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Força da Tática: Temporizar para melhor transitar – o exemplo FC Bayern Munique

Atualmente tende-se a confundir o jogar bem com rasgos de maior espetacularidade ou criatividade de um determinado jogador. Noutro artigo tinha referido que o melhor jogador é aquele que tem uma maior percentagem de ações bem-sucedidas. Do que vale ter uma ação de maior relevo esteticamente, se nas ações seguintes o jogador coleciona erros atrás de erros?

Claro que essas ações de inspiração pura também são importantes e podem resolver um jogo, mas o acerto consecutivo oferece uma maior estabilidade em termos defensivos e ofensivos. O jogador diferenciado é aquele que tem uma regularidade de boas decisões maior que os restantes, que pensa e lê o jogo para depois executar melhor, que percebe o momento do jogo e sabe agir consoante o mesmo.

Associa-se o termo transição a aceleração e a uma chegada rápida à baliza adversária. Isto acontece quando existem condições ótimas para atacar de forma célere, face aos espaços e desposicionamentos que o adversário oferece e ao tempo que demoraria a reocupar os mesmos.

Apesar disso, é comum o adversário preparar-se para uma eventual perda de bola e conseguir reorganizar-se rapidamente. Neste caso, cabe à equipa saber temporizar, tomar as melhores decisões de acordo com as possibilidades em cada circunstância e até poder entrar em ataque posicional.

Dado que a transição ofensiva é o momento do jogo onde o termo erro é mais frequente, o não perder a posse durante a transição é essencial, não só numa ótica ofensiva (se perder a posse a equipa não conseguirá marcar golo), mas também defensivamente falando (porque a equipa terá maiores possibilidades de estar desorganizada nesse momento). Por outro lado, uma possível perda de posse afeta também o lado físico e emocional dos jogadores, que se veem obrigados a correr metros afio para a frente e para trás.

A temporização é um termo importantíssimo na hora em que não existe a possibilidade de transitar de forma célere. Uma pequena pausa permite ao jogador com bola perceber, pensar e executar com maior eficiência, e aos restantes jogadores terem tempo para se organizar de maneira a ferir o adversário.

Um exemplo prático da situação de que falamos passou-se no jogo entre Bayer 04 Leverkusen e FC Bayern Munique, num golo de Leon Goretzka. Reparem na forma como o Bayern transita com 4 jogadores como referência de transição: temporização de Lewandowski, variação de flanco, superioridade numérica, caminhos fechados e entrada em ataque posicional, passe vertical do central para espaço entrelinhas, triangulação com apoio frontal e dinâmica de terceiro homem, e golo!

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 5 jogadores com mais troféus conquistados na história do Futebol Mundial

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O principal objetivo do desporto é ganhar e o futebol não é exceção à regra. Portanto, o sucesso de um futebolista é normalmente avaliado não só pelos títulos individuais, mas também pelos troféus coletivos.

Ainda que, por vezes, seja injusto resumir a qualidade de um jogador ao número de conquistas, a verdade é que, atualmente, a elite é feita desses êxitos.

Assim, na lista que se segue, apresento os jogadores que mais troféus coletivos conquistaram na história do futebol.

«O Benfica poderia ter-me valorizado mais» – Entrevista BnR com Armando Sá

O facto de Lisboa estar adiantada cinco horas face a Ontário faz o nosso convidado dizer que “em Portugal vivem no futuro”. Mas a conversa foi sobre um passado dentro dos relvados e um presente que se faz, atualmente, à frente da sua academia de Futebol. A carreira do “Comboio da Luz” até poderia ter sido no Hóquei devido ao seu pai, mas foi a paixão por dar uns pontapés numa bola que falou mais alto. Veio para Portugal aos 11 anos e começou a despontar para o Desporto Rei entre Atlético de São Brás e Damaiense. Do Restelo até Vila Real, a trajetória é sempre a subir até chegar ao Rio Ave, onde se estreia na Primeira Liga. Uma curta experiência de bom nível em Braga permite-lhe chegar à Luz onde venceria a Taça de Portugal. Em Espanha, jogou num super “Submarino Amarelo” e ganhou a Taça do Rei pelo Espanyol, antes de jogar no Leeds United e terminar a carreira no Irão, onde viveu histórias algo caricatas. Agora o tempo é de ajudar os mais novos no Canadá a alcançar o sonho que outrora foi dele. Em mais um exclusivo Bola na Rede, eis então Armando Sá.

– O início do sonho entre Moçambique e Portugal –

Bola na Rede (BnR): Antes de dar os primeiros pontapés na bola, era o Hóquei em Patins que te puxava maior interesse.

Armando Sá (AS): É verdade, o Hóquei era realmente o desporto que me atraía mais na altura. O meu pai era guarda-redes no Costa do Sol, o antigo Sport Lourenço Marques e Benfica, e nos jogos, durante os intervalos, ia para o meio do ringue patinar e brincava muito. Como era um guarda-redes de sucesso – era o que ele me contava, não consigo confirmar isso (risos) – , as pessoas adoravam-no, sentia um orgulho enorme e queria ser jogador de Hóquei em Patins.

BnR: E o que te fez optar pelo Futebol?

AS: Como disse, o meu pai levava-me para o Hóquei e tinha dois tios que foram jogadores profissionais de Futebol. Eu estava ali meio indeciso sobre qual desporto praticar. Jogava à bola na rua com os meus amigos e todos diziam que tinha um talento especial, mas estava mais virado para o Hóquei. Quando chego a Portugal – saí de Moçambique com os 11 anos -, o desporto rei era o Futebol e todos convidavam-me para ir jogar à bola. Como deves saber, o Hóquei é um desporto um bocado caro e tens de investir para poder jogar e assim, então virei-me para o Futebol e tinha uma enorme paixão pelo Futebol.

BnR: Aos 11 anos, veio para Portugal. Quais foram as maiores dificuldades sentidas na chegada ao país?

AS: Senti algumas. A primeira foi o frio (risos). Não estava habituado ao frio, tanto que, quando cheguei, os meus lábios rebentaram todos. Foi uma adaptação complicada. A outra foi na escola, pois recordo-me que o meu pai me teve de registar um ano mais tarde na escola para poder conseguir apanhar o ritmo de todas as matérias, então fui matriculado um ano abaixo. Na parte académica, senti algumas dificuldades ao início, mas felizmente aos poucos fui-me adaptando e passados dois anos já estava habituado à vida em Portugal. Mas, naquele tempo, fazia um frio terrível (risos).

BnR: Os primeiros passos foram no Atlético São Brás e SF Damaiense. Que memórias guardas desses tempos?

AS: Guardo grandes memórias. Aquele prazer de jogar no clube do bairro, o clube ali da tua zona, e lembro-me que na altura faziam os torneios de Futsal, Casal de São Brás contra Brandoa, e aquilo era uma rivalidade tremenda, aquilo era demais. Havia vários jogadores dessa zona como o (Ricardo) Ramires, que jogou no Sporting e Benfica, e o Calado, que mais à frente acabei por descobrir que éramos quase todos vizinhos (risos). Comecei a dar os meus passos no São Brás, no futsal, e lembro-me uma vez, por causa da escola, tive umas más notas e o meu pai proibiu-me de jogar. Para mim, o pior castigo que me poderiam dar era não poder jogar.

BnR: Um “mau” castigo para todas as crianças que adoram Futebol (risos).

AS: Fiquei de castigo devido às notas que tinha, e íamos jogar uma final. Entretanto, o treinador de equipa, o senhor Ferreira, foi até minha casa e implorou ao meu pai para me deixar jogar pois precisava de mim. Aí, comecei a perceber que era algo especial pois necessitavam de mim e até pensei: “Afinal se calhar tenho mesmo talento, sou importante na equipa” (risos). O meu pai ficou convencido, deixou-me ir jogar e conseguimos ganhar. Depois o São Brás passou a ter futebol de 11 e foi aí a minha primeira experiência com o futebol de 11, onde fiquei um ano. A seguir, fui fazer umas captações ao Estrela da Amadora, mas estava com uns problemas de crescimento no joelho e acabei por não ser escolhido. Não ficando no Estrela da Amadora, a minha opção era o Damaiense que também estava em captações, onde acabei por ficar e conheci gente espetacular e jogadores que acabaram por chegar a um bom nível, como o Paulo Sérgio que jogou no Sporting. Foi no Damaiense que comecei a levar o Futebol mais a sério.

BnR: Segue-se depois o CF “Os Belenenses”. Como vais parar ao clube do Restelo?

AS: Lembro-me que estava na escola  e tinha um professor de Educação Física, o João Couto – que neste momento está na formação do Sporting -, e um dia perguntou-me: “Porque não vais ao Belenenses treinar?”. Perguntei quando eram os treinos, e ele disse para aparecer num dia desses. Então lá fui, fiz o treino, correu bem e acabei por assinar pelo Belém. Às vezes, é como costumo dizer: é estar num momento certo, na hora certa e com as pessoas certas. Tive essa felicidade, mas também com trabalho, de estar nos momentos certos e com as pessoas certas.

Fonte: Facebook de Armando Sá

BnR: É em Belém que fazes a transição dos juniores para os séniores. Que importância teve essa passagem?

AS: Teve uma grande importância. Para já, foi a “escola” mais séria de Futebol que tive. Um clube com outra dimensão, outra estrutura e com treinadores muito capacitados. Lembro-me dos treinadores da formação, sobretudo o falecido José António – que foi capitão do clube -,  e, nessa altura, foram importantes pois, para mim, são eles que te criam como homem e jogador e acredito que essa passagem pelo Belenenses foi bastante importante. Entretanto estava nos juniores com 18 anos e tento a transição para os séniores, o José António falou com o Carlos Janela para que eu assinasse contrato profissional, mas o Carlos não me deu muita importância e acabei por não assinar. Se tivesse assinado, teria ficado na equipa principal, pois já treinava com os séniores muitas vezes e estava a ser preparado para conseguir chegar a esse patamar. O Carlos não seguiu o conselho do José António e acabei por sair.

BnR: Acabas por ir para o UD Vilafranquense, onde apanhas o Rui Vitória como colega de equipa. Foi um “choque” para ti a nova realidade que estavas agora a viver, atendendo que vinhas do Belenenses que jogava na Primeira Liga e tinha excelentes condições, como disseste antes?

AS: Sim, posso dizer que foi um verdadeiro “choque”. Foi aquela transição em que passo dos juniores habituado a tudo: condições de trabalho, campo de relva natural, equipamento de marca… Condições de trabalho excelentes. Entretanto, quando passo a sénior, decido ir ao Vilafranquense e deparo-me com uma realidade totalmente diferente: o campo era pelado, tinha de se regar para ficar um pouco mais mole para se poder jogar. Mas quando chego ao clube, vejo jogadores com qualidade, alguns que tinham atingido um bom nível e outros que estavam a começar a sua carreira. Estava lá o Torrão que jogou no Sporting, havia alguns jogadores emprestados pelo Sporting e tinha também o Rui Vitória que era o nosso capitão de equipa. Uma vez, lembro-me que – acho até que ele costuma contar este episódio – ainda estava com aquelas “manias” de equipa grande e vinha do Belenenses, e ele deu-me um raspanete: “Isto aqui não é o Belém. Se queres chegar a algum lado, tens de batalhar! Se te adaptares facilmente a esta realidade, vai ser mais fácil para ti”. Sinceramente, para mim, essas palavras foram de “ouro”, pois percebi que tinha de me adaptar à nova realidade, deixar de pensar no passado, virar a página e seguir o meu caminho.

BnR: E nesse período, em Vila Franca de Xira, és chamado para prestar o serviço militar durante seis meses. Sentes que esse período em que não estavas tão focado no Futebol te prejudicou?

AS: Esse período foi na época seguinte em que assinei pelo Vilafranquense e acabámos por subir de divisão, em que fazemos um ano fantástico. Foi muito complicado, pois estás num processo de crescimento e evolução, e de repente tens de parar porque tens de ir cumprir o serviço militar. Fui cumpri-lo três meses em Tomar e outros três em Beja, e para mim foi um atraso muito grande na minha carreira. Foi uma pausa que fiz que me prejudicou bastante.

BnR: E como mantinhas a carreira futebolística? Acredito que tenha sido complicado.

AS: Como te disse, eu cumpri o serviço militar e aos fins-de-semana, quando podia, vinha aos jogos. Jogava, mas não era a mesma coisa, não estava entrosado com a equipa, pois jogava e ia-me embora. Foi um momento complicado, onde eu muitas vezes ponderei em parar de jogar. Nessa altura, fiquei um bocado confuso, pois estava a batalhar tanto e acabei por ter uma pausa dessas, mas felizmente correu tudo bem.

BnR: Após final do serviço militar e da época no Vilafranquense, arriscas ir até ao Norte à procura de um novo clube. Como foi essa aventura?

AS: (Armando esboça um sorriso) Epá, eu podia escrever um grande livro sobre as minhas aventuras! Quando saio da tropa e volto ao clube, o Vilafranquense queria renovar o contrato comigo, mas sempre me tinham dito que no Norte havia mais oportunidades para se poder ser jogador e porquê? Porque há mais clubes, olheiros e o Futebol no Norte é levado de uma maneira totalmente diferente e há muito mais possibilidades. Entretanto lembro-me de estar com um amigo nas férias, e digo-lhe: “Vamos até ao Norte procurar um clube, pois quero ver se consigo alcançar algo melhor. Clube já tenho, pois estou seguro com o Vilafranquense, mas pode ser que surja outra oportunidade”. Ele aceitou e fomos no carro dele – nem sequer tinha carro na altura -, e começámos a contar os tostões que tínhamos (risos).

BnR: O início de uma bela viagem (risos).

AS: Sim, até cheguei a dizer “Isto aqui dá para dois dias de gasolina e tentamos comer qualquer coisa pelo caminho”. Juntámos umas “coroazitas” e lá fomos. Começámos o nosso caminho até ao Norte, e a nossa primeira paragem foi no Salgueiros, mas confesso que não percebi logo que era o Salgueiros. O estádio do Salgueiros da parte de fora não era assim tão bela – sei que é um pouco mau estar a dizer isto (risos) – na minha opinião, e nem parecia um estádio de Primeira Liga. Bato à porta, falo com um diretor, conto a minha situação e pergunto se podemos treinar com a equipa para ficarmos lá, ao que o homem disse “Tudo bem, dá-me só um minuto”. Veio depois o treinador e, quando olho para ele, reparo que é o Carlos Manuel e penso logo: “Ui, mas eu estou no Salgueiros pá!” (risos).

BnR: (Risos).

AS: Eu não me tinha apercebido antes que estava no Salgueiros e fiquei logo a pensar: “Mas o que é que eu estou aqui a fazer? Tenho de trabalhar muito para poder chegar aqui ao Salgueiros e à Primeira Liga” (risos). O Carlos Manuel recebeu-me super bem – o Salgueiros nessa altura tinha uma equipa espetacular – e deixou-me treinar. Equipei-me, mas no treino estava a tremer, pois olhava para aqueles craques que só via na televisão. Tivemos um jogo, as coisas correram super bem, e o Carlos chegou ao pé de mim no final do treino e disse: “Gostei muito do teu treino, mas, na minha opinião, vocês têm de jogar mais. Precisam de tempo de jogo e aqui dificilmente vão jogar”. Ao saber isso, nem fiquei muito chateado, aliás estava feliz da vida por ter treinado no Salgueiros que estava na Primeira Liga (risos). Agradeci os conselhos que me deu, e continuámos a nossa caminhada pelo Norte. Vou ao Maia, vejo o estádio que me parecia ter excelentes condições, e fiquei logo a achar: “Isto aqui deve ser da I.ª Divisão, nem vou entrar – o Maia estava na II.ª Divisão amigo (risos) – e muito menos pedir para treinar”. Olhei o campo da parte de fora, tirei as minhas conclusões e disse ao meu amigo: “Vamos embora, temos de ir à procura de um clube mais ‘humilde’”. Entretanto seguimos caminho e vamos ao Viana do Castelo, peço para treinar e o treinador olha para mim. Como tinha vestida uma t-shirt a dizer Kadoc, ele ficou a pensar: “Este aqui deve ser um boémio, só pode ser uma pessoa da noite” e então não me deixou treinar. Saí desiludido, vieram-me as lágrimas aos olhos, porque não deixarem mostrar o meu valor é triste, fiquei dececionado. Julgou-me por uma coisa que eu nem sequer fazia. Com estas coisas todas, já íamos em dois dias de viagem em que dormíamos no carro, lavamo-nos nas casas de banho do restaurante, e fomos continuando a nossa marcha.

BnR: E como é que aparece o GD Bragança no meio dessa aventura? Até soube que no primeiro treino disseste ao treinador que eras avançado e não lateral (risos).

AS: (Armando solta uma gargalhada) Nessa altura, já estávamos a chegar a Trás-os-Montes e continuamos o nosso caminho porque o meu objetivo já nem era ficar em Portugal, mas sim ir para a Espanha por estar ali ao lado, quase. Nós estávamos a viajar, mas nem sabíamos como é que iríamos voltar, pois não tínhamos dinheiro para a viagem de regresso (risos). Entretanto paramos em Bragança para comer e vejo um anúncio “Captações às 15h. Precisa-se de jogadores”. O meu amigo pensou logo que era uma boa ideia ir lá, mas eu nem tanto, pois estava na II.ª Divisão no Vilafranquense e não estava assim tão interessado em jogar na III.ª Divisão pelo Bragança. Mas incentivei o meu colega a ir, pois podia ser bom para ele. Fomos ao clube, batemos à porta e encontramos o diretor, ele disse que o treino era às 15h e perguntou a posição ao meu amigo e depois falou comigo: “E tu não jogas?”. E eu meio desinteressado “Eu? Sim… Jogo lá em baixo no Vilafranquense” – não me apetecia nada treinar (risos) -, ao que ele questiona: “Porque não fazes aqui o treino connosco?”. Pus-me logo a pensar: “Há dois dias que não tomamos banho, vou esforçar-me pouco no treino, tomo um banhinho e está feito” (risos). Aceitei o desafio e antes de começar o treino, o mister estava a fazer as equipas e pergunta a minha posição. E eu que estava nem aí para o Bragança respondo “Ponta de lança” (risos). O treinador mete-me a ponta de lança – eu cheguei a ser ponta de lança no São Brás e Damaiense –, as coisas correram perfeitamente bem e gostaram de mim. Quiseram logo ficar comigo ao que aceitei logo e perguntei se o meu amigo ficava. Eles disseram: “Ah não, não podemos ter dois jogadores de Lisboa aqui”.

BnR: Isso é que é pior.

AS: Não sei, na altura se calhar havia uma má imagem dos jogadores que vinham de Lisboa (risos). E respondi logo: “Se ele não ficar, eu também não fico”. “Não te preocupes que arranjamos clube para ele que vai jogar noutro lado”. Acabaram por arranjar empresário para o meu amigo para encontrar um clube, e decidi ficar no Bragança. Assinei contrato e venho a casa buscar as minhas coisas. Na viagem de regresso a Lisboa, comecei a aperceber-me que eram 10 horas de viagem de autocarro e fiquei a pensar: “Mas aonde é que vim parar?!” (risos).

BnR: É uma viagem longa de facto (risos).  

AS: Fiquei a pensar muito nisso, cheguei a Lisboa e disse ao meu pai: “Assinei pelo Bragança, mas não vou voltar pois é muito longe” (risos). Fiquei as férias todas em casa com os diretores do Bragança a ligarem-me muitas vezes e dizia sempre: “Já vou para aí” e não ia. Até que um dia o meu pai chega ao pé de mim e diz: “Sabes uma coisa? Como assinaste pelo Bragança, já não podes jogar por outro clube e vais ficar um ano sem jogar”. Aquilo bateu-me e lá decidi ir pegar nas minhas coisas e ir para Bragança. Outra viagem de autocarro de 10h e cheguei triste (risos). Depois fui-me adaptando, mas todos os fins-de-semana vinha a Lisboa, pois não gostava de ficar lá: os jogos eram ao domingo e como tinha folga à segunda, vinha para ficar umas horas apenas e depois voltava para treinar à terça. Fiz isso durante dois meses, e, entretanto, houve um dia em que nevou e fiquei preso em Bragança (risos).

BnR: Tiveste mesmo de ficar lá (risos).

AS: Sim, e também foi a primeira vez que vi neve (risos). Fiquei lá e a partir daí passei a gostar da cidade, a cultura e as festas tradicionais, adorei tanto aquilo que nunca mais voltei a Lisboa.

BnR: Fazes a época no Bragança e depois vais para o SC Vila Real. Aí já estavas a jogar a lateral direito certo?

AS: Sim, fui para o Vila Real, encontro o professor Vítor Maçãs, que foi meu treinador nas camadas jovens, e ele conhecia-me muito bem como lateral. Cheguei ao clube e já não podia enganar mais, não é? (risos).

BnR: E é aí que joga contra o Boavista para a Taça de Portugal. Quão importante foi essa partida para si?

AS: Foi esse jogo que me permitiu dar o salto e abriu-me as portas para chegar à Primeira Liga. Lembro-me que fizemos um grande jogo contra o Boavista, e, a partir daí, os olheiros todos começaram a estar mais atentos. Depois desse jogo que fizemos, em que foi bem conseguido da minha parte, apareceram vários clubes da Primeira Liga como a União de Leiria, Vitória de Guimarães, Boavista e Rio Ave à procura de garantir os meus serviços. Foi uma grande oportunidade para mim e o início do meu caminho para a Primeira Liga.

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Super Rugby Aotearoa: Um retorno aos tempos «COVID Free»

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Ao contrário do nosso país, a Nova Zelândia vai dominando a pandemia, sendo que, atualmente, não existe nenhum caso ativo no país. Além do mais, já lá vão três semanas desde que o último caso de COVID-19 foi detetado. Como tal, o regresso ao Rugby foi acompanhado pelo retorno dos adeptos ao estádio sem quaisquer restrições. O Super Rugby Aotearoa tornou-se, assim, a única competição de cariz profissional no mundo a abrir as portas ao público que, como seria de esperar, respondeu em massa aos jogos inaugurais.

Na cerimónia que antecedeu o jogo de abertura, o ministro do desporto neozelandês, Grant Robertson, enalteceu a disciplina do povo Kiwi e sublinhou a importância dos adeptos no desporto.

Posteriormente, sob o olhar de 22000 adeptos, deu-se o pontapé de saída da competição. No recinto fechado do Forsyth Barr Stadium, em Dunedin, os Highlanders levaram a melhor sobre os Chiefs, num jogo muito renhido em todos os capítulos. A equipa da casa acabou por ser mais pragmática do que a franquia da cidade de Hamilton. Os Landers marcaram três ensaios contra os dois dos Chiefs, que, por sua vez, não foram frios o suficiente em fases cruciais do jogo.

Numa segunda parte menos agitada do que a primeira, devido ao elevado número de penalidades que veio diminuir a intensidade do jogo, assistimos a algo cada vez mais raro nesta modalidade, o recurso aos drops. Damian McKanzie, com um pontapé de ressalto, colocou os Chiefs um ponto à frente dos Highlanders a três minutos do fim. Aos 79’, Bryn Gatland respondeu da mesma maneira, com uma excelente execução a 35 metros dos postes, garantindo, desta forma, a vitória por 28-27 diante da equipa orientada pelo seu pai, Warren Gatland.

Os comandados de Aaron Mauger garantiram uma vitória difícil, num jogo que não só ficou marcado pelo regresso à competição, mas também pelo elevado número de penalidades assinaladas e pela adaptação às novas leis do breakdown. Foram 30 as vezes em que Paul Williams penalizou os jogadores, contrastando com as 12 penalidades marcadas no embate entre Highlanders e Chiefs da época passada.

Os 5 búlgaros que mais marcaram o Futebol Português

A Bulgária atingiu o seu auge em termos futebolísticos nos anos 90, década na qual marcou presença em dois Mundiais e um Europeu. A anteceder esse período dourado da selecção da Bulgária, uma contingente búlgara emigrou para Portugal, numa altura em que o país do leste europeu estava mergulhado numa ditadura comunista. E vários jogadores búlgaros viriam a deixar a sua marca em vários clubes. Por isso, hoje irei aqui fazer um top com os cinco melhores jogadores búlgaros que jogaram no nosso país.

Prémios antecipados da Primeira Liga

Com o correr do campeonato, muitas são as especulações acerca da condição física dos jogadores e o rendimento que poderão colocar em campo, pelas exibições a que fomos presenteados, é seguro afirmar que a nível individual, jogadores e equipas técnicas estão, ainda, numa estranha “pré-época”. Portanto, focarei este espaço numa previsão acerca daqueles que, individualmente, irão arrecadar os mais prestigiados prémios.

Estádio José Alvalade | Dias de Glória

Na passada quarta-feira assinalou-se o 64º aniversário da inauguração do antigo Estádio José Alvalade. Uma festa pomposa e memorável, testemunhada in loco por mais de 60 mil Sportinguistas e que contou com a presença de várias delegações de clubes nacionais e estrangeiros.

“Vê-se e mal se acredita”, escreveu o então jornalista d’A Bola e futuro presidente da FPF, Silva Resende, clara referência à rapidez com que a Obra foi executada por um número de trabalhadores que chegou a atingir os 1400. Um sonho de muitas Sportinguistas de então viria a tornar-se realidade.

Este grande empreendimento teve a assinatura dos Arquitectos António Augusto Sá da Costa e Anselmo Fernandez, sendo este último considerado como um dos maiores Sportinguistas da história. Foi atleta do Sporting CP durante 17 anos e viria a ser o técnico principal da equipa que conquistou a Taça das Taças em 1964. E não cobrou quaisquer honorários pela elaboração do projecto de arquitectura!

A construção do Estádio fica também marcada pela grande mobilização dos Sportinguistas em torno do projecto. Com efeito, o financiamento da construção do Estádio contou sobretudo com a participação dos sócios leoninos que subscreveram em massa os famosos “Lagartos”, que eram uma espécie de empréstimo obrigacionista ao Sporting CP. Ficaram também célebres as “picaretadas” – os sócios pagavam até vinte escudos (uma pequena fortuna na época!) pelo direito de ajudar na demolição do Stadium de Lisboa, o recinto antecessor do Estádio José Alvalade.

Mais tarde, em 1983, sob a égide do Presidente João Rocha procedeu-se ao fecho do Estádio com a construção da “Bancada Nova” que substituiu a bancada de peão e à instalação de uma nova pista olímpica.

O antigo “Vulcão de Alvalade” será sempre recordado por muitos Sportinguistas com muita saudade. São incontáveis os momentos históricos e os grandes jogos vividos no velho Estádio: desde os 5-0 ao Machester United FC até à inevitável goleada de 7-1 infligida ao SL Benfica, seguida das fogueiras dos cartões de sócio dos adeptos encarnados. O velho Estádio foi também palco dos maiores concertos que Portugal recebia: Rolling Stones, Michael Jackson, Pink Floyd, Metallica, Van Halen, entre tantos outros, foram alguns dos nomes que actuaram no Estádio José Alvalade.

À semelhança de outros estádios colossais da Europa como Old Trafford, Santiago Barnabéu e Camp Nou, também o velho Estádio de Alvalade deveria ter sido sujeito a obras de modernização e remodelação que atendessem às exigências de segurança e de logística que o futebol requer nos dias de hoje.

Inevitavelmente, as memórias e recordações desses grandiosos tempos esbatem-se com a frieza da comparação com os novos tempos. Quem assistiu a partidas com lotação esgotada no antigo Estádio compreenderá com certeza o que tento aqui dizer. O futebol moderno, que não é mais que um futebol “fast-food” e que hoje vivemos no actual Estádio José Alvalade, contrasta e muito com a realidade de antigamente.

Para mim o melhor momento vivido no antigo Estádio foi o dia em que lá entrei pela primeira vez de mão dada com o meu avô. Felizmente, tive o privilégio de passar a minha infância nesse Estádio, bem como na antiga Nave de Alvalade que era o antigo palco das modalidades de pavilhão. Apesar de miúdo, recordo-me das colunas imponentes vistas por fora e da mítica Porta 10-A onde jogadores e equipa técnica se cruzavam com os sócios (outros tempos, de facto).

Sempre achei que o velho Estádio é a materialização da grandeza do Sporting CP: grande, sóbrio, imponente, carismático, honrador da tradição olímpica do Clube. No fundo, era a representação suprema do orgulho e da raça leonina, algo que tem vindo a desvanecer-se com o passar dos tempos. Cabe a nós, Sportinguistas, restaurar esses valores e honrar a história do nosso Clube.

Foto de Capa: Sporting CP

Artigo revisto por Joana Mendes

Ligação fraternal no Hóquei em Patins

Como em todas as modalidades, deparámo-nos com famílias que praticam o mesmo desporto. Neste artigo, a investigação debruçou-se sobre irmãos que jogam hóquei em patins ao mais alto nível e, sem grande dificuldade, foi encontrado o nosso top 5. Desde duplas portuguesas, espanholas, argentinas e até francesas, o amor pelo stick e o rinque de hóquei une e causa rivalidades quando se defrontam.

5.

Matías Platero (Sporting CP) e Franco Platero (Deportivo Liceo) – Da Argentina chegam os irmãos Platero. Matías joga, neste momento, no Sporting CP e é uma das peças fundamentais do plantel leonino. Por outro lado, Franco encontra-se em Espanha ao serviço do Deportivo Liceo, que terminou a temporada no segundo lugar da OK Liga.

Dani Ceballos| Promessa perdida ou fora de contexto?

Daniel Ceballos Fernández. Ou Dani Ceballos, para o futebol. Médio espanhol que despontou ao serviço do Real Bétis Balompié, impressionou nos escalões jovens da seleção, mas nunca chegou a convencer, verdadeiramente, os responsáveis do Real Madrid CF. Durante a presente temporada foi emprestado ao Arsenal FC, com estatuto para se impor, algo que (ainda) não aconteceu.

Diversos fatores condicionaram esta época, tendo feito com que fosse atribulada para o jogador em questão. Primeiro, o facto de o clube londrino não ter qualquer projeto desportivo em andamento. Contratações sem nexo, a juntar a um balneário com personalidades que apenas dificultam o progresso da equipa e à ausência de proposta de jogo.

Depois, os gunners já vão no terceiro técnico da temporada. Unai Emery, Fredrik Ljungberg (como interino) e agora, Mikel Arteta. A falta de regularidade, coerência e continuidade do treinador afeta sempre qualquer equipa. As chicotadas psicológicas só têm possibilidades de resultar, se os verdadeiros protagonistas (atletas), olharem com “bons olhos” para a mudança.

Por último, mas não menos importante, os problemas físicos. Ceballos falhou 11 jogos do Arsenal devido a lesões. Apesar de não parecer muito, esteve ausente durante quase um terço da época. O que para um jogador emprestado (com intenção de jogar) é bastante. Aliado a isso, a inconstância ao nível da intensidade em jogo, fez com que a sua vida fosse entre a titularidade esporádica e o banco de suplentes.

A meu ver, o desfecho mais provável para o internacional espanhol no final deste ano desportivo é o regresso a Madrid. Porém, não o imagino a integrar o plantel do Real num futuro próximo, a menos que, a crise financeira fruto da pandemia ou alguma alteração surpreendente na filosofia do clube, o obriguem. O mais certo é que volte a ser emprestado, ou até mesmo vendido.

O médio centro demonstrou uma capacidade impressionante no Benito Villamarín e sobretudo, na conquista dos europeus de sub19 e sub21 pela roja. A qualidade de passe, remate, progressão com bola e visão de jogo, não desparecem de um dia para o outro. Mas sinceramente, não o imagino a chegar ao mais alto nível. Espero estar enganado. O melhor para a sua carreira, seria definitivamente, dar um passo atrás, para depois poder dar dois à frente. Uma estadia em Valência, Sevilha (quer fosse na “casa-mãe” ou no eterno rival), ou até mesmo neste projeto do Getafe CF, poderia ser o “trampolim” que necessita.

Após uma época (até à suspensão das competições) em que disputou 24 jogos, marcou um golo e fez duas assistências, qual será o verdadeiro destino de Dani Ceballos na próxima temporada? Com 23 anos e um valor de mercado avaliado em 32 milhões de euros (pelo Transfermarkt), deixo aqui uma questão: o “falhanço” exibicional, deve-se às expectativas elevadas ou ao contexto em que esteve/está presente?

Chico Geraldes | A última vida

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Ao longo dos artigos que escrevi no Bola na Rede, exemplifiquei vários assuntos de como acontecem coisas muito estranhas no Sporting CP. É um clube onde há sempre mais um caso e mais um tema que deixa os sportinguistas a refletir sobre a sorte ou azar que paira no clube. Hoje é o dia de falar sobre o estranho caso de Francisco Geraldes mais conhecido como Chico.

Atualmente, correm tempos de enorme destaque para a Academia de Alcochete. Rúben Amorim trouxe uma nova vida aos miúdos e ao célebre ADN verde e branco de aposta na formação. Em apenas três jogos ao serviço dos leões, o jovem treinador já demonstrou que a qualidade se sobrepõe à idade. Não importam nomes mas sim a qualidade para defender as cores do clube, o que na minha opinião faz todo o sentido.

Não sou apologista do lançamento de jovens exclusivamente para a campanha de promoção da Academia e para entusiasmar alguns sportinguistas que veneram esse facto. Sou apologista de que a qualidade é o mais importante independentemente da idade. Se um jovem ou um veterano têm a qualidade necessária para representar as cores do clube que defendem e fazem a diferença, então que se aposte na qualidade.

São raros os adeptos e sócios do Sporting CP que não anseiam ver Chico Geraldes a brilhar de leão ao peito. Há muitos anos que a sua qualidade tem sido merecedora de aposta no seu talento mas quando chega o momento, parece que há qualquer coisa que falta. Já ouvi inúmeras vezes que “o Sporting era Chico e mais dez”, “Geraldes é o substituto de Bruno Fernandes”, “O Jorge Jesus nunca contou com ele porque não aposta na formação” e “é um jogador com classe”. Quando uma expectativa não é realizada, chega o momento em que a esperança se desvanece e penso que é exatamente isso que está a acontecer com Francisco Geraldes.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gosto genuinamente do Chico e tem uma postura anormal, no bom sentido, para um jogador de futebol. Um rapaz simples, humilde e pouco extravagante, algo que não estamos habituados a ver no mundo do futebol. A qualidade humana não é uma questão pertinente para a falta de aposta no seu talento.

Por falar em talento, é aqui que se prende a questão. Fez a sua melhor temporada ao serviço do Rio Ave FC, com Miguel Cardoso no comando técnico da equipa vilacondense. Uma época espetacular e tudo apontava que voltaria ao Sporting CP, ao seu clube do coração, para brilhar. Infelizmente não foi isso que aconteceu.

Este é o momento em que, infelizmente, a lógica tem de ser maior que o fanatismo e com isso vem a racionalidade. Geraldes teve aproximadamente dez treinadores nos últimos anos e apenas por duas vezes foi aposta ganha. Uma ao serviço do Moreirense FC (onde conquistou a Taça da Liga) e outra, como referido anteriormente, no Rio Ave FC.

Durante esta temporada voltou a Alvalade, depois de encontrar Miguel Cardoso na Grécia, no AEK Atenas, mas o percurso do treinador português foi curto e não foi suficiente para potenciar o seu pupilo.

A verdade é que já lá vai um tempo e a afirmação de Geraldes no Sporting por chegar. Custa-me acreditar que a culpa seja dos treinadores e não do jogador. Já passou por vários clubes, campeonatos (recentemente o alemão e grego) e nunca foi aposta. O que é que está a faltar? Esta é a questão que todos os sportinguistas colocam.

O tempo está a acabar, Chico tem 25 anos, termina contrato com o Sporting CP em 2021 e esta é a sua última oportunidade para demonstrar que tem qualidade para jogar de leão ao peito. Admiro o seu sportinguismo mas para ganhar precisamos de muito mais. Será esta a sua última vida no Sporting CP? O que irá acontecer com Rúben Amorim no comando técnico dos leões? Espero sinceramente que Geraldes possa demonstrar o seu valor e vê-lo a brilhar em Alvalade é algo que anseio imenso.

Foto de Capa: Sporting CP