Nem todas as contratações são bem sucedidas. Muitos são os exemplos de jogadores que chegam a um novo clube e geram uma alta expectativa daquilo que será o seu rendimento ao serviço da equipa.
No SL Benfica, o fenómeno floptambém existe, e, infelizmente, não é pouco. Entre os postes, chegou a existir um jogador que me dava calafrios cada vez que a bola ia na direção da baliza. Infelizmente, os flops não ficaram só pela baliza…
Hoje, vamos apontar os 10 piores jogadores da década do universo encarnado.
Mais uma semana sem desporto, sem futebol e já se fala na retoma dos campeonatos em alguns países. Em Portugal, ainda não há previsões, e considero que pelo menos mais um mês irá durar, seguramente. Numa altura em que a Direção do Sporting CP ganhou um balão de oxigénio devido à estagnação das mais diversas atividades, esta semana surge mais um tema na comunicação social que é, no mínimo, caricato. O Sporting CP contrata Rúben Amorim ao Sporting Clube de Braga, no mês de março, pelo valor de 10 milhões de euros (mais juros e IVA). Na sua apresentação, Frederico Varandas refere que esta contratação não iria influenciar em nada o orçamento desportivo para a época 2021/2022, e que tudo estaria de acordo com o planeamento e construção da equipa. Curiosamente, um mês depois da aquisição de Rúben Amorim, o Sporting CP deveria liquidar a primeira prestação da dívida aos minhotos, algo que não se concretizou.
Salgado Zenha, vice presidente e responsável financeiro do clube, no seguimento das notícias avançadas pela comunicação social no âmbito da falta de pagamento da primeira prestação, afirma que é “absolutamente ridículo” falar em dívidas no contexto atual provocado pela pandemia de COVID-19. Mas… Na minha sincera opinião, o que me parece absolutamente ridículo é o investimento recorde feito num treinador e depois não ter meios financeiros para cumprir com um acordo e responsabilidades assumidas perante a lei.
Quando há acordos que não são cumpridos, gera-se desconfiança. Ou, se quiserem de outra forma, falta de credibilidade, e isso é prejudicial para a instituição Sporting CP. Existe sempre qualquer coisa que nos faz aparecer quando menos se espera, pelos piores motivos.
— Sporting Clube de Portugal (em 🏠) (@Sporting_CP) March 5, 2020
Sabe-se agora que o atraso neste pagamento poderá eventualmente fazer com que o valor de Rúben Amorim ascenda aos 14 milhões de euros (mais 4 do que o previsto). Se as minhas contas não me falham, este valor que teremos de pagar a mais (alegadamente) chegaria muito bem para ter mantido Bas Dost, Nani ou Raphinha, por exemplo. Nem quero mencionar o encaixe financeiro pela venda de Bruno Fernandes.
Todos temos consciência da crise económica que poderá surgir no pós pandemia, e a solidariedade tem que estar, mais do que nunca, alinhada para que os danos sejam menores. Mas não podemos utilizar isso como desculpa. O Sporting encontra-se em lay-off, e a carga salarial diminuiu substancialmente, o que me leva a imaginar qual seria o contexto financeiro atual se nada disto tivesse acontecido. Será que seria pior? É verdade que com o futebol em stand by não se geram receitas e os ativos desvalorizam, mas com os funcionários em regime de lay-off os gastos também diminuem bastante.
Já foram dadas várias entrevistas nas quais se referiu que o Sporting está muito melhor, mas depois surgem situações como estas que nos deixam com algumas dúvidas. O “Doutor Coragem” continua a sorrir para as câmeras na luta contra o COVID-19, Salgado Zenha desvaloriza a situação, e a sensação que eu tenho é que o Sporting CP continua de pernas para o ar e a prestação AMORIM-19 por pagar. Pede-se exigência, competência e responsabilidade!
Este Universo Paralelo pode surgir de muitas maneiras – seja a China a ter melhores regras sanitárias para os seus mercados de carne, seja a ser um país democrático liberal onde não se silencia quem avisa do surgimento de um novo vírus, seja qualquer outra possibilidade que deixo à imaginação do leitor -, mas o ponto fundamental é simples: sem isolamento imposto pelo Coronavírus, a época ciclística continua na estrada ao seu ritmo normal com o Paris-Roubaix.
Na Ronde, Greg van Avermaet esteve quase a quebrar o enguiço e foi até foi o mais forte no paralelo, mas um grupo reduzido de perseguidores alcançou-o à entrada do último quilómetro. Mathieu van der Poel acelerou para o primeiro Monumento da carreira, batendo Sagan e van Aert. Depois de tamanha exibição no empedrado, o campeão olímpico era o grande favorito para o inferno do norte.
As previsões meteorológicas de precipitação pareciam estar erradas e os ciclistas saíram dos arredores de Paris, sob um ameno sol primaveril. Os primeiros 50 quilómetros são marcados por tentativas de fuga sem sucesso, enquanto CCC e Deceuninck-QuickStep comandam o pelotão a alto ritmo. Mas a CCC já não tem mais cartas para queimar antes do final, e a Deceuninck sozinha não consegue controlar um ataque numeroso: quinze ciclistas estabelecem-se na frente, criando um perigo para os favoritos. A Mitchelton-Scott foi a maior agitadora da fase inicial da corrida e é recompensada com uma presença forte no grupo dianteiro, com Durbridge, Edmondson e Smith.
Os ciclistas rolam para norte, e, por volta dos cem quilómetros percorridos, encontram o primeiro setor de pavé. E, então, começa. Primeiro ligeira, depois torrencial. 18 anos depois, há Paris-Roubaix à chuva.
À parte de uma queda que tira Mike Teunissen da corrida, não há muito a contar até entrarmos nos últimos 100 quilómetros. O grupo de escapados começa a perder algumas unidades, mas vai mantendo uma vantagem acima dos dois minutos que lhe dá asas para sonhar. O setor 19 começa a desenhar a corrida. No Trounee d’Arenberg, a Mitchelton-Scott volta ao ataque e Smith e Durbridge selecionam a dianteira, passando a levar somente quatro colegas de escapada. No pelotão, há resposta à altura. A Deceunick começa a aproveitar o dispor de vários líderes para fazer a diferença, e Bob Jungels lança-se em perseguição solitária à frente.
Benoot é um dos favoritos no paralelo, ainda mais quando há chuva Fonte: Strade Bianche
A CCC assume a perseguição, mas, no setor 17, van Hooydonck não tem pernas para mais, e Schar fura. Restam só Trentin e Avermaet, forçando BORA-hansgrohe e Jumbo-Visma a assumir o grupo principal em busca do dianteiro. Uns bons quilómetros mais à frente, à chegada do setor 13, Jungels está quase na frente, mas Durbridge acelera novamente e só Eekhoff segue na roda. Com a lama, a estrada fica ainda mais estreita. O campeão luxemburguês tem dificuldades em conseguir passar por um Gougeard sem forças para aguentar mais na frente, perdendo valiosos segundos e tendo que perseguir durante mais um bom bocado.
No dia 13 de março de 1997, na pequena freguesia de Mozelos, no concelho de Santa Maria da Feira, nascia o miúdo que passou a sua infância com a bola agarrada aos pés, com a camisola do FC Porto. Rúben Neves demonstrou, desde cedo, um sentimento especial pelos dragões, e sempre lutou para alcançar todos os feitos até ao momento. O facto do seu pai ter ido para Espanha trabalhar durante três anos fez com que o Rúben sentisse a obrigação de cuidar da sua mãe e irmã mais nova, e se tornasse um adolescente maduro e responsável, o que se reflete no ser humano que é hoje.
Tinha vários familiares ligados ao futebol, que o incentivaram a ingressar no Lusitânia de Lourosa, um histórico de Santa Maria de Feira. Em pouco tempo, chamou à atenção de outros clubes, e, aos oito anos de idade, foi chamado para se juntar às escolinhas do FC Porto, clube que viria a representar durante 12 anos.
🎙 Rúben Neves: “Estrear-me tão novinho e com um golo foi a cereja no topo do bolo. O nosso adjunto disse-me que ia marcar ao segundo poste e a verdade é que aconteceu”#FCPorto#FCPortoEmCasapic.twitter.com/rRWQNus7DO
O seu amor pelo clube da Invicta foi ganhando força ao longo dos anos, adquirindo aquilo de que tanto se fala: a mística do Porto. Os relatos sobre Rúben durante a formação nos azuis e brancos dão a conhecer um jovem que tinha níveis de concentração e preparação psicológica acima da média, comparativamente com os colegas de equipa.
Passou a época 2012/2013 emprestado ao Padroense, e regressaria na seguinte para atuar nos juvenis do FC Porto. Nessa temporada, elevou o seu futebol a outro nível e chamou rapidamente à atenção de Julen Lopetegui, que viria a ser treinador da equipa em 2014/2015. O técnico espanhol chegou a Portugal para orientar os dragões e realizou um forte investimento, incluindo o médio do Real Madrid, Casemiro, da mesma posição que Rúben Neves. No entanto, a qualidade do jovem português de 17 anos, desconhecido pela maioria, veio ao de cima e passou a fazer parte do plantel principal do FC Porto.
Há cerca de um ano, Jesús Corona renovou o seu vínculo laboral com o FC Porto, estendendo a ligação com os dragões até ao fim da época desportiva de 2022. Desta forma, os dirigentes do clube azul e branco quiseram evitar situações como as de Marcano, Diego Reyes, Brahimi e Herrera, que abandonaram o norte de Portugal rumo a outras paragens sem qualquer contrapartida monetária para o emblema presidido por Pinto da Costa.
Na altura, o anúncio foi recebido com especial satisfação por todos os seguidores do atual líder da liga portuguesa, já que o internacional mexicano, desde que Sérgio Conceição assumiu os destinos do FC Porto, tornou-se numa das peças fundamentais da formação da invicta. Além disso, a equipa portuguesa reforçava a sua posição negocial caso algum clube externo demonstrasse interesse em levar “Tecatito” do Dragão.
Apesar da conjuntura atual, em que o futebol, e não só, está a viver um grande ponto de interrogação, o mercado de transferências avizinha-se e com ele aparecem sempre os inevitáveis rumores, assim como todo o trabalho de escritório associado ao futebol, e foi nessa perspetiva que o empresário Matias Bunge veio falar de uma possível mudança de Corona no final da época.
O agente do jogador, em declarações a um portal afeto ao FC Inter de Milão, afirmou que vários clubes italianos, entre eles os “nerazzurri”, já perguntaram pelo futebolista, além de mais emblemas estrangeiros. Até aqui tudo normal, a revelação veio logo a seguir com a informação de que a cláusula de rescisão do número 17 do FC Porto baixou dos 50 para os 30 milhões de euros, aquando da nova renovação de contrato. Uma situação que não é muito comum na gestão do clube, já que poucos são os casos em que há uma diminuição do valor rescisório.
Uma novidade que caiu com surpresa perante todos os adeptos do FC Porto, que já antevêem uma possível despedida do seu ativo. Por sua vez, Corona será, certamente, um dos alvos mais apetecíveis do mercado de verão, não só pela sua qualidade/preço, mas também pela urgência que os azuis e brancos tem em realizar mais valias.
A realizar-se, será inevitavelmente uma grande perda para o conjunto português, dado que o mexicano se assumiu como uma das principais estrelas do plantel, além de que é um dos poucos futebolistas com uma técnica assinalável no seio do grupo de trabalho. Outro ponto, é a sua polivalência adquirida nos últimos tempos, uma vez que tanto pode atuar a extremo, sua posição de origem, como a lateral direito com igual qualidade e consistência. O que significa que a sua saída colocará ainda mais a nu a lacuna que existe no FC Porto com a questão do defesa direito. Por estes motivos, o ex-FC Twente é uma das peças fundamentais para Sérgio Conceição e a sua sucessão não será fácil.
O seu empresário ainda concluiu que o jogador gostava de sair como campeão português e é nisso em que, atualmente, está concentrado, todavia face ao seu atual momento de forma e dada a sua idade, tem 27 anos, é com naturalidade que o pequeno mago dos dragões queira atingir um novo patamar e alcançar um novo desafio, tal como ingressar numa das Big-5 do futebol europeu.
Por fim, os dados para a saída de “Tecatito” estão lançados e possíveis compradores não parecem faltar, de acordo com Matias Bunge, algo que também será do interesse dos portistas para conseguir o melhor negócio possível. A nós, adeptos, restas-nos desfrutar, esperamos todos nós, das suas inimagináveis receções de bola, fintas de deixar qualquer cabeça do adversário em água e, mais importante de tudo, com uma foto junto à taça da liga portuguesa.
Hoje vamos olhar para o Vitória SC, clube que tem na pessoa de Miguel Pinto Lisboa o seu presidente, eleito em julho de 2019, sucedendo assim a Júlio Mendes no cargo. A troca de direções trouxe também Carlos Freitas à Cidade Berço para ser o novo diretor desportivo.
O objetivo é dar estabilidade a um clube que na última década tem-se posicionado sempre na metade superior da tabela classificativa, próximo do pódio, em lugares que permitem disputar as competições europeias. Os adeptos são muito próximos da equipa e acompanham atentamente os jogos, em casa ou fora de portas, em grande número, o que reforça a ambição de conduzir o Vitória a outro patamar competitivo.
Em Portugal e fora da esfera dos três grandes, os clubes têm pouco dinheiro, o que implica uma gestão dos recursos tremendamente eficaz para, mais do que sobreviver, ambicionar-se crescer. Assim, é dentro de portas que por vezes se encontram os jogadores que podem aliar sucesso desportivo a retorno financeiro.
Já depois de iniciada a época de 2011/2012, Manuel Machado abandonaria o cargo para dar lugar a Rui Vitória, a quem mais tarde seria reconhecida especial apetência para lançar jovens jogadores. Nomes como Ricardo Pereira (jogador dos ingleses do Leicester City FC e internacional português, que passou com grande sucesso pelo FC Porto), Hernâni (também transferido para o Porto), Paulo Oliveira (com passagem pelo Sporting CP) ou Bernard Mensah (transferido para Espanha), são exemplos de jovens jogadores que se projetaram às mãos do então treinador do Vitória.
Em qualquer dos casos mencionados, os valores das transferências foram na ordem dos milhões de euros, pelo que representa um encaixe financeiro muito importante para as contas do clube.
O período de Rui Vitória em Guimarães coincidiu também com a criação da equipa B do Vitória, em 2012/2013, onde começaram por participar na Segunda Liga. Foi deste modo que os jogadores mais jovens encontraram um espaço competitivo para evoluir e se prepararem melhor para os desafios da primeira divisão nacional.
O seu momento com maior impacto mediático ocorreu em maio de 2013, quando tombou o SL Benfica de Jorge Jesus no Estádio do Jamor, conquistando assim a primeira e única Taça de Portugal no palmarés do clube da Cidade Berço. Na equipa titular figuravam Ricardo Pereira, autor do golo da vitória, Paulo Oliveira e ainda Tiago Rodrigues, um jovem que transitou pela equipa B antes de ser integrado em definitivo no plantel principal.
O ex-técnico vimaranense viria a deixar o comando técnico do Vitória para suceder a JJ como treinador do SL Benfica, depois daquela que foi a sua melhor temporada no que ao campeonato diz respeito, em que terminou no quinto posto. Acima de tudo, o trabalho de Rui Vitória reforça a adoção do paradigma de que é possível ter sucesso desportivo apostando de forma sustentada nos jovens talentos.
No ano seguinte, a transição para o pós-Vitória não foi fácil, com mudança de treinador logo em setembro, que marca a passagem de Sérgio Conceição no comando técnico dos vimaranenses e também o despontar de dois “Silvas”: o guarda-redes Miguel Silva e o avançado Xande Silva. O primeiro ainda integra o plantel principal do Vitória, o segundo representou, anos mais tarde, um encaixe acima do milhão de euros.
É justo afirmar que as apostas nos técnicos por parte do Vitória têm sido bastante certeiras, pois tanto Rui Vitória como Sérgio Conceição viriam a ser, mais tarde, campeões nacionais ao serviço de outros emblemas, comprovando o seu valor. A época de 2016/2017 traz mais um nome muito interessante do futebol nacional, o treinador Pedro Martins, atualmente ao serviço dos gregos do Olympiacos FC e a receber bastantes elogios pelo trabalho desenvolvido.
Foi uma temporada muito positiva para os vitorianos, que terminaram na quarta posição e viram a equipa cair, na final da Taça de Portugal, aos pés do Benfica, então liderado por Rui Vitória. Chamo a atenção para alguns dos nomes que jogaram essa final do lado dos vimaranenses: Miguel Silva, Josué Sá, Ghislain Konan e Raphinha. No caso do jovem guarda-redes transitou diretamente dos juniores, mas todos os outros passaram por um processo de amadurecimento na equipa B, antes de serem integrados com sucesso no plantel principal e, mais tarde, vendidos por montantes consideráveis.
Neste caso, pudemos observar uma mescla de jogadores que já faziam parte da equipa, anteriormente, mas que obedeceram a este processo de amadurecimento, como era o caso de José Sá, com jogadores jovens entretanto lançados depois da passagem pela equipa B, como eram Konan e Raphinha, e que resultaram em sucesso desportivo e retorno financeiro. Tentando partir o processo, observamos primeiramente um trabalho muito bem feito ao nível do recrutamento, numa segunda fase, o acompanhamento ao jogador na fase de maturação na equipa B e, depois, a integração com sucesso na equipa principal. E, claro, o papel do treinador e restante equipa técnica que têm a responsabilidade de sustentar todo o processo através de resultados desportivos, indispensáveis no futebol.
As expetativas geradas pela época de sucesso resultaram num investimento recorde, sem frutos, com Pedro Martins a não resistir a uma série de maus resultados e a sair de cena ainda antes do fim da época, que termina com um dececionante nono lugar. Não deixa de ser curioso que foi num ano de maior investimento que se verificou tal quebra, relembrando-nos para a eterna verdade no futebol, de que comprar mais caro, não significa necessariamente comprar melhor. Terá sido sinal de alerta suficiente para os responsáveis vimaranenses, para que não se abandone o paradigma de gestão eficiente e realista que vinha sendo praticado até então.
Bem sei que vivemos um período em que se apela essencialmente à união, tentando esquecer as diferenças, para que possamos estar todos concentrados contra um inimigo comum. E apesar de concordar com isso, não concordo que devamos dar sempre a outra face a quem nos agride. Ou até podemos, mas na sociedade em que vivemos iremos sair sempre a perder. Não fiquem à espera de justiça divina.
Pois bem, depois de algumas notícias e afirmações que surgiram esta semana relativamente a alguns jogadores, poderemos perceber mais um pouco porque é que o Sporting está sempre a perder, e agora não estava a referir-me especificamente aos jogos em campo.
Li que um “ilustre” Sportinguista tinha vindo dizer que o Sporting deveria perdoar o “Filho Pródigo”, referindo-se a Rafael Leão. Ora, para quem não sabe, a expressão “Filho Pródigo” vem de uma passagem na bíblia que conta que um de dois filhos decide abandonar a casa do pai e pede a sua parte da herança, que perde com jogo e prostituição, vendo-se obrigado a voltar a casa, onde é recebido de braços abertos.
No caso de Rafael Leão, o pai não é o Sporting. Aliás, o pai é que forçou a que o atleta não voltasse ao clube que o formou. Assim, se o filho pródigo perdeu o que ganhou, ou não ganhou o que perspectivava ganhar, que volte então a casa do seu pai e lhe peça a devida compensação. Não é o Sporting que deve servir de pai adoptivo, agora que parece não ter outras opções. Tenho a certeza de que o pai o receberá de braços abertos e terá pronto para ele um banquete a celebrar a sua volta. Mas que não se queira servir novamente do Sporting para reaver a sua herança.
A rescisão do jovem avançado volta a estar no ponto de mira do universo leonino Fonte: FIFA
Mas eu até acredito que isso possa acontecer, a perceber pelo clube simpático, e de boas maneiras em que o Sporting se tornou. Passámos a ser o clube que dá a outra face, seja quem for o agressor, e qualquer que seja a agressão.
Por sermos assim é que devemos ser o único clube, (pelo menos entre os três grandes somos) que vê constantemente o capitão de equipa a forçar a saída. Principalmente quando o capitão é oriundo das camadas jovens do clube. Sim, estou a lembrar João Moutinho, Adrien Silva, Rui Patrício e William Carvalho.
Quando temos os nossos capitães a dar esse exemplo, com o clube a permitir, a aceder e depois pôr a hipótese de volta quando as coisas não correm de feição, o que acham que vai acontecer com os outros jogadores? Como se costuma dizer, “se queres ser respeitado, dá-te ao respeito”, e o Sporting, ao permitir constantemente estas situações, como a de Rafael Leão é exemplo, não se dá ao respeito, deixando passar a imagem aos jogadores que podem sair quando quiserem, precisando apenas de pressionar o clube.
Assim, teremos constantemente jogadores que mal entram na equipa principal do Sporting, sejam eles da formação ou não, começam de imediato a pensar quando poderão sair para outros clubes, em vez de se concentrarem no clube, em ganhar pelo mesmo e daí conseguir outros voos, se surgirem. Também, por aí, o Sporting fica a perder para os outros, porque não tem os jogadores determinados em ajudar o clube, mas apenas à espera da primeira oportunidade para desertar.
Depois tentam voltar, qual programa “perdoa-me” de meados da década de 90. Cabe ao Sporting decidir se quer dar-se ao respeito.
Os principais critérios para a escolha deste 11 foram a qualidade do jogador e a sua preponderância durante o seu percurso em Anfield. Haverá jogadores que foram determinantes noutros clubes e/ou noutras fases da sua carreira, mas que, tendo em conta as temporadas em que jogaram no Liverpool FC, são suplantados por outros jogadores que tiveram maior peso na sua passagem pelos reds. Inversamente, há jogadores que tiveram o melhor período da sua carreira durante a passagem por Liverpool, tendo acabado por não ser tão determinantes por onde passaram quando saíram do clube.
Recordo também que este 11 apenas contempla aqueles que jogaram pelo clube no século XXI, pelo que craques como Ian Rush, Kenny Dalglish ou Kevin Keegan não são elegíveis para as contas. Não está em causa de forma alguma o seu talento, simplesmente estes jogaram noutro século que não o que está em análise.
No dia 28 de Abril de 2019, e depois de eliminar o clube mais titulado desta competição continental, o Inter Movistar FS de Ricardinho, o Sporting CP caminhava para mais uma final europeia com legítimas aspirações de poder, finalmente, ser feliz. Nuno Dias, treinador leonino, contava com uma equipa muito forte e muito bem orientada, capaz de trabalhar um conjunto de grandes individualidades e montar uma equipa fortíssima – das mais sólidas do velho continente.
A missão era muito complicada. O Sporting CP a jogar no Cazaquistão contra a equipa da casa, o AFC Kairat Almaty, que vinha motivado por ter deixado pelo caminho o FC Barcelona na fase anterior, e queria voltar ao topo da Europa depois dos êxitos de 2013 e 2015. Curiosamente, das quatro formações presentes nesta final four,era a única que nunca tinha conquistado este troféu, mas este dia prometia ficar na história do Futsal português.
Não vale a pena fazer um relato detalhado das incidências do encontro, até porque ainda é relativamente recente e, portanto, a memória ainda está fresca nas memórias dos adeptos portugueses, em geral, e do Sporting CP, em particular.
Foram 40 minutos gloriosos e memoráveis, culminando com um 2-1 favorável à equipa portuguesa com golos de dois jogadores italo-brasileiros extremamente influentes na manobra ofensiva dos leões, Diego Cavinato e Alex Merlim. O único golo dos cazaques foi nos minutos finais da autoria de Douglas Júnior.
De arrepiar… 💚#OMundoSabeQue amanhã vamos todos receber os nossos CAMPEÕES EUROPEUS do #FutsalSCP no Aeroporto de Lisboa pelas 14h50! 🦁
— Sporting Clube de Portugal (em 🏠) (@Sporting_CP) April 28, 2019
Nem este tento de honra dos cazaques, nem o “forcing” no final do encontro, nem o pavilhão cheio de adeptos afetos ao clube adversário serviram para travar a euforia verde e branca quando a buzina soou e o jogo se dava por terminado. Pela primeira vez na história, tínhamos um clube português campeão europeu num país estrangeiro, depois da épica conquista do SL Benfica em 2010, no Pavilhão Atlântico.
No longínquo Cazaquistão, em fins de Abril do ano passado, era assim escrita uma das páginas mais douradas do Futsal nacional. Quis o destino que o Leão fosse o rei da Europa durante mais algum tempo, graças à pandemia que vigora atualmente, mas, caso a Liga dos Campeões desta época efetivamente se realize, já se sabe que o campeão será necessariamente diferente, uma vez que o Sporting CP não conseguiu a qualificação para a Fase Final.
Tínhamos outro representante, o SL Benfica, mas infelizmente também falhou a qualificação para a fase decisiva, precisamente contra os leões. Apesar de tudo, dificilmente poderíamos estar melhor em termos continentais, pois temos o campeão europeu de equipas e somos a seleção campeã europeia em título nos seniores masculinos.
Em tempo de quarentena aproveite para recordar aquele SL Benfica de 2009/10, mas o confronto do Vélodrome frente ao Olympique de Marseille assume-se como uma das referências da mítica temporada pelo peso da história e pelo impacto da segunda mão no imaginário encarnado.
Depois do empate em Lisboa a uma bola, quando Ben Arfa silenciou a Luz nos instantes finais, foi a vez do Benfica se superiorizar em Marselha, em 90 minutos de intensidade máxima e demonstrativos da qualidade individual que desfilava no relvado.
O Olympique de Marseille era comandado por Didier Deschamps, actual seleccionador gaulês e campeão do mundo. Após levar o Mónaco à final da Liga dos Campeões e revitalizar uma Juventus FC abatida pelo Calciocaos, recuperando-a sem esforço da Serie B, uma das figuras do Olympique campeão europeu em 1993 voltava a casa para conferir identidade a uma equipa de nível superior, que se transcendeu com as contratações de Lucho González, Gabriel Heinze e Stéphane M’Bia e conquistou a Ligue 1 e a Coupe de La Ligue, vitórias que integraram a imprevísivel fase das competições francesas entre o domínio do Lyon e o monopólio do PSG.
O SL Benfica começava naquele ano a construir as bases para o sucesso da segunda década dos 2000 e aquela equipa tornou-se de culto à custa de jogos como este – o ambiente no Velódrome era de cortar à faca e era obrigatório marcar para passar aos quartos-de-final da Liga Europa.
Da primeira mão saíram do XI Aimar e César Peixoto, entrando Carlos Martins e Coentrão para os seus lugares. O Benfica exibiu-se na sua abordagem habitual, com o losango intermediário a carburar e a garantir ao Benfica uma consistência tática que permitiu disputar o jogo e superiorizar-se à equipa da casa. Nunca os jogadores do Benfica se sentiram amedrontados perante a responsabilidade daquele jogo e a exibição desinibida demonstrou-o.
Ramires garantiu o acompanhamento necessário a Javi Garcia no choque tático com Lucho e Cheyrou; Di Maria tem em França uma das suas grandes exibições de águia ao peito, e garantiu com Saviola os desequilíbrios necessários para se colocarem (a eles próprios e a Cardozo) em boa posição para marcar inúmeras vezes – acontece que até ao golo de Maxi, aos 75′, a condescendência encarnada na finalização adiou o descanso na eliminatória.
O Marseille tinha em Taiwo, lateral nigeriano cobiçado muitas vezes pelo Benfica, uma locomotiva que percorria todo o corredor esquerdo e que permitia a Brandão aproximar-se de Niang na zona central. Porém, a presença física da dupla nos arrabaldes de Luisão e David Luiz nunca representou uma ameaça à organização defensiva encarnada. O golo marselhês nasce de um lance fortuito, após livre lateral, numa saída em falso de Júlio César.
Foi o ponto alto da passagem de Kardec pelo Benfica, onde fez 43 jogos e oito golos durante o ano e meio que passou em Lisboa Fonte: UEFA
Jesus, que previra na antevisão que tanto o Benfica como o Marseille marcariam, acertou também em cheio nas substituições: lançou Aimar para o lugar de um esgotado Saviola e, retirando Carlos Martins, introduziu Kardec na peleia. Do brasileiro viria o golo decisivo, aos 90’, após livre do genial número 10, que revolucionou o jogo ao entrar em campo.
Com Aimar na sala de operações, a qualidade de posse bola encarnada aumentou drasticamente, com o avanço das linhas de pressão a encurralar o onze adversário na sua própria metade e possibilitando a recuperação quase imediata da posse de bola, tornando-se num jogo de sentido único na sua fase decisiva.
Ganharia o Benfica com toda a justiça. A vingança, sendo um prato que é preferível servir-se frio, foi servida pelos encarnados com a frieza das grandes equipas. Aliás, foi tão bem aplicada que, o herói da primeira-mão, Ben Arfa, entrou após o segundo golo e foi expulso um minuto depois, por pontapear Alan Kardec. Temperamento demasiado quente para tanto gelo.