O avançado brasileiro dos Guerreiros do Minho, Dyego Sousa, tem sido uma das figuras da época no futebol português. Com 19 golos no total da época e 14 no Campeonato, é o homem golo dos arsenalistas e tem sido apontado com uma peça fulcral da boa campanha do SC Braga nesta temporada desportiva.
Também por isso, sente-se no clube algum orgulho no desenvolvimento do atleta e em ter um jogador a lutar pelo título de melhor marcador da Liga. Assim, foi recusada a sua venda no mercado de inverno, apesar de haver vários interessados e disponíveis para pagar um preço justo e muito benéfico para os minhotos.
No entanto, nem tudo são rosas. Esta maior preponderância de Dyego Sousa fez a equipa mudar o seu estilo de jogo, que é hoje mais direto e vocacionado em colocar a bola na área para o avançado marcar, quando comparado com o da época transata, muito mais envolvente de toda a equipa e atrativo de ver.
É claro que estas alterações não são exclusivamente por culpa do avançado brasileiro, já que foi preciso também reconstruir o miolo do terreno perante as saídas de André Horta, Danilo e Vukcevic. Ainda assim, a forma como tal foi feito também denota essa alteração tática, com o exemplo mais gritante a ser a preferência por Claudemir face a um Palhinha claramente superior no nível técnico, mas menos focado na baliza. No Braga de 2017/2018, Palhinha encaixaria na perfeição, mas no deste ano tem sido mero substituto de ocasião.
Palhinha tem sido preterido demasiadas vezes Fonte: SC Braga
Caso semelhante acontece com João Novais, um jogador que claramente merece mais tempo de jogo, mas que só o tem encontrado para jogar na ala, em lugar de um apagado Ricardo Horta, de forma a dar maior verticalidade ao jogo bracarense.
De qualquer modo, o centro destas mudanças é a frente de ataque. O objetivo de uma equipa de futebol é marcar golos e, por isso, não raras vezes é construída de forma a servir da melhor maneira os avançados escolhidos. Ora, se no ano passado, o Braga entusiasmava com Hassan ou Paulinho, que criavam oportunidades e espaços para a equipa, comandando o conjunto que melhor futebol praticava em solo nacional, este ano só entusiasma mesmo o número de golos de Dyego, mas a custo de toda a restante equipa.
A novela que tem como protagonistas Cristiano Ronaldo e Marcelo, retirou, aparentemente, a presença no onze ao já consagrado defesa. Sem problemas físicos aparentes (é convocado), o sub capitão é relegado por supostos problemas extra futebol. Marcelo parece mesmo estar com Turim no horizonte.
Curiosamente, é alguém que também passou por alguns problemas dessa índole. É normal, quer para “interpretadores e veiculadores de acontecimento”, quer, consequentemente, para nós adeptos, atentar no “que aparenta ser”. Afinal, é na “quase quase” totalidade das vezes que descobrimos coisas acerca do dia a dia das realidades que amamos acompanhar, porém, não conhecemos nem temos maneira acessível de o fazer (e para o possibilitar teríamos de abdicar de muito do nosso tempo).
Pois bem, o “miúdo” que sofreu da azia de Sérgio Ramos num treino, episódio que abalava ainda mais o reinado de Lopetegui na capital espanhola, anda a dar nas vistas. Neste duplo embate frente ao arquirrival, o “novo” lateral esquerdo do Real, apesar de não ter feito frente a Semedo e Dembelé no lance do segundo golo, mostrou serviço.
Foi um jogo inglório para a sua equipa, visto que perder de tal forma no Bernabéu, frente ao eterno “inimigo”, apesar de não ser caso único, pesa sempre. O mesmo não conteve as lágrimas, demonstrando haver algo mais que o une às cores que veste.
Marcelo teve problemas físicos logo no arranque da temporada. Afinal, na antecedente, foi titular assíduo, numa época em que venceu a Liga dos Campeões (muito desgaste), e que ainda foi longe no Mundial da Rússia (ainda mais desgaste). A alta competição faz mossa… Claro que o que vem de retorno é bastante compensatório, mas o futebol não é só clubes e jogadores abastados.
Por mais exímio que seja um futebolista na sua atividade, como é Marcelo, o nível apresentado a alta intensidade está sempre dependente da sua forma física.
Regulón tem raça e sente o clube Fonte: Realmadrid.com
Sergio Reguílon era o alternativo a Marcelo. No pós Lopetegui, o “canterano” ia surgindo no onze até que chega ao ponto em que joga os dois clássicos, mesmo com Marcelo disponível.
A direção do Real Madrid aponta claramente ao melhor possível no campeonato, dadas as circunstâncias atendidas (passadas e presentes). Isso é bem alcançável, e com uma eliminação “natural” da Copa do Rei, a Champions é, à imagem do que era para então, Lopetegui: mais que “una illusión”, uma meta incontornável para um clube como o gigante espanhol.
Não sei se é nesse prisma que assenta a presença do jovem no onze em detrimento do craque brasileiro: sendo um jogador chave, Marcelo no corredor com um Vinicius bem adaptado, com muita velocidade técnica (descambou N. Semedo e sentou Piqué, na Taça), seriam, à priori, um completo quebra cabeças para os oponentes da mesma faixa do terreno.
Reguilón jogou frente ao Ajax, na Holanda. Marcelo no banco. O “canterano” está a jogar bastante bem. Prova disso é o nível demonstrado independentemente da competição ou do adversário.
Embora Marcelo seja sempre Marcelo, as exibições do jovem têm estado acima do que seria esperado. Aliás, penso que a sua aparição, pelo menos desta maneira tão consistente, nem tenha sido perspetivada… Quando se fala de Real Madrid, é normal haver a ideologia dos “Zidanes e Pavones”: jogadores de topo mundial e jogadores a saír do ninho. Mas sendo um clube que desperta tanta atenção a nível de transferências, para a lateral esquerda não é fácil encontrar um que encha o olho. Enquanto que para o corredor direito, a escolha seja mais abrangente, dada a maior abundância de destros; para o lado esquerdo não é tarefa fácil preencher a vaga com qualidade assinalável.
Reguilón, treina numa das equipas mais bem sucedidas de sempre, e cumpre com personalidade. Julgo que esta época serve de “remodelação” da espinha do onze tipo. Reguilón é, como disse, cumpridor, e além disso, ainda sabe aparecer bem em terrenos perigosos para a baliza adversária.
Não sei se chega para as ambições efetivas do tricampeão europeu em título, mas, em ano de transição, de novelas de balneário, de “aparências”, Reguílon merece a titularidade que ostenta num clube “galático” por natureza.
Depois dos amores e dissabores levantados pelas recentes goleadas dos encarnados frente a SC Braga e CD Nacional, vale a pena olha para trás e perceber se serão feitos assim tão descabidos. Desta forma, ao analisar todas as jornadas do presente século destaca-se que as goleadas mais comuns se ficam nos quatro ou cinco golos sem resposta.
Visto que muitos resultados se repetem, e de forma a não repetir a mesma equipa ao longo de todo o top, procurei variar os emblemas destacados sem nunca deixar de referir outros exemplos. No entanto, é, sem dúvida, um top saturado de vermelho e branco.
Esta temporada, o Sporting Clube de Portugal já lançou dois talentos provenientes da Academia de Alcochete: Miguel Luís e Jovane Cabral. Os dois jovens conquistaram desta forma a integração no plantel principal dos leões. No entanto, nos vários escalões há vários talentos em destaque e na última semana, o Sporting rubricou contratos profissionais com doze jogadores da equipa sub-17.
O Sporting tem, nos vários escalões, jogadores com qualidade para além daqueles que estão noutras equipas a título de empréstimo e que poderão afirmar-se no clube. Este talento individual tem de ser trabalhado e acompanhado para que possam evoluir, quer em termos individuais e competitivos, quer em termos humanos. Assim, com trabalho e talento poderão chegar ao plantel principal e afirmar-se no futebol nacional.
A partir do dia de hoje até ao dia 17 de março realiza-se um dos torneios mais importantes do circuito mundial de ténis, BNP Paribas Open, mais conhecido como masters 1000 de Indian Wellse nomeado o melhor torneio da época passada. Os principais tenistas vão estar presentes neste evento. É certo que vamos ter uma semana e meia de muita emoção, entusiasmo e, acima de tudo, de um excelente nível de ténis. Neste artigo farei uma antevisão do que poderá acontecer nos próximos dias. Para além disso, eu e três tenistas portugueses que atualmente jogam no circuito universitário de ténis dos Estados Unidos da América vamos dar o nosso palpite acerca dos vencedores do torneio.
Vergado perante um AFC Ajax de nível superior, o Real Madrid caiu novamente com estrondo no Bernabéu. São quatro derrotas consecutivas em casa (!) e uma ausência absurda de identidade numa equipa que é tricampeã europeia e uma das maiores potências do desporto mundial.
Trata-se do fim de uma era que começou pouco antes de Cristiano Ronaldo chegar a Madrid e que acaba agora sem ele. O modelo de Florentino faliu e pedem-se medidas imediatas para reparar todos os danos causados pela péssima preparação desta temporada. Numa só época, o Real Madrid conseguiu vender o melhor jogador da equipa, que era também o melhor do mundo, encostou o guarda-redes titular, que era também o dono da baliza das três equipas que venceram a Liga dos Campeões, e, claro, perdeu também Zidane, que foi o obreiro das três conquistas europeias.
Ainda causa estranheza não ver Cristiano Ronaldo na equipa merengue Fonte: Real Madrid CF
Ora, perante todas estas perdas, o Real Madrid reforçou-se mal, escolheu sucessores sem nível para o posto de Zidane, e não soube encontrar soluções para a saída de CR7. Os resultados estão à vista e numa semana tudo se desmoronou. Já não há Liga dos Campeões, nem Taça do Rei, e o campeonato já é uma miragem.
Por estar arredado de tudo tão cedo, Florentino Pérez tem tempo de sobra para idealizar o que quer para a próxima temporada do Real Madrid: se quer continuar a retocar um plantel cada vez mais moribundo ou se quer cortar o mal pela raíz e reformular por completo a identidade do projeto merengue. Por tudo o que se tem visto, claro que a segunda opção parece ser o melhor caminho a tomar. Mas, antes de se pensar em jogadores, deve-se pensar no modelo estratégico que vai ser usado e em quem será capaz de pegar num projeto que tem tanto de arriscado como de aliciante.
Os nomes José Mourinho e Mauricio Pochettino parecem ser os que estão melhor colocados. Cada um tem um estilo e uma abordagem diferente. Caberá a Florentino Pérez pensar no que terá mais capacidade para gerir egos, reconstruir uma equipa e criar uma identidade nova num clube que está habituado a ganhar sempre.
Os alemães do Borussia Dortmund não atravessam o melhor momento da temporada, deixando-se alcançar na liderança da liga alemã pelo rival de Munique e encaixando uma derrota pesada na primeira mão dos oitavos de final em Wembley. Para reverter esta situação contaram com o suplemento da moldura humana do Signal Iduna Park, que mais uma vez provou ser uma das mais fantásticas da Europa. Do outro lado, os spurs procuravam salvar a temporada através da caminhada europeia e sabiam que se marcassem teriam o carimbo dos “quartos” quase garantido.
A tarefa não se previa fácil para die Borussen e Lucien Favre operou uma revolução no onze inicial em relação àquele que saiu derrotado de Londres. Entraram para a defesa Wolf, Akanji e Weigl, que renderam Zagadou, Diallo e Toprak. Reus, Guerreiro e Paco Alcácer substituiram Thomas Delaney, Christian Pulisic e Mahmoud Dahoud. Por outras palavras, apenas o guarda-redes Burki, Diallo, Witsel, Sancho e Gotze resistiram às alterações. Do lado britânico, Ben Davies substituiu Foyth e Harry Kane regressou naturalmente ao onze inicial, relegando Lucas Moura para o banco.
Cabia aos alemães procurar o golo visto que estavam em clara desvantagem na eliminatória e não se esperava mais do que uma clara supremacia na posse de bola e nas oportunidades de golo. À parte de um remate desenquadrado de Son, onde ficam algumas dúvidas relativamente à legalidade da intervenção do defesa germânico, os spurs não apareceram no jogo senão no seu meio campo defensivo. O Borussia Dortmund pressionava alto, uma constante durante toda a primeira metade, e recuperava inúmeras bolas, mas falhava sucessivamente o último passe.
Lloris foi chamado a intervir um punhado de vezes e em todas elas revelou segurança e provou estar à altura do estatuto de campeão do Mundo. Se Reus e Sancho não deram direção ao remate e facilitaram o trabalho do guardião gaulês, o mesmo não se pode dizer de Gotze ou Weigl. Aos 33 minutos, na sequência de três cantos consecutivos, Weigl cabeceou para defesa espetacular e, mais tarde, Gotze recebeu no coração da área e rematou em arco para nova parada vistosa.
Quase todas as ações dos visitantes se resumiam a procurar Kane e Son à distância e eram eles contra a Yellow Wall, que empurrava os alemães para o ataque e esmagava com assobios qualquer intervenção dos britânicos. O nulo ao intervalo repetia-se na segunda mão.
A Yellow Wall voltou a dar um espetáculo à parte. “Até carregarmos o caneco sobre a relva como em ‘97!” Fonte: BVB Dortmund
Como na primeira mão, a palestra de Pochettino ao intervalo surtiu efeitos logo no reatar da partida. Os ingleses entraram mais esclarecidos do que em toda a primeira parte e chegaram ao golo logo aos 48 minutos. Aproveitando uma distração alemã, Sissoko deu o melhor seguimento a uma bola perdida e, de primeira, isolou Kane, que frente a Burki não vacilou e tornou-se o melhor marcador dos spurs em provas europeias. Se dúvidas havia, o matador inglês colocou uma pedra sobre a eliminatória e apartir de então o Dortmund perdeu o amarelo vibrante e parecia jogar de cinzento.
Sentado numa vantagem de quatro golos, o Tottenham HFC passou a controlar o jogo, ainda que sem bola. Entregou novamente a iniciativa aos alemães, mas Sissoko e Winks, e mais tarde Dier, vigiaram de perto Reus e Gotze, que raramente se mostraram, e a criação de oportunidades ficava entrege a Witsel. O belga tinha dificuldades em encontrar colegas para progredir no terreno e nem Jadon Sancho esteve ao seu nível habitual. Aos poucos, os ingleses conseguiam ter mais bola e então trocá-la a seu bel-prazer, jogando com o relógio e prolongando a agonia germânica.
Aos 76 minutos, os recém-entrados Delaney e Pulisic podiam ter alterado o marcador, mas o norte-americano não deu o melhor seguimento ao cruzamento do dinamarquês, Lloris controlou sem esforço. O bloco inglês, coeso e recuado, oscilava com tranquilidade perante uma desinspiração total dos alemães e prova disso foi a quase inexistência de Paco Alcácer em toda a partida. Aos 84 minutos, Brunn Larsen, que entrou muito bem na partida, substituindo Raphael Guerreiro, rematou de longe, sem perigo, e cinco minutos depois isolou Alcácer. Na melhor oportunidade dos da casa, o espanhol rematou contra Lloris que já estava a seus pés. Uma perdida incrível.
Ainda antes do final da aprtida, no primeiro minuto de compensação, Aurier subiu pela direita e cruzou com veneno para o segundo poste onde apareceu Pulisic a negar o segundo golo que seria de Lamela. Se alguma esperança houvesse na recuperação do BVB Dortmund, a exímia exibição defensiva dos ingleses e o golo de Kane no arranque da segunda parte demoveram qualquer crente. A caminhada dos alemães de Dortmund termina pelos oitavos de final ao som de “auf wiedersehen” entoado pelos adeptos ingleses. Os spurs, esses, continuam a perseguir o sonho europeu nos ombros de Kane e Lloris.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
BVB Dortmund: Roman Burki; Marius Wolf (Brunn Larsen, 62’), Akanji, Julian Weigl e Diallo; Axel Witsel, Raphael Guerreiro (Christian Pulisic, 62’), Marco Reus (Thomas Delaney, 74’), Mario Gotze e Jadon Sancho; Paco Alcácer.
Tottenham HFC: Hugo Lloris; Sèrge Aurier, Toby Alderweireld, Davinson Sánchez, Jan Vertonghen e Ben Davies; Harry Winks (Eric Dier, 55’), Sissoko e Christian Eriksen (Danny Rose, 83’); Son Heung-min (Érik Lamela, 70’) e Harry Kane.
Insólito: o Real Madrid está fora da Liga dos Campeões! Após a vitória por 2-1 em Amesterdão, os merengues mostraram-se muito abaixo do que é pedido ao campeão europeu e foram goleados por 1-4 pelo Ajax. Os pupilos de Erik ten Hag protagonizaram uma das melhores exibições da história recente do clube e seguem agora para os quartos-de-final da competição.
A equipa da casa entrou com vontade de resolver a eliminatória cedo e, logo aos quatro minutos, Varane cabeceou ao ferro, após um cruzamento milimétrico de Vázquez.
Contudo, quem precisava de marcar urgentemente caso quisesse continuar a sonhar com os quartos-de-final era o Ajax. Aos oito minutos, num contra-ataque rápido, Tadić tocou para o meio para Ziyech e o marroquino inaugurou o marcador.
Numa altura em que o Real era quem se apresentava melhor em campo, o Ajax chegou ao segundo, novamente graças a uma forte reação à perda de bola e transição rápida: Tadić fez gato-sapato de Casemiro, descobriu Neres bem posicionado e o jovem brasileiro finalizou com classe para o 0-2. O Santiago Bernabéu não queria acreditar no que se passara em apenas 18 minutos.
O jogo estava partido e a ameaça do lado dos rapazes de Amesterdão era cada vez maior. Do lado dos merengues, Santiago Solari via-se obrigado a trocar os seus extremos, Vázquez e Vinícius, após ambos se queixarem de lesão.
A três minutos do intervalo, o recém-entrado Bale ainda atirou ao poste, mas o conjunto madrileno recolhia aos balneários numa situação muito complicada.
No início do segundo tempo, era novamente o Real quem chegava com mais perigo à baliza de Onana, através de Benzema e Asensio, mas o pesadelo estava prestes a começar para os tricampeões europeus. Aos 62 minutos, em mais um contra-ataque fantástico do Ajax, Tadić atirou ao canto superior esquerdo com uma execução perfeita, sem hipóteses para Courtois. Felix Brych ainda esperou pelas indicações do VAR, mas estava feito o 0-3 em Madrid e os blancos precisavam assim de marcar três para seguir em frente.
Face a essa necessidade, o Real reagiu rápido e fez o primeiro no encontro cinco minutos depois: Reguilón, com um grande trabalho no corredor esquerdo, passou atrasado para Asensio e o extremo espanhol, de primeira, rematou rasteiro para o fundo das redes holandesas.
Porém, esta réstia de esperança dos madrilenos não durou muito e, aos 72 minutos, na cobrança de um livre direto, Schöne apontou o 1-4 final. A equipa merengue não queria acreditar no que se estava a passar em plena capital espanhola.
Antes do apito final, Nacho ainda foi expulso, mas em nada influenciou o desfecho do desafio. O Ajax carimbou assim uma importante passagem à próxima fase da liga milionária, ao passo que o Real Madrid agravou uma crise que parece não ter fim e que faz com que as saudades de Cristiano Ronaldo sejam cada vez mais no Bernabéu.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
Real Madrid CF: Courtois; Carvajal, Nacho, Varane, Reguilón; Casemiro (Valverde, 87’), Kroos, Modrić; Vázquez (Bale, 29’), Vinícius (Asensio, 35’), Benzema.
AFC Ajax: Onana; Mazraoui (Veltman, 80’), de Ligt, Blind, Tagliafico; Schöne (de Wit, 73’), de Jong, van de Beek; Ziyech, Neres (Dolberg, 74’), Tadić.
Dez finais. É este o ponto de situação e o que falta disputar até ao final do campeonato. O SL Benfica venceu o FC Porto no Estádio do Dragão (1-2) e “virou” a classificação, encontrando-se agora numa posição quase inimaginável tendo em conta o seu passado muito recente. Os “encarnados” chegaram a estar a sete pontos de atraso do FC Porto, sem qualquer esperança numa temporada que nem a metade tinha chegado. A vinda de Bruno Lage para a equipa principal trouxe um novo acreditar, mas acima de tudo muita competência e uma recuperação fantástica ao aproveitar alguns deslizes dos “azuis e brancos”.
Neste momento, o SL Benfica é a equipa mais forte do campeonato. Não só por ter, de longe, o melhor plantel, mas também devido ao ascendente em que se encontra. A equipa da Luz atingiu uma forma bastante regular, bem como uma consistência impressionante e, por isso, os jogadores já entram em campo com uma aura e uma energia fortíssimas e bastante difíceis de ultrapassar.
Este resultado no Dragão poderá muito bem catapultar o SL Benfica para uma época bastante acima das expectativas. É daquele tipo de resultados que aumenta sobremaneira a moral dos jogadores, a moral dos adeptos e cria uma simbiose entre estas duas partes: os jogadores jogam para os adeptos e os adeptos jogam com os jogadores. Todos nós sabemos no que se torna o SL Benfica quando a “onda encarnada” começa a crescer e o quão difícil é pará-la. Pois bem, quer-me parecer que atingimos esse ponto da temporada.
A vitória no Estádio do Dragão poderá catapultar o SL Benfica para uma época memorável Fonte: SL Benfica
A realidade é que antes do jogo no Dragão já só dependíamos de nós para sermos campeões e o resultado obtido veio confirmar esse estatuto. Conseguimos provar que somos superiores, mas é importante dar continuidade ao óptimo trabalho que tem vindo a ser desenvolvido. Não basta achar que somos melhores. Há que prová-lo a cada jogo.
Tal como disse no início, ficam a faltar dez finais. São elas: Belenenses SAD (C), Moreirense FC (F), CD Tondela (C), CD Feirense (F), Vitória FC (C), CS Marítimo (C), SC Braga (F), Portimonense SC (C), Rio Ave FC (F) e CD Santa Clara (C). Temos seis jogos em casa e quatro fora, sendo que, destes quatro, três poderão trazer dificuldades acrescidas muito por força do facto de serem campos tradicionalmente complicados, nomeadamente Moreirense FC, SC Braga e Rio Ave FC. Dos encontros em casa, aqueles que poderão obrigar a maiores cautelas são Belenenses SAD, Portimonense SC e CD Santa Clara, pois são equipas bastante bem orientadas e com dinâmicas de jogo de qualidade, em que os respectivos treinadores preparam as suas equipas para beneficiar o espectáculo.
No fundo, tudo está nas nossas mãos. Eu estou bastante convicto que, uma vez nesta posição, teremos agora todas as condições para materializar um possível domínio. Da forma como estamos a jogar, com o treinador que temos, os jogadores do nosso plantel e a afluência de adeptos aos nossos jogos, o título poderá ficar mais próximo e, o que há uns meses parecia irreal, hoje é algo bem possível.
Está de regresso a Liga dos Campeões. Sensivelmente três semanas depois da derrota em Roma por 2-1, o FC Porto, desta feita como anfitrião, entrará em campo esta quarta-feira para tentar virar a eliminatória. Depois da derrota no clássico de sábado, importa perceber que impacto poderá ter esse desaire no decisivo jogo frente aos romanos.
Primeiro, uma últimas notas sobre o clássico. Ganhou a melhor equipa. Ganhou na tática, na técnica, na inteligência, no discernimento e na agressividade. Ganhou em toda a linha. Ganhou uma equipa que entrou em campo com a lição bem estudada, que sabia como e por onde poderia ferir o FC Porto e que dominou inteligentemente todos os momentos do jogo. Bem sei que os últimos 15/20 minutos de assédio do FC Porto à baliza dos encarnados fizeram disparar as estatísticas e podem camuflar a justiça do resultado, mas a verdade é que o SL Benfica jogou como quis, ganhou como quis. Vi uma equipa de processos simples, objetiva, capaz de alternar posse com a procura da profundidade e com grande variabilidade no seu jogo.
Por outro lado, vi uma equipa do FC Porto entrar nervosa, insegura, indisciplinada técnica e taticamente e confusa. Nem mesmo o golo inaugural de Adrián López foi capaz de tranquilizar os comandados de Sérgio Conceição, que teima em acreditar que é possível ganhar e dominar este tipo de jogos jogando apenas com dois médios, mas já lá vamos. Importa deixar, ainda, uma palavra para Bruno Lage. Não conhecia o seu trabalho nem tinha qualquer referência (boa ou má), acerca do antigo braço direito de Carlos Carvalhal, mas começa a firmar créditos no futebol português pela simplicidade no discurso e pela inteligência na estratégia. Infelizmente para mim, enquanto portista, tenho que reafirmar que ganhou a melhor equipa. Não estando o campeonato decidido, julgo que, tendo em conta o calendário dos dois candidatos, está muito perto disso.
Entremos, agora, na discussão da Liga dos Campeões e na tal questão dos dois médios. Acredito que Sérgio Conceição só terá a ganhar em juntar Danilo a Herrera e Óliver no meio campo e em subtrair um avançado. Já utilizei várias vezes este espaço de opinião para afirmar que a melhor versão que vimos do FC Porto foi a que se apresentou na fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais por obrigação do que por opção, a verdade é que a jogar em 4x3x3 se conseguiu obter uma pontuação recorde.
Depois da derrota no clássico, a equipa do FC Porto já está focada nos próximos desafios Fonte: FC Porto
É certo que o FC Porto entrará em campo com uma necessidade premente de marcar golos, mas é importante que consiga, também, manter a sua baliza inviolável de forma a segurar a importância do golo marcado fora de casa. Não foi pela subtração de um avançado por um médio que a equipa deixou de ser objetiva e goleadora na fase de grupos e julgo que a liberdade que poderá ser dada a Herrera e Óliver com a presença de Danilo poderá ser fundamental para que os primeiros possam servir e apoiar o ataque da melhor forma e para que Corona e Brahimi, os jogadores mais imprevisíveis da equipa, possam gozar de mais espaço e liberdade para criar desequilíbrios na defesa da Roma.
Em relação às consequências e efeitos do clássico neste jogo, quero acreditar que serão poucos. Apesar da desilusão inerente ao que se vai passando no campeonato, o FC Porto é o único representante nacional na mais importante prova de clubes do mundo e é por esses galões que Sérgio Conceição terá que puxar no sentido de motivar a equipa e a levar a acreditar que é possível levar de vencida esta eliminatória. Sabe-se que os jogos desta competição têm sempre um cariz especial e que os níveis motivacionais estão sempre em alta, mas não é menos verdade que o mesmo se aplica a jogos como o clássico de sábado e que não deixamos de ver uma equipa portista desorientada e a claudicar.
Como tal, é importante que exista um toque a reunir no clube e que todos estejam focados no jogo de quarta-feira, que tem uma importância vital não só desportiva e financeiramente, mas, também, nos índices anímicos da equipa. É importante que o FC Porto recomece ou reentre numa dinâmica de vitória e num elã positivo que lhe permita vencer os 10 jogos de campeonato que lhe restam de forma a ir colocando, semana após semana, pressão sobre o SL Benfica.
Em suma, o FC Porto acaba por perder bem o clássico e entrará no jogo frente à AS Roma ainda a sarar as feridas profundas que se abriram. No entanto, cabe a Sérgio Conceição e à sua equipa técnica garantir uma equipa na máxima força e com máxima concentração e intensidade para levar de vencida uma Roma que tem tido um desempenho não mais do que titubeante no campeonato italiano e que enfrenta, também, um jogo decisivo. É importante voltar a estimular o Mar Azul e reiniciar uma dinâmica de vitória que permita, quem sabe, recuperar a liderança do campeonato e conduzir a equipa e os adeptos aos festejos em Maio.