Depois de duas semanas de Roland-Garros, a ATP organizou três torneios numa só semana. Sardinia (Itália), St.Petersburg (Rússia) e Cologne (Alemanha) foram os palcos de mais uma semana de ténis.
Foi uma semana atribulada para alguns jogadores: o cabeça-de-série do torneio italiano acusou positivo ao teste da Covid-19. Porém, houve grandes jogos, como é habitual. Quase tivemos um vencedor nascido no país anfitrião em todos os torneios da semana. Rublev, Zverev e Djere (o único vencedor que não é do país do torneio) foram os que levantaram os troféus da semana.
O Tottenham Hotspur FC de José Mourinho recebeu o West Ham United FC, orientado por David Moyes, em partida a contar para a 5ª jornada da Liga Inglesa, num embate entre duas equipas que se encontravam num grande momento de forma.
A formação orientada pelo técnico português entrou no encontro a todo o gás, com dois golos em dez minutos, primeiro por intermédio do inevitável Heung-Min Son, no primeiro momento de ataque dos spurs na partida, e depois por Harry Kane, num lance de grande qualidade individual. O marcador voltou a alterar-se à passagem do minuto 16, novamente a favor da equipa da casa, e novamente pelos pés de Kane. Os irons mostraram muitas dificuldades a todos os níveis nos primeiros 45 minutos, sendo completamente dominados pela formação do Tottenham, o que permitiu à formação de Mourinho regressar aos balneários com uma vantagem muito confortável na partida.
No segundo tempo, a turma de Moyes entrou naturalmente mais forte na partida, correndo atrás do prejuízo, mas os spurs mantiveram-se sempre muito compactos e consistentes defensivamente, acabando por controlar facilmente as investidas dos hammers, até aos últimos dez minutos da partida, em que a figura do jogo mudou por completo. Quando o resultado parecia muito bem encaminhado para os caseiros, o West Ham colocou a bola no fundo das redes defendidas por Hugo Lloris por três vezes (!), primeiro por Balbuena, após a marcação de um livre, depois graças a um autogolo de Davidson Sánchez e por fim, no último minuto do tempo de compensação, com uma autêntica bomba do recém-entrado Manuel Lanzini, num momento de futebol simplesmente sensacional.
Depois de estar a vencer por três golos de diferença, o Tottenham só se pode culpar a si próprio por deixar fugir a vitória e os três pontos, ainda que com muito mérito do West Ham, que acreditou até ao apito final. Com este resultado, a turma de Mourinho ocupa o sexto lugar da tabela classificativa, enquanto que o hammers sobem até ao oitavo posto. Nota ainda para o regresso de Gareth Bale, que voltou a vestir a camisola dos spurs sete anos depois.
Manuel Lanzini – Apesar dos bis de Harry Kane, a entrada do médio argentino na partida foi absolutamente determinante, tendo apontado o tento do empate da sua formação à lei da bomba, mesmo em cima do apito final.
Condescendência dos spurs – Depois de uma entrada frenética no encontro, em que conseguiram criar uma vantagem de três golos nos primeiros dez minutos de jogo, a formação do Tottenham Hotspur FC acomodou-se na partida, especialmente na segunda parte, permitindo o empate ao West Ham United FC, quando já se esperava uma vitória da equipa da casa.
ANÁLISE TÁTICA – TOTTENHAM HOTSPUR FC
Os pupilos de Mourinho apresentaram-se num sistema tático base de 4-2-3-1, alterando-se para algo como um 4-1-4-1 no momento defensivo. Já na fase de transição, e pela falta de um médio de cariz mais ofensivo, tendo em conta a ausência de Lo Celso, foi Harry Kane o homem que mais vezes fez a ligação meio-campo-ataque. A formação do norte de Londres manteve-se quase sempre muito bem organizada taticamente e compacta defensivamente, até aos últimos dez minutos do encontro em que permitiu, por culpa própria, o empate ao adversário.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Lloris (6)
Aurier (7)
Sánchez (6)
Alderweireld (7)
Reguilón (6)
Sissoko (7)
Hojbjerg (6)
Ndombélé (7)
Bergwjin (6)
Kane (9)
Son (8)
SUBS UTILIZADOS
Bale (6)
Winks (6)
Lucas (-)
ANÁLISE TÁTICA – WEST HAM UNITED FC
Os hammers entraram em campo dispostos num dispositivo tático de 5-4-1. A formação orientada por David Moyes mostrou dificuldades em entrar no jogo, mostrando muita desorganização, cedendo espaço entre linhas aos homens dos spurs, bem como incapacidade de ter bola e sair em construção, pecando na ligação intersectorial. No segundo tempo a postura da equipa mudou, correu atrás do prejuízo e acabou por ser feliz nos últimos dez minutos do encontro.
É momento de recordar alguns dos mercados mais entusiasmantes e cruciais para o sucesso desportivo dos azuis e brancos.
A altura da janela de transferências é sempre uma época que todos os adeptos vivem com outra emoção, pois ou se fica de coração destroçado com as saídas dos seus craques, dos ídolos da sua equipa, ou rapidamente se fica com o coração aos pulos com a entrada de novos jogadores, com o ingresso de atletas que à partida pareciam impossíveis de chegar, mas que chegaram.
Desta forma, no seguimento deste artigo vou nomear os 5 mercados que me deixaram até ao último segundo atento a todas as notícias que envolviam o FC Porto.
O Belenenses SAD empatou a zeros com o Moreirense FC, no Estádio do Jamor. O encontro acabou por ter duas faces distintas da primeira para a segunda parte.
Numa primeira parte sem qualquer golo, notou-se um Belenenses SAD sempre por cima do encontro e um Moreirense FC na expetativa e a aproveitar algumas distrações da equipa da casa. O lance de maior registo foi mesmo o remate de Miguel Cardoso que obrigou Mateus Pasinato a aplicar-se para defender um remate em arco que daria o um a zero para a equipa da casa.
O segundo tempo mostrou um Moreirense FC diferente que obrigou André Moreira a mostrar os seus reflexos após um remate de cabeça de Filipe Soares ao minuto 54. O Belenenses SAD respondeu e Cauê quase inaugurou o marcador, mas Pasinato manteve a baliza dos Cónegos a zero.
Estávamos perante um encontro totalmente diferente daquele que vimos na primeira parte. O Belenenses SAD e o Moreirense FC começaram a mostrar que queriam realmente os três pontos. Quem esteve mais próximo do golo foi sempre a equipa da casa, mas até os golos acabaram por ser anulados. Com este resultado, o Belenenses SAD fica em 10.º lugar em igualdade pontual com o Moreirense FC.
A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede
Mateus Pasinato – De novo uma grande exibição do guardião brasileiro, desta vez no Jamor. O único lance que acabou por não defender acabou por ser invalidado por posição irregular de Edi Semedo.
Primeira parte de ambas as equipas – Se há algo que faltou a este encontro para além dos golos, foi uma primeira parte ao nível da segunda. Houve oportunidades para ambas as equipas, mas na segunda parte viu-se muito mais uma busca incessante pelos três pontos, principalmente da parte do Belenenses SAD.
ANÁLISE TÁTICA – BELENENSES SAD
A equipa de Petit apareceu com um 3-4-3, com André Moreira na baliza e tridente defensivo composto por Tomás Ribeiro, Cafu Phete e Henrique Buss. O meio campo ficou entregue a Cauê e Afonso Taira com apoio nas alas de Rúben Lima e Tiago Esgaio, quer na zona mais ofensiva como mais defensiva, formando uma linha de cinco defesas. No ataque a evidência esteve claramente quando a bola ia para Silvestre Varela, o principal desequilibrador no jogo ofensivo do Belenenses (juntamente com o inconformado Miguel Cardoso) e Cassierra que deu muita luta e trabalho aos centrais do Moreirense.
Outra nota de destaque foi para a versetalidade do tridente ofensivo da equipa, que chegou a ver Cassierra no corredor direito e a posição central entregue a Miguel Cardoso com Silvestre Varela a aparecer também como terceiro médio à frente de Cauê e Afonso Taira, ou no corredor direito. O objetivo era sempre o cruzamento com o pé direito.
Na segunda parte foi visível uma equipa com um objetivo muito mais claro em chegar aos três pontos. As oportunidades foram criadas, mas Pasinato evitou que a equipa de Petit conseguisse os três pontos. As substituições acabaram por dar uma frescura ao ataque que no final até montou um golo anulado por posição irregular.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
André Moreira (7)
Tiago Esgaio (6)
Henrique (6)
Tomás Ribeiro (6)
Rúben Lima (6)
Phete (6)
Afonso Taira (6)
Caué (7)
Miguel Cardoso (8)
Varela (6)
Cassierra (7)
SUBS UTILIZADOS
Afonso Sousa (6)
Bruno Ramires (5)
Richard Alexandre (-)
Edi Semedo (-)
ANÁLISE TÁTICA – MOREIRENSE FC
O Moreirense apresentou-se num 4-3-3, mas com a ausência do ponta de lança puro Fábio Abreu que rumou a outras paragens. Assim sendo, o homem mais adiantado da formação de Ricardo Soares foi Pedro Nuno contrariamente às expetativas criadas em torno de Walterson Silva, que entrou na equipa. Com Fábio Pacheco a ocupar a posição de seis puro, a equipa teve de puxar pelos índices físicos e a levar o jogo muitas vezes para os duelos aéreos e para as disputas individuais (até pelas condições menos boas do relvado).
Nas transições, que foram uma imagem de marca desta equipa até com algumas recuperações de bola, o destaque ia para a presença de Pedro Nuno a aparecer como um avançado com uma grande mobilidade e Walterson Silva a imprimir velocidade no corredor direito.
Na segunda parte, os cónegos mostraram-se com uma maior vontade de conseguir levar os três pontos do Jamor, mas tiveram de sofrer face à pressão em o sufoco final do Belenenses SAD. As substituições acabaram por não ter um grande reflexo no modo de jogar da equipa e o herói do encontro foi mais uma vez Mateus Pasinato.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Mateus Pasinato (8)
Matheus Silva (6)
Lazar Rosic (6)
Steven Vitória (6)
Pedro Amador (6)
Fábio Pacheco (7)
Filipe Soares (7)
Alex Soares (5)
Felipe Pires (5)
Pedro Nuno (6)
Walterson Silva (7)
SUBS UTILIZADOS
Galego (7)
Reynaldo César (5)
Yan (6)
David Tavares (7)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
Belenenses SAD
BnR: Acha que se o Belenenses SAD se tivesse apresentado na primeira parte como esteve na segunda, tinha conseguido os três pontos?
Petit: Eu acho que também na primeira parte tivemos oportunidades para fazer golo. Na segunda parte, o caudal ofensivo foi mais superior, mas tivemos duas ou três situações para o fazer. Mas o mais importante aqui é que perdemos os dois pontos. Uma equipa com boas dinâmicas, ideias, boa circulação de bola apesar de o relvado estar um pouco seco. Estava um balneário triste quando cheguei perto deles porque perdemos dois pontos. Terça-feira quando voltarmos, essa frustração tem de ser transformada em otimismo. Estou orgulhoso daquilo que os jogadores têm feito ao longo desta época.
Moreirense FC
Ricardo Soares: Declarações mais relevantes
«Penso que foi um bom jogo, entrou muito no duelo e nós perdemos quase todos os duelos. Nós nunca estivemos em jogo».
«Eu estive algum tempo a preparar a saída do Fábio [Abreu] porque senti que íamos perdê-lo. Não vamos alterar o processo de jogo porque não temos um avançado. Vamos crescer dentro desta ideia».
A CRÓNICA: COVA DA PIEDADE DOMINOU, MARCOU E GERIU
O último classificado ainda sem ter vencido esta época recebia o Cova de Piedade, que vinha de duas derrotas consecutivas para Segunda Liga.
O duelo começou com a equipa forasteira mais atrevida no ataque. Aos quatro minutos bola no poste direito por remate de longe de Gonçalo Maria. Três minutos depois, foi Pepo do meio campo a tentar surpreender o adiantado Janota que acabou por não segurar a bola e deixá-la sair pela linha de fundo.
Logo no minuto seguinte, o Cova da Piedade teve a melhor oportunidade num canto, em que João Vieira obrigou o guardião academista para uma defesa apertada em resposta a um cabeceamento do ponta de lança que ia para dentro da baliza.
O jogo acabou por entrar numa toada mais morna, sem jogadas de perigo para as duas balizas. Só aos 22 minutos voltou a haver um remate desta vez para a equipa da casa. Numa boa combinação com Fernando Ferreira, Luisinho à entrada da área rematou para uma defesa segura de Cléber Santana.
E, quando o Cova da Piedade parecia mais adormecido na partida e dar o domínio do jogo ao Académico de Viseu, os forasteiros chegaram ao golo, num lance caricato. Joel perdeu a bola para Gonçalo Maria, nas imediações da sua área que cruzou e a bola acabou por sofrer uma série de ressaltos com Joel a fazer autogolo. O Cova da Piedade ficava assim à frente no marcador e voltou a dominar a partida, estando mais perto de alargar a vantagem. Aos 42 minutos, Patrão rematou na sequência de um livre do lado esquerdo do ataque dos forasteiros para defesa apertada do guarda redes da equipa da casa. No mesmo minuto, a equipa de Almada acabaria mesmo por chegar ao 2-0 através de João Vieira. O ponta de lança recebeu a bola resultante de uma disputa de bola e isolado perante Janota rematou rasteiro para o segundo do Cova da Piedade.
Para a segunda parte, Sérgio Bóris fez uma tripla substituição. A equipa da casa passou a ter mais bola e a estar mais perto da baliza de Cleber Santana. No entanto, não havia oportunidades de perigo. A melhor foi aos 56 minutos num contra-ataque rápido, Carter acabou por fazer um cruzamento remate a passar perto do poste esquerdo da baliza do Cova do Piedade. Já na defesa, a equipa do Académico continuava desnorteada. Aos 64 minutos Mathaus demora muito a atrasar a bola para janota que pressionado acaba por a bola nos pés de Pepo, sem consequências para a baliza dos viseenses.
O jogo acabou por ficar mais dividido com o Cova da Piedade a voltar a ter nova oportunidade. Aos 78 minutos, na sequência de um livre, cabeceamento de Bruno Sapo por cima da baliza de Janota.
A vitória acabou por ser justa para o Cova do Piedade, enquanto a equipa do Académico de Viseu se mantém no fundo da tabela.
A FIGURA
João Vieira – O avançado acabou por fazer uma boa exibição na frente do ataque, com um golo marcado e com a boa parceria com Arnold. Muito bem a vir fazer buscar jogo atrás. No entanto, Arnold, Gonçalo Maria e Pepo também se destacaram na missão ofensiva.
O FORA DE JOGO
Académico de Viseu perto de garantir dois reforços.
Segundo informa o jornal local ‘Estação Diária’, os “Viriatos” estão a um passo de contratar João Vasco e Joel Monteiro.
O primeiro pertence ao Olhanense e o segundo ao Casa Pia. pic.twitter.com/ktyIChz99r
— Diário de Transferências (@DTransferencias) June 20, 2020
Joel – Apesar da defensiva do Académico de Viseu ter estado mal a defender em especial na primeira parte, o lateral teve em destaque negativo no primeiro golo do Cova da Piedade. Primeiro perdeu a bola de forma infantil nas imediações da área e depois acabou por introduzir a bola na baliza. Acabou por não regressar dos balneários depois do intervalo.
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICO DE VISEU FC
A equipa de Sérgio Boris apresentou um esquema em 4x5x1, com Carter como unidade ofensiva. O lateral esquerdo Jorge Miguel e especialmente o habitual extremo Luisinho juntavam-se no processo ofensivo ao ponta de lança, transformando o sistema num 4x3x3. Na segunda parte, o treinador fez três alterações, com Ayongo a juntar-se a Carter no centro do ataque, passando a jogar num sistema em 4-4-2.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Janota (6)
Joel (5)
Fábio Santos (6)
Felix Mathaus (5)
Jorge Miguel (6)
Zimbabwe (6)
Fernando Ferreira (6)
André Carvalhas (6)
Yuri Araújo (6)
Luisinho (7)
Carter (5)
SUBS UTILIZADOS
Paná (6)
Mesquita (6)
Ayongo (6)
Bruninho (6)
João Vasco (-)
ANÁLISE TÁTICA – CD COVA DA PIEDADE
Depois do jogo da Taça de Portugal, António Pereira voltou a apostar no onze habitual. Um esquema em 5-3-2 com 3 defesas centrais, com João Meira, Bruno Sapo e Zarabi e com João Vieira com referência ofensiva e Arnold mais móvel a serem as duas unidades mais adiantadas. Pepo era o homem responsável para a ligação do meio campo com o ataque.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Cléber (7)
Gonçalo Maria (7)
João Meira (6)
Bruno Sapo (7)
Zarabi (6)
João Amorim (6)
Cele (7)
Pepo (7)
Patrão (6)
João Vieira (8)
Arnold (8)
SUBS UTILIZADOS
Kakuba (-)
Varela (-)
Wilson Kenidy (-)
(-)
(-)
BnR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
CD Cova da Piedade
BnR:O objetivo do Cova da Piedade era dominar desde o início da partida?
António Pereira: Esta foi a forma de jogar sempre ao logo de toda a minha vida enquanto treinador. Umas vezes ganhamos, outras vezes perdemos, hoje tive a felicidade de ganhar, há quinze dias em Chaves perdi 1-0. As pessoas gostam de ir para o futebol e se divertirem. As equipas por onde passei gostam de se divertirem. É evidente que não vamos ganhar sempre, não temos hipótese. Mas vamos pelo menos tentar divertirmo-nos e é isso que tento dar aos meus jogadores.
Académico de Viseu FC
BnR: Mesmo do Campeonato de Portugal para a Segunda Liga, não houve nenhuma alteração?
António Pereira: Não mudou nada. A diretora das relações públicas do Académico de Viseu veio à sala das conferências de imprensa para informar que o treinador Sérgio Boris, nem nenhum outro responsável do clube iriam ao local responder a perguntas dos jornalistas, sem especificar os motivos.
A CRÓNICA: DOMÍNIO SUZUKI DÁ VITÓRIA NO GP A ALEX RINS E LIDERANÇA NO MUNDIAL
Depois do magnífico fim de semana em Le Mans, o MotoGP estava de volta a Espanha para se correr em Aragão. No constituição do grid inicial apenas um espanhol na frente, mas senta-te e vais ver que no final será diferente.
Fabio Quartararo (Petronas Yamaha STR) partia da pole, porém, Maverick Vinãles (Yamaha) tratou de ter um bom arranque e ele mesmo encarregou-se da comandar a corrida. Convém dizer que a abordagem do espanhol foi bastante perigosa para os lados de piloto francês, que se contentou com o 2.º lugar no início. Quem também aproveitava era Franco Morbidelli, colega de Quartararo, para se fixar no 3.º lugar.
As Suzuki, que saíram de 6.º e 10.º, eram também já presença notória na frente com as Yamaha. Quem não tinha motivos para sorrir era Cal Crutchlow (LCR Honda), que teve um péssimo e perdeu diversas posições.
A corrida acalmou nas trocas de posições, mas lançado vinha Alex Marquez (Honda) para voltar a fazer das suas. A Honda adapta-se bem ao circuito de Aragão e, principalmente, nas últimas duas curvas era tudo do piloto espanhol. Alex Rins e Joan Mir (ambos Suzuki) iam aproveitando também a mesma zona do circuito e ultrapassavam tudo e todos.
Se muitos aproveitavam quem ia ficando para trás era Fabio Quartararo. O francês foi de mal a pior e se no início estava nos primeiros acabou por ficar até fora dos pontos. Uma queda de diversos lugares deixaram o 1.º lugar do campeonato à mercê de uma boa posição de Joan Mir.
Na frente, ia Alex Rins já há imenso tempo. Primeiro, foi seguido pelo Joan Mir e depois por Alex Marquez. O piloto da Suzuki e o da Honda estavam a dar um show que há muito não se via – talvez desde o GP da Estíria. Esta foi a luta que deixou os muitos adeptos da Honda de olhos colados à televisão para ver o mais novo Marquez chegar a uma vitória.
Contudo, Alex Rins não se deixou afetar pela pressão do pneu dianteiro de Marquez e venceu o GP de Aragão, a sua primeira vitória em 2020. O mais novo da família Marquez terá de esperar por outro GP para uma vitória, porém, não deixa de dar boas indicações para aquilo que vem nas próximas temporadas. O vencedor de todos os vencedores é: Joan Mir! Apesar de ter ficado em 3.º, o mais importante é que é o novo líder do campeonato mundial com 121 pontos. Atrás de si, vem Quartararo com 115.
Miguel Oliveira (KTM Tech3) teve uma corrida complicada no circuito de Aragão e terminou em 16.º lugar. Uma desilusão por parte da equipa KTM – tanto de fábrica como a Tech3 – e o melhor ficou em 11.º lugar.
Num duelo com duas partes completamente distintas, a Académica OAF derrotou o FC Penafiel por duas bolas a uma e aproximou-se dos lugares cimeiros da Segunda Liga! Após o domínio no primeiro tempo, a formação de Coimbra sofreu ao longo da segunda parte para segurar a vantagem no marcador, mas acabaria mesmo por vencer graças à exibição segura de Mika!
Num início de jogo a todo o gás, até foi o Penafiel a primeira equipa a ameaçar o golo: ainda nem 30 segundos estavam decorridos e Wagner já tinha enviado uma bola ao poste. A equipa da casa reagiu logo de seguida, com João Mário a obrigar a defesa contrária a “sacudir” a bola em cima da linha, após uma má saída de Luís Ribeiro entre os postes. Seguiram-se remates mais perigosos por parte da Académica que, com naturalidade, chegou ao golo inaugural a meio do primeiro tempo: Guima fugiu pelo corredor direito e Bouldini só teve de encostar.
Os rubro-negros tentaram reagir e voltaram a assustar Mika com nova bola ao ferro, desta vez num cabeceamento de Franco, mas seria mesmo a turma de Rui Borges a marcar. Da direita para a esquerda, um grande passe de Fabiano foi muito bem aproveitado por João Mário que, na cara do guarda-redes, tratou de ampliar a vantagem a poucos minutos do intervalo. A formação de Pedro Ribeiro estava obrigada a reagir na segunda parte…e foi isso mesmo que aconteceu!
Fruto de uma tripla alteração no regresso dos balneários, os penafidelenses apresentaram-se em campo com novas dinâmicas de ataque, provocando várias situações de perigo junto da baliza de Mika. O golo, esse, chegaria através de um grande envolvimento coletivo a culminar num belo remate do recém-entrado Gustavo Henrique. Nuns segundos 45 minutos de sentido único, sucederam-se diversas tentativas de golo a testar a organização defensiva dos estudantes e também a atenção de Mika – com várias bolas travadas com segurança. Bruno César foi uma das últimas cartadas de Pedro Ribeiro, mas o resultado não mais se alterou.
Com este triunfo, a formação de Coimbra soma agora 11 pontos no 4º lugar à condição, ao passo que o Penafiel mantém os 9 pontos no 7º posto. Foi a primeira vez, nesta segunda liga, que um jogo da Académica teve mais do que um golo!
A FIGURA
✍️🤝 O guarda-redes português Mika é o mais recente reforço da Académica! O jogador, de 28 anos, chega a Coimbra proveniente do Belenenses SAD, onde actuou na última temporada. #AUmaSóVozpic.twitter.com/oWW98H0tGG
Mika – Apesar das boas exibições de Bouldini e João Mário (os marcadores dos golos da Académica), o destaque vai mesmo para Mika que revelou ser crucial na segunda parte ao defender tudo o que havia para defender – exceção feita ao remate certeiro de Gustavo Henrique. Seguro, confiante e autoritário!
Simão Azevedo – A atuar na ala esquerda, Simão acabou por passar ao lado do jogo, contribuindo muito pouco para as investidas ofensivas que o Penafiel conseguiu protagonizar nos primeiros 45 minutos. Não foi de admirar a sua substituição logo no início do segundo tempo…
ANÁLISE TÁTICA – ACADÉMICA OAF
O ataque posicional da Briosa foi um pouco “abandonado” pela turma de Rui Borges, pelo que a construção a três característica dos estudantes não ficou sempre totalmente patente no relvado do Cidade de Coimbra. Ainda assim, foi sempre notória a boa dinâmica do duplo pivô de meio-campo constituído por Dias e Guima, bem como a capacidade de Fabiano e Bruno Teles para agilizaram as tarefas defensivas e ofensivas que lhes competia.
O trabalho dos referidos laterais e dos mencionados centrocampistas aliado à competência da dupla de centrais permitiu à Académica-OAF manter a coesão e consistência defensivas, em bloco baixo, necessárias para recuperarem bolas suficientes para lançarem João Mário em profundidade, aproveitando a subida do bloco penafidelense, ou procurarem Bouldini, que, de costas para a baliza, segurava o esférico de forma a permitir a subida em bloco dos academistas. Foi através das bolas paradas que mais calafrios a Académica-OAF sofreu, não sendo a sua defesa à zona sempre capaz de travar as investidas aéreas do conjunto visitante.
No segundo tempo, foram mais os momentos de construção em posição da Briosa, que montava um 3-5-2, com Bouldini e João Mário na frente. No momento defensivo, o 4-4-2 em três linhas dos estudantes intercalava com o 4-1-4-1, com Dias como elemento intermédio da primeira para a segunda linha de quatro e Bouldini como elemento isolado na linha da frente da pressão, que o FC Penafiel conseguia contornar.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Mika (8)
Fabiano (6)
Rafael Vieira (5)
Silvério (6)
Bruno Teles (6)
Guima (6)
Ricardo Dias (6)
Fabinho (6)
Traquina (6)
João Mário (7)
Bouldini (7)
SUBS UTILIZADOS
Fábio Vianna (6)
Sanca (5)
Mimito (-)
ANÁLISE TÁTICA – FC PENAFIEL
A turma de Pedro Ribeiro apresentou-se em campo com um sistema tático maleável, que se desdobrava num 5-2-3 no momento defensivo posicional e num 3-4-3, com as subidas dos laterais Coronas e Paulo Henrique, no ataque posicional. Os penafidelenses optaram maioritariamente pela construção paciente, pelo que a disposição tática no terreno de jogo era bem visível. As bolas paradas defensivas, em particular os pontapés de canto, eram atacadas com uma defesa mista, com predominância da defesa à zona, sendo a turma alvirrubra (hoje apenas alva) capaz de anular as investidas academistas por esta vertente do jogo.
Na segunda metade da partida, Pedro Ribeiro lançou Vitinha para a direita e deslocou Coronas para o eixo da defesa. Com esta mexida, o técnico visitante deu maior fulgor ofensivo à sua asa direita, fruto da maior velocidade e capacidade de subida no terreno de Vitinha.
Além disso, Coronas ofereceu consistência defensiva à sua equipa, além de assegurar tranquilidade na construção a três implementada por Pedro Ribeiro, uma vez que, ao ser o elemento mais à direita dessa linha de três, Coronas fazia fruto do seu conhecimento do corredor direito e da sua experiência para garantir controlo sobre a bola e controlo emocional sobre a partida.
11 INICIAL E PONTUAÇÕES
Luís Ribeiro (5)
Coronas (6)
David Santos (6)
Leandro Teixeira (5)
Paulo Henrique (5)
Franco (5)
Capela (6)
Wagner (6)
João Amorim (5)
Simão Azevedo (5)
Mateus (5)
SUBS UTILIZADOS
Ludovic (6)
Gustavo Henrique (7)
Vitinha (6)
Bruno César (5)
Pedro Soares (4)
BNR NA CONFERÊNCIA DE IMPRENSA
ACADÉMICA OAF
BnR: A Académica apanhou-se pela primeira vez no campeonato a vencer por dois golos, tendo sido essa a vantagem com que iniciou o segundo tempo. O que pretendia na segunda parte? Qual a estratégia ideal? E sobre as substituições: o facto de ter colocado só três jogadores em vez de cinco é uma clara mensagem de confiança no trabalho dos onze que estão em campo?
Rui Borges: Na verdade, queria que tivessem a mesma atitude e intensidade na primeira parte. Sei que os jogadores não são máquinas. Foi notório o cansaço acumulado e isso teve impacto na falta de discernimento e tranquilidade no segundo tempo. Sofremos um golo onde fomos muito passivos. Tivemos capacidade de sofrimento. Não gostei da segunda parte, mas tivemos um primeiro tempo fantástico. Saímos para o intervalo com 2-0 e com mérito. Sobre as substituições, eles sabem que eu confio neles todos. As oportunidades são dadas com o trabalho diário e todos vão jogar. Infelizmente estamos a viver esta pandemia e um dia vai-nos calhar infelizmente, por isso têm de estar todos preparados enquanto grupo e em termos de amizade, harmonia e entreajuda. É isso que nos leva a ganhar mais vezes!
FC PENAFIEL
BnR: Normalmente, o Pedro tem por hábito colocar mais referências ofensivas no momento da substituição. Hoje, além do Ludovic e do Gustavo Henrique, optou por introduzir o Vitinha no corredor direito no segundo tempo. Sente que isso também contribuiu para as dinâmicas de ataque que o Penafiel foi criando?
Pedro Ribeiro: Na prática, estávamos a criar mais desequilíbrios pela esquerda do que pela direita e o Vitinha entrou muito bem, como todos os outros jogadores, a tentar virar o resultado. Mas a Académica fechou-se lá atrás e nós tentámos pela esquerda, pela direita, só que a justiça no futebol é quem marca mais golos. Se sinto que foi injusto? Sinto, mas a eficácia é que conta.
Artigo com opinião de Miguel Simões e Márcio Francisco Paiva
Se lhe falarmos de José Miguel Aguiar, provavelmente, o nome pouco ou nada lhe dirá. Mas se esclarecermos tratar-se de Miguelito, então, certamente, recordará o jogador franzino e enérgico que, de bola colada ao pé esquerdo, calcorreou, por década e meia, para cima e para baixo, as muitas faixas laterais de que são feitos os relvados portugueses. “Nascido” e criado no Rio Ave, foi no Nacional que deu nas vistas, ao ponto do Benfica treinado por Fernando Santos ter apostado na sua contratação – o passo seguinte, porém, foi sempre escolha da sua cabeça. E levou-o sempre a terras distantes: ganhando até uma Taça do Chipre. Desde que terminou a carreira, Miguelito tem vindo a construir uma carreira como empresário de jogadores. Hoje, com 39 anos, recorda ao Bola na Rede a sua carreira de ponta a ponta.
– Sonhos cumpridos: uma carreira à “boleia” de talento e trabalho –
«Os jogadores têm de ser inteligentes, ao ponto dos seus gostos clubísticos não extravasarem cá para fora (…) e se só o clube rival o quiser, ele não vai jogar para esse clube?»
Bola na Rede: O Miguelito não acabou a sua carreira assim há tanto tempo. Certamente, que os nossos leitores ainda se lembram muito bem de si e dos clubes por onde passou… Vou começar pela sua alcunha: o seu nome é José Miguel Organista Simões Aguiar, mas sempre foi conhecido como Miguelito no mundo do futebol. Como é que surgiu essa alcunha e, sobretudo, como perdurou ao longo de toda a sua carreira?
Miguelito: Chamaram-me sempre Miguelito porque, desde novo, havia sempre mais que um Miguel em todas as equipas jovens do Rio Ave, que foi onde fiz a minha formação. E como havia sempre um Miguel… Se alguém chamasse pelo “Miguel” olhavam uns oito ou uns dez… E como eu, de todos os “miguéis”, era aquele que era sempre mais franzino então adotaram-me a alcunha de Miguelito.
Bola na Rede: E até mesmo nos seniores essa alcunha ficou… O Miguelito acabou a carreira no Tirsense, em 2016, mas manteve-se ligado ao futebol, numa aérea diferente, agora a trabalhar numa empresa de agenciamento de jogadores. Como é que surgiu esta oportunidade?
Miguelito: Em 2016, terminei no Tirsense, mas até tinha pensado terminar a carreira antes. Mas, entretanto, surgiu o convite do Tirsense e, no principio, como me pareceu ser um projeto interessante, com outro pessoal aqui da zona, que também tinha feito carreira no futebol profissional, aceitei o desafio. As coisas, porém, acabaram por não correr como todos desejávamos e, a meio dessa época, decidi dar por terminada a minha carreira. E vim trabalhar para a empresa onde estou atualmente – que é a Proeleven – logo no dia seguinte. Como é que surgiu esta oportunidade? Eu fui o terceiro jogador a ser agenciado pela Proeleven e, portanto, já estou ligado a esta empresa há 20 anos. O Carlos [Gonçalves], que é o patrão da Proeleven, abordou o meu irmão [Sérgio Organista] no início da sua carreira, porque queria agenciá-lo, e como o meu irmão gostou da forma como o projeto foi apresentado acabou por aceitar. Eu, um bocado por “arrasto”, acabei também por passar a ter o Carlos Gonçalves como empresário. E depois mantivemos sempre esta relação. Quando comecei a pensar em terminar a carreira, esta possibilidade já estava previamente combinada, pois o Carlos foi-me sempre dizendo que, um dia, gostaria que eu trabalhasse com ele.
Bola na Rede: E nunca pensou numa carreira como treinador? Há muitos ex-colegas, da sua geração, que acabaram por seguir essas pisadas…
Miguelito: Não, não. Sempre pensei no que faria quando acabasse a carreira, mas uma das coisas que sempre soube que não quereria, era ser, precisamente, treinador principal de uma equipa de futebol. Não digo “desta água, não beberei”, mas… não. Talvez até pudesse ser um treinador adjunto, com alguma autonomia – e não como vi, muitas vezes, alguns treinadores adjuntos que não tinham o papel que desejavam. Mas como ao longo da minha carreira o Carlos [Gonçalves] foi-me sempre “alimentando” esta oportunidade… Aliás, de certa forma, como jogador, até já fazia um bocadinho este trabalho. O Carlos ficava com a parte de perceber se o jogador tinha potencial e eu, no balneário, ficava com a parte de perceber como era o jogador ao nível do treino, se era profissional, se trabalhava bem… Já fazíamos esse trabalho em conjunto. De certa forma, a função que agora desempenho já a fazia, inconscientemente, ao longo dos anos. E agora aqui estou.
Bola na Rede: Os jogadores e treinadores têm, normalmente, sonhos por cumprir. Também é possível “alimentar” sonhos nesta área do agenciamento de jogadores? Ter a ambição de alcançar determinado patamar?
Miguelito: Sim, isso é natural. Em todas as carreiras, há metas para cumprir. Eu também tenho as minhas metas, é claro, mas, em primeiro lugar, respeitamos a filosofia da Proeleven – e, neste momento, penso apenas em trabalhar em conjunto com a empresa. Mas é óbvio que todos os profissionais, em qualquer cargo, têm sempre os seus objetivos para cumprir e conquistar.
Bola na Rede: Recuando aos seus tempos de jogador: o Miguelito fez toda a sua formação no Rio Ave e, em 1999, estreia-se pela equipa principal vila-condense. Esse ano, porém, não correu assim tão bem, uma vez que a equipa acabou despromovida à 2.ª divisão. Mas como foi para um jovem de 19 anos estrear-se na equipa principal naquele que era, à altura, o seu clube de sempre?
Miguelito: Foi o concretizar de um sonho. Era exatamente para isso que tinha trabalhado nas camadas jovens: para, um dia, poder ser jogador profissional. E, nessa época, acabei por concretizar aquilo que era o meu sonho. Na altura, as coisas não eram fáceis, não era fácil chegar a uma equipa principal vindo da formação, em qualquer clube. Por isso, sabia que tinha de trabalhar sempre bem, focado, e ser o mais profissional possível – mesmo que não o fosse, pois, naquele tempo, ao contrário de agora, nenhum jogador da formação tinha contrato profissional. E tinha também de ter humildade. Sabia que ia ser muito difícil, mas, depois de ter conseguido, o “sabor” foi ainda melhor.
Bola na Rede: Pegando exatamente nessa questão, antigamente não havia contratos profissionais para jovens de 16/17 anos, como agora acontece e, naturalmente, havia um fosso ainda maior em relação às equipas seniores. E até era mais raro os treinadores apostarem nos jovens da formação. A descida do Rio Ave acabou por lhe ser favorável, permitindo-lhe uma adaptação ao futebol sénior num patamar menos exigente? Foi positivo jogar na II Liga para que pudesse fazer uma transição mais tranquila?
Miguelito: Podemos ver as coisas dessa forma. Apesar de que no primeiro ano, na 1.ª divisão, quando ainda tinha idade de júnior, já participei em 17 jogos. Fazer esse número de jogos, para um jovem com 18 anos, no escalão principal do futebol português, é bem demonstrativo do que era o meu foco e aquilo que eu já queria. É claro que com a descida de divisão a exigência competitiva diminuiu. E o Rio Ave, que ainda não tinha as condições que hoje tem, perdendo as receitas da 1.ª divisão, ficou sem dinheiro para contratar, e teve mesmo de apostar nos jovens da formação. Portanto, vendo as coisas dessa forma, penso que sim, que a descida foi benéfica para mim.
Bola na Rede: Em 2002/2003, é campeão da 2.ª divisão pelo clube de Vila do Conde… Tem 22 anos, conquista um titulo nacional e sobe à 1.ª divisão. Como se sente o Miguelito nesse momento?
Miguelito: Era um dos meus objetivos quando ingressei na equipa principal do Rio Ave. Participei na despromoção e não queria ir para outro lugar sem antes colocar o clube na divisão que merecia. Portanto, foi com muita satisfação que vivi esse momento, para mais, numa época que foi bastante atípica. Lembro-me perfeitamente que não começámos bem o campeonato, e na transição para a segunda volta estávamos a apenas cinco lugares do último classificado, na cauda da tabela. No último jogo da primeira volta, fomos jogar à Figueira da Foz e levámos 6-1 da Naval. Depois, no primeiro jogo da segunda volta íamos visitar o Alverca que, na altura, estava no 1.º lugar. E foi aí que se deu a reviravolta. Acabámos por empatar 0-0 e, depois, fizemos 14 ou 15 jogos sem conhecer o sabor da derrota. Acabámos por terminar a época em grande, não apenas subindo de divisão, mas também sendo campeões da II Liga.
Bola na Rede: Só em 2005/2006 é que tem a sua primeira experiência fora de Vila do Conde. E logo na Madeira, uma realidade muito diferente. Assina pelo Nacional, treinado por Manuel Machado, com grandes jogadores e que termina o campeonato no 5.º lugar. E o Miguelito faz uma grande época no Nacional – talvez mesmo a melhor da sua carreira. Como é que se adaptou a esta nova realidade e, sobretudo, como é que num contexto tão diferente daquele que conhecia consegue ter um rendimento tão elevado?
Miguelito: De facto, o Nacional – que não teria subido à 1.ª divisão há muito tempo – já nos anos anteriores tinha tido grandes equipas, e lutado sempre pela qualificação para as competições europeias. As coisas correram como correram devido, principalmente, ao que já referi: o foco, o trabalho, a humildade… acho que as coisas se baseiam muito nisso. Eu sabia muito bem onde queria chegar enquanto jogador profissional, e acho que foram esses ingredientes que contribuíram para as boas épocas que fiz. A época no Nacional foi, de facto, uma das minhas melhores, mas tive outras. Mas a essa do Nacional – talvez pela conjugação entre o rendimento individual e o coletivo – é natural que as pessoas deem mais ênfase.
Em forma de antevisão ao encontro da quinta jornada do principal escalão do futebol inglês, que irá opor “Spurs” e “Hammers”, apresentamos um “top 5” de futebolistas que cumpriram parte da sua formação em algum destes dois emblemas e ainda carregam o seu símbolo no peito.
À partida para este derby londrino, apenas um ponto separa as duas formações, sendo que ambas apenas venceram dois dos quatro jogos já disputados. Os pupilos de José Mourinho são os favoritos à vitória, mas terão pela frente um West Ham à procura do terceiro triunfo consecutivo.
Segundo o jornal A BOLA, o Sporting CP tem sete jogadoresdespromovidos à equipa B, provenientes do plantel principal. O guardião Renan Ribeiro, os laterais Borja, Lumor e Bruno Gaspar, os centrais Ilori e Ivanildo Fernandes e o extremo Rafael Camacho estão às ordens de Filipe Celikkaya. À exceção de Ivanildo, que veio das fornadas de Alcochete, os restantes foram contratados para a equipa A.
Os atletas em questão custaram perto de 20 milhões aos cofres leoninos. Este fator leva a pensar que tipo de departamento de scouting é que Sporting CP tem. Infelizmente, a massa adepta leonina já está habituada a maus negócios, e estes, são só mais uns exemplos.
Algo ainda mais grave é o facto de quatro destes sete jogadores terem sido contratados pela atual direção. A gestão de Frederico Varandas levou o Sporting CP a gastar mais de dez milhões em Camacho, Borja, Ilori e Renan, jogadores que não contam para o atual treinador leonino. Poderíamos ainda acrescentar Rosier, Doumbia e Eduardo, que saíram por empréstimo, e o número aumentava. Como é que um projeto destes pode ser rentável para o Sporting CP?
O primeiro mandato de Frederico Varandas, no que à gestão desportivo-financeira diz respeita, foi um autêntico fracasso Fonte: Sporting CP
Falando acerca do plantel leonino da atualidade, penso que apenas um jogador que consta nesta lista cabia no plantel: Ivanildo Fernandes. O central de 24 anos merecia, na minha ótica, ter uma oportunidade no clube onde fez formação. Para além da sua considerável estatura física, o defesa português iria ser a concorrência de Z.Feddal, visto que ambos são mais fortes com o pé esquerdo, e o Sporting CP não tem mais nenhuma opção para essa posição no eixo da defesa.
Ter tantos jogadores que foram contratados recentemente na lista de dispensas da atual equipa técnica é sinal de que o Sporting CP precisa de contratar menos em quantidade e mais em qualidade. Vejamos que, com o dinheiro gasto nestes atletas, este poderia ter sido muito útil para melhorar o plantel e reforçar posições que carecem de qualidade (por exemplo, ponta de lança).
Muitas vezes, vejo dizerem que o Sporting CP está mal financeiramente e que é por falta de dinheiro que não é competitivo. Eu tendo a discordar. Até porque, quando falam na tal história da herança pesada, os atuais órgãos sociais deviam fazer primeiro uma autoavaliação ao seu trabalho.