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“Justiça!” | Os 11 melhores jogadores não campeões no Sporting CP

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A dicotomia justiça/injustiça é transversal a todo o decurso do tempo até aqui verificado. Toda e qualquer pessoa é capaz de tecer queixas e críticas duras, de prometer “mundos e fundos”, de fazer sobressair da lapela do casaco o distintivo que não se vê, mas que urge demonstrar, de realizar manifestações e reunir multidões de modo a pelejar pela causa descrita e de distender a temática pelas vastas áreas de atividade laboral, recreativa, cultural, entre outros. Porém, a pessoa dotada da mínima consciência sabe que a linearidade do caso é inexistente.

O futebol, por acréscimo, encerra em si o antagonismo do princípio – aparentemente – de esquerda. No futebol, não existe justiça nem ínfima réstia dela. No futebol, não há lugar pela igualdade ou pela distribuição equitativa de sucessos. No futebol, não existe solidariedade. No futebol, ganha a equipa mais forte, com melhores recursos dentro e fora de campo, com os jogadores mais dispendiosos, com a melhor arquitetura de estratégias. Tende para isso, pelo menos. E quando tal não se contempla, entramos no campo da exceção. Portanto, como podem constatar, a justiça é abafada.

Segue, numa lista de difícil segmentação, um dos inúmeros exemplos da situação descrita onde a justiça não existe: os onze melhores profissionais não consagrados campeões nacionais com a listada verde e branca. Tática 4x3x3 losango, extremamente ofensiva.

Juninho Capixaba: mais um nome na calha para suceder a Telles

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É já notícia no Brasil e em Portugal que Juninho Capixaba, lateral esquerdo brasileiro de 22 anos, poderá ser o sucessor de Alex Telles. Esta já não é a primeira vez que Capixaba é sondado pelo FC Porto, uma vez que o defesa do Grémio de Porto Alegre já tinha sido apontado aos dragões no mercado de transferências do verão passado. O seu valor de mercado descera por consequência da Covid-19 e agora o FC Porto tem posses financeiras para trazer Juninho Capixaba.

Apesar de pertencer aos quadros da equipa de Porto Alegre, o defesa esquerdo estava emprestado ao Esporte Clube Bahia, onde somou dez jogos até à pausa de quase todos os campeonatos de futebol a nível mundial. Apesar do Brasileirão, a principal prova de clubes do Brasil, ainda não ter começado, Juninho disputou a Copa do Nordeste, a Copa do Brasil e a Copa Sudamericana, competição esta em que o EC Bahia goleou o Club Nacional do Paraguai por 6-1 nas duas eliminatórias.

No último jogo que realizou ao serviço do EC Bahia, frente ao América-RN, venceu por 2-0 com um golo e uma assistência com a sua assinatura. Após o jogo, foi bastante elogiado pelo treinador Roger Machado, que assumiu que Juninho Capixaba será, futuramente, um dos melhores laterais esquerdos do Brasil. Os adeptos do EC Bahia mostram algum descontentamento nas redes sociais por saber que o brasileiro de 22 anos poderá deixar o clube. Porém, afirmam também que era previsível que este não se mantivesse durante muito tempo na equipa, uma vez que está emprestado e as suas exibições têm sido positivas.

Juninho mostra boas indicações, mas ainda tem caraterísticas por lapidar. A nível ofensivo, é um lateral-esquerdo que gosta de subir no terreno e o seu ponto forte é o cruzamento para a grande área, aparecendo também muitas vezes em zona de finalização. A nível defensivo, é bom na antecipação e a cortar linhas de passe do adversário.

Avaliado em 725 mil euros pelo website Transfermarkt já numa fase pós-aparecimento do coronavírus, o Grémio está a ponderar em aceitar um valor abaixo dos sete milhões de euros para conseguir equilibrar as contas. A equipa de Porto Alegre possui 60% do seu passe, que é dividido com SC Corinthians (10%) e o EC Bahia (30%), clube onde completou a formação.

A posição de lateral-esquerdo no FC Porto é urgente em reforçar – Alex Telles é quase certo que abandonará o clube no próximo verão e existe apenas a opção Manafá, que é um defesa-direito de raiz. Havendo uma maior abertura por parte do Grémio para negociar o jogador, o FC Porto pode assim conseguir um bom negócio e trazer um jovem brasileiro com potencial para o clube, podendo no futuro render a nível financeiro e desportivo.

Artigo revisto por Joana Mendes

Que jogos devo rever nesta quarentena? Newcastle United FC 4-4 Arsenal FC

5 de fevereiro de 2011. O dia em que a Liga Inglesa viu acontecer – na minha opinião – uma das melhores e mais emocionantes partidas da competição no século XXI.

Nem todos os jogos são capazes de ser arrebatadores e, por vezes, não valem sequer o tempo gasto ou o dinheiro do bilhete. Não foi o caso. Golos, golos e mais golos, muita tensão e drama ao cair do pano.

Contextualizando. O Arsenal FC, comandado pelo mítico treinador francês Arsène Wenger, visitava o Saint James Park, reduto do Newcastle United FC, na jornada 26 da temporada 2010/2011. Num terreno historicamente complicado, os gunners perseguiam o Manchester United FC de Alex Fergunson na corrida pelo título, estando a dois pontos dos red devils, significando que uma vitória neste encontro era crucial.

A entrada do Arsenal na partida não podia ter sido melhor. Theo Walcott colocou os londrinos em vantagem com apenas 44 segundos de jogo no relógio, Johan Djourou ampliou a vantagem pouco depois e Robin van Persie fez o terceiro, tudo no espaço de dez minutos. O avançado holandês iria voltar a marcar à passagem da meia hora e o Arsenal ia para os balneários com o jogo na mão, com a perspetiva de poder gerir os segundos 45 minutos do encontro a seu bel-prazer. Não foi o que aconteceu.

No recomeço da partida, o Arsenal voltou a entrar forte, até que Abou Diaby sofreu uma entrada dura por parte do sempre provocador Joey Barton, à qual reagiu mal e empurrou agressivamente o jogador dos magpies, tendo consequentemente recebido ordem de expulsão.

Reduzidos a dez unidades, a formação do norte de Londres tinha uma vantagem de quatro tentos e nada temiam, mas o Newcastle foi crescendo no jogo e encostou os visitantes às cordas. Ao minuto 69, Koscielny cometeu penálti sobre o avançado Leon Best e coube a Barton converter a falta em golo. A equipa orientada por Alan Pardew começava a acreditar. Cinco minutos depois, Best cabeceou para o fundo da baliza defendida por Szczesny, após cruzamento de José Enrique e, aos 82’, o árbitro Philip Dowd voltou a apontar para a marca de grande penalidade por suposta falta sobre Williamson. Joey Barton voltou a marcar e reduziu a vantagem para apenas um golo.

O Arsenal tentava defender a baliza a sete chaves, de maneira a levar a vitória para casa quando, aos 88 minutos, o impensável aconteceu mesmo. Cheick Tioté – falecido em 2017 após colapsar num treino ao serviço do Beijing Enterprises – fez um golaço, aproveitando um alívio de Clichy para colocar a bola no fundo das redes do Arsenal e consumar assim a maior recuperação na história da Liga Inglesa.

Como se costuma dizer, até ao lavar dos cestos é vindima, e foi isso mesmo que o Newcastle United provou naquela partida, com uma demonstração de força e perseverança. Apesar do empate, o Arsenal conseguiu aproximar-se do líder Manchester United, reduzindo a distância para apenas um ponto, pois os red devils sofreram a sua segunda derrota no campeonato frente ao Wolverhampton Wanderers FC, por 2-1.

Ainda assim, no final daquela temporada, o título de campeão inglês acabou mesmo por seguir viagem até Old Trafford e os gunners terminaram o campeonato na quarta posição.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES: 

 Newcastle United FC: Harper, Coloccini, José Enrique, Williamson, Simpson, Nolan, Barton, Gutiérrez, Tioté, Løvenkrands (Ranger, 73’), Best (Guthrie, 90’).

Arsenal FC: Szczesny, Sagna, Koscielny, Djourou (Squillaci, 48’), Clichy, Diaby, Fàbregas, Wilshere, van Persie, Walcott (Eboué, 79’), Arshavin (Rosicky, 70’).

 

Artigo revisto por Joana Mendes

O Passado Também Chuta: Fabio Cannavaro

Falar dos melhores centrais da História do futebol e não incluir o nome de Fabio Cannavaro na conversa, é quase como visitar Paris e não ver a Torre Eiffel: até pode vir a ser possível, mas simplesmente não faz sentido. Este é daqueles que jogadores que não se esquece. Seja agora, seja daqui a 20 anos. Ficou na História e jamais sairá dela.

Não foi pela força dos números. Foi pelo sentido posicional e elevado grau de presença quando assim se exigia! Cannavaro atuou como defesa central entre 1990 e 2011 e, a cinco anos do fim de carreira, tornar-se-ia o primeiro defesa a ser eleito como melhor jogador do mundo, mesmo numa altura em que jogadores como Ronaldinho e Zidane continuavam a dar cartas.

Se os grandes jogadores se fizessem só de golos e assistências, dificilmente poderíamos recordar nomes de defesas ou até de médios. Duas décadas de carreira, duas dezenas de golos em 828 jogos. São estes os números do italiano que abrilhantou todos os campos por onde passou.

Após um início de carreira em Nápoles (cidade onde nasceu), o atleta transferiu-se para o Parma FC em 1995, clube onde passaria mais tempo na sua carreira – sete épocas para ser mais concreto. Conquistou títulos, foi eleito melhor defesa do campeonato italiano e ainda alcançou a braçadeira de capitão de equipa, até que se mudou para o Inter de Milão por duas temporadas. Infelizes, por sinal.

Em 2004, foi contratado pela Juventus FC e, em apenas duas épocas, marcaria quase metade dos golos que fez durante toda a carreira, deixando uma marca muito forte no emblema de Turim, que desceria de divisão na sequência do célebre escândalo de corrupção. Contudo, precisamente nessa época, Fabio Cannavaro – enquanto capitão da sua seleção – ergueria o quarto título de campeão mundial da Itália no Mundial 2006 (Alemanha), numa competição onde, além de ter sido totalista absoluto… Não viu nenhum cartão. Algo que se revelou letal na atribuição do prémio da FIFA de Melhor Jogador do Mundo.

2006 seria também o ano de mudar de território, com uma transferência para o Real Madrid. Os anos avançaram, a idade não perdoou e o rendimento foi descendo gradualmente. Foi para Espanha com 32 anos, conquistou títulos, marcou apenas um golo e regressou a Turim já com 35. Pelo meio, uma lesão que o tirou do Europeu de 2008 deixaria marcas claras no que restava da carreira de Cannavaro.

E se é verdade que 2006 tinha sido um ano de sonho para todo os italianos, 2010 acabou  por ser exatamente o oposto, naquela que foi a última participação do defesa numa grande competição internacional. Sendo ainda relevante recordar que o segundo e último golo de Cannavaro pela camisola da seleção italiana foi precisamente na vitória por 3×1 diante da seleção portuguesa.

A nova passagem pela Juventus foi apenas de um ano e Cannavaro terminaria a sua viagem enquanto jogador no campeonato dos Emirados Árabes Unidos, representando o Al Ahli, com a contribuição de dois golos em 16 jogos. Uma despedida não muito à altura daquilo que tinha sido a grande carreira do futebolista.

E, no meio disto tudo, há uma questão que impera: Quem é que disse que um bom central tem, obrigatoriamente, de ser alto? A altura de Fabio Cannavaro fala por si. Com apenas 1,76 metros de altura, o atleta até podia acabar por pecar no jogo aéreo, mas revelava-se imperial em muitas outras ocasiões onde um central é chamado a intervir.

Claro que estamos perante um  jogador que viu muitos amarelos ao longo da sua carreira, cometeu várias grandes penalidades e foi expulso por diversas ocasiões. Para um central, o surpreendente seria se nada disto acontecesse. No entanto, atributos como a velocidade, a qualidade de marcação, o posicionamento em campo, a visão de jogo, o momento de interceção, a assertividade no passe e, claro, a experiência… Foram a chave para explicar todo o sucesso do central italiano no mundo do futebol.

Sucesso esse que Fabio Cannavaro quer repetir, agora na pele de treinador, andando a tentar a sua sorte em campeonatos bem longe dos europeus. Na sua curta carreira enquanto técnico, já conquistou campeonatos na China e até uma Liga dos Campeões Asiática, comandando o Guangzhou Evergrande, atualmente. Mas uma coisa é certa: o êxito enquanto atleta já ninguém lho tira.

Artigo revisto por Joana Mendes

Que jogos devo rever nesta Quarentena? Club Atlético Madrid 1-2 SL Benfica

Na noite de 20 de setembro de 2015, às 19h45, jogava-se, no Vicente Calderón, a segunda jornada da fase de grupos do Grupo C da Liga dos Campeões, que opunha o Club Atlético Madrid e o SL Benfica. Os comandados de Rui Vitória tinham uma tarefa hercúlea pela frente, visto que os colchoneros não perdiam um jogo europeu em casa desde 2009.

Ambas as equipas tinham ganho na jornada inaugural, pelo que uma vitória significava a liderança isolada do grupo. Os rojiblancos começaram a partida apresentando um 4-4-2 tradicional muito pressionante, tentando, com Correa e Jackson Martinez, condicionar ao máximo a saída de bola das “águias”.

A estratégia estava a funcionar, já que os encarnados estavam a ter dificuldades em sair do seu meio campo defensivo com a bola controlada, sendo que a dupla de médios escolhida por Rui Vitória, Samaris e André Almeida, não permitia que, na falta de opções de passe, fosse feita progressão em corrida com a bola controlada – aspeto que foi colmatado, mais tarde nessa época, com a entrada de Renato Sanches na equipa.

Jonas esteve sempre bem vigiado pelos centrais colchoneros
Fonte: SL Benfica

Após 23 minutos de uma grande disputa a meio campo, onde o m2 estava cada vez mais caro, eis que chega o primeiro golo da partida. Após um cruzamento de Juanfran a partir da direita, Griezmann devolve de primeira a Correa, que faz abanar as redes de Júlio César. Estava inaugurado o marcador, sendo que o cenário complicava-se para as “águias”.

No entanto, e apenas 13 minutos mais tarde, surgia a resposta encarnada. Num ataque fulminante pela direita, Nélson Semedo apanha os colchoneros desprevenidos e, na recarga do seu cruzamento, Nico Gaitán aparece para restabelecer a igualdade no marcador, levando os mais de três mil benfiquistas presentes nas bancadas à loucura. Chegava o intervalo, e as equipas iam para o balneário empatadas.

A segunda parte arrancou e, apenas seis minutos depois do apito de Gianluca Rocchi, acontecia o impensável: a remontada encarnada em pleno Calderón. Numa saída rápida para o ataque por Gaitán, este descobre Gonçalo Guedes, que, já em esforço, consegue desviar a bola para o canto inferior direito da baliza de Oblak, silenciando por completo os adeptos madrilenos.

O marcador iria manter-se inalterado até ao final da partida, apesar das inúmeras tentativas por parte dos rojiblancos. Destaca-se a defesa de Júlio César, que, aos 58’, nega o golo a Jackson Martínez, levando Diego Simeone ao desespero.

Numa noite de glória europeia, fazendo lembrar os velhos tempos em que a “águia” voava alto internacionalmente, os encarnados saíam da capital espanhola na liderança isolada do grupo C.

Link do jogo:

https://footballia.net/matches/atletico-de-madrid-sl-benfica

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Club Atlético de Madrid (4-4-2) – Oblak; Juanfran,Godín, Giménez e Filipe Luís; Griezmann (Vietto,71’), Tiago, Gabi e Óliver Torres (Saúl, 63’); Correa (Fernando Torres, 77´) e Jackson.

SL Benfica (4-4-2) – Júlio César; Nélson Semedo, Luisão, Jardel e Eliseu; Guedes, André Almeida, Samaris (Fejsa, 73’) e Gaitán; Jonas (Pizzi, 80’) e Raúl (Mitroglou, 72’).

 

Artigo revisto por Joana Mendes

E se o futebol português fosse o elenco de “La Casa de Papel”?

Para uns uma das melhores séries de sempre, para outros não é nada de especial e há até quem aponte uma queda na qualidade à medida que mais temporadas são feitas. Com todos a concordar em discordar até aqui, há um ponto onde todos convergem: “the hype is real”.

Num artigo onde os paralelismos serão certamente forçados e martelados, não haverá nenhuma intenção de insultar nenhuma personalidade do futebol português. O que para muitos é uma personagem desprezível, para outros será uma personagem fulcral e que trará rimto à narrativa.

Pegando nas personagens mais influentes nas, até agora, quatro temporadas desta história, tentaremos imaginar os rostos do futebol português que integrariam uma das séries mais faladas da atualidade: La Casa de Papel.

Não dava para começar por outra personagem que não “el profesor”. Apesar de não ser a personagem principal, é inegável o peso do papel interpretado por Álvaro Morte. O seu espelho em Portugal seria, de longe, José Mourinho. No início um estratega e vencedor nato e infalível. À medida que o tempo passa vai revelando escolhas erradas e passos em falso.

Úrsula Cobreró encarna uma personagem conflituosa, com personalidade vincada, explosiva e conflituosa q.b.. No entanto, na altura de ser chamada à responsabilidade, lidera como ninguém. Tokyo, à moda portuguesa, seria Jorge Jesus. E em vez de Tokyo, “Amadora”.

Pedro Alonso, Berlín para os devoradores de “La Casa de Papel” e irmão do “profesor”, colheu desde o início a confiança para liderar o assalto. Foi os olhos do estratega dentro da Casa da Moeda e, problemas à parte, foi a mão dura que o grupo de assaltantes precisou nos momentos mais complicados. Quem melhor para personificar a liderança dentro de campo do que Cristiano Ronaldo? Exato, ninguém. O camisola sete da Juventus FC seria conhecido por “Funchal”.

Jaime Lorente transpira diversão, espontaneidade e rebeldia. Talvez seja mais conhecido por Denver. Talvez. O riso, com o seu quê de irritante, é a imagem de marca de uma personagem querida à maior parte do público. Ukra, ou “Famalicão” na versão portuguesa, tem uma participação ativa nas redes sociais e os seu conteúdo fala por si.

Enrique Arce consegue o impossível: faz frente aos assaltantes, como herói que poderia ser, mas não colhe o carinho da generalidade da audiência. Arturo Román, o peculiar Arturito, tenta por mais que uma vez liderar uma revolução contra o “poder” instaurado. Será por isso que a versão portuguesa contaria com Bruno de Carvalho no seu papel. Também o antigo presidente leonino tentou liderar uma revolução não só no universo verde e branco, como no futebol português. Seria denominado “Maputo”.

Lisboa foi das últimas personagens a integrar o bando. Com a atenção do público português captada pelo nome de assaltante e pelo fado presente num dos episódios da terceira temporada, a personagem interpretada por Itziar Ituño trocou de lado durante as negociações por amor. À sua semelhança, Ricardo Quaresma trocou Alvalade pelo Dragão, se ignorarmos a passagem pouco exuberante por Barcelona. Eternamente grato aos leões, admitiu por várias vezes que foi no Norte que se sentiu verdadeiramente em casa e a jogar ao seu melhor nível. Também ele seria conhecido por “Lisboa”.

Por fim, Palermo. Também ele trocou de lado, por momentos, mas a repercussão foi enorme. A personagem de Rodrigo de la Serna obrigou a esforços desnecessários e mortes evitáveis, daí que a sua popularidade varie de acordo com a opinião de cada um. Então, André Carrillo, que trocou os leões pelas águias também por pouco tempo, seria o intérprete adequado. O seu nome de guerra seria “Lima”.

Moscovo, Sierra, Río, Nairobi, Estocolmo, Marselha, Bogotá, Helsínquia, Gandía… Ficam ainda de fora algumas personagens que deixamos ao critério e imaginação de cada um. Também ficam de fora outras personalidades do futebol português que trariam outra dimensão à versão portuguesa da série. Casillas, Jonas, Cláudia Neto, Jéssica Silva, Futre… É dar asas à imaginação e reescrever o guião.

Artigo revisto por Joana Mendes

 

5 clubes históricos portugueses que desapareceram

Já há mais de um século que o futebol vem dando pontapés na vida, por vezes, monótona dos Portugueses; desde a sua chegada cá, a febre invadiu cidades e aldeias por este Portugal fora, o que levou as suas gentes a criar clubes a torto e a direito, de maneira a materializar esta paixão. No entanto, tal como na história do próprio planeta, nem todos resistem e sobrevivem, há sempre muitos a ficar pelo caminho. O desporto não foge à regra e, como tal, tivemos clubes históricos com feitos notáveis a desaparecerem. Este artigo é uma homenagem a esses mesmos clubes, que deixaram a sua marca no futebol português, para que nunca sejam uma nota de rodapé na história.

Recordar é Viver: Rui Costa Campeão do Mundo de Ciclismo

O dia 29 de setembro de 2013 marcou o ciclismo português com a vitória estrondosa de Rui Costa, na prova de elite masculina do Campeonato do Mundo de Estrada, realizada em Florença, Itália.

O ciclista nacional fez história ao conquistar o mais importante título de sempre do ciclismo português. Após 272,26 quilómetros percorridos em 7h25m43s, o atleta luso acabou por cortar a meta em primeiro lugar.

A seleção de Portugal não tinha os números do seu lado, com apenas três ciclistas a representar as cores nacionais: André Cardoso, Rui Costa e Tiago Machado. No pelotão houve seleções com nove unidades, casos de: Austrália, Colômbia, Espanha, França, Holanda, Itália, Polónia e Suiça. Philippe Gilbert (Bélgica) era o detentor do título de campeão do mundo. Os grandes nomes do ciclismo estavam presentes no pelotão inicial.

Houve uma fuga desde cedo, com a presença de cinco nações no grupo: Jan Barta (República Checa), Matthias Brandle (Áustria), Yonder Godoy (Venezuela), Bartosz Huzarski (Polónia) e Rafaâ Chtioui (Tunísia).

A seleção de Itália era quem mais trabalhava, ainda para mais corria em casa. Com a distância a diminuir para o grupo dos escapados, foi Giovanni Visconti quem saiu do pelotão e lançou-se ao ataque, alcançando o último elemento resistente da fuga, Huzarski.

Com o mau tempo a fazer-se sentir em Florença, os ciclistas encontravam-se debaixo de imensa chuva durante todo o percurso, o que acabou por originar mais quedas e confusão dentro do pelotão. Vincenzo Nibali (Itália) foi um dos ciclistas que acabou por ir ao chão, contudo, acabou por conseguir reentrar na frente da corrida.

A fuga tinha sido alcançada e Nibali reentrou no grupo dos favoritos, com o seu colega Michele Scarponi a impôr um ritmo feroz, deixando muita gente para trás. Foi a altura perfeita para o tubarão de Messina, Nibali, desferir um ataque, levando na sua roda o espanhol Joaquín Rodríguez. No entanto, na descida, por incrível que pareça, o espanhol Purito Rodríguez distanciou-se de Nibali que, como se sabe, é um dos melhores do mundo no que toca a descidas. Rigoberto Urán (Colômbia) acabou por cair, ficando de fora da luta, a nove quilómetros do fim. Rodríguez seguia isolado na frente, com um grupo perseguidor atrás de si, composto pelo seu companheiro de seleção Alejandro Valverde, o português Rui Costa e o italiano Nibali.

Vincenzo Nibali era quem mais trabalhava no grupo perseguidor, mantendo sempre as diferenças entre os 10 e os 20 segundos para o espanhol. Quando faltava pouco mais de cinco quilómetros, na penúltima subida, que era dura, após tantos quilómetros em cima da bicicleta, Rui Costa procurava fechar um espaço de dois-três metros para Nibali e Valverde. Poderia ser um sinal de fraqueza, mas acabou por conseguir acompanhar os melhores.

O trio acabou por alcançar Rodríguez, antes de chegarem à última subida, com 300 metros de extensão, quando faltavam três quilómetros para o fim. Rodríguez desferiu mais um ataque, com a tentativa de resposta de Nibali. Rui Costa e Valverde também responderam, com o português sempre na cauda do grupo, correndo de forma fria e na expetativa.

No entanto, os esforços não eram suficientes e não parecia fácil anular os metros para Rodríguez, mas quando faltava apenas 1.5 quilómetro para o fim, Rui Costa atacou para tentar alcançar o espanhol na frente, enquanto que Nibali e Valverde ficavam para trás. O ataque, diga-se, foi na hora exata!

Após uma leitura de corrida excecional, a cerca de 600 metros para o fim, o poveiro alcançou o espanhol. Era uma luta a dois, com o espanhol a olhar para trás à procura de Valverde, pedindo ao português para que passasse para a frente. Rui Costa não acedeu ao pedido, e quando passou para a frente foi para lançar o sprint final pela direita, numa luta aguerrida até à linha de meta, acabando por conquistar o desejado triunfo perante o espanhol. Rui Costa alcançou assim o maior triunfo da sua carreira (até agora), relegando Rodríguez para a segunda posição. O espanhol Alejandro Valverde terminou no último lugar do pódio, a 15 segundos do primeiro.

Neste mesmo ano, Rui Costa já tinha vencido duas etapas na Volta a França e a classificação geral da Volta à Suiça, amealhando a camisola arco-íris ao seu palmarés.

Foto de Capa: Comité Olímpico de Portugal

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Que jogos devo rever nesta quarentena? CA River Plate 1-2 CR Flamengo

Sábado, dia 23 de novembro de 2019, o mundo conheceu uma das mais épicas finais de uma competição internacional de clubes de sempre. O estádio Monumental de Lima, no Perú, transformou-se no palco principal de um grande jogo de futebol, entre duas grandes equipas e conheceu o seu momento mais “Monumental” entre os minutos 89 e 92. Um verdadeiro golpe de teatro que terminou em euforia para uns e em tragédia para outros. Assim é o futebol, o verdadeiro futebol da paixão, da emoção, dos sentimentos à flor da pele. Assim é também o povo sul americano e quando estamos a falar de uma final entre um clube argentino e um clube brasileiro, o ambiente torna-se ainda mais especial.

O CA River Plate chegava com toda a confiança à final da Copa Libertadores. Os argentinos eram os detentores do troféu e estavam mais do que habituados a chegar ao jogo decisivo, tendo uma equipa habituada a ganhar e com um treinador, também ele, habituado a ganhar. Pela frente tinham todo o entusiasmo de um clube que não chegava a uma final da Libertadores desde 1981 onde, na altura, a equipa onde brilhava Zico conquistou a competição.

Os brasileiros chegavam com a ilusão oferecida por um treinador português, Jorge Jesus, que em muitos poucos meses de trabalho conseguiu fazer com que uma equipa até então completamente desacreditada, se transformasse num autêntico rolo compressor nas provas em que estava inserida. De facto, o CR Flamengo chegava à final de Lima tendo atropelado o Grémio FBPA por 5-0, num jogo fantástico no Maracanã. O que separava o Flamengo de Jesus da Libertadores era o River Plate, um adversário poderoso e que tinha uma forma de jogar muito difícil de bater, tal como a do próprio Flamengo. Esperava-se um confronto de estilos, um poder-a-poder, um verdadeiro clássico sul americano. Porém, ninguém adivinharia o que ia acontecer no jogo.

O Flamengo até começou o jogo por cima, fazendo a sua circulação habitual, entrando de forma a não permitir o River de sair do seu meio campo e tentando bloquear Enzo Pérez, jogador que Jesus conhece como ninguém e que era o grande farol da equipa argentina. Contudo, no primeiro assomo dos “Millionarios”, a bola entrou na baliza de Diego Alves. Num cruzamento atrasado, que à primeira vista não levava perigo, uma falha de comunicação entre Gerson e Willian Arão revelou-se fatal, pois a bola chegou a Borré, que disparou sem hipóteses para o guardião brasileiro.

Estava feito o primeiro para o River e a partir daí o jogo transformou-se. O Flamengo sentiu o golo sofrido e embora nunca se tenha desmoronado, a verdade é que também nunca conseguiu assentar o seu jogo perante um River que não tinha qualquer problema em dar a iniciativa ao conjunto brasileiro. A equipa de Marcelo Gallardo tinha a lição muito bem estudada e todas as rotinas e dinâmicas do Flamengo não estavam a ser postas em prática, devido à intensidade da pressão argentina, que impedia os jogadores do Flamengo de pensarem e executarem com a qualidade habitual. Assim se chegou ao intervalo, um intervalo que o Flamengo precisava para voltar a acalmar, para assentar ideias, porque faltava toda uma parte para se jogar.

A verdade é que a segunda parte trouxe o primeiro lance de verdadeiro perigo para o Flamengo. Numa jogada individual, Bruno Henrique tentou assistir De Arrascaeta, que não acertou na bola. A bola sobrou para Gabriel Barbosa que rematou para um corte milagroso de De La Cruz. Na recarga, Everton Ribeiro rematou para uma grande defesa de Armani, evitando o empate.

Foi o primeiro lance em que o Flamengo se conseguiu soltar e jogar o seu futebol. Mas não estava fácil. O River continuava muito compacto a defender e as suas saídas para o ataque, principalmente pelo lado direito onde Ignacio Fernandez aproveitou uma má exibição de Felipe Luís para dar alguns calafrios à defesa do Flamengo. Porém, sentia-se que o Flamengo ganhava a bola com cada vez mais facilidade e que a linha de pressão do River era cada vez mais baixa, o que indiciava uma quebra física na equipa argentina.

Com um meio campo completamente reformulado pela entrada de Diego e pelo recuo de Everton Ribeiro, o Flamengo passou a contar com dois criativos a organizar todo o futebol ofensivo da equipa. E foi aos 89 minutos, quando muita gente se preparava para congratular o River Plate, que tudo mudou. Num arranque que à primeira vista parecia pouco prometedor de Bruno Henrique, pois encontrava-se sem linhas de passe, uma desmarcação genial de De Arrascaeta entre o central e o lateral direito do River foi percebido no momento certo por Bruno Henrique que, num passe de rutura, isolou o uruguaio, que num último esforço conseguiu colocar a bola ao segundo poste onde Gabriel Barbosa, que tinha passado o jogo inteiro despercebido, encostou para o empate.

Quando tudo parecia perdido, teve Gol de Gabigol. O golo surgiu como um vulcão em erupção para os adeptos do Flamengo, que explodiram. A esperança estava mais renovada do que nunca. Uma final que parecia perdida voltava de novo a estar completamente em aberto. E, três minutos depois, quando toda a gente já pensava no prolongamento, o golpe de teatro aconteceu. Diego, com um passe longo, colocou a bola no meio da confusão em que se tinha tornado a defesa do River. Gabriel Barbosa foi à luta, atrapalhando a ação de Pinola que falhou a interceção, fazendo com que Martinez Quarta tenha falhado a dobra também. Quem percebeu tudo desde o início foi Gabriel que, num remate fulminante, fuzilou a baliza de Armani e selou a vitória do Flamengo.

Um golo que foi a demonstração pura da persistência, do acreditar que os jogadores do Flamengo tiveram ao longo do jogo. Para além de toda a euforia, de lágrimas de alegria, de pequenos problemas de corações que não estavam preparados para tanta emoção, assistiu-se a uma libertação em plena Libertadores: a libertação de Jorge Jesus, que após duas finais europeias perdidas injustamente, vencia a sua primeira grande competição além fronteiras.

Lágrimas, muitas lágrimas de emoções que estavam contraídas há 38 anos, que se libertavam agora devido à entrada no clube de um treinador português, que revolucionou não só a forma de treinar e de jogar do Flamengo, como levantou uma série de questões no próprio futebol brasileiro, que parecia parado no tempo e cingido a um futebol mais individualista, sem grande intensidade, conhecendo-se o talento natural do jogador brasileiro.

A peça da Libertadores teve um final feliz para o Flamengo, para o futebol brasileiro, mas também para Portugal, que esteve praticamente parado a assistir à primeira final internacional de clubes ganha por um treinador que sempre reuniu a simpatia do grande público, mas que tem uma competência no treino ao nível dos melhores do mundo.

Artigo revisto por Joana Mendes

FC Porto: Chidozie e o sonho do regresso ao Dragão

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Com as competições paradas, e com muita indecisão pelo meio, é tempo de olhar para os jogadores que compõem o plantel, numa previsão daquilo que pode ser a próxima época. O valor dos jogadores no mercado caiu a pique, e há muitos atletas que estão ou em fim de contrato, ou emprestados. Um desses casos é o do nigeriano Chidozie, que se encontra neste momento emprestado ao CD Leganés, do campeonato espanhol.

Numa entrevista a um jornal do país vizinho, o jogador de 23 anos mostrou vontade de regressar ao clube azul e branco, uma vez que ainda tem contrato. Na impossibilidade de um acordo, a vontade de Chidozie passa por se manter no CD Leganés e quem sabe chegar ao Real Madrid CF. Com sonhos e incertezas, o central é um jogador que pode eventualmente ser uma mais valia para o treinador Sérgio Conceição, caso alguns jogadores do centro da defesa possam sair do clube.

Chidozie chegou para a formação do FC Porto na temporada 2014/2015, nessa altura ingressou pelos juniores, onde realizou 14 jogos e marcou quatro golos. Um começo que lhe permitiu, mesmo em tenra idade, pisar grandes palcos na época seguinte. Por entre a equipa de juniores e a equipa B, o nigeriano estreou-se ainda pela equipa principal do FC Porto, onde realizou 13 jogos e marcou um golo, estando dentro das expectativas esperadas.

Com as competições paradas, e com muita indecisão pelo meio, é tempo de olhar para os jogadores que compõem o plantel, como Chidozie
Chidozie realizou dois jogos na temporada 2018/2019 pela equipa principal do FC Porto
Fonte: FC Porto

No entanto, na temporada seguinte, em 2016/2017, face à chegada de novos jogadores ao plantel, Chidozie não teve oportunidades na equipa principal e apenas jogou pela equipa B, realizando 41 jogos e um golo. Ainda assim, uma época de grande nível que fez com que outros clubes mostrassem interesse como foi o caso do FC Nantes, clube ao qual acabaria por ser emprestado na época seguinte. Em 2018/2019 regressou do empréstimo ao clube francês, mas voltou a estar novamente por pouco tempo em Portugal, sendo novamente emprestado, desta vez ao Caykur Rizespor. Da Turquia já não voltou a Portugal e foi diretamente para Espanha, para o CD Leganés, clube que representa atualmente.

Por onde passa, o central costuma assumir o lugar e ter um bom rendimento dentro de campo. O futuro de Chidozie ainda é incerto e as coisas podem mudar consoante a vontade do jogador, do clube e das necessidades que o plantel enfrente na próxima temporada. O facto de ter estado emprestado a mais do que um clube e em campeonatos diferentes fazem do nigeriano um jogador experiente que pode ser muito importante no FC Porto.