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O livro da Liga: o destino não premeia quem tanto vacila

Prólogo

Após a vitória por 3-1 frente ao CD Aves, em Aveiro, em jogo a contar para a entrega do primeiro título da temporada, o entusiasmo era palavra de ordem no vocabulário dos adeptos do FC Porto. E porque razão não haveria de ser? Grande parte dos titulares indiscutíveis haviam permanecido no plantel, o treinador, o mesmo que havia devolvido o clube às conquistas, continuara no comando, o clima entre equipa e massa associativa era invejável e um dos rivais na corrida pelo campeonato nacional tinha sido completamente “engolido” em problemas internos. As estrelas pareciam alinhadas para que a hegemonia do futebol português rumasse a norte, novamente. O FC Porto não nos dececionaria, certamente.

Capítulo 1 – Tropeçou, mas não tardou a levantar

Em agosto, quando os termómetros pareciam já não aguentar uma nova subida da temperatura, eis que a liga começa. E, para os portistas, o começo parecia ser bastante positivo: duas vitórias nos dois primeiros encontros e a certeza de que, na jornada seguinte, pelo menos um dos rivais da capital perderia pontos, visto que era semana de dérbi. E, se o facto de um dos adversários diretos perder pontos era bom, a confirmação do empate a uma bola na Luz parecia servir de embalo para uma expectável vitória do FC Porto sobre o Vitória SC, no Estádio do Dragão. Porém, essa vitória expectável não surgiu: numa reviravolta verdadeiramente incrível, o clube da cidade berço conseguiu reverter um 2-0 ao intervalo para um 2-3. Era um autêntico balde de água fria em Sérgio Conceição e na sua equipa. Contudo, esse balde voltaria a encher e, desta vez, com água mais gelada ainda: derrota no Estádio da Luz, por 1-0, naquele que era o primeiro clássico da temporada. O otimismo do verão transformara-se, pela primeira vez, em dúvida.

Porém, esse gelo acabaria também por rumar a sul. Isto porque, frente a Belenenses SAD e Moreirense FC, o Benfica sofreria duas derrotas consecutivas que pareciam escancarar uma crise encarnada. Crise essa que, efetivamente, havia de ser confirmada em Portimão, aquando de nova derrota do SL Benfica no campeonato. E, ao incêndio que se vivia na Luz, o FC Porto decidiu  despejar um galão de gasolina sobre as águias: 18 vitórias consecutivas, a contar para todas as competições, haviam colocado o FC Porto a “milhas de distância” dos encarnados (sete pontos). Contudo, no futebol, nada está ganho em janeiro.

O FC Porto perdeu os dois clássicos com o SL Benfica
Fonte: FC Porto
Capítulo 2 – Um gélido inverno que os escorregões acabaram por aquecer

A sequência de 18 vitórias do FC Porto via agora um novo obstáculo. Um obstáculo que não era ultrapassado há mais de uma década: o estádio José Alvalade. Oito pontos separavam os dois rivais à entrada para a 17ª jornada da liga contudo, tal diferença não seria confirmada dentro das quatro linhas: 0-0 no final dos 90 minutos e a certeza de que as vitórias não tenderiam sempre para o lado azul e branco. Os efeitos do inverno já se faziam sentir, até que fevereiro chegou e com que ele trouxe uma dose enorme de gelo para as aspirações azuis e brancas. Visitas consecutivas a Guimarães, resultados semelhantes. Primeiramente, o empate a zeros frente a Vitória SC (0-0) e, de seguida, nova igualdade em Moreira de Cónegos (1-1). Aqueles sete pontos eram, àquela altura, apenas meras lembranças. Pouco depois, no que muitos chamavam de “jogo do título”, o FC Porto não foi capaz de se superiorizar perante o SL Benfica e acabou por estender uma enorme passadeira vermelha aos comandados de Bruno Lage até ao titulo. O SL Benfica, agora, liderava a tabela classificativa com mais dois pontos que o FC Porto e com a vantagem pelo confronto direto do seu lado. Um campeonato morno tinha sido incendiado pelos sucessivos escorregões da equipa de Sérgio Conceição.

Capítulo 3 – Olhos na bola, mão na calculadora

Com a aproximação do término do campeonato, as naturais contas, tipicamente portuguesas, começavam a ser feitas. Não seria necessário esperar mais do que uma semana, todavia, para que todos esses cálculos ganhassem novos contornos: o Belenenses SAD fazia novamente o papel de vilão frente ao SL Benfica, forçando as águias a derramar pontos. Era este o incentivo que os portistas precisavam para voltar a acreditar na revalidação do título. E o “acreditar” continuava a crescer juntamente com o acumular de vitórias que o FC Porto alcançou. Contudo, o SL Benfica também insistia em não vacilar. Até que chegámos à 31ª jornada. Era uma das jornadas onde os adeptos portistas apostavam todas as fichas, visto que os seus principais rivais visitavam o sempre difícil terreno do SC Braga, à época, quarto classificado. Contudo, em primeiro lugar, era necessário passar em Vila do Conde. E o FC Porto não passou. Outro gigante balde de água fria derramado sob as aspirações dos dragões e um combustível extra para o SL Benfica, que acabaria por não vacilar em Braga. E esse combustível acabaria por ser suficiente para que o SL Benfica erguesse o 37º título de campeão nacional na sua história. Quanto ao FC Porto, teria que se contentar com o nada satisfatório segundo lugar e com a presença nas eliminatórias de acesso a Liga dos Campeões, em 2019/20.

“Reflexões do poeta”

Por entre “macacos” revoltados, birras, divisões entre adeptos e uma pitada de filhos à mistura, facto é que a revalidação do título, o principal objetivo do clube aquando do lançamento desta época, não foi conseguida. Algo que exige, necessariamente, reflexão, quer dos adeptos, quer da direção, quer do próprio Sérgio Conceição. Uma hipotética vitória no Jamor salva a época? Nem de perto, nem de longe, a meu ver. Não no FC Porto. Se o ano passado “engoli” o campeonato sem a companhia da Taça, sou incapaz de aceitar com um sorriso na cara uma época onde o FC Porto é “apenas” capaz de levantar uma Supertaça e uma Taça de Portugal. E quem o aceita sem contestação, demonstra que estes quatro anos fizeram danos severos no tribunal do Dragão. Apontar o dedo única e exclusivamente às arbitragens e aos “favorecimentos” seria o maior erro possível no rescaldo deste campeonato. Há que refletir imenso sobre os pontos perdidos, sobre a maneira como estes foram perdidos, sobretudo.

Foto de Capa: FC Porto

Artigo revisto por: Jorge Neves

Liga Europa, outra vez

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Terminado o campeonato, é altura de começar a olhar para o que aí vem. O Sporting CP terminou em terceiro lugar, com 74 pontos, o que significa que disputará a Liga Europa na próxima época.

Infelizmente, esta competição europeia é o destino habitual do emblema leonino, sobretudo desde que em Portugal apenas os primeiros dois classificados ficaram elegíveis para a Liga dos Campeões, a prova milionária que todos os clubes da Europa sonham poder disputar.

Pode-se considerar que o começo desta época foi muito atribulado, sobretudo devido ao facto de ter sido uma Comissão de Gestão a preparar a equipa para todo o ano, mas o facto é que o clube gastou algum dinheiro em contratações, que caso tivesse sido bem investido poderia ter possibilitado o aumento de qualidade no plantel. Basta recordar que, por exemplo, Diaby custou um valor a rondar os cinco milhões de euros, tendo a equipa jogadores como Matheus Pereira que, na minha opinião, apresenta mais qualidades do que o maliano.

Os jogadores terão de se unir para alcançar algo mais do que a Liga Europa na próxima época
Fonte: Sporting CP

Os adeptos do Sporting CP não se podem conformar com a Liga Europa. Tem de haver exigência, mas não apenas falada. É preciso demonstrar descontentamento quando os resultados não são os pretendidos. O clube não é campeão há 17 anos. Há várias modalidades em que os verdes e brancos são das melhores equipas do mundo, mas o futebol não nos engrandece, não nos faz ser “tão grandes como os maiores da Europa”.

Em conclusão, a próxima época significará uma nova presença na Liga Europa. Na minha opinião, teremos de ser candidatos a vencê-la, e não chegar pelo menos à fase das decisões significará o fracasso na competição. Exigência precisa-se. E os adeptos merecem.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

Na terra batida, quem manda é Nadal

A final do torneio de Roma contou com todos os ingredientes que uma boa final precisa: Bom tempo, estádio cheio e dois dos melhores tenistas de sempre.

Novak Djokovic e Rafael Nadal disputaram, em Itália, mais um título na carreira. O encontro não podia ter começado da melhor para o espanhol. Em 40 minutos, conseguiu um feito nunca antes alcançado no histórico de encontros dos jogadores, ao aplicar um 6-0 no primeiro set. Início monstruoso da Nadal, que pôs Djokovic em sentido e o obrigou a vencer o segundo set para continuar na disputa do encontro.

E assim foi. Djokovic entrou mais concentrado e determinado no segundo set e conseguiu um break point que foi decisivo para levar o encontro para terceiro set. Para além de um jogo mais disputado, o público pôde assistir, também, a pontos de outro mundo, por parte dos dois jogadores.

No set decisivo, Nadal voltou a entrar com tudo e conseguiu um break point no primeiro jogo de serviço de Djokovic. Confirmado o break, o tenista espanhol garantiu a vitória no seu serviço e passou a ter uma vantagem de dois jogos. Em desvantagem, o tenista sérvio tentou correr atrás do prejuízo, mas voltou a sofrer novo break point. A partir daqui, Nadal aproveitou a sua experiência e soube gerir o encontro para confirmar a vitória.

Duas horas e meia depois, estava encontrado o vencedor do torneio de Roma. Rafael Nadal somou, desta forma, a sua nona vitória no torneio italiano.

Djokovic, apesar da derrota, vai permanecer na liderança do ranking.

Foto de Capa: ATP Tour

AD Valongo 4-7 FC Porto: Dragões com via aberta para o 23!

Naquele que seria, na teoria, o jogo mais complicado até ao final do campeonato, correspondente à 25ª ronda, o Porto não falhou e apesar de um susto inicial, esteve a perder por 2-0, conseguiu vencer o Valongo por 7-4. Triunfo que deixa os comandados de Guillem Cabestany a três pontos do título. Desta maneira, na próxima quarta-feira à noite, em pleno Dragão-Caixa, os dragões podem chegar ao 23. Para tal, apenas têm de derrotar o Riba d’Ave. Formação de Vila Nova de Famalicão que já garantiu a manutenção.

O Porto entrou mais forte na pista do San Ciro, mas Leonardo Pais, filho do dirigente e antigo técnico portista Franklin Pais, respondeu muito bem evitando o golo azul e branco em algumas situações.

Completamente por cima, os dragões iam carregando e apertando o certo à baliza do Valongo. Porém, o guardião da equipa da casa ia mantendo a folha em branco. Exemplo disso foi um lance onde, totalmente isolado, Rafa deitou Leonardo Pais, mas não conseguiu marcar.

Mais remetido a defender, o Valongo raramente conseguia criar perigo no ataque. No entanto, na sequência de um contra-ataque de três para dois, Carlos Ramos não conseguiu finalizar ao segundo poste, mas na recarga Nuno Araújo fez o 1-0. Um golo totalmente contra a corrente do encontro, mas que premiou a eficácia da Associação Desportiva.

A perder, o Porto manteve a procura pelo golo, mas continuou a bater na barreira chamada Leonardo Pais. Outro exemplo disso foi uma jogada individual que Reinaldo Garcia, em posição frontal, não conseguiu concretizar. Já depois da marca dos quinze minutos, uma descoordenação defensiva do Valongo permitiu que o experiente argentino seguisse isolado para baliza da formação da casa, mas o Leonardo voltou a dizer não ao golo portista.

A eficácia do Valongo estava a níveis elevadíssimos e após uma perda de bola na defensiva do Porto, Gonçalo Pinto serviu Diogo Fernandes para o 2-0. Resultado surpreendente e que poucos poderiam antecipar antes do arranque da partida.

Sempre com mais bola, os dragões denotavam alguma incapacidade de reação. Para além de alguns passes falhados, os lances de perigo passaram a surgir, sobretudo, através de stickadas de meia distância. Sem grandes soluções, acabou por ser através de um lance de magia de Cocco que, à meia volta e com uma picadinha, o Porto reduziu a desvantagem para 2-1.

O Valongo respondeu muito bem ao golo sofrido, mas nem de meia distância ou através uma de picadinha de Gonçalo Pinto conseguiu voltar a bater Nélson Filipe que, assim, manteve a diferença na margem mínima.

A cerca de cinco minutos da pausa, uma falha defensiva da equipa da casa quase resultou no empate dos azuis e brancos, mas Reinaldo Garcia, novamente isolado, acabou por enrolar o esférico ao poste esquerdo da baliza de Leonardo Pais.

Num lance de algumas dúvidas, rapidamente esclarecidas pelas imagens televisivas, Gonçalo Alves restabeleceu a igualdade através do recurso a uma picadinha, quando faltavam jogar pouco mais de dois minutos para o intervalo.

Terminada a primeira parte, o marcador indicava um empate a 2-2 entre Valongo e Porto. Resultado de uma enorme eficácia demonstrada pela equipa da casa e da magia de dois jogadores dos dragões que, com dificuldades a revolver a equação de forma coletiva, fizeram uso da sua técnica e imprevisibilidade para se superiorizar a Leonardo Pais. Guardião do conjunto comandado por Miguel Viterbo que estava a realizar uma enorme exibição.

Rafa festeja o golo do 4-3 com os seus colegas e adeptos do Porto
Fonte: FC Porto

O Valongo regressou bem dos balneários, tendo a posse de bola durante bastante tempo e até um golo viu ser anulado. Contudo, foram poucas as oportunidades de finalização que dispuseram e as que conseguiram criar Nélson Filipe travou. Do ponto de vista defensivo, a equipa da casa esteve sempre muito fechada e organizada, o que provocava várias dificuldades ao Porto.

A primeira grande chance de golo dos dragões na segunda parte surgiu aos trinta e um minutos de jogo, mas Reinaldo Garcia não conseguiu dar o melhor seguimento a um passe de Cocco. Pouco depois, o jovem Carlos Ramos viu um cartão azul após uma falta sobre Giulio Cocco e a formação portista beneficiou de um livre-direto. Hélder Nunes foi o escolhido para a conversão do lance de bola parada, mas Leonardo Pais negou o golo ao capitão dos azuis e brancos.

Em situação de superioridade numérica, o Porto carregou e depois de algumas tentativas Rafa, ao segundo poste, aproveitou um ressalto de bola para apontar o 3-2.

Minutos depois do 3-2 poderia ter surgido o quarto tento da tarde para os dragões. Porém, após uma boa recuperação de bola de Gonçalo Alves, Hélder Nunes, só com Leonardo Pais pela frente, acabou por enrolar o esférico ao poste direito da baliza do Valongo.

Disputados quarenta minutos de jogo, Giulio Cocco cometeu a 10ª falta do Porto. Nuno Araújo, chamado à marcação do livre-direto, não desperdiçou e com uma execução irrepreensível assinou o 3-3. Instantes depois, na sequência da bola de saída, jogada estudada no iniciar ou reiniciar da partida, Rafa respondeu da melhor maneira a uma má defesa de Leonardo Pais a uma stickada rasteira de Gonçalo Alves e fez o 4-3. Pouco depois, num lance concluído de forma algo estranha, os dragões chegaram ao 5-3 através de Poka, que fez um ligeiro desvio a um passe de Hélder Nunes.

Os males continuavam a cair para o lado do Valongo, pois após dois golos sofridos quase que de seguida, surgiu a 10ª falta da formação da casa. Giulio Cocco, especialista neste tipo de lances, assumiu o lugar de Hélder Nunes na marcação do livre-direto e apesar de ter permitido a defesa de Leonardo Pais, na recarga e através de uma excelente picadinha apontou o 6-3. O sétimo poderia ter chegado alguns minutos mais tarde, mas Leonardo Pais, com uma grande estirada, evitou o golo de Gonçalo Alves.

Na frente do marcador com uma vantagem de três golos, o Porto começou a gerir o resultado, procurando sempre fazer ataques mais longos, perto da marca limite dos quarenta e cinco segundos, atacando a baliza do Valongo somente em muito boas condições. A Associação Desportiva, por seu lado, também não arriscava muito, o seu campeonato não é este e ainda tem uma margem confortável acima da linha de água, o que acabava por ser bom para as intenções azuis e brancas.

A cerca de quatro minutos do final, o Valongo beneficiou de uma grande penalidade. Nuno Araújo voltou a ser o escolhido para a conversão da bola parada e com uma stickada bem colocada, reduziu a diferença para 6-4.

Com pouco mais de um minuto e meio para se jogar, Hélder Nunes recuperou o esférico no meio campo, seguiu isolado para a baliza do Valongo e no frente a frente com Leonardo Pais não falhou e fez o 7-4. Selando uma importantíssima vitória dos azuis e brancos que, desta forma, ficam com via aberta para o 23.

Concluído o encontro, o Porto venceu no sempre difícil pavilhão do Valongo por 7-4. Vitória clara e indiscutível da melhor formação em pista que, com a soma destes três pontos, fica apenas a um triunfo da conquista do 23º Campeonato Nacional de Hóquei em Patins. O Valongo deu uma boa réplica aos dragões, mas nunca colocou realmente em causa a vitória dos azuis e brancos. Nota para a excelente exibição de Leonardo Pais, pois o marcador poderia ter um desenho bem diferente, não tivessem sido as suas inúmeras intervenções.

Assim, na próxima quarta-feira, a partir das 20h30, o Porto recebe o Riba d’Ave, num jogo em atraso da 24.ª jornada, e em caso de vitória sagrar-se-á Campeão Nacional.

AD Valongo: 10-Leonardo Pais (GR e CAP.), 4-Nuno Araújo, 5-Carlos Ramos, 7-Diogo Fernandes e 49-Pedro Mendes; Jogaram ainda: 20-Luís Melo, 57-Rúben Pereira e 77-Gonçalo Pinto; Banco: 12-Bernardo Mendes (GR) e 8-João Pedro

FC Porto: 10-Nélson Filipe (GR), 9-Rafa, 57-Reinaldo Garcia, 77-Gonçalo Alves e 78-Hélder Nunes (CAP.); Jogaram ainda: 5-Telmo Pinto, 7-Giulio Cocco e 18-Poka; Banco: 1-Carles Grau (GR) e 17-Hugo Santos

Mundial Sub-20: Favoritos assumem estatuto ou outsiders surpreendem?

Estamos a três dias do começo da 22ª edição do Mundial Sub-20, que terá lugar na Polónia, de 23 de maio a 15 de junho. Nesta competição que se realiza em anos ímpares estarão presentes 24 equipas, distribuídas por seis grupos de quatro. Contando com ausências de peso como Brasil, Espanha, Alemanha, Holanda ou a campeã em título Inglaterra, o torneio parece ser fértil para surpresas e poderão vir de várias direções.

Portugal, campeão europeu sub-19, França e Argentina são, à partida, os grandes favoritos a vencer a competição. No entanto, Itália, Uruguai, Equador e Estados Unidos da América poderão ter uma palavra a dizer. Mas vamos por partes.

Olheiro BnR – Guilherme Schettine

Quem espera, sempre alcança

Guilherme Schettine Guimarães, avançado brasileiro de 23 anos, é, por esta altura, a prova de que, no desporto-rei, a condição de um atleta num determinado clube se pode alterar num ápice. Titular em 13 das 17 jornadas (já disputadas) relativas à segunda volta do campeonato, o futebolista nascido em Gama (DF) respira felicidade no CD Santa Clara, algo que faz questão de deixar transparecer sob forma de golos (já lá vão sete, contando-se um hat-trick na penúltima jornada da Primeira Liga), para o terreno de jogo.

Contudo, para que se perceba melhor a magnitude da sua evolução ao serviço do Santa Clara, talvez seja conveniente retroceder no tempo. Chegado aos Açores ainda no decurso da época 2016/2017, mais especificamente durante o mercado de janeiro, Guilherme não viria a causar um impacto muito positivo aquando da sua primeira passagem pelos Encarnados de Ponta Delgada. Na verdade, o jovem avançado brasileiro – à época com 21 anos – acumularia, somente, 426 minutos de utilização, num total de 12 encontros, desempenhando o papel de substituto habitual de Paulo Clemente (goleador micaelense que, no passado domingo, se despediu dos relvados).

Mais tarde, já na temporada subsequente, Guilherme Schettine veria encurtar o seu tempo de jogo para uns ainda menos expressivos 157 minutos (repartidos por sete partidas), situação que em parte se deveu à produtividade apresentada pela dupla de avançados constituída pelos seus compatriotas Thiago Santana e Fernando Andrade. Assim, a escassa utilização na formação micaelense orientada por Carlos Pinto faria com que o atacante brasileiro fosse emprestado aos sauditas do Al-Batin Football Club até ao final da época.

Hafr Al-Batin, um verdadeiro oásis para Schettine

Na Arábia Saudita, mais precisamente na cidade de Hafr Al-Batin, Guilherme encontrara finalmente espaço para expor o seu futebol, afigurando-se um jogador crucial (oito jogos; cinco golos e três assistências) numa formação que vivenciara alguma instabilidade – despedimento do treinador, o português Quim Machado, a meio da época – e que, para além disso, dispunha de poucos recursos financeiros, em comparação com os restantes emblemas da Saudi Professional League (principal divisão da hierarquia do Futebol saudita).

Na Arábia Saudita Schettine encontrou o lugar ideal para brilhar
Fonte: CD Santa Clara

A impressão positiva deixada enquanto jogador do Al-Batin contribuiria para a valorização do futebolista no Médio Oriente e, já esta época, seria emprestado a outro clube daquela região, o Dibba Al Fujairah (EAU) onde veio a permanecer até ao início do presente ano civil.

Por fim, aqui fica um olhar sobre aquilo que tem sido o notável desempenho do camisola 95 numa das equipas surpresa da Primeira Liga desta época.

Como joga

Guilherme Schettine, futebolista que privilegia o uso do pé direito, é um avançado que se carateriza por possuir uma grande espontaneidade de remate e presença na grande área, não obstante a sua mobilidade e capacidade para surgir sobre uma das alas. De resto, o atacante brasileiro fá-lo com frequência, por forma a combinar com os restantes companheiros.

 

Foto de Capa: CD Santa Clara

Peace and Effort

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O capitão da equipa sub-23 do Sporting Clube de Portugal e internacional português sub-20, Bruno Paz, contraiu uma rotura total do ligamento cruzado no joelho esquerdo num treino de preparação para o jogo diante do Aves, da Liga Revelação, que o obrigará a uma longa ausência dos relvados.

Considerado como uma das promessas de Alcochete, o médio-defensivo teve, na presente temporada, a oportunidade para se estrear na equipa principal dos leões, pela “mão” do atual treinador verde e branco Marcel Keizer e ainda foi chamado por diversas vezes para treinar com a equipa que milita na Liga Nos.

Quando tudo parecia encaminhado para que o jovem formado em Alcochete integrasse a pré-época de 2019/2020 com a equipa principal dos leões, o jogador sofre uma das lesões mais recorrentes nos futebolistas que exige uma longa paragem e uma rigorosa recuperação e que poderá atrasar o “salto” para a equipa A.

A equipa principal não é apenas uma miragem!
Fonte: Sporting CP

O jogador, em resposta às várias mensagens de apoio proferidas por diversos atletas leoninos, prometeu que voltará mais forte ao ativo. O jogador iniciou o processo de recuperação após ter sido submetido a cirurgia, cirurgia essa que foi um sucesso tal como informou o clube.

A recente renovação até 2023 com Bruno Paz é o espelho da confiança no seu talento. Um jogador que alia a sua qualidade técnica ao seu sentido de posicionamento e é ainda forte no remate de meia distância. Um jogador que tem margem de progressão e que tem todas as possibilidades de alcançar aquele que deve ser o maior desejo de um jogador formado em Alcochete: chegar à equipa principal.

O Universo Sportinguista acredita que o jovem jogador regressará aos relvados mais forte e pronto para lutar por um lugar no expoente máximo do futebol masculino leonino.

Força Sporting Clube de Portugal.

Foto de Capa: Sporting CP

artigo revisto por: Ana Ferreira

CD Tondela 5-2 GD Chaves: Jogo de aflitos onde o Tondela foi mais feliz

Olho por olho. Dente por dente. E, não, não estou a falar da luta pelo título na última jornada. Há muito mais do que isso nestes que são os últimos encontros da temporada. Um dos jogos mais importantes para as últimas decisões da tabela foi o encontro entre o CD Tondela e o GD Chaves, onde esteve em cima da mesa a manutenção no principal escalão do futebol português.

Estava prometido um jogo de muitas emoções e assim foi desde o início. O Tondela entrou muito bem na partida e, logo aos quatro minutos, conseguiu traduzir essa superioridade no marcador. Depois de um pontapé de canto batido na direita, Ícaro marcou de cabeça o primeiro para a equipa de Pepa. Muita passividade na abordagem ao lance por parte da defensiva do Chaves facilitou, e muito, a tarefa do número dois do Tondela.

Depois de ter sofrido golo, o Chaves não conseguiu reagir da melhor forma. Continuou a permitir demasiados espaços à equipa da casa e acabou mesmo por sofrer o segundo. Logo aos nove minutos, as redes de Ricardo voltaram a abanar. João Pedro fez um remate rasteiro à entrada da área e marcou o seu primeiro golo para o campeonato esta época.

Após o segundo golo sofrido, o Tondela baixou um pouco o ritmo de jogo, baixou mais o seu bloco e começou a apostar mais na profundidade. Já a equipa de José Mota estrou mais no jogo e obrigou mesmo Cláudio Ramos a uma intervenção fantástica aos 13 minutos. Mas, apesar disto, as oportunidades continuavam a ser muito tímidas e, por sua vez, a defesa do Tondela mostrou-se sempre muito compacta nessas alturas.

Aos 16 minutos, depois de uma infelicidade dos centrais do Chaves, o Tondela faz o terceiro golo na partida. Depois de uma péssima abordagem ao lance por parte do central Campi, que abriu por completo o caminho a Murillo. O extremo não perdoou e marcou mesmo o terceiro a tarde.

Por esta altura, as contas estavam muito complicadas para a equipa de José Mota. A equipa do Chaves, apesar do ligeiro ascendente, continuava muito perdida em campo. E, por outro lado, estava um Tondela muito assertivo e cada vez mais confiante com o seu jogo e com o resultado. Tanto que aos 28 minutos Jhuan Delgado chegou ao quarto golo depois de uma excelente combinação com Tomané.

Este golo pesou muito para os flavienses que, depois disso, se tornaram numa equipa completamente partida. Havia defesa e ataque, mas meio-campo nem vê-lo! A falta de consistência no centro do terreno fez com que, dessa zona até ao ataque, se tornasse numa autêntica autoestrada até à baliza de Ricardo.

Mas a partir dos 30 minutos, e depois de uma vantagem de quatro golos, a equipa de Pepa baixou as suas linhas e mais ataques surgiram por parte da equipa de Trás-os-Montes. Aos 38 minutos, surgiu o golo de Platiny a contar para reduzir a desvantagem do Chaves depois de assistência de Javan pela esquerda.

Um golo que podia acordar a equipa de José Mota e acordou mesmo: no final da primeira parte, Maras marca o segundo para o Chaves. Na zona do segundo poste, o jogador “flaviense” mergulha dentro da área e encurta a desvantagem no marcador. Estava então feito o 4-2 instantes antes de as equipas recolherem ao balneário.

Houve seis golos apenas na Primeira Parte
Fonte: GD Chaves

O início da segunda parte foi muito importante para perceber qual seria a postura de ambas as equipas. Nos primeiros minutos, nomeadamente na primeira meia hora da segunda parte, o Chaves pressionou bastante, mas foi muito pouco eficaz. Não conseguiu marcar e, deste modo, declarou a sua própria sentença. Este ascendente muito se deve ao facto de Ruben Macedo ter aparecido muito mais no segundo tempo e ter criado bastantes dificuldades ao lateral do Tondela – Joãozinho.

Aos 73 minutos, o Chaves esteve mesmo muito perto de fazer o terceiro. Platiny receciona a bola dentro da área, az o remate, mas Ícaro impede que a bola vá direta à baliza de Cláudio Ramos. Instantes depois, foi mesmo a vez de o guarda-redes do Tondela brilhar ao protagonizar uma excelente defesa que impede o terceiro da equipa adversária.

O Chaves continuava a criar perigo e continuava na iminência do golo, mas a verdade é que as más decisões no último terço custaram caro à equipa de José Mota. E porque quem não marca sofre, Murillo faz o 5-2 aos 77 minutos e torna assim a manutenção do Tondela praticamente assegurada.

O Tondela, muito eficiente esta tarde, garante assim a manutenção na Primeira Liga. Já o Chaves não foi feliz, mas ainda teve o mérito de lutar pelo terceiro golo. Não conseguiu marcar na segunda parte e despede-se então da Primeira Liga numa época onde faltou estabilidade ao clube para se fazer mais. E, como se sabe, falta de estabilidade no futebol paga-se caro. O pagamento, neste caso, foi a descida…

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

CD Tondela – Cláudio Ramos, David Bruno, Bruno Monteiro, Ícaro, Joãozinho, Juan Delgado (Susbt. Peña, 51’, Subst. Tembeng, 76’), João Pedro, João Jaquitte, Xavier (Subst. Pité, 70’), Tomané, Murillo.

GD Chaves – Ricardo, Lionn, Maras, Campi, Djavan, F. Melo (Subst. Platiny, 19’), J. de Jesus Santos, R. Macedo (Subst. Paulinho, 84’), B. Gallo, Ghazaryan, William.

Os 5 momentos-chave da época do FC Porto

Termina hoje a edição 2018/2019 da Primeira Liga, que consagrou o SL Benfica como campeão nacional, tendo o FC Porto terminado na segunda posição.

Os dragões dominaram a tabela classificativa durante toda a primeira volta, chegando a estar com sete pontos de vantagem sobre os encarnados, mas na segunda metade da época a equipa da Invicta baixou de forma e a diferença pontual desvaneceu-se até se tornar negativa.

A equipa de Sérgio Conceição pagou cara a fatura de estar envolvida em todas as competições com grande empenho, tendo-se notado o que mais se temia no início da época: a falta de soluções alternativas ao onze base que o treinador português fez alinhar nesta época.

Com bilhete mas sem passaporte

Ter oportunidade de disputar as competições europeias é o sonho de todos os jogadores e respetivos clubes. O quinto lugar costuma dar acesso a essa oportunidade, porém como as inscrições são feitas numa fase embrionária da época, muitos dos clubes não se inscrevem por não acreditarem que sejam capazes de atingir esse patamar. CD Aves e Moreirense FC são os exemplos mais recentes, no futebol português.

No que diz respeito aos cónegos, estão a realizar a melhor época de sempre no primeiro escalão do futebol português, e a ida pela primeira vez às competições europeias era um prémio muito merecido para os jogadores. Um prémio que congratulava o excelente trabalho de Ivo Vieira ao serviço do Moreirense FC e dos jogadores que foram uma verdadeira surpresa nesta temporada. Porém ninguém esperava uma época tão boa, num clube cuja a realidade é a luta pela manutenção, e por isso não realizaram a inscrição a tempo.

Outro caso semelhante foi o CD Aves, que na temporada transata venceu o Sporting CP na final da Taça de Portugal e com isso obteve o direito de entrar diretamente na fase de grupos da Liga Europa. Mas mais uma vez o clube, por não acreditar na sua qualidade, não procedeu à inscrição na UEFA.

Apesar de ter vencido a última edição da Taça, o CD Aves não pode participar na Liga Europa por não se ter inscrito a tempo
Fonte: Bola na Rede

Dois casos que nos levam a pensar que há alguma coisa errada no futebol. Já que o que havia de ser valorizado é o valor de uma equipa dentro de campo, mas o que é realmente importante é uma inscrição feita a meia da época quando uma equipa de poucas posses financeiras ainda não sabe o lugar em que vai ficar classificada.

Dois casos que não são únicos e que se devem multiplicar pela Europa fora. Casos que deviam alertar a UEFA, o órgão soberano do futebol europeu, de que alguma coisa está mal. Já que nem sempre os clubes que tem mais dinheiro vencem, e como tal todos tem direito a ter a mesma oportunidade.

Há que repensar a forma como as inscrições da UEFA são feitas devendo-se pensar num modelo que possa estar ao alcance de todas as equipas. O futebol é de todos e todos devem ter as mesmas oportunidades de o disputar.

 

Foto de Capa: Moreirense FC