x3 procurando a posse de bola a toda a hora, simplesmente não faz sentido. Se contratamos alguém, temos de acreditar nas suas ideias, principalmente quando é alguém com provas dadas. Todos os treinadores têm as suas limitações: uns são bons no momento defensivo e têm dificuldade em assumir o controlo do jogo, uns assumem bem o jogo mas têm imensas dificuldades quando não estão com a posse de bola, uns não conseguem montar equipas que fazem a diferença nas bolas paradas enquanto outros são fortíssimos nesse momento do jogo. O futebol é rico em ideias, em sistemas, dinâmicas e variantes e é preciso deixar os treinadores brilharem naquilo em que são bons e podem fazer a diferença, ainda que aquela ideia não seja a minha conceção de futebol ideal. Inteligente é aquele que percebe as suas forças e as suas limitações.

Terminado este meu desabado, trago para a discussão dois países – Turquia e Brasil – para dar dois exemplos práticos.

No campeonato turco, com mais de trinta jornadas disputadas, já se registaram vinte e oito despedimentos ou demissões de treinadores, sendo que o campeonato é constituído por vinte e uma equipas.

O Kayserispor, por exemplo, já vai no quarto treinador, sendo que, pelo meio, ainda teve mais dois interinos. Mas estes números surreais não ficam por aqui, o Gençlerbirliği e o Kasimpasa também já tiveram quatro técnicos (só nesta época) enquanto o Denizlispor e o Erzurumspor três. Nesta dança de treinadores, só cinco clubes não fizeram qualquer alteração no comando técnico desde o início da temporada.  Destaque para um facto que me parece de louvar – existem apenas dois treinadores estrangeiros nesta vasta lista, e um até é português – Ricardo Sá Pinto, que apesar de um começo difícil, parece ter encontrado alguma estabilidade. O treinador português está no comando do Gazinatep desde janeiro e, entretanto, até já foi um dos destaques apontados pelo jornal Fanatik.  O antigo treinador do Sporting Clube de Braga venceu três jogos, empatou quatro e perdeu outros quatro. Os números não são brilhantes, mas permitiram à equipa subir na tabela classificativa e começar a respirar com mais tranquilidade.


No ponto absolutamente oposto, a Confederação Brasileira de Futebol decidiu limitar as trocas de técnicos, impondo restrições a clubes e treinadores nas Séries A e B do campeonato brasileiro. A partir de 2021, o Campeonato brasileiro tem uma nova regra, sendo que agora cada equipa só pode ter apenas dois técnicos ao longo da competição, assim como os treinadores só podem trabalhar em dois clubes ao longo da temporada. Esta limitação pode trazer mudanças importantes não só no planeamento como na administração dos clubes. Para os profissionais envolvidos no futebol, e na senda do que fui falando anteriormente, esta estabilidade será um fator positivo para a implementação dos projetos desportivos.

​Desde que a alteração foi divulgada, muitos especialistas têm questionado a legalidade desta norma, tendo em vista que, num primeiro momento, poderá existir uma violação do princípio da liberdade do trabalho. No entanto, a limitação do número de demissões de técnicos não foi imposta pela entidade máxima de administração do desporto, mas sim deliberada e votada pelos respetivos clubes, sendo que nada proíbe a contratação de mais do que dois técnicos, desde que não seja para serem treinadores principais das equipas seniores.

​Teremos aqui um primeiro sinal para o futuro?

Moreirense FC x Sporting CP | Ganhar balanço para fazer história

Primeira Liga, Jornada 25: segunda-feira, 21h00, 5 de abril de 2021
ANTEVISÃO: DEPOIS DA PAUSA, MANTER OS HÁBITOS, OU SEJA, VENCER

O líder Sporting CP desloca-se, nesta segunda-feira, a Moreira de Cónegos, para defrontar o oitavo classificado, o Moreirense FC. Após a vitória do FC Porto frente ao CD Santa Clara no passado sábado, os leões estão, de momento, com sete pontos de vantagem, no primeiro lugar. Por outro lado, e apesar de contar com três treinadores em 25 jornadas do campeonato, o Moreirense ocupa o tranquilo oitavo lugar, com dois pontos de vantagem do nono e a dois pontos do sétimo.

O MOREIRENSE DE VASCO SEABRA VEM DE UMA DERROTA PESADA FRENTE O FC PAÇOS DE FERREIRA E PRECISA DE PONTOS PARA SE MANTER FORA DA CORRIDA PELA MANUTENÇÃO. CONSEGUIRÁ SURPREENDER O LÍDER? APOSTA COM A BET.PT!

Rúben Amorim conta com o plantel na máxima força para o primeiro embate após a paragem para os jogos da qualificação do Mundial 2022. Paulinho deverá ser opção, visto que já conta com algumas semanas de treino pós lesão; também o capitão Sebastián Coates deve regressar ao seu lugar, no centro da defesa leonina.

Por outro lado, a equipa da casa conta com três indisponíveis. Pedro Nuno, Pedro Amador e Sori Mané não vão a jogo, devido a lesão. Enquanto, nos leões, a tática é fácil de adivinhar (será um 3-4-3 ou um 3-4-1-2), na equipa de Vasco Seabra, a dúvida é grande. Pode-se apresentar no seu habitual 4-4-2, com mais cautelas defensivas, face ao caudal ofensivo dos leões, ou então pode assumir uma estratégia diferente, existindo a possibilidade de assumir uma espécie de 3-4-3, como mostrou no empate caseiro frente ao SL Benfica. Seja qual for o esquema usado, o que é certo é que deverá ter sido muito bem trabalho, face às várias semanas de interrupção e aos poucos jogadores nas seleções.

 

10 DADOS RÁPIDOS

  1. O Sporting CP é a melhor defesa da liga a jogar fora de portas, tendo sofrido apenas cinco golos.
  2. O Moreirense FC já não ganha em casa desde dezembro de 2020.
  3. A última vitória dos visitados em Moreira de Cónegos, para o campeonato português, foi em setembro de 2003 (1-0).
  4. Os guardiões de ambas as equipas (Pasinato e Adán) são os jogadores com mais minutos de parte a parte, ambos com 2160.
  5. Este ano, os leões raramente sofrem golos fora de portas; no entanto, desde 2003, apenas por duas ocasiões a turma de Alvalade regressou a Lisboa com a baliza a zeros.
  6. Nos 12 jogos realizados na condição de visitante, para esta edição da Primeira Liga, o Sporting CP marcou dois golos ou mais em dez partidas.
  7. O Moreirense FC é a equipa que mais empata em casa na Primeira Liga.
  8. Das oito vezes em que o jogo foi empatado para o intervalo, o Sporting CP acabou por vencer em sete ocasiões.
  9. Sempre que o Moreirense esteve a perder ao meio tempo, nunca conseguiu dar a volta ao marcador.
  10. O treinador do Sporting CP, Rúben Amorim, é primo do jogador do Moreirense FC, David Simão.

 

JOGADORES A TER EM CONTA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Sebastián Coates- Tem sido “a estrelinha” em pessoa. O capitão é a cara deste Sporting CP. Tem se mostrado extremamente focado, competente e, aos 30 anos de idade, está no melhor momento de forma da sua carreira. Neste jogo, recuperará o seu lugar na defesa leonina e deverá continuar o bom trabalho que tem feito. Cada vez melhor e mais importante no processo defensivo e, quando vai lá à frente, já mostrou ser decisivo. Por parte dos leões, Coates é, sem dúvida, um dos jogadores que pode fazer a diferença.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mateus Pasinato – Um guarda-redes que tem jogado e encantado os amantes do futebol português nos últimos anos. Mostra-se sempre a um grande nível e tende a fazer grandes exibições frente aos grandes. Pasinato é o guarda redes com mais defesas na Primeira Liga e o quarto com mais passes longos certos. Será certamente uma dor de cabeça para os avançados do Sporting CP conseguirem abanar as redes de Pasinato.

 

XI’S PROVÁVEIS

Sporting CP: Adán, Pedro Porro, Gonçalo Inácio, Seba Coates, Feddal, Nuno Mendes, João Palhinha, João Mário, Pedro Gonçalves, Paulinho e Tiago Tomás.

Treinador: Rúben Amorim

“O foco é o Moreirense. A tranquilidade que têm permite-lhes encarar estes jogos de outra forma, sem a pressão dos pontos. É difícil ganhar em casa do Moreirense, mas também era em casa do Tondela, que vinha de cinco vitórias consecutivas, e conseguimos. No último jogo já mostrámos uma forma diferente e queremos continuar a melhorar a equipa”.

Moreirense FC: Pasinato, Abdu Conté, Ferraresi, Steven Vitória, Rosic, Matheus Silva, Filipe Soares, Alex Soares, Fábio Pacheco, Felipe Pires e Rafael Martins

Treinador: Vasco Seabra

“Olhamos é para a possibilidade de defrontar uma equipa que tem zero derrotas. Isso já diz da dificuldade que o jogo traduz. É o líder do campeonato, com muitos pontos de avanço sobre os restantes. Não vejo isso como vantagem ou desvantagem, porque há dinâmicas enraizadas na equipa do Sporting CP. Para nós, a paragem foi importante para consolidar dinâmicas. Sentimos que estamos preparados. É um jogo em que temos de nos superar para no final estarmos contentes com o que podemos conquistar”.

Previsão de resultado: Moreirense FC 0-1 Sporting CP

ATP Masters 1000 Miami | «You’re not a human, man»

0

Jogou-se em Miami o primeiro torneio Masters 1000 do ano. Devido à situação pandémica, este foi um dos primeiros torneios a ser cancelado em 2020. Num momento em que os torneios se dividiam entre a América do Sul e Europa, foram muitos os jogadores que desistiram de participar no torneio porque não se quiseram deslocar aos EUA, o que abriu alas a muitos outsiders. As características do piso rápido nos EUA são quase sempre especialmente rápidas e, por isso, os principais favoritos a vencer o torneio seriam dois dos melhores jogadores a jogar neste piso, Medvedev e Rublev.

Muito por causa das desistências no Quadro Principal (QP), tivemos a oportunidade de ver em ação dois portugueses, João e Pedro Sousa, o último estreava-se num QP de um torneio deste nível.

João Sousa, praticamente um ano e meio depois, voltou a vencer um encontro num QP de um torneio ATP. Precisou de quase três horas, mas acabou por conseguir ultrapassar Christopher O’Connel e exibir-se a um bom nível, como, aliás, fez questão de referir ao Bola Amarela, “Estou muito feliz pela vitória. Consegui jogar ao nível a que sempre me habituei e voltar a exibir-me assim depois de algum tempo aquém do que sei que posso jogar deixa-me muito feliz”. Na segunda ronda, teve pela frente um jogador bem mais cotado, Ugo Humbert, e acabou por perder 6-1 6-4, num segundo set bem mais conseguido do que o primeiro em praticamente todos os aspetos.

Pedro Sousa ia estrear-se num QP de um Masters 1000 frente a Pierre-Hugues Herbert, sendo um excelente jogador de pares, o francês é um jogador muito completo e difícil de enfrentar. Não foi, por isso, surpreendente vermos o português a ceder em parciais diretos perante Herbert.

Ainda na primeira ronda, é importante destacar um duelo que vai, provavelmente, marcar uma geração, Carlos Alcaraz vs Emil Ruusuvuori. Os dois jogadores são muito novos e, considerados por todos como dois dos maiores prodígios da sua geração, acabaram por proporcionar um duelo épico decidido apenas na terceira partida com a vitória a cair para o lado do finlandês, Ruusuvuori.

De resto, Ruusuvuori acabou mesmo por ser uma das maiores surpresas do torneio. Numa segunda ronda com algumas surpresas, o finlandês não se deixou intimidar por Zverev e, mesmo depois de ter perdido o primeiro set por 6-1, continuou a acreditar e deu a volta ao encontro. Na terceira ronda, venceu novamente em três parciais frente ao, também jovem escandinavo, Mikael Ymer. O excelente percurso do finlandês acabou por cair por terra apenas nos oitavos-de-final, quando defrontou uma das sensações do circuito, Jannik Sinner.

Na primeira metade acabou mesmo por prevalecer Jannik Sinner, o italiano teve de derrotar Khachanov e Bublik para chegar às meias-finais e defrontar Bautista Agut. No caminho para esta meia-final, no final do jogo contra Bublik, o italiano acabou por ouvir rasgados elogios do tenista cazaque: “You’re not human, man. You’re like 15 years old and you’re playing like this?!”. Nas meias tinha pela frente um jogador que, em teoria, teria armas para lhe fazer frente. Um jogador que obriga o adversário a errar, Bautista Agut era o último entrave à chegada à tão desejada final.

Da teoria à prática foi um tirinho, Bautista Agut jogou na expectativa e deu, desde o início, uma mensagem de que não seria ele a perder o encontro, teria mesmo de ser o italiano a correr atrás e arriscar. O primeiro set correu como o espanhol queria e o break acabou por surgir na última vez que Sinner serviu no primeiro set. A partir do final do primeiro set, Sinner tornou-se mais assertivo e acabou por conseguir imprimir melhor o seu estilo de jogo, quer seja porque errou menos, quer seja porque os seus ataques tornaram-se mais difíceis de contrariar. Com isto, o italiano acabou por dar a volta ao encontro e vencer as duas partidas para garantir a passagem à final.

Na outra meia-final, o favorito à passagem era claramente Andrey Rublev. O russo tem tido prestações muito positivas, estando cada vez mais estabelecido dentro do TOP-10 e contra um jogador como Hurkacz, que goza de um estilo de jogo semelhante, previa-se que a maior capacidade do russo pudesse ser o fator decisivo neste encontro.

Ao passo que Hurkacz teve sempre encontros muito compridos, os dois anteriores em três sets, Rublev estava a ser bastante superior à concorrência e não estava a dar qualquer hipótese aos adversários de sonhar com outro resultado que não fosse a derrota. Apesar disto, quem pareceu sempre mais desgastado e no limite do seu esforço foi mesmo Rublev. O russo teve muitas dificuldades em impor o seu jogo e acabou por, por mérito de Hurkacz, deixar o polaco a comandar os pontos. Num encontro em que nenhum dos jogadores é um particular bom jogador defensivo, quem comanda as trocas de bolas está sempre mais perto de vencer os pontos e as partidas, e foi exatamente isso que aconteceu neste encontro. Hubert Hurkacz, que já tinha ganho a Tsitsipas nos quartos-de-final, confirma a grande semana que está a ter garantindo, pelo menos, o lugar na final.

Sinner e Hurkacz são dois jogadores que se conhecem muito bem, tanto os pontos fortes como os pontos fracos. Para além de serem amigos e companheiros de treinos, já jogaram pares lado a lado e, por isso, quem conseguisse expor melhor as fragilidades do adversário poderia ter vantagem e estar mais perto de vencer um Masters 1000, que seria o primeiro para qualquer um deles.

Mais novo e inexperiente, Sinner mostrou-se, durante praticamente todo o encontro, bastante nervoso, ao contrário do que estamos habituados. Entrou com o peso de ser favorito e isso notou-se. O italiano iniciou o encontro bastante preso e isso deu ao seu adversário o conforto que precisava para estar sempre à frente do encontro. Sinner estava, finalmente, a recompor-se e esteve a servir para fechar o primeiro set, foi nesse momento que os nervos se voltaram a intrometer e foi-se abaixo, acabando por perder o set no tie-break. No segundo set Hurkacz mostrou-se capaz de liderar o rumo dos acontecimentos e nunca deixou Sinner reentrar na luta pelo encontro.

Apesar desta derrota, a prestação de Sinner ao longo do Masters 1000 foi memorável e começa a ser difícil encontrar adjetivos para o jovem italiano, que vai surpreendendo tudo e todos. Agressivo, rápido, ágil e explosivo, é a melhor forma de descrever este italiano que vai marcar uma geração e vai ficar perto de se estrear no TOP-20 já na próxima semana.

Quanto a Hurkacz, conseguiu ser o primeiro polaco a vencer um Masters 1000. Este é apenas o seu terceiro título da carreira e o segundo da época (e o segundo na Flórida, já agora), depois de Delray Beach, em janeiro. Com este resultado, o polaco vai entrar no TOP-20 esta semana pela primeira vez na carreira, aos 24 anos.

Foto de Capa: ATP Tour

FC Famalicão 2-0 FC Paços de Ferreira: Famalicenses ligados à corrente

A CRÓNICA: FC FAMALICÃO PRESSIONANTE “LIMOU BEM O MÓVEL”

Numa luta entre equipas com objetivos algo diferentes, o FC Famalicão recebeu o FC Paços de Ferreira para mais um duelo a contar para a 25ª jornada da Primeira Liga. No lado caseiro, permanecia a vontade de demonstrar que se estava perante uma equipa diferente do que aquela que se viu durante a primeira metade da época. Já os forasteiros, permaneciam na luta pelos lugares europeus. Esperava-se um bom duelo entre duas formações com uma extrema vontade de vencer.

Durante a primeira parte viu-se um jogo bastante mexido, mas as oportunidades de golo só surgiam para um lado. A pressão ofensiva exercida pelo FC Famalicão não deixou, em grande parte, que o FC Paços de Ferreira jogasse como gosta. Os famalicenses atuaram com a primeira linha bastante subida, o que compactou bastante o jogo e dificultou a tarefa aos castores. Aquando das movimentações ofensivas dos castores, o plano era praticamente o mesmo, apesar de existir uma marcação cerrada aos homens de Pepa.

Com uma grande ocasião ao abrir o pano, o FC Famalicão logo deu a entender ao que verdadeiramente vinha e fez de tudo para conseguir inaugurar o marcador. Enquanto o FC Paços de Ferreira permanecia algo nervoso em campo e sem oportunidades flagrantes, foram os famalicenses a fazer o gosto ao pé ainda na primeira parte.

Faltavam apenas três minutos para o árbitro Nuno Almeida apitar para recolher aos balneários durante o intervalo quando Rúben Vinagre deixou três defesas dos castores para trás, elaborando uma brilhante jogada individual, e assistiu para Anderson Oliveira. O avançado do Famalicão bateu Jordi e abriu o resultado no Estádio Municipal de Famalicão.

Decorrendo a segunda parte, o FC Paços de Ferreira demonstrou crescer algo no jogo, mas não pareceu ser o suficiente para se superiorizar. Mesmo com as entradas de Uilton e João Amaral, com o objetivo de dar outro andamento às movimentações ofensivas, a equipa da capital do móvel não atava nem desatava.

Posto isto, em transição ofensiva, o FC Famalicão aumentou a vantagem sobre os castores. Gil Dias efetuou um passe a rasgar a defesa pacense e Iván Jaime fez o melhor que tinha a fazer: inserir a bola no fundo da baliza de Jordi. Aos 64 minutos, os famalicenses de Ivo Vieira liderava o resultado por 2-0.

Era notória a insatisfação de Pepa e da sua equipa em campo perante a exibição e o resultado. Um FC Paços de Ferreira algo irreconhecível perante um FC Famalicão destemido. No entanto, cinco minutos após o segundo golo famalicense, os castores assustaram a equipa da casa. Douglas Tanque conseguiu concretizar, mas depois de Nuno Almeida, árbitro do encontro, consultar o vídeo-árbitro, o golo acabou invalidado por toque da bola no braço do avançado.

Acabou por ser um jogo praticamente dominado pelo FC Famalicão na maioria do tempo. Sem grandes ocasiões a favor do FC Paços de Ferreira, e apesar de bem mexido no meio-campo, os famalicenses levaram de vencida os castores. Um resultado que terminou num 2-0 algo claro, dada a dominância, persistência e resistência da formação de Ivo Vieira.

 

A FIGURA

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Rúben Vinagre – Um dos grandes motores da construção ofensiva do FC Famalicão. Não precisa de ter o nome inscrito nos marcadores ou assistentes porque demonstra em campo as suas valências, quer a nível defensivo como ofensivo. Acabou por assistir de forma exímia para o primeiro golo famalicense, mas fica em mente a grande exibição de Rúben Vinagre.

 

O FORA DE JOGO

FC Paços de Ferreira – Aquém daquilo que tem vindo a demonstrar derivado à alta pressão do FC Famalicão, a equipa da capital do móvel não teve capacidade suficiente para se superiorizar.

 

ANÁLISE TÁTICA – FC FAMALICÃO

Ivo Vieira viu-se obrigado a efetuar alterações no onze inicial para o duelo frente ao FC Paços de Ferreira, devido às lesões de Ivo Rodrigues e Babic. Para render os jogadores, Heriberto e Patrick William foram as soluções encontradas pelo técnico. Para além desse fator, também surgiu alteração no meio-campo devido à ausência de Gustavo Assunção por castigo. A grande surpresa prendeu-se com Iván Jaime a titular.

Assim sendo, o onze apresentou-se em campo num 4-4-2, com a linha defensiva montada por Riccieli e Patrick William na zona central e Rúben Vinagre e Diogo Figueiras a ocupar as laterais. Nota também para a ausência de Diogo Queirós que, devido à pausa internacional, esteve a representar a seleção e, consequentemente, não treinou com a equipa famalicense durante a semana.

No meio-campo, também montado por quatro jogadores, Ugarte e Pepê foram os escolhidos para atuar no miolo com o objetivo de fazer a ligação de jogo entre os setores. Gil Dias e Iván Jaime ocuparam as extremidades para dar profundidade ao ataque do FC Famalicão e para ajudar os homens da frente, Heriberto e Anderson.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Luiz Júnior (6)

Rúben Vinagre (8)

Riccieli (7)

Patrick William (6)

Diogo Figueiras (6)

Gil Dias (7)

Pepê (6)

Ugarte (6)

Ivan Jaime (8)

Anderson (7)

Heriberto Tavares (6)

 SUBS UTILIZADOS

 Fernando Valenzuela (6)

Kraev (6)

Leonardo Campana (6)

 

ANÁLISE TÁTICA – FC PAÇOS DE FERREIRA

Pepa privilegiou a enchente no meio-campo, optando por criar uma linha defensiva montado por apenas três jogadores e com Douglas Tanque sozinho na frente. No meio-campo, Eustáquio ficou encarregue da ligação entre o setor defensivo e os restantes, aquando da construção de jogo. Com os laterais bastante subidos, principalmente Rebocho do lado esquerdo, o meio-campo pacense ficou ocupado pelos restantes jogadores, com o objetivo de ter mais gente na construção.

Defensivamente, o onze pacense ficou moldado num 4-1-4-1, com Eustáquio a ser o elemento mais recuado do meio-campo e Tanque sozinho na frente, ou num 4-4-2, consoante o momento de jogo, devido à construção de jogo compacta do FC Famalicão com a primeira linha bastante subida.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Jordi (6)

Pedro Rebocho (6)

Hélder F. (6)

Bruno Costa (6)

Castanheira (5)

Carlos (6)

Maracás (5)

Fonseca (6)

Marcelo (5)

Eustáquio (7)

Tanque (6)

SUBS UTILIZADOS

 Uilton (6)

João Amaral (6)

Dor Jan (6)

Marques (6)

Ibrahim (6)

 

BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

FC Famalicão

BnR: O FC Famalicão demonstrou uma grande capacidade ofensiva, tendo pressionado o Paços de Ferreira em praticamente todas as vertentes. Acha que este resultado poderia ter sido, eventualmente, mais avolumado e o que pensa da exibição da sua equipa frente aos castores?

Ivo Vieira: A equipa teve várias situações no último terço. Teve várias oportunidades de golo e conseguiu concretizar duas. Acho que o resultado se ajusta. Tivemos uma equipa do outro lado que, eventualmente, poderia ter feito golo. A estratégia foi montada para uma equipa fortíssima. O FC Paços de Ferreira está forte e confiante devido ao lugar que ocupa e nós tínhamos de dar uma resposta à altura daquilo que o jogo precisava. No fundo o segredo foi saber abordar os lances e tudo aquilo que o jogo dá.

 

FC Paços de Ferreira

BnR: Viu-se um FC Paços de Ferreira algo apagado na primeira parte, mas que voltou ao ataque na segunda parte. As entradas de Uliton e João Amaral ainda deram algum alento à equipa, mas não conseguiram concretizar. O que faltou à equipa para conseguir levar pontos deste encontro?

Pepa: Temos de ser mais proativos na reação à perda. Perdemos bolas que, normalmente, não perdemos em situações simples. Faltou-nos discernimento e critério, mas, acima e tudo, demos muito espaço e liberdade ao FC Famalicão.

5 épocas em que o FC Porto foi campeão após recuperação pontual

0

Entramos na reta final da Primeira Liga. Na corrida ao título segue o Sporting CP com uma distância confortável para o FC Porto, que se vê mais atrasado, mas que ainda não deitou a toalha ao chão. Muitos dos adeptos portistas ainda sonham com a conquista do campeonato e esperam um mau momento do Sporting CP. Outros dizem ser quase impossível. Porém, nos últimos anos, os Dragões já conquistaram vários campeonatos quando todos pensavam que já não havia possibilidades para o fazerem.

Apesar dos dez pontos de distância obrigarem o Sporting CP a cometer vários deslizes, o futebol já nos mostrou que não é uma ciência exata. Assim sendo, fomos ao arquivo dos últimos campeonatos procurar cinco casos em que o FC Porto recuperou de uma diferença pontual e acabou por conquistar o campeonato.

Sevilha FC 1-0 Club Atlético de Madrid: Andaluzes consolidam quarto lugar

0

A CRÓNICA: CLUB ATLÉTICO DE MADRID FERIDO DÁ ESPERANÇAS AOS RIVAIS

As equipas entraram para a partida fiéis a si próprias: o Sevilha FC, com o seu típico futebol ofensivo, tomou as rédeas do jogo e tentou controlar o jogo com uma posse de bola no meio campo adversário; o Club Atlético de Madrid, expectante, recuado e a controlar as armas do adversário.

O domínio da equipa da casa nos primeiros minutos esteve prestes a ter uma prenda antecipada. Aos sete minutos, Saul Ñiguez pisou Ivan Rakitic na grande área e o árbitro apitou para grande penalidade. Chamado a cobrar, Lucas Ocampos permitiu a defesa de Jan Oblak, mantendo o nulo no jogo. Apesar da injeção de confiança que essa defesa poderia dar ao líder do campeonato, o conjunto de Simeone continuou com uma postura defensiva e a apostar na transição. O conjunto de Lopetegui foi ameaçando a baliza contrária através de alguns rasgos de Navas e Suso, mas sempre sem sucesso. A primeira parte acabou com 63% de posse de bola para o Sevilha e 37% para a equipa visitante. Um reflexo do que foi o primeiro tempo.

Em termos estratégicos, a segunda parte começou sem alterações e o jogo manteve-se semelhante. Domínio da bola para o Sevilha e o conjunto de Madrid a tentar aproveitar o erro do adversário. Depois de 25 minutos com poucas ameaças às balizas, o Sevilla chegou ao primeiro golo da partida. Como habitual, com Suso e Navas na jogada. Um passe em rotura de Suso para Navas dentro da grande área, com o último a cruzar para o segundo poste, onde apareceu um velho conhecido do futebol português, Marcos Acuña, a finalizar de cabeça para o fundo das redes. Finalmente o Sevilla capitalizava a sua superioridade no jogo.

A resposta do Atlético foi boa, e só não foi perfeita porque, dois minutos depois, Mario Hermoso falhou o alvo completamente sozinho no coração da área. Até ao final, o Atlético apoderou-se do jogo, mas raramente conseguiu ameaçar a baliza de Bono, além de um remate perigoso de Correa no tempo de descontos.

O resultado manteve-se e o Atlético de Diego Simeone continua a dar esperança aos seus rivais na luta pelo título. O Sevilha consolida o quarto lugar e continua a respirar tranquilidade e a mostrar um bom futebol, tendo um plantel bem abaixo dos restantes candidatos ao título.

 

A FIGURA

Marcos Acuña – O ex-jogador do Sporting CP teve uma exibição bem positiva e é inevitavelmente a figura de jogo, depois de ter finalizado com sucesso uma bela jogada de equipa, que se tornou no golo da vitória. Apesar de ser um jogador bastante criticado, continua a mostrar-se a grande nível e a calar os críticos.

 

O FORA DE JOGO

Luuk De Jong – Talvez devido ao cansaço da seleção, De Jong esteve bastante apagado, ganhou poucos duelos e esteve pouco eficaz na finalização. Foi claramente o pior em campo do conjunto de Sevilha e acabou substituído aos 63 minutos de jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – SEVILHA FC

O conjunto de Julen Lopetegui entrou para o campo com um 4-3-3 que não sofreu alterações até ao final. Ocampos e Suso estiveram no apoio direto a Luuk de Jong, avançado de serviço, enquanto que, no meio-campo, Fernando, Jordan e Rakitic comandaram os movimentos da equipa. Na defesa, destaque para Acuña, marcador do golo da vitória.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Bono (6)

Jesus Navas (7)

Koundé (6)

Diego Carlos (5)

Acuña (8)

Fernando (7)

Jordan (6)

Rakitic (5)

Suso (7)

Ocampos (5)

De Jong (4)

 SUBS UTILIZADOS

En-Nesyri (5)

Papu Gomez (6)

Vazquez (-)

Gudelj (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – CLUB ATLÉTICO DE MADRID FC

A equipa de Simeone foi a jogo num 3-4-3 que, a defender, se tornava num 5-4-1. Luis Suárez comandou o ataque, com Llorente e Lemar no apoio direto ao uruguaio. Nas alas, Trippier e Lodi ocuparam-se de todo o corredor, com a tripla de centrais a ser composta por Gimenez, Felipe e Hermoso.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Oblak (7)

Gimenez (6)

Felipe (6)

Hermoso (5)

Saúl (5)

Koke (5)

Trippier (5)

Lodi (4)

Lemar (5)

Llorente (5)

Suarez (5)

SUBS UTILIZADOS

Correa (4)

Herrera (5)

Kondogbia (4)

GP Doha: Yamaha… outra vez

0

A CORRIDA: O mundial de motociclismo continuou no circuito de Losail para o segundo grande prémio da temporada. Um circuito favorável à Ducati, mas onde a Yamaha voltou a impor-se. E parece que este renascimento não é mesmo uma miragem.

Na segunda prova desta temporada, Jorge Martin foi estrela ao conquistar a sua primeira pole position na categoria rainha e logo no seu ano de estreia. E a corrida até começou a correr de feição ao piloto espanhol que dominou durante 17 voltas. Um fim de semana quase, quase perfeito para o estreante.

Se lá na frente, Martin parecia ter a situação controlada – sem nunca conseguir impor o seu ritmo e distanciar-se, um pouco à semelhança do que fez Bagnaia no fim de semana passado, o top 5 ficou bastante animado com a chegada de Maverick Viñales, Quartararo, Miller, Rins e Mir que trocaram várias ultrapassagens.

Aliás, Jack Miller e Mir protagonizaram um dos momentos mais arrepiantes deste GP, onde o piloto australiano foi, literalmente, para cima do piloto espanhol numa espécie de vingança depois de um pequeno toque na volta anterior.

As Ducati pareciam e eram mais fortes nos dois primeiros setores do circuito de Losail, mas a Yamaha de Viñales e Quartararo começavam a dar cartas e a atacar os seus rivais diretos. Se por um lado, Viñales se centrou na luta com Rins, por outro lado, Quartararo foi atrás de Zarco e Jorge Martín.

Numa ultrapassagem de mestre, o piloto francês colocou-se na liderança e conseguiu, em poucas voltas, impôr o seu ritmo e distanciar-se de Martin e Zarco, ficando a quase dois segundos dois pilotos da Ducati Pramac – que mais uma vez ficaram à porta da vitória, as conquistaram o pódio. Zarco consegue assim chegar à liderança do mundial de motociclismo com apenas dois segundos lugares. Já leram esta história, não já?

O português Miguel Oliveira conseguiu, talvez, o seu melhor arranque da carreira: passou de décimo segundo para terceiro apenas com o seu holeshot. Conseguiu rodar nas primeiras posições durante algumas voltas, mas foi perdendo ritmo e acabou a prova em décimo quinto – conseguindo amealhar um ponto. Ao que parece, esta quebra de rendimento deveu-se a um problema de origem técnica na moto do falcão de Almada – que arriscou na escolha dos pneus e que parecia ter tudo para resultar.