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Em Direto da Copa #4

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Hoje escrevo-vos directamente da praia do hotel onde estou alojado, em Porto Seguro (próximo destino: Salvador). Estou sentado na areia com o computador ao colo, deixando-me levar pelo calor de uma noite fantástica – como sempre – e há uma festa aqui mesmo ao lado que me está a oferecer a banda sonora perfeita para o diário desta Quarta-Feira. Por isso, melhor cenário não poderia pedir.

O assunto do dia foi obviamente o jogo do Brasil. Não pude assistir ao desafio inaugural da Copa, por me encontrar a trabalhar, e hoje não podia perder a oportunidade de viver um momento destes junto dos brasileiros. E confirma-se que eles são tão ou mais fanáticos do que nós quando joga a canarinha. É a loucura total. Um bar de praia completamente cheio, com homens, mulheres e crianças equipados de verde e amarelo a vibrar com cada lance que acontece próximo da baliza adversária. Sobretudo quando Neymar tem a bola. A desilusão pelo nulo foi evidente, mas sobraram elogios de quase todas as mesas para o portista Herrera e isso foi o suficiente para sair de lá satisfeito. Apesar de tudo, é um jogador que actua na nossa liga e, quer queiramos quer não, temos sempre um fraquinho pelos atletas que conhecemos quando acontecem estas grandes competições.

E já que falo em Porto Seguro, deixem-me contar-vos também esta pequena curiosidade que certamente não passa para a comunicação social (muito menos a portuguesa): as selecções da Suíça e da Alemanha estão cá alojadas, a uma distância de pouco mais de 10 quilómetros e separadas por um rio que só é possível atravessar de ferry boat. Como é óbvio, sobretudo por se tratar de uma cidade pequena e pouco habituada a estas andanças, a população acolheu estas duas equipas de corpo e alma e torce por elas quase como torce pelo Brasil. Escusado será dizer que, durante o jogo de Portugal, eu mudei de ambiente mais do que uma vez para não ter de me chatear: comecei por ver o jogo numa esplanada, passei para a recepção do hotel e terminei sozinho no quarto. Eram demasiados brasileiros a gritar “gol” para eu me conseguir aguentar sem abrir a boca, mas pode ser que Ronaldo e companhia ainda lhes venham a dar um pequeno desgosto mais lá para a frente. Vá lá que eu saí do bar hoje com um sorriso no rosto quando o árbitro do Brasil-México fez soar o apito final… cá se fazem, cá se pagam.

Obrigado e um abraço,
João Cunha

Rússia 1-1 Coreia do Sul: Empate com sabor a frango da estepe

cabeçalho mundial'2014

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O RESCALDO

Rússia vs Coreia do Sul, último jogo da 1ª jornada da fase de grupos deste Mundial 2014, Arena Pantanal, em Cuiaba, com as bancadas quase cheias. Num grupo em que não existe nenhum colosso (apesar da qualidade da Bélgica), russos e sul-coreanos entraram em campo sabendo que entrar a ganhar seria importantíssimo.

E se alguém pensava que a Rússia iria vencer facilmente, tendo em conta o seu bom lote de jogadores e a qualidade do seu seleccionador, Fabio Capello, enganou-se redondamente. A Coreia do Sul, que claramente não tem uma equipa ao nível doutros anos, fez das fraquezas autênticas forças e de uma forma muito compacta impediu que a Rússia fosse um conjunto muito perigoso. Aliás, o primeiro tempo desta partida foi bastante fraco, não havendo praticamente oportunidades de golo, e para isso muito contribuiu a inoperância russa. Com um futebol lento e previsível, quase a roçar o desértico, a equipa orientada por Capello raramente conseguiu ultrapassar a defensiva da selecção asiática, que, diga-se em abono da verdade, quase não criou perigo nos primeiros 45 minutos.

E assim se chegava ao intervalo, com um nulo justíssimo, castigando o mau futebol praticado pelas duas formações e com a Rússia a não provar o porquê  de ter passado à fase final do Brasil 2014 num grupo que contava com a selecção portuguesa.

Quando o jogo parecia bloqueado, Akinfeev tratou de o desbloquear  Fonte: Getty Images
Quando o jogo parecia bloqueado, Akinfeev tratou de o desbloquear
Fonte: Getty Images

A Rússia entrou mais decidida na etapa complementar, com um futebol mais rápido e envolvente, procurando provocar desequilíbrios no último reduto da equipa sul-coreana. Contudo, a Coreia do Sul também começou a tornar-se mais atrevida, saindo quase sempre para o contra-ataque com perigo, chegando mesmo a ter alguns momentos de domínio territorial. Até que aos 68 minutos, num remate de meia-distância de Lee Keun-Ho que parecia inofensivo, Akinfeev falhou rotundamente, dando um frango monumental, adiantando assim a selecção asiática no marcador. Um tremendo erro que mexeu completamente com o jogo.

Fabio Capello reagiu de pronto a este choque, colocando Kerzhakov em campo, e a verdade  é que o avançado do Zenit, num lance confuso, restabeleceu a igualdade aos 74 minutos, colocando alguma justiça no resultado. Daí para a frente, o jogo foi emocionante, não muito bem jogado, com o perigo a rondar mais a baliza da Coreia do Sul, mas nem por isso com os sul-coreanos a abdicarem do ataque, revelando sempre rapidez de processos.

Contas feitas, empate a uma bola que se justifica, numa partida que opôs uma Rússia a alguma distância daquilo que pode e deve fazer a uma Coreia do Sul voluntariosa, que revelou aqui e ali alguma qualidade de jogo, e que pode ter por isso uma palavra a dizer neste grupo H.

A Figura
Coesão da Coreia do Sul – Bem estruturada, com processos simples, a equipa sul-coreana raramente deu azo a que a Rússia provocasse grandes estragos. Mesmo estando algo na sombra neste Mundial, mesmo sendo um conjunto pouco falado, sem grandes estrelas, a verdade é que esta Coreia do Sul provou que tem qualidade, em especial na 2ª parte, em que assustou, e de que maneira, a formação russa.

O Fora-de-Jogo
Erro de Akinfeev – O experiente guarda-redes russo deu um frango do tamanho do estádio, prejudicando a sua equipa. Claro que todos os atletas podem errar, e Akinfeev já provou em variadíssima ocasiões que é um excelente guarda-redes, mas isso não apaga o erro pouco admissível numa fase final de um Campeonato do Mundo e que só não teve piores consequências para a sua equipa porque Kerzhakov marcou um golo quase caído do céu, num lance às três tabelas.

Brasil 0-0 México: O nulo das oportunidades

cabeçalho mundial'2014

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O RESCALDO

Depois dos dois primeiros jogos do Mundial, que colocaram em causa a arbitragem da competição, eis que se voltou a apitar para que a bola rolasse no grupo A. Os vencedores da primeira jornada encontraram-se, sem grandes surpresas na abordagem do jogo. À excepção da saída de Hulk e da entrada de Ramires, os sistemas de ambas as formações foram os expectáveis.

Na primeira parte, o nulo justificou-se. Apesar de terem existido oportunidades de parte a parte, não houve verdadeiramente um desequilíbrio que forçasse o marcador a ser outro a meio do jogo. Óscar, numa fase inicial, e Neymar, também de uma forma ocasional, indiciaram querer pegar no jogo, mas a explosão do jogo não se deu e os golos não apareceram. É de assinalar a oposição de Ochoa ao remate de Neymar quando se jogava o minuto 26. A defesa do mexicano ao remate do número 10 é uma das melhores deste Mundial. O Brasil conseguiu uma melhor gestão com bola, em tempo e qualidade; o México apostou mais na longa distância. Destaque ainda para a organização defensiva da turma mexicana e para a capacidade de anular as transições e investidas canarinhas.

 

Ochoa foi a grande figura do encontro Fonte: Fifa
Ochoa foi a grande figura do encontro
Fonte: Getty Images

Ao intervalo, Scolari mexeu na equipa. Apostando na velocidade, retirou Ramires e lançou o jovem Bernard. Mantendo uma coesão táctica assinalável, o México mostrou-se ainda assim ousado e investiu no sentido da baliza brasileira. Um Brasil sem grande personalidade permitiu uma ascensão mexicana, que continuava a apostar na longa distância. Guardado, Vázquez, Dos Santos e Herrera apontaram a mira à baliza de Júlio César, que aguentou o nulo. Numa fase em que o México apresentava mais perigo, Scolari refrescou o ataque e substituiu Fred por Jô, e a verdade é que este foi um ponto de inflexão do jogo. Não propriamente em termos de sistema (foi a chamada “troca por troca”), mas eu termos anímicos. O Brasil começou a acreditar mais, a jogar com mais confiança, a conseguir conquistar mais espaço no contra-ataque e a tendência do jogo alterou-se. O treinador mexicano, Miguel Herrera, respondeu lançando Chicharito e retirando Peralta do jogo. Ambos os treinadores ainda voltaram a mexer: no Brasil, entrou Willian por Óscar; no México, Fábian compensou Herrera e Dos Santos cedeu lugar a Jiménez.

No entanto, o clímax do jogo estava guardado para os minutos finais. Com o jogo mais aberto e sem a concentração de toda a partida, ambas as selecções esgotaram os últimos cartuchos. Valeram Ochoa e Júlio César, numa verdadeira apoteose futebolística. O empate sem golos esconde as oportunidades e a vontade das duas formações de se isolarem no grupo A. O México tem possibilidade de chegar aos oitavos-de-final pelo futebol e pela vontade que apresenta, no entanto, considerando a ameaça que é a Croácia (à data, com menos um jogo), podemos afirmar que o Brasil tem esse caminho mais facilitado. As contas estão longe de estar fechadas no grupo do anfitrião da festa do futebol.

A Figura:

Ochoa – o guarda-redes mexicano fez milagres neste jogo. É essencialmente dele a responsabilidade de o México ter saído da partida com um ponto.

O Fora-de-Jogo:

Ramires – não conseguiu aproveitar a titularidade e saiu ao intervalo. Teve pouco tempo e não conseguiu influenciar como seria de esperar.

Bélgica 2-1 Argélia: “Portugueses” lutaram mas não travaram belgas

cabeçalho mundial'2014

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O RESCALDO

A Bélgica apresentou um esquema em 4-2-3-1, ao passo que a Argélia optou por um 4-3-3 bastante fechado. A equipa com mais jogadores a actuar em Portugal tirando a selecção portuguesa e em igualdade com a Argentina – Halliche, da Académica, foi titular, Slimani (Sporting) e Ghilas (FC Porto) entraram a meio do jogo e Soudani, ex-Vit. Guimarães, também jogou de início – privilegiou sempre a organização defensiva e as cautelas tácticas, ao passo que os belgas tiveram desde cedo sérias dificuldades em agarrar as rédeas do jogo e em assumir na prática o favoritismo que lhes era atribuído no papel.

A primeira parte conta-se em poucas palavras: a Bélgica mostrou-se sempre apática e pouco intensa, com Dembelé e Witsel muito presos no centro do terreno e Hazard completamente apagado. O facto de os seus laterais serem na verdade centrais adaptados (Alderweireld à direita, Vertonghen à esquerda) também prejudicou a equipa, conferindo-lhe muito pouca profundidade. A tarefa dos belgas ficou ainda mais complicada quando, aos 23 minutos, a Argélia se soltou no ataque e, após um cruzamento do lateral-esquerdo Ghoulam, Vertonghen derrubou Feghouli na área. Penálti nítido, convertido pelo jogador que sofreu a falta. Até ao intervalo, a Bélgica tentou aumentar o ritmo, mas sem criar grandes oportunidades. Perante uma Argélia a defender em bloco atrás da linha da bola, as únicas ocasiões de perigo foram um remate de Witsel de fora da área e uma tentativa de Chadli, que concluiu sem sucesso a primeira jogada criada por Hazard.

No segundo tempo, perante a apatia geral da equipa europeia, percebeu-se a entrada imediata de Mertens – um jogador rápido que substituiu o inconsequente Chadli. O extremo tentou sacudir o jogo, ora arrancando em velocidade ora através da cobrança de bolas paradas. A Argélia continuava retraída mas sempre bem posicionada, e reagiu à tentativa de domínio belga com um cabeceamento perigoso de Medjani também na sequência de um canto. A Bélgica voltou a ter a iniciativa de jogo, mas sempre de forma lentíssima.

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A entrada de Fellaini (aqui com o jovem avançado Divock Origi, que também saiu do banco) acabou por revolucionar o jogo
Fonte: fifa.com

Slimani (alguns bons pormenores, mas sem influência na partida) entrou aos 65 minutos para o lugar de Soudani e, no momento seguinte, Origi (que tinha substituído o inexistente Lukaku) aproveitou um raro erro da defensiva argelina para, isolado, permitir a defesa de M’Bohli. Pouco tempo, depois, o recém-entrado Fellaini fez uso do seu fantástico jogo de cabeça para repor o empate, desviando um centro do lado esquerdo de De Bruyne (Halliche fez um jogo sólido, mas neste lance foi batido nas alturas). Só após o 1-1 a Bélgica foi capaz de aumentar o ritmo, mas mais uma vez sem converter o domínio em ocasiões de golo. Foi apenas na única vez em que conseguiu ter espaço, após perda de bola de Feghouli no ataque, que a equipa de Marc Wilmots chegou ao golo. Hazard conduziu bem a jogada e soltou na direita para a finalização de Mertens. Bastou um lance de contra-ataque aos belgas para fazerem aquilo que não tinham sido capazes de alcançar em 80 minutos de passividade em ataque organizado.

A fechar, houve ainda tempo para uma grande defesa do guardião argelino, que parou novo cabeceamento de Fellaini (a Argélia teve, como se viu, dificuldades em lidar com as penetrações do médio em zonas de finalização para tentar o jogo aéreo) e para a entrada de Ghilas, aos 84 minutos (sem tempo). No entanto, a perder pela primeira vez, a Argélia não soube mudar o “chip” e esticar o seu jogo em busca do empate. A vitória da Bélgica acaba por ser justa, embora a exibição tenha sido cinzenta. Os jogadores acusaram claramente a pressão de serem vistos como favoritos. Estará a equipa-sensação da fase de apuramento preparada para ir longe na prova? Depois de ver este jogo, diria que terão de melhorar bastante para vencerem as próximas partidas.

A Figura

Marc Wilmots – O treinador belga soube reagir perante a fraca exibição da sua equipa. Todas as decisões que tomou durante o jogo se revelaram acertadas: tirou o apagado Chadli ao intervalo e colocou Mertens, que iria marcar o golo da vitória; não hesitou em tirar Lukaku e lançar Origi, um jogador muito mais móvel e que espevitou o ataque; deixou De Bruyne em campo e o jogador, apesar da exibição mediana, fez a assistência para o 1-1; e, finalmente, procedeu à entrada de Fellaini, que empatou cinco minutos depois de substituir Dembélé.

O Fora-de-Jogo

Bélgica – O resultado acabou por lhes ser favorável, mas a exibição foi tudo menos convincente. Os laterais não subiram, o meio-campo mostrou-se pouco dinâmico e o ataque foi quase sempre anulado pela boa organização argelina. E tudo isto, note-se, perante uma equipa modesta. A falta de experiência nestas andanças, bem como a dificuldade em lidar com as expectativas e a juventude de alguns jogadores, quase foram fatais para a Bélgica no jogo de hoje.

Em Direto da Copa #3

emdiretodacopa

Ontem foi-me impossível escrever. O sinal de wi-fi no Brasil é como a capacidade goleadora do Postiga (oscila muito) e, à hora em que deveria ter enviado o artigo, não havia internet para ninguém no hotel. Estava em Brasília, uma cidade moderna e extremamente desenvolvida, projectada do zero há pouco mais de 50 anos por Juscelino Kubitschek e Óscar Niemeyer, mas que ainda não consegue estar online a 100%. Tal como todas as outras, aliás, pelo que tenho tido oportunidade de saber.

No entanto, e isso é que importa, está engalanada para receber a Copa. O Estádio Municipal – antigo Mané Garrincha, palco onde vi a Suíça obter uma reviravolta fantástica ao cair do pano frente ao Equador – é imponente e tem todas as condições para acolher jogos de primeiríssimo nível. A única coisa que lhe falta para ser verdadeiramente útil de futuro é mesmo ter uma equipa, já que a capital brasileira não tem nenhum clube a disputar a divisão principal. Os habitantes da cidade, que nos dias que correm até os edifícios do sector público (situados na Esplanada, como eles dizem) têm iluminados de verde e amarelo, não se mostram no entanto muito preocupados com isso. A Dilma dorme ali ao lado, uma grande percentagem da população trabalha para o Estado, e pelo menos a estes não lhes deve vir a faltar nada por causa do dinheiro gasto num estádio de futebol. Tanto assim é que eles responderam em massa à primeira chamada: a loucura em torno de um jogo aparentemente de segundo nível, este Suiça-Equador, levou mais de 60.000 pessoas às bancadas.

Não espere, no entanto, por uma recepção calorosa se lá se deslocar para ver Portugal nesta primeira fase da competição. O brasiliense é educado, amigável e disponível, mas não é tão dado aos turistas como por exemplo são os baianos de São Salvador (palco do jogo de hoje entre Portugal e Alemanha). Por outro lado, encontrará certamente uma das mais bem pensadas e construídas cidades do Mundo. A estrutura é idêntica ao desenho de um avião, com o Eixo Monumental (uma via com 4 faixas para cada lado) a separar a Asa Norte da Asa Sul, e com imensos espaços verdes a decorar os edifícios de linhas curvas que vemos a cada virar de esquina, desde a Catedral até à ponte JK. E ainda poderá ter a sorte de se cruzar com Avram Grant e Roberto Carlos, como eu me cruzei hoje. Já agora, se lá for, tire um tempinho para dar uma volta pelo lago Paranoá e pelo Parque da Cidade: dizem que é maior do que o Central Park de Nova Iorque…

Hoje deixo-vos também com uma fotografia tirada por mim, no palco onde todos nós queremos ver a Selecção das Quinas ganhar daqui por uns dias.

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Obrigado e um abraço,
João Cunha.

Um registo do qual ninguém fala

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“O Futebol Clube do Porto acabou”. Esta foi uma das frases mais utilizadas nos últimos meses para fazer referência não só ao ‘reinado’ de Pinto da Costa mas, também,(imagine-se!), ao próprio clube. Os resultados registados deixam muito a desejar, o plantel não convence, tudo está mal. Sobre os registos positivos ninguém fala – esquecem-se, como, aliás, sempre acontece quando o clube merece destaque.

Silvestre Varela (Portugal), Eliaquim Mangala (França), Steven Defour (Bélgica), Diego Reyes e Hector Herrera (México), Juan Quintero e Jackson Martínez (Colômbia), Nabil Ghilas (Argélia) e Jorge Fucile (Uruguai). São, no total, nove os representantes portistas presentes no Brasil para disputar o Mundial de Futebol 2014. Nove!

Seria fácil pegar nestes números e entrar numa extensa comparação com outros clubes portugueses. Curiosamente, o Benfica conta com cinco jogadores na prova e o Sporting com quatro (5+4=9, uma conta simples de se fazer). Mas não, não irei por aí. Seria um desperdício do tão precioso espaço deste texto e, acima de tudo, seria um desperdício de tempo, quer para mim, que o escrevo, quer para todos vós, que me lêem.

O objectivo deste conjunto de parágrafos é, sim, combater a crítica e todos aqueles que tão mal falam do clube pelas vendas de jogadores “importantes” e supostas “lacunas” no capítulo da compensação de venda dos mesmos. Pois eu pergunto: o quê?

A nível de capital, o Futebol Clube do Porto encaixou, uma vez mais, como quase ninguém. Tem também garantias de receber mais um bom conjunto de milhões no verão que se avizinha. Ao vender atletas ditos “importantes” terá posses para os substituir – como aliás sempre tem feito.

Jackson está no Mundial e está perto de sair Fonte: Goal.com
Jackson está no Mundial e está perto de sair
Fonte: Goal.com

Ora, dito isto, porquê continuar pelo caminho dos últimos dias? As alterações estão a ser feitas. A espaços, mas estão: o plantel vai sendo renovado, a equipa técnica já está no terreno a trabalhar e os reforços começarão a chegar em breve. Com tudo encaminhado, porquê optar por carregar na mesma tecla? A época foi má – isso é inegável. Foi má ao ponto de o Futebol Clube do Porto terminar em terceiro lugar, falhar a entrada directa na maior competição de clubes e “apenas” conquistar um troféu. Mas não é o fim do mundo.

E com “mundo” regresso novamente ao Mundial. Enquanto a época clubística não é retomada, não há nada melhor a fazer do que dar a todos aqueles que tanto criticam a oportunidade de virarem os olhos para uma outra prova. Aproveitem os trinta dias de Mundial (que entretanto já começou) e venham renovados para a nova época. Reconheçam o registo azul e branco (o melhor da história do clube) e interiorizem que, para tal acontecer, há qualidade – muita qualidade – envolvida. Muita tinta corre nos jornais nacionais e apenas uma pequena percentagem deve ser assimilada.

Gana 1-2 EUA: resistência e eficácia americana

cabeçalho mundial'2014

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O RESCALDO

Depois da pesadíssima derrota frente à Alemanha, os portugueses centraram as atenções no duelo entre as duas restantes equipas do grupo G. Gana e Estados Unidos da América demonstraram, esta noite, que são duas seleções perfeitamente ao alcance de Ronaldo e companhia. Fortes e lutadores, os americanos foram dominados por uma selecção ganesa com uma assinalável propensão ofensiva, mas com claras lacunas defensivas.

Quanto ao jogo em si, os EUA entraram literalmente a ganhar: aos 30 segundos, Clint Dempsey fez o que quis do defesa ganês Boye e atirou para o fundo da baliza de Larsen. Com a confiança em altas pelo golo tão repentino, os americanos subiram as linhas e dominaram por completo os primeiros dez minutos. A entrada forte e vertiginosa da selecção americana foi, porém, muito fugaz. Rapidamente se percebeu que os EUA optaram por baixar todo o bloco (os médios defensivos jogavam quase colados aos centrais) e ofereceram o domínio da partida à selecção ganesa. O 4-2-3-1 dos africanos, apesar de privilegiar a velocidade dos extremos, raramente conseguiu invadir o espaço do adversário. Na verdade, a posse de bola dos “black stars” foi visivelmente superior (cerca de 60% nos primeiros quarenta e cinco minutos) mas nunca se traduziu em ocasiões de golo. Por outro lado, a seleção norte-americana, comandada pelo técnico Jurgen Klinsmann, fez de um 4-4-2 extremamente rígido a base de todo o jogo. Com o duplo pivô defensivo em grande evidência (sobretudo Kyle Beckerman), os americanos controlaram a magra vantagem até ao intervalo.

Foi um jogo disputado até ao limite Fonte: FIFA
Foi um jogo disputado até ao limite
Fonte: FIFA

O reinício da partida trouxe uma selecção ganesa mais atrevida, mais rápida, e, essencialmente, com outra dinâmica. Os americanos, que repetidamente optaram pela organização defensiva, viram os “black stars” falhar três ocasiões de golo iminentes em apenas cinco minutos. Com Opare (suposta aquisição do FC Porto para a próxima época) e Atsu em grande plano, os ganeses canalizavam grande parte do jogo ofensivo pelo corredor direito.

A resistência americana durou até ao minuto 82, quando André Ayew, após uma excelente combinação com Asamoah Gyan, bateu o veterano Tim Howard e devolveu alguma justiça ao marcador.
Com os EUA em grande debilidade física – principalmente o setor defensivo – o Gana partia para os dez minutos finais com esperança na reviravolta. Contra todas as expectativas, foram novamente os americanos a fazer a festa: Zusi bateu o canto e John Brooks, livre de marcação (culpas novamente para Boye), cabeceou para o 2-1 final, conquistando assim os três pontos para os Estados Unidos da América.

O resultado não reflete o que se passou no Estádio Arena Dunas. Ainda que com estilos diferentes, ambas as equipas batalharam imenso, num jogo de grande intensidade física. O empate seria, sem qualquer dúvida, o resultado justo. Sobressaiu, contudo, a resistência e eficácia norte-americana.

A Figura

Kyle Beckerman – o médio americano limpou quase tudo o que havia para limpar. Enorme exibição.

O Fora-de-Jogo

John Boye – está inteiramente ligado aos dois golos dos EUA. Falhou o corte no golo de Dempsey e deixou Brooks livre de marcação no segundo golo dos americanos. 

Irão 0-0 Nigéria: Só podia dar em nulo

cabeçalho mundial'2014

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Chegou o primeiro empate do Mundial 2014. Sem golos nem estratégia que valha a qualquer uma das duas equipas, este foi simultaneamente o jogo mais fraco e desinteressante da competição até ao momento.

Por um lado, um Irão super limitado embora orientado por um técnico bem conhecido pelos portugueses – Carlos Queiroz – e com experiência para ajudar a organizar uma equipa que não pode ambicionar a mais do que isto. Por outro, a Nigéria de quem se esperavam mais ideias e melhor preparação ofensiva. O resultado acabou por ser justo e, das quatro envolvidas no grupo F, a Bósnia é aquela que saiu mais beneficiada com este empate.

No início do jogo a Nigéria até deu alguns sinais positivos, mostrando-se bem mais ofensiva e determinada em apostar na velocidade dos seus jogadores mais adiantados que é, de resto, uma das suas principais armas. Criou uma ou outra situação de perigo mas a melhor ocasião até acabou por pertencer ao Irão: na sequência de um canto, o guardião nigeriano foi forçado a fazer uma grande intervenção para evitar o golo. Contudo, ficou-se por aí a criatividade e investidas de qualidade de parte a parte. A velocidade que a equipa africana implementou no início foi-se desvanecendo e, ao intervalo, o resultado era justo perante a organização defensiva que ia servindo ao Irão para manter o empate.

Nem a crença chegou à equipa da Nigéria para desfazer o empate  Fonte: FIFA
Nem a crença chegou à equipa da Nigéria para desfazer o empate
Fonte: FIFA

Na segunda parte o que se passou foi algo ainda pior do que na primeira. Menos futebol da Nigéria, mais querer por parte do ataque do Irão mas nem por isso se pôde assistir a uma jogada que fosse de registo… de qualquer parte. Um deserto de ideias e de qualidade. Com o passar do tempo foi crescendo a impaciência e ansiedade por parte dos nigerianos e alguma confiança por parte dos iranianos. Só com bolas paradas se vislumbrava algum perigo mas nem assim se conseguiu assistir a um golo. Foi com um 0-0 que começou e seria assim que acabaria. Justo, sobretudo, porque nem uma equipa nem outra mereciam mais.

Resta à Nigéria – das duas, a equipa com maior potencial – melhorar a sua organização ofensiva se deseja lutar pela qualificação com a Bósnia. É possível que se trate de uma equipa mais confortável a jogar em transições devido à velocidade dos seus avançados. Hoje, por força da estratégia do Irão, teve maioritariamente em situações que exigiam maior organização ofensiva e, por isso, passou muitas dificuldades. O jogo aéreo é também um capítulo a explorar visto que se trata de uma selecção com jogadores fortes do ponto de vista físico. Quanto ao Irão, pouco mais do que isto se poderá exigir: organização defensiva quanto baste e a aposta nas bolas paradas e em jogadas individuais. Há muito pouca qualidade individual para Queiroz explorar. Resta ao português o consolo de ter sido o único dos treinadores portugueses a pontuar nesta primeira ronda.

A Figura

Irão: Para uma equipa tão limitada quanto esta, entrar no Mundial com um empate é um resultado animador e, com alguma sorte, Carlos Queiroz poderá até sonhar com o apuramento. Será difícil.

O Fora-de-Jogo

Qualidade de jogo: Num mundial de futebol espera-se sempre mais do que o que foi visto hoje a partir das 20h. Muito pouca qualidade individual e a pouca que existia – do lado da Nigéria – mal orientada e aproveitada. Era expectável que não se tratasse de uma partida de sonho, mas não deixa de ser lamentável um jogo tão fraquinho num palco tão grande quanto o Mundial no Brasil.

Alemanha 4-0 Portugal: os abutres e os pardalinhos

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O RESCALDO

Vou começar esta análise com as palavras que se impõem para o que resta deste Campeonato do Mundo: Levantar e cabeça e corrigir os erros que nos atraiçoaram neste primeiro jogo. Numa competição com esta dimensão e importância não pode haver tempo para lamentações, críticas fáceis e rebaixamentos desnecessários. Há mais jogos por realizar e uma qualificação por disputar.

Analisar esta derrota de Portugal é, neste momento, um exercício inglório. De entre tantos desastres que marcaram a derrota portuguesa hoje frente à Alemanha, é difícil encontrar uma explicação lógica para tanta apatia e inibição num grupo de jogadores que tem o privilégio de disputar um Mundial de futebol. Quatro golos sofridos, outros tantos por sofrer, expulsões e lesões, e a maior derrota de uma selecção nacional em fases finais.

Quem viu os primeiros minutos deste Portugal vs Alemanha, disputado na Arena Fonte Nova, em Salvador, dificilmente imaginaria um desfecho tão penoso para a selecção portuguesa, dada a acutilância ofensiva dos portugueses nos primeiros minutos de jogo. A explorar a velocidade de Ronaldo e Nani, Portugal até criou algum perigo à defesa alemã composta por quatro defesas centrais. Os receios de Joachim Low, técnico da Alemanha, relacionados com o explosivo contra-ataque português, pareciam fazer sentido nos instantes inicias da partida, mas rapidamente se dissiparam.

Cronologicamente, o minuto 11 marca por completo um jogo que se previa, à partida, equilibrado, mas que revelou um massacre de alemães a português, ou melhor, de abutres a pardalinhos. Este momento corresponde ao primeiro golo da selecção alemã, o primeiro dos três apontados por Thomas Muller. Depois de uma péssima abordagem ao lance de João Pereira, Muller ganhou posição na área e o defesa do Valência agarrou o avançado do Bayern. Penalty bem assinalado, 1-0 para a Alemanha e comando de jogo para a Mannschaft.

Com a vantagem no marcador, a bola passou a rolar somente entre os homens que vestiam o branco da Alemanha e Portugal não mais voltou a encontrar-se em campo. Kroos, Khedira, Ozil e Gotze engoliram os centros campistas portugueses e passaram a controlar todo o ritmo da partida. O segundo golo da Alemanha acabou por aparecer com a naturalidade que o controlo alemão auspiciava e a cabeçada de Hummels, por entre os centrais portugueses, foi a machadada final nas aspirações português nesta tarde. Seguiu-se a expulsão ridícula de Pepe que, após agressão a Muller, deixou Portugal completamente perdido em campo, decorridos apenas 30 minutos de jogo.  E pouco tempo depois, quando parecia que as coisas não podiam piorar, eis que surge um terceiro golo alemão, a castigar mais um erro defensivo português.

A segunda parte, como diz (e bem) Paulo Bento, dificilmente poderia ter outra história. Com um homem a menos, e contra uma poderosíssima e confiante selecçâo alemã, Portugal limitou-se a esperar pelo final do jogo, mesmo tendo que continuar a ser engolida pelo metodismo e qualidade dos germânicos. Do lado nacional, não havia força para mais nada, senão lutar pela honra das quinas e esperar que Ronaldo trouxesse algum brio ou brilho à exibição portuguesa. O capitão tentou, mas, e à imagem dos seus colegas, foi sempre inconsequente.

Antes do final do jogo, o pesadelo lustitano conheceu mais dois tristes episódios. A lesão de Fábio Coentrão é um duro golpe para a equipa neste Mundial e o facto de tratar de uma mazela com alguma gravidade relega para segundo plano o quatro golo alemão, apontado por Muller, o melhor do alemães.

Com dois jogos para disputar,  a nau portuguesa nesta aventura brasileira ainda não está afundada, mas para chegar a bom porto tem que mudar alguns timoneiros. Hugo Almeida não pode ser o ponta-de-lança de Portugal neste Mundial, Éder parece ser a opção mais acertada, e William Carvalho e Ruben Amorim merecem o seu lugar no onze nacional. Sem Pepe e, aparentemente, Coentrão para os próximos jogos,  Neto e André Almeida são as opções mais viáveis para os substituir.

Muller apontou um hat-trick  Fonte: Eurosport
Muller apontou um hat-trick
Fonte: Eurosport

A Figura

Thomas Muller: O avançado do Bayern fez três golos numa fase final de um Mundial e esse feito está ao alcance de poucos. Foi ágil, astuto e perspicaz nos golos que apontou e um perigo constante para a defesa português. Até esteve na origem na expulsão de Pepe.

O Fora-de-Jogo

Portugal: Num mundial de futebol, não se pode aceitar tamanha apatia e distracção  de uma equipa que tem milhões de olhos em cima. Demasiados erros defensivos, e um amadorismo inadmissível. Há muito a melhorar, mas também há matéria para isso. Vamos ter crença e esperança nos nossos jogaodores.

Os verdadeiros campeões

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20 de Junho de 2013. No fim da noite as pessoas de Miami cantavam, saltavam, festejavam e, pela terceira vez na história, celebravam o título da NBA coroando Lebron James como MVP das finais. Pouco menos de um ano depois, os papéis inverteram-se. Agora, em San Antonio, era o público texano que rejubilava com a conquista do quinto título.

Há umas semanas atrás, afirmei que este grupo de homens liderado por Gregg Popovich praticava um dos melhores estilos de jogo já visto no basquetebol.

Depois de baterem equipas como Dallas Mavericks, Portland TrailBlazers e Oklahoma City Thunder, os Spurs chegaram às finais jogando um total de dezoito jogos – sete contra os Mavericks de Dirk Nowitzki, cinco contra os TrailBlazers de LaMarcus Aldridge e Damian Lillard e seis contra os Thunder de Kevin Durant e Westbrook. Por sua vez, os Miami chegaram com menos três jogos de, teoricamente, muito menor dificuldade. Começaram por varrer os Charlotte Bobcats de Al Jefferson, de seguida venceram em cinco jogos os Brooklyn Nets de Paul Pierce e Deron Williams, e em seis jogos os seus nemesis da conferência de Este, os Indiana Pacers de Paul George.

Com os seus caminhos feitos, os Spurs chegavam a duas finais consecutivas na esperança de vingar a derrota do ano anterior. Os Miami jogavam uma quarta final consecutiva, algo que não era alcançado desde que os Celtics o conseguiram na década de 80.

Bem, descritos os caminhos estava na altura de, finalmente, jogar pelo título. Não vos irei maçar descrevendo os jogos todos. Os primeiros dois jogos foram em San Antonio, e o resultado foi divido. Se num primeiro jogo, os Spurs venceram de uma maneira algo controversa, com uma avaria no ar condicionado do pavilhão que iria levar a uma lesão de LeBron James, o segundo jogo já não teve tanta contestação. Os Heat venceram o jogo e tiveram jogadas que ajudaram a cimentar o resultado final.

Estas estrelas foram mais uma vez imprescindíveis na conquista do quinto título da instituição  Fonte: nbawallpapers10.net/category/san-antonio-spurs
Estas estrelas foram mais uma vez imprescindíveis na conquista do quinto título da instituição
Fonte: nbawallpapers10.net

Foi a partir desse momento que os jogos viraram. A qualidade superior da equipa texana foi mais do que aparente e, em Miami, ganharam ambos os jogos sem muito esforço. Os Heat foram dizimados em casa e, pela primeira vez desde 2012, perderam dois jogos consecutivos numa fase final da época. Os Spurs no primeiro período do terceiro jogo marcaram 41 pontos, o que levou consequentemente a vitórias por 19, e mais tarde, por 21 pontos no quarto jogo; a equipa da Flórida não teve hipóteses. Foi a partir deste momento que as diferenças entre cada Equipa se acentuavam.

De um lado tínhamos o melhor jogador de basquetebol do mundo em LeBron James, do outro tínhamos a melhor Equipa do mundo. O facto de “equipa” estar escrita com maiúsculas não foi acaso nenhum. Desde que aprendemos que basquetebol é um desporto de equipa, que nos esquecemos o que é que isso significa.

O estilo de jogo feito pelos Spurs é a personificação de jogo colectivo. Quando há problemas e algumas dificuldades em marcar, a bola até pode ir parar a um jogador específico, no entanto, no estilo de jogo da equipa texana, a bola roda por todas as mãos, todas as jogadas. Com a constante rotação, a defesa adversária não consegue acompanhar o ataque e, eventualmente, haverá um jogador que tem uma aberta boa o suficiente para lançar ao cesto. E foi assente nesse conceito que os Spurs planearam todos os seus ataques. Como foi visto, foi muito eficaz.

No último jogo, os Miami até começaram a atacar muito bem, no entanto, não demorou muito até o poder de Equipa dos agora campeões se demonstrar e conseguir a reviravolta no marcador e consequente vitória.

Se há algo que não pode ser contestado é que os Spurs foram de facto a melhor equipa durante o ano todo e não só nos playoffs. Conseguiram vingar-se dos Miami Heat, imortalizar para sempre Tim Duncan como o melhor Power Forward de todos os tempos e, provavelmente, coloca-lo no grupo dos melhores jogadores de sempre. Com cinco títulos, Duncan tornou-se também o jogador com mais duplos-duplos em postseasons.

Enquanto LeBron tudo fazia para se tentar bater contra a equipa de Oeste, a sua equipa nada conseguia fazer. Enfrentaram um ataque fulminante e uma defesa sufocante, enquanto estes não conseguiram fazer o mesmo. Foram maus defensivamente e piores ofensivamente. Apenas James se mostrou e apenas ele foi um jogador digno de estar nas finais. As prestações colectivas por parte dos Heat foram quase vergonhosas, não alcançando este patamar graças ao número 6.

Há que louvar o que os Spurs conseguiram fazer – tornar as outras estrelas da equipa de Miami quase insignificantes.

Escrevo isto enquanto fã dos Miami. Não foram suficientemente fortes, bons e, naturalmente, uma equipa para poderem fazer frente ao melhor grupo que já vi jogar.

Por fim, não podia acabar de escrever este artigo sem comentar as prestações que mais me surpreenderam. Boris Diaw foi um dos jogadores mais importantes dos Spurs. Enquanto as atenções defensivas estavam maioritariamente direccionadas para o Big Three da equipa de San Antonio, Tony Parker, Manu Ginobili e Tim Duncan, o francês mostrou que também ele merecia ser defendido com a mesma agressividade. Boris Diaw mostrou-se como um catalisador e organizador de jogo que ninguém, fora dos Spurs muito provavelmente, esperava.

Uma das maiores surpresas das finais. Leonard mostrou que poderá vir a ser uma superestrela da equipa e, daqui em diante, poderá a ser uma das referências ofensivas da equipa  Fonte: basketwallpapers.com
Uma das maiores surpresas das finais. Leonard mostrou que poderá vir a ser uma superestrela da equipa e uma das referências ofensivas da equipa
Fonte: basketwallpapers.com

Por sua vez, Kawhi Leonard, apesar de não ser nenhum estranho na NBA, elevou o seu jogo de uma forma inesperada. Se nos primeiros dois jogos das finais marcou, no total, 18 pontos, nos dois jogos seguintes marcou 49!

Se as suas qualidades defensivas já lhe eram reconhecidas e aplaudidas, o MVP das finais da NBA foi a faísca que despoletou a explosão de qualidade texana nos últimos jogos da série.

Se em outros anos houve campeões por demérito de uma equipa adversária, este ano não houve contestação nenhuma. Apesar de poder haver opiniões contrárias que defendam que os Spurs foram campeões por falta de qualidade ofensiva e defensiva dos ex-bicampeões, poderei refutar que a falta de qualidade dos Heat deveu-se, sem dúvida nenhuma, à gigante qualidade dos pupilos de Popovich.

Por fim, muito se pode vir a dizer sobre este ano, no entanto, só há uma coisa que deve ser dita. Muitos parabéns San Antonio Spurs pelo mais que merecido título e muitíssimo obrigado por nos lembrarem como este desporto deve ser praticado.

Aqui está um dos melhores vídeos de basquetebol já feito: