Início Site Página 11506

Luquinha, a “jóia” paranaense para o Portimonense SC potenciar!

Natural de Primeiro de Maio – uma pequena e remota cidade do estado do Paraná – Lucas Queiroz Canteiro tinha apenas 14 anos quando se mudou para Londrina – a segunda maior cidade do estado, em termos populacionais. Para integrar as camadas jovens do Londrina Esporte Clube, um emblema que, paralelamente ao crescimento vivenciado nos últimos anos, tem sabido potenciar alguns bons valores do futebol brasileiro, como são os casos de Wendell (lateral esquerdo do Bayer 04 Leverkusen), ou de Joel Tagueu, avançado camaronês (tem, também, cidadania brasileira) que se notabilizou, durante as duas últimas temporadas, ao serviço do CS Marítimo.

No LEC, ou Tubarão, alcunha pela qual é conhecida a turma londrinense, «Luquinha» foi progredindo, e chega agora a Portugal, mais concretamente à cidade algarvia de Portimão, já depois de se ter estreado como profissional, algo que acontecera em março passado por ocasião de uma partida referente ao Campeonato Paranaense, frente ao Foz do Iguaçu FC. No total, o futebolista natural de Primeiro de Maio completaria 13 jogos – oito como titular – pela formação treinada por «Alemão», tendo marcado quatro golos e efetuado, ainda, duas assistências. Antes disso, e ainda no decurso da pretérita temporada, o jovem médio ofensivo havia sido a referência do Londrina na maior competição de juniores do Brasil, a Copa São Paulo de Futebol Júnior, ao ser o melhor marcador – seis golos em quatro encontros – e capitão do conjunto orientado por «Silvinho» Canuto.

O médio ofensivo «Luquinha» protagonizara excelentes exibições, ao serviço dos juniores do Londrina e foi premiado com a promoção à equipa principal Fonte: Gustavo Oliveira / LEC

Como joga:

Lucas Queiroz Canteiro, mais conhecido no meio futebolístico por «Luquinha», é um médio de caraterísticas predominantemente ofensivas. Possuidor de um baixo centro de gravidade – mede, somente, um metro e sessenta e sete centímetros -, o jovem paranaense é um futebolista bastante hábil e assertivo, que não hesita em encarar os adversários em lances de 1vs1. Saliente-se, para além disso, a sua grande aptidão para surgir em zonas de finalização. No entanto, um dos seus principais atributos reporta-se à capacidade de remate a longa distância. Neste sentido, de referir que apesar de destro, este jovem paranaense se mostrar, igualmente, eficiente na utilização do seu pé esquerdo. De realçar, ainda, o facto deste futebolista nascido no ano 2000 ser um excelente cobrador de lances de bola parada, uma tarefa da qual estava encarregue no seu anterior clube.

Nome: Lucas Queiroz Canteiro; Data de nascimento: 3 de outubro de 2000; Naturalidade: Primeiro de Maio (Paraná)

Posição preferencial: médio ofensivo;

Pé preferencial: direito

Foto de Capa: Gustavo Oliveira/ Londrina Esporte Clube

artigo revisto por: Ana Ferreira

 

Quem é Natxo González, o novo treinador do CD Tondela?

Já nos tínhamos habituado a ver Pepa no comando do CD Tondela. O treinador português tornou-se um tondelense no dia 10 de janeiro de 2017 e foram muitas as proezas que realizou: em duas épocas e meia, garantiu a permanência três vezes (duas delas de forma heróica – na última jornada), e obteve melhor classificação do clube no futebol português. Para se ter noção, Pepa era o treinador há mais tempo no comando de uma equipa do escalão principal do futebol português.

Porém, tudo tem um fim e a ligação de Pepa ao Tondela terminou no passado mês de junho. Para o seu lugar veio um desconhecido espanhol: Natxo González. O técnico natural de Vitoria-Gasteiz (norte de Espanha) comandou o RC Deportivo de Corunha na época passada.

Na Corunha, o técnico foi até à final do playoff de acesso à primeira liga espanhola. Na primeira mão, e a jogar em casa, o Depor venceu o RCD Mallorca por 2-0, com o conhecido Domingos Duarte a titular. Porém, no segundo e derradeiro jogo da final, as coisas foram bastante distintas: os comandos de Natxo González deixaram-se dormir e foram surpreendidos pelos homens do sul de Espanha: uns esclarecedores 3-0 afastaram o Depor e Natxo da La Liga.

O técnico espanhol assinou até 2021
Fonte: CD Tondela

Na época 17/18, o técnico espanhol orientou Zaragoza, ficou em terceiro na segunda divisão espanhola e acabou eliminado pelo CD Numancia de Soria na meia final do playoff. O Zaragoza terminou o campeonato a quatro pontos do acesso directo à primeira liga e foi eliminado pelo sexto classificado num agregado de 3-2. Ou seja, dois seguidos em que o técnico morreu na praia.

Antes disso, foram 128 jogos ao serviço do CF Reus (três épocas). As duas primeiras na terceira divisão espanhola e a última já no segundo escalão, onde Natxo conquistou o décimo quatro posto da tabela classificativa. Na primeira época ao serviço do CF Reus, o técnico espanhol foi até ao playoff de subida mas foi eliminado nos quartos-de-final pelo Racing Ferrol. Ou seja, nestes três anos foi uma eliminação no playoff de subida, uma subida de divisão e uma permanência na segunda divisão.

Antes disso foi o Deportivo Alavés quem contou com Natxo González. Na temporada 12/13 o técnico subiu de divisão para a La Liga 2, eliminando o Real Jaén e o CD Tenerife nas eliminatórias do playoff de subida. Na época seguinte, o técnico espanhol saiu a meio da temporada e o Alavés acabou a época no primeiro lugar de manutenção, com um ponto de vantagem do CD Mirandés.

Em suma, em 256 jogos Natxo González conta com 116 vitórias, 76 empates e 64 derrotas. É um treinador habituado a subir equipas mas nunca treinou uma primeira liga. É, por isso, um tiro no escuro por parte da direcção do Tondela, até porque o técnico nunca treinou fora de Espanha.

Foto de Capa: CD Tondela

 

 

Despacha-te, Patrice: o adeus de Evra sob o desígnio de Ferguson

O anúncio do final de carreira de um jogador que admiramos tende a ser um momento particularmente nostálgico e surpreendente, um cruzamento entre memórias antigas que nos transportam para a inocência doutros dias e uma chamada à realidade que é a inevitabilidade do tempo, quase como quando o árbitro apita para o final de um jogo pelo qual nem demos pelos noventa minutos passarem.

Patrice Latyr Evra, jovem franco-senegalês, foi a mais recente baixa no plantel dos eternos. Marsala, cidade à beira-mar plantada a nordeste da Sicília, deu nome ao clube que o viu estrear-se como futebolista profissional, no ano em que o país que o recebeu quando aterrou do Senegal festejou pela primeira vez a conquista do Campeonato do Mundo de Futebol. Da estreia na ilha onde Don Vito Corleone nasceu, ao regresso a França, correram duas épocas, com uma passagem pelo Monza, este já bem no topo da bota italiana que dá forma ao país banhado pelo Mediterrâneo.

Mas antes da aventura em Nice – mais uma vez cidade e clube numa só palavra -, importa contar um pouco da história do menino que cresceu em Les Ulis, aldeia nos subúrbios de Paris. Evra é o último nome de 24 irmãos, filhos de dois emigrantes senegaleses que viram em França – à imagem do que acontece com tantas outras ex-colónias – a oportunidade de proporcionarem uma vida melhor aos seus descendentes. Por força da profissão de seu pai, reputado embaixador, a mudança não se afigurou difícil. Bruxelas foi a sua primeira casa europeia, e só depois rumou à antiga Gália.

Aos dez anos, Patrice assistiu ao divórcio dos progenitores e viu o pai levar quase tudo quando o deixou a ele, à mãe e aos irmãos: do sofá à televisão, nem as cadeiras escaparam. Foi nesta altura que Evra fez a sua primeira finta: ao destino.

“Partilhava um colchão com dois dos meus irmãos. Quando havia comida, tinhas de correr para assegurar a tua parte. Alguns dos meus irmãos conseguiram trabalho, mas foram viver com os parceiros. Aí, era a minha mãe, a minha irmã mais nova e eu. Tive de sair para as ruas. Quando cresces numa área com tiros e homicídios, não importa quem és, fazes o que podes para sobreviver. Lutei muito. Roubei comida, roupa, videojogos. Sentava-me fora das lojas a pedir dinheiro”.

Sem o futebol, o agora consagrado e retirado jogador assume que, à luz das probabilidades por ele matematizadas, “estaria sentado à porta de uma loja de Paris, a pedir dinheiro para comprar uma sandes”.

A paixão pelo jogo, celebrizada nas redes sociais do jogador com a recorrente sentença “I love this game”, impediu-nos de nos cruzarmos com o cada vez mais excêntrico lateral-esquerdo numa qualquer travessa com olhos para o Rio Sena; em vez disso, foram milhares os euros gastos para o ver cruzar.

A viragem do século coincidiu com a viragem da sua ainda curta carreira em solo italiano. Três épocas no Nice, de 2000 a 2002, possibilitaram-lhe o salto para o Principado. No Mónaco, assumiu-se como um dos mais promissores defesas-esquerdos da Europa antes de Sir Alex ir pescá-lo, a meio da temporada 2005/06, ao porto repleto de iates muito característico daquela cidade-estado, onde realizou mais de 150 jogos em três épocas e meia e disputou uma final europeia frente a um emergente treinador português nascido perto do Rio Sado.

Fonte: Seleção Francesa

Em Manchester, sentiu o pulso a Old Trafford e o frio a uma cidade que só aquece quando os diabos vermelhos tomam de assalto o “Teatro dos Sonhos”. Ao longo de nove épocas, conquistou 14 títulos – dentre os quais a Liga dos Campões – e o respeito do mundo do futebol. Ao “3” nas costas do baixinho mas resiliente francês, juntou-se a braçadeira branca nos últimos tempos com o símbolo do Manchester United ao peito. Da polémica com Luis Suárez ao rendimento superlativo dentro de campo, o legado de Patrice Evra permanecerá intacto na memória coletiva dos adeptos ingleses.

Seguiu-se Turim, onde ao serviço da Juventus conquistou três Ligas Italianas em três épocas. O casamento com a “Velha Senhora” foi, entretanto, interrompido por uma bela francesa chamada Marselha, para onde se mudou a meio da terceira época, por onde ficou até 2017.

A aventura no emblema do sul de França terminou sob os holofotes do fundador da nossa primeira dinastia e Guimarães serviu de ringue a céu aberto para o combate entre um grupo de adeptos do Marselha e alguns jogadores do clube, que levou a UEFA a suspender o já veterano lateral até junho de 2018.

Londres foi o destino final de um bom rebelde, que ainda foi a tempo de soprar as bolhas do West Ham por cinco ocasiões.

Na seleção, cantou de galo por 81 vezes, tendo estado presente consecutivamente em Europeus e Mundiais de 2008 a 2016.

De lá para cá, muitos têm sido os episódios caricatos de um ser que não deixa nenhum adepto indiferente às suas histórias. Aquando do adeus oficial, Patrice Evra revelou o inetento de vir a ser treinador dentro de um ano e meio, destino que lhe foi traçado por Alex Ferguson quando coincidiram em Manchester.

Ainda que a carreira de treinador não alcance o mesmo sucesso que a de jogador, a presença nos relvados internacionais do menino que roubava para comer é sempre um motivo de alegria para quem ama este jogo.

Foto de Capa: Manchester United

Revisto por: Jorge Neves

Quarto lugar que sabe a pouco

Durante o mês de Julho, a seleção nacional de andebol masculino sub-21 esteve em Pontevedra, Espanha, a disputar o Mundial da categoria, tendo atingido um brilhante quarto lugar, a sua segunda melhor classificação de sempre em mundiais da categoria.

Depois do quarto lugar atingido o ano passado no Europeu de sub-20, esta competição veio confirmar o nível e a qualidade que esta geração tem e que pode deixar entusiasmados todos os adeptos de andebol portugueses. Assim, há algumas coisas que podemos retirar deste mundial, tanto positivas como negativas.

Positivo

Diogo Silva abriu as portas de entrada para a seleção principal com as suas exibições neste Mundial, tendo sido eleito o melhor lateral direito da competição bem como o melhor marcador, com uma média de oito golos por jogo. Atualmente jogador do FC Porto, mas emprestado ao Celje Pivovarna, Diogo vai disputar o grupo A da EHF Champions League, o que lhe vai dar experiência e ritmo competitivo, fundamentais para a sua afirmação como futuro da seleção portuguesa.

Diogo Valério confirmou todo o seu potencial como um dos futuros guarda-redes de seleção. Defendendo uma média de sete remates por jogo, foi determinante no embate frente à Eslovénia ao defender um remate da ponta no último segundo, garantindo assim o apuramento para as meias-finais. Aproveitando ao máximo os seus reflexos e estatura física, o guarda-redes emprestado pelo SL Benfica ao CF Belenenses provou ser uma muralha difícil de ultrapassar e a experiência só o irá melhorar.
Luís Frade confirmou toda a sua qualidade neste Campeonato do Mundo
Fonte: IHF

Luís Frade é, neste momento, o melhor pivot da sua geração, não a nível interno, mas sim mundial. Uma força tremenda tanto no plano ofensivo como defensivo, o pivot do Sporting CP é a voz de comando da seleção e um general dentro de campo. Com apenas vinte anos é já um dos melhores pivots a nível nacional e coloca em sentido qualquer defesa, dados os seus recursos técnicos – veja-se o jogo frente à Croácia na meia-final do campeonato em que várias vezes arrastava dois ou três defensores consigo tal era a preocupação croata. Depois de uma época de adaptação ao serviço dos leões, este será o ano de afirmação de Frade no plano europeu devido à participação na Liga dos Campeões. Se mantiver o nível que tem demonstrado até agora o futuro passará certamente para uma mudança para o estrangeiro para um dos campeonatos de topo.

A resiliência e capacidade de ultrapassar momentos menos bons foi a imagem de marca desta equipa ao longo da competição. Fruto de ser o quarto torneio que esta equipa disputou desde 2016, na altura o Europeu sub-18, o entrosamento demonstrado nos momentos difíceis foi chave para atingir este quarto lugar. Teria sido fácil desmoralizar depois do jogo frente ao Brasil na primeira jornada, em que esteve a perder por onze golos ao longo da partida, terminando com uma desvantagem de “apenas” 5, mas os jogadores portugueses cerraram fileiras e conseguiram ultrapassar esse obstáculo. Será importante transportar este espírito de grupo para a seleção principal nos anos futuros.

Negativos

Independentemente da modalidade, nove jogos em treze dias é excessivo e perigoso para os atletas. Quando se trata de um desporto tão exigente fisicamente como o andebol, então o perigo e o potencial para lesões é ainda mais acentuado. No jogo da meia-final era claro que os atletas portugueses se encontravam em défice fisicamente e que isso os afetava na tomada de decisões. A IHF tomou a iniciativa e a partir de 2020 todas as seleções serão obrigadas a ter pelo menos um dia de descanso entre jogos. No entanto, isto apenas se aplica a seleções seniores, não contemplando assim os sub-21, sub-20, sub-19, etc. Para bem de todos, atletas e adeptos incluídos, estas medidas têm que ser transversais a todos os escalões.

A atuação do selecionador acaba por ficar manchada pelas últimas partidas
Fonte: EHF

A atuação do selecionador nacional foi muito fraca nos momentos importantes e, por injusto que pareça, Portugal poderia ter neste momento uma medalha de ouro ou prata caso tivesse agido de forma diferente. Claro que é fácil falar depois de terminar e no calor do momento é extremamente complicado tomar decisões, mas as falhas do treinador não foram do foro técnico ou tático da equipa, apesar de também aí terem existido, mas sim na gestão dos atletas. Para se ter uma noção, Portugal levou dezassete atletas para o Mundial. Desses dezassete, apenas nove atletas jogaram vinte minutos ou mais em média ao longo do campeonato, com o sete inicial a ter jogado, em média, 44 minutos por jogo!

No final do campeonato, o selecionador afirmou que «O facto de não termos começado bem obrigou-nos a limitar a rotatividade e não nos podemos esquecer que foram 9 jogos em 13 dias, houve jogadores que foram demasiadamente utilizados.» Apesar de ser verdade que número de jogos teve um papel importante, numa competição deste género acima de tudo é preciso gerir fisicamente os atletas, é por essa razão que se levam dezasseis ou dezassete. Como se explica então que cerca de metade dos atletas convocados tenham jogado uma média de 10 minutos ou menos ao longo de todo o torneio ou que certos jogadores tenham jogado menos de trinta minutos na totalidade do mundial.

 

Como conclusão, Portugal realizou um campeonato brilhante, ficando no quarto lugar, e estes atletas mereciam uma medalha por todo o esforço e resiliência que demonstraram. Mas apesar de não terem conseguido, esta geração de sub-21 é uma das gerações jovens de ouro e se for bem trabalhada e não tiverem medo de arriscar, podemos estar a ver o início de uma fase extremamente positiva para o andebol masculino português. A seleção sénior deu o primeiro passo ao apurar-se para o Europeu 2020, agora será a vez destes jogadores mostrarem que merecem chegar ao patamar mais alto. E se continuarem assim, ainda darão muitas alegrias aos adeptos portugueses.

Foto de Capa: EHF

Revisto por: Jorge Neves

Ser a voz de comando que neutraliza a irreverência

0

As equipas B são o primeiro “choque” dos jovens craques que saem da formação com os olhos postos na competição de alto nível ao serviço das equipas principais dos mais variados clubes. As formações secundárias albergam o talento provenientes dos escalões anteriores, marinam-no e fazem a devida triagem. No fim, poucos são os que se salvam, até porque neste mundo a capacidade mental para acompanhar o muito talento dos pés é tão ou mais importante.

É, se calhar, um pouco a pensar nisso que o FC Porto recuperou uma estratégia formativa para a sua equipa B que havia conhecido um travão em 2014. Dois anos antes, aquando da ressurreição destas “equipas de reservas”, Zé António, um veterano e profundo conhecedor de todos os cantos e recantos do futebol português, fora a escolha para lidar e manter com os pés assentes no chão um lote imenso de jogadores que chegavam à equipa B cheios de expetativas.

É um pouco essa a função do mentor que o FC Porto vem escolhendo para ser o gestor de emoções de quem tem na irreverência a sua forma de estar no futebol, recheado de sonhos que tenciona vir a cumprir. O choque com a realidade do futebol sénior é, na maioria das vezes, bastante doloroso e difícil de encarar, pelo que uma voz de comando pronta a sustentar e minimizar as dores de crescimento acaba por ser uma boa ajuda, não só para os jovens talentos como também para a respetiva equipa técnica.

É nesse sentido que Rui Barros conta esta época com uma peça de peso no que à experiência e anos de rodagem ao mais alto nível diz respeito. Gonçalo Brandão foi o homem escolhido para, pelo menos durante os próximos dois anos, ser o prolongamento do treinador dentro de campo. A ele estará confiada uma etapa significativa e muitas vezes decisiva da formação dos jogadores.

Gonçalo Brandão conta com passagens em Portugal por Belenenses e Estoril Praia, mas na época passada jogou na Suíça
Fonte: Lausanne Sport

Nos últimos anos, vem havendo muito talento a marinar no Olival que, por uma ou outra razão, acaba por se perder na passagem para o futebol sénior. Os mais recentes casos de sucesso do clube azul e branco (Romário Baró, Fábio Silva e Tomás Esteves) mostram que a aposta vai ser efetivada nos próximos tempos e que bom pode ser que um jovem talento chegue à primeira equipa com a personalidade e o traquejo necessários para se afirmarem e não caírem a pique logo à primeira contrariedade.

Gonçalo Brandão é um defesa central de 32 anos, que iniciou a sua carreira de profissional em 2004, ao serviço do CF Os Belenenses, clube onde realizara toda a formação. São as sete épocas com o emblema de Belém ao peito que conferem a Gonçalo o estatuto de “expert” em futebol português, com passagem também pelo GD Estoril Praia. As experiências em Itália ao serviço do Parma, do AC Cesena e SSR Siena alargaram os horizontes da experiência e, para o FC Porto B, a escolha não poderia ser mais acertada.

Foto de capa: FC Porto

Luciano Vietto: o génio incompreendido

0

No futebol, por vezes, aparecem jogadores com características muito específicas e diferenciadas da maioria e tais características, são visíveis quer na qualidade de passe, visão de jogo, movimentações e sobretudo na elegância, classe e inteligência, que demonstram dentro das quatro linhas. Mas no futebol o que é ser inteligente? Ou melhor, o que define um jogador dito inteligente da restante maioria?

Se compararmos os fatores em comum de jogadores considerados “génios” da bola, que ingressaram de leão ao peito, como são os casos de Bruno Fernandes e Pedro Barbosa por exemplo, notamos que a facilidade com que conseguem “abrir o livro” é tremenda porque sabem sempre o que fazer, até mesmo nos momentos mais complicados em que a perda da posse de bola parecia inevitável. Contudo o futebol é um jogo de equipa e para se conseguir “abrir o livro” da forma como eles fazem, é necessário conhecer as rotinas e modos de jogar dos restantes companheiros. Aí é que reside o maior problema de Luciano Vietto.

O craque argentino possui praticamente todos os requisitos para ser considerado um génio embora, nesta pré-época, pouco ou nada tem contribuído para tal afirmação. Mas o maior problema de Vietto só irá ser resolvido com paciência e tempo. Atualmente, o seu conhecimento tático desta forma de jogar é muito reduzido, provavelmente porque nunca teve um treinador com a “escola” holandesa de Keizer. Nota-se claramente que não está à vontade com o sistema tático, e ter feito alguns jogos na ala ainda piorou a situação. Não possui a velocidade necessária para compensar a equipa defensivamente em caso de subida do lateral, deixando assim vulnerável o corredor em que joga.

A passagem pelo Atlético de Madrid do avançado argentino foi inglória
Fonte: Club Atlético de Madrid

Nos últimos jogos, Keizer percebeu isso e preferiu encostar Bruno Fernandes à linha, colocando assim Vietto no meio, deixando-o mais confortável com a esperança de ter mais impacto no jogo. Porém, tal facto não se tem verificado e nota-se que o jogador anda algo “perdido” em campo, muito devido ao tal desconhecimento das rotinas da equipa. Considero uma má decisão, sacrificar o nosso melhor jogador encostando-o na ala, quando claramente o Bruno é um jogador que tem que jogar junto à área adversária, porque é assim que possui mais impacto no jogo.

Uma boa solução para colmatar este problema chegou há pouco tempo de férias, de seu nome Marcos Acuña, que oferece um pulmão incrível ao setor esquerdo da equipa leonina e com o argentino na esquerda, a conversa será outra. O ponta de lança argentino terá mais liberdade para fazer o seu jogo e colocar toda a sua elegância em campo, e com Bruno Fernandes mais perto da grande área, certamente que os nossos adversários irão ter sérias dores de cabeça.

Em jeito de conclusão, ainda é muito cedo para classificar Luciano Vietto como um “barrete” ou “flop” como se diz por aí, porque os génios são muitas vezes incompreendidos. A culpa não é deles, mas sim das pessoas que lá por saberem uma ou outra coisa de futebol, acham que têm o direito de crucificarem jogadores. Ter um treinador de ideias firmes e vincadas, que ainda não se conseguiu adaptar a este génio, também não ajuda ao desenvolvimento do atleta em si, porque a qualidade e classe está lá em cada passo que dá, em cada “perfumada” que oferece à bola.

Foto de Capa: UEFA

Revisto por: Jorge Neves

Chuva de flops

0

Nunca me interessei verdadeiramente pela escansão de resíduos. Não me orgulho, evidentemente. Mas suporto poucos quilogramas de paciência de modo a proceder conforme as regras dos 3 R´s. Sosseguem, redatores, “desnecessário” é um vocábulo descartado pelo facto de, em primeiro lugar, não considerar isso e, em segundo lugar, por ambientalistas e filiados do PAN me apontarem o arsenal à nuca. Contraí matrimónio com o globo devido à perseverança de inúmeros sermões. E que jeito estão a fazer…

Infelizmente, o Sporting Clube de Portugal, ao longo das derradeiras décadas, aperfeiçoou a técnica da compra supérflua. De Eskilsson, Katzirz e Rodolfo Rodríguez a Alan Ruíz e André Pinto, a vítima permaneceu, do primeiro ao último minuto: o clube. Errar uma vez é humano, duas vezes é questionável e, a partir daí, é inépcia. Quantos foram os profissionais que atracaram no clube, com salários chorudos e dignos de Parlamento, a não prestarem o devido serviço? Louvada seja a falta de noção em situações como esta!

Ora, sucedendo à técnica descrita, emerge o corolário aterrorizador: a incapacidade de reutilizar, o não aproveitamento das potencialidades e fragilidades que nos são impostas à vista. A memória não é um instrumento, por vezes, de cabal fiabilidade, mas poucos foram os que presentearam as suas carreiras (e o que restava delas) com um trilho mais colorido e vivaz. O clímax da confiança jamais se verificou no reino do leão.

O lateral ex-Fiorentina continua sem entusiasmar Alvalade
Fonte: Sporting CP

Em pleno século XXI existe algo pior do que Putin, Trump e Bolsonaro na chefia suprema dos seus países, Comissões de Inquérito na Assembleia da República a aflorar o irrisório, “funks” monocórdicos e reggaetons ensanguentando os tímpanos? Sim, existe: despender exorbitâncias em contratações defeituosas e nos seus respetivos salários. VIviano e Alan Ruiz, sem envergarem a listada verde branca, auferem dois milhões de euros anuais; Bruno Gaspar, Petrovic, Jefferson, André Pinto, Lumor, Gauld, Mattheus Oliveira custam dez milhões anuais. E não jogam! Porque se jogassem… Consciente de que a venda e o lucro constituem um breu, suplico pela rescisão dos respetivos contratos.

A folha salarial carece de redução. Era um R que se politizava, o único que, no meu campo de visão, se aplicaria e de onde se extraíam os benefícios naturais. Na íntegra, e numa perspetiva sonhadora e crente, aquele cofre, constantemente arrombado, renovar-se-ia com a módica quantia de 22 milhões de euros (!).

Ou, impulsionando a leviandade, dialogar com a FPF sobre a possibilidade de organizar uma nova competição que reunisse o universo dos ilustres, todas eles promissores e com certificado de qualidade. Embora competissem com dinossauros do flop nacional, o leão era o suprassumo.

Foto de Capa: Sporting CP

Aos comandos da Supertaça FPF de eSports

Chegou o mês de agosto e com ele chegou também o início das competições da FPF. A Supertaça FPF eSports será a primeira a ser disputada no calendário do órgão máximo do futebol em Portugal e é aguardada com muito entusiasmo. A cidade de Faro vai acolher a competição de eSports, que se vai realizar dia 4 de agosto.

Se todos os amantes de futebol esperam para ver o dérbi lisboeta no mesmo dia – mas à noite -, então os amantes dos jogos estão de olhos postos nesta final. De um lado temos o campeão nacional, Gonçalo “Troppez” Brandão, e do outro o vencedor da Taça de Portugal FPF eSports, Diogo “Somosnos” Brás.

Esta será a terceira edição da Supertaça e as duas últimas foram ganhas por jogadores diferentes. A primeira, em 2017, foi ganha por Diogo “Somosnos” Brás e a última foi “RastaArtur” a levar o troféu para casa. Ambas foram jogadas no Estádio Municipal de Aveiro, o palco da final da Supertaça de Futebol.

“RastaArtur” esteve em duas finais da Supertaça e venceu em 2017, no Estádio Municipal de Aveiro
Fonte: FPF eSports

Falta pouco para que a bola comece a rolar no ecrã do televisor e os jogadores estejam concentrados a mexer nos seus comandos em busca de um golo. Mas não podia faltar a antevisão desta grande final. E isso asseguramos-te nós! Fica com a antevisão desta Supertaça com uma ajuda especial de José “Runrun” Soares.

Ligados à Volta #1: Samuel Caldeira vence o Prólogo e é o primeiro líder

A Volta a Portugal está oficialmente na estrada e para começar os ciclistas tinham um prólogo de seis quilómetros em Viseu. Um trajeto praticamente todo plano, mas com muitas rotundas e curvas complicadas, com uma breve passagem pelo empedrado.

Viseu tem sido uma cidade bastante acolhedora do ciclismo, visto que desde 2009 que a Volta a Portugal não falha a sua passagem por terras de Viriato.

No ano passado, a chegada a Viseu foi feita através de uma ligação com o Sabugal, numa extensão de 191.7 quilómetros. No final, a vitória caiu para o italiano da MsTina-Focus Riccardo Stacchiotti com uma finalização ao sprint.

Fonte: Volta a Portugal

No prólogo tivemos desde cedo um português no cadeirão, com o melhor tempo do percurso, de seu nome, Samuel Caldeira. O sprinter de 33 anos da W52-Porto fez um tempo referência, que acabou por ser suficiente para levar a vitória. Fez os seis quilómetros em 7m:28s a uma velocidade média de 48.214 km/h.

No entanto, Gian Friesecke da Swiss Racing Academy ficou a oito centésimos do tempo de Caldeira! O último nome a partir para a estrada, Gustavo Veloso, também ficou a centésimos de conseguir ganhar o prólogo. Ele que ganhou o prólogo do G.P de Torres Vedras, no dia 11 de Julho, num percurso de oito quilómetros, realizado no Turcifal. Na altura, fez cinco segundos melhor do que Caldeira, que acabou na segunda posição do prólogo.

António Carvalho fez o quinto melhor tempo, ficando apenas a cinco segundos do seu colega de equipa, Caldeira. Joni Brandão perdeu apenas sete segundos para o melhor registo e ficou no oitavo lugar. Bom começo para estes dois ciclistas, que têm pretensões à geral da Volta a Portugal este ano.

O líder da Louletano, Vicente de Mateos, perdeu dez segundos. O português da Caja Rural, Domingos Gonçalves, perdeu onze segundos e Edgar Pinto (W52-Porto) perdeu 13 segundos.

Samuel Caldeira venceu o prólogo e é o primeiro camisola amarela desta 81ª Volta a Portugal em bicicleta e a W52-FC Porto a começar da melhor forma, depois das más notícias sobre a indisponibilidade de Alárcon. Além da vitória, a equipa portista colocou quatro ciclistas no top dez!

Top 10 do prólogo:

1º Samuel Caldeira (W52-FC Porto) 7m:28s

2º Gian Friesecke (Swiss Racing Academy) m.t

3º Gustavo Veloso (W52-FC Porto) m.t

4º Thibault Guernalec (Team Arkéa Samsic) +0:02s

5º António Carvalho (W52-FC Porto) +0:05s

Mikel Aristi (Euskadi Basque Country-Murias) +0:07s

Cyrille Thièry (Swiss Racing Academy) m.t

8º Jóni Brandão (Efapel) m.t

João Matias (Vito-Feirense-Pnb) +0:08s

10º Daniel Mestre (W52-FC Porto) m.t

Foto de Capa: Volta a Portugal

A Supertaça é mesmo “super”?

É o primeiro jogo oficial em Portugal – e na maioria dos países europeus – em cada nova época e vale um troféu. No entanto, com raízes na época anterior, as implicações da Supertaça para a nova temporada são difusas e discutíveis. Argumenta-se que é só um jogo, que “interessa é como acaba, não como começa”. Argumenta-se também que é “o” jogo que dita o que será o campeonato, que pode ter o condão de fazer mexer o mercado, que é “a” prova de fogo antes de começar a Liga. Há quem a valorize, há quem faça o contrário. Então, a Supertaça merece a designação que tem?

Resposta curta e simples: talvez. Sendo um jogo – já foram dois – que vale um título oficial, a sua importância é inegável. Vale por si. Não é uma competição longa e árdua, mas para chegar ao momento da decisão é preciso vencer uma das duas provas mais importantes do futebol português (ou chegar à final da Taça de Portugal, caso o seu vencedor se sagre também campeão nacional). O vencedor aumenta o seu espólio e o seu ego. Mas não deixa de ser um jogo.

E num jogo tudo pode acontecer, sem que o resultado final seja indicador ou revelador do que será o desempenho desportivo de cada uma das equipas. De resto, em 41 edições da Supertaça, só por 13 vezes (31%) o vencedor da Supertaça se sagrou campeão nacional no final da época. Também comprovativo de que se trata de uma prova diferente, em que o vencedor é muito mais imprevisível do que no que se refere ao campeonato, é o facto de, em 41 edições – desde 1979 –, já cinco clubes terem vencido o troféu (FC Porto, 21 títulos, Sporting CP, 8, SL Benfica, 7, Boavista FC, 3 e Vitória SC, 1), precisamente o mesmo número de campeões nacionais (cinco), em 85 campeonatos. Contudo, a Supertaça é ainda mais salomónica, uma vez que os dois não tidos como grandes venceram quatro títulos, enquanto na Liga Portuguesa, os dois não tidos como grandes – Boavista FC e CF “Os Belenenses” – venceram um cada.

Posto isto, as implicações futuras são poucas e/ou irrelevantes. A Supertaça, o que valer, vale pelo que significa por si própria e pelas consequências diretas que se fazem sentir no presente (entenda-se, o momento de época em que é jogada). E aí é preciso valorizá-la. Apesar de poder ser vista como um importuno, que obriga a preparação da época a começar mais cedo, que impede que as equipas se foquem desde o início no campeonato, tendo que disputar um jogo único sem ramificações, a verdade é que a disputa da Supertaça carrega muitos pontos positivos.

O Estádio do Algarve recebe SL Benfica e Sporting CP na 41ª edição da Supertaça
Fonte: SL Benfica

Por ser vista pela maioria dos adeptos (pelo menos os dos “três grandes”) como um título menor, por vezes menosprezado, a pressão e a exigência não são as que os jogadores encontram noutras provas. Ainda assim, é um excelente primeiro teste para os novos jogadores, que, logo no primeiro jogo que realizam, sentem o “peso da camisola” e, como é o caso este ano, defrontam um rival. Também para os elementos que transitam da época anterior e para o coletivo é uma prova mais exigente do que abrir oficialmente a temporada com um jogo da Liga Portuguesa, em que a urgência e a necessidade de ganhar são – ilusoriamente – menores, por se tratar de uma maratona e não de uma corrida de sprint.

Além disso, é de vital importância para o treinador tomar decisões importantes no respeitante ao plantel e ao onze que poderá revelar-se o “onze tipo” (expressão que, acredito, não agrada a Bruno Lage, pelo que têm sido as suas declarações à imprensa). É a única oportunidade que as equipas técnicas têm para avaliar os seus jogadores em contexto de competição antes do começo das provas de maior relevo.

Não menos importante é construir desde cedo uma mentalidade ganhadora e trabalhar numa cultura de vitórias. A confiança que a conquista de um troféu confere à equipa e à massa adepta pode revelar-se determinante nas semanas seguintes. Do ponto de vista financeiro, é igualmente relevante vencer uma competição, aumentando a confiança que os patrocinadores e investidores têm na marca. Por outro lado, a não conquista do primeiro troféu da temporada (ou o último da anterior) pode ter o efeito precisamente contrário, tendo efeitos nocivos que se revelam nos jogos posteriores.

Somando tudo, é difícil concluir a verdadeira importância e o verdadeiro significado da Supertaça. No fundo, é “apenas” um troféu. Não vale nem mais nem menos do que isso. Não significa nem mais nem menos do que isso. Não presume, não prevê, não indica, não revela. Simplesmente é. É um jogo, é um título oficial, é um momento, um breve momento que morre e não deixa filhos. É o que é e, no final, foi o que foi. Mas é importante não esquecer, filosofias e redundâncias à parte: um título é um título. E todos querem ganhar.

Foto de Capa: SL Benfica

Revisto por: Jorge Neves