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Olheiro BnR: Du’Plessis Kirifi

Du’Plessis. Um nome que nos remete para o antigo capitão Springbok Morné du Plessis. Este último é, precisamente, a razão que levou Jack Kirifi, ex-jogador do Auckland Ponsoby Rugby Club, a chamar ao filho Du’Plessis, que, aos 23 anos, se vai exibindo a um excelente nível pelos Hurricanes.

Depois de ter praticado Futebol, Du’Plessis descobriu a sua paixão pelo desporto nacional neozelandês, o Rugby. Começou por representar a sua escola (Francis Douglas Memorial College), onde, no início, era médio de formação, mas rapidamente percebeu que a sua habilidade era a disputa de bola no breakdown. Como tal, passou a atuar na posição de flanqueador, lugar no qual se mantém até hoje.

Tornou-se capitão e acabou por se mudar para outra região da Nova Zelândia, mais precisamente, Waikato. Vestiu a camisola dos sub-19 do Waikato em 2016, equipa que também capitaneou e pela qual ganhou o Jock Hobbs Memorial National Title, e dos Chiefs, em 2017, participando nos jogos do plantel de desenvolvimento (o equivalente à equipa “B”).

A mudança não se revelou fácil para o jogador natural de New Plymouth. Afastou-se da família e sentiu muitas dificuldades em adaptar-se à nova realidade. Passou por um período de depressão e ansiedade, tendo, esta fase, culminado no consumo de álcool.

Conseguiu ultrapassar o seu problema psíquico e seguiu-se o Wellington, clube que disputa o campeonato nacional, a Mitre 10 Cup. Mais uma vez, assumiu o papel de capitão e, na época passada, chegou à final da competição, que acabou por perder frente ao Tasman Rugby. Apesar da sua tenra idade, mostrou-se um jogador muito preparado e completo, conseguindo, assim, captar a atenção de uma franquia do Super Rugby (competição de topo, a nível de clubes, no hemisfério sul), neste caso, os Hurricanes.

Du’Plessis Kirifi está em grande forma ao serviço dos Hurricanes
Fonte: Super Rugby/The Rugby Championship

Em fevereiro do ano transato, estreou-se na deslocação a Sidney, em que os Canes acabariam por vencer a equipa local, os Waratahs, por 20-19, num jogo que ficou decidido com um ensaio de Kirifi. Desde então tem sido aposta frequente de Jason Holland. Esta época, em seis jogos realizados, foi titular em cinco.

Du’Plessis é um típico jogador do Pacífico. Em termos defensivos, destaca-se por ser um placador exímio (está na 12.ª posição no que diz respeito ao número de placagens realizadas com um total de 64, em seis jogos) e por ser muito rápido sobre a bola no breakdown. A sua forte posição corporal no ataque à bola no jogo no chão faz, deste último, um grande recuperador de bolas, totalizando oito turnovers em seis partidas. É o sexto atleta com mais recuperações de bola na competição. Kirifi é, também, o terceiro jogador com mais penalidades forçadas, somando quatro.

No que toca ao aspeto ofensivo, é muito forte a transportar a bola e agressivo no ataque à linha da vantagem. Na presente temporada, já quebrou a linha por duas vezes e bateu seis defensores. Soma, ainda, um total de 164 metros percorridos com a bola nas mãos.

Com a lesão de Ardie Savea, Kirifi tem assumido o lugar de flanqueador do lado aberto nos Hurricanes, realizando exibições de grande qualidade, que lhe poderão valer uma convocatória para os All Blacks, agora treinados por Ian Foster.

Foto de Capa: Hurricanes

 

Artigo revisto por Joana Mendes

O melhor 11 da Liga Inglesa 2019/2020

A Liga Inglesa está, atualmente, parada, tal como os principais campeonatos europeus, devido ao Covid-19 e ainda não há data definida para o seu regresso, nem certezas se vai acontecer. A federação inglesa é uma das mais confiantes para voltar rapidamente à competição e está em hipótese a realização de jogos à porta fechada para que a época termine mais cedo, caso contrário, os encontros terão de ser agendados durante o verão, ou então o campeonato será cancelado.

O presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, assegurou que o Liverpool FC será campeão de qualquer das formas, visto que, em condições normais, não haveria outro desfecho senão a conquista dos reds. Garantiu que iriam arranjar solução para que o título lhes fosse entregue.

No fundo, a situação atual é toda muito incerta e não é possível tomar já decisões relativamente à calendarização das restantes partidas. O mais certo seria o Liverpool voltar a ser campeão 30 anos depois, pois restavam apenas quatro vitórias para a tão ansiosa celebração, que poderia ser em casa do Manchester City FC.

O Leicester foi uma das surpresas do campeonato, disputando a segunda posição juntamente com os citizens. A luta pelo quarto lugar está igualmente intensa, com o Manchester United a morder os calcanhares ao Chelsea FC, seguido do Wolverhampton Wanderers FC e da grande surpresa do campeonato, o Sheffield United FC, com uma partida em falta, que em caso de vitória assegurava o quinto lugar da tabela classificativa.

O Tottenham HFC, de José Mourinho, encontra-se na oitava posição. As equipas em vias de descer de divisão são o FC Bournemouth, o Aston Villa FC  e o Norwich FC.

Tem sido uma época de grande nível nesta competição, embora a luta pelo título estivesse terminada bem antes do normal. No entanto, existem mais rivalidades e “outros campeonatos” nesta classificação que têm enchido as medidas.

Veja nas páginas seguintes a escolha do Bola na Rede para o melhor onze da edição 2019/2020 da Liga Inglesa até ao momento, com presença forte de jogadores dos reds, justificada pela época brilhante realizada, com possibilidades de bater o recorde de pontos da história do país.

O Passado Também Chuta | Pedro Barbosa

Pedro Barbosa marcou a história recente do Sporting Clube de Portugal, vestindo de verde e branco durante uma década. O número 8 foi capitão de equipa, liderando o clube na conquista de dois campeonatos.

O craque português iniciou o seu trajeto no futebol ao serviço do CA Rio Tinto e, posteriormente, nos escalões de formação do FC Porto. Na temporada 89/90 rumou ao SC Freamunde, onde esteve duas temporadas, sendo este o seu primeiro clube ao nível sénior. O SC Freamunde militava no segundo escalão do futebol português e durante duas épocas o médio criativo somou 60 jogos e 14 golos marcados.

As boas exibições de Pedro Barbosa no SC Freamunde valeram-lhe o salto para o Vitória SC. Na cidade berço foi onde começou a dar nas vistas, contabilizando 118 jogos e 22 golos apontados. Durante quatro épocas, estabeleceu-se como titular indiscutível nos vitorianos, o que o levou a tornar-se internacional pela equipa das “quinas”. Foi então que, no verão de 1995, se transferiu para o Sporting Clube de Portugal.

Na sua primeira época em Alvalade, Pedro Barbosa conquistou o seu espaço, sendo utilizado com regularidade. Nessa sua primeira temporada nos leões, Barbosa venceu o primeiro troféu, a Supertaça na finalíssima disputada em Paris, no Parc des Princes, vitória por 3-0, com golos de Sá Pinto e Carlos Xavier.

Nos anos que se seguiram foi assumindo um papel cada vez mais importante na equipa até se tornar o capitão leonino. Barbosa jogou de leão ao peito por dez temporadas, totalizando 342 jogos e 54 golos.

A história de Pedro Barbosa no Sporting fez-se de vitórias e títulos. Na temporada 99/00, o Sporting conquistava o campeonato, 18 anos depois, sob a liderança de Augusto Inácio. Pedro Barbosa era um dos jogadores mais utilizados, dando o seu contributo com três golos em 39 partidas. Um coletivo com muitos craques, como Peter Schmeichel, Beto, André Cruz, Acosta, entre outros. Na temporada seguinte, venceu mais uma vez a Supertaça, derrotando o FC Porto por 1-0, com Acosta a dar a vitória aos leões.

Na época 2001/2002, o Sporting era orientado por Laszlo Bölöni e contava ainda com um reforço preponderante: Mário Jardel, que apontou 42 golos nessa temporada. Pedro Barbosa voltaria a ser preponderante, a par de João Pinto, Ricardo Quaresma, Niculae, entre outros. A época terminou com a conquista da “Dobradinha”, quando o Sporting venceu o Leixões por 1-0, no Estádio do Jamor.

Pedro Barbosa ao final de uma década de leão ao peito ajudou ainda o Sporting a chegar a uma final europeia. Na sua última época da carreira, aos 34 anos, retirou-se dos relvados, na final da Taça UEFA. Uma campanha europeia, onde os leões brilharam depois de eliminar o Newcastle FC, o AZ Alkmaar, entre outros.

O número 8 leonino ficará para sempre na memória dos sportinguistas pela sua qualidade técnica, a visão de jogo, a forte meia distância e a capacidade de liderança. A história de Pedro Barbosa no Sporting escreveu-se com golos, assistências, vitórias e títulos – dois campeonatos, uma Taça de Portugal e três Supertaças.

Fonte: Sporting CP

 

Artigo revisto por Joana Mendes

10 histórias do Futebol português que davam uma série da Netflix

O futebol português está apetrechado de momentos que marcaram de forma positiva e/ou negativa os adeptos que o ocupam neste ‘cantinho à beira-mar plantado’, e que podiam perfeitamente ser adaptados para conteúdos da famosa plataforma norte-americana Netflix.

Assim sendo, e tendo em conta o enorme sucesso das séries “The English Game” e “Sunderland ‘Til I Die, decidi escolher dez marcos do futebol português que seriam fortes candidatos a ser um conteúdo da plataforma, seja como documentário ou série, embora tenha a noção de que outras histórias também poderiam constar perfeitamente nesta lista.

Beunardeau, o primeiro a sair

Os alarmes começam a entoar pela liga e os mais vulneráveis serão aqueles que mais vão sofrer, a calamidade causada pelo covid-19 obriga a uma longa paragem em todas as atividades futebolísticas. Sem atividade não há rendimentos. Sem rendimentos não se consegue pagar aos atletas. O descontentamento daqueles que há muito não eram renumerados aumenta, o caso mais flagrante da nossa realidade é o CD Aves que não paga salários desde o início do ano corrente.

Aquilo que parecia uma questão de tempo, aconteceu, a situação insustentável dos salários em atraso, juntando à escassez de recursos nesta situação que nos afeta a todos, levou a que Quentin Beunardeau, dono da baliza avense, rescindisse o contrato. Este poderá ser a ponta do rastilho necessária para que vários colegas façam o mesmo.

O caso é inadmissível, tanto por ser um clube da Primeira Liga que tenta fugir à, quase certa, despromoção, como ver a falta de respostas dadas pela Liga de clubes e Federação. É lamentável ainda haver jogadores no principal escalão português nesta situação.

Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

No comunicado aos adeptos, o francês revela que a grande instabilidade na SAD é um dos principais problemas do clube, o que leva a que funcionários e jogadores não consigam receber as compensações prometidas nos contratos assinados.

Os seus representantes do jogador explicam este descontentamento como um acumular de situações e promessas não cumpridas pela direção.

Na realidade, vários clubes vão passar por dificuldades, é inevitável, a pandemia causou a paragem dos eventos o que leva ao surgimento de casos como este com alguma “regularidade”, principalmente em clubes mais deficitários de liquidez, que, ainda para piorar a situação, sofrem de uma escandalosa gestão financeira.

Para o guardião de 26 anos, o futuro é incerto. Não deverá sentir dificuldade para encontrar um novo clube, devido às suas capacidades, contudo o regresso de Beunardeau aos relvados não deverá acontecer esta época, tanto pela incerteza do seu regresso, como o pequeno espaço para novas contratações dos clubes.

A crise vai afetar todos, pequenos e grandes, a nós, adeptos, compete continuar a apoiar os nossos clubes, da maneira possível, e esperar que, após esta fase, os danos sejam mínimos e os clubes mantenham a mesma força já mostrada.

 

Artigo revisto por Joana Mendes

Negócio ibérico: Sai Diogo Leite e entra Uros Racic?

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Na última semana, apareceu o rumor, tanto em Portugal como em Espanha, que o Valência CF está fortemente interessado em Diogo Leite e decidido a levá-lo para terras espanholas. O jovem defesa é visto como uma promessa no seio do FC Porto, estatuto que já lhe permite ter o seu lugar no plantel consolidado, porém não tem tido os minutos de jogo que um futebolista em início de carreira pretende para mostrar o seu valor e afirmação. Por sua vez, os responsáveis do emblema “ché” vêem no internacional português sub-21, não só uma aposta de futuro, mas sim uma certeza do presente, o que passará por uma aposta forte no atleta, que poderá ver na equipa valenciana um bom porto de partida para ter um outro ritmo competitivo.

Os moldes do negócio ainda não estão bem definidos, uma vez que já se noticiaram várias formas da transferência se concretizar. Contudo, o defesa central deve propiciar um bom encaixe aos cofres azuis e brancos, dado que o FC Porto precisa de fazer 100 milhões de euros em mais valias para cumprir o fair-play financeiro da UEFA. Consequentemente, fala-se numa mudança avaliada em 20 milhões de euros, que terá o patrocínio do super agente Jorge Mendes, que é quem representa o jogador e também mantém relações privilegiadas com a formação do país vizinho. Por outro lado, há ainda mais clubes interessados em ingressar Diogo Leite nas suas fileiras, como é o caso do Sevilha FC  e do Borussia VfL 1900 Monchengladbach, que já esteve perto de o contratar.

Na última semana, apareceu o rumor, tanto em Portugal como em Espanha, que o Valência CF está fortemente interessado em Diogo Leite.
O jogador sérvio está na equipa-sensação da liga portuguesa a título de empréstimo sem opção de compra
Fonte: FC Famalicão

No entanto, o jornal “Superdeporte”, conhecido como sendo bastante credível relativo a noticias do Valência CF, veio noticiar o interesse do FC Porto em Uros Racic, futebolista sérvio, que está emprestado ao FC Famalicão e que tem sido um elemento fundamental para a boa campanha que os famalicenses estão a realizar. Desta forma, a ideia dos dirigentes espanhóis passa por jogar com esse interesse, de modo a baixar as exigências monetárias pedidas pelos seus homólogos portugueses, que como se sabe são sempre altas.

Racic é um centro-campista com uma boa envergadura física associada a uma boa técnica e a um bom timing de pressão, caraterísticas que são do agrado do corpo técnico do FC Porto e que por isso o estão a acompanhar de perto. Mas há que salientar, que não é apenas o atual líder da primeira liga que o está a seguir, uma vez que já foi apontado como estando na lista de vários participantes da Premier League, assim como também nas redes de observação do SL Benfica e Sporting CP.

Apesar de estarmos numa época de indefinição, os bastidores do futebol continuam a funcionar e várias equipas já estão a preparar o planeamento da próxima temporada. Assim, um dos nomes que promete aquecer as hostes do Dragão é o do Diogo Leite, que justifica uma lista alargada de interessados pela sua margem de progressão altíssima, que faz com que seja um dos jogadores a estar atentos nos próximos anos, na sua posição.

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Entrelinhas do Desporto: O que “o Caso Sun Yang” nos diz sobre a justiça no Desporto

O Caso Sun Yang, em que o campeão olímpico chinês foi condenado pelo Tribunal Arbitral do Desporto (CAS) a oito anos de suspensão após recurso da Agência Mundial Anti-Doping (WADA) à decisão inicial da Federação Internacional de Natação (FINA) de ilibar o atleta, já foi amplamente relatado aqui no Bola na Rede.

A recente publicação do acordão do caso Sun Yang é motivo para um último olhar sobre o caso e a forma como este nos permite retirar algumas conclusões (preocupantes) sobre o funcionamento da justiça desportiva. Falemos de dois dos problemas que daqui mais se evidenciam.

Prazos e admissibilidades

Num documento com 78 páginas é esclarecedor que cerca de um terço do mesmo se debruça sobre questões de admissibilidade do recurso apresentado pela WADA quanto à decisão da FINA. A principal questão prendeu-se com saber se havia sido respeitado o prazo para recurso e, nomeadamente, um modelo de contagem de prazos que até Franz Kafka teria dificuldade em inventar.

A questão da admissibilidade é um problema recorrente em muitos sistemas jurídicos que, pela sua complexidade, acabam por se deixar cair numa excessiva burocracia. Há semelhantes preocupações no desporto porque, apesar dos esforços de uniformização da WADA, há ainda muitas diferenças entre cada Federação Desportiva e cada Agência anti-Doping nacional.

Ainda há importantes debilidades nos poderes do CAS
Fonte: TAS-CAS

No entanto, haverá certamente melhores modelos para assegurar que os direitos e deveres do atleta são garantidos de forma simples e eficaz e é imperativo que se caminhe nesse sentido de harmonização e simplificação procedimental.

Testemunhas

Neste caso em análise, uma parte importante do contestado pelas partes estava relacionado com os eventos da noite de quatro para cinco de Setembro de 2018 e uma compreensão melhor pelo painel de arbitragem do que realmente ocorreu só era possível através da prova testemunhal. No entanto, o CAS está muito limitado quanto à sua capacidade de convocar testemunhas.

Desde logo, não pode obrigar ninguém a testemunhar, está sujeito a que estas aceitem e, em certos casos, a condições que estes possam impor para darem o seu testemunho. Por isso mesmo, uma que seria das testemunhas principais neste caso, o DCA, não foi ouvido pelo Tribunal e outra, a BCA, foi ouvida por videoconferência um dia anterior ao da audiência.

Adicionalmente, o procedimento que o CAS pode utilizar para recorrer aos tribunais comuns para forçar testemunhas a comparecer é bastante moroso e foi, neste caso, essa a justificação para não se recorrer a ele, uma vez que tanto a WADA como a FINA insistiam que a decisão fosse tomada antes dos Jogos Olímpicos de Tokyo 2020.

A partir do próximo ano, um novo Código WADA entrará em vigor. Muitas destas preocupações continuam por responder. Mas, acima de tudo, levanta também uma questão ética relacionada com este caso Sun Yang. Richard Young, advogado da WADA nesta disputa, é também o redator principal do novo código. Que garantias nos dá a legislação redigida pelo mesmo jurista que representa um dos lados em tribunal?

Foto de Capa: TAS-CAS

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O Passado Também Chuta: Quando o futebol italiano dominava o mundo (Parte II)

Depois de relembradas algumas das equipas míticas do futebol italiano nos seus anos dourados, é tempo de olhar para aquilo que ficou ainda por dizer.

Em 1997, o Inter de Milão investiu forte no mercado e montou uma equipa preparada para o sucesso. Ronaldo Nazário de Lima foi à data o jogador mais caro da história do futebol, depois do presidente do Barcelona ter revelado que o “Fenómeno” ia ficar no clube a carreira toda, após ter marcado 47 golos na sua primeira época nos “blaugrana”. Os nerazzurri desembolsaram 22 milhões de euros para garantir o passe do aclamado melhor avançado do mundo do momento.

No jogo de estreia do brasileiro foi outro reforço que brilhou. O Inter perdia 1-0 com o Brescia e o defesa Álvaro Recoba marcou dois golaços fora de área, que deram a vitória à equipa na primeira partida da temporada. Houve também outro jogador que se destacou nesse encontro, embora do lado dos visitantes, de seu nome Andrea Pirlo, que se mostrou ao mundo pela primeira vez. O resto não é preciso dizer…

A equipa de Milão procurava repetir as duas conquistas da Taça UEFA no início da década de 90, com o trio de alemães Matthaus, Klinsmann e Brehme. Além disso, queriam também vingar a derrota do ano anterior frente ao Schalke 04. Ronaldo foi crucial nessa conquista e carregou a equipa até à final. Nesse jogo, o adversário era a Lazio e o resultado final foi 3-0. Ronaldo, Zanetti e Zamorano foram os marcadores dos golos da partida.

A equipa contava ainda com mais figuras míticas como Diego Simeone, Djorkaeff, Zé Elias, Luigi Sartor, entre outros.

Fonte: Internazionale Milano

O “Fenómeno” marcou 34 vezes nessa primeira temporada, mas devido a problemas nos joelhos, fez apenas 25 tentos nas quatro épocas seguintes. Baggio também tinha vários problemas de lesões, o que o obrigou a sair do AC Milan e a relançar a carreira no Bologna, onde marcou 23 golos em 33 jogos. No ano seguinte, assinou pelo Inter de Milão, que se assumia como um dos grandes europeus.

Em 1999, o Internazionale voltou a quebrar o recorde da transferência mais cara, comprando Christian Vieri por cerca de 35 milhões de euros, avançado italiano que em nove épocas tinha atuado por nove clubes diferentes. O Inter de Milão acabou a década sem vencer nenhum “scudetto”, embora tenham sido anos repletos de títulos, à exceção do Calcio.

O Parma escreveu uma das histórias mais bonitas da história do futebol italiano. O clube de uma pequena cidade do norte de Itália permaneceu nos seis primeiros lugares do campeonato durante nove anos seguidos na década de 90 e tudo isto se sucedeu pouco tempo depois da subida à primeira divisão.

O guarda-redes brasileiro, Claudio Taffarel, foi a primeira estrela a chegar ao clube nesse momento e ficou pasmado por apenas um jogador ter alinhado na Serie A. Além disso, não existia centro de treinos e a equipa treinava num parque público. Apesar disso, sentia-se ali uma química especial entre os jogadores, os adeptos e a cidade, e as transferências foram ajudando para construir uma equipa vencedora.

Na segunda época nesta liga, a equipa conquistou a Coppa Italia. Em 1993 e 1995, o Parma arrecadou duas prestigiadas Taças UEFA, tendo em conta que na primeira jogaram sem a estrela do plantel, o colombiano Tino Asprilla, que falhou a final após lesão resultada num confronto com um condutor de um autocarro. Na segunda, o clube levou a melhor sobre a Juventus com um golo de Dino Baggio.

Fonte: UEFA Europe League

A vitória mais emblemática da “ducali” foi em 1998, com a conquista da terceira Taça UEFA da década e com uma equipa espantosa, devido à quantidade de craques concentrados num clube modesto, embora com muita história. Esse plantel, que venceu por 3-0 o Marselha na histórica final, tinha jogadores como Gianluigi Buffon, Fabio Cannavaro, Lilian Thuram, Dino Baggio, Diego Fuser, Juan Sebastián Verón, Hernán Crespo, Enrico Chiesa, Luigi Sartor e Tino Asprilla.

Fonte: SS Lazio

A Lazio é também um grande histórico do futebol italiano e parece estar a querer voltar ao topo atualmente. O campeonato de momento encontra-se parado, contudo, a Lazio prometia uma luta até ao fim para quebrar a hegemonia da Juventus. Se ainda houver jogos para disputar, a Lazio é séria candidata a vencer o “scudetto”.

Desde 1997 até 2001, o clube coletou sete títulos e ficou marcado por um esquema de jogo muito bem desenhado pelo técnico sueco, Sven-Goran Eriksson. O plantel era composto por alguns jogadores familiares e outros protagonistas de transferências milionárias nos anos seguintes. A equipa venceu a liga italiana em 1999/2000, a Recopa Europeia em 1998/1999, a Supertaça Europeia em 1999, a Taça de Itália em 1997/1998 e em 1999/2000, assim como duas Supertaças italianas, em 1998 e em 2000.

O objetivo da direção era conseguir um título reconhecido em 2000, por ser o ano do centenário do clube. A Lazio tinha dinheiro para investir e o Eriksson preparou estas épocas vencedoras a apostar bem no mercado. Contratou Roberto Mancini à Sampdoria, Almeyda, Pancaro e Boksic, juntando uma base já consolidada por Nesta, Negro e Favalli na defesa e por Pavel Nedved no meio-campo. De destacar que em 97/98 a equipa chegou à final da Taça UEFA e perdeu com o Inter de Milão.

Outros reforços chegaram, como Sinisa Mihajlovic, Dejan Stankovic, Fernando Couto, Marcelo Salas e Christian Vieri. O campeonato esteve perto em 1998/1999, mas a equipa perdeu a vantagem nos últimos jogos, ficando apenas a um ponto de vencer a tão ambicionada liga.

O objetivo deu-se por sucedido no ano seguinte, em 1999/2000, quando no centenário o clube não só venceu o campeonato, como a Taça de Itália e marcou uma era inesquecível dos Gli Azzurri.

A equipa contava ainda com Sérgio Conceição, que chegou a marcar um golo que garantiu a Supertaça de Itália em 1998, com Simone Inzaghi, o atual treinador da equipa, e com Hernán Crespo, além dos já referidos.

A Roma marcou aqueles que foram os últimos anos de domínio italiano no futebol europeu, quando venceu o título nacional em 2000/2001, 18 anos depois da última conquista. Os Giallorossi estavam a perder todo o prestígio para os eternos rivais da Lazio que estavam em grande plano e este título serviu para dar moral à equipa.

Fonte: AS Roma

Fabio Capello orientou a AS Roma ao triunfo do “scudetto” de forma incontestável e com um futebol bastante eficiente, comandados pelo patrão e eterno capitão, Francesco Totti. O plantel era memorável, com míticos jogadores como Walter Samuel, Cafú, Tomassi, Cristiano Zanetti, Marcos Assunção, Emerson, Totti, Batistuta e Montella.

Com o virar do século, a hegemonia italiana entrou em decadência, com exceção da vitória da Liga dos Campeões do AC Milan em 2002/2003 e, mais tarde, em 2006/2007. A única equipa italiana capaz de ganhar um troféu europeu foi o Inter de Milão de José Mourinho em 2009/2010.

As equipas espanholas passaram a ocupar o lugar dominante no que toca a futebol internacional e neste milénio venceram 17 troféus europeus contra apenas três dos italianos. As previsões apontam para a passagem do testemunho para o futebol inglês, depois das finais europeias da época passada terem sido entre quatro equipas inglesas (Liverpool-Tottenham e Chelsea-Arsenal).

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Play-offs | O Plano “P” de Pedro Proença

Quem haveria de dizer que algo deste género poderia mudar (quase) por completo as nossas vidas? Assim, sem prévio aviso (ou talvez não), vimo-nos privados de muitas das nossas habituais ‘monotonias’ diárias. E com elas, o nosso tão amado desporto-rei. Que saudades! Agora que o Futebol está parado, a ideia de fazer as dez jornadas que ainda faltam da Primeira Liga parece-me impossível de concretizar. Assim sendo, deixo-vos aqui o Plano P: o Plano de Pedro Proença para resolver o nosso Campeonato nos Play-Offs.

Na luta pela descida existirão duas meias-finais entre os quatro últimos da classificação. Estas terão duas mãos, e caso as equipas empatem em pontos e em Goal avarege, haverá um terceiro jogo que será disputado na casa da equipa melhor classificada aquando da paragem do Campeonato.

Pedro Proença apresentou a possibilidade de haver Play-Offs no que resta do campeonato
Fonte: FPF

Desta forma, teremos um CD Aves x CS Marítimo e um Portimonense SC x FC Paços de Ferreira na primeira mão das meias-finais. Depois haverá a segunda volta e caso necessário um terceiro jogo, na Madeira e em Paços de Ferreira. Por fim, existirá um jogo entre os vencedores para decidir quem fica em 14.º e 15.º Lugar e um para decidir quem desce para penúltimo e último lugar.

Na Luta pelo sétimo lugar, existirão oito equipas, num género de quartos de final, meias-finais e final. Assim, o sétimo classificado jogará com o 14.º, o oitavo com o 13.º, o nono com o 12.º e o 10.º com o 11.º. Teremos assim o FC Famalicão x CD Tondela, o Moreirense FC x Belenenses SAD, o Gil Vicente FC x Vitória FC e o CD Santa Clara x Boavista FC.

Estes jogos serão jogados a um só jogo, na casa dos melhores classificados, seguindo para as meias-finais os vencedores que jogarão a duas mãos, num sorteio aberto. E depois os vencedores jogarão num só jogo pelo sétimo lugar. Quem perder nas meias jogará pelo nono posto. As quatro equipas eliminadas nos ‘quartos de final’ farão o mesmo percurso, mas com vista ao 11.º lugar.

Na luta pela Europa e pelo terceito lugar do Campeonato, teremos os jogos: SC Braga x Vitória SC e Sporting CP x Rio Ave FC. Estes jogos serão também jogados a duas mãos, sendo que o segundo jogo será jogado no estádio do Braga e do Sporting. Depois jogar-se-á uma final também a duas mãos tanto para o terceiro lugar, como para o quinto. Um sorteio ditará em que estádio se jogará primeiro.

Por fim, o título nacional, será encontrado entre o FC Porto e o SL Benfica. O campeão nacional será encontrado num mini campeonato entre os dois. Serão disputados dois jogos na luz e dois no dragão. O FC Porto começará e acabará esta série, fruto de estar actualmente na liderança. Se no final do quarto jogo as equipas somarem o mesmo número de pontos e golos, jogar-se-à um prolongamento e, se houver necessidade, iremos para as grandes penalidades. O golo fora ou em casa não terá aqui qualquer supremacia sobre os golos caseiros nestes Play-Offs.

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Um 11 alternativo a pensar nos grandes portugueses

Tempo de pausa no futebol, tempo de análise e reflexão, num olhar mais profundo para o que tem sido a presente temporada até aqui.

Numa perspetiva de mercado, ainda que o futuro das competições permaneça indefinido, o Bola na Rede apresenta-te um onze de jogadores de baixo/médio custo de campeonatos mais alternativos que podiam rapidamente integrar-se nalgum dos principais emblemas do campeonato português.