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Os emails não revelados: Fernando Santos conta com Ricardo Horta para o Euro 2020

Espero que te encontres bem e refeito da vossa festa do passado fim-de-semana. Serei breve, prometo!

Antes de mais dar-te os mais sinceros parabéns pelo feito conseguido e por teres sido parte importante do mesmo. Na realidade, tenho vibrado imenso com as tuas exibições, que tenho seguido com toda a atenção e agrado. Depois, dizer-te que fazes parte do lote de jogadores que tenho visto e revisto, e que, com um pouco de sorte, estarás, com certeza, no caminho do Euro 2020.

Poderia falar-te pessoalmente, mas achei que esta carta simbolizaria o nosso pacto daqui até ao dia do anúncio dos 23 jogadores que irão defender as cores desta tão amada nação. O nosso pacto é tão simplesmente o compromisso de que darás tudo em campo a cada jogo, em cada momento, e que o farás também junto de mim por daqui a alguns meses. O Ricardo deste ano merece, sem dúvida, representar o nosso país e acredito que serás mais um dos meus 23 titulares.

Fernando Santos terá de escolher 23 jogadores portugueses para fazer parte das contas da Seleção Nacional no Euro 2020
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Desejo que nos próximos meses Deus esteja contigo, evitando que tenhas alguma lesão ou algo que te impeça de espalhar a magia e a qualidade que, semana após semana, tens demonstrado pelos nossos estádios. Se assim for, tenho a certeza que poderás ser muito útil à selecção nacional. Acredito que a tua hora chegou e com ela a hora de brilhares com a camisola das quinas e dares a conhecer ao mundo todo o teu talento.

Desejo, por fim, que consigas cumprir todos os objectivos a que te propões e que te seja dado o valor que realmente mereces. Da minha parte acredita que me fará muito feliz ter no ‘meu plantel’ um jogador como tu e, ao que parece, uma pessoa humilde, simples e disponível como tenho verificado seres.

Fica a promessa de que falaremos em breve. Até lá, e se em algum momento a fé te faltar, lê estas linhas e encontra nelas a motivação que possa, por algum instante, abandonar-te.

Um forte abraço,

Fernando Santos.

 

Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência

 

Foto de Capa: SC Braga

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Com Bruno Fernandes, a começar do zero

O Manchester United FC é um dos clubes mais ricos do mundo e uma das marcas mais valiosas no mundo do desporto. Com um palmarés e história invejáveis, os Red Devils sempre foram associados a ter equipas ganhadoras, com alguns dos melhores talentos do planeta. No entanto, hoje os tempos são outros.

Em 2013, Alex Ferguson anunciou a sua retirada do clube, deixando-o, na altura, como campeão de Inglaterra, com uma equipa que contava com Wayne Rooney, Robin van Perise, Dimitar Berbatov, Nani, Chicharito, Evra, Vidic, Scholes, Giggs, entre muitos outros. Tinham qualidade e talento de sobra, mística e uma química coletiva fora do normal, que fazia o Manchester United lograr títulos nacionais e sucessos europeus.

A partir daí, foi o descalabro. O Manchester United FC começou um processo de pura descaracterização, perdendo o seu ADN, a sua equipa ganhadora e, pior que tudo, iniciou uma política de contratações horripilante, gerindo mal os seus próprios ativos. Compra caro (muito caro), não dá tempo suficiente ao atleta e vende barato. Foram mais de 1000 milhões gastos nas últimas temporadas e, a verdade, é que os Red Devils não conseguem reentrar nos eixos.

Para além da má gestão dos seus ativos e de compras por valores absurdos, a escolha do técnico não tem dado resultado. David Moyes, o primeiro sucessor de Ferguson, nem durou uma época, sendo substituído por Ryan Giggs, numa temporada em que perderam o título de campeões e nem se qualificaram para a Liga Europa

Seguiu-se o reinado de Louis van Gaal, que permaneceu duas temporadas em Old Trafford. Na primeira época, sem Europa, conseguiu um regresso à Liga dos Campeões. Na segunda, só conseguiu qualificar a equipa para a Liga Europa através da Premier League, e foi imediatamente afastado na fase de grupos na Champions e nos oitavos da Europa League. Muito dinheiro investido, futebol que não agradou as massas e resultados desportivos muito modestos para um clube desta dimensão. O melhor que conseguiu foi conquistar a Taça de Inglaterra.

Fonte: Manchester United FC

Em 2016, entra em cena José Mourinho. Parecia perfeito para o cargo. Na primeira época, só conseguiu um sexto lugar na liga, mas conquistou a Liga Europa, permitindo ao clube qualificar-se para a Supertaça Europeia e para a Liga dos Campeões da época seguinte. Para além disso, venceu uma Taça da Liga e uma Supertaça Inglesa.

Na época seguinte, extremamente criticado por colocar a equipa a jogar um futebol defensivo e com pouco espetáculo, conseguiu um vice-campeonato inglês, o melhor resultado desde o fim da era de Ferguson, não tendo conseguido conquistar nenhum título e sendo eliminado nos oitavos da Liga dos Campeões. Terceira época de Mourinho, a pressão dos media e dos adeptos intensificou-se, o futebol praticado não melhorou e os resultados desportivos já não foram tão bons. Mourinho não acabou a época e foi substituído pela lenda norueguesa do MUFC, Ole Gunnar Solskjaer.

Ole teve um impacto imediato muito positivo e a equipa parecia soltar-se das amarras do português. Foi perdendo gás ao longo da época e não conseguiu melhor que uma classificação para a Liga Europa desta temporada. Esta época, a irregularidade permanece.  Os objetivos desta época passam por regressar à Liga dos Campeões, vencer a Liga Europa e a Taça da Liga Inglesa. No entanto, e independentemente do que aconteça até junho, o problema do MUFC é mais profundo.

A crise de identidade e desunião no universo do clube é enorme. Os Red Devils são motivo de chacota pelos grandes rivais Liverpool FC e Manchester City FC e a única maneira de dar a volta a isto, é arrumar a casa. A gestão de ativos e o dinheiro gasto sem nexo, são graves problemas, pois a questão não está na capacidade de Ole, que já mostrou que consegue competir contra equipas muito mais fortes e preparadas, quando tem uma equipa inferior, sendo que ainda representa a mística ganhadora de um passado triunfador do clube.

A época 20/21, tem de ser planeada ao milímetro na construção do plantel e o mercado de janeiro já teve movimentações muito interessantes. A chegada de Bruno Fernandes é, sem dúvida, uma demonstração de força do Manchester United FC. O internacional português vai entrar de caras no onze inicial e o difícil contexto que a equipa atravessa, é perfeito para o médio chegar e, rapidamente, impor-se como um indiscutível.

Para chegar mais reforço desta craveira, é necessário limpar ainda mais a casa e a fundo mesmo. Por exemplo, as saídas de Rojo (foi só por empréstimo, pois é quase impossível vendê-lo nesta altura) e Young, foram importantes para libertar verbas e espaço para entradas.

Mas Juan Mata, Phil Jones, Luke Shaw, Bailly, Andreas Pereira, Fred, Jesse Lingard e as estrelas Paul Pogba e David De Gea também podiam ter guia de marcha. Os primeiros sete nomes, são jogadores que auferem muito e não têm impacto na equipa e, os outros dois, são duas estrelas do futebol mundial em sub-rendimento.

Fonte: Manchester United FC

De Gea é o guarda redes mais caro do futebol atual e, no entanto, desde há três épocas para cá, tem exibido uma irregularidade arrepiante, ou seja, não justifica tanto investimento. O jogador continua a ser um dos melhores do planeta no seu lugar, mas já se encontra demasiado comodado e é por isso que a irregularidade e displicência começam a aparecer. Pogba foi um autêntico flop.

Com tiques excessivos de estrela (por exemplo, Neymar também os tem, mas comparem o rendimento de um com o outro), o francês só esteve ao nível da sua melhor versão, nos primeiros tempos com Ole. De resto, tem se exibido a um nível de qualidade, mas não de excelência e de regularidade, como se exige a um craque da sua dimensão. Constantemente lesionado e com comportamentos que o prejudicam fora dos relvados, também está na hora de ir para outras paragens. É necessário substituir as estrelas atuais.

Este é o único caminho para o Manchester United FC voltar a ser grande. Limpar o atual elenco e  começar do zero, de preferência, com Ole Gunnar Solskjaer ou outro treinador qualquer que acarrete a mística vencedora dos Red Devils do passado, como Ryan Giggs.

Foto de Capa: Manchester United FC

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Quique Setién | A esperança de outro magnífico início de década

O FC Barcelona é, indiscutivelmente, um dos maiores clubes do mundo fundamentalmente devido à sua história recheada de imensos títulos, não só nacionais como internacionais. Conta, desde 1899, (ano de fundação) com 26 campeonatos conquistados, cinco Ligas dos Campeões e três Campeonatos de Mundo de Clubes, além de outros tantos troféus que arrecadaram ao longo destes 120 anos de história.

São os atuais campeões espanhóis, estão no segundo lugar da La Liga e vão disputar os oitavos de final da principal prova europeia, mas o clube da Catalunha já de há uns anos para cá que não é o mesmo. Pelo menos aquele que conhecemos nos seus tempos áureos, quando treinado por Pép Guardiola, que comandou a equipa que é considerada, por muitos, como a melhor de toda a história do futebol.

Um bom exemplo disso foi a passada temporada onde o Barcelona, apesar de ter conseguido ser campeão nacional, foi vítima de uma das mais incríveis reviravoltas da história da Liga dos Campeões, quando foi a Anfield sofrer quatro golos sem resposta que ditaram o seu afastamento da competição.

Ernesto Valverde ainda se manteve no comando técnico da equipa por mais de meia época, mas no passado dia 13 chegou a acordo com a direção para o seu afastamento do cargo, algo que já há muito havia sido pedido pelos adeptos. O seu sucessor foi Quiqué Setién, antigo treinador do Las Palmas e do Bétis de Sevilha, que tem já um vasto conhecimento do futebol espanhol.

Quique Sétien vai para a sua oitava experiência enquanto treinador
Fonte: FC Barcelona

O técnico assumiu o cargo depois da derrota contra o Atlético Madrid para a Supertaça e cumpriu o seu primeiro jogo frente ao Granada. Podemos dizer que aplicou os “mínimos olímpicos” uma vez que bateu a equipa da Andaluzia por apenas 1-0. O teste que se seguiu não poderia ser revelador de grandes coisas, pelo menos para a positiva, uma vez que o adversário era da terceira divisão do futebol espanhol. Foi com muitas alterações no 11 inicial que o Barcelona encarou o Ibiza, que quase fazia uma gracinha, não fosse o bis de Griezmann numa fase já avançada do encontro. Ainda assim é de notar o 3-5-2 promovido por Setién que contrariou aquele que vem sendo o ADN catalão dos últimos anos.

A derradeira prova seria no jogo seguinte, onde o Barcelona iria visitar o Mestalla para defrontar o Valência, equipa para a qual havia perdido a Taça do Rei na época passada. O jogo começou e rapidamente percebemos que o 3-5-2 se manteve, surpreendendo todos aqueles que achavam que tinha sido apenas uma experiência contra uma equipa menos competitiva. Os quatro defesas continuavam lá, apenas estavam predispostos de uma maneira diferente. Sergi Roberto, Piqué e Umtiti constituíram a linha defensiva, fazendo com que Jordi Alba fizesse todo o corredor esquerdo, aparecendo assim mais à frente nos momentos ofensivos.

O Barcelona começou bem e rapidamente impôs o seu jogo de muita posse e domínio. No entanto, faltava criar situações de perigo, o que foi tranquilizando a equipa da casa que acabou mesmo por marcar primeiro, já depois de ter falhado uma grande penalidade. O registo manteve-se quase igual ao longo de toda a partida e o Valência foi continuando a tentar a sua sorte em contra-ataques muito bem conduzidos, fazendo assim o segundo golo logo a abrir a segunda parte. Os catalães, com 74% de posse de bola, não tiveram a ajuda do mago argentino que estava pouco inspirado, e acabaram mesmo por perder o jogo, deixando os adeptos a perguntarem-se se esta terá sido a escolha certa para ocupar o lugar de Valverde.

É certo que estavam apenas decorridas duas semanas de trabalho e que ainda há muito para aperfeiçoar, principalmente se a ideia for mesmo implementar esta nova tática, mas pedia-se muito mais a uma equipa com tantos recursos como os que o Barcelona tem.

É altura de voltar a haver uma equipa dominadora em todos os jogos, que mete medo aos adversários só pelo símbolo que leva na camisola. Essa equipa que, apesar de ter o melhor jogador do mundo, via no coletivo a sua arma mais forte e que tinha na palavra “tiki-taka” a melhor descrição para aquilo que fazia dentro de campo. Esse passado não é assim tão longínquo e as condições são mais do que suficientes para que um magnífico início de década se volte a repetir.

Os dados estão lançados e as primeiras impressões foram evidentemente negativas. Se foi realmente uma boa decisão, é algo que só o tempo e o futebol praticado em Camp Nou dirão. Nós, enquanto adeptos, ansiamos ver o Barcelona ser aquilo que já foi em outros tempos, quando a sua magia nos fazia ficar colados ao ecrã, sempre com a sensação de que iríamos ver mais, e sobretudo melhor.

Foto de Capa: FC Barcelona

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O mês que não passou pelo Dragão

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A última semana de Janeiro, no mundo de futebol, significa sempre muita agitação nos bastidores da modalidade, dado que entramos na reta final do tão aclamado/criticado mercado de inverno. Este mês de abertura negocial é muito criticado por bastantes treinadores, dirigentes e adeptos, porque correm sempre o risco de perderem a sua maior estrela e com isso hipotecar os objetivos em causa, no entanto não invalida que todas as equipas aproveitem esta “janela” para aprimorar os seus plantéis.

Porém, não foi o que aconteceu com o FC Porto, que até ao dia de hoje, não consagrou nenhuma adição externa ao seu grupo de trabalho, algo que vai de acordo com a postura que o clube já tinha anunciado por mão do seu treinador. No entanto, há que assinalar a promoção de Vitor Ferreira, “Vitinha”, da formação secundária dos azuis e brancos para o plantel sénior, onde já conta com três participações e parece merecer a confiança do técnico Sérgio Conceição. Fora disso, só há a registar a saída de Bruno Costa para o Portimonense SC.

Um balanço que acaba por ser manifestamente pobre, devido ao contexto que a equipa está envolvida, assim como as necessidades evidentes, que não mereceram qualquer tentativa de resolução.

A posição de lateral direito devia ter sido uma das prioridades, neste mercado de inverno
Fonte: Diogo Cardoso/Bola na Rede

Em primeiro lugar, uma situação gritante será a lacuna da posição de defesa-direito, que se encontra “sem dono”, desde a saída de Ricardo Pereira para o Leicester City FC. Atualmente, a formação portuguesa já gastou mais de 10 milhões para colmatar esta saída, mas ainda não encontrou uma verdadeira alternativa, o que faz com que jogue, maioritariamente, com Corona, extremo de origem, num lugar mais recuado. Por conseguinte, ainda não será desta que o problema terá resolução.

Posteriormente, alguns adeptos reclamam mais um jogador de qualidade para o setor do meio-campo, algo que parece ter sido colmatado com o regresso de Baró de lesão e a promoção de Vítor Ferreira, que assim vêm dar uma nova frescura, criatividade e dinâmica aos dragões.

Por sua vez, a posição de ponta de lança é outras das deficiências do plantel do FC Porto, visto que não há uma referência ofensiva que consiga garantir “golo”. Ou seja, não há um jogador com o peso de um Falcão, de um Jackson e na verdade a estrutura portista tem sondado alguns futebolistas, por exemplo, Pedro, que acabou por ser apontado, mas reservou o seu futuro ao CR Flamengo de Jorge Jesus. Outro dos nomes, como estando na rota do FC Porto, foi o jovem canadiano, Jonathan David do KKA Gent.

Contudo, há uma outra alteração que deve ser referenciada, que é a saída de Majeed Waris para França, nomeadamente para o RC Strasbourg, onde foi num empréstimo com opção de compra.

Por fim, numa análise sucinta foi um “não mercado” para os vice-campeões nacionais, que não operaram qualquer mexida de relevo no seu grupo de trabalho e as debilidades verificadas em Agosto são as mesmas que se vão observar após o término desta semana. Uma abordagem que deixa muito a desejar perante toda a situação que envolve o clube e não passa uma mensagem de força e de esperança, mas sim uma imagem de resignação às dificuldades do presente.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Encarnados complicam as contas do grupo e Leões tranquilos na eliminatória

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Esta foi uma semana marcada por encontros europeus para SL Benfica e Sporting CP. Os encarnados viajaram até à Polónia para a quarta jornada da CEV Champions League Volley, onde defrontaram o Verva Warszawa. Os leões tinham pela frente os checos do BV Kladno a contar para os Oitavos de Final da CEV Volleyball Challenge Cup. Contudo, as sortes foram distintas para os dois conjuntos lisboetas.

DERROTA NA POLÓNIA COMPLICA O SONHO EUROPEU

Começando com o campeão nacional, o SL Benfica, a viagem à Polónia tinha contornos extremamente importantes para a continuação na prova ou pelo menos sonhar com algo ainda. Uma vitória podia relançar a equipa para o segundo lugar do Grupo D, que é liderado pelo Perugia.

Os encarnados até começaram bem o primeiro set, que acabaram por liderar por algumas ocasiões, contudo os polacos iam equilibrando as contas e, por vezes, empatando mesmo o set. Quando ficou igualado a 21-21, foi o descalabro total por parte dos comandados de Marcel Matz. Um parcial de 4-0 a favor dos polacos acabou com a esperança “encarnada” de vencer este set.

A derrota no primeiro set influenciou muito a maneira como as águias entraram novamente, mas, desta vez, para o segundo set. O SL Benfica só esteve em vantagem no primeiro serviço quando fez o 0-1, pois daí até ao final do set foi sempre do Verva Warszawa a estarem na frente. Vitória categórica por 25-13 e marcava 2-0 em sets a favor dos polacos.

Os encarnados esbarraram novamente contra a muralha polaca e complicaram as contas do grupo
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

O último set? Mais do mesmo, embora este tenha sido mais equilibrado do que o anterior. As águias estiveram em vantagem por um parcial de 2-3, mas foi a última vez que o estiveram na partida. Daí até ao final, os polacos impuseram o seu jogo e o ritmo que queriam, acabando por terminar o set em 25-22. Terminado o jogo houve derrota portuguesa por 3-0. Uma derrota que deixa os encarnados em terceiro lugar a três pontos do segundo, o Verva Warzawa, e com sérias dificuldades em manter o sonho europeu.

REGRESSO DA REPÚBLICA CHECA COM UMA VITÓRIA E COM TRANQUILIDADE

O Sporting CP visitou a República Checa, e a casa do BV Kladno, na primeira mão dos Oitavos de Final da CEV Volleyball Challenge Cup e o resultado sorriu aos portugueses, ainda que muito suado. Um vitória preciosa para encarar o jogo em Portugal de uma forma mais calma, ainda que se tenha de ter cautelas.

No primeiro set viveu-se num jogo de parada e resposta de ambas as formações. A primeira liderança pertenceu ao Sporting, que acabou por passar para os checos quando o parcial ficou por 9-8, e, quando todos acreditavam que no pavilhão seria uma vitória para o Kladno, chegou a surpresa. Um 24-22 a favor dos checos terminou mesmo num 25-27 para os leões. Emoção até ao fim é isto que se pode dizer.

No set seguinte, novamente o protagonismo para o equilíbrio no resultado. Ponto lá, ponto cá, mas nunca com grandes vantagens. Quando estava tudo empatado a nove, foi a altura em que o Sporting se distanciou, e, apesar de a vantagem ser curta, os checos não conseguiram responder. No final houve vitória de set para os leões por 17-25.

Se nos outros sets falamos em equilíbrio, então neste último tivemos incerteza até ao final. Contudo, estava destinado que os leões levassem na bagagem para Lisboa os 0-3 e assim foi. Diversas vantagens para ambos os clubes, mas no final o 23-25 foi o suficiente para somar mais um set para os verdes e brancos e a vitória no encontro. O triunfo leonino dá a possibilidade à equipa de Gersinho de encarar o próximo encontro europeu (11 de fevereiro) com mais tranquilidade.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Mou vs. Pep – Round 23

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Para os amantes do bom futebol, não há dúvidas que a Premier League é a liga mais competitiva e apaixonante do mundo. A incerteza do vencedor de cada edição face ao vasto número de cabeças-de-série permite combinações de jogos de sonho e eletrizantes em praticamente todas as jornadas. A jornada 25 da melhor liga do mundo tem jogo grande: Tottenham vs Manchester City, e não é um jogo qualquer! É o embate entre dois dos treinadores mais mediáticos da história do futebol.

Mourinho e Guardiola são velhos conhecidos, análogos na fome de títulos e antagónicos na forma de jogar. Apesar de terem começado como aliados no tempo da Catalunha (Mourinho como protegido de Bobby Robson e Guardiola como estrela blaugrana), a verdade é que os seus percursos forçaram a que se tornassem “arqui-inimigos” numa rivalidade galática e de números estratosféricos, entre Real Madrid e Barcelona. Voltariam mais tarde a colidir ao defenderem as cores diferentes dos eternos rivais de Manchester.

Ao todo, foram 22 jogos disputados entre o “Special One” José Mourinho e o “Genius One” Pep Guardiola, sendo que o técnico espanhol levou de vencida os embates diretos com alguma margem. São onze vitórias para o lado de Guardiola, cinco para Mourinho e seis empates entre eles. Em terras de Nossa Majestade, as contas estão bem mais equilibradas. Nos seis jogos disputados, todos eles entre Citizens e Red Devils, o City de Guardiola levou a melhor por três ocasiões, enquanto que o ex-United de Mourinho carimbou duas vitórias.

O jogo de domingo assinala um novo capítulo numa rivalidade com mais de dez anos de história, já que um novo emblema surge na equação, o Tottenham Hotspur.

Embates entre Mourinho e Guardiola
Dados: Transfermarkt

Para ambos os técnicos, a conquista da Premier League é uma miragem, face ao soberbo desempenho do Super Liverpool de Klopp. As possibilidades de Guardiola conseguir a revalidação do título esbarram numa diferença pontual de 19 pontos para os líderes de Anfield. A batalha dos Citizens até ao final da época, perante a dificuldade hercúlea de cumprir o objetivo de serem campeões, é o de disputar o segundo lugar com o Leicester.

Por sua vez, a situação de Mourinho é totalmente diferente, assim como os objetivos dos Spurs. O Tottenham encontra-se neste momento a 17 pontos dos seus adversários de domingo e a 36 (!) pontos da liderança, mais pontos do que os que têm atualmente. O melhor que Mourinho pode fazer, e que certamente é um dos objetivos pedidos por Daniel Levy, é disputar um lugar europeu com os atuais quarto e quinto classificados, Chelsea FC e Manchester United, respetivamente.

No entanto, essa tarefa está longe de ser descomplicada, uma vez que o Tottenham (atual 6.º classificado) e o Newcastle United (14.º classificado) estão separados por apenas quatro pontos! Ou seja, neste momento, cerca de dez equipas apresentam-se com condições válidas para disputar o “simples” quinto lugar atualmente pertencente ao Manchester United, entre as quais, o Tottenham de Mourinho, o Wolves de Nuno Espírito Santo e o Arsenal de Arteta. Assim sendo, a pressão está do lado de José Mourinho, já que várias equipas estão na perseguição à espera do seu deslize para subir na tabela.

Na primeira volta, ainda com Pochettino, Tottenham e City empataram a duas bolas
Fonte: Tottenham Hotspur

Estatisticamente falando, o jogo grande da jornada 25 entre Tottenham e Manchester City não abona nada para os lados do técnico português. Para além de Guardiola ter um saldo manifestamente positivo nos embates com Mourinho, também o Manchester City leva a melhor nas estatísticas sobre os Spurs. Nos últimos dez confrontos entre ambas as formações, os homens de White Hart Lane apenas venceram três vezes, sendo que a última vitória do Tottenham para o campeonato foi em 2016!

Ambas as formações chegam ao encontro de domingo sem terem vencido a última partida disputada. Enquanto que o Tottenham cedeu um empate no terreno do Southampton para a Taça de Inglaterra, o City perdeu em casa frente aos rivais de Manchester para a Taça da Liga, conseguindo ainda assim seguir em frente na eliminatória. Os momentos atuais de forma na Premier League voltam a favorecer os homens de Guardiola, já que em cinco encontros empataram apenas um e venceram quatro, por sua vez Mourinho apenas venceu um encontro em cinco jogos.

Recorde-se ainda que, no início desta semana, o Tottenham perdeu Eriksen para o Inter de Milão no mercado de inverno. Em sentido contrário, o extremo holandês Bergwijn assinou com os Spurs e pode ser aposta já neste domingo.

APOSTA VIP: Empate (2-2)

Apesar do coração e do patriotismo quererem que Mourinho leve a melhor sobre Guardiola e que o Tottenham consiga vencer um adversário que já não vence desde 2016, as estatísticas têm o seu peso, o que acaba por equilibrar a balança e traduzir-se num empate. Como já é típico de um grande jogo de Premier League, espero golos…muitos golos.

Foto de Capa: Tottenham e Manchester City

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

SL Benfica 77-91 medi Beyreuth: Duas partes distintas ditam vitória dos alemães

A CRÓNICA: SL BENFICA ADORMECE APÓS GRANDE PRIMEIRA PARTE

Em mais um jogo a contar para a FIBA Europe Cup – Nível Dois, o SL Benfica recebeu os alemães do medi Beyreuth à procura de vingar a derrota da primeira volta. O jogo teve um início complicado para a equipa de Carlos Lisboa, com os alemães a criarem uma vantagem de três posses de bola. No entanto, um bom final de quarto do Benfica deixou os encarnados com uma vantagem de três pontos ao fim de dez minutos. O segundo período, trouxe o melhor das águias, que dominaram o jogo tanto no ataque como na defesa, conseguiram um parcial de 27-14 e foram para o intervalo com uma vantagem de 16 pontos.

Contudo, a segunda parte mudou completamente o jogo. O intervalo favoreceu claramente os alemães, que dominaram por completo a segunda metade do jogo. Em especial, o terceiro período mostrou a superioridade dos germânicos, que alcançaram um parcial de 27-9, anulando assim a vantagem trazida da primeira parte. Perante as dificuldades do SL Benfica em contrariar o rumo do jogo, no último período, o Beyreuth solidificou a vantagem, e, por incrível que pareça, face à grande primeira parte do Benfica, levou de Lisboa uma vitória tranquila.

Com este resultado, o SL Benfica encontra-se agora em segundo lugar do grupo, em igualdade pontual com o Bakken Bears, equipa que defronta no próximo dia cinco em jogo que decidirá o futuro europeu dos encarnados.

A FIGURA

Fonte: FIBA Europe Cup

Segunda parte do Medi Beyreuth – Sem que nenhum jogador se tenha distinguido individualmente na formação alemã, a figura do jogo é a grande resposta da equipa a um segundo período impressionante do Benfica. Na segunda parte, os alemães anularam a desvantagem de 16 pontos que levaram para o intervalo e conseguiram criar uma vantagem de 13 no final do jogo.

O FORA DE JOGO

Fonte: FIBA Europe Cup

Moldura humana no pavilhão – Em jogo determinante para a passagem do Benfica aos quartos de final da prova, e com a excelente época que os encarnados têm vindo a realizar, o pavilhão merece mais gente. No jogo de hoje, pareceu faltar algo ao Benfica na segunda parte e talvez uma casa perto de cheia fosse o antídoto para a clara superioridade alemã nos momentos decisivos do jogo.

ANÁLISE TÁTICA – SL BENFICA

O SL Benfica entrou no jogo com uma novidade no cinco inicial, Anthony Hilliard, adicionando assim mais uma arma ao tiro exterior, que continua a ter grande foco no ataque encarnado. Estratégia que resultou na primeira parte, mas que foi anulada na segunda.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

Anthony Ireland (7)

José Silva (6)

Anthony Hilliard (5)

Gary McGhee (5)

Arnette Hallman (6)

SUBS UTILIZADOS

Eric Coleman (5)

Fábio Lima (6)

Rafael Lisboa (6)

Damian Hollis (5)

ANÁLISE TÁTICA – MEDI BEYREUTH

A estratégia de jogo dos alemães consistiu em explorar a vantagem que possuem sobre o SL Benfica, a superioridade física. Com isto, os alemães focaram-se no jogo interior e na luta pelos ressaltos. Quando finalmente fizeram os ajustes necessários para travar o ataque mais rápido e veloz do SL Benfica, o jogo ficou controlado.

CINCO INICIAL E PONTUAÇÕES

James Alexander Woodard (7)

Bastian Doreth (7)

Andreas Seiferth (5)

Lukas Meisner (7)

Nate Linhart (5)

SUBS UTILIZADOS

James Arthur Robinson III (6)

Bryce Alford (6)

Reid Alfred Travis (6)

Evan Bruinsma (6)

Joanic Liberto Grüttner (3)

Foto de Capa: SL Benfica – Modalidades

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

ABC/UMinho 15-26 SL Benfica: Regresso das Competições Nacionais

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A CRÓNICA: UM JOGO DE SENTIDO ÚNICO E SEM MUITA HISTÓRIA

No jogo grande dos dezasseis-avos de final da Taça de Portugal, o SL Benfica deslocou-se a Braga para defrontar o ABC/UMinho. Um jogo sempre complicado, que marcou o regresso das competições nacionais.

A equipa de Carlos Resende começou a defender 5×1, contanto com dificuldades na primeira linha por parte do ABC/UMinho. Já a equipa do professor Jorge Rito, apresentou uma defesa 3×3. A partida começou com um ritmo lento e com muitos erros de parte a parte, mas aos dez minutos o SL Benfica já vencia 2-4.

As “águias” iam aproveitando a defesa avançada do ABC para fazer entradas a segundo pivot na procura de espaços na defensiva bracarense. A equipa da casa ainda conseguiu empatar a partida, mas os forasteiros nunca largaram a vantagem, vencendo 5-7 aos 20 minutos. Até ao intervalo, e apesar do pedido de time-out de Jorge Rito, os “encarnados” aumentaram a vantagem, indo a vencer para o intervalo 8-12.

Na segunda parte, a história da partida manteve-se: o ABC/UMinho a jogar com uma defesa adiantada (4×2), levando o SL Benfica a procurar o espaço com constantes permutas e entradas a segundo pivot e contando também com o poderio de Djorjic para resolver possíveis problemas que surgissem. Do outro lado, o ABC/UMinho tinha imensas dificuldades em criar situações para finalizar e quando as criava, Gustavo Capdeville fechava a baliza. O resultado final deste jogo sem muita história foi 15-26.

A FIGURA

Fonte: Bola na Rede

Petar Djorjic – Mais um grande jogo do lateral esquerdo sérvio, aproveitando todo o espaço que a defesa da equipa bracarense lhe deu, marcando 10 golos.

O FORA DE JOGO

Fonte: Bola na Rede

Kevynn Nyokas – Mais um jogo dececionante do francês com apenas dois golos, várias falhas técnicas e duas exclusões de dois minutos.

ANÁLISE TÁTICA- ABC/UMINHO

O professor Jorge Rito tentou surpreender o SL Benfica com dois esquemas defensivos muito pouco habituais: 3×3 e 4×2. Causou algumas dificuldades inicialmente, mas com o desenvolver da partida o SL Benfica foi descobrindo soluções, passando muitas vezes pelas mãos de Petar Djorjic. Em termos ofensivos, a equipa não apresentou qualquer aspeto que permitisse superar a defesa benfiquista.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Humberto Gomes (5)

Hugo Rocha (5)

André José (5)

Rafael Peixoto (6)

Rui Ferreira (5)

João Fernandes (5)

Carlos Bandeira (5)

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Francisco Silva (5)

Arsenashvili Erekle (6)

Feliciano Coveiro (5)

Rui Baptista (5)

Diogo Duarte (5)

Carlos Oliveira (5)

José Vieira (5)

ANÁLISE TÁTICA –  SL BENFICA

O SL Benfica apresentou uma defesa 5×1 com o objetivo de condicionar a circulação de bola do ABC/UMinho, já que a aposta em remates de primeira linha seria praticamente nula. Em termos ofensivos tentou aproveitar os espaços deixados pela defesa do ABC/UMinho, mas muitas vezes foi Djordjic a resolver à lei da “bomba”.

SETE INICIAL E PONTUAÇÕES

Petar Djordjic (8)

Pedro Seabra (6)

João Pais (5)

Toft Hansen (6)

Francisco Pereira (5)

Carlos Martins (5)

Gustavo Capdeville (7)

SUPLENTES UTILIZADOS E PONTUAÇÕES

Kevynn Nyokas (5)

Ricardo Pesqueira (6)

Paulo Moreno (6)

Borko Ristovski (7)

Belone Moreira (5)

António Hebo (5)

Davide Carvalho (5)

Fábio Vidrago (-)

Foto de Capa: FAP

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

O Sun Tzu de Alvalade

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O Sporting Clube de Portugal passa por um período difícil da sua vida, em que mostra falta de liderança, planeamento e organização. Todas estas características são essenciais para o sucesso de uma organização.

Torna-se estranho que essas premissas estejam em falta quando temos no comando do nosso clube alguém com carreira militar, o que deveria sugerir alguém rigoroso e que seguisse todos os códigos de planeamento, lealdade, liderança e estratégia.

Há 2500 anos, um general escreveu sobre o que um líder teria de ser e fazer para poder sair vitorioso em todas as batalhas em que se visse envolvido. O seu nome era Sun Tzu e escreveu “A Arte da Guerra”, manual que ainda hoje tem ensinamentos seguidos, não apenas para fins militares, mas também empresariais e sociais.

Assim, sendo o nosso presidente militar, e estando a liderar uma organização empresarial que vive diariamente envolta em lutas, com certeza terá conhecimento do livro, do autor, e terá também considerado muitos dos ensinamentos aí descritos.

Para liderar o nosso clube de coração, o presidente terá tido – ainda antes de o ser – em consideração uma das lições de Sun Tzu que reza assim: “Informação é crucial. Nunca vá para a batalha sem saber o que pode estar contra si”. O Capitão Varandas, ao candidatar-se à liderança do Sporting Clube de Portugal e estando já no clube há tantos anos, deveria ter conhecimento da realidade do mesmo. Deveria ter reunido toda a informação que o pudesse ajudar a tomar a decisão com conhecimento de causa. Se já sabia que a herança era pesada, teria de conhecer os seus limites para saber se teria capacidade para gerir essa herança. (Falta saber o quão pesado ela é. Ainda não sabemos.)

O Capitão Varandas, desde que lidera o clube, decidiu também travar uma batalha contra adeptos das claques e os que não estão de acordo com a sua política. Cortou ajudas aos GOA, insultou adeptos que não estão de acordo com a sua liderança e provocou sócios numa assembleia que serve para debater ideias ainda que sejam contrárias às dele, tendo ultimamente ameaçado que irá alocar as claques numa “gaiola”. Também nessa vertente o presidente se deveria recordar de outro ensinamento do general que sugeria que “um líder lidera pelo exemplo, não pela força”.

Uma das batalhas do presidente do Sporting tem sido com as claques do clube
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Sun Tzu indica cinco perigos para o general que o podem levar à derrota, sendo um deles a imprudência. E esta guerra que Varandas criou com os seus sócios e adeptos é imprudente, porque um clube como o Sporting vive de dimensão social, de massificação. Sem isso, o clube começa a ganhar dimensão de “pequeno” (em termos de futebol jogado já é). Outro erro que pode entroncar neste, e teve no episódio de provocação endereçada aos sócios descrita acima, é o “temperamento precipitado”, assim como a “imprudência”. Se continua a insistir nesses erros, pode sair derrotado. Não sou eu que o digo. É o general.

Ninguém está imune ao erro, no entanto quem lidera tem de minimizar os seus. Tem de ter noção das suas limitações para antecipar o erro.

Sun Tzu tem ainda um ensinamento que deveria ser tido em conta por todos dentro do Sporting, tanto actuais como anteriores: “Um General não deve empreender uma guerra num ataque de ira, nem deve enviar suas tropas num momento de indignação. Entenda que um homem que está enfurecido voltará a ser feliz, e aquele que está indignado voltará a ser honrando, mas um Estado que pereceu nunca poderá ser reavivado, nem um homem que morreu poderá ser ressuscitado”. No entanto, as pessoas que querem gerir o Sporting, para se sentirem felizes e honrados, atacam em qualquer momento, nem que isso leve à destruição do Sporting.

Sun Tzu deixou também um ensinamento para como foi tratado o processo de destituição do anterior presidente e o posterior estatuto de sócio retirado. Dizia o general que “quando cercar o inimigo deixe-lhe uma saída, caso contrário, ele lutará até à morte”. Pois bem, tentaram, e continuam a tentar destruir completamente a ameaça “BdC”, o que lhe dá ainda mais força para lutar e origina a lealdade de seguidores. Neste processo, na ânsia de retirarem qualquer hipótese de regresso, criaram o que tanto temiam.

Na “Arte da Guerra” pode ler-se também que “só mudando a si mesmo, o homem pode mudar o que está à sua volta”. E o que está à volta do presidente do Sporting, neste momento, é o caos. Por isso, penso que estará no momento de parar e pensar o que estará mal, o que poderá ser mudado na estratégia. Porque não pode ser só a “herança pesada” a culpada de tantos erros destes últimos meses.

Somos um clube em constantes batalhas internas e talvez por isso agora tenhamos um capitão a liderar-nos. No entanto, a resolução nem sempre está na solução bélica. Porque, como também dizia o general filósofo, “evitar guerras é muito mais gratificante do que vencer mil batalhas” e, ainda, “a vitória é o principal objetivo da guerra, mas o verdadeiro propósito da guerra é a paz”. O Sporting precisa de paz e precisa de um “capitão” que a promova.

Para terminar, e à boleia do meu estimado Sun Tzu, deixo um último conselho para o presidente/médico/capitão Varandas. “A estratégia sem táctica é o caminho mais lento para a vitória. Táctica sem estratégia é o ruído antes da derrota”. E eu acho que continuamos sem estratégia. Havia a estratégia de deitar abaixo a anterior direção e depois esgotou-se. Falta uma nova estratégia. A de gerir o Sporting como um clube vencedor. Um Clube Grande. O Maior.

Eu não quero ensinar nada a ninguém, até porque não tenho essa capacidade. Mas é por isso que me auxilio de quem sabe. E acho que é unânime que o General sabia. Por isso, Capitão, oiça o General.

Foto de Capa: Carlos Silva/Bola na Rede

Artigo revisto por Diogo Teixeira

A chave para o Real Madrid regressar ao topo da Europa

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O Real Madrid apresenta um projeto promissor para o futuro, que já está a começar a dar frutos. A equipa mudou a sua política de transferências, visto que anteriormente comprava jogadores feitos e muitos deles por quantias exorbitantes e desde a última época o plano passa por contratar jovens promessas para que possam evoluir até terem capacidade de dar o seu contributo. Alguns precisaram de pouco tempo para serem opção regular, outros rodaram na Castilla ou foram emprestados a outros clubes para terem tempo de jogo, mostrarem serviço e estarem aptos para regressar à equipa.

Este projeto está a dar bons resultados, porque de facto os jovens contratados demonstram qualidade e têm perfil para um clube como o Real Madrid. Há muitos foras de série com capacidade para fazer a diferença e é possível conciliar esses jogadores com outros mais experientes, de forma a criar uma equipa capaz de lutar por todos os títulos. O Real Madrid pode não ter melhor plantel que o Barcelona, embora neste momento seja a melhor equipa em Espanha pelo facto de ter mais soluções que os rivais e por estes passarem por um período de instabilidade, graças ao despedimento do treinador. O novo técnico é Quique Setién e é raro o caso de um treinador que pegue num projeto e consiga implementar as ideias pretendidas num curto espaço de tempo. Mesmo que este treinador seja a imagem da equipa culé, o processo é demorado.

O Real Madrid já tinha contratado jovens promissores há varios anos, apesar de praticamente nenhum se conseguir afirmar facilmente. Muitos deles já foram vendidos e outros emprestados, como é o caso de Kovacic. Dois casos de sucesso foram Casemiro e Isco, embora o Real Madrid nesses anos continuasse à procura de jogadores feitos no mercado, com o objetivo de dominar no presente.

Não se compara aos tempos dos ‘Galácticos’ da primeira era, com Zidane, Figo, Beckham, Ronaldo Fenómeno, nem os da segunda era, grande parte contratados por José Mourinho, com Di María, Ozil e até Cristiano Ronaldo, que ainda foram cruciais para a primeira conquista da Liga dos Campeões da década, já em 2014, com Carlo Ancelotti. O Real Madrid ainda aproveitou essa estrutura para conquistar esse troféu, no entanto, a partir daí foi substituindo uma ou outra peça no onze, que Zidane rentabilizou ao máximo e os levou ao tri da Liga dos Campeões entre 2016 e 2018.

A última época dos merengues ficou marcada como uma das piores que há memória. O Real sentiu o efeito da saída de Cristiano Ronaldo e Julen Lopetegui desiludiu com o trabalho realizado, o que levou ao seu despedimento, para a entrada do interino Santiago Solari, que também não aguentou muito tempo e deu lugar a Zidane para preparar uma equipa para a temporada seguinte.

O Real Madrid não venceu qualquer troféu em 2018/2019 e foi eliminado nos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. Apesar disso, notou-se o ano passado uma alteração na gestão das transferências, com a contratação do jovem brasileiro nascido em 2000, Vinícius Júnior, por uma quantia a rondar os 45 milhões de euros. Além deste, também Brahim Diaz foi contratado ao Manchester City, em janeiro da mesma época. Os jovens Valverde e Llorente foram lançados em vários jogos e demonstraram qualidade – o segundo, entretanto foi vendido ao Atlético de Madrid.

“Zizou” com a Taça de 2016
Fonte: UEFA

Na presente época, o objetivo passou por revolucionar a equipa e manteve-se a política de apostar na juventude.

O Real Madrid contratou Éder Militão ao FC Porto, que fez uma bela época ao serviço dos dragões. São raros os jogadores que chegam aos azuis e brancos e demonstram qualidade em tão pouco, afirmando-se como titulares indiscutíveis e, tendo em conta a sua posição, ainda mais surpreendente se torna. Com apenas 21 anos transferiu-se para Madrid e é um dos centrais mais promissores do mundo. É uma alternativa de luxo a Varane e Sergio Ramos e vai aproveitando todos os minutos oferecidos para se afirmar nos merengues, sendo para já difícil, dado que o francês é um dos melhores do mundo e o espanhol tem um peso enorme, sendo uma das maiores figuras da história do clube.

Ferland Mendy foi outro reforço sonante e custou quase 50 milhões de euros, tal como Militão. É um lateral esquerdo que atuava no Lyon o ano passado e conta ainda com 24 anos, sendo que tem margem de progressão para atingir um patamar ainda mais alto. As primeiras exibições foram aquém das expectativas, apesar de já estar melhor nas últimas partidas disputadas. A concorrência é elevada, visto que Marcelo é o titular da posição e ainda tem capacidade para o ser durante mais um ou dois anos, ao que tudo indica.

Rodrygo é uma das surpresas até ao momento. Custou cerca de 45 milhões de euros e é chocante que tenha nascido em 2001 e já estar a um nível fantástico. É o típico brasileiro tecnicista e desconcertante para a defesa adversária. Em 19 partidas realizadas esta época, já marcou sete golos e fez duas assistências. O ponto alto foi o hat-trick na Liga dos Campeões, frente ao Galatasaray, tornando-se no jogador mais jovem a fazê-lo na competição. É uma das maiores esperanças para o futuro dos madridistas.

A solução para a frente de ataque foi Luka Jovic, um avançado de apenas 22 anos que esteve em grande plano no Eintracht Frankfurt, na época passada, e pertencia aos quadros do Benfica. A época não está a ser nada famosa, tendo em conta que já tem 20 jogos pelo clube e só marcou um golo, no entanto, o potencial está lá e o que fez na Alemanha foi prova disso. Foram 27 golos em 2018/2019 e protagonizou uma manita num encontro para o campeonato alemão. É um avançado completo e um finalizador nato, sendo que remata bem com os dois pés e também tem bom cabeceamento. Resta agora começar a faturar em Madrid, caso contrário será emprestado ou vendido no final da temporada.

Luka Jovic destacou-se com a camisola do Eintracht Frankfurt
Fonte: Real Madrid FC

O mais recente reforço foi Reinier, uma estrela em ascensão, proveniente do Flamengo. Com 18 anos recentemente completados, surge com grandes expectativas para as próximas temporadas. Era opção regular de Jorge Jesus para desequilibrar e a sua mudança para Madrid custou 30 milhões de euros. Tem traços de Kaká e o plano passa por rodar na Castilla e ser lançado a longo prazo.
O Real Madrid contratou também uma das maiores estrelas asiáticas da atualidade. Takefusa Kubo veio do Japão para brilhar na Europa e já demonstrou serviço na pré-época e nos treinos do Real Madrid. Foi emprestado ao Maiorca, onde joga regularmente, e promete vingar no campeonato espanhol. Com apenas 18 anos, espera-se que volte ao Real em grande força.

Dos que já estavam no clube, além de Vinícius desde a temporada passada, surgem ainda jogadores de grande qualidade. Um deles é Brahim Díaz, contratado ao Manchester City por 17 milhões de euros, embora não se tenha conseguido ainda afirmar. Fala-se num empréstimo do médio ofensivo que conta apenas com três jogos realizados. Necessita de tempo de jogo em outra equipa para que possa obter o rendimento desejado.

Diego foi um dos mentores de Reinier
Fonte: Conmebol

Um dos craques com maior destaque é Federico Valverde, um médio incansável que promete vir a ser um dos melhores (senão o melhor!) do mundo nos próximos anos. Era da formação do Real Madrid e passou por um empréstimo no Deportivo da Corunha. Na época passada já era utilizado algumas vezes e este ano pegou de estaca, sendo difícil alguém tirar-lhe o lugar de momento. Tem a raça uruguaia misturada com a calmaria necessária com a bola nos pés e é um médio bastante completo. Aos 21 anos, é já um jogador feito com capacidade para suportar um meio-campo vencedor.

Depois existe Marco Asensio, ainda com 24 anos, que é o jogador que mais triunfou dos referenciados. Apareceu há cerca de três épocas e teve uma infelicidade recentemente, depois de contrair uma lesão que o afastou dos relvados. Está perto do regresso e apesar de ser complicado entrar no onze inicial, é um jogador com qualidade para isso. Já conquistou vários títulos pelos merengues e marcou golo em todas as finais disputadas. Além disso, é polivalente e pode atuar tanto no meio, como na esquerda ou na direita.

Ainda existem dois jogadores que apesar de não estarem no plantel, fazem parte do clube e estão a brilhar nos clubes emprestados. São eles Achraf Hakimi e Martin Odegaard, o primeiro no Borussia Dortmund e o outro na Real Sociedad. Espera-se o regresso de ambos, no final da temporada, e são soluções bem viáveis para a continuidade deste projeto.

O Real Madrid está em primeiro lugar no campeonato e ambiciona conquistar o título da La Liga. Na Liga dos Campeões vai defrontar o Manchester City, nos oitavos-de-final, e ainda está na disputa pela Copa del Rey.

Foto de Capa: Real Madrid CF

Artigo revisto por Diogo Teixeira