Início Site Página 11209

Na lista dos goleadores não há espaço para portugueses

Eis a lista, em verso, dos últimos goleadores em Portugal:

Primeiro foi Jardel.

Depois foi Pena.

Voltou Jardel com um magnífico recorde de golos.

Seguiu-se o aurinegro e carismático Fary.

O sul africano McCarthy também entrou na lista.

E o levezinho Liedson apareceu pela primeira vez.

O camaronês Meyong seguiu as pisadas dos colegas africanos.

O levezinho decidiu aparecer outra vez.

Da Argentina, Lisandro foi o primeiro e único do século.

O nacionalista Nené também figura na lista.

Tacuara Cardozo, quem mais?

O monstro Hulk mostrou a sua bravura.

Houve Cardozo de novo.

Da Colômbia surgiu um perfume raro que fez um triplete inédito: de seu nome Jackson.

É tempo da elegância e eficácia de Jonas.

Do alto dos Países Baixos apareceu Bas Dost.

Jonas quis repetir a proeza.

A Europa também tem direito, Seferovic.

Por fim, Carlos Vinícius.

 

Portugueses nem vê-los. É isso que se pode depreender rapidamente ao observar a lista de goleadores nacionais deste século. O primeiro nome desta história com 20 anos é o incontornável Mário Jardel que estabeleceu o recorde de golos neste período, ao marcar por 42 vezes na longínqua época de 2001-2002. Dois anos antes marcou por 38 vezes e para vermos números próximos a este temos de recorrer aos ‘recentes’ Bas Dost e Jonas, que marcaram ambos 34 golos – o primeiro em 2016-2017 e o segundo em 2017-2018.

Muitos golos se marcaram, mas apenas em cinco ocasiões se ultrapassou a barreira dos 30 golos e apenas em três ocasiões os máximos goleadores não pertenceram a nenhum dos três grandes. São eles Fary, Meyong e Nené que ousaram intrometer-se nesta luta quase exclusivamente dedicada aos principais emblemas. Outro dado a reter é o facto de na temporada passada ter surgido o segundo jogador europeu a figurar nesta galeria, composta maioritariamente por sul americanos.

A verdade é que é preciso recuar a 1995-1996 para encontrar o último jogador português a vencer este prestigiado galardão, altura em que Domingos obteve 25 tentos. Daí para cá a história não tem encontrado qualquer lusitano pelo caminho, o que não deixa de ser curioso e ao mesmo tempo preocupante. Têm faltado referências ofensivas ao nosso país, uma posição que tem estado incompleta na própria Seleção e, assim, as apostas dos principais clubes têm ido para os jogadores estrangeiros.

Mesmo no pódio a presença de portugueses tem sido escassa, com o terceiro posto a ser mais vezes ocupado. O ano passado, Rafa e Bruno Fernandes terminaram no pódio e nesta época que findou esteve perto de acontecer algo inédito desde os últimos 25 anos, com Pizzi a ficar muito próximo de ser considerado o máximo goleador. Houve empate a três, com Taremi também a voar alto, mas foi Carlos Vinícius quem acabou por vencer esta corrida de goleadores.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Os 5 que mal calçaram esta época no Sporting CP

0

Numa altura que se prepara a próxima temporada, decidimos fazer um TOP 5 de jogadores que mal jogaram no Sporting CP na época transata. Só contabilizamos os que fizeram parte do plantel a temporada inteira.

Deixamos de lado os reforços de inverno, os emprestados que foram devolvidos e os miúdos que foram aposta nesta fase final por Rúben Amorim. O TOP não está organizado por minutos/jogos.

Brentford FC 1-2 Fulham FC: Ivan Cavaleiro e companhia celebram regresso à Primeira Liga Inglesa

A CRÓNICA – CUSTOU, MAS FOI!

Com o último lugar de acesso à Liga Inglesa em jogo (tal como um prémio financeiro bem chorudo), Brentford FC e Fulham FC, ferozes rivais do oeste de Londres, subiram ao tapete verde do mítico Estádio de Wembley sabendo que só uma das duas formações iria fazer companhia a Leeds United FC e West Bromwich Albion FC, já promovidos ao principal escalão do futebol inglês. Neste jogo esteve envolvido o português Ivan Cavaleiro.

O início de jogo foi bastante agitado, com as duas equipas a quererem ter a bola para si e lançar de imediato o ataque. Aos 17 minutos poderia mesmo ter surgido o golo inaugural do desafio, para o lado do Fulham, mas David Raya, eleito o melhor guarda-redes da Segunda Liga Inglesa, defendeu o remate rasteiro e colocado do jovem Joshua Onomah, um dos destaques dos “Cottagers” durante esta época.

O ascendente começou a pender cada vez mais para o lado dos “Whites”, o que apenas permitia ao Brentford tentar sair para o ataque através de transições rápidas. Contudo, desde a paragem para hidratação, por volta dos 25 minutos de jogo, que o ritmo de jogo diminuiu e não se registaram mais lances perigosos até ao intervalo.

Logo após o reatar da partida, Neeskens Kebano dispôs de um livre direto à entrada da área dos “Bees” e cobrou-o de forma incrível, mas a bola tocou a rede pelo lado de fora da baliza. Cerca de dez minutos depois, nova oportunidade para o Fulham, mas desta feita foi Bobby Reid a vacilar no remate final.

Com o jogo completamente em aberto, a primeira boa oportunidade para o lado do Brentford surgiu ao minuto 72, através de um pontapé potente de Ollie Watkins, de fora da área, mas que foi travado por uma boa parada de Marek Rodak. Este momento projetou o Brentford para uns bons dez minutos seguintes, mas passado esse tempo voltou ao encontro a toada algo adormecida que figurou na segunda parte, mantendo-se assim o nulo no marcador até ao fim dos 90 minutos.

No prolongamento, apesar da boa oportunidade de que Watkins dispôs logo no início, foi o Fulham que acabou por chegar à vitória. Joe Bryan, defesa esquerdo dos “Cottagers”, bisou com um golo em cada parte do tempo extra e deu a vitória ao Fulham nesta final do playoff. Os “Bees” ainda reduziram, por intermédio de Henrik Dalsgaard, mas era já tarde demais para conseguirem retirar algo da partida.

O Fulham está assim de regresso ao principal escalão do futebol inglês, após um ano de ausência. Já o Brentford, vai continuar na Segunda Liga, terminando assim de forma dolorosa uma boa época dos “Bees”.

 

A FIGURA


Joe Bryan – Num jogo muito adormecido e sem grandes figuras, sobretudo na segunda parte, sobressaiu o jogador que marcou os dois golos da vitória e colocou o Fulham de volta à Primeira Liga Inglesa. Joe Bryan vai ficar para sempre na história dos “Cottagers” como o herói da temporada 2019/20!

 

O FORA DE JOGO


David Raya – Tal como referi na escolha da figura do jogo, a falta de acontecimentos relevantes durante o encontro levou a que este fosse decidido nos detalhes, e aí o guardião espanhol falhou. Depois de uma época tremenda, foi um último jogo inglório para o guarda-redes do Brentford, que cometeu um erro que custou o jogo à sua equipa.

 

ANÁLISE TÁTICA – BRENTFORD FC

O 4-3-3 montado por Thomas Frank pretendia permitir aos “Bees” estarem sólidos no momento defensivo e lançarem rapidamente os três homens do ataque. Contudo, para que a equipa tivesse sucesso, faltou mais envolvimento no jogo dos três membros do meio-campo, bem como do “mago” da equipa, Mohamed Benrahma. A falta da habitual verticalidade rápida com que o Brentford costuma pautar o seu jogo ofensivo foi um dos principais fatores para o fracasso da equipa no jogo de hoje.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

David Raya (5)

Henrik Dalsgaard (6)

Pontus Jansson (6)

Ethan Pinnock (6)

Rico Henry (6)

Christian Norgaard (6)

Mathias Jensen (6)

Joshua Da Silva (6)

Bryan Mbeumo (5)

Mohamed Benrahma (5)

Ollie Watkins (5)

SUBS UTILIZADOS

Emiliano Marcondes (6)

Sergi Canos (6)

Ibrahim Dervisoglu (5)

Tarique Fosu (5)

ANÁLISE TÁTICA – FULHAM FC

Dispostos em 4-2-3-1 por Scott Parker, os “Cottagers” estiveram por cima durante a maioria da primeira parte. A grande solidez das exibições de Harrison Reed e Tom Cairney deram o equilíbrio necessário para que a equipa ficasse confortável e se desenvolvesse ofensivamente com êxito, sempre com Joshua Onomah muito envolvido. Nota também para a bela exibição do setor defensivo, destacando-se os defesas centrais, Michael Hector e Tim Ream.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Marek Rodak (6)

Dennis Odoi (6)

Michael Hector (6)

Tim Ream (6)

Joe Bryan (6)

Harrison Reed (6)

Tom Cairney (6)

Aboubakar Kamara (5)

Joshua Onomah (6)

Neeskens Kebano (5)

Bobby Reid (5)

SUBS UTILIZADOS

Anthony Knockaert (5)

Aleksandar Mitrovic (6)

Ivan Cavaleiro (6)

Maxime Le Marchand (6)

Cyrus Christie (6)

«Tinha tudo acertado com o Sporting CP, mas o Costinha foi despedido e o negócio caiu» – Entrevista BnR com Matheus

600 mil euros de prémio de assinatura e 60 mil de salário. Eram estes os valores que Matheus tinha acordado com o Sporting CP na época 2010/2011, mas o despedimento de Costinha colocou um travão no «salto» para Alvalade. Durante quase duas horas, o extremo brasileiro «viajou» pelas histórias da carreira, desde a passagem do futsal para o futebol, as dificuldades em Marco de Canaveses, o campeonato «tirado» ao SC Braga, a depressão na Ucrânia, a lesão na final da Liga Europa com o Sevilha e a aventura pela China, que já dura há quatro anos.

– O futebol na China… depois da pandemia –

«Estão oito equipas de quarentena na mesma cidade e só saímos para treinar e jogar»

 

Bola na Rede (BnR): Olá, Matheus. Tudo bem?

Matheus (M): Sim. Dá-me só um momento para fechar a porta do quarto. É que estamos de quarentena e está toda a gente neste andar, por isso, qualquer barulhozinho pode incomodar.

BnR: Vocês ainda estão de quarentena?

M: Estamos porque ainda é o início do campeonato. Então, oito equipas ficaram na mesma cidade, num centro de treinos, e as outras oito equipas ficaram noutra cidade. Nós estamos em Suzhou, fechados e só podemos sair para treinar, almoçar e caminhar cá dentro.

 

Ver esta publicação no Instagram

 

Uma publicação partilhada por Matheus Leite Nascimento (@matheus_10_99) a

BnR: E treinam nos campos dos vossos clubes ou têm um lugar neutro?

M: Não, aqui tem um campo de treinos para cada clube. Só se sai para os jogos no estádio, no dia antes faz-se o teste e depois vai-se para o jogo, mas volta-se direto cá para dentro.

BnR: Como foi este tempo de paragem para ti, que já tens 37 anos?

M: Rapaz, com certeza. Não me afetou mais porque continuamos a treinar, a fazer bastantes jogos amistosos, mas em termos de competição afetou bastante, não só a mim, como aos jovens que estão no início da carreira e querem jogar o mais cedo possível.

BnR: Mas para ti começou muito bem, porque em dez minutos fizeste um golo…

M: É verdade. Foi um jogo em que estivemos muito bem, começámos a ganhar, podiamos ter feito o 2-0 mas não conseguimos… Eles acabaram, com um a menos, por empatar e virar o jogo. Muitos acreditam que jogar com menos um torna-se mais fácil, mas para mim é mais difícil para os avançados, porque eles fecham-se mais, começa o cai-cai, ganhar tempo e complica a quem quer ganhar. Eu tive a sorte… e Deus também viu que estávamos a fazer um bom trabalho e não podíamos perder. Consegui o golo e um bom resultado, que era o empate.

Matheus com a braçadeira de capitão do Shijiazhuang Ever Bright
Fonte: Cortesia – Matheus

BnR: Estás numa equipa que acabou de subir à Superliga Chinesa. Quais são as diferenças entre a Primeira e a Segunda?

M: É assim, quando cheguei a esta equipa (Shijiazhuang Ever Bright) ela estava na Primeira Divisão, até o Rúben Micael e o Mário Rondón jogavam aqui, mas naquele período que eu vim – faltavam cinco jogos – estava muito difícil para recuperar e permanecer. Não só em pontos, mas por causa da tabela, porque os nossos últimos jogos eram contra os clubes ditos grandes da China e acabou por prejudicar-nos. Não conseguimos escapar e acabei três temporadas a disputar a Segunda Divisão, mas no ano passado subimos. Foi um período muito bom para mim e para a equipa.

BnR: Também é um clube com muito dinheiro ou mais limitado comparando com os outros?

M: Em comparação com os outros é mais limitado mas, ao mesmo tempo, cumpre com as suas obrigações. Eu acho que o dinheiro não é tudo e às vezes vamos para um clube receber bastante dinheiro, mas que depois começa a atrasar, a não pagar… nós, jogadores, passamos muitas vezes por isso, como me aconteceu na Ucrânia, no dito clube grande Dnipro: acabou com os jogadores a não receberem nada durante o ano todo e no melhor ano do clube. Mas aqui cumprem com o que falam, é um clube novo, acho que com onze anos, mas é um clube grande. Clube que cumpre com os seus compromissos, tem de ser chamado de clube grande.

Os 5 derradeiros momentos da época do SL Benfica

0

Acabou. Finalmente acabou a época mais longa da história do futebol português, 361 dias após ter começado. Uma época atípica, pelas condições que todos nós conhecemos, e que finalmente chegou a um termo após o FC Porto ter conquistado a Taça de Portugal frente ao SL Benfica, ao vencer os encarnados por 2-1.

Foi uma época de altos e baixos para os rapazes da Luz, sendo que os momentos baixos se superiorizaram aos momentos altos. De facto, a época que agora findou deverá servir de reflexão, assim como também deverá servir para os adeptos e sócios tirarem ilações sobre o trabalho que tem vindo a ser feito nos últimos tempos, onde, em três anos, o Benfica perdeu dois campeonatos e uma Taça de Portugal para um FC Porto intervencionado e falido.

Esta semana, apresentamos, entre os inúmeros altos e baixos, cinco momentos que marcaram a época encarnada.

Como não formar campeões

O título do artigo bem podia ser o nome do relatório da Human Rights Watch (HRW), mas a ONG que zela pelos direitos humanos foi mais longe e intitulou-o de “I Was Hit So Many Times I Can’t Count”. O nome advém de um dos muitos testemunhos de atletas ou jovens atletas japoneses (alguns já não tão jovens, atualmente) que foram abusados física ou psicologicamente pelos próprios treinadores. Muitos deles só agora conseguiram descrever os horrores que atravessaram ao longo de vários anos.

Em condições normais, estaríamos já com 13 dias de competição nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, mas já sabemos que estes foram adiados por um ano devido à pandemia de COVID-19. Por isso, a HRW decidiu “mostrar ao Mundo” que o país que irá acolher a olimpíada – e, consequentemente, a chama olímpica e os valores olímpicos – não se preocupa assim tanto com um problema enraizado na sua sociedade.

Através de um questionário on-line e de entrevistas presenciais, a HRW descobriu «425 atletas e antigos jovens atletas que reportaram experiências diretas de abuso físico enquanto praticavam Desporto». São números chocantes e os relatos que estão no relatório demonstram bem a gravidade do assunto. Num país como o Japão – considerado uma das potências mundiais não só a nível económico, mas de desenvolvimento humano – estes dados mancham a imagem que os nipónicos têm a nível mundial.

UM PROBLEMA ESTRUTURAL DO PERÍODO PÓS-SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Em muitas obras cinematográficas, os cidadãos japoneses são representados como tendo caraterísticas violentas no modo de educar. Até mesmo no Desporto, a educação e a formação dos atletas acaba por ser “infetada” por essa violência. Aliás, especialistas, segundo o relatório da HRW, concordam que os constantes casos de abuso físico no Desporto japonês não são recentes e estes casos estão intimamente ligados com o militarismo que esteve presente na educação no pós-Segunda Guerra Mundial.

Com o passar dos anos, e por ser algo tão radicado na sociedade japonesa, esta cultura de violência no Desporto foi sendo (e continua a ser) vista como “normal”, como muitos alunos universitários o descreveram num estudo de 2013.

«Um atleta disse, “Eu acho que [taibatsu] está bem desde que torne o atleta e/ou a equipa mais forte”» (Human Rights Watch, 2020)

Taibatsu é a palavra japonesa que designa uma punição corporal e foram muitos os atletas que experienciaram este tipo de punições durante os largos anos que praticavam uma modalidade no Japão. Alguns ganharam voz, através deste relatório, mas outros podem estar a sofrer em silêncio – algo que por si só já deveria ser assustador.

Os 5 melhores guarda-redes da Primeira Liga (extra-grandes)

A tremenda qualidade dos guarda-redes “extra-grandes” durante a época 2019/2020 foi de tal forma impressionante, que me vi obrigado a deixar de fora grandes nomes como Hervé Koffi (Belenenses Sad), Marco (CD Santa Clara), Pawel Kieszek (Rio Ave FC) ou até Quentin Beunardeau (que rescindiu com o CD Aves).

Os cinco presentes nesta lista têm todos uma coisa em comum: a idade da maturidade. Todos eles estão na altura certa para dar o maior salto da carreira. Digo até, que os grandes bem podiam “pescar” em Portugal.

Quem serão os Ases dos ares da Primeira Liga 2019/20?

Numa das épocas mais atípicas de que há memória – e dificilmente será superada nesse capítulo – não chegava uma pandemia para atrapalhar as contas, também agora não se sabe quem realmente desce à Segunda Liga. Ainda não é certo se temos um histórico a descer de escalão ou se, por mais uma vez, consegue escapar às garras da “Segunda” e das finanças.

De forma a proteger populações e agilizar os encontros, tivemos equipas a carregar a casa às costas e a assentar os seus quartéis generais noutras latitudes. De facto, foram mais os pontos aleatórios numa época pouco brilhante do que seria de esperar. O que não parece ser afetada é a competência dentro das quatro linhas.

Essa ou se tem ou se não tem. Simples assim. Neste artigo vou abordar a competência dos clubes da Primeira Liga num aspeto muito específico do jogo; a bola parada e o aproveitamento que daí decorre. É recorrente ouvir, aqui e acolá, que determinada equipa é mais forte na bola parada e que depende muito desse momento para a conquista dos pontos.

Verdade ou não, os números da época estão aqui vertidos e alguns representam uma verdadeira surpresa. Quanto à faturação por “via aérea” não há surpresas e as suspeitas confirmam-se e não deixam margem para dúvidas; os dragões foram quem levantou mais vezes vôo para alcançar o título.

Foram, de longe, a equipa mais goleadora de cabeça em casa (10 golos) e fora de portas têm também o melhor registo, igualados pelo CD Santa Clara (sete). No lado oposto surgem o Belenenses SAD e CD Aves, sem qualquer golo apontado de cabeça em casa. O “Galo” pouco usou as asas fora de casa; os gilistas apontaram apenas um golo de cabeça longe do seu terreno.

Uma das razões da descida dos algarvios pode estar no facto de dependerem demasiado da produção ofensiva através dos lances de bola parada.

É no âmbito da organização defensiva que surgem as surpresas. Os grandes não desaparecem, mas as equipas de menor dimensão dão o salto na estatística. As equipas mais permeáveis em casa são Rio Ave FC e Belenenses SAD, com sete e oito golos sofridos, respetivamente. Fora de portas, foram os tondelenses e os avenses que mais sofreram; oito golos pelos auriverdes e 11 pela equipa da Vila das Aves.

No extremo oposto desta análise surgem Sporting CP e CS Marítimo – os leões sofreram apenas um golo de cabeça em casa e os insulares repetiram o registo, mas enquanto visitante. No total, as equipas menos batidas peloas ares foram, no entanto, os dois grandes que disputaram o título até ao fim, uma equipa que ficou às portas da Europa e um despromovido; FC Porto, SL Benfica, Vitória SC e Portimonense SC sofreram apenas cinco golos de cabeça em toda a prova.

Quanto ao peso destes números face ao total de golos apontados por cada equipa, as surpresas prolongam-se. A equipa que mais dependeu do jogo aéreo para pontuar vive num impasse relativamente à divisão onde vai competir no próximo ano; o Portimonense SC marcou 37% dos seus golos através de remates de cabeça.

Segue-se, de perto, o CD Santa Clara com exatamente um terço dos golos apontados de cabeça (33%) e um pouco mais atrás surgem os tondelenses (27%). Belenenses-SAD (sete porcento), FC Famalicão (11%) e Rio Ave FC (13%) raramente recorrem a este meio de obter golos.

Pelo contrário, o CD Santa Clara surge como uma das equipas mais permeáveis, sofrendo 29% dos seus golos pelos ares. Seguem-se, de perto, Rio Ave FC e CD Tondela com 25%. Por fim, Portimonense SC (11%), Vitória SC (13%) e FC Famalicão (14%) foram as equipas menos feridas de cabeça em relação ao universo de golos concedidos em toda a Liga.

O regresso do calendário World Tour no Ciclismo

O calendário WorldTour está de regresso à estrada após a retoma ter sido efetuada no dia 1 de agosto, com a realização de uma das clássicas mais importantes do calendário velocipédico, a Strade Bianche. A 14.ª edição da prova italiana foi corrida na cidade de Siena, como já é habitual, num percurso de 184 quilómetros. No final, foi o belga Wout Van Aert a festejar o triunfo.

A retoma no calendário tinha sido feita por algumas WorldTeams com o Sibiu Tour (2.1), na Roménia, prova ganha pelo austríaco Gregor Muhlberger (Bora-Hansgrohe). Seguiu-se a Volta a Burgos (2. Pro), prova que contou com um pelotão recheado de boas equipas, sendo conquistada pelo jovem prodígio Remco Evenepoel (Deceuninck-Quick Step), que amealhou a sua terceira vitória do ano em classificações gerais, em três possíveis. O belga só conhece o sabor da vitória em 2020, abrindo-se boas perspetivas para o que aí vem.

De destacar ainda o excelente trabalho do português João Almeida (Deceuninck-Quick Step), que ajudou o companheiro a atingir o primeiro lugar e ainda viu coroada a sua boa exibição com um lugar no pódio final (3.º lugar).

No entanto, a prova de maior relevância até ao momento foi a clássica italiana. O belga Wout Van Aert, de 25 anos, venceu à terceira vez, depois de ter batido na trave nos dois anos anteriores, onde acabou sempre na terceira posição da Strade Bianche.

O ataque da vitória deu-se no último setor de terra (sterrato), com o jovem ciclista a ganhar uma vantagem entre os 20 e os 30 segundos para o grupo perseguidor. Nunca mais foi alcançado, podendo celebrar à vontade na linha de meta. O italiano Davide Formolo (UAE Team Emirates) ficou no segundo lugar, com 30 segundos de atraso, e em terceiro lugar terminou Maximilian Schachmann (Bora-Hansgrohe) com 32 segundos de diferença para o primeiro.

O ciclista Wout Van Aert selou assim, com a sua 12.ª vitória da carreira, a sua primeira conquista no que toca a clássicas do calendário WorldTour.

No próximo dia 5 de agosto começará a Volta à Polónia, primeira grande prova de etapas com todas as WorldTeams presentes. A prova contará com a presença de Rui Costa, Ivo Oliveira e Rui Oliveira ao serviço da equipa UAE-Team Emirates.

De salientar ainda, agora em termos nacionais, a presença das equipas portuguesas da Efapel e Feirense no Circuito de Getxo, em Espanha, no passado dia 2 de agosto, onde competiram num pelotão com várias WorldTeams e ProTeams. O melhor atleta das equipas portuguesas foi Tiago Machado (Efapel), que terminou na 29.ª posição, a 51 segundos do vencedor Damiano Caruso (Bahrain-Mclaren).

Foto de capa: Strade Bianche

Editorial BnR #9: Resposta ao Comunicado de José Pedro

Em face do comunicado emitido em nome do antigo jogador e agora treinador José Pedro, onde é afirmado: “(…) sem querer entrar em detalhes excessivos sobre inúmeras frases e expressões que surgiram na entrevista e não correspondem ao que disse, ainda assim, quero deixar claro que jamais iria dar indicações ou ordens ao diretor-desportivo, Hugo Viana, e ao presidente Frederico Varandas sobre como deveriam fazer o seu trabalho, nem tão pouco colocar em causa as suas boas intenções e honestidade.”, o Orgão de Comunicação Social Bola na Rede vê-se obrigado a responder, de forma a restabelecer a realidade dos factos e o bom nome do mesmo.

1 – Repudiamos e rejeitamos cabalmente as afirmações proferidas no comunicado, que lamentamos profundamente;

2 – Todas as entrevistas que foram realizadas por nós ao longo dos quase 10 anos de projeto foram realizadas com o aval dos intervenientes e todas as gravações tiveram o consentimento de cada um dos entrevistados. Apesar de sermos uma equipa jovem, existem valores que nunca iremos colocar em causa, como a isenção, frontalidade, rigor, honestidade e profissionalismo;

3 – Em momento algum de qualquer entrevista que tenhamos realizado colocámos opiniões que não as dos entrevistados, palavras que não tenham sido proferidas, moldámos ou distorcemos raciocínios e adulterámos declarações;

4 – Não seguimos nenhuma agenda, não temos segundas intenções com os nossos trabalhos e queremos sempre contribuir para um futebol livre, de discurso livre e sem poderes instalados. Valorizamos muito o nosso projeto para o colocar em causa com títulos sensacionalistas, omissões ou qualquer espécie de influência exterior;

5 – Desta forma, e em nome da verdade para com os deveres do Jornalismo e com a consciência de que deveremos sempre contribuir para a credibilização do mesmo, iremos disponibilizar o áudio em bruto da entrevista realizada por Frederico Seruya e o entrevistado mencionado anteriormente a qualquer Orgão de Comunicação Social. Tomámos esta decisão editorial para que não sejamos confrontados com qualquer outro argumento que se apoie em áudios editados ou qualquer outro forma de manipulação.

6 – Queremos, em nome pessoal e de cada um dos elementos que compõem este projeto, garantir que esta questão em nada nos irá fazer desvirtuar do caminho que trilhámos, apoiado na isenção, num jornalismo limpo de clubismos, de facciosismos, e que não nos iremos subverter a poderes superiores por parte de qualquer entidade.

 

A Direção do projeto Bola na Rede,

Mário Cagica Oliveira e Vítor Miguel Gonçalves

Artigo revisto por Joana Mendes