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Entrelinhas do Desporto: Lay Off e reduções salariais na Liga Portuguesa

Depois de semanas de avanços e recuos, de várias declarações públicas (umas mais fundamentadas e informadas do que outras…), esta semana surgiu o primeiro emblema a decidir, de forma isolada, avançar com um pedido de Lay Off simplificado: O Belenenses SAD

Depois da equipa que tem como reduto o estádio Nacional, seguiu-se o Grupo Desportivo de Chaves, sabendo-se que várias equipas da II Liga, bem como o Paços de Ferreira FC e o Vitória FC ponderam seriamente avançar com iguais pedidos de Lay Off, sendo que, para já, todas as Sociedades anunciaram que está garantido o pagamento na íntegra dos salários do mês de Março.

Para os menos atentos às notícias, esta medida de Lay Off simplificado permite às Empresas de forma total ou parcial, reduzir temporariamente os períodos normais de trabalho e/ou suspender temporariamente os contratos de trabalho, tendo direito a um apoio financeiro, por trabalhador, destinado, exclusivamente, ao pagamento da respetiva retribuição.

Nestas circunstâncias, o trabalhador terá direito a auferir mensalmente um valor igual a, pelo menos, 2/3 da respetiva retribuição ilíquida, ficando 70% desse valor a ser garantido pela Segurança Social e os restantes 30% pela entidade empregadora. O valor a receber pelo trabalhador não poderá, no entanto, ser inferior ao salário mínimo ou superior ao correspondente a três retribuições mínimas mensais garantidas, isto é, 1.905€.

Ora, em alguns casos, este máximo legalmente estipulado consubstancia um corte salarial muito significativo, razão pela qual as Sociedades Desportivas neste primeiro momento se têm comprometido em assegurar montantes superiores aos 30%, por forma a que os jogadores possam manter ordenados que, embora reduzidos, sejam superiores a 1.905€.

As análises e críticas a este regime, incidiram ao longo da semana em dois principais prismas:

– Primeiramente, visando a sua aplicabilidade aos clubes de futebol profissionais, tendo-se chegado à conclusão, de que se tratando de uma entidade privada e não existindo exceções previstas na Lei para este ramo em concreto, a resposta é sim.

– Num segundo momento, sobre a maior ou menor censurabilidade de aplicação da medida por parte dos clubes.

Sobre a primeira questão, o futebol não é um mundo à parte, embora por vezes pareça, mas nada aponta no sentido de que o regime geral das empresas não possa ser aplicável às Sociedades Anónimas Desportivas (SADs) e à Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQs) – os dois tipos de modelo de gestão Societária obrigatórios por forma a poder competir na I e na II Liga.

O Belenenses SAD, considerando que preenchia os requisitos para o efeito, foi o primeiro a avançar para o lay-off “parcial” como forma de fazer face à quebra abrupta de receitas, depois da paragem dos campeonatos no início do mês de Março. Também o Desportivo de Chaves, referiu que “Não temos outra hipótese, somos obrigados a parar a nossa atividade e se existe uma lei geral temos de a utilizar”.

Ainda que existam mais requisitos que permitam aceder ao regime de Lay-Off, no caso das Sociedades Desportivas, a capacidade de verem o seu pedido procedente deverá passar pela demonstração de uma quebra de 40% na faturação nos 30 dias anteriores, com referência à média mensal dos dois meses anteriores a esse período ou ao período homólogo do ano anterior.

Sobre a segunda questão, Joaquim Evangelista, presidente do Sindicato dos Jogadores (SJPF), apelidou estas iniciativas como “uma falta de respeito para com as empresas em grandes dificuldades de subsistência e pelos portugueses”, prometendo avançar com uma queixa junto dos Grupos Parlamentares.

A crítica feita pelo Presidente do Sindicato não é desprovida de sentido, uma vez que os clubes estão a procurar usufruir de benefícios do Estado, numa altura em que receberam o mês de Março por parte das operadoras de televisão, que como é sabido trata-se da maior fonte de rendimento dos clubes Portugueses.

Talvez por isso, se possa eventualmente falar num abuso de direito, quando há empresas em sérias dificuldades de subsistência e a necessitar desta medida para sobreviver, podendo parecer um pouco reprovável que algumas Sociedades Desportivas queiram beneficiar de uma medida de emergência, que claramente não foi elaborada a pensar no setor do futebol.

O Sindicato e a Liga Portuguesa de Futebol Profissional procuraram nas suas reuniões encontrar soluções próprias, como a criação de uma linha de crédito específica para o futebol profissional, solução que comportaria outro tipo de riscos, já que as Sociedades Desportivas poderiam não conseguir apresentar garantias ou estar a contrair um “empréstimo” ao qual não conseguiriam corresponder no futuro, existindo a agravante das taxas de juro aplicáveis.

Só o tempo demonstrará se na realidade do futebol Português o recurso à medida de Lay Off se trata de um capricho para redução de custos ou, à semelhança do que acontece com muitas empresas, de uma medida absolutamente fundamental para a sobrevivência das mesmas.

Outros clubes, nomeadamente o SC Braga, decidiram avançar com outra solução: compuseram juntamente com os jogadores um plano de cativação salarial, pagando apenas 50% da retribuição nos meses de Abril, Maio e Junho. Se a Liga for retomada até ao verão e o emblema «arsenalista» receber as receitas associadas, então no início de Setembro a situação será regularizada na íntegra.

Em Braga, está em marcha um plano de cativação salarial dos jogadores
Fonte: SC Braga

Caso não seja possível concluir a temporada 2019/20 até setembro, então o compromisso estabelecido com o plantel é pagar 25% do valor que ficou retido. Quer isto dizer que, no pior dos cenários, os jogadores acabam por receber 75% dos salários de Abril, Maio e Junho, o que na realidade consubstancia a aplicação de uma medida de diminuição da atividade nos termos do artigo 309.º do Código do Trabalho. Nota adicional de que os salários mais baixos, nomeadamente dos jogadores mais jovens que estejam em transição da equipa B para A, não serão sujeitos a qualquer alteração ou redução.

Não se tratando de um “corte definitivo da retribuição”, para já não se levantam dúvidas sobre a legalidade do acordo, parecendo-nos uma excelente alternativa para clubes como o Sporting de Braga, que ao se apresentarem como financeiramente sustentados, não preenchem os requisitos para recorrer à medida de Lay-Off, garantindo por outro lado uma almofada na tesouraria do clube, numa altura em que os clubes e respetivas Sociedades Desportivas enfrentam um possível término das competições, ao mesmo tempo que analisam o mercado de transferências sabendo da perda de rendimentos resultantes dos direitos televisivos, que a partir do mês de Abril deixarão de ser pagos até retoma do campeonato.

FC Porto, SL Benfica e Sporting CP também pretendem cortar a folha salarial dos jogadores por forma a diminuir os danos financeiros causados pela pandemia de Covid-19. No entanto, até ao momento, nenhum chegou a acordo com os futebolistas (Benfica e Sporting anteciparam parte do período de férias dos atletas), mas acreditam que o entendimento seja assegurado até ao final desta semana.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Andebol: 5 jogadores sub-20 a ter em atenção

O andebol português tem evoluído a olhos vistos nos últimos anos, tanto a nível de seleção como nos clubes. Com a afirmação de FC Porto e Sporting CP na EHF Champions League, SL Benfica na EHF Cup, Madeira SAD na Challenge Cup e ainda o recente sexto lugar obtido por Portugal no EURO 2020, o andebol nacional anda nas bocas da Europa e é agora visto com outros olhos.

Dado este recente aumento de qualidade a nível interno, em muito devido à contratação de jogadores estrangeiros como Carlos Ruesga, Petar Djordjic, Thomas Bauer, Marko Vujin ou Rene Toft Hansen, não nos podemos esquecer que também nos escalões de formação existem grandes promessas, que esta época se começaram a confirmar no Campeonato Andebol 1.

Fica então a conhecer cinco jogadores sub-20 que este ano se destacaram na primeira divisão portuguesa.

Foto de Capa: FAP

Carta aberta dos adeptos do FC Porto ao Alex Telles: Renova, Alex!

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Caro Alex,

Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti.

Na realidade, não foste propriamente a contratação que mais me deixou com água na boca, e isto pode-se explicar por duas razões: em primeiro lugar, eu não acompanhava de perto o futebol italiano (onde representaste o FC Internazionale de Milão) nem o futebol turco (onde representaste o Galatasaray SK), e em segundo lugar tinha uma grande admiração por aquele que era o rei das assistências e tinha uma polivalência notável: Miguel Layún.

Inicialmente, pensava eu para os meus botões: qual era a necessidade de gastar tanto dinheiro num jogador, se tínhamos um internacional mexicano, que fazia de tudo dentro das quatro linhas? Mas, atualmente, afirmo de forma convicta que ainda bem que gastámos esses 6,5 milhões de euros!

A tua herança não era nada fácil, pois para além de teres o legado de Miguel Layún, tinhas um histórico de laterais esquerdos que outrora brilharam de azul e branco, entre os quais, um compatriota teu: Alex Sandro.

Houve quem dissesse que tu um dia poderias chegar ao nível do atual lateral esquerdo da Juventus FC, e que eras um jogador de Champions. Eu na altura não acreditava muito, mas afinal enganei-me. Todos tinham razão.

Tu não só chegaste ao nível do Alex Sandro, como o ultrapassaste na hierarquia de maiores laterais esquerdos da nossa história, e claro que és um jogador de Champions. Basta rever aquela grande penalidade convertida frente ao AS Roma, que nos catapultou para os oito melhores da Europa.

O teu primeiro ano de azul e branco não foi fácil, e eu confesso que perdia a cabeça com a quantidade de cruzamentos tensos que iam para fora, ou que passavam a linha final. Pessoalmente, sempre preferi cruzamentos mais com a bola a pingar, mas rapidamente percebi que os mais eficazes são aqueles que, ao serem tensos, fazem logo meio golo, visto que basta encostar um “martelo” indefensável para o guarda-redes. Com bons cabeceadores, os teus cruzamentos fazem quase tudo.

Isso foi mais do que evidente quando chegou Sérgio Conceição e tu passaste a ser um dos pilares da equipa.

O novo slogan da equipa era: precisa de assistência? Chame o Alex Telles. E assim foi juntando-se a tua capacidade no um para um, velocidade, desarme e até remate. Quando tudo estiver a correr mal, já sabemos a quem passar a bola.

 Caro Alex, Eu sou daqueles poucos adeptos do FC Porto que pode elogiar-te, sem se pensar que estou a ser tendencioso ou que sempre disse o mesmo sobre ti. Título do site Título Categoria principal Separador
Alex Telles é o melhor marcador da equipa do FC Porto, com oito golos
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Infelizmente, o teu contrato está a chegar ao fim, e circulam rumores de que não pretendes renovar… Eu sou da opinião que mereces claramente outro campeonato, para não falar da seleção brasileira, que é inexplicável.

E chegou a hora do meu pedido, que não pode ser visto como uma forma qualquer de pressão: Alex, se renovares, acredita que seria o melhor para todos! O FC Porto fazia uma venda estratosférica pelo teu passe e tu sairias pelo valor que realmente mereces! Visto que essa tua vontade de abraçar outro projeto é legítima, seria bem possível saíres já neste próximo mercado (mesmo tendo em conta todas estas condicionantes da pandemia). O FC Porto merece e tu mereces apesar da enorme tristeza que vais deixar em todos nós pela tua partida.

Vou-te só dar um palpite: o melhor clube para tu ires seria a Juventus FC ou até o Chelsea FC. Já imaginaram o Alex a fazer um cruzamento tenso para o Ronaldo? Imaginem no que ia dar… Um lateral com esta dinâmica ofensiva encaixa que nem uma luva no futebol italiano e da La Vecchia Signora.

Quando chegaste, disseste que querias deixar o teu legado no Porto. Acredita que deixaste, no clube, na cidade, e no futebol português! Tens o mundo todo pela frente!

Renova, Alex!

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Força da Tática: O Sucessor de Marcelo Bielsa

The most important part are the fans, that people going home are happy. It’s their time off, and you should give them something to enjoy.”Johan Cruyff

Desde o nascimento do futebol, os especialistas de análise da modalidade preocupam-se em identificar estratégias que permitam a cada equipa estar mais perto da vitória. Dessa maneira, muitas são as filosofias de jogo adotadas ao longo dos anos. Claro, muitas com enorme sucesso e outras nem por isso! Mas será que interessará “apenas” ganhar? O professor Manuel Sérgio tem uma frase interessante acerca desta temática: “Ninguém vale porque sabe, vale porque ganha!”. No presente, esta de facto, será a filosofia, mas quando avançamos no tempo, começamos a perceber que quem “sabia” e implementava essa sabedoria como maneira para atingir a vitória, mesmo não ganhando sempre, terá o reconhecimento e admiração dos amantes do jogo.

Neste particular, destacam-se aqueles que, pela criatividade, inteligência, pela absorção de conhecimento dos seus antecessores e pela adaptação ao evoluir do jogo, conseguem adquirir competências diferentes dos restantes, que lhes permite criar uma ideia de jogo diferenciadora e inovadora.

Nomes como Rinus Michels, Helenio Herrera, Arrigo Sacchi, Bélla Gutman, Bilardo, Menotti, Alex Ferguson, Johan Cruyff, Aragonés e, mais recentemente, Marcelo Bielsa, Guardiola, Mourinho, Sarri ou Klopp, são exemplos de treinadores com ideias revolucionárias, que singraram com vitórias, mas principalmente na construção de uma identidade única.

As duas maiores provas que podem definir a qualidade de um treinador são: os seus jogadores elogiarem os seus métodos de trabalho ou, então, as pessoas, ao verem um jogo e não sabendo os protagonistas de uma equipa nem o nome da mesma, conseguirem identificar o treinador que a comanda.

Quality without results is pointless. Results without quality is boring”- Cruyff

Um dos treinadores mais influentes das últimas décadas é Marcelo Bielsa. Comandando o Leeds United FC, Bielsa joga num esquema de 4-2-3-1 (altamente mutável de acordo com cada fase do jogo) e com dinâmicas que serão posteriormente mencionadas. Agora parece ter um “discípulo” com enorme potencial para singrar. Chama-se Gabriel Heinze e foi nesta última época (campeonato argentino acabou há sensivelmente um mês) o grande destaque da Liga Argentina, levando o CA Vélez Sarsfield ao terceiro lugar. O anterior defesa central que teve passagem pelo Sporting CP tem tido enorme sucesso no seu país natal. Chegou ao comando técnico do Vélez Sarsfield na época de 2018, quando a equipa se encontrava em risco de descida de divisão, acabando esse ano no décimo sexto lugar (campeonato argentino conta com 24 equipas). No segundo ano, realizou uma temporada muito positiva, discutindo a entrada para a Libertadores e acabando em 6.º lugar.

As semelhanças entre Bielsa e Heinze são imensas, mas não poderão ser deixadas de parte nuances do seu jogo, com base em ideais do Futebol Total de Michels e Cruyff, do pressing de Sacchi e do ataque posicional de Guardiola.

Esta comparação com Bielsa é insistentemente falada na Argentina. Quando questionado acerca da mesma, Heinze não esconde a sua admiração pelo atual treinador do Leeds United, considerando-o o melhor e referindo que “Marcelo está um passo gigante à frente de todos os outros”.

José Antonio Camacho | O primeiro do Renascimento

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Muito em voga, os treinadores frontais da nova era continuam sem conseguir reunir em si a integridade de outros tempos, onde a impulsividade não era desculpada com o feitio. A frontalidade e a fúria justa de José Antonio Camacho eram mais que rótulos bacocos: aglomerava o carácter e alma dos grandes, humildade de braço dado com uma dignidade sem paralelo.

No final de 2002, era precisamente de alguém assim que o SL Benfica precisava. Ele estava livre, depois das polémicas na Coreia e Japão, onde a Roja se viu vergada a uma Coreia do Sul impune e apoiada de forma descarada nos bastidores. “As minhas equipas serão sempre como eu: honradas, disciplinadas, sérias e trabalhadoras”, afirmou em princípio de carreira nos bancos, postura vincada e demonstrada no ano e meio que experienciou o Estádio da Luz.

O chamamento do clube do coração catrapiscou-o e permitiu a entrada de Trapattoni, que aproveitou as bases por si criadas para ser campeão. Voltou como D. Sebastião em 2007, mas a velha máxima de que nunca se deve voltar a um lugar onde se foi feliz prevaleceu. O clube estava de pantanas e ele nunca tolerou desorganização e interesses cruzados.

Aquele 24 de Novembro foi farrusco. A chuva que inundava a Luz não ajudava ao futebol pobre da equipa naquela terceira eliminatória da Taça. A depressão era tanta que há quem diga que os adeptos do Gondomar SC estavam em maioria. Eufóricos ficaram com o golaço de Cílio aos 10 minutos: o 0-1 manteve-se até final, fruto da impotência dos titulares e da inépcia de Jesualdo Ferreira, que viria a ser despedido ainda nesse dia.

A Chalana pediram para tomar conta enquanto se ultimavam pormenores em relação ao contrato com o novo técnico – bastou ao Pequeno Genial um jogo para descobrir em Miguel um lateral-direito de estirpe internacional, numa vitória caseira frente ao SC Braga.

Na segunda semana ao comando da equipa, José Antonio prepara-se para realizar o último derby no velhinho Alvalade. Uma exibição contundente permitiu aos encarnados uma vitória clara por 2-0, jogo que servia de premonição do que aí viria: com Camacho, o Benfica estaria sempre mais próximo de ganhar pela sua atitude.

No descalabro da demolição da antiga Luz e da necessidade de andar com a casa às costas, o treinador espanhol foi sempre o farol de competência que permitiu cumprir os objectivos e manter o clube nos mínimos olímpicos. O segundo lugar final de 2002-03 permitiu uma classificação uefeira que já não se via desde 1999-00, marcando o ínicio da retoma do clube e do seu prestígio.

Sempre com “muchas ganas” no banco, uma postura que os adeptos sempre relacionaram com a raça benfiquista, ganhando assim o respeito de todos
Fonte: FIFA

A consolidação da espinha dorsal daquele plantel – Moreira, Ricardo Rocha, Petit, Tiago, Geovanni, Simão e Nuno Gomes, à qual se juntou Luisão depois – foi tarefa que levou a cabo com muita dedicação e trabalho, dotando o clube de uma nova identidade que se manteria até finais da década e que permitiu os sucessos seguintes.

Se não chegou para ultrapassar a SS Lazio, na pré-eliminatória da Champions, permitiu uma caminhada digna na Taça UEFA, só bajulando aos pés do Inter de Milão nos oitavos-de-final. A equipa cumpria em solo nacional, conquistando a Taça de Portugal nesse ano e só não almejando mais dada a concorrência do FC Porto de José Mourinho.

A capacidade de trabalho com a qual José António dotou a equipa permitiram a conquista de classificações importantes em termos pontuais: 75 e 74 pontos (respetivamente) que o clube não almejava desde 1995-96 e que permitiriam conquistar o título em 2001-02, 2004-05, 2006-07, 2007-08 e 2008-09, a título de exemplo.

Com todas as dificuldades inerentes à mudança de Estádio e à desorganização total da estrutura, o treinador espanhol teve ainda que lidar com um assunto ultra-sensível como a morte de Miklos Fehér, naquela noite fria de Janeiro em Guimarães.

Teve que ser ele, enquanto líder inquestionável e, a partir daí, figura paternal de todo o staff e jogadores, a entregar a mensagem a todos, na viagem de autocarro de regresso a Lisboa. No meio de toda a tristeza, conseguiu manter a honra e terminar a época de forma positiva, onde abundaram as demonstrações de afecto e união de todos.

O segundo lugar final, ganho em cima da meta frente ao Sporting CP de Fernando Santos já no novo Alvalade, foi a definitiva prova de superação de um grupo atingido pela tragédia. O futebol, sendo a coisa mais importante das menos importantes, serviu como catarse da tristeza profunda sentida no seio do grupo.

Como sempre, Camacho arregaçou as mangas, determinou todas as vitórias como homenagem a Miklos e puxou pelo brio dos colegas. Só com um plantel psicologicamente blindado e unido como nunca seria possível a vitória no Jamor frente a Mourinho, duas semanas antes de Gelsenkirchen e da conquista portista da Liga dos Campeões.

A competência e o estrondoso trabalho cumprido chamaram a atenção do seu clube de sempre. De Chamartín, depois de despedirem Carlos Queiroz, veio o chamamento do coração e ele optou, como todos o faríamos. Por cá ficaram as bases que alavancaram o clube rumo ao título nacional do ano seguinte e das campanhas europeias precedentes.

Trappatoni pegou no seu onze titular organizado em 4-2-3-1, deu-lhe a manha que só a experiência das principais ligas entrega e o espírito campeoníssimo da Velha Raposa, o que permitiu a feliz conjugação de contextos nos três grandes para o triunfo final, 11 anos depois.

Em termos estatísticos, foi o pior campeão de sempre: seis empates e sete derrotas. Caricato, mas a recompensa tardia de um enorme trabalho feito. José António Camacho, como Simão, foram as figuras do rejuvenescimento do Benfica.

A amizade que o ligava a Luís Filipe Vieira serviu como bóia de salvação para o descuidado planeamento de 2007-08. Não resultou. Demitiu-se e, à saída, nos idos de Março, alegou não ter mais poder na motivação da equipa. Não quis descortinar outros motivos para a debandada. Mas, percebeu-se sempre que conflitos internos se sobrepunham aos seus valores e, assim, fez mais uma vez jus de uma das suas máximas: «Quando não me sinto bem no sítio onde estou, mudo-me».

Artigo revisto por Diogo Teixeira

BnR TV: Fernando Mendes e o arrependimento por ter assinado pelo SL Benfica

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Bola na Rede TV com o antigo jogador Fernando Mendes em exclusivo. Junta-te a nós para ajudares na análise ao evento! Tens tudo nesta emissão em direto deste BnR TV.

Com Mário Cagica Oliveira, Miguel Ferreira de Araújo e Fernando Mendes.

Podes subscrever o nosso canal no Youtube através do seguinte endereço ➡️ https://www.youtube.com/c/bolanaredetv

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Os 10 piores jogadores da década do Sporting CP

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A quarentena podia estar a ser pior, confesso. Para hoje vamos apresentar os piores jogadores da década do Sporting CP. As expectativas quanto a uma possível diversão foram, durante os primeiros tempos, diminutas – repare-se nesta palavra – e o estado de parafuso parecia querer irromper antes do clique. Porém, este período, que mescla um descanso inconsciente e uma irrefutável aptidão para realizar tarefas nunca antes equacionadas, tem servido para explorar as fraquezas que se situam no âmago de cada desportista acérrimo defensor das suas cores e moldá-las ao riso, ao reavivar de algo caricato. Exatamente! Acertou! As linhas que se avizinham retratam os piores jogadores do Sporting, os maiores flops da década o pergaminho distende-se até Faro e estou a meio da leitura…

Simbologias como “prata da casa” ou “em casa sai mais barato” arrecadam um significado acrescido quando nos referimos ao Sporting Clube de Portugal, campeão permanente e irremediável. Que o diga o Google porque, aquando da digitalização das primeiras palavras, completou a frase num ápice. As pesquisas deviam ser todas assim, eficazes e objetivas, mas a minha queixa não passa por aí. O meu parecer recai sobre a generosidade que o vocábulo emprega: sei lá, remete para algo positivo, é um nome carinhoso e terno. “O Spéhar é o meu flop preferido”! (muito amigável para o que aqui se trata, quando o objetivo é precisamente o contrário).

A lista é interminável e a seleção foi dificultada pelas (ausência de) qualidades que cada um adquire. E, de 2010 até à data, muita trampa se abeirou do clube. Nauseabundos, limitadíssimos e nem no “Carcavelinhos tinham lugar”. Apodere-se das pipocas!

Top 10 piores jogadores da década do Sporting CP

 

Recordar é viver: AD Valongo campeão nacional de Hóquei em Patins

O desporto faz-se de histórias. Umas mais previsíveis que outras, é certo, mas são as que ninguém espera que se perpetuam mais tempo na memória. Hoje, recordamos a época 2013/2014 da I Divisão de Hóquei em Patins, que foi com certeza uma das mais emocionantes da história da competição, e contou com um campeão inesperado aos olhos de muitos.

Na temporada transata, a AD Valongo terminava o campeonato em quarto lugar, mas com um plantel recheado de talento. Com mais algum investimento, a formação de um dos concelhos do Porto pensava atacar os lugares cimeiros. Nas suas fileiras, os valonguenses contavam com Ângelo Girão na baliza e os jovens Telmo Pinto, Henrique Magalhães e Rafa a despontar ao mais alto nível.

A história de Cinderela começou com 13 vitórias em outros tantos jogos, apenas parados pela UD Oliveirense à 14.ª jornada. Depois de uma boa sequência de resultados, alguns tropeções levaram ao aproximar dos ditos “tubarões”, o FC Porto e o SL Benfica, que começaram a tornar a tarefa um pouco mais complicada.

Em 2013/14, foi um ano de sonho para a AD Valongo, que contava no seu plantel com muitos jovens talentos
Fonte: AD Valongo

As últimas cinco jornadas foram de deixar o coração nas mãos aos adeptos das três equipas. Empatados na tabela classificativa, todos esperavam um resultado negativo para ficarem mais perto do título. Os primeiros foram os encarnados, que perderam frente aos dragões, deixando os clubes portuenses na linha da frente para o título.

A um jogo de definir o campeão, um estrondo caiu na cidade de Valongo. Na deslocação ao pavilhão da Luz, os valonguenses saíram com uma derrota por 12 bolas a zero. De repente, o título parecia encaminhado para o FC Porto, que partia para o derradeiro encontro com três pontos de avanço para o segundo e o terceiro classificado.

O Pavilhão Municipal de Valongo encheu-se com a esperança de uma cidade em conquistar o primeiro grande título do clube. Só a vitória servia para tornar o sonho uma realidade, e tudo correu de feição para os pupilos de Paulo Pereira. O triunfo por 5-3 frente aos dragões colocou a cidade portuense em ebulição.

É, sem dúvida, uma das páginas mais bonitas do hóquei em patins português. Escrito com os patins e sticks, os valonguenses ficaram para sempre ligados a um feito que os amantes da modalidade não vão esquecer tão cedo.

Foto de capa: AD Valongo

Artigo revisto por Diogo Teixeira

Universo Paralelo: Cabeçada de Roberto traz Champions à Cidade Berço

Se em maio de 2006 o Vitória Sport Clube caiu para o “inferno” da Segunda Liga, o final de agosto de 2008 podia levar o conjunto vitoriano até ao “paraíso” da Champions. Depois de ter feito um brilharete na época 2007/2008 ao terminar o campeonato em terceiro lugar, que lhe permitiu jogar a terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões, os comandados de Manuel Cajuda estavam a 90 minutos de escrever mais uma bonita página no Futebol Português. A missão era complicada à partida, mas a fé e crença vimaranense na passagem histórica à fase de grupos faria toda a diferença em FC Basileia.

Após o nulo na primeira mão no D. Afonso Henriques, o Vitória tinha forçosamente de marcar para pelo menos ter a vantagem dos golos fora no final da eliminatória contra os suíços. O treinador português era o porta-voz do otimismo e confiança de que no final do encontro seriam os visitantes a celebrar a ida à prova milionária, embora houvesse alguma contenção devido ao adversário mais habituado a estas andanças e que ia certamente entrar forte no encontro para resolver o mais rápido possível a eliminatória.

Apito inicial e a previsão de Manuel Cajuda confirma-se: depois de duas ameaças reais à baliza de Nilson, a entrada decidida do FC Basileia tem a recompensa desejada ao minuto 11 com Valentin Stocker a fazer o 1-0 após cruzamento de Derdiyok em que Ergic remata de pronto e a bola vai ter aos pés do médio suíço que bate o guardião brasileiro sem grandes dificuldades.

O técnico Manuel Cajuda iria levar pela primeira vez a formação vitoriana à Liga dos Campeões
Fonte: UEFA

O duro golpe inicial não teve consequências graves, já que o Vitória Sport Clube iria mesmo chegar ao empate dois minutos depois do golo sofrido. O defesa Marque faz falta sobre Marquinho dentro da área e o árbitro assinala de pronto o castigo máximo a favor da equipa portuguesa. Chamado para colocar tudo empatado de novo, Fajardo teve a frieza necessária para fazer o golo que dava agora a vantagem na eliminatória ao Vitória para delírio dos dois mil adeptos que foram desde a Cidade Berço até ao St. Jakob-Park apoiar os seus jogadores.

O campeão helvético via-se agora obrigado a marcar para saltar para a frente da eliminatória, e foi de novo para cima do seu adversário e dispôs de um par de ocasiões para fazer o 2-1, mas a defesa vitoriana estava bastante concentrada e esse tal golo ambicionado pelo Basileia não surgiria até ao final da primeira parte. Faltavam 45 minutos para o Vitória Sport Clube chegar ao ‘paraíso milionário’.

O reinício do encontro podia ter sido maravilhoso para os Conquistadores, já que aos 49’ Marquinho ficou a milímetros de bater novamente Costanzo. O Basileia foi mais assertivo e voltou para a frente do marcador: minuto 54, Stocker desmarca Derdiyok e o número 31 dos suíços atira a contar, num remate em que Nilson nada podia fazer para impedir o golo. Novamente em desvantagem, a formação de Guimarães tinha de correr atrás do prejuízo, mais uma vez.

Na procura do golo que valesse o empate e apuramento, Manuel Cajuda lançou em campo os reforços Jean Coral e Roberto para ter mais opções na frente de ataque, e o último seria mesmo o “talismã”. A serem fortemente pressionados pelos adversários, os defesas do Basileia iam tapando bem os caminhos para a sua baliza, mas o minuto 86 iria ser mesmo mágico para o Vitória Sport Clube.

O lateral Luciano Amaral arranca pelo lado esquerdo, ultrapassa facilmente o opositor e cruza para a área, onde surge Roberto desmarcado que cabeceia para dentro e faz o 2-2, soltando a euforia entre os adeptos portugueses. Tudo empatado e os minutos finais exigiriam nervos de aço para confirmar mais um marco histórico na vida do clube que tem D. Afonso Henriques no seu emblema.

Christian Gross ainda iria esgotar as substituições com a entrada do chileno Eduardo Rubio para tentar chegar ao 3-2 que acabou por não acontecer para enorme felicidade dos vitorianos. Apito final e estava feita história na Suíça: pela primeira vez nos seus 86 anos de existência, o Vitória SC ia jogar a Liga dos Campeões, tornando-se assim a quinta equipa portuguesa a participar na principal competição de clubes do Futebol Europeu.

Fase de Grupos exigente

Colocado no pote quatro, não se antevia um grupo simpático para o clube vimaranense, mas a missão na Liga dos Campeões passava muito por aproveitar a oportunidade de jogar contra os “tubarões” europeus e, quem sabe, tentar fazer uma “gracinha” na prova milionária. De facto, o sorteio não foi nada meigo para o estreante luso: Liverpool FC, AS Roma e Olympique Marseille eram os adversários que o Vitória teria de enfrentar no grupo C.

A noite do dia 16 de setembro de 2009 foi especial em Guimarães: a equipa italiana visitava o estádio D. Afonso Henriques para apadrinhar a estreia vitoriana na Champions. Liderados pelo icónico Francesco Totti, os romanos eram claros favoritos a começar a edição 2008/2009 com um triunfo. Contudo, o tento solitário de Yves Desmarets contrariou as probabilidades antes do apito inicial e confirmou um começo de sonho para os “Conquistadores”.

A segunda jornada ditou a visita ao mítico Anfield Road para defrontar o conjunto de Rafael Benítez. Com uma atmosfera digna de noite europeia, o Vitória sucumbiria ao bis de Fernando ‘El Niño’ Torres, mas deu luta a Gerrard e companhia durante grande parte do encontro, o que valeu um forte aplauso por parte dos fiéis adeptos dos Reds no final da partida que reconheceram a bravura da equipa portuguesa ao jogar sem pôr o ‘autocarro’ à frente da baliza.

Desmarets e Roberto foram dois elementos importantes na caminhada ‘milionária’ do Vitória SC
Fonte: Vitória SC

O duplo confronto com o Marseille era fulcral para as aspirações vimaranenses na Liga milionária. Em casa, Roberto voltaria a ser importante ao marcar os dois golos que deram o segundo triunfo e a esperança em passar aos oitavos mantinha-se intacta. No Vélodrome, Djibril Cissé ainda deu a vantagem aos franceses aos 29’, porém um livre direto batido com enorme classe por Nuno Assis ao cair do pano obrigou à divisão de pontos e, com isso, a ida à Taça UEFA já era um dado adquirido independentemente do que acontecesse na viagem à capital italiana na jornada seguinte.

A formação lusa entrou para a penúltima jornada da fase de grupos com um ponto a mais que os italianos, pelo que uma nova vitória sobre a Roma dava automaticamente a passagem inédita à fase a eliminar. Numa partida bastante equilibrada, foi o ‘samba’ dos pés do médio Júlio Baptista que fez toda a diferença ao marcar o único golo que ditou a derrota dos vitorianos e consequente ultrapassagem na classificação.

As contas na última ronda eram simples: o Marseille tinha de vencer a Roma e o Vitória ganhar ao já apurado Liverpool para ainda ser possível garantir o segundo lugar do grupo C. Cientes da importância do apoio para empurrar a equipa para a vitória, os adeptos vimaranenses lotaram as bancadas do D. Afonso Henriques, criando assim um excelente ambiente. Os ingleses não temeram o “inferno branco” e foram implacáveis nos 90 minutos: Dirk Kuyt, Javier Mascherano e Fernando Torres foram os autores dos golos do triunfo sem margem de contestação que atirou o Vitória SC para a Taça UEFA, onde iria até aos oitavos, sendo eliminado depois pelo vencedor da edição dessa época, o FC Shakhtar Donetsk.

Artigo revisto por Diogo Teixeira

BnR TV: O futuro dos campeonatos nacionais

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