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7 centrais de uma formação não aproveitada?

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Numa defesa a três, Eduardo Quaresma é uma das apostas da formação de Rúben Amorim. O defesa central estreou-se na equipa principal aos 18 anos, tornando-se o sétimo mais jovem dos últimos vinte anos em jogar no campeonato pelo Sporting CP.  Assim, apresentamos de seguida alguns defesas centrais formados nos Leões nos últimos tempos, uns aproveitados, outros não. Não foram incluídos dois centrais: Ivanildo Fernandes, por estar ainda emprestado, apesar de ser jogador do Sporting CP, e Merih Demiral, jovem central que chegou ao clube já com 19 anos.

O 11 com mais minutos do Futebol Português

Pelo campeonato português costumam passar talentos das mais variadas nacionalidades e é cada vez mais comum vermos equipas compostas maioritariamente por jogadores estrangeiros. Na jornada de retoma, o SC Braga foi a equipa que entrou com mais portugueses em campo no onze inicial, num total de sete jogadores. Das dezoito equipas que competem na Primeira Liga, apenas sete alinharam com pelo menos cinco jogadores portugueses nas primeiras escolhas. Em Portugal, há talento nacional, e, sobre essa premissa, fui à procura dos jogadores portugueses com mais minutos no nosso campeonato de modo a escalar um 11 disposto em 4-3-3, que vos apresento de seguida:

Regresso a Casa: O futebol voltou a casa

Regressar a casa tem muito que se lhe diga. Não é apenas voltar a um local onde já se viveu. Voltar a casa é voltar a uma série de memórias, voltar a viver emoções fortes: boas e más. Ser trespassado com mágoas antigas e ser alegrado por velhas alegrias. Recordar como ali se foi feliz, e como ali se atingiu o fundo. Percorrer os cantos à casa e reconhecê-la ao centímetro.

Voltar a visitar a casa onde escrevi é relembrar as amarguras de rescaldos de derrotas, de táticas mal conseguidas, de jogadores que foram “erros de casting” ou de treinadores que ficaram demasiado tempo; mas é também relembrar as conquistas de troféus, os elogios nas goleadas, os jogos com “nota artística” e os jogadores que faziam a escrita fluir com alegria.

Este meu regresso a casa coincidiu com a semana em que o futebol também regressou aos estádios portugueses. E, com ele, também as alegrias e tristezas o acompanharam.

Voltou o nervoso miudinho do pré-jogo. Voltaram as apostas do onze inicial. As discussões entre amigos – aquelas que já não existiam há dois meses – porque o Weigl deve jogar, ou o Seferovic fazer dupla com o Vinícius. Já não sentiam falta de “picar” o vosso amigo do Sporting CP, Boavista FC ou FC Porto, ou ser “picados” por eles? Ficar “com azia” por eles discordarem quanto ao penálti por assinalar, ou por acharem que o Messi é melhor que o nosso Cristiano Ronaldo?

Por agora, os cachecóis terão de ser erguidos em casa
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Só não voltaram as bifanas e as roulottes, ou o hino nas bancadas, os abraços a desconhecidos que gritam pelo mesmo glorioso do que tu. Mas estamos lá perto. Lentamente, aproximamo-nos do regresso ao normal, onde poderemos vivenciar o futebol na sua totalidade.

Por agora, resta-nos aproveitar o que temos. E que bom é ter tudo isto de volta. Que bom é poder voltar a ter futebol!

O quão bom não é sentir a frustração de uma bola ao poste, de perseguir o resultado até à última, de gritar com aquele jogador que “se esqueceu da bola atrás” ou que “não joga nada” e devia dedicar-se a outra profissão?

O quão incrível não é saltar com aquela finta, ficar deslumbrado com a jogada fantástica, aplaudir o esforço do nosso colega de manto sagrado ou festejar o golo enquanto beijamos a águia das nossas camisolas?

Quer o regresso do futebol nos traga conquistas ou fracassos, podemos todos concordar que sempre iríamos preferir que ele tivesse voltado mais cedo – ou que nunca tivesse ido embora. Mas aí está a magia do regresso a casa: a saudade. A saudade de ver 22 jogadores atrás de uma bola e do gozo que isso nos traz, da energia que a vitória nos fornece, e da angústia que a derrota nos coloca. Porque o futebol não seria futebol se não colocasse milhões de pessoas à espera de ver as suas rotinas emocionais alteradas.

No fundo, quer para o bem, quer para o mal, todos nós só queríamos que o futebol voltasse a casa.

Vamos aproveitar o que resta do campeonato. Sem pedras. Sem graffitis. Sem danos. Porque o futebol só é bonito quando se vive apenas o futebol.

Ah, e claro, que no final ganhe o SL Benfica.

Uma vez mais: Saudações Benfiquistas!

Artigo revisto por Joana Mendes

Os 5 melhores quarterback da NFL

A posição de quarterback é vista como uma das mais difíceis – se não mesmo a mais complexa – no mundo do Desporto.

A velocidade com que os jogadores têm que processar a informação que lhes é dada, é extremamente elevada e são obrigados a tomar decisões em milésimos de segundo, correndo o risco de serem atingidos por um jogador da equipa adversária.

O quarterback tem que ser um verdadeiro general dentro de campo, e por essa razão os jogadores que se destacam na posição ganham muitas vezes o estatuto de lendas.

Aqui está uma lista dos cinco melhores quarterbacks da NFL ao entrar para a temporada 2020/2021.

Os 5 jogadores que foram ovacionados por adeptos adversários

A rivalidade é uma caraterística incontornável no futebol e é uma das muitas particularidades do desporto rei que o tornam tão intenso e emotivo. Portanto, é normal que quando um adversário marca golo contra a outra equipa, que o feito seja festejado apenas por uma parte do público presente no estádio.

Porém, nem sempre é assim, pois, por vezes, tal é a genialidade dos artistas que pisam o retângulo verde, que ninguém consegue ficar indiferente.

A seguinte lista apresenta alguns desses (raros) momentos em que as rivalidades e picardias entre adeptos foram postas de lado, e em que foi apreciada toda a grandeza do futebol.

Os 8 momentos-chave que mudaram a história recente do Sporting CP

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Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906, tem sido construído um palmarés brilhante ao longo dos tempos que elevam o clube a nível mundial. “Mais de um século de histórias para contar”, são inúmeros os momentos de glória que transformaram o clube numa referência no panorama desportivo.

Nós, os sportinguistas, temos a tendência para dizer que ser Sporting é ser diferente e estou completamente de acordo. No Sporting CP existe algo que não existe em mais clube nenhum, tanto para o bem como para o mal. Quantas vezes deram por vocês a pensar “Porquê a nós?”. Infelizmente, ao longo dos últimos anos tem sido prática recorrente fazer esta pergunta.

Há momentos e situações que só acontecem no Sporting Clube de Portugal, e hoje apresento-vos uma lista que comprova isso mesmo. Como seria o nosso estado atual se os factos fossem diferentes e a história outra. Será que estaríamos há tanto tempo sem ganhar um campeonato. Não tenho dúvidas que há momentos chave que alteraram por completo o nosso caminho. Hoje poderia não estar a escrever sobre isto:

As 5 melhores possíveis contratações no próximo mercado da Liga Inglesa

Com o regresso da Liga Inglesa a estar marcado para o próximo dia 17 de junho, e apesar da paragem do campeonato nos últimos meses, um tema que não para de mexer é o dos rumores de transferências. Ainda que exista alguma incerteza relativamente à forma como o próximo mercado vai decorrer, as ligações de jogadores que brilham fora do campeonato britânico a emblemas ingleses tem deixado os adeptos de futebol expectantes.

Assim, passo a apresentar cinco possíveis chegadas (entre as quais poderão estar dois regressos) à Liga Inglesa.

Os 5 jogadores mais subvalorizados da atualidade

Neste top 5 figuram jogadores que atuam nos melhores campeonatos do mundo, mas apesar disso, continuam a não ter o devido destaque ou valorização. É destinado àqueles jogadores “fantasma”, que passam despercebidos nas suas equipas, embora costumem gozar do estatuto de titularíssimos.

Comparando com protagonistas que já penduraram as botas, este artigo destina-se aos “Cambiassos”, aos “Gabis” e aos “Trezeguets” desta vida. Tudo jogadores super titulados, porém, com a falta daquele reconhecimento internacional.

Pinto da Costa reeleito para mais quatro anos de reinado azul e branco

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Este fim de semana ficou, naturalmente, marcado pelo ato eleitoral que se sucedeu no universo do FC Porto, já que os sócios portistas se deslocaram até ao “Dragão Arena”, casa das modalidades do clube, para decidir o novo presidente do emblema azul e branco.

Foi um ato histórico por duas razões: por um lado, foi a primeira vez que Pinto da Costa, na sua era, enfrentou mais do que um concorrente ao cargo máximo de poder do  clube nortenho; por outro lado, realizou-se um ato eleitoral histórico, pois foram as mais concorridas do século, com 8480 participantes a quererem dar o seu aval para o futuro do FC Porto. Sendo assim, muitas figuras conhecidas do grande público passaram, nestes dois dias, junto ao Estádio do Dragão e falamos como é claro de pessoas como André Villas- Boas, Pedro Marques Lopes, João Rafael Koehler, que a dado momento foi apontado como possível candidato, Reinaldo Teles, Vítor Baía, Rui Barros, entre outras inúmeras figuras associadas à história do atual líder da liga portuguesa.

Desta vez, tivemos algo diferente do que é costume, já que José Fernando Rio, advogado, e Nuno Lobo, empresário, vieram trazer outra vivacidade a este momento solene, isto é, vieram trazer a público a voz da oposição e das demais críticas que foram efetuadas aos últimos 4 anos de gestão do, então, “eterno” presidente Pinto da Costa. Não é mentira nenhuma considerar que foi, a nível de futebol, dos mandatos mais pobres, pois só conseguiu obter para o museu do FC Porto um campeonato, o que é manifestamente pouco para o que já nos habituou. No entanto, os aspetos negativos não ficaram só por aqui, já que as contas da SAD estão piores a cada ano que passa, e isso fez surgir uma voz de insatisfação como há muito já não se via no seio portista. Assim, a campanha eleitoral passou muito pelos dois opositores a questionarem e a escrutinarem algumas das decisões tomadas pela direção atual, assim como alertar para a falta de visão e de poder que se nota no FC Porto e que faz ou devia provocar preocupação em cada simpatizante azul e branco. Por sua vez, Pinto da Costa aproveitou os seus períodos de antena para tentar descredibilizar as listas opostas, afirmando diversas vezes que só continua a lutar pela presidência, porque não observa segurança nem quaisquer garantias de sucesso dos programas apresentados pelos outros candidatos. Além disso, também pretende iniciar e concluir o seu grande projeto, a “Cidade FC Porto”, no qual já informou que o plano já está definido e só não se iniciou mais cedo porque quis esperar pelas eleições.

A votação por cada mesa de voto foi a seguinte: Na mesa 1, a Lista A obteve 70.7%, já a Lista B 3,1% e a Lista C angariou 22,8% dos votos. Em relação à mesa 4, a Lista A ficou-se pelos 59.6%, a Lista B não conseguiu mais do que 5.2%, por seu turno a Lista C registou 24.4%. Na última mesa, a 8, a Lista A venceu mais uma vez com 67.6%, com a Lista B a não ultrapassar os 4.2% e a Lista C ficar-se pelos 20.7%. De referir, que a Lista A é a encabeçada por Pinto da Costa, por sua vez a Lista B por Nuno Lobo e a Lista C por José Fernando Rio. A votação sobre as restantes mesas, à data da edição deste artigo, ainda não tinham sido anunciadas.

Em relação ao Conselho Superior, venceu a Lista A, com 64,96% dos votos, ficando pelo segundo lugar a Lista D, liderada por Miguel Brás da Cunha e direcionada unicamente para esta seccção do escrutínio, que registou 16,12%, seguindo-se a Lista C com 15,04% e a Lista B contabilizou a soma de 3,88%. Com estes resultados, este órgão irá ser constituído por 14 elemento da lista vencedora, dividindo os restantes 6 elementos, por números iguais, entre a lista C e a D.

Enquanto as votações ainda decorriam, Pinto da Costa reagiu à vitória salientando estar muito satisfeito pela forma como decorreram estas eleições, afirmando que “quem levantou suspeitas da sua seriedade, teve uma resposta extraordinária”. Também não deixou de referir que estes dias vieram demonstrar a “vitalidade, ordem, respeito e interesse na vida do FC Porto”. No discurso de vitória, não deixou de agradecer a todos os sócios que confiaram no seu projeto e garantiu que fará de tudo para corresponder da melhor maneira às expectativas geradas. Não deixou de referenciar também que os seus principais objetivos passam por manter a competitividade do FC Porto, fazer crescer o clube em termos de adeptos e associados, e concretizar a sua grande bandeira, que será a construção de um centro de treinos próprio para a formação portista. O presidente realçou que a construção da sua equipa foi pensada no futuro, uma vez que procedeu a algumas alterações.

De salientar que amanhã, no Porto Canal, o vencedor destas eleições irá dar uma entrevista pelas 21 horas, para abordar os seus planos e como irá colocá-los em prática, de forma a levar o FC Porto ao maior sucesso possível.

Certamente, este será um dia que ficará marcado na história do FC Porto, porque a Lista A venceu, como era expectável, mas não venceu da forma implacável como noutros tempos. Se pedissem uma alcunha a este momento, talvez o mais adequado fosse classificar este ato eleitoral como as “eleições do aviso”, porque os portistas demonstraram que estão atentos ao que se passa e mais do que nunca estarão de olhos postos em cada passo que esta nova direção dará.

Por fim, o grande vencedor voltou a ser o mesmo de tantas outras vezes, ou seja, Jorge Nuno Pinto da Costa, que, com 68,65% dos votos, mereceu, novamente, a confiança dos associados para liderar por mais 4 anos os destinos do FC Porto. Relativamente aos seus adversários, a lista de José Fernando Rio ocupou o segundo posto com 26.44% das preferências, enquanto que Nuno Lobo terminou no último lugar com apenas 4,91% de apoio dos sócios azuis e brancos.

Artigo revisto por Joana Mendes

«A frustração de não jogar fez bem a Bernardo Silva» – Entrevista BnR com João Tralhão

É uma das maiores referências do futebol de formação em Portugal e no estrangeiro, não tivesse ele treinado os escalões jovens do Benfica durante quase 19 anos. Nesta entrevista de vida, João Tralhão partilha connosco a experiência e os ensinamentos de quem trata a profissão de treinador por “tu”, entrando ao detalhe para falar de jogadores como Rui Costa, Fàbregas, Bernardo Silva ou João Félix. Afirma até que este último pode valer mais do que aquilo que custou ao Atlético de Madrid. De discurso metódico e assertivo, características que também identificam o seu estilo como treinador, João Tralhão dá-nos uma autêntica masterclass sobre a sua profissão, e revela ainda o que procura no próximo desafio profissional.

– O desafio de treinar Rui Costa e Fàbregas –

Bola na Rede [BnR]: Tens uma fotografia no teu perfil no Twitter que diz “I’ve always been of the opinion that the most important thing to do is the right thing”. A coisa certa é sempre a mais difícil?

João Tralhão [JT]: Depende da perspetiva. Eu acho que a coisa certa é sempre a mais fácil para mim, porque eu tomo decisões conforme aquilo que sinto, e, quando tomo uma decisão, acredito que é a melhor decisão.

BnR: Quem são as tuas referências enquanto treinador?

JT: Houve um treinador que me marcou bastante, porque coincidiu com o meu começo a treinar, que foi o José Mourinho. Na altura em que me apaixonei por esta profissão, o José Mourinho tinha “rebentado” aqui em Portugal, com a vinda para o Benfica. Não só pela qualidade dele, mas sobretudo pela mudança que operou no futebol português. Depois, treinadores mais recentes… tenho vários. Gosto muito do Maurizio Sarri, sobretudo das épocas que fez no Nápoles, gosto muito de Pep Guardiola pela filosofia que tem de vida e de jogo. Identifico-me com estes três treinadores de elite. Depois, não tão mediáticos, mas também de elite, identifico-me com vários pessoas com quem trabalhei. Destaco o Luís Tralhão, o meu irmão.

BnR: Já tiveste a oportunidade de dizer ao José Mourinho que ele era uma das tuas referências?

JT: [risos] Olha, as únicas vezes que estive com o Mourinho foi sempre em alturas que implicavam conversas muito rápidas. A primeira vez que estive com ele foi quando nos cruzámos na Gala das Quinas de Ouro. Foi nos bastidores, eu tinha ganho o prémio de Melhor Treinador do Ano na Formação.

BnR: Foi em 2018? Quando ganhaste o segundo título de campeão nacional de juniores?

JT: [João hesita] Ah… É provável, sim. Sim, foi as Quinas de Ouro de 2018, exatamente. Ele tinha recebido o troféu Vasco da Gama, porque tinha expandido os treinadores portugueses para o mundo. Foi recebê-lo, e, ali nos bastidores, cruzámo-nos e falámos um bocado. Mas não tive oportunidade de lhe dizer isso [risos]. As outras vezes que me cruzei com ele foi em trabalho. Mas ainda não surgiu a oportunidade. Um dia espero poder-lhe dizer isso.

BnR: Qual foi o jogador que mais te impressionou na primeira vez que o viste?

JT: [João nem hesita] Foi o Rui Costa. Já era fã dele enquanto adepto de futebol. Já era fã de jogadores como o Rui Costa, Figo, Nuno Gomes… grandes jogadores.

BnR: Temos isso em comum então. Disseste três dos meus jogadores preferidos de sempre.

JT: Exato. Outro, João Pinto no Sporting e no Benfica. Eu cresci a ver esses grandes jogadores portugueses, e depois, quando tive oportunidade de treinar o Rui no último ano dele…

BnR: Com o Chalana, não é? Depois da saída do Camacho.

JT: Exatamente. Fiquei totalmente impressionado pela positiva com o caráter dele e com a forma dele jogar. Era muito diferente de qualquer jogador. Na minha visão, o Rui foi um dos melhores jogadores de sempre.

 BnR: Treinar um jogador como o Rui Costa, ainda por cima na fase final da carreira… como treinador, sentes que ainda há algo que lhe podes ensinar?

JT: Sim, eu acho que o desafio com esse tipo de jogadores, que são completamente diferenciados, são de outro nível. É criar-lhes condições para que eles se sintam ainda motivados para aprender. Quando eu digo motivar para aprender, não quer dizer que o Rui não tivesse essa humildade! Mas são jogadores com uma experiência tão grande, e são tão competentes ao longo de tanto tempo, que dificilmente a perceção que têm é de que alguém lhes pode trazer algo de novo. Por isso, treiná-los é criar um ambiente em que eles possam sentir que estão a crescer ainda. Eu tive essa experiência não só com o Rui, mas também com outros tantos jogadores. Mais recentemente, no caso do Monaco – um excelente jogador, já era fã dele, e depois quando tive oportunidade de trabalhar com ele…

BnR: Acho que sei quem é. Fàbregas?

JT: Certo. Quando trabalhas com um jogador desses, o desafio é sentires que lhes estás a oferecer qualquer coisa de novo e criar-lhes condições para que se sinta motivado para continuar a crescer.

BnR: Tens um feito interessante no currículo. Não é toda a gente que pode dizer que deu uma nega ao Thierry Henry…

JT: [João abre um sorriso] Não é bem assim…

BnR: Eu sei que já tinham trabalhado juntos no AS Monaco e tiraram dois níveis do curso de treinador juntos. O que te quero perguntar é se a família está sempre no centro das tuas decisões?

JT: Sim. Não me orgulho nada em ter… aliás, isso até é algo que me deixa bastante triste. Sou amigo do Thierry e sou um grande admirador dele, não só pelo grande jogador que foi, um dos melhores de todos os tempos, mas sobretudo como pessoa. Identifico-me muito com ele como pessoa, e fiquei bastante triste por não poder ir com ele por razões pessoais. Continuamos amigos e continuamos em contacto, o que me deixa o mais orgulhoso possível. Em relação às decisões, sou uma pessoa de família e as minhas decisões são sempre em função daquilo que eu achar que é o melhor para a minha família.

BnR: Um treinador às vezes é um pai?

JT: Sim, é sempre. Um treinador é sempre pai [risos]. Eu acho que ser treinador é uma responsabilidade grande, porque não só tens de dar o exemplo, como também guiar os jogadores para aquilo que é o melhor caminho. Se fizeres o paralelo com o pai, acho que é igual.

BnR: É mais difícil ser pai ou treinador?

JT: Ambos! [João solta uma gargalhada forte] Têm ambos particularidades muito próximas, como é óbvio, mas ser treinador e ser pai é entusiasmante.

BnR: Ao veres um jogador que te passou pelas “mãos” na formação a brilhar uns anos mais tarde, sentes um bocadinho o orgulho de um pai que vê o filho ser bem sucedido?

JT: Sim, é esse o sentimento. Mais do que tudo, quando recordo a relação que tive com os jovens que estão a ter agora enorme sucesso, o meu maior orgulho não foram os feitos, os títulos e por aí fora. Foi o facto de poder ter contribuído, de alguma forma, para que eles pudessem concretizar o sonho deles. E agora vê-los a jogar ao mais alto nível… brilham-me os olhos sempre que vejo um jogo deles.