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FIFA Esports Portugal – #6

Esta rubrica semanal consistirá num apanhado de notícias, rumores e novidades no mundo do FIFA Esports em Portugal. E irá tentar cobrir todas as últimas notícias da actualidade!

Tiagoaraujo10 VENCE O CHRISTMAS CHALLENGE DA FPF ESPORTS

Foi no passado sábado, que o jogador da For The Win Esports sagrou-se campeão do Christmas Challenge no evento Famalicão Extreme Gaming. Tiagoaraujo10 venceu Bernardo Figueiredo “bernasfigue5” na grande final e levou para casa o primeiro prémio de dois mil euros.

Com bastantes surpresas um pouco por todas as fases do torneio. A grande ausência seria a de Tuga810 que por questões profissionais acabou por não figurar na competição. Outra surpresa aconteceu quando o seu colega de equipa RastaArtur também jogador da TSWarriorPlayer caiu na primeira ronda de eliminação frente ao jogador dos Leões de Porto Salvo TFC, Runrun, que só viria a perder com o vencedor da prova.

Para além destes dois jogadores, JOliveira10 e Somosnos (ambos da K1CK Esports) foram também eliminados ainda na fase de grupos, deixando esta prova sem grandes favoritos e tudo em aberto para termos um vencedor inédito.

Encontramos um final que opôs a For The Win Esports aos Leões de Porto Salvo TFC. Após três presenças em finais sem conseguir vencer, Tiagoaraujo10 foi mais forte na final ao vencer 4-0 no agregado das duas mãos (2-0 nas duas partidas).

FASE DE GRUPOS DA TAÇA DA LIGA DE PRO CLUBS PS4 DEU INÍCIO ESTA SEMANA!

Fonte: FPF eSports

Em pouco menos de um mês, iremos ter um vencedor na Taça da Liga de Pro Clubs PS4 da FPF Esports. A competição começou esta passada semana tendo já se realizado quatro jornadas até ao dia de ontem. No total 32 equipas a entrar em prova, divididas em quatro grupos de oito equipas. Os quatro primeiros de cada grupo avançam para a próxima fase e a Final Four vai ser disputada a 15 de Janeiro.

Depois de um qualificador intenso no início deste mês de Dezembro que viu apurar oito equipas para preencher as últimas vagas de entrada. As equipas apuradas foram: Barreiro Stara Zagora FC, Blues, SG Sacavenense, FC Vale Formoso, CD Santa Clara, SC Campomaiorense, Leixões SC e FGIL/SC Estrela.

Com quatro jornadas decorridas, para já o Grupo A está, sem grandes surpresas, com a equipa da FTW Esports a liderar o grupo com 12 pontos em quatro jogos. Logo atrás FC Paços de Ferreira, Lusitano Futebol Clube e CS Marítimo Esports (com menos um jogo) escalam a tabela.

No Grupo B, a equipa dos EGN-CD Feirense SAD dominam só com vitórias e uma surpresa com a equipa do SG Sacavenense a vir do qualificador e a posicionar-se no segundo lugar até ao momento e depois com um claro equilíbrio nas restantes equipas deste grupo.

Nos dois outros grupos, surpresa no Grupo C com a liderança dos estreantes CD Santa Clara que também vieram directamente do qualificador e lideram sem perder. Logo a seguir, colocam-se os Grow uP Esports os claros favoritos neste grupo e os algarvios do Portimonense SC também estreantes bastante bem na terceira posição.

Para finalizar, o Grupo D à cabeça com a equipa do Rio Ave FC Esports só com vitórias, logo atrás o Vitória SC Esports e de seguida o CF Canelas 2010 Esports (com menos um jogo) pode também chegar ao topo da tabela se vencer a equipa do Leixões SC Esports.

Podem acompanhar todos os detalhes da competição aqui.

6 EM 6 PARA O BOAVISTA FC! LEÕES DE PORTO SALVO COLOCAM-SE NA SEGUNDA POSIÇÃO

Fonte: FIFA Pro Clubs PC Portugal

Mais uma semana na liga principal de Pro Clubs PC com mais uma dupla jornada bastante interessante. Os axadrezados continuam intocáveis com 18 pontos em seis partidas e com o melhor registo ofensivo e defensivo do campeonato. Com uma vitória tranquila por 2-0 frente aos SamClan mesmo com dez elementos e ainda uma vitória sobre os Magicians por 1-0 o que permitiu distanciarem-se da equipa que os perseguia até ao momento.

Na segunda posição, em crescendo, está a equipa dos Leões de Porto Salvo TFC. Os vencedores da Starter Cup começam a entrar nos eixos com duas vitórias consecutivas: 2-0 frente aos 22 Esports e ainda 4-1 frente à equipa dos Amici Esports. Novamente em grande destaque esteve o avançado Leko dos LPS ao apontar quatro golos em dois jogos.

Já no meio da tabela, está em evidência a equipa da FTW que já leva três vitórias consecutivas e começa também ela, a escalar a tabela classificativa. Tornando também o seu saldo positivo de golos ao vencer por 3-0 os SamClan Esports.

No fundo da classificação, os estreantes Real Martins pontuaram pela primeira vez a levar a melhor fora de casa sobre os veteranos Prodígios FC por 3-0. Na última posição estão os SamClan Esports que ainda não conhecem o sabor da vitória.

Podem acompanhar a competição aqui e saber mais sobre o FIFA Pro Clubs PC através do Facebook.

Foto de Capa: FPF eSports

Brescia Calcio | Da instabilidade ao bom presságio

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O Brescia Calcio ocupa atualmente o 19.º lugar do campeonato italiano, tendo conseguido sair da última posição na passada jornada, com uma vitória por uma bola a zero no terreno da SPAL, seu adversário direto, com um golo solitário de Balotelli, provocando a troca de posições na tabela classificativa entre os dois clubes.

A equipa do norte de Itália, que na época transata militava no segundo escalão do futebol transalpino, conta com jogadores experientes no seu plantel, tais como o defesa Daniele Gastaldello, os médios Dessena e Rômulo Caldeira e os avançados Donnarumma, melhor marcador da equipa com cinco golos, e Alessandro Matri de 35 anos, que pertenceu aos quadros de AC Milan e Juventus FC, e ainda conta com o centro campista de 19 anos Sandro Tonali, que foi uma das figuras incontestáveis da subida do Brescia à Serie A e é uma das maiores promessas do futebol italiano na atualidade, somando para já três internacionalizações pela seleção principal italiana. Mas a figura mais mediática deste plantel é, sem dúvida, o ponta de lança italiano Mario Balotelli, conhecido pela sua qualidade, mas também pelas suas atitudes controversas, tanto dentro quanto fora das quatro linhas.

Depois de uma enorme controvérsia, no passado mês de novembro, envolvendo o treinador do Brescia, Fabio Grosso, e Balotelli, no qual o treinador e antigo jogador italiano expulsou o avançado de um treino após mais uma atitude polémica. Fabio Grosso disse publicamente que só voltaria a apostar no jogador após este “mostrar determinação e entusiasmo”, Balotelli foi o herói numa vitória que pode marcar a reviravolta do Brescia no mau momento de forma em que se encontra.

Fonte. Brescia

O Brescia vive momentos de instabilidade, mas com o regresso ao comando técnico do clube de Eugenio Corini e logo com o regresso aos triunfos, o clube transalpino surge com uma esperança renovada. Corini abandonou o cargo de técnico do Brescia após a décima primeira jornada, conquistando apenas sete pontos, e foi substituído por Fabio Grosso, que não foi capaz de fazer melhor, sendo despedido após três derrotas no mesmo número de jogos e dez golos sofridos no campeonato. Após o despedimento de Grosso, o Brescia fez regressar Corini, que reentrou com o pé direito na Serie A.

Do meu ponto de vista, este regresso de Corini é um bom presságio para o clube que ocupa a penúltima posição na tabela do campeonato. Com o regresso do treinador, surgiu o regresso às vitórias, e com o golo decisivo a ser apontado por um jogador tão talentoso e experiente, mas ao mesmo tempo tão polémico, Mario Balotelli, que teve problemas com o seu antigo treinador. Aliando a experiência à qualidade, acredito num virar da página para o Brescia, que no meu ver terá como principais figuras Balotelli e Tonali, sendo que com a sua qualidade de passe, bom posicionamento e maturidade em campo em tão tenra idade, que lhe valeu a alcunha de “novo Pirlo”, acredito que será dentro de pouco tempo que sairá para um clube de maior importância.

O Brescia vai defrontar no próximo sábado, dia 14, o Lecce, que ocupa a 15.ª posição na tabela com 15 pontos, mais cinco que o Brescia, podendo o emblema comandado por Corini sair da zona de despromoção em caso de vitória e, se o Genoa e a Sampdoria perderem pontos.

Foto de Capa: Brescia Calcio

Franco Cervi: Quem espera sempre alcança

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Franco Emanuel Cervi chegou ao Benfica no verão de 2016, proveniente do CA Rosário Central, por uma verba a rondar os 5,70 milhões de euros.

A vida do internacional albiceleste ao longo destes quatro anos de águia ao peito tem sido uma autêntica montanha russa, repleta de altos e baixos, sendo que a única constante tem sido a atitude irrepreensível que demonstra sempre que entra em campo.

Primeiros passos

A época de estreia de Cervi no futebol europeu não podia ter corrido melhor: dono e senhor da ala esquerda das “águias”, o argentino conquistou a Supertaça, sagrou-se campeão nacional, venceu a Taça de Portugal e foi um dos protagonistas da campanha europeia dos encarnados, que terminou nos oitavos de final da UEFA Champions League, aos pés do Borussia Dortmund.

O argentino foi um dos principais obreiros do 36º campeonato do clube da Luz, sendo a parceria que fez com Alejandro Grimaldo uma das mais temidas no futebol português.

Apagão

No entanto, a época seguinte foi um retrocesso em relação à anterior. Apesar de ter começado a temporada com a conquista de mais uma Supertaça, a época viria a tornar-se numa autêntica desilusão, com os encarnados a somarem zero pontos na fase de grupos da Champions League e a perderem o campeonato para os eternos rivais do norte.

Aliado a este insucesso coletivo, Cervi foi perdendo influência no plano de jogo das “águias”. Apesar de ter obtido bons números individuais – apontou quatro golos e somou dez assistências -, as exibições não enchiam as exigências das bancadas da Luz, sendo que a época seguinte não se adivinhava fácil para o argentino.

De facto, a época 2018/19 confirmou o que já há algum tempo se adivinhava: Rafa Silva assumia a titularidade da ala esquerda encarnada, sendo que Cervi passava agora um período de maior dificuldade em afirmar-se como opção válida para o ataque. Porém, as coisas iriam mudar.

Cervi apontou o primeiro golo da noite frente ao FC Zenit, dando o mote para uma noite de gala dos encarnados
Fonte: SL Benfica

Novo fôlego

24 de outubro de 2019, o dia em que Franco Cervi ganhou um novo fôlego. Jogava-se o SL Benfica – Olympique Lyonnais, jogo da terceira jornada da fase de grupos da UEFA Champions League, quando Rafa Silva sofreu uma desinserção do tendão médio adutor à esquerda, lesão que afasta o português dos relvados até 2020.

Contudo, o azar de uns é a sorte de outros, e Cervi parece estar a atestar a vericidade desta velha máxima. O argentino tem aproveitado ao máximo a ausência de Rafa, protagonizando boas exibições – e até alguns golos – nas últimas partidas.

Cervi não tem a mesma capacidade técnica que Rafa, nem a mesma qualidade de passe, de decisão e, porventura, de finalização. Não obstante, compensa essas lacunas com uma capacidade de entrega e de sacrifício em prol do coletivo absolutamente notáveis. A sua entrada no onze veio estabilizar a equipa em termos defensivos, com o argentino a compensar as lacunas que são reconhecidas a Grimaldo nesse momento do jogo.

Apesar de não ser um jogador adorado por todos no universo encarnado, Franco Cervi tem justificado a aposta de Bruno Lage e, neste momento, voltou a ser um dos indiscutíveis na manobra das “águias”.

Foto de capa: SL Benfica

LASK 3-0 Sporting CP: Leão amorfo tomba em Linz

No país de Mozart e Strauss, a orquestra sportinguista, dirigida pelo “maestro” Silas, foi a protagonista da ópera trágica em que se traduziu o último jogo dos Leões na fase de grupos da Liga Europa.

Na noite gelada de quinta-feira, os Leões não tiveram argumentos perante a formação de Linz e resvalaram para a segunda posição do grupo D, enquanto o LASK vence o grupo. Os outros dois adversários do Sporting CP no grupo D, PSV e Rosenborg, acabam respectivamente em terceiro e quarto lugar e, por isso, estão fora da competição.

Enfim, o resultado e a própria exibição do Sporting CP no Linzer Stadion falam por si e convergem numa única palavra: tragédia. A turma leonina partiu para a Áustria na primeira posição do Grupo D e só precisava de uma igualdade do marcador para manter essa classificação. Todavia, as ausências de Bruno Fernandes, Mathieu e Vietto adivinhavam ser difíceis de substituir com as segundas linhas do plantel. Silas resolveu então revolucionar o onze titular: da equipa que bateu o Moreirense FC apenas manteve Cristian Borja e Jesé Rodriguez. Por sua vez, os jovens Rodrigo Fernandes, Rafael Camacho e Pedro Mendes foram promovidos à titularidade, enquanto que Renan, Miguel Luís e Eduardo voltaram a ser opções iniciais.

Em suma, foram nove as alterações feitas no onze titular em relação à recepção ao Moreirense FC. O Sporting CP apresentou-se num 4x3x3: Renan na baliza, Val Rosier, Illori, Coates e Borja no quarteto da defesa; no meio-campo Miguel Luís mais posicionado na direita, Eduardo no lado contrário e Rodrigo Fernandes a ocupar o corredor central; no eixo atacante Jesé actuou na posição de ponta de lança enquanto Pedro Mendes e Rafael Camacho preencheram as alas.

Diga-se desde já que os posicionamentos de Rafael Camacho e, sobretudo, de Pedro Mendes causaram perplexidade. Com efeito, o n.º 9 leonino esteve apagado no jogo e somou apenas 8 acções com bola. Depois, Eduardo mostrou-se uma nulidade absoluta na luta pelo meio-campo, Jesé não existiu e a defesa tremeu a cada ataque austríaco.

Os momentos iniciais da partida foram desde logo um dejá vu do que se havia passado em Alvalade. O LASK entrou pressionante perante um Sporting aflito, sem química e com dificuldade em manter a posse de bola. Apesar disso, o jogo manteve-se amorfo e pouco entusiasmante até ao primeiro golo da partida de apontado por Trauner ao minuto 23’ de cabeça na sequência de um canto cobrado por Michorl. E com justiça, pois o LASK foi a equipa mais inconformada com a igualdade que se vinha mantendo.

Pedro Mendes jogou numa posição que não era a sua, ainda assim foi dos poucos inconformados na formação leonina
Fonte: Sporting CP

O momento crucial do jogo chegaria ao minuto 38’: Renan efectuou uma abordagem desastrosa, que em nada corresponde ao seu estatuto, ao derrubar o brasileiro Klauss na grande área. O árbitro apontou para a marca de grande penalidade e exibiu o cartão vermelho ao guarda-redes brasileiro, entrando de seguida Luis Maximiano para o lugar de Rodrigo Fernandes. Klauss converteu o penálti e ampliou a vantagem austríaca para duas bolas a zero.

Se com onze elementos o Sporting CP já tinha produzido pouco ou mesmo nada desde o apito inicial, reduzido a dez viu-se completamente impotente para fazer algo. Já na segunda parte, talvez por estar mais preocupado em não conceder mais golos aos austríacos, Silas procedeu à substituição de Jesé por Doumbia, deixando apenas Pedro Mendes e Rafael Camacho como referências ofensivas.

Menos pressionante, o LASK fez uma gestão mais tranquila da partida no segundo tempo, mantendo sempre o domínio e consciente que mais depressa chegaria ao terceiro golo do que a sofrer o primeiro na sua baliza.

Ainda assim uma maior displicência do LASK em face do contexto do jogo, permitiu que Rafael Camacho tivesse uma oportunidade ouro na cara do guardião austríaco que todavia não foi capaz de finalizar, ilustrando bem a incapacidade a Sporting CP em contrariar o resultado e o “atirar a toalha ao chão”.

Ainda assim, no meio do marasmo leonino, foi Luis Maximiano quem brilhou ao protagonizar uma defesa espectacular ao minuto 70’, negando o golo a Ranflt. Todavia, o jovem guarda-redes português não conseguiu impedir o terceiro e último golo do LASK apontado por Raguz já em período de descontos aos 90+3’.

É no mínimo alarmante o facto de Luís Maximiano ser o melhor jogador em campo do lado do Sporting CP num jogo em que perde por 3-0. Mais, após uma vitória cirúrgica contra um intrincado Moreirense FC, pedia-se que o Sporting CP mantivesse um registo vitorioso que alavancasse a sua equipa para as difíceis deslocações que ainda tem de fazer ao terreno do Santa Clara e a Portimão antes de 2019 terminar.

Na antevisão à partida, alertámos para a certeza de que o Sporting CP iria encontrar um LASK ainda mais perigoso em relação ao jogo em Alvalade, bem como destacámos alguma individualidades do plantel austríaco como Raguz e Klauss. E deixámos o repto para a necessidade de o Sporting CP encarar este jogo com rigor.

Após o apito final o resultado espelhou um Sporting numa noite gelada em modo geringonça, apático, sem ideias, conformado, etc. E nem venham com a história do “clima de Alvalade” nem com as recentes idas dos jogadores ao Tribunal para deporem no caso de Alcochete. Nada, mas absolutamente nada, pode justificar a abdicação do primeiro lugar do grupo. Tanto mais quanto é certo que Silas resolveu mudar toda a equipa para este jogo, mas manteve o onze titular habitual no último jogo a contar para a Taça da Liga.

Por outro lado há um dado sintomático: na corrente temporada, Bruno Fernandes não marcou presença em dois jogos e o Sporting CP perdeu ambos. É certo que perdeu outros jogos com Bruno na equipa, mas não deixa de ser um dado assustador.

Enfim, na ida ao país da ópera vimos uma orquestra leonina completamente desafinada e em perfeita desarmonia. O que não vamos ver de certeza absoluta será o Presidente do Sporting CP dar a cara por este fracasso, qual “Dr. Coragem” que apenas aparece nos momentos de festa.

Despojado do estatuto de cabeça-de-série, o Sporting CP poderá ter de enfrentar na próxima fase equipas como Inter, Ajax, Sevilha, Arsenal ou Manchester United. Mas como se costuma dizer “a sorte procura-se”…

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

LASK:  Alexander Schlager, Petar Filipovic (Emanuel Pogatetz, Phillipp Wiesinger, Thomas Goiginger, Peter Michorl, Marvin Potzmann, Gernot Trauner, James Holland, Reinhold Ranftl, Klauss (71’ Marko Raguz) e Frieser (64’ Samuel Tetteh)

Sporting CP: Renan Ribeiro, Valentin Rosier, Tiago Ilori, Sebastían Coates, Cristian Borja, Miguel Luís (71’ Luiz Phellype), Eduardo, Rodrigo Fernandes (37’ Luís Maximiano); Jesé Rodriguez (46’ Idrissa Doumbia), Rafael Camacho e Pedro Mendes

Universo Paralelo: FC Porto vence Sporting CP e conquista Taça de Portugal

25 de maio de 2019. FC Porto volta a vencer a prova rainha, seis anos depois.

Numa tarde solarenga, o estádio do Jamor encheu-se de tons azuis e verdes para o derradeiro jogo da temporada, que opôs o FC Porto ao Sporting CP. As duas equipas, que voltaram a encontrar-se depois da final da Taça da Liga vencida pelo Sporting em janeiro, voltaram a ser protagonistas de mais um espetáculo de futebol, mas desta vez com um vencedor diferente.

De um lado a equipa de Sérgio Conceição que perdeu a corrida para o campeonato quando levava sete pontos de avanço. Do outro lado a fragilizada equipa de Marcel Keizer que apenas foi feliz na conquista da Taça da Liga. A viver momentos distintos, mas com a mesma vontade, as duas equipas proporcionaram belos momentos de futebol, mas no fim foram os dragões a serem mais felizes, contrariando o enguiço, vencendo nas grandes penalidades.

O jogo começou com muita intensidade, com as duas equipas a procurarem o golo, mas a serem contidas nas saídas, no entanto foram os leões a entrarem melhor e a serem mais afirmativos, com bons apontamentos de Luiz Phellipe. Na resposta à boa entrada do adversário, os portistas tiveram em Otávio o protagonista do primeiro lance de grande perigo, com um remate forte a obrigar uma grande defesa de Renan Ribeiro.

Ao remate potente do extremo, respondeu o principal artilheiro leonino: Bruno Fernandes. O capitão rematou com potência, mas acabou por ver o golo negado por Vaná, com uma boa defesa do guardião.

Fonte: FC Porto

O jogo estava repartido, mas foi o FC Porto a festejar primeiro, aos 41 minutos, através de Tiquinho Soares. O avançado portista cabeceou em cheio para o fundo da baliza leonina, depois de um cruzamento de Herrera. No entanto, ainda antes do intervalo, o Sporting CP repôs a igualdade por intermédio do capitão Bruno Fernandes, que aproveitou um bom lance individual de Acuña para restabelecer a igualdade.

No tempo complementar, o FC Porto dominou por completo, criando várias situações de perigo, mas a não ser feliz na finalização e a obrigar ao prolongamento. E foi já nesse período que os sportinguistas deram a cambalhota no marcador, com um golo de Bas Dost. E quando os adeptos leoninos já festejavam, foi Felipe a repor a igualdade e a levar o jogo para as grandes penalidades, ao marcar o golo no último minuto da partida.

Há várias épocas consecutivas que os portistas não eram felizes nos penáltis, principalmente com os sportinguistas, mas nesta tarde a história foi outra. Bruno Fernandes falhou o quinto penálti e foi Moussa Marega a marcar a penalidade decisiva que garantiu ao FC Porto a conquista da Taça de Portugal, seis anos depois.

Foto de Capa: FC Porto

FC Porto 3-2 Feyenoord Rotterdam: Dragões confirmam favoritismo e seguem para os 16 avos

Em jogo referente à última jornada da fase de grupos da Liga Europa, o FC Porto recebeu e bateu o Feyenoord Rotterdam por três bolas a duas. Desta forma, apurou-se para os dezasseis avos de final da Liga Europa.

A equipa da cidade invicta entrou em campo com o onze predileto da maioria dos adeptos, certamente. Corona, em vez de Manafá ou até de Mbemba, dá outra qualidade à ala direita dos azuis e brancos. O regresso de Uribe e de Luis Díaz à titularidade nos jogos “a doer” também foram destaque neste jogo decisivo. Sérgio Conceição pôs “a carne toda no assador”.

Do outro lado, estava um Feyenoord desfalcado, privado de contar com alguns habituais titulares, entre eles, o lateral Karsdorp e o guardião Vermeer, para além de Jorgensen e do internacional jovem por Portugal, Edgar Ié. O guarda-redes utilizado nesta partida, Marsman, é titular, fruto das lesões dos dois principais “donos” do lugar.

Apesar do início dividido, o Porto foi a primeira equipa a causar perigo. Luis Díaz, à passagem do sexto minuto de jogo, rematou para defesa apertada do guardião adversário (6’). Os holandeses, ainda com possibilidades de se apurar, responderam de imediato com um livre de Berghuis, para boa defesa de Marchesín (10’).

Um jogo de parada e resposta. Praticamente na jogada seguinte, Luis Díaz fez o gosto ao pé (14’). Combinação perfeita entre Marega e Alex Telles, que colocou a bola no sítio certo para o remate do extremo colombiano. “Fífia” de Marsman, não retirando mérito ao golo do Porto. Enquanto os adeptos ainda festejavam o primeiro, eis que surge o segundo. Cruzamento de Soares à procura de um companheiro, para autogolo de Malacia (15’).

Os dragões nem tiveram tempo para se sentirem confortáveis com a vantagem de dois golos. Primeiro, alguém se esqueceu do central Botteghin na sequência de um pontapé de canto, que sozinho, só teve de encostar lá para dentro (19’). Pouco depois, Larsson empatou e relançou a partida (22’). Meia parte, quatro golos, dois para cada lado. Ainda assim, houve uma constante nos golos do Feyenoord: a apatia da defesa portista.

Apesar da qualidade reconhecida, Berghuis despareceu no segundo tempo
Fonte: Feyenoord Rotterdam

O jogo acalmou. Mas ambas as equipas precisavam de o agitar, precisavam de ganhar. E quem melhor para lhe dar um “safanão”? Marega acelerou pela direita, cruzou atrasado para Otávio, que rematou para defesa incompleta do guarda-redes. Mais uma vez, a bola ficou à mercê de um mínimo toque, e Soares, de carrinho, fez o terceiro golo dos azuis e brancos (33’).

O Porto foi a vencer para o intervalo (3-2), mas no segundo tempo teria que (finalmente) confirmar todo o favoritismo. A meu ver, claramente superior, apenas faltava demonstrá-lo dentro das quatro linhas. Até ao momento, um jogo a fazer lembrar o campeonato do país das tulipas.

No regresso dos balneários, ambas as equipas voltaram diferentes. Mais estáveis, equilibradas e precavidas, em virtude daquilo que de “menos bom” fizeram antes. Os ‘dragões’ mais dominantes, perante um Feyenoord cauteloso nas suas saídas para o ataque.

Uma partida, de tal forma tão distinta daquela que se jogou nos primeiros 45 minutos, que a oportunidade mais clamorosa surgiu dos pés de Corona, mas para a própria baliza. Valeu Marchesín e o poste. Pouco depois foi o recém-entrado, Luciano Narsingh a querer mostrar serviço, mas o guardião argentino “encheu” a baliza com a “mancha” (73’).

À medida que o fim se aproximava, a turma de Sérgio Conceição limitou-se a gerir a vantagem. E para colocar um “cadeado” na defesa portista, Mbemba saltou do banco.

Uma vitória difícil por parte do FC Porto, mais por culpa própria do que por outra coisa. Em suma, um encontro que pôs frente a frente dois conjuntos de futebol de ataque, ainda que do lado azul, costume ser mais equilibrado a nível tático. Apesar disso, estabilizou a tempo de comprovar a superioridade.

Porém, há que dar valor a esta conquista, porque apesar de superior, o Porto encontrou um bom Feyenoord. Uma equipa jovem, com princípios, de jogo rendilhado, de passes curtos e simples, tendo feito, a espaços, lembrar um carrossel (dada a fluidez na circulação). Muito futebol técnico, pouco futebol tático. Mas isso faltou a ambos. A primeira derrota no novo trabalho de Dick Advocaat.

Posto isto, o FC Porto terminou a fase de grupos em primeiro lugar (dez pontos), seguido do Rangers FC (9 pontos), que também se apurou. O Young Boys e o Feyenoord foram eliminados desta competição.

ONZES E SUBSTITUIÇÕES

FC Porto: Marchesín, Alex Telles, Marcano, Pepe, Corona, Danilo, Uribe, Otávio, Luis Díaz (Sérgio Oliveira, 74’), Marega (Mbemba, 83’) e Soares (Zé Luís, 74’)

Feyenoord Rotterdam: Marsman, Malacia, Senesi, Botteghin, Geertruida, Fer, Kokcu (Tapia, 75’), Toornstra (Ayoub, 72’), Sinisterra (Narsingh, 72’), Berghuis e Larsson.

Eintracht Frankfurt 2-3 Vitória SC: Sair de cena em grande

Na última deslocação europeia do ano, a equipa minhota procurava sair de cena da melhor maneira, ou seja, vencendo. A tarefa é que parecia hercúlea, uma vez que o registo lusitano em solo alemão costuma deixar a desejar. Ainda para mais, as águias negras nunca tinham perdido em casa frente a equipas portuguesas e o Vitória SC ainda não tinha vencido nesta competição este ano.

Os minhotos, já eliminados da competição, entraram destemidos na partida e a fazer lembrar o jogo de Londres, iniciaram muito bem o desafio e colocaram-se em vantagem muito cedo. Numa jogada polémica, em que os alemães reclamaram falta, o jogo prosseguiu e Rochinha, solto no corredor direito, recebeu o passe e atirou a contar, marcando o seu segundo golo europeu e inaugurando o marcador na Commerzbank Arena.

Mais uma vez nesta Liga Europa, via-se um Vitória SC positivo, a jogar com os setores muito próximos, com uma boa reação à perda da bola e com uma boa capacidade de entreajuda. Nos primeiros 25′ existiu muito espaço para a equipa trocar a bola e notava-se a qualidade à qual Ivo Vieira já nos habituou.

No entanto, e sem que se fizesse prever, o guardião vitoriano decidiu colocar os alemães no jogo, permitindo o empate de forma caricata. Ele que momentos antes proporcionou uma grande defesa a cabeceamento de Paciência. Num lance completamente inofensivo, Miguel Silva borrou a pintura, ao não agarrar uma bola cabeceada por Danny da Costa para o ar. É uma daquelas bolas que todos os guardiões agradecem, nem a oposição de um jogador contrário poderia ser motivo para a deixar escapar. Quem agradeceu foram os jogadores do Eintracht, que ainda devem estar para perceber como foi possível tal oferta. Dos golos mais fáceis da carreira, com certeza.

Um triunfo histórico em solo alemão a concluir a época europeia
Fonte: UEFA Europa League

Uma situação que interferiu no jogo, pois o Eintracht acabou por marcar o segundo ainda antes do descanso. Numa perda de bola do ataque português, os alemães saíram rápido e foi Kostic a cruzar da esquerda para Kamada que, sozinho na área, desfaz a igualdade. Um castigo demasiado pesado para os portugueses, mas sabe-se que na Europa a música é outra.

Na segunda parte, as águias negras entraram melhor mas o Vitória SC aguentou bem e ia conseguindo discutir a partida. Sentia-se que a equipa podia fazer algo mais, conseguindo ser perigosa no último terço. O melhor exemplo foi um remate à trave de Florent que serviu para alertar o conjunto da casa.

O jogo estava interessante, com a imprevisibilidade a ser nota dominante. Mérito para as duas formações que colocavam vivacidade e intensidade nas ações e o espetador agradecia. O conjunto português ia acreditando que era possível e ao longo do segundo tempo foi acumulando alguns cantos perigosos. Entretanto, Ivo Vieira mexia na equipa com a ambição de chegar ao golo, principalmente com as entradas de Bonatini e Bruno Duarte.

E foi através de um canto que surgiu o tão procurado tento, num lance algo feliz, quando Al Musrati escorrega e mesmo assim consegue marcar. Dois minutos depois, novo momento de felicidade, quando Edwards penetra para o centro e, com espaço, consegue o remate que desvia num adversário e só a vê a bola parar no fundo da baliza. Se o Vitória SC, até então, não estava a conseguir aquilo que fazia por merecer – que era marcar – a justiça fez-se a dobrar. O Eintracht bem tentou responder até ao final, mas desta vez foram os portugueses a sair com o triunfo.

A aventura europeia termina com a sensação de que podia ter sido feito algo mais. Este triunfo não foi por acaso, assim como a derrota em Londres não foi bem encaixada e os duelos com os belgas de Liège podiam ter sido diferentes. Pode ter faltado a experiência europeia necessária para encarar estes duelos e esta ganha-se com presenças frequentes. Assim que alcance a assiduidade desejada nestas andanças, o clube vai conseguir responder melhor em território europeu. Para já, foi um desfecho bastante positivo, com a promessa de voltarem mais fortes.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:

Eintracht Frankfurt – Frederik Ronnow (GR), Danny da Costa, Martin Hinteregger, David Abraham, Makoto Hasebe, Daichi Kamada, Djibril Sow, Sebastian Rode (Gelson Fernandes, 78’), Filip Kostic, André Silva (Gacinovic, 73’) e Gonçalo Paciência.

Vitória SC – Miguel Silva (GR), Victor Garcia, Frederico Venâncio, Pedro Henrique, Florent Hanin, Al Musrati, Pêpê Rodrigues, Denis Poha (Bruno Duarte, 82’), Rochinha (Edwards, 69’), André Pereira (Bonatini, 65’) e Davidson.

Há uma linha que separa o Watford FC de tudo o resto… é a linha de água!

Para quem não sabe, o termo “Linha de água” é usado na gíria futebolística e refere-se à linha que separa as equipas que descem de divisão das restantes equipas. Quem fica por baixo dessa linha fica com o destino traçado e é precisamente onde o Watford FC não quer ficar.

São tempos difíceis os que se vivem em Vicarage Road. O clube dos arredores de Londres já conheceu três treinadores esta época, o que demonstra a incrível instabilidade vivida no seio dos Hornets.

Javi Gracia, que entrou no clube a época passada sucedendo o português Marco Silva, foi o homem do leme que preparou e projetou toda uma época, mas que fruto dos maus resultados não pôde dar seguimento ao seu trabalho e acabou despedido.

Isto tem acontecido cada vez mais em Inglaterra, um país onde a cultura da maioria dos clubes não se sobrepunha aos resultados, dando tempo e paciência aos treinadores, agora é um país onde impera a ditadura do dinheiro e com isso a obrigatoriedade de obter resultados não só constantemente mas também o mais rápido possível. Essa mudança de paradigma tem destruído um pouco essa cultura num campeonato onde nos habituámos a ver treinadores que deixaram um legado nos seus clubes, casos de Sir Alex Ferguson, Arsene Wenger, Sam Allardyce, David Moyes, entre outros.

Javi Gracia foi mais uma vítima dessa, digamos, “falta de paciência”, não podendo tentar mudar o rumo dos acontecimentos do clube, mesmo tendo sido ele a preparar toda uma época. A verdade é que a força dos números foi mais forte na altura da tomada de decisão e a administração do Watford, não olhando ao facto do clube ter feito apenas quatro jogos na Premier League, despediu o técnico espanhol.

Olhando para o plantel do Watford diria que as ambições do clube se coadunam com aquilo que investiram, ou seja, muito escassas. Tem um plantel muito semelhante ao da época passada, com poucas mexidas, em que a contratação mais cara foi a compra de Ismail Sarr por trinta milhões de euros, o que comparado com outros clubes com objetivos idênticos, acaba por ser um plantel curto e com várias lacunas.

Mas não se pense que o problema dos Hornets é apenas a nível de plantel e treinador.

As decisões que a administração tem tomado, onde pontifica Sir Elton John, ajudam a perceber o rumo que o clube está a tomar. Prova disso é a contratação de Quique Flores para suceder a Javi Gracia.

Fonte: Watford

Quique, que já orientou os Hornets, mostrou-se uma solução aparentemente fácil fruto dessa anterior passagem pelo clube. Mas “quem nasce torto, tarde ou nunca se endireita” e esta segunda passagem de Quique no clube foi no mínimo catastrófica.

Para a história vão ficar os 8-0 aplicados pelo Manchester City e uma vitória em dez jogos, um pecúlio muito aquém daquilo que os responsáveis esperariam e por conseguinte nova chicotada na equipa, que começa a afundar cada vez mais na classificação e a ver a linha de água por um canudo.

Ora, para tentar salvar o clube de se afogar no campeonato e ficar irremediavelmente fora da luta pela permanência, o Watford foi buscar uma das poucas pessoas que os podem salvar.

Falo de Nigel Pearson, nada mais nada menos, que o responsável pela grande recuperação que o Leicester encetou em 2014/2015 denominada de “The Great Escape”, que tiraria da zona de despromoção o clube das East Midlands e que viria na época seguinte tornar-se campeão, mas já com Claudio Ranieri nos comandos da equipa.

Fonte: Premier League

Mas estarão os responsáveis do Watford dispostos a darem o tempo que Nigel precisa para recuperar a equipa? Se formos a ver pelos seus antecessores diria que não, mas acho que não tem escolha, pois não é solução estar a despedir um treinador ao fim de quatro ou dez jogos, há que dar tempo ao tempo e encontrar outras soluções.

Talvez por isso Nigel Pearson tenha chamado Craig Shakespeare, antigo adjunto de Claudio Ranieri no Leicester, para acrescentar algum conhecimento daquilo que é a realidade do Watford no momento.

A sete pontos de distância para o clube acima da linha de água, o Watford vai precisar de toda a inspiração possível e ter Shakespeare na equipa pode ajudar nesta situação!

Foto de Capa: Watford

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Os primeiros tempos de Mourinho

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De regresso ao ativo, após um longo período de “férias forçadas”, José Mourinho pegou num Tottenham abalado pela derrota na final da Liga dos Campeões da época passada e que este ano ainda não se tinha encontrado, sendo de destacar a pesada derrota frente ao Bayern de Munique, para a Liga dos Campeões, por 7-2.

Desde que está ao leme da equipa, José soma quatro vitórias e duas derrotas (uma frente à ex-equipa, o Manchester United, e outra frente ao Bayern de Munique, num jogo onde fez alinhar segundas linhas e onde nada se decidia), nos seis jogos disputados, quatro para a Premier League e dois para a Liga dos Campeões. Num destes, frente ao Olympiacos, conseguiu uma reviravolta de 0-2 para 4-2, onde garantiu o segundo lugar do grupo e consequente apuramento para os oitavos de final da competição.

Mas, mais que os resultados, convém analisar o perfil que o treinador português tem demonstrado. Mourinho tem adotado um perfil mais “humble one”, mudando radicalmente a sua forma de estar, na generalidade dos casos. No entanto, é possível ver a espaços o “verdadeiro” special one, quando por exemplo respondeu à pergunta de se achava possível que os jogadores do Tottenham se sentiam abalados pela derrota na final da Champions, dizendo que não sabia, pois nunca tinha perdido nenhuma.

Acho que, com o decorrer da época, e da sua (nova) estadia por Londres, os seus famosos “mind games” vão voltar a vir ao de cima – não será esta fase mais humilde, um deles?! – pois é algo que lhe corre nas veias, ele gosta do confronto, da “guerra das palavras”, pois sabe que aí podem se ganhar (e já ganhou!) muitos jogos, mesmo antes de entrar em campo.

 

Mourinho voltou a parecer um Rookie                                                                                                      Fonte: Tottenham Hotspur FC

 

Convém realçar, também, que Mourinho voltou parecendo um Rookie. A forma como festeja e como vibra parece de alguém que nunca ganhou nada e que está a dar os primeiros passos na carreia, não sendo, como é óbvio, o caso. Mourinho já ganhou “tudo” que havia para ganhar, já conquistou duas vezes o troféu internacional mais almejado do Mundo, no entanto esta mentalidade ganhadora, esta vontade, esta garra, este querer é que fazem dele um treinador com tantas conquistas.

Mourinho tem todos os ingredientes para o sucesso: jogadores talentosos, instalações de ponta (como não se cansa de realçar), um clube rico (embora, geralmente, seja contido nos gastos, algo que pode mudar com a chegada do português) e talvez aquilo que o fez conquistar a Europa por duas vezes, uma equipa sem vedetas, que praticamente não conquistou nada, e que está disposta a tudo para atingir o sucesso. Os dados estão lançados, resta agora saber, até onde poderá chegar Mourinho, neste novo – e diferente – desafio…

 

Foto de capa: Tottenham Hotspur FC

Artigo revisto por Joana Mendes

OPA: Oferta Pública para quê?

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O Sport Lisboa e Benfica decidiu avançar com uma OPA à Benfica SAD. Porquê? Para quê? Para benefício de quem? São várias as perguntas que surgem perante esta decisão da direcção do clube. Qual o interesse disto?

Não irei abordar este tema de forma técnica pois é o adepto que vive em mim que fica incomodado e curioso perante esta operação. Uma coisa é certa, os negócios liderados ou que envolvem Luís Filipe Vieira estão constantemente envoltos em desconfiança e factos estranhos. Ao longo dos anos, aprendi a desconfiar da honestidade das acções, palavras e intenções do actual presidente do Sport Lisboa e Benfica.

Assim à primeira vista, o que é que vemos? A direcção do Benfica Clube, liderada por Luís Filipe Vieira, decidiu que deveriam ser investidos mais de 30 milhões de euros do clube em acções da Benfica SAD, também liderada por Luís Filipe Vieira, e da qual o clube já tinha não 50%, não 55%, mas sim 69,9%. A SAD liderada por Vieira já era assim totalmente controlada pelo clube também liderado pelo mesmo. Então, para quê este movimento de mais de 30 milhões de euros?

Na comunicação ao mercado, a direcção do Sport Lisboa e Benfica apontou à bondade da operação. A intenção da mesma seria então reembolsar os accionistas que, em 2001, quando o clube precisou, avançaram com o seu dinheiro e compraram acções da SAD para ajudarem financeiramente o Sport Lisboa e Benfica. É este tipo de comunicações que sempre nos fazem duvidar das intenções de Luís Filipe Vieira. Esta OPA até pode ser um negócio que funciona somente em benefício do clube, mas quando nos são apresentadas justificações sem cabimento então fica fácil de desconfiar.

Vejamos. O clube irá pagar aos seus accionistas 180% do valor das suas acções, apesar de não precisar delas. A justificação é o reembolso dos accionistas que se chegaram à frente quando o clube precisava. Contudo, quem irá beneficiar – e beneficiar milionariamente – são accionistas que só adquiriram essas acções mais recentemente e a um valor bem inferior, e também o mentor de toda esta operação: Luís Filipe Vieira. É verdade. Há uma pessoa que decide oferecer a si próprio dinheiro que não é seu. Quase quatro milhões de euros.

Então, onde vai parar a teoria da OPA benemérita? A grande maioria dos accionistas, aqueles que detêm uma ínfima parte das acções, terão qualquer interesse nesta operação? Aqueles sócios que compraram acções como quem paga quotas – por amor e devoção – terão algum interesse em vendê-las?

Há quatro nomes que realmente irão beneficiar desta operação: José António Santos, José Guilherme, Joaquim Oliveira e Luís Filipe Vieira. Assim, fica a porta aberta a todo o tipo de especulações.

Há interesse do clube em pagar 30 milhões para ter 95% das acções de uma SAD que já controla com 70%? É que também a teoria que foi posteriormente lançada de protecção contra interesses alheios cai por terra. Uma OPA hostil por 25% das acções da SAD não seria do interesse de nenhum investidor, nem seria um incómodo ao clube. Não havendo sequer recompensa aos sócios originais, então o que há?

A direcção financeira do clube parece excessivamente interessada em ligações com investidores chineses
Fonte: SL Benfica

Uma das hipóteses que se coloca é a de a SAD deixar de ser cotada em bolsa, permitindo menor escrutínio aos negócios feitos: uma hipótese lógica neste mundo que é o futebol, mas duvido muito que seja essa a estratégia. Sinceramente, só vejo dois motivos plausíveis, dois motivos que são até coexistentes.

O primeiro seria recuperar acções dispersas, como modo de dar forma às palavras de Domingos Soares de Oliveira. A direcção financeira do clube parece excessivamente interessada em ligações com investidores chineses. Pouco tempo depois da conversa sobre a modificação do símbolo por interesses chineses, surgiu o lançamento desta OPA. Uma parceria com investidores chineses poderá também passar pela cedência/venda de um bom pedaço das acções da SAD.

A outra razão é a mais óbvia: oferta pública a amigos. E, infelizmente, este tipo de política dentro do Sport Lisboa e Benfica começa a parecer ser um comportamento regular. Grandes empresários, incluindo Joaquim Oliveira, irão beneficiar de milhões com esta operação. A Olivedesportos, que mais recentemente tem andado pelas ruas da amargura, irá ganhar um novo oxigénio com esta operação. E, por fim, o próprio presidente do Sport Lisboa e Benfica Clube e SAD garante para si um pé-de-meia de quase quatro milhões de euros quando se afastar, ou se vir afastado, do clube.

Fica clara a ideia de que Luís Filipe Vieira, com esta operação, começa a preparar uma possível saída do Sport Lisboa e Benfica: uma saída que poderá surgir forçada por um de vários processos judiciais em que se tem visto envolvido.

Cabe à direcção do Sport Lisboa e Benfica esclarecer os seus sócios. Mas, neste mundo de paixão futebolística, assuntos deste âmbito caem no esquecimento assim que a bola começa a rolar. E os dirigentes encarnados sabem-no bem.

Foto de capa: SL Benfica

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão