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O contexto ideal para crescer?

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Todos podemos considerar que a época 2019/2020 foi um insucesso. Pela equipa técnica do Sporting CP passaram Marcel Keizer, Leonel Pontes, Silas, e, finalmente, o atual treinador, Rúben Amorim.

Revelou-se uma temporada muito irregular. Desde a primeira volta fora da luta pelo título, o clube de Alvalade foi também eliminado da Taça de Portugal pelo FC Alverca, equipa do terceiro escalão, foi arredado da Liga Europa pelo İstanbul Başakşehir FK nos 16 avos de final e perdeu para o SC Braga a hipótese de disputar a final da Taça da Liga.

Desde a chegada de Rúben Amorim ao comando técnico do plantel principal do Sporting CP, a formação leonina tem vindo a crescer enquanto equipa. Em cinco partidas da era “pós-Covid”, os leões somam quatro vitórias e um empate. Para além do score positivo, as bancadas vazias de Alvalade têm presenciado a estreia de vários jovens jogadores formados em Alcochete.

Não querendo desvalorizar o trabalho do técnico nem a sua qualidade enquanto jovem treinador, a verdade é que o Sporting está a viver uma espécie de pré-temporada da época 2020/2021. Acredito que Frederico Varandas apenas tenha exigido a qualificação europeia como o único objetivo do Sporting, neste desfecho de época. Será que teríamos esta aposta na juventude e a tranquilidade no processo de crescimento da equipa se tivéssemos objetivos para cumprir? Títulos para vencer?

O contexto é muito importante na análise do rendimento de um atleta ou da sua equipa. De facto, o Sporting apresenta ideias de jogo bem vincadas e está a jogar de uma forma bastante mais apelativa. O entusiasmo dos adeptos é natural. Porém, é bom não haver ilusões nem conclusões precipitadas. É só relembrar aquilo que aconteceu na época passada com o “Keizerball”.

O plantel do Sporting CP é muito curto e tem poucas soluções para lutar em todas as frentes. A irreverência e juventude que Rúben Amorim tanto menciona são as maiores qualidades deste grupo de jogadores. Imaginemos o que seria lançar, repentinamente, Eduardo Quaresma e Nuno Mendes, dois atletas que atuavam nos sub-19 antes da paragem da pandemia, num contexto de luta pelo título. Os erros cometidos por estes jovens, que seriam perfeitamente normais devido à sua inexperiência, seriam destaque e acabariam por retirar a confiança que é fulcral nesta fase de crescimento.

As lacunas no plantel do Sporting são bastantes visíveis. Se o interesse da direção leonina for lutar por títulos na próxima temporada, nomeadamente ser campeão, a média baixa de idades não chegará. É necessária experiência e qualidade vinda de fora, pelo que é essencial um departamento de scouting rigoroso, competente e incisivo nas contratações. A aposta na formação é algo que me dá muito gosto de ver e, sem dúvida, faz parte do ADN verde e branco. Porém, se queremos alcançar voos mais altos – falo de títulos e da ida à Champions League – necessitamos também de atletas com andamento em outros campeonatos.

O regresso à Liga dos Campeões colocaria o clube num patamar superior
Fonte: UEFA

Sem dúvida alguma que este é o contexto ideal para Rúben Amorim implementar o seu estilo de jogo, consolidar ideias e escolher os atletas que necessita para a próxima temporada. Como referi anteriormente, deixa-me satisfeito ver o Sporting CP a preparar a temporada seguinte com antecedência. Porém, isso também se deve ao facto de esta época ter sido um fracasso. É um pau de dois bicos. Seja como for, mediante o contexto que o clube vive, penso que se está a pensar de maneira positiva.

Foto de Capa: Liga Portugal

Artigo revisto por Joana Mendes

Emoni Bates: O maior fenómeno desde LeBron James?

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O MELHOR JOGADOR… COM APENAS 16 ANOS

A forma de classificar jogadores da escola secundária nos Estados Unidos da América mudou imenso desde o fenómeno LeBron James, no início do século XXI. Numa escala diferente, o mundo começou a apontar o olhar para um jovem basquetebolista que, desde o primeiro dia em que pisou um court, é comparado às maiores estrelas da NBA.

Emoni Bates está a caminho do terceiro ano de High School, mas o talento demonstrado já não engana ninguém. Apesar da tenra idade e da prevalência de atletas mais velhos, o Small Forward tornou-se o mais jovem de sempre a vencer o Gatorade Player Of The Year. Todos os anos, o prémio é atribuído ao melhor jogador de basquetebol a atuar na escola secundária.

No caminho para a conquista do prestigiante prémio, o estudante da escola de Lincoln acabou com médias de 33.1 pontos, 9.1 ressaltos e quase três assistências por jogo. Números impressionantes se considerarmos que ainda tem mais dois anos de escolaridade para completar, antes de dar o salto para a liga universitária (NCAA).

Recentemente, o prodígio americano verbalizou a intenção de, no futuro, representar a Universidade de Michigan State. Na conferência de imprensa do anúncio, o jovem assumiu que a formação do histórico treinador Tom Izzo foi a mais leal no processo de recrutamento. Por isso, viu nos Spartans um espelho da lealdade que sempre quis transmitir.

BNR LIVE: O futuro dos treinadores-interinos de SLB e SCB

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Idalécio fez dupla com Artur Jorge e José Soares fez dupla com Veríssimo. O que terão a dizer dos atuais técnicos-interinos? Junta-te a nós para o debate desta semana desportiva!

Com Pedro Diniz, Frederico Seruya, Mário Cagica, Idalécio e José Soares.

Manchester City FC 4-0 Liverpool FC: Afinal quem é o campeão?

A CRÓNICA – “PÓKER” PARA OS INGLESES VEREM

No jogo mais esperado desde a retoma do futebol inglês, o recém-coroado campeão Liverpool FC foi a casa do antigo vencedor da liga, o Manchester City FC, e o espetáculo proporcionado pelas equipas não desapontou.

Ambas as formações optaram por lançar as suas primeiras ofensivas através de jogadas rápidas, tentando aproveitar a velocidade que cada ataque possui. Contudo, e derivado ao acalmar do jogo a partir do primeiro quarto de hora, a primeira grande oportunidade de golo surgiu quando Mohamed Salah enviou a bola ao poste da baliza de Ederson. Na resposta, Raheem Sterling conquistou um penálti e Kevin De Bruyne, aos 25 minutos, não desperdiçou a oportunidade de colocar os “Citizens” a vencer por 1-0.

Passados dez minutos, foi a vez do próprio Sterling fazer o “gosto ao pé”. Na sequência de uma bela saída rápida para o ataque do City, Phil Foden definiu de forma perfeita e entregou a bola ao extremo inglês, que tirou Joe Gomez do caminho e enviou a bola com classe para o fundo das redes. O ataque do Manchester City não desacelerou e, mesmo antes do intervalo, o resultado começou a tomar proporções de goleada: Phil Foden combinou com De Bruyne e finalizou na cara de Alisson, colocando o 3-0 no placar ao intervalo.

No regresso para o segundo tempo, os “Citizens” voltaram com um ritmo estonteante e, nos primeiros dez minutos, dispuseram de três boas oportunidades para dilatar ainda mais a sua vantagem. Contudo, o quarto golo da formação de Pep Guardiola surgiu numa altura em que era o Liverpool que estava ligeiramente por cima. Fruto de mais um grande passe de Kevin De Bruyne, Sterling remata e, após um desvio de Alex Oxlade-Chamberlain, a bola acaba dentro da baliza de Alisson.

Este golo matou em definitivo o jogo e a meia hora que restou foi de pouca atividade, com algumas oportunidades para cada equipa, mas sem que nenhuma delas fosse clara de golo. Houve ainda um golo anulado a Riyad Mahrez, mesmo em cima do apito final.

Anteriormente ao encontro, o título já estava entregue ao Liverpool, mas esta partida veio mostrar que a equipa de Jurgen Klopp não é tão imbatível como se pensava. Quanto ao Manchester City, esta exibição de gala vem já colocar água na boca para a luta pelo título na próxima época e ajudar a equipa a consolidar o segundo lugar. 

A FIGURA


Kevin De Bruyne – Começam a faltar adjetivos para descrever as exibições do médio belga. Sempre com uma serenidade tal que o faz parecer de gelo, encontra linhas de passe, as quais nem os espectadores mais atentos, com uma vista de cima, as conseguem encontrar. É o maestro desta equipa do Manchester City e, apesar do falhanço na luta pelo título, merece estar na discussão do prémio de melhor jogador da competição. 

O FORA DE JOGO


Joe Gomez – Apesar de apenas ter estado 45 minutos em campo, Joe Gomez teve uma noite para esquecer. Cometeu um penálti infantil, abordou vários lances de forma displicente e ficou em cheque no lance do terceiro golo dos “Citizens”, a par de Robertson. Uma exibição que vem dar razão aos críticos que afirmam que Virgil van Dijk precisa de um parceiro de outro nível no centro da defesa dos “Reds”. 

ANÁLISE TÁTICA – MANCHESTER CITY FC

Num 4-2-3-1 muito móvel, Phil Foden e Kevin De Bruyne assumiram as funções de organizadores e distribuidores do jogo ofensivo dos “Citizens”. Com uma exibição defensiva de grande nível, anulando por completo as poderosas armas ofensivas adversárias, o City deu uma verdadeira aula de como contra-atacar de forma (aparentemente) fácil, rápida e eficaz.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Ederson (6)

Kyle Walker (6)

Eric García (6)

Aymeric Laporte (6)

Benjamin Mendy (6)

Rodrigo (6)

Ilkay Gundogan (6)

Kevin De Bruyne (8)

Phil Foden (7)

Raheem Sterling (7)

Gabriel Jesus (6)

SUBS UTILIZADOS

Riyad Mahrez (6)

João Cancelo (5)

Nicolás Otamendi (-)

Bernardo Silva (-)

 

ANÁLISE TÁTICA – LIVERPOOL FC

O habitual 4-3-3 da formação de Jurgen Klopp não trouxe para este desafio a eficácia e coesão que mostrou durante toda a época. Com pouca precisão no momento ofensivo e com um “fosso” gigante entre o meio-campo e a defesa, permitiu ao Manchester City aproveitar o espaço a mais que foi concedido e capitalizar através das oportunidades que lhes foram permitidas. Apesar da sensacional época do Liverpool não ser colocada em causa por esta exibição, o fenomenal campeão pareceu uma equipa banal.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Alisson (5)

Trent Alexandre-Arnold (6)

Joe Gomez (4)

Virgil van Dijk (5)

Andrew Robertson (5)

Fabinho (5)

Jordan Henderson (5)

Georginio Wijnaldum (5)

Mohamed Salah (5)

Sadio Mané (5)

Roberto Firmino (5)

SUBS UTILIZADOS

Alex Oxlade-Chamberlain (5)

Naby Keita (5)

Divock Origi (5)

Neco Williams (5)

Takumi Minamino (-)

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Força da Tática: O Leão de Amorim

Rúben Amorim assumiu o comando técnico do leão em detrimento de Silas. Desde então, que soma seis jogos com cinco vitórias e um empate. Soma 12 golos marcados e quatro golos sofridos. Desde que assumiu o comando leonino que recuperou vários pontos aos principais rivais. Com o retomar da competição, o Sporting CP conseguiu encurtar para 15 a distância ao primeiro lugar, para nove a distância ao segundo e aumentar a vantagem para o quarto classificado, mantendo-se agora com cinco pontos de vantagem.

O Sporting CP parece ter acertado na escolha que fez e independentemente do valor pago pelo treinador português, por enquanto, vai colhendo o rendimento dessa aposta. Rúben Amorim demonstra-se destemido, sereno, com facilidade na comunicação, mas sobretudo com uma tremenda confiança – até um pouco arrogante – mas que nesta fase faz todo o sentido. Creio que tem coragem para conseguir lançar tantos jovens, mas demonstra também inteligência em perceber o atual momento leonino para lançar os mesmos, mas também para perceber qual a melhorar estratégia para o jogo que irá disputar.

Hoje iremos procurar analisar com algum detalhe a forma como dispõe as peças do leão, as principais dinâmicas do seu modelo de jogo com alguns movimentos padrão, olhando também para as vantagens do seu sistema, para as lacunas do mesmo e para o que ainda poderá ser melhorado.

Olheiro BnR: Gonçalo Franco

Como se sabe, não é apenas nos grandes palcos que se encontram os grandes artistas, apesar de ser sempre mais fácil destacarmos o potencial de um jogador de “equipa grande” do que propriamente jogadores de divisões secundárias. No entanto, houve um que me chamou particularmente à atenção durante a presente época, de seu nome: Gonçalo Franco.

O apelido é-nos familiar e não é por acaso. Gonçalo é filho de Franco – antigo defesa formado no Sporting CP, que representou clubes como o CD Nacional, Leça FC, Rio Ave FC, Vitória SC, entre outros. A veia futebolística já a trouxe de nascença, mas é dentro das quatro linhas que vai confirmando as credenciais para poder atingir outros palcos.

Atualmente no Leixões SC – Futebol SAD, o médio ofensivo passou pelos escalões de formação do Boavista FC, FC Porto e Rio Ave FC, antes de chegar ao clube de Matosinhos. Começou a temporada na equipa de sub-23, mas no decorrer dos campeonatos, e fruto das necessidades técnicas, foi promovido à equipa “A”.

Diga-se que não foram precisos muitos jogos para captar o olhar dos espectadores mais atentos à Segunda Liga. Faz parte daquele lote restrito de jovens que basta tocarem três ou quatro vezes na bola, ou vermos 20 minutos de um jogo em que participe, para percebermos que “vai dar jogador”. Isto porque apenas jogou em seis jogos pela equipa principal, enquanto que na Liga Revelação fez 17 jogos e marcou três golos.

O internacional pelos sub-20 de Portugal, carateriza-se sobretudo pela simplicidade de processos. Não querendo levar o leitor ao engano com esta expressão, significa que é o tipo de jogador que faz com que o difícil pareça fácil – é um facilitador de jogo. O seu 1,76m não o tornam “franzino”. Muito pelo contrário, nunca vira a cara à luta. Encaixa perfeitamente em qualquer 4-3-3, ou até mesmo num 4-2-3-1 (aqui, mais como “oito” do que como “dez”).

Não sou apologista de fazer comparações entre jogadores de gerações e realidades futebolísticas diferentes, mas neste caso, é inevitável. Para dar a entender, Gonçalo Franco tem muitas semelhanças em relação ao estilo de jogo de André Horta (SC Braga), apesar de fisicamente, este ser mais baixo. Visão de jogo, técnica e inteligência tática. Velocidade quanto baste, “algum poder de choque” e capacidade de transportar a equipa para a frente, qual box-to-box.

O futebol é, em grande parte, feito de sorte. Mas não esqueçamos que a sorte sorri mais facilmente a quem trabalha para a ter. Franco tem tudo para subir patamares e conquistar outros objetivos (com todo o respeito pelo Leixões). Se esta época foi a da estreia, a próxima será certamente a da afirmação, ao lado dos “crescidos” nos bebés do mar.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Com a baliza inviolável, a caminhada rumo ao título está mais fácil

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Faltam cinco jogos para o campeonato terminar e o FC Porto só precisa de três vitórias para voltar a ser campeão nacional, numa temporada atípica. Após o regresso do campeonato, a equipa de Sérgio Conceição soma três vitórias, uma derrota e um empate. No entanto, para além destes números, há uma estatística que deve ser evidenciada: os quatros jogos consecutivos sem sofrer golos. Um registo inédito esta temporada que mostra um FC Porto mais consistente no setor defensivo.

Esta época, a equipa do FC Porto ainda não tinha conseguido estar quatro jogos consecutivos sem sofrer golos, um marco que atingiu na Mata Real depois de ter vencido o FC Paços de Ferreira por 1-0, na última jornada. O melhor que a equipa de Sérgio Conceição tinha conseguido até então tinham sido três jogos consecutivos sem sofrer golos a contar para todas as competições. Conseguiu esse feito três vezes, mas só agora conseguiu os quatros jogos de baliza inviolável.

Com a baliza inviolável, a caminhada rumo ao título está mais fácil. Conseguiu esse feito três vezes, mas os quatros jogos de baliza inviolável.
Na Mata Real, diante do FC Paços de Ferreira, o central marcou o golo decisivo e ajudou a equipa a prolongar o registo de quatro jogos consecutivos sem sofrer golos
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Depois da derrota em FC Famalicão (2-1), Marchesín não consentiu mais golos na baliza portista. Muito mérito para o guarda-redes, mas também para a linha defensiva, que aliás sofreu várias alterações no decorrer das jornadas. No regresso do campeonato, o treinador já não pôde contar com Marcano, que sofreu uma rotura de ligamentos e é baixa para muitos meses. Só aí já trouxe mudanças, com a inclusão de Mbemba ao lado de Pepe. A dupla de centrais foi aliás a única que se manteve intacta na defesa, isto porque o lado esquerdo já contou com Alex Telles, Manafá e Diogo Leite. Assim como o lado direito que já teve Corona, Manafá e a estreia de Tomás Esteves. Apesar deste registo de muita instabilidade – devido a lesões e castigos -, que obrigou a várias trocas constantes, a equipa portista revelou maturidade e capacidade de superação que a tornou a equipa menos batida do campeonato, com apenas 18 golos sofridos.

Em dois jogos – contra o CS Marítimo e FC Paços de Ferreira – a equipa apenas venceu pela margem mínima (1-0), o que significa que o setor defensivo tem cada vez mais impacto, especialmente se analisarmos que no último jogo, na Mata Real, foi o central Mbemba o autor do golo decisivo. Na equipa de Sérgio Conceição, quem marca mais são os defesas e são também eles os responsáveis por haver tão poucos golos sofridos. É caso para dizer que quem tem a defesa portista tem (quase) tudo.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Recordar é Viver: O dia em que Inês venceu para ser igual

O Atletismo é um dos desportos mais igualitários a nível global, no que diz respeito a géneros. Homens e mulheres têm, normalmente, o mesmo tempo de antena (algumas transmissões televisivas das provas de estrada ainda falham neste campo), alcançam os mesmos prémios quando vencem e é dos poucos desportos que falamos na generalidade, sem encaixar a que género nos referimos (ao contrário do Futebol, no qual, por exemplo, se faz questão de falar em “Futebol Feminino” e não apenas “Futebol”). Ainda assim, existe sempre espaço para melhorar e há uma disciplina do Atletismo que, ainda hoje, é das mais desiguais. Falo da Marcha.

Desde 1932 que os homens percorrem a distância de 50 km em Jogos Olímpicos. Já no que diz respeito a Mundiais, os 50 km fazem parte, do programa masculino, desde a primeira edição, em 1983. Na verdade, a primeira experiência de campeonatos globais organizados pela IAAF foi em 1976, na Suécia, com apenas um evento: os 50 km Marcha masculinos!

No entanto, para se perceber a desigualdade histórica na Marcha, devemos olhar mais a fundo para a disciplina e não apenas para os 50 km. Os primeiros eventos de Marcha em Jogos Olímpicos foram os 3.500 metros e as dez milhas nos Jogos de Londres, em 1908, no entanto, a primeira vez que a Marcha foi praticada por mulheres, em Jogos Olímpicos, foi com a inclusão dos dez km, em Barcelona, em 1992! Foram, portanto, necessários 84 anos para o COI reconhecer que não são apenas os homens que têm direito a marchar. Já nos Mundiais, os 10 km femininos apareceram cinco anos antes (1987, em Roma), sendo substituídos pelos 20 km apenas em 1999, em Sevilha, um ano antes da distância feminina se estrear em Jogos Olímpicos.

Esta é, portanto, uma “guerra antiga”. Apesar de várias disciplinas se terem aberto demasiado tarde às mulheres (as décadas de 80 e 90 foram bastante importantes para haver maior igualdade de género, desde as provas de distância aos saltos), a verdade é que a Marcha manteve-se “orgulhosamente só”, discriminando o feminino (bem, não incluamos, para já, o caso do Decatlo/Heptatlo, que chegará um dia).

2016 foi um ano crucial para a igualdade nos 50 km. Nesse ano, em Roma, decorreu a World Race Walking Team Championships. O evento, por equipas, correu bastante bem a Portugal, alcançando nos 20 km femininos a quarta posição (Ana Cabecinha foi sexta e Inês Henriques oitava, depois de uma desqualificação). No entanto, a grande notícia nas distâncias maiores é que, pela primeira vez, as mulheres puderam competir numa prova de 50 km, não tendo uma prova própria, mas podendo competir com os homens, contando também para a classificação final por equipas. Claro que não era o cenário ideal e claro que não era, ainda, uma prova feminina, mas foi um passo que muitos consideraram necessário para o que viria a acontecer no ano seguinte.

Nélson Veríssimo | De sombra de Lage a seu sucessor

Veríssimo (vero+íssimo), adjetivo: muito verdadeiro; exatíssimo. É este o significado do apelido do homem que vai, por ora, suceder a Bruno Lage. Mas não pode ser, não pode ser “verdadeiro” nem “exatíssimo” este enunciado! Sem desprimor nem desrespeito para Nélson Veríssimo, apostar no técnico que adjuvou Lage nesta época e meia (ou meia e época) ao leme da principal equipa do SL Benfica é (mais) um enorme tiro nos pés da direção sem direção encarnada.

Era (é!) o momento de apostar em algo que comporte novidade, algo fora da caixa na qual os jogadores têm estado confinados nos últimos tempos. E, num momento como este, o que faz a estrutura destruturada das águias? Não vai buscar alguém fora da caixa, nem sequer alguém adjacente ao exterior da mesma; vai, sim, apostar em alguém que todo este tempo esteve dentro da dita caixa!

Podia escrever que este é um ato de má gestão. No entanto, estaria a assumir que há de momento no seio dos encarnados gestão, algo que não me parece crível. A escolha de Veríssimo para assumir o comando técnico da equipa não o é, não é uma escolha. No “Preço Certo”, há um jogo no qual o concorrente tem que empurrar uns cubos com números até ficar com (aquele que acha ser) o valor do prémio em jogo. É isto que me parece acontecer de momento no SL Benfica.

Luís Filipe Vieira não escolheu Veríssimo, simplesmente ficou com o segundo cubo da sequência, após a queda do primeiro. Muito provavelmente, se Veríssimo se demitir, o próximo homem do leme será o treinador de guarda-redes, depois o fisioterapeuta, depois o tipo que trata das águias, depois o tratador da relva, por aí adiante até acabar a linha de sucessão ou a época 19/20, o que chegar ao seu fim primeiro.

Nélson Veríssimo é um dos treinadores da “estrutura”, tendo trabalhado sobretudo nos escalões de formação
Fonte: SL Benfica

Dois parâmetros estavam, estão e estarão em causa na escolha de um novo treinador nesta fase conturbada: capacidade para “meter os gajos a jogar à bola, pá!” e/ou capacidade para abanar psicologicamente o grupo de trabalho. Nélson Veríssimo, creio, não terá nem uma nem outra.

O simples (mas tão estapafúrdio) facto de Veríssimo assumir a equipa depois de um ano e meio no posto de treinador-adjunto torna irrealista a assunção de que o vila-franquense de 43 anos vai conseguir mudar o deprimente estado psicológico dos jogadores e do coletivo.

A sua capacidade para imprimir qualidade ao jogo dos encarnados é mais difícil de avaliar, uma vez que Veríssimo ainda só por uma partida foi treinador principal (contra o RB Leipzig, na primeira jornada da fase de grupos desta edição da Liga dos Campeões, por castigo de Bruno Lage). Pouco sabemos sobre os inputs dados por Veríssimo ao trabalho de Lage. Todavia, há uma coisa que sabemos.

As bolas paradas da equipa da Luz têm sido da sua exclusiva responsabilidade. Podemos, então, avaliar o trabalho do ex-defesa central por este prisma. E a verdade é que o SL Benfica nas bolas paradas não tem sido mau. Tem sido péssimo. Nesta vertente do jogo, os encarnados têm sido ofensivamente inócuos e defensivamente passivos, ingénuos e infantis e têm revelado imensas lacunas táticas e estratégicas na abordagem defensiva a este tipo de lances.

Conseguirá Veríssimo mostrar na equipa principal o que demonstrou nos escalões de formação do SL Benfica?
Fonte: SL Benfica

Como tal, é irrisório acreditar que Veríssimo será capaz de colocar a equipa a praticar bom futebol. Assim sendo, o assumir de novas funções do técnico que está no clube desde 2012 surge, penso, num de dois cenários cujos contornos são ainda pouco claros.

Primeiro cenário

Nélson Veríssimo assume a equipa até final da temporada, dando então lugar a um novo técnico. Um cenário possível e até provável, mas que não me agrada. Faz sentido trazer um novo timoneiro apenas na próxima temporada e ter um interino a comandar a embarcação até lá. No entanto, não faz sentido absolutamente algum que esse interino seja Veríssimo e não Renato Paiva.

Num cenário em que os dirigentes encarnados sabem (sabem alguma coisa?) que o interino vai assumir a equipa até ao final, esse interino tem que ser Renato Paiva. Não pode, nem deve, tem de ser, pela qualidade já demonstrada, por ser um treinador principal e não adjunto e por ser uma cara “nova” e estranha ao grupo de trabalho.

No entanto, devo deixar a ressalva de que Renato Paiva pode ter sido o escolhido e ter rejeitado assumir as rédeas da equipa nesta fase. Duvido bastante que tal tenha sucedido, mas se foi esse o caso parabenteio Paiva pela coragem para dizer “Não!” a uma chefia cada vez mais à deriva e cada vez mais autoritária.

Renato Paiva era a escolha mais expectável para assumir interinamente a equipa, mas foi preterido por Veríssimo
Fonte: SL Benfica

Segundo cenário

Veríssimo assume a equipa apenas nos próximos dias (talvez defronte o Boavista FC) e o próximo treinador entra em funções ainda esta temporada. Este cenário, longe de ser o ideal, é mais aceitável do que o primeiro. Uma das razões que facilitam essa minha aceitação é o facto de, neste cenário, fazer sentido que não se chame Renato Paiva para liderar o grupo por uns meros dias, o que não seria respeitoso para com o técnico da equipa B.

Além disso, a chegada precoce de um novo técnico – que não faz sentido algum – será sempre mais aceitável do que enfrentar os cruciais seis jogos finais da época com uma incógnita que tem maiores probabilidades de fracassar do que de ter sucesso.

Neste cenário, há algo que sobeja e solenemente me irrita e desconcerta. Por que ridícula razão é que Vieira acreditava que Lage podia e devia completar a época (não chegando a despedi-lo) e agora sente uma súbita e premente necessidade de encontrar um técnico consagrado que assuma já os comandos da equipa?

O (ainda) presidente do SL Benfica teve a oportunidade (que deveria ter capitalizado) para despedir Bruno Lage com antecedência e contratar um treinador que assumisse no imediato os destinos da equipa, fazendo ainda mais de uma dezena de jogos pelo clube da Luz esta temporada (antes da retoma, por exemplo). Não o fez e deixou cair Lage até patamares antes inimagináveis. Agora, vai a correr atrás do tempo e do prejuízo.

E, no meio da correria, o tempo para pensar é curto. Como resultado disso, Vieira tomou a decisão, tudo indica, ridícula, de nomear Nélson Veríssimo como treinador interino da principal equipa do Sport Lisboa e Benfica. Podem chamar o Tiririca; de facto, pior do que está, não fica…

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Anda, JR… que tu lanças bem!

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Depois do famoso brain freeze num dos jogos mais célebres da sua carreira (que lhe custou imensas críticas) e de uma época encardida à posteriori, JR Smith está prestes a retornar ao alto nível do basquetebol.

Resultado da Covid-19, neste retorno atípico da NBA, os jogadores não estão obrigados a deslocarem-se a Orlando para concluir a temporada 2019/2020. Avery Bradley foi um dos que renunciou finalizar a temporada com os LA Lakers, resultado de preocupações familiares. Um golpe duro para as aspirações da equipa comandada por Frank Vogel, que perde um atleta que oferece muito nas duas vertentes do campo. Bradley apresenta-se como um defensor acérrimo, de alta intensidade e de grande capacidade atlética, ao passo que no lado ofensivo é um jogador muito perigoso da linha dos três pontos, que poderá castigar as defesas que saiam na ajuda a LeBron ou Anthony Davis.

Ora, apesar disso, segundo Adrian Wojnarowski (um dos jornalistas desportivos mais credíveis em solo americano), Frank Vogel e o “falso general manager”, LeBron James, estão muito perto de fechar a contratação de JR Smith, naquele que será um regresso muito aclamado pelos fãs da liga norte americana. Para muitos, contudo, parece à vista desarmada uma transferência inútil, na medida em que Smith não joga há cerca de dois anos e não parece estar preparado para o nível que os Lakers necessitam de momento.

Apesar disso, quem afirma que JR não poderá trazer nada à equipa de Los Angeles, não reconhece as suas qualidades físicas e técnicas, ao passo que o norte americano é notável exatamente onde Bradley também o é. No lado ofensivo, tem um lançamento de três pontos extremamente polido, sendo uma autêntica ameaça no «recebe e lança». Aqui, aliás, Smith é superior e reconhecido como um autêntico «sharpshooter». Defensivamente, o norte americano não é tão bom como Bradley, não obstante já demonstrou ser bastante competente em manter o adversário na sua frente, sendo que quando eleva os seus níveis de concentração e intensidade torna-se muito complicado de ultrapassar.

Relativamente ao seu tempo de paragem, é de facto evidente que dois anos é muito tempo sem atuar ao mais alto nível, contudo, já tivemos vários exemplos em que jogadores conseguiram responder no imediato. Recentemente, tivemos Carmelo Anthony, que renasceu enquanto jogador e encontrou em Portland um cenário quase perfeito para novamente demonstrar as suas habilidades. Nos Lakers, Dwight Howard, também muito criticado pelo seu desempenho (dentro e fora de campo) nos últimos anos, conseguiu calar a boca a muitos críticos, executando esta temporada médias de 7.5 pontos, 7.4 ressaltos com percentagens fantásticas de 73% em lançamentos de campo, demonstrando-se preponderante numa equipa que almeja o título.

Em suma, JR Smith não deve ser associado perpetuamente pelo caso caricato que ocorreu nas finais de 2018 diante os Warriors, visto que o seu talento e competência ainda podem servir de feição às aspirações de qualquer equipa na NBA, sendo que nos Lakers podia atuar como suplente para saltar do banco e catalisar a ofensiva liderada pelo «king James».

Foto de Capa: NBA

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão