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Jogadores que Admiro #118 – Yaya Touré

As saudades de o ver nos grandes palcos já são algumas. A carreira caminha para o fim, os horizontes encurtam, mas Yaya Touré, sem clube, e com os seus 36 anos, mostrou no Qingdao Huanghai FC que ainda dava uma perninha em alguns dos reconhecidos emblemas europeus. O médio centro encantou o relvado do Etihad durante oito épocas, depois de brilhar ao serviço do FC Barcelona.

Os 30 milhões que os citizens desembolsaram para trazer o costa-marfinense do clube catalão no verão de 2010 justificaram-se rapidamente. Na época de estreia, Yaya Touré somou 50 jogos e 12 golos. Com o 42 nas costas, o centrocampista ia ganhando o estatuto de lenda no Manchester City FC. A temporada de 2013/2014 foi, no mínimo, deslumbrante. Terceiro melhor marcador da Liga Inglesa e goleador máximo, com 20 golos, da formação na altura treinada por Pellegrini – conjunto esse que contava com Agüero e Dzeko -, e um brilho que não havia tática que ofuscasse.

Imperial com 1,88 metros, uma capacidade técnica anormal para a estatura, uma força da natureza em corrida, e para as delícias dos amantes da bola, uma sniper em cada pé com a potência de um míssil. O melhor jogador africano por quatro vezes assumia um papel fundamental na tática dos citizens, tanto na propensão ofensiva, era um atleta que sabia construir, levar o jogo para o último terço e ainda aparecer na zona de finalização, como no músculo e na capacidade defensiva que oferecia. O segundo jogador com mais passes feitos com sucesso em 2014/2015 em Terras de Sua Majestade, com 2144 – só ultrapassado por Fàbregas que fez 2336 – era uma arma no desbloquear de algumas partidas, ao encontrar nas bolas longas, os espaços nas costas dos defesas que valiam meio golo.

Os dois últimos anos em Manchester foram tudo menos dourados. Com a chega de Guardiola, os atritos que já vinham da Catalunha mantiveram-se. Isto porque, Yaya Touré quando chegou ao FC Barcelona foi a pedido de Frank Rijkaard e o treinador espanhol, aquando da sua vinda começou por colocar o médio centro fora da sua posição original, como aconteceu na final da Liga dos Campeões de 2009, em que o costa-marfinense jogou a defesa-central. No reencontro em Etihad aconteceu o mesmo, a acrescentar ainda o facto de o jogador ter ficado fora da lista da liga milionária em 2016. Entre acusações e pedidos de desculpa a relação sempre foi azedando e o centrocampista saiu para o PAE Olympiakos SFP, antes de ingressar na China.

Com um palmarés invejável, a destacar duas Ligas Espanholas e uma Inglesa, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia, um Mundial de Clubes e uma Taça das Nações Africanas, Yaya Touré, sem clube, pode colocar o ponto final na carreira e começar o percurso como treinador – que já mostrou vontade –, fazer o contrato “da vida” ou então terminar em grande e voltar à Europa. Até lá, a minha esperança de o ver nos grandes palcos mantém-se.

O Passado Também Chuta – Romário

Romário foi um dos melhores avançados do futebol mundial, com mais 700 golos marcados em jogos oficiais. Ao serviço da seleçção brasileira, colocou a bola nas redes adversárias por 55 vezes, tendo uma média superior de golos / jogo do que Pelé e Ronaldo. O “baixinho” recebeu o FIFA Ballon d’Or em 1994.

O avançado brasileiro iniciou o seu trajeto no futebol, ao serviço do modesto Olaria, até que em 1981 ingressou nas escolas do Vasco da Gama. No histórico clube de Rio de Janeiro, estreou-se na equipa principal aos 19 anos, tendo somado na sua primeira passagem pelo vasco 141 jogos e 80 golos apontados.

As boas exibições de Romário no Vasco, valeram-lhe o salto para o futebol europeu. Na época 89/90 transferiu-se para o PSV Eindhoven, onde permaneceu durante cinco temporadas. Com a camisola do PSV impressionou a Europa, conquistou três campeonatos, duas KNVB Beker e uma Johan Cruijff Schaal. Nesse período foi por três vezes o melhor marcados do campeonato holandês, com números expressivos, 129 golos em 145 jogos disputados.

No verão de 1993, Romário voltou a protagonizar uma transferência sonante. O FC Barcelona adquiriu o passe do avançado brasileiro ao PSV, por uma verba a rondar os 12 M€. Na sua primeira época, sob a liderança de Johan Cruyff, conquistou a La Liga, sendo o melhor marcador com 30 golos e chegou à final da Liga dos Campeões. No entanto, na “champions” o Barça foi goleado pelo AC Milan treinado por Fabio Capello. Na temporada seguinte, no mercado de Inverno, Romário regressava ao Brasil para vestir a camisola do Flamengo.

No Clube Regatas Flamengo voltou a ser determinante, tendo uma ligação que se prolongou até 1999. Durante esse período, ainda regressou à Europa, mas sem sucesso, sendo pouco utilizado ao serviço dos espanhóis do Valencia. No “mengão” somou 209 jogos e 184 golos marcados. No ano 2000 acabou por regressar ao seu Vasco, com 34 anos, a tempo de se tornar a grande figura da equipa.

Entre as temporadas que serviu o Flamengo e o Vasco da Gama, conquistou duas vezes a Copa Mercosul, a Copa de Ouro Nicolás Leoz e um campeonato brasileiro. Em 2002, saiu do Vasco para rumar ao rival Fluminense, onde esteve até 2004, seguiu-se a  aventura no AL-Sadd, onde venceu a Taça do Qatar. Voltava ao Vasco em 2005, com duas aventuras pelo meio nos EUA ao serviço do FL Strikers e no futebol australiano onde vestiu a camisola do Adelaide United.

No ano de 2007, regressa ao Vasco da Gama pela terceira vez, com 41 anos. Nessa temporada, ainda apontou os seus últimos golos da carreira, 15 golos em 19 jogos. Dois anos depois, ainda ingressou no América-RJ e disputou apenas uma partida, marcando o fim de uma longa carreira, de golos e vitórias.

Romário brilhou ao mais alto nível ao serviço da seleção, contabilizando 70 jogos e 55 golos marcados. Com a camisola canarinha conquistou o Mundial 94 nos EUA, sendo o melhor marcador com cinco golos na competição. Na final, o Brasil venceu a Itáilia nas grandes penalidades, após um nulo nos 120 minutos. No seu trajeto na seleção conquistou duas edições da Copa América em 1989 e 1997 e ainda a Taça das Confederações em 1997, com um hat-trick na final diante da Austrália.

O ex-jogador brasileiro atingiu a marca redonda dos 1000 golos ao serviço do Vasco da Gama já com 41 anos, embora esta não seja uma contagem oficiosa, porque a marca dos 1000 golos contabiliza jogos não oficiais e das camadas jovens.

Romário foi definitivamente um dos melhores avançados de sempre do futebol mundial. Para sempre ficarão os golos, os títulos na memória dos adeptos. No entanto, a sua carreira foi também marcada por vários problemas fora do relvado. Vale a pena questionar, o que poderia ter sido de diferente a carreira deste genial “baixinho”.

BnR TV: Miguel Garcia e Rafael Lopes recordam momentos

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Um especial 2 em 1. Nesta emissão contámos com a presença de Miguel Garcia, antigo jogador do Sporting e SC Braga, e de Rafael Lopes, atualmente a jogar no Polónia, ao serviço do KS Cracóvia. Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV!

Com Mário Cagica Oliveira, Frederico Seruya, Miguel Ferreira de Araújo, Miguel Garcia e Rafael Lopes.

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Que jogos devo rever nesta Quarentena? SL Benfica 2-2 FC Bayern Munique de 2016

Abril de 2020, futebol suspenso. Não havendo melhor, vemo-nos obrigados a rever momentos em que a euforia do futebol diminuía “o peso da cadeia enorme arrastada em comum por todos os viventes”, como escreveria Victor Hugo. Recuemos então até abril de 2016, mais precisamente até dia 13 do quarto mês desse histórico ano para o futebol português.

No Estádio da Luz, as águias de Rui Vitória recebiam os pupilos de Pep Guardiola com a ilusão da passagem às meias-finais da Liga dos Campeões intacta, fruto da derrota pela margem mínima “alcançada” na Allianz Arena, na Baviera. Um golo madrugador de Arturo Vidal havia sido a única mossa impressa nos encarnados portugueses pelos encarnados alemães na primeira mão.

A tarefa era hercúlea, mas o objetivo era claro: marcar primeiro, marcar cedo. Confere, confere (mais ou menos). Após uma boa entrada na partida, ainda que inócua, as águias chegam ao golo da igualdade (da eliminatória) aos 27 minutos, através de um cabeceamento certeiro da arma secreta, Raúl Jiménez, em correspondência a um cruzamento longo endereçado por Eliseu.

Explosão de alegria e a ilusão a transmudar-se em crença. Um golo mais significava a vantagem na eliminatória, contra todas as expetativas. Um golo sofrido, no entanto, significava que as meias-finais ficavam à distância de dois golos. Dez minutos volvidos e golo… forasteiro. O Matador de Munique ataca novamente e faz pender a eliminatória novamente para o lado bávaro.

Intervalo. SL Benfica 1-1 (1-2 no agregado) Arturo Vidal. Com apenas 45 minutos para dar a volta à situação e a dois golos de distância de tal desiderato, a missão voltava a parecer inexequível. Todavia, a crença benfiquista não havia esmorecido durante o repouso. Aos 52 minutos, no entanto, Thomas Muller colocou essa mesma crença à prova, apontando o segundo golo dos alemães na partida e o terceiro na eliminatória.

Thomas Muller, lenda do clube bávaro, apontou o golo alemão que quebrou em definitivo o SL Benfica
Fonte: FC Bayern Munique

Talvez não a tenha abatido, mas por certo abalou-a. O único antídoto para o veneno alemão era uma reação pronta. Necessitava-se um golo benfiquista o mais brevemente possível. Tardou. Tardou demasiado para que a crença esmorecida pudesse ser reavivada com o balançar das redes à guarda de Neuer.

Chegou apenas aos 77 minutos do pé esquerdo de Anderson Talisca. O brasileiro bateu um livre direto irrepreensível e não deu hipóteses ao guardião então campeão mundial de seleções. Nova explosão de alegria. Contudo, creio ser seguro asseverar que nenhum adepto acreditava que as águias de Vitória apontassem outros dois golos em 13 minutos – mais descontos – a uma das cinco melhores equipas do Mundo.

Na vitória ainda acreditavam. Uma vitória por 3-2 frente aos campeões alemães não daria a passagem aos então bicampeões lusos, mas renovaria a esperança numa equipa que na época em questão já havia perdido por três vezes – uma delas por 0-3 – frente ao Eterno Rival e, nessa temporada, rival direto Sporting CP.

Não aconteceu. O empate a duas bolas imperou até final e o FC Bayern Munique seguiu para as meias-finais. O SL Benfica não seguiu esse trajeto, mas “arrepiou caminho” para o tricampeonato. Os confrontos com os bávaros – em particular o jogo disputado na Luz – foram, pese embora os resultados, dois dos momentos altos da época 2016/2017 da equipa de Rui Vitória. O estilo defensivo e nada vertiginoso do timoneiro benfiquista, tantas vezes criticado (com razão), serviu-lhe bem nos confrontos com Guardiola.

Pouco resta desse Benfica. Do onze inicial, apenas André Almeida, Jardel, Pizzi e Fejsa (atualmente emprestado) estão ainda ligados ao clube. Ederson foi capturado pelo então treinador dos bávaros, Renato Sanches foi-o pelos próprios e os restantes foram perdendo o seu espaço. Rui Vitória deu lugar a Bruno Lage. Muito mudou, pouco resiste. A memória deste jogo resiste. Para que perdure, o melhor é revisitar aquela que foi das melhores exibições do Benfica de Rui Vitória e do Benfica da década transata.

O jogo:

https://footballia.net/matches/sl-benfica-bayern-munchen 

XI INICIAL E SUBSTITUIÇÕES

SL Benfica: Ederson, André Almeida, Lindelof, Jardel (C), Eliseu (Jovic, 88′), Fejsa, Pizzi (Gonçalo Guedes, 57′), Renato Sanches, Mehdi Carcela, Toto Salvio (Talisca, 68′), Raúl Jiménez.

FC Bayern: Neuer, Lahm, Kimmich, Alaba, Martínez, Xabi Alonso (Bernat, 90+1′), Vidal, Thiago Alcântara, Douglas Costa, Ribéry (Mario Gotze, 90+3′), Muller (Lewandowski, 84′).

«Foi uma loucura após o jogo de Alkmaar» – Entrevista BnR com Miguel Garcia

O Bola na Rede esteve à conversa com o herói de Alkmaar, Miguel Garcia, e passou em revista a sua carreira, desde os primeiros toques na bola na terra que o viu nascer, Moura, na região do Baixo Alentejo. Seguiu-se a vinda para o Sporting com apenas 14 anos, onde o sonho de ser profissional de futebol foi mais forte do que as saudades de casa. Lançado por Fernando Santos na equipa principal dos leões, fez carreira como lateral direito e foi em Alvalade que ganhou o epíteto de herói que até hoje o acompanha. A gratidão eterna encontrou-a em Olhão e a glória de voltar a uma final europeia surgiu mais a norte, em Braga. Para lá da fronteira, recorda o ambiente escaldante nos estádios da Turquia, a desilusão em Maiorca e a surpresa que foi a India, onde ia de mota sem capacete para os treinos.

– Avançado em Moura, saudades em Lisboa e lateral direito em Toulon –

Bola na Rede [BnR]: Começas a jogar no Moura, clube da tua terra. Como se dá a passagem para a formação do Sporting?

Miguel Garcia [MG]: Iniciei no Moura AC quando tinha nove anos. Já jogava mais nas escolinhas, nós jogávamos lá no pavilhão do Moura com o sr. José Correia, que nos ensinava a passar a bola, a dominar. Mais tarde, quando tinha nove anos, consegui tirar o BI e ir para o Moura AC, e assim foi até aos 14 anos. Com essa idade, fui fazer o torneio interassociações em Lisboa, o Torneio Lopes da Silva. As coisas correram muito bem e acabei por ser convidado para vir para o Sporting. Fiquei lá até aos 24, 10 anos, quatro deles na primeira equipa.

BnR: Como foi a abordagem do Sporting?

MG: Na altura joguei na Associação Distrital de Beja, o Prof. Alexandre Paiva falou diretamente com o meu treinador e ele falou comigo e com os meus pais. Posteriormente, falámos também com o Moura e acabei por vir para Lisboa um bocadinho contra a vontade da minha mãe, que não queria deixar-me sair tão cedo de casa, principalmente para Lisboa. Mas lembro-me que falámos com tranquilidade e as coisas correram bem.

BnR: Como lidaste com as saudades de casa? Alguma vez pensaste em desistir?

MG: Desistir do futebol não, mas voltar para casa sim (risos). Ao início foi complicado porque Moura é uma cidade pequena em que toda a gente se conhece, tinha bastante liberdade, não tinha horas para chegar a casa e estava sempre na rua com amigos. Quando cheguei a Lisboa, ter que apanhar dois autocarros, metro, acordar às 06h30 para ir para a escola e chegar a casa às 22h…

BnR: Ficaste no centro de estágios desde o início?

MG: Não. Fiquei em casa de uns tios meus e tinha que acordar às 06h30 para ir para a escola em Telheiras. Ou apanhava três autocarros ou dois autocarros e um metro. Depois da escola, tinha o treino ao final do dia e a seguir jantava lá perto do Estádio de Alvalade. Voltava só depois do jantar por isso chegava a casa às 22h. Não estava habituado a essa vida e foi com bastante sacrifício que consegui ultrapassar essa fase, porque inicialmente custou mesmo muito, as saudades da família, dos amigos… o primeiro ano foi muito complicado, chegou a Dezembro e eu queria voltar para Moura. Apesar de jogar e as coisas estarem a correr muito bem, havia outros fatores, a família e os amigos, assim como a cidade. Mas o treinador falou com os meus pais, acabei por ficar e, passado um ano, dois, já estava mais habituado. Também fiz bastantes amigos na escola e colegas de equipa, aí as coisas foram mais tranquilas porque comecei a gostar de estar em Lisboa e de jogar no Sporting.

BnR: Num momento como esse, a que é que te agarras para não desistir?

MG: Naquela idade agarrei-me mais ao facto de o futebol ser a minha paixão, é o que eu gosto de fazer. Não havia desporto nenhum ou outra atividade que me entusiasmasse tanto como o futebol. Quando somos miúdos, o futebol é uma coisa de loucos e lembro-me que, na altura com 14 anos, foi a decisão que eu quis e os meus pais puseram-me à vontade e disseram-me “Tu é que sabes. Se queres ir vais, mas atenção, nós não estamos lá”. Fui eu que tomei essa decisão e lembro-me perfeitamente que os meus pais, juntamente com os meus treinadores na altura, Leonel Pontes e Paulo Leitão, convenceram-me e disseram-me que eu tinha muita qualidade, que ia ter um futuro pela frente e que era um desperdício voltar para Moura e não ficar em Lisboa. Eu comecei a interiorizar isso, sempre fui apaixonado por futebol e acabei por conseguir inverter a situação de não querer estar em Lisboa para gostar de estar aqui.

BnR: Quem foram as tuas referências quando eras mais novo?

MG: Em miúdo, os meus ídolos eram o Figo e o Van Basten. Lembro-me de dar uma entrevista ao jornal de Moura, o jornal “A Planície”, e dizer isso. Não me recordo depois mais tarde, quando fui para o Sporting, quem eram os meus ídolos. Gostava muito do Luís Figo porque jogava no Sporting e porque era um grande jogador.

BnR: Apoiavas algum clube em miúdo?

MG: O Sporting.

BnR: Jogaste sempre a lateral direito?

MG: Eu nunca joguei a lateral direito na formação. Eu no Moura jogava a avançado, dos nove aos 11. Depois baixei para médio centro e fui para o Sporting nessa posição, a 8 ou a 6. Fiz a minha formação toda a trinco, médio centro, pouca gente sabe disto. Mesmo nas seleções, desde os sub-17 aos sub-20 joguei sempre a médio defensivo. Eu comecei a joga a lateral direito no Torneio de Toulon, em 2003, acho que foi a última vez que Portugal ganhou.

Miguel Garcia jogou a trinco na formação do Sporting. Nesta fotografia está com a braçadeira de capitão
Fonte: Arquivo pessoal Miguel Garcia

BnR: O que se passou exatamente?

MG: O nosso lateral direito, o Baptista, teve uma lesão no joelho e não havia mais ninguém. O Rui Caçador veio falar comigo “Epá Miguel, tens que me ajudar, não tenho mais ninguém. De certeza que fazes bem essa função porque és agressivo, és super profissional, tens que me ajudar”. Eu disse “Ok mister, tudo bem. Eu quero é jogar”. Joguei, 3-0 à Inglaterra, 3-0 à Argentina, 3-1 à Itália na final. Fizemos um torneio espetacular e foi assim que eu consegui uma oportunidade na equipa principal do Sporting, porque na altura não havia laterais direitos, tinham ido buscar o Mário Sérgio mas faltava um. Foi assim que eu comecei a jogar a lateral direito.

BnR: O que fizeste com o primeiro ordenado?

MG: Não me recordo muito bem… Quando era júnior ganhava 60 contos [300 euros] e não tinha dinheiro para tirar a carta de condução, até foi o Gisvi que me emprestou o dinheiro. A carta custou-me cerca de 500 euros e depois paguei-lhe. Eu não era muito esbanjador, também não ganhava muito. Comprava roupa de vez em quando, normalmente era no vestuário que eu gastava mais dinheiro.

BnR: Jogaste na formação com Cristiano Ronaldo e Quaresma, nessa altura já estavam muito acima dos demais?

MG: Lembro-me quando eu cheguei ao Sporting com 14 anos, o Quaresma estava na minha equipa, o Ronaldo estava nos infantis ainda. Lembro-me que o Quaresma já desequilibrava bastante, era ele e o João Paiva que marcavam os golos todos da nossa equipa. Eu fazia muito a comparação do Moura com o Sporting, quando entrava nos jogos pensava assim “Tenho o Quaresma, tenho o João Paiva, de certeza que vamos ganhar” (risos). Mais tarde, quando passei para júnior já apanhei o Ronaldo, ele era juvenil mas jogava nos juniores já, e voltei a ter o mesmo pensamento “Temos o Ronaldo, estamos tranquilos”.

BnR: Algum episódio deles que recordes em concreto?

MG: Lembro-me perfeitamente que um dia estávamos a perder um jogo 1-0, estava mesmo a acabar. Tivemos dois livres à entrada da área, o Ronaldo marcou os dois golos e acabámos por ganhar 2-1. Na altura já se notava a qualidade. Sabíamos que tanto o Quaresma como o Ronaldo iam chegar a jogadores profissionais e à primeira equipa certamente, mas jogar em grandes clubes europeus como eles jogaram se calhar ninguém tinha essa noção.

BnR TV: As 5 equipas-sensação da Europa

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Quais são as equipas-sensação em Portugal e no estrangeiro? É isso mesmo que os nossos comentadores do BnR TV vão dizer e analisar em mais um programa de sábado à noite.
Com Mário Cagica Oliveira, Nuno Oliveira, Pedro Pinto Diniz e Tiago Serrano.

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Que jogos devo rever nesta quarentena? Basquetebol – Illiabum 91-83 SL Benfica

No dia 18 de Março de 2018, em Braga, o Illiabum viria a fazer o maior feito da história do clube aveirense. A “turma” de Pedro Nuno não só havia derrotado o atual campeão nacional e vencedor das últimas 4 taças de Portugal, como também havia conseguido a primeira e única Taça de Portugal da História do clube.

ENTRADA CONTUNDENTE

Com alta intensidade na defesa e grande eficácia no ataque, o Illiabum superou o SL Benfica com parciais supreendentes (no fim do primeiro período, ganhava por 34-18), chegando a estar com uma vantagem de 26 pontos a meio do segundo quarto. Como se justifica isto? Antes de mais, muito trabalho e preparação do técnico Pedro Nuno, que conseguiu adotar um sistema de modo a aniquilar o ataque lisboeta, dificultando ao máximo o trabalho dos portadores de bola encarnados. Num 2×1 ainda no meio campo defensivo do SL Benfica, o Illiabum ou conseguiu recuperações de bola ou obrigou o oponente a lançamentos forçados e precoces, sendo que tal, conjugando com a elevada eficácia do lado da equipa de Ílhavo, forçou inúmeras vezes José Ricardo a pedir timeouts em choque com o que estava a acontecer.

PEDRO NUNO COMO SEXTO ELEMENTO

Pedro Nuno foi fulcral na conquista aveirense
Fonte: FPB

No ataque, para além de naturais ações individuais, nada é fruto do acaso, ao passo que houve sempre grande atenção a possíveis vantagens em isolamento. Como é o caso no seguinte vídeo, onde é notável observar como Pedro Nuno persiste com Simic, para movimentar o ataque de modo a que Filip Pejovic “ataque” José Silva. Não foi ocasião única, ao passo que o treinador português foi interveniente ativo em muitos ataques da equipa do Illiabum, falando muito com os seus jogadores.

O desfecho da primeira parte da partida significou uma vantagem de 22 pontos para a equipa do Illiabum, 55-33 ao intervalo.

Que jogos devo rever nesta quarentena? Hóquei em Patins – Portugal 6-2 Itália

O calendário marcava o dia 16 de junho de 2016. Em Oliveira de Azeméis, o Pavilhão Dr. Salvador Machado estava pronto a receber uma grande partida: a final do Europeu de hóquei em patins. Na quadra, Portugal e Itália, dois países cheios de tradição na modalidade, tentavam alcançar mais um título.

A seleção das Quinas chegava ao jogo decisivo com um registo imaculado – cinco vitórias em todos os encontros da competição. No outro lado, a Squadra Azzurra também chegou à final sem sofrer qualquer derrota, mas contava com um empate frente à seleção francesa na fase de grupos.

Os italianos entraram pressionantes desde o primeiro minuto, e marcaram dois golos com intervalos de tempo muito curtos. O bis de Federico Ambrosio gelou os presentes no recinto, mas todos sabemos que o hóquei em patins é excelente a presentear-nos com surpresas. O 2-0 após os primeiros 25 minutos não significava nada.

Na entrada do segundo tempo, Diogo Rafael colocou o vulcão de Oliveira de Azeméis em ebulição. O português marcou dois golos que colocaram todo o país a acreditar que era possível, e foi mesmo. Os últimos dez minutos foram uma amostra de qualidade imensa dos pupilos de Luís Sénica.

Reinaldo Ventura, o mais experiente no plantel campeão, consumou a “remontada” na sequência de um livre direto. Depois de estarem em vantagem, os ursos decidiram terminar com uma goleada. Rafa fez o quarto e o capitão João Rodrigues (melhor marcador da competição) fez o quinto. Ainda com fome de golos, Hélder Nunes fechou a contagem no 6-2 final.

Após o apito final, a festa fez-se na cidade aveirense, tal como havia acontecido em 2003, quando Portugal venceu a Espanha e se sagrou campeão mundial. O 21.º troféu soube como se fosse o primeiro, depois de 18 anos sem vencer. Mais uma “geração de ouro” portuguesa estava a nascer, e acabou por dar mais alegrias aos amantes da modalidade, e não só.

Foto de Capa: Campeonato Português de Hóquei em Patins

Andebol: O regresso dos Play-offs

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Todos nós procuramos sempre uma forma de sermos melhores. Ultimamente, o Andebol Nacional tem vivido uma fase de excelência e bem-estar, com os excelentes resultados quer de clubes, quer de Seleções. Mas nada é perfeito. Há sempre algo a melhorar, e há que ter coragem para o reconhecer. Este momento tem de ser aproveitado para trazer patrocinadores, adeptos, visibilidade ao nosso campeonato e às equipas portuguesas. No entanto, há que colocar uma questão: será que o modelo competitivo do nosso Campeonato é o melhor?

O FC Porto e o Sporting CP vêm de fases de investimento na modalidade e praticam Andebol ao nível dos melhores da Europa. O SL Benfica está longe do nível dos seus adversários. O ABC passa por momentos de enormes dificuldades financeiras. O FC Gaia, o CF Os Belenenses e a AA Águas Santas são equipas de qualidade, mas estão longe de ter qualidade para colocar problemas às equipas de topo.

O Madeira SAD, o ISMAI, o Boa Hora FC, a A. Artística de Avanca e o SC Horta conseguem, com mais ou menos dificuldades, fazer um campeonato relativamente tranquilo e garantem cedo a manutenção. Por fim, às equipas que sobem de divisão, neste caso o Vitória de Setúbal FC e o Boavista FC, sobra tentarem fazer o milagre de permanecer na primeira Divisão.

E assim é todos os anos, apenas vão mudando os nomes das equipas. Chegamos às Fases Finais, o Sporting CP e o FC Porto lutam pelo título, e, basicamente, todas as outras equipas do Campeonato já sabem qual é o seu destino. Será de esperar que as pessoas vão aos Pavilhões ver jogos de Andebol? É de esperar que surjam investimentos e patrocínios num Campeonato em que a maioria dos jogos são para cumprir calendário?

Os últimos três títulos pertencem a Sporting CP e FC Porto, que têm feito uma grande aposta na modalidade
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

No meio disto tudo, qual é a resposta? A resposta está mais próxima do que pensamos. Está no Campeonato Nacional de Voleibol, de Basquetebol e de Futsal. Está até nos Campeonatos Nacionais de Andebol de 2014/15 e 2015/16: Play-offs. Nestas épocas, o Campeonato foi disputado de forma inédita, e em 2015/16 algo novo aconteceu: o ABC de Braga foi campeão Nacional. Durante a disputa deste modelo de organização do “Grupo A”, foram vários os grandes encontros de Andebol que sucederam.

O velhinho Flávio Sá Leite enchia-se de amarelo, o Pavilhão Nº. 2 da Luz nunca teve um ambiente tão bom no Andebol como naquelas épocas. Todos os jogos contavam, e os adeptos sabiam disso. Agora imaginem o ambiente no Dragão Arena, no Pavilhão João Rocha, em qualquer pavilhão deste país, havendo a hipótese de qualquer coisa acontecer em 60 minutos (ou mais). As hipóteses de “história de Cinderela” seriam maiores, a imprevisibilidade seria maior, o espetáculo seria maior e com isto chegaria a visibilidade, o reconhecimento e os novos adeptos.

Claro que isto não é positivo para os ditos “Grandes”, que conseguem facilmente ser regulares, vencendo os seus desafios sem grandes dificuldades. Mas se queremos que o nosso Andebol chegue ainda mais longe, temos de melhorar o nosso campeonato, mesmo que isto signifique enfrentar quem mais poder tem. Não seria uma decisão fácil de se tomar, e duvido imenso que venha acontecer. Entretanto, resta-me relembrar com saudade o ambiente que vivi pela TV ao ver os jogos no Flávio Sá Leite e o qual nunca mais experienciei.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

                               Artigo revisto por Mariana Plácido

Que jogos devo rever nesta Quarentena? Arsenal FC 3-2 Vitória SC

O Vitória SC iria em busca de território desconhecido no Emirates Stadium. O sonho europeu estava de tal modo incutido nos corações que vibram com a equipa do rei (tanto adeptos como jogadores), que foi real, por momentos.

Sem fugir aos seus princípios, o Vitória SC permaneceu sempre (e ainda permanece) fiel à sua busca de impor o seu tipo de futebol, acabando por ser um exemplo extraordinário a sua caminhada europeia.

Se havia dúvidas de que em Guimarães o futebol se sentia de forma diferente, este ponto ficou saliente durante esta deslocação em peso (e de que maneira!). Mas que adeptos fervorosos! A equipa vimaranense quase conquistou Londres, mas os adeptos tiveram Londres aos seus pés.

Edwards abre o marcador aos nove minutos da partida, graças ao feliz cruzamento de Victor Garcia. O inglês voltou a casa com novas cores e provou que estava apto para a oportunidade que lhe tinha sido concedida, deixando o Emirates em silêncio. Preto e branco enchia as bancadas e os vimaranenses explodiam de felicidade. Aos 31’, sofre com um infeliz deslize de Miguel Silva que permitiu o golo de Martinelli ser inevitável. Perto do intervalo, Bruno Duarte surge e deixa os conquistadores em vantagem na primeira parte.

A história tinha sido feita em Londres: o Vitória SC foi a primeira equipa portuguesa a vencer (ao intervalo) no Emirates Stadium!

Pépé entra e, com toda a genialidade do mundo, consegue marcar dois golos certeiros em questão de minutos. Acaba por decidir a partida e arranca um triunfo para o Arsenal FC., tornando-se o jogador um vilão inevitável! Um resultado infeliz perante aquilo que se sucedeu na partida. Os conquistadores eram merecedores de resultado melhor e de uma qualificação igualmente melhor, visto que, neste momento, se encontravam com um total nulo de pontos e com excelentes exibições.

Vitória, jogámos como nunca, perdemos como sempre…

Se, até ao momento, o Emirates Stadium era desconhecido e um sonho distante, agora, mais do que tudo, era algo possível e realizável, provado pelas forças do Vitória SC.

Um jogo intenso e belo com o melhor do futebol e dos adeptos, com direito a acerto de contas, no qual o gigante Arsenal FC é travado (ao contrário da primeira volta) pelo emblema do rei no Estádio Dom Afonso Henriques. Um dos auges do futebol português!

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES 

Arsenal FC – Emiliano Martinez (GR), Héctor Bellerín, Rob Holding, Shkodran Mustafi, Kieran Tierney, Maitland-Niles (Guendouzi, int.), Lucas Torreira, Joe Willock (Dani Ceballos, int.), Emile Smith-Rowe, Alexandre Lacazette (Pépé, 75’) e Gabriel Martinelli.

Vitória SC – Miguel Silva (GR), Victor Garcia, Frederico Venâncio, Edmond Tapsoba, Florent Hanin, Mikel Agu, Denis Poha, André Almeida (Pêpê, 64’), Davidson (Rochinha, 86’), Marcus Edwards (André Pereira, 70’) e Bruno Duarte.

Artigo revisto por Mariana Plácido