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Sporting CP 2-1 Gil Vicente FC: A série invencível de Rúben Amorim perdura

CRÓNICA: PLATA NÃO PERDOA E SPORTING CP DISTANCIA-SE DO SC BRAGA

O Sporting CP defrontou esta noite o Gil Vicente FC, num dia muito especial, pelo que o planeta leonino festeja o 114.º aniversário do clube. Em jeito de homenagem, os jogadores atuaram com jogadores lendários nas costas. Depois de uma semana adversa para os adeptos gilistas (Vítor Oliveira confirmou ab-rogar a sua continuidade enquanto técnico do Gil Vicente), o técnico português voltaria a estar presente no banco gilista, após castigo de oito dias.

O Gil Vicente vinha de uma vitória confortável diante o condenado Desportivo das Aves (3-0), enquanto o Sporting, por outro lado, vinha de uma vitória custosa diante do Belenenses SAD (1-3).

Jovane Cabral- Um dos jogadores mais valorizados por Rúben Amorim desde que assumiu o comando técnico do Sporting CP, não atuou na partida desta noite pelo que a sua velocidade, explosão, capacidade de vertigem no adversário, foram compensados por Gonzalo Plata, que demonstrou ser um “quebra-cabeças” para a defesa do Gil Vicente.

Todavia, a entrada energética por parte da equipa forasteira, que inclusive culminou num golo de Rúben Ribeiro que viria a ser anulado, a turma de Rúben Amorim viria a responder com assertividade, controlando a partida a seu bel-prazer com a bola nos pés (60% posse de bola). Este domínio, teve contudo um pendor significativo para a exploração do flanco direito, ao passo que foi a partir daí que surgiu o primeiro golo – numa jogada individual de Gonzalo Plata-, Wendel aproveitou a bola solta para rematar e conferir o seu segundo golo no campeonato. O remanescente da primeira parte foi mais competitiva, ao passo que os gilistas subiram linhas e colocaram maior agressividade nas suas ações com/sem bola. Em adição, com um cruzamento, o Gil Vicente iria voltar a marcar, no entanto, Vítor Oliveira iria ver o golo da sua equipa anulado (novamente), desta feita foi Sandro Lima na execução.

No início da segunda parte, a equipa liderada por Rúben Amorim descurou da posse de bola que ia tendo na primeira parte, tornando-se mais pragmático e menos paciente em organização ofensiva, à espreita dos erros do adversário. Após desperdício incrível de Wendel no primeiro minuto, Gonzalo Plata viria a desbloquear novamente o ataque leonino, com um golo consequente de um erro clamoroso de Claude.

Com o maior controlo do jogo e da posse de bola, o Gil Vicente iria reduzir já muito perto do fim, após falta cometida por Doumbia, que chegaria atrasado ao cruzamento de laboratório que Rúben Ribeiro proporcionou a Hugo Vieira. Apesar do esforço final, a equipa orientada por Vitor Oliveira não conseguiria chegar ao empate.

Nota ainda para a estreia de dois «meninos» da formação do Sporting CP, lançados por Rúben Amorim: Tiago Tomás e Joelson Fernandes.

Para concluir, o Sporting CP afasta-se ainda mais do SC Braga e vê-se isolado no terceiro posto do campeonato com 55 pontos. Do outro lado, o Gil Vicente vê a consolidação da permanência rejeitada, tendo Marítimo, Paços de Ferreira e Belenenses SAD a cheirar o 11.º lugar.

A FIGURA
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gonzalo Plata – Estonteante, elétrico, prepotente, muito perigoso nas ações de 1×1 e um autêntico «abre latas» para a ofensiva leonina. Marcou, fez quatro dribles eficazes em oito tentativas e criou para os colegas. Em suma, o equatoriano foi uma autêntica dor de cabeça para a defesa gilista e o desbloqueador do Sporting CP.

O FORA DE JOGO

Claude Gonçalves – Viu-se várias vezes desequilibrado na defensiva gilista, não demonstrou criatividade e colecionou vários erros, entre os quais três passes falhados em zonas de risco, que por conseguinte, num desses erros flagrantes, executou uma autêntica assistência para Plata, naquele que se traduziria o segundo golo leonino na partida. 

ANÁLISE TÁTICA SPORTING CP

Rúben Amorim apresentou a mesma organização tática que nas partidas anteriores, num 3x4x3 com Borja a assumir (novamente) o lugar de Mathieu e Camacho a substituir Jovane, no lado esquerdo do terreno. Tentativa esta falhada, pelo que nem em busca da profundidade nem na procura da linha média adversária, Camacho conseguiu desequilibrar. Apesar disso, a ideia e o modelo manteve-se, indepentemente dos “protagonistas”, sendo que Plata do lado direito e Camacho do lado esquerdo procuravam terrenos interiores, de modo a descongestionar o flanco a Ristosvki e Nuno Mendes, respetivamente.

A equipa leonina, por fim, demonstra estar bem alicerçada no sistema de Amorim. Não obstante, demonstrou dificuldades em criação ofensiva, aquando o Gil Vicente «oferecia» a bola ao Sporting CP, sendo que os médios baixavam e a bola persistia nos flancos (especialmente o direito). Na segunda parte, o Sporting CP, quebrou muito os níveis de concentração e ofereceu por completo a iniciativa à equipa gilista.

Ainda assim, o Sporting CP demonstra percorrer um caminho positivo, sendo a equipa com mais pontos do campeonato, no pós-pandemia.

11 INICIAL E SUBS

Maximiano-7

 Quaresma-5

 Coates-6

 Borja-5

 Ristovski-6

Matheus-5

Wendel -7

Nuno Mendes-6

Camacho-3

Sporar-5

Plata-8

Suplentes:

Battaglia-5

Doumbia-4

Joelson-5

Tiago Tomás-5

ANÁLISE TÁTICA GIL VICENTE FC

A equipa orientada por Vitor Oliveira delineou-se num 4x3x3, procurando pressionar a segunda fase de construção do Sporting CP, que contudo foi encontrando espaço nos flancos (a criatividade e os recursos técnicos dos jogadores leoninos ajudaram). Pragmáticos em procura do erro leonino acabaram traídos, ao passo que numa arrancada viram a estratégia do avesso. Após o intervalo, o Gil Vicente tomou a iniciativa, ao passo que Rúben Ribeiro assumiu as rédeas do jogo, indo buscar jogo e quase sempre decidindo no último terço da ofensiva gilista. A solidez defensiva proporcionada por Rúben Amorim num sistema de três centrais, que se traduzia em organização defensiva numa linha de cinco, não permitiu à equipa forasteira criar muitas ocasiões, pelo que a posse de bola tornava-se muito pouco consequente.

Para concluir, o Gil Vicente vê-se mais perto dos rivais na luta pela manutenção, mantendo os mesmos 33 pontos que levava antes do início do encontro.

 

11 INICIAL E SUBS

Denis-6

Rodrigo-5

Rúben Fernandes-7

Ygor Nogueira-5

Claude Gonçalves-3

João Afonso-4

Soares-5

Baraye-4

Lourency-5

Rúben Ribeiro-7

Sandro Lima-5

Suplentes:

Naidji-4

Hugo Vieira-6

Kraev-5

Samuel Lino-3

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Os 5 jogadores com mais assistências na história da Liga Inglesa

A Primeira Liga Inglesa de futebol regressou há poucas semanas, mas foi já possível apurar o campeão da presente temporada que, ainda assim, estava já praticamente anunciado antes da paragem devido à pandemia. O Liverpool FC, equipa treinada por Jurgen Klopp, foi superior ao Manchester City FC e acabou assim com uma seca de campeonatos que durava há mais de 29 anos.

Na memória vai ficar, certamente, o bom futebol praticado pelas equipas, os grandes golos, as grandes defesas, os grandes momentos. Tal como ficam os grandes guarda-redes e os melhores marcadores de cada temporada.

Fizemos, anteriormente, uma lista dos dez melhores marcadores de sempre da competição, mas desta vez damos nota àqueles que muitas vezes são esquecidos ou subvalorizados no mundo do futebol. Afinal de contas, grande parte dos golos surgem através de passes, muitos deles dignos de registo.

Tal como existem jogadores que parecem ter faro de golo, o mesmo se aplica para as assistências, e por isso fazemos um top 5 dos jogadores com mais assistências para golo de sempre da Liga Inglesa.

 

O 11 mais caro de Manchester City FC e Liverpool FC em conjunto

Citizens e Reds partilham em comum várias características, e uma delas é o cofre. Os dois colossos europeus têm aberto os cordões à bolsa nos últimos mercados de transferência na procura de voltar à ribalta do futebol mundial. O Liverpool FC parece um pouco mais adiantado nessa luta, mas, curiosamente, neste XI onde estão as contratações mais caras por posições dos atuais planteis, é o Manchester City FC que lidera com sete jogadores.

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No total esta formação custou 713,15 milhões de euros, e tem, aquilo que podemos considerar, algumas peripécias. Ao longo do artigo podemos encontrar algumas conclusões e comparações, a começar pelo facto de o atleta mais caro deste 11 ser um jogador mais defensivo, e o mais barato um avançado que está em Inglaterra há cinco anos e contabiliza 237 jogos oficiais.

O que resta jogar ao FC Porto? Os números apontam para o 29.º título

Com a vitória desta segunda-feira no terreno do Paços de Ferreira, o FC Porto está com uma mão na taça da Primeira Liga . Os dragões entraram em campo já com o conhecimento do desaire do Benfica, com três pontos de desvantagem sob a equipa orientada por Sérgio Conceição, que entrou com a motivação toda para se distanciar das águias.

O técnico portista alinhou com o habitual 4-4-2, colocando desta vez Manafá de início na lateral direita, alterou a dupla de médios (Danilo-Uribe), Corona atuou na esquerda e Otávio desempenhou a tal função de ‘vagabundo’, fechando mais à direita. A meio da segunda parte alterou o esquema para um 4-3-3, com a retirada de um apagado Soares e lançando o colombiano Luís Diaz, que tinha ficado de fora do onze. O único golo da partida surgiu cedo, com Mbemba a aproveitar um mau alívio de Ricardo Ribeiro na sequência de um pontapé de canto, e a introduzir a bola na baliza dos castores.

Os azuis e brancos estão seis pontos à frente do rival e o campeonato parece já não escapar, tendo em conta a instabilidade vivida na Luz, refletida pelas declarações de Luís Filipe Vieira, que deu a entender que o campeonato já estaria entregue e que um novo treinador estaria a caminho do Benfica. Desde a retoma do campeonato, os encarnados venceram apenas um jogo em seis e nos últimos 13 obtiveram apenas dois triunfos, demonstrando claros problemas defensivos, principalmente em transições, e uma dessincronização total entre os setores.

O FC Porto preparou-se melhor para esta reta final do campeonato, embora também esteja longe do melhor período da temporada, a começar por um desaire contra o Famalicão e um empate a zeros contra o último classificado e mais do que condenado Desportivo das Aves. De qualquer das formas, as melhorias estão à vista e os resultados falam por si. A segunda parte dos dragões contra o Boavista foi de excelência, assim como a vitória na capital do móvel, arrancada a ferros e com destaque para uma coesão defensiva categórica do elenco portista.

Pela primeira vez desde o regresso do futebol, o conjunto de Conceição foi superado em passes, remates, remates enquadrados, cantos e oportunidades de golo, o que prova a clara dificuldade em aguentar a vantagem inicial até ao final da partida, que resultou numa vitória que não acontecia desde 2014 naquele estádio.

Mesmo com o afastamento por lesão de Iván Marcano, o FC Porto continua bem estruturado defensivamente, visto que foi o quarto jogo seguido com a baliza inviolável, continuando sem sofrer qualquer golo na primeira parte na pós-retoma. Além destes dados, é a equipa que permite menor número de remates enquadrados ao adversário (2 por jogo), e também a mais certeira ao alvo – 6,4 remates enquadrados por jogo.

A verdade é que o FC Porto conta com mais seis pontos sobre o rival direto, que são sete na prática, tendo em conta a vantagem do líder no confronto direto, com duas vitórias sobre o Benfica. Os azuis e brancos têm ainda a possibilidade de perder duas partidas das cinco restantes e serem campeões, mesmo se os encarnados vencessem todas as partidas. Ou seja, daqui para a frente, o FC Porto necessita apenas de conquistar nove pontos em quinze possíveis.

Veja então o que resta jogar ao conjunto de Sérgio Conceição na reta final do campeonato português:

FC Porto X Belenenses SAD – 05/07

CD Tondela X FC Porto – 09/07

FC Porto X Sporting CP – 15/07

FC Porto X Moreirense – 20/07

SC Braga X FC Porto – 26/07

 

O próximo adversário do FC Porto é o Belenenses SAD, que, apesar de ser um osso duro de roer, o registo demonstra-se favorável para os dragões. Desde o regresso do clube à Primeira Liga em 2013, defrontaram-se por 13 vezes nesta competição e a vitória foi para o lado dos portistas por oito vezes, além de quatro empates e uma derrota. Neste mesmo período, o FC Porto venceu todas as partidas no Estádio do Dragão, perdendo apenas pontos no reduto do Belenenses.

Os azuis do Restelo estão a realizar boas exibições na pós-retoma, com destaque para um triunfo na Vila das Aves, um empate contra o Vitória e uma derrota contra o Sporting na última semana, na qual puseram os leões em sentido. Poderá causar dificuldades ao FC Porto, no entanto, os dragões em casa são mais do que favoritos para levar os três pontos.

Segue-se o Tondela e os números apontam para mais um triunfo do líder do campeonato. FC Porto e CD Tondela encontraram-se nove vezes, desde o momento em que os auriverdes subiram de divisão em 2015. No total, são sete vitórias para os portistas contra uma do conjunto da Beira, além de um empate a zero. Na época anterior, os dragões venceram 3-0 no Estádio João Cardoso e esta temporada procuram mais um resultado positivo rumo ao 29º título. Relembre-se que esta equipa retirou pontos ao Benfica no Estádio da Luz e está ainda na luta pela manutenção, logo, qualquer ponto é precioso.

Em caso de vitória nos dois jogos anteriores, o FC Porto podia fazer a festa em casa contra o Sporting, mas este não é um Sporting qualquer. É uma equipa que só sabe ganhar desde a entrada de Rúben Amorim no comando técnico, à exceção de um empate em Guimarães. A realidade é que poucas vezes os leões levaram a melhor na casa do Dragão, pois nos últimos 10 encontros para o campeonato, o FC Porto venceu nove e o Sporting apenas um. De qualquer das formas, o conjunto leonino ainda tem a esperança de alcançar o segundo lugar e respetivo aceso à Liga dos Campeões, com a motivação extra de defrontar o Benfica na última jornada.

A penúltima jornada é novamente em casa do FC Porto e a equipa pode já nem precisar de vencer esta partida, contudo, o futebol é imprevisível (e agora ainda mais!), e um desaire pode complicar as contas do título. Logo, o Moreirense pode ser um jogo decisivo para o desfecho das decisões. Para o campeonato, desde o momento da subida da equipa de Moreira de Cónegos, em 2012, as duas equipas defrontaram-se 14 vezes, sendo que os portuenses venceram nove vezes, empataram quatro e perderam uma. No Estádio do Dragão, a equipa fez o pleno… São seis vitórias em seis partidas! Este dado indica uma grande probabilidade de o conjunto de Sérgio Conceição coletar os três pontos. No entanto, cautelas medidas porque o Moreirense é uma equipa compacta e na pós-retoma derrotou o Aves e o Boavista, empatou com o Famalicão e com o Vitória de Guimarães e perdeu pela margem mínima contra o Rio Ave.

Na última jornada, a equipa portista deslocar-se-à ao Estádio Municipal de Braga para defrontar o Sp. Braga. O mais provável é até já pisar o relvado com o título conquistado, contudo, a bola é redonda e tudo pode mudar até lá. Dos cinco jogos este é talvez o que amedronta mais os dragões, por ser um terreno complicado e um adversário que deixa tudo em campo contra o FC Porto. A realidade é que os números continuam a beneficiar o Dragão, pois desde 2010, as equipas bateram-se por 20 vezes na Liga NOS e o FC Porto venceu 16 delas. Os bracarenses não se encontram no melhor momento e conquistaram apenas quatro pontos nos cinco jogos realizados desde o regresso à competição. Além disso, Custódio saiu esta quarta-feira do comando técnico do clube.

«Não tenho dúvidas de que o Palmeiras podia ter batido o Flamengo de Jorge Jesus» – Entrevista BnR com Paulo Turra

Antigo jogador do Boavista e do Vitória SC, Paulo Turra é, atualmente, um dos treinadores adjuntos de Luiz Felipe Scolari, tendo sido o seu braço direito no Guangzhou Evergrande e no Palmeiras. Fiel aprendiz de Felipão, que carinhosamente chama de professor, explica a importância dos treinadores adjuntos. Revela-se preocupado com a robotização que o talento do jogador brasileiro está a sofrer e fala-nos das suas ideias de jogo. Aos 46 anos, sem nunca esquecer as peripécias vividas no Porto e em Guimarães, diz ainda ter muito que aprender, mas não esconde o desejo de ser treinador principal.

– A nova peça no xadrez do Boavistão –

Bola na Rede (BnR): Vamos começar pela sua passagem em Portugal enquanto jogador. Chegou ao Boavista em 2001/2002 como é que surgiu a oportunidade de vir jogar para a Europa?

Paulo Turra (PT): Eu estava no Palmeiras no ano de 2000. Tínhamos perdido a semifinal da Libertadores para o Boca Juniors e o meu contrato com o Palmeiras acabou em junho de 2001. O Palmeiras fez-me uma proposta. Naquela época ainda existia a lei do passe. Recebi a proposta de renovação do Palmeiras. Não aceitei e fiquei a treinar em separado. Nessa altura, já sabia que tinha o Boavista a observar‑me. Um dia, o pessoal do Palmeiras chamou-me para me dizer que havia um olheiro de Portugal que me queria ver a treinar. Eu, prontamente, aceitei, porque eu sabia do interesse do Boavista. Quem estava aqui no Brasil para me ver treinar era o Jaime (Alves) que foi lateral do Boavista há muito tempo atrás. Ao sair do treino, o pessoal disse-me para ir à sede do clube, no estádio do Palmeiras. Fui lá, entrei em contacto com o meu empresário, falei com o presidente e acertámos tudo. O Boavista era o atual campeão português e tinha vaga garantida para a fase de grupos da Liga dos Campeões. Cheguei, fui apresentado e incorporei-me na equipa, que já estava a treinar.

BnR: Vir jogar para a Europa era o seu principal objetivo?

PT: Na verdade, quando fui para o Palmeiras não tinha esse objetivo. Só que fui abrindo a mente para outras oportunidades, fui observando o futebol de mais alto nível e, por incrível que pareça, no ano em que o Boavista foi campeão e eu estava no Palmeiras, acompanhei o Campeonato Português por um canal já extinto que passava os jogos aqui no Brasil. Como estava no topo do campeonato, passavam muitos jogos do Boavista. Fui-me familiarizando com o Boavista, com a camisola axadrezada, com os comentadores a dizerem que era a sensação… Por coincidência, foi o clube para onde eu acabei por ir. Com o passar dos jogos no Palmeiras, fiquei com vontade de jogar no futebol europeu. Nas concentrações, à tarde, acompanhava os jogos da Liga dos Campeões que, naquela época, já era uma competição muito boa e que hoje é ainda mais. Isso foi aguçando a minha vontade.

BnR: Como era o Paulo enquanto jogador?

PT: Era um defesa-central muito prático. Se eu jogasse hoje, teria dificuldade. Naquela época, eu era um jogador inteligente, porque eu não tinha muita qualidade técnica, mas tinha muita raça, velocidade, bom posicionamento…

BnR: Um jogador à imagem do Boavista daquela altura…

PT: Isso! Hoje, acho que os centrais jogam muito no risco. Tanto os centrais como os guarda-redes jogam muito na roleta russa por causa dessa moda, que existe no futebol mundial, de sair a jogar a partir de trás a todo o instante.

BnR: Enquanto treinador, gosta disso?

PT: Eu gosto de sair a jogar de trás quando tenho possibilidade de o fazer sem risco. Posso sair a jogar com sucesso várias vezes, mas, se erro uma, tenho 95% de chance de sofrer golo. Temos que ter um equilíbrio nessas ações. Acompanhei o regresso do futebol português e fiquei surpreendido pela negativa com golos que nascem de erros de guarda-redes e centrais a jogarem por dentro, a quererem sair a jogar a toda a hora. Há momentos em que a bola vem e o guarda-redes tem que dominar e jogar longo, o central a mesma coisa. Por isso, acho que hoje eu teria dificuldade. Eu jogava muito seguro, prático e eficiente.

Bnr: Hoje, quando tem que decidir sobre se a sua equipa vai sair a jogar a partir de trás ou não, olha para as características dos seus jogadores do setor mais recuado e avalia se eles têm capacidade para o fazer ou depende daquilo que o adversário oferece, isto é, se pressiona alto ou não?

PT: Jogo com as duas situações. Se os meus quatro defesas, o meu guarda-redes e os meus dois trincos têm qualidade suficiente para sair a jogar, treinaria situações onde, com segurança, o pudesse fazer. Estudaria também a equipa adversária. Por exemplo, se hoje eu fosse enfrentar o Flamengo, dificilmente eu iria sair a jogar de trás. Posso até tentar, mas é uma, duas, três, à quarta vez eu vou perder a bola e, contra uma equipa como o Flamengo, tenho 99% de hipótese de sofrer golo, porque são jogadores com essa característica e têm muita qualidade. Depende muito da qualidade dos teus jogadores, mas também das características e qualidade dos jogadores adversários.

Bnr: O Paulo Turra treinador contrataria o Paulo Turra jogador?

PT: Contrataria! O Paulo Turra jogador, na sua boa fase, tinha, como disse, muito bom posicionamento, jogava sempre sério, com responsabilidade, tinha boa velocidade e tinha bom jogo aéreo. Hoje, dificilmente vemos se um defesa-central é bom cabeceador ou não, porque o futebol mudou um pouco. Eu dou-te um exemplo, o Campeonato Alemão. O jogar deles é protocolar. A defesa, independentemente do adversário, joga em bloco alto. Bola longa nas costas da defesa e o atacante, de frente e com mais velocidade, normalmente, que os defesas, e é golo a toda a hora. Então, hoje, não tens condições de ver se um central tem bom cabeceamento ou não, exceto nas bolas paradas, principalmente nos cantos, mas é difícil. Não tenho dúvida nenhuma, eu contrataria o Paulo Turra e, ao mesmo tempo, fazia-o evoluir em lances em que ele chutava para a frente por chutar. Ensinava-o a direcioná-la.

Bnr: Se se tivesse que comparar a um jogador da atualidade, qual seria?

PT: Gustavo Gómez, que foi nosso defesa-central no Palmeiras. Ele tem mais qualidade do que eu, mas em termos de raça, determinação, recuperação… eu comparo-me muito a ele.

Adeus, Custódio. O que se segue?

O SC Braga anunciou esta amanhã que Custódio abandonou o lugar de treinador principal após a derrota contra o Rio Ave FC. Sem qualquer experiência como treinador principal, o português foi o escolhido para ocupar o comando técnico dos arsenalistas, após a saída de Ruben Amorim. Tal como Amorim, Custódio só teria testado as suas capacidades nas camadas jovens do clube, o que surpreendeu os adeptos, pois, nenhum deles detinha a carteira de treinador necessária para treinar no escalão principal escalão do futebol português.

Em mais um teste à sorte, António Salvador viu a sua aposta falhada, parecia claro que o antigo médio não estava preparado para o nível competitivo a que foi sujeito. Após o sucesso exponencial do seu antecessor a pressão foi demasiada e os resultados não corresponderam às expectativas, nos seis jogos à frente da equipa conseguiu apenas dois vitórias o que resultou na perda do 3º lugar no campeonato.

Mas, o campeonato continua e Salvador parece não perder uma hipótese para apostar na “prata da casa”, como tal, Artur Jorge, antigo central que esteve à frente dos juniores minhotos é o quarto treinador apresentado para a época 2019-20. Esta solução, apesar da luta pelo pódio do campeonato ainda estar em aberto, é, claramente, provisória para o que resta da temporada.

A cadeira de treinador dos minhotos é uma das mais apetecíveis da liga, como tal, não parecem faltar candidatos ao emprego. Ficam aqui alguns dos possíveis sucessores.

JOliveira10 e RunRun: «Era impensável há 2/3 anos pensarmos que a comunidade de FIFA estaria assim atualmente»

No último programa da primeira temporada do BNR TV Modalidades contamos com a presença do João ‘JOliveira10’ Oliveira e de Zé ‘Runrun’ Soares, dois dos melhores jogadores de FIFA da atualidade.

Falámos do investimento da FPF e da profissionalização na modalidade, de outros nomes da comunidade portuguesa e internacional e do próximo Masters de FIFA, organizado pela FPF Esports.

Vitória SC: estará à porta um novo recorde de vendas para o clube?

Muito se fala sobre a tendência que os jogadores têm em fazer do campeonato português um destino intermédio com vista ao seu objetivo final: as grandes ligas europeias. Nos últimos anos, esta prática tem rendido vários milhões aos cofres dos clubes portugueses, principalmente dos chamados três grandes, pela sua maior perícia na descoberta de talentos escondidos. Mas há quem tenha evoluído também neste aspeto e hoje falaremos do Vitória SC por isso mesmo.

No início deste século, as maiores “pérolas” foram encontradas no continente americano, mais concretamente a sul, como Colômbia, Brasil, Argentina e México. Quem não se lembra, na história recente do futebol nacional, de Éder Militão? O defesa central (que chegou como defesa esquerdo) brilhou no FC Porto oriundo do São Paulo FC e, ao fim de uma época, transferiu-se para o Real Madrid CF por uns impressionantes 50 milhões de euros.

Ultimamente, à América do Sul juntou-se a Região dos Balcãs, como a Sérvia e a Croácia (o SL Benfica foi pioneiro na busca de talentos nesta zona, principalmente na descoberta de jogadores sérvios) e do mercado japonês, que tem exportado grandes talentos para o futebol luso, com o caso mais mediático a ser Shoya Nakajima que se destacou ao serviço do Portimonense SC antes de rumar ao FC Porto (com uma passagem pelo Qatar pelo meio).

Já nesta última situação apresentada, constatamos que os restantes clubes nacionais têm progressivamente melhorado o seu scouting, traduzindo-se numa maior capacidade de reforçar os seus plantéis com verdadeiros prodígios e, desta forma, tentar equilibrar ligeiramente o tão desnivelado campeonato português.

O Vitória SC tem sido um dos emblemas a garantir um plantel com alguns jogadores de topo na Primeira Liga e este investimento acaba por se traduzir na entrada de grande capital nos cofres do clube minhoto, aquando a transferência destes jogadores. Em janeiro deste ano, o clube garantiu a transferência do seu melhor jogador – e um dos melhores jogadores a atuar na Primeira Liga -, Edmond Tapsoba, para o Bayer 04 Leverkusen, encaixando 18 milhões de euros e atingido, assim, o seu recorde de vendas.

Agora, prevê-se que os vimaranenses repitam o feito e batam este valor. Desta feita, será Marcus Edwards o protagonista. O extremo direito chegou ao Vitória SC no início desta época, proveniente do Tottenham Hotspur FC, onde fez a sua formação, e desde cedo que tem dado nas vistas na equipa orientada por Ivo Vieira. Edwards é um jogador extremamente virtuoso, com uma grande capacidade de drible e uma agressividade q.b. na disputa de bola.  A sua técnica afinada na condução do esférico e as suas arrancadas quase sempre bem-sucedidas pelo lado direito do terreno despertaram a atenção de alguns emblemas do seu país natal, que já terão perguntado ao clube minhoto pelo inglês.

A concretizar-se esta transferência, tudo indica que iremos assistir a novo recorde de vendas no Vitória SC. Isto porque Marcus Edwards está avaliado em cerca de 20/25 milhões de euros e na luta pelo jogador estarão Manchester United FC e… o Tottenham Hotspur FC. É isso mesmo, depois de “largarem” o extremo direito no verão passado a custo zero para o clube de Guimarães, os Spurs ficaram impressionados com a evolução de Edwards e planeiam fazê-lo regressar no próximo defeso.

Se excluirmos as transferências protagonizadas por jogadores dos três grandes, esta transferência – a ser por 25 milhões de euros – entraria para o Top 3 das maiores transferências, apenas atrás dos 35 milhões de euros que valeu a saída de Shoya Nakajima do Portimonense SC para o Al-Duhail SC do Qatar, no final da época 2018/2019 e da recente passagem de Francisco Trincão do SC Braga para o FC Barcelona, por 31 milhões de euros.

Apesar dos vimaranenses apenas serem detentores de 50% do passe de Edwards, esta transferência representaria, ainda assim, um importante encaixe financeiro para o Vitória SC e, consequentemente, uma maior margem de manobra no ataque ao mercado. São pequenos passos numa caminhada gigante para uma liga mais competitiva, por quem todos torcemos e onde, acredito, acabaremos por chegar um dia.

O momento do SC Braga: Uma retoma difícil

O SC Braga tem tido um arranque de segunda metade da Primeira Liga Portuguesa – chamemos-lhe assim – complicado e até já houve demissão de Custódio, o treinador que tomou conta das rédeas após a saída de Ruben Amorim para o Sporting CP.

Derrotas contra Rio Ave FC, CD Santa Clara e Boavista FC, empate contra o FC Famalicão e, por fim, três pontos contra o Vitória SC. Um percurso longe de estar brilhante depois da pandemia e que não se antecipava de forma alguma. É certo, nenhum treinador deve gostar de manter o estilo de jogo do seu antecessor sem lhe dar o seu cunho pessoal e apesar de ter corrido tudo muitíssimo bem a Ruben Amorim, há que implementar a sua ideia de jogo.

Em primeiro lugar, não nos podemos esquecer que os clubes contra os quais os bracarenses jogaram são conhecidos por dar boas réplicas aos seus adversários. Parece que estou a tentar desresponsabilizar Custódio pelos maus resultados, porque em condições normais, o SC Braga venceria os seus oponentes.

FC Famalicão e CD Santa Clara fora de casa são equipas dificílimas, que fazem mais do que só defender, tentam ganhar e ser superiores. Já o jogo com o Boavista FC, em casa, creio que podia ter sido vencido com relativa facilidade e considero esse o grande pecado de Custódio.

A UCI sabe dar prémios

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Parece que sempre que aqui escrevo sobre a UCI é para criticar o organismo máximo do ciclismo mundial. Não é por me dar prazer. O que me daria verdadeiro gosto seria ter a modalidade que amo governada de forma séria e competente. Mas, infelizmente, não é isso que acontece e, como se costuma dizer, eles põem-se a jeito.

Um dos mais recentes episódios incompreensíveis da liderança de David Lappartient foi o conceder a distinção da Ordem da UCI ao ditador do Turquemenistão, Gurbanguly Berdimuhamedow. Ora, tantas questões que isto levanta.

Desde logo, o que é a Ordem da UCI? Segundo a UCI, é o seu mais elevado galardão. É uma honra que não era usada há mais de dez anos e que, tendo, é verdade, pouca relevância prática, não deixa de, até pela sua parca utilização, dar ar de uma relevância enorme do distinguido para a comunidade das duas rodas.

Mas, quem é esse Gurbanguly Berdimuhamedow? É o Presidente do Turquemenistão desde 2006, num regime autocrático de culto da personalidade. Entre outras atividades muito pouco simpáticas para os cidadãos que governa, o World Press Freedom Index 2020, da responsabilidade dos Reporters Without Borders, coloca o país como o segundo pior, só mesmo à frente da famosíssima Coreia do Norte, e as suas prisões integram uma sinergia entre falta de condições e tortura.

E o que fez ele para merecer a distinção? Bom, o Senhor Presidente é adepto da modalidade, já conseguiu bater um recorde do Guinness que incluía bicicletas e vai pagar para o seu país receber os Mundiais de Ciclismo de Pista de 2021.

Basicamente, é isto. Sim, a UCI decidiu agraciar com uma grande honra um dos mais severos ditadores do mundo que nem sequer fez qualquer contribuição particularmente importante para o ciclismo.

Ah! E, claro, convém não esquecer aquele detalhe de um os membros da direção da UCI ser um bilionário russo com negócios petrolíferos no Turquemenistão.

Mas, lembram-se de quando o Brian Cookson é que era mau Presidente da UCI, porque ele era britânico e a Sky ganhava sempre o Tour? Pois… Tudo se resolveu pelo melhor… ou não.

Foto de Capa: UCI