Mesut Ozil e Alexis Sánchez já jogaram juntos e até há bom pouco tempo eram peças fundamentais para o Arsenal FC, na altura comandado por Arséne Wenger. No entanto, hoje ambos com 30 anos estão longe do auge das suas carreiras. Ozil, ainda nos Gunners, e Sánchez, que trocou o clube londrino pelo Manchester United, são pouco utilizados pelos respetivos treinadores.
Desde a temporada 2014/2015 e até 2018 partilharam o balneário do Emirates. Nesta altura, Ozil já estava no clube há um ano tendo vindo do Real Madrid C.F. por uma verba de 47 milhões de euros. Já o chileno trocou o FC Barcelona pelo Arsenal numa transferência que rondou os 43 milhões de euros. Os dois atletas têm um palmarés recheado de títulos, sendo que três deles foram conquistados em simultâneo (2 Taças de Inglaterra e 1 Supertaça Inglesa).
Posto isto, é estranho vermos dois jogadores de classe mundial serem “encostados”, quando ainda têm qualidade suficiente e sobretudo experiência capaz de ajudar os seus clubes a vencer partidas e conquistar troféus. Se verificarmos as estatísticas de Mesut Ozil e Alexis Sánchez na presente temporada, o alemão só realizou os 90 minutos por sete vezes, sendo que apenas cinco destes foram para a Premier League. Do lado chileno, Alexis apenas por uma vez foi totalista nos red devils esta temporada, isto na primeira jornada do campeonato frente ao Leicester City.
Fonte: Arsenal
Ainda assim é o antigo campeão do mundo que tem tido mais sorte esta época, com 20 jogos disputados. Apesar de ter realizado menos um jogo do que Sánchez, em todas as competições, Ozil tem mais minutos jogados e por isso mais golos marcados. São quatro os tentos certeiros do alemão contra apenas dois do internacional chileno. Números muito pouco convincentes e que não demonstram aquilo que realmente caracteriza estes dois grandes jogadores.
O passado foi de glória, podemos dizer assim, com os dois a ganharem bastantes troféus, a serem acarinhados pelos adeptos dos clubes que representaram e a vestirem as camisolas dos dois maiores clubes espanhóis, e quem sabe do mundo. O presente está longe do seu auge, com a falta de oportunidades e minutos para mostrarem a sua qualidade. E para o futuro, resta a sorte bater à porta dos dois craques, para voltarem a mostrar o bom futebol que ambos têm nos pés. Talvez uma saída para a MLS fosse uma boa montra para o regresso aos melhores tempos de Mesut Ozil e Alexis Sánchez.
O livro chama-se ‘’Sem Filtro: As histórias dos bastidores da minha presidência’’ e já foram vendidos milhares de exemplares. Após uns meses fora da ribalta, Bruno de Carvalho traz à luz um livro sobre a sua estadia em Alvalade, durante a sua presidência. Serve este texto para exprimir a minha opinião acerca de tudo aquilo que li.
Inicialmente, destaco a facilidade com que se lê este livro, sendo que demorei menos de um dia para o terminar. Apercebi-me, aqui e ali, de alguns erros de pontuação, sobretudo na colocação de vírgulas, mas nada que afetasse a compreensão do texto.
Posto isto, procuro agora analisar o seu conteúdo. Para mim, há algo que é de fácil compreensão e que já me tinha apercebido na altura em que Bruno de Carvalho era presidente do Sporting CP: é um excelente negociador. Pode-se questionar a forma como negoceia, a sua arrogância (ou astúcia) e a sua intransigência mesmo quando se encontra em desvantagem no processo de negociações.
Contudo, pareceu-me conseguir sempre defender os interesses do clube, sobretudo na restruturação financeira, que acredito ter sido a mais difícil da história do clube. Não é também à toa que foi com Bruno de Carvalho que o Sporting CP realizou a maior venda de sempre, encaixando 40 milhões de euros, mais cinco por objetivos, na transferência de João Mário.
O livro é recente mas tem dado muito que falar Fonte: BnR
Por outro lado, condeno de certa forma a sua atuação com Marco Silva e Jorge Jesus. Caso seja verdade tudo aquilo que relata no livro, teria todas as razões do mundo para demitir ambos. Mas terá sido assim? Custa-me a acreditar, por exemplo, que Marco Silva tenha feito uma conferência de imprensa a atacar o Presidente e que depois tenha chegado ao autocarro com um sorriso, como se nada se tivesse passado, assim como a exigência de Jorge Jesus renovar 15 minutos antes do início do jogo frente ao SC Braga. São momentos que me fazem, de certa forma, questionar a veracidade destes acontecimentos, ou pelo menos se estarão a ser contados exatamente como aconteceram.
Gostaria de referir ainda o capítulo em que se fala de Jorge Mendes e Rui Patrício, no qual Bruno de Carvalho refere que o empresário lhe dizia uma coisa e exatamente o oposto ao guardião internacional português. A ser verdade, esta situação é quase anedótica, o que me faz de novo questionar se terá sido esta a realidade.
Por último, o caso do ataque a Alcochete e o suposto trabalho conjunto de Frederico Varandas, do seu irmão e Rogério Alves para retirarem Bruno de Carvalho do poder. Relativamente ao primeiro assunto, o ex-Presidente refere que o adiamento do treino foi da responsabilidade de Jorge Jesus, que pensando que ia ser despedido procedeu à alteração do horário do treino, remarcando-o para a tarde de terça-feira.
Para além disso, Bruno de Carvalho refere que não se encontrava na Academia devido a uma reunião relativa ao Cashball e não por outro qualquer motivo. Deste modo, a ser verdade, demonstra não ter tido qualquer tipo de culpa no cartório, mas isso cabe à justiça decidir.
Quanto à acusação do trio que supostamente o tirou da presidência, penso que entra por um caminho de teorias da conspiração, que valem o que valem. Apesar do ex-Presidente estabelecer um raciocínio lógico, seria muito grave se tal tivesse mesmo acontecido. Num dos momentos mais polémicos da história do clube, seria péssimo que tal se revelasse verdade. Contudo, nunca se saberá a veracidade dos factos, até porque será sempre a versão de um contra a versão do outro.
Concluindo, o livro serve para entender um pouco melhor o que se passa no mundo do futebol, assim como os interesses envolvidos num mundo que parece ser cada vez mais sujo. Após a leitura, ficou-me a sensação que Bruno de Carvalho deveria também ter reconhecido os seus erros ao invés de colocar apenas a culpa nos outros, até porque os seus erros não terão sido simplesmente a sua comunicação e o facto de não ter despedido Jorge Jesus em Janeiro de 2018.
É verdade que o seu primeiro mandato trouxe coisas muito boas, como os inúmeros títulos enumerados no livro, a construção do Pavilhão João Rocha e a colocação do Sporting CP na luta por títulos no futebol sénior masculino. Ainda assim, o segundo mandato fez com que a sua imagem se desgastasse e provocasse a sua destituição.
Seria interessante que existisse contraditório ao que o ex-Presidente leonino escreveu, para se perceber até que ponto o que foi redigido no livro corresponde à realidade. Sendo um livro ‘’Sem filtro’’, penso que cabe ao leitor filtrar aquilo que pode ou não ter, de facto, acontecido. Para terminar, coloco uma questão: a presença de Bruno de Carvalho na atualidade leonina termina por aqui?
A jornada 23 da série A do Campeonato de Portugal reservou a visita de Lenno ao terreno da AD Limianos. Micka e Cláudio Dantas regressaram ao onze limiano e Rui Magalhães voltou a relegar João Nogueira para o banco. Do lado da Juventude de Pedras Salgadas, Lenno voltou ao onze, assim como Rui Jorge, que rendeu Alex Machado.
Separados por apenas cinco pontos, previa-se um encontro mais dividido do que se verificou, uma vez que a manutenção está longe de estar resolvida. Os primeiros minutos confusos e intensos conheceram alguma ordem e critério aos 10 minutos, quando Lenno deu o melhor seguimento a um livre lateral e cabeceou, sozinho, para o golo.
Os da casa demoraram a voltar ao jogo, mas quando o fizeram, podiam ter empatado na primeira vez que chegaram à baliza, como tinham feito os visitantes. Aos 25 minutos, Rui Magalhães convidou Vítor Sousa ao sprint pela esquerda e o cruzamento saiu de primeira para o segundo poste, onde apareceu Nandinho a errar escandalosamente o alvo.
Apenas três minutos depois, Cláudio Dantas, de pé esquerdo, descobriu Samate na área, que falhou a emenda. Na recarga, Micka rematou forte por cima.
Cinco minutos mais tarde, depois da meia hora de jogo, e materializando a clara superioridade limiana, Samate empatou a partida. Mailó ganhou a bola nas alturas, investiu desenfreadamente pela direita, cruzou rasteiro e o camisola ‘20’ só teve de encostar.
A esta altura, o Juv. Pedras Salgadas limitava-se a destruir as iniciativas contrárias e a sair para o ataque apenas com certezas. Foi o que aconteceu aos 41 minutos, quando Bean negou o golo a Rafinha, e aos 45, quando Lenno deu o melhor seguimento ao cruzamento rasteiro do mesmo Rafinha e levou a sua equipa em vantagem para o intervalo.
Rui Capela foi outra das figuras do Juv. Pedras Salgadas, juntando a duas boas intervenções a defesa de uma grande penalidade Fonte: Ricardo Brito
A segunda parte prometia mais golos, o que realmente se verificou. Aos 51 minutos surgiu nova figura na tarde de domingo: Rui Capela negou o golo cantado do empate ao parar o cabeceamento de Mailó, depois de cruzamento na esquerda de Vítor Sousa.
Três minutos depois, com a equipa da casa totalmente inclinada para a ‘remontada’, Samate perdeu a posse e Rafinha encontrou nas costas de Cláudio Dantas a oportunidade de coroar uma boa exibição com novo golo para os visitantes. Bean não fez tudo o que estava ao seu alcance e não conseguiu parar o remate cruzado do avançado português.
Com a AD Limianos perdida em campo desde o rude golpe do 1-3, a Juv. Pedras Salgadas fez o que lhe cabia e ampliou a vantagem. Três minutos depois, no meio da confusão bem no centro da área, Lenno aproveitou uma bola perdida e rubricou um hat-trick mesmo antes de ser substituído. Foi um regresso glorioso do brasileiro ao relvado do Estádio Municipal do Cruzeiro.
Até ao final da partida, a equipa de Pedras Salgadas soube aguentar a vantagem, ditou o ritmo da partida, queimando segundos aqui e ali. Os da casa, com o objetivo de pontuar cada vez mais longe, tentavam aproximações espontâneas à baliza adversária, mas de novo se erguia Rui Capela no caminho do golo.
Aos 70 minutos, negou o golo por duas vezes, na sequência de um lançamento lateral, e aos 77, segurou o penálti de Luan Sérgio. Aos 80 minutos, voltou a parar as intenções de Luan, desta vez de livre direto. No último lance de perigo, Mailó amorteceu o cruzamento de Cláudio para o remate de Iano à figura.
Destaque para o segundo penálti falhado pelos Limianos em duas jornadas consecutivas, em alturas que davam o empate na partida, e para a aparente retoma da forma da Juv. Pedras Salgadas, que leva duas vitórias consecutivas frente a dois adversários diretos.
ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES:
AD Limianos: Bean; Nandinho (Iano, 55’), Cláudio Borges, Touré e Vítor Sousa; Micka, Luan Sérgio e Rui Magalhães (João Nogueira, 63’); Cláudio Dantas, Samate (Elivelton, 75’) e Mailó.
Juventude Pedras Salgadas: Rui Capela; Miguel Carreira, Rafa, Lamine e Carlos Freitas; Zé Lopes, Danilo (Alex, 73’), Luis Neves e Rui Jorge; Rafinha (Pedro Silva, 73’) e Lenno (Miguel Lima, 73’).
Após uma pausa de Inverno onde todos menos os engenheiros das equipas descansam, os motores voltaram a rugir no Circuito da Catalunha em Espanha, onde decorreu a primeira semana de testes do maior campeonato de desporto motorizado do mundo.
Finalmente, podemos colocar os nossos olhos no que cada equipa cozinhou para este ano, principalmente no que toca às asas dianteiras, tendo em conta que as regras mudaram e as mesmas se tornaram mais simples. Alguns dos resultados foram surpreendentes, e neste momento só sei que nada sei sobre quem está por cima, porque sobre quem caiu é bastante óbvio…
Sendo assim, vou analisar a primeira das duas semanas de testes equipa a equipa e tentar espreitar pela cortina de fumo que as equipas criam nos testes, o chamado “sandbagging”, para perceber onde é que está cada equipa.
Fim de semana muito positivo para as equipas portuguesas na Europa do Andebol! No passado sábado, dia 23 de Fevereiro, duas equipas disputaram jogos para as competições europeias, ambas saindo vencedoras e dando passos importantes para a sua continuação na Europa.
A tarde de andebol começou pelas 15h, com o FC Porto a deslocar-se a Holstebro, Dinamarca, para defrontar o terceiro classificado do campeonato dinamarquês, o TTH Holstebro, em jogo a contar para a terceira jornada da fase de grupos da Taça EHF. O FC Porto entrava nesta jornada em primeiro lugar do grupo, com duas vitórias nos dois jogos disputados (frente a Liberbank Cuenca e HC Constanca), e em caso de vitória poderia isolar-se na frente do grupo e aproximar-se ainda mais da passagem à fase a eliminar.
Apesar de algumas lesões, a equipa Dinamarquesa conseguiu manter a partida equilibrada durante quase a totalidade dos 60 minutos. O Holstebro apoiava-se no seu ponta-esquerda, Magnus Bramming, que ao intervalo já contava com 12 golos marcados. Ambas as equipas iam trocando a liderança do marcador, com a maior vantagem do jogo a aparecer já perto do fim da primeira parte, quando o central Rui Silva marcou o 17-15 a oito segundos do intervalo.
A segunda parte foi semelhante, com o equilíbrio a ser a palavra chave. O Holstebro conseguiu o empate a 17 golos e desde esse momento assistiu-se a uma autêntica batalha pela liderança no marcador. Embalado por um inspirado Alfredo Quintana na baliza – que continua a afirmar-se como dos melhores guarda-redes a atuar na Europa –, o FC Porto ia-se mantendo por cima, apesar de alguma ansiedade em certos momentos da partida. Aos 20 minutos da segunda parte, e depois de ter visto o Holstebro anular uma desvantagem de três golos, o treinador portista Magnus Andersson decidiu retirar o guarda-redes no momento ofensivo, jogando sete contra seis, na tentativa de abrir espaços na organizada defesa dinamarquesa.
E, apesar de algum sucesso, o Holstebro ia marcando vários golos diretamente da defesa, através de recuperações de bola e remates diretos à baliza deserta do FC Porto. O ponta esquerda Magnus Bramming ia mantendo a pontaria afinada, terminando a partida com 14 golos em 18 remates, mas não foi o suficiente. A maior experiência portista acabou por ser determinante, e Miguel Martins pôs o ponto final no jogo quando marcou o seu sexto golo e o 33º da equipa a sete segundos do final do jogo.
O FC Porto assumiu assim a liderança isolada do grupo C, com seis ponto em três jogos, cavando assim um fosso de quatro pontos para o segundo classificado, o TTH Holstebro.
FC Porto “voa” na Taça EHF! fonte: FC Porto
No segundo jogo da tarde, o Sporting CP recebeu o CS Dinamo Bucuresti na primeira mão do apuramento para a fase a eliminar da EHF Champions League. Num Pavilhão João Rocha muito perto da lotação máxima, a equipa sportinguista entrou algo ansiosa. Com uma grande intensidade defensiva de ambas as partes, aos 4 minutos já ambas as equipas tinham jogadores suspensos com dois minutos. A equipa romena, mais experiente, assumiu a liderança no marcador à passagem do minuto 10, fazendo o 6-5, e dois minutos depois já aumentara a vantagem para 8-5.
O Sporting CP ia-se aproximando mas, quando se encontrava a apenas um golo de diferença, sofreu três suspensões de dois minutos, ficando a defender três para seis durante dois minutos e quatro para seis durante quase quatro minutos. Esse período permitiu ao Dinamo aumentar novamente a vantagem para três golos. Depois apareceu a experiência leonina, com Nikcevic, Ruesha e Ghionea a assumirem o jogo e a levarem o Sporting CP ao empate a doze golos. O equilíbrio iria manter-se até ao fim da primeira parte, com o marcador ao intervalo a assinalar uma igualdade a catorze.
Na segunda parte manteve-se o equilíbrio, com as duas equipas a trocarem lideranças até aos 42 minutos, altura em que o Sporting CP, embalado pelos adeptos, teve dez minutos fantásticos, aproveitando algumas exclusões de dois minutos de jogadores do Dinamo para cavar um fosso de cinco golos, chegando ao 31-26 aos 52 minutos.
Contudo, quando se joga na melhor competição de clubes da Europa, nunca se pode tirar o pé do acelerador. Numa fase de menor eficácia de remate, onde o lateral cubano Pedro Valdez rematou 3 bolas à trave, a equipa visitante conseguiu recuperar a desvantagem e chegou mesmo ao empate a 31 golos quando faltava um minuto para o final da partida. O treinador leonino, Hugo Canela, pediu um time-out para organizar o último ataque da partida, que viu Edimilson Araújo rematar com força para dar a vitória à equipa da casa.
Um resultado que, apesar de positivo, pode ser muito perigoso para a equipa do Sporting CP, que se desloca à Roménia dia 28 para a 2ª mão da eliminatória.
Kuba Błaszczykowski regressou neste mês ao clube que o lançará para as luzes da ribalta do futebol, o Wisla Kraków.
Este regresso é mais do que um simples voltar às origens para terminar a carreira. Há muito mais para contar para além disso.
Kuba regressou para um clube praticamente falido, sem licença para jogar, com meses de salário em atraso a todo o plantel… Esta situação foi o culminar de uma acumulação de várias más decisões que o clube sofreu ao longo dos anos, mas é a partir de 2016 que os problemas se começaram a acentuar.
O Wisla Kraków, um dos maiores clubes polacos e outrora um crónico candidato ao titulo polaco, tem estado praticamente arredado das contas do titulo desde que sagrou pela última vez campeão nacional polaco, em 2010/2011.
Se as coisas já não corriam bem para o Wisla a nível desportivo pior ficaram quando a estabilidade corporativa que possuíam desvaneceu-se com a saída do seu dono de longa data, Boguslaw Cupial. Boguslaw Cupial tinha sido dono do Wisla Kraków durante uma das mais belas páginas da sua história. Ao todo foram oito os campeonatos nacionais polacos conquistados pelo Wisla durante o “reinado” de Cupial. A sua saída em 2016 marca o inicio de um conjunto de episódios completamente surreais que quase atiraram o clube para os confins da memória futebolistica.
O novo dono do clube, Jakub Meresiński, em pouco tempo revelou-se um autêntico fiasco. Aquele que seria um homem rico, dono de uma empresa de desporto e com dinheiro pronto a investir no clube, era na verdade um homem sem dinheiro, que tinha falsificado documentos que atestavam a sua “saúde” financeira para assegurar a compra do clube. Pior que isso, Jakub Meresiński terá desviado dinheiro do clube para uma conta particular antes de sair da presidência do clube. O polaco foi condenado no ano passado a devolver todo o dinheiro ao Wisla Kraków.
O Estádio do Wisla Kraków não tem sido palco de dias de glória nos últimos anos Fonte: Wisla Kraków
As coisas dificilmente poderiam piorar certo? Errado.
O futebol polaco é tipicamente reconhecido, por toda a Europa do futebol, pelo seus movimentos agressivos de hooligans. Pois bem, já imaginaram o que seria se um desses grupo “selvagens”, na verdade assumi-se o controlo de um clube profissional? Foi o que aconteceu ao Wisla Kraków. O grupo de hooligans denominado de “Sharks” assumiu o controlo do clube através de uma testa de ferro, Marzena Sarapata.
Os “Sharks” liderados por Pawel Michalski, que já tinha passado seis anos na prisão por atirar uma faca a um jogador durante um jogo da Taça UEFA, constituam a nova página negra na história do Wisla Kraków. As altas estruturas do clube passaram a ser constituídas por pessoas com ligações a este grupo, embora a dona Marzena Sarapata negasse sempre qualquer ligação do clube aos “Sharks”.
A verdade é que após uma reportagem de investigação feita por parte da imprensa polaca ter descoberto e revelado todos os esquemas fraudulentos entre a direção do Wisla Kraków e o grupo de hooligans “Sharks”, todo o corpo diretivo do clube polaco demitiu-se e deixou o Wisla entregue a si próprio.
Como é costume quando um histórico clube europeu está em dificuldades financeiras, há sempre alguém a tentar tirar proveito disso. Seja para ter os seus minutos de fama ou simplesmente por não ter mais nada que fazer. Quem não se lembra da história de Sérgio Silva? O falso investidor português que prometia salvar o Boavista FC? Aconteceu semelhante ao Wisla Kraków.
No passado mês de Dezembro, dois investidores estrangeiros, Vanna Ly e Mats Hartling, chegavam a Cracóvia com intenções de assumir o controlo do clube. Para o negócio ser concluído, era preciso que os novos investidores pagassem a licença do clube para jogar nas competições profissionais. A verdade é que o negócio caiu, porque o dinheiro nunca chegou a ser transferido para a conta do clube. Os dois investidores deixaram de dar qualquer sinal de vida, havendo informações contraditórias sobre o que realmente aconteceu.
Com tanta conversa quase que nos esquecemos que o Wisla Kraków tem um plantel profissional, sim, e joga na Primeira Liga Polaca! Não é ficção, é bem real. Diria que a maior conquista no meio disto tudo será o clube ter-se aguentado no principal escalão com tanta coisa extra-futebol a acontecer.
Ainda assim, apesar de todo o esforço feito pela equipa do Wisla em respeitar o nome do clube, jogando com meses de salário em atraso, tudo podia ter sido em vão. Para o clube continuar a disputar a Primeira Liga Polaca era preciso o clube pagar a sua licença, entretanto já suspensa, para jogar a segunda metade da época, sob pena de ser desqualificado e “desaparecer” do panorama profissional.
De regresso e já como capitão Fonte: Wisla Kraków
Sem investidores, sem dinheiro, sem donos, o Wisla Kraków precisava de um herói. Esse herói, podemos dizer, foi Kuba Błaszczykowski.
O jogador polaco não conseguiu ficar indiferente a toda esta situação que o seu clube de infância enfrentava e decidiu partir para a ação. Desvinculou-se do Wolfsburg e transferiu-se para o Wisla Kraków, num contrato praticamente a 0. Na verdade, como a lei desportiva polaca não permite que jogadores profissionais recebam 0, Kuba tem um salário irrisório que decidiu doar para que crianças possam ver os jogos do Wisla.
Era apenas o inicio da salvação do Wisla Kraków. Błaszczykowski e outros dois investidores pagaram todos os salários em atraso do clube polaco. O clube recuperaria a sua licença após vender oito jogadores. E no meio de todo o êxtase que o regresso de Kuba protagonizou, o Wisla conseguiu recolher cerca de 1 milhão de euros numa campanha de venda de 5% do clube aos adeptos.
O novo presidente do clube, Rafał Wisłocki, acredita agora que o regresso de Kuba Błaszczykowski no clube seja também o regresso dos tempos de glória de um clube que habituou os seus adeptos a conquistas e ultimamente tem sido o principal protagonista de uma novela sem fim.
Desde que me lembro, a Madeira sempre foi um dos destinos turísticos mais atractivos da Europa. Já o CD Nacional, na sua época de regresso à Primeira Liga, já passou por alguns períodos conturbados, desde a derrota por 10-0 em casa do SL Benfica, a uma sequência de maus resultados que colocaram o lugar do treinador Costinha em causa. O clube alvi-negro também se tem destacado pela prática de um futebol positivo e pela aposta em jogadores em mercados “exóticos”.
Um dos destaques tem sido um jogador que passou pela formação do emblema insular: o moçambicano Witi Quembo. O extremo que teve uma breve passagem pelos juniores do Benfica em 2015 tem-se finalmente afirmado na equipa do CD Nacional, ao ser um dos principais desequilibradores da equipa de Costinha, contabilizando cinco golos e cinco assistências em 26 jogos.
Rashidov cumpre a sua primeira experiência na Europa Fonte: CD Nacional
Dando o salto para a América Central, os golos têm estado a cargo do hondurenho Bryan Róchez. O ponta de lança que foi recrutado à Major League Soccer tem-se afirmado como o principal artilheiro dos insulares, anotando dez golos em 25 golos, mais seis golos apontados na Segunda Liga na época passada.
Sem ter a influência e a utilização regular dos dois jogadores já mencionados, o georgiano Georgi Arabidze é um jogador que também merece aqui destaque. O extremo com formação no Shakhtar Donetsk, que chegaria a ser lançado na equipa principal por Paulo Fonseca, tem dez jogos realizados pelo CD Nacional e um golo marcado.
Chegado mais recentemente ao clube, Sardor Rashidov veio em Janeiro do Usbequistão. Integrou a equipa mais tarde devido à participação na Taça das Nações Asiáticas, tendo no seu segundo jogo pelos insulares apontado um hat-trick ao CD Feirense.
Com estes jogadores, o CD Nacional seguiu o exemplo do Portimonense SC com Nakajima, ao apostar em mercados com pouca tradição no futebol português, o que mostra também a capacidade do clube madeirense em detetar talento.
No encerramento da jornada 23 da Liga Portuguesa, o SL Benfica recebeu o GD Chaves e goleou-o por 4-0 no Estádio da Luz, com golos de Rafa, João Félix, Seferovic e Jonas.
O início da partida viu um Chaves bem organizado defensivamente em 4x5x1 e a colocar dificuldades na transição ofensiva do Benfica, que manteve mais bola e iniciativa atacante nos primeiros 45 minutos.
As poucas saídas dos flavienses eram, sobretudo, em contra-ataque. Foi com essa dinâmica que, ao minuto seis, Luther Singh progrediu na direita, assistiu para Rúben Macedo, que encontrou a cabeça de Platiny – já não jogava desde 18 de janeiro –, para defesa de Vlachodimos. Estava criada a primeira oportunidade do jogo. Na resposta, e também de cabeça, foi Rafa (6’) a testar as capacidades de António Filipe.
Nove minutos depois, o Chaves construiu a segunda e última oportunidade na primeira parte. Desta vez, foi Rúben Macedo quem rematou para a defesa muito complicada de Vlachodimos.
A partir daí, e até ao fim, só deu Benfica! Os encarnados já tinham a iniciativa atacante do seu lado e estavam à procura de desconstuir a estrutura bem montada do Chaves, que ia conseguindo sobreviver.
A um bom espetáculo futebolístico como este, estavam a faltar os golos! Ao minuto 19, Pizzi cruza teleguiado na direita para uma receção de grande classe de João Félix, que passa para dentro da área, confunde os defesas flavienses, e Rafa aproveita para abrir o marcador.
O Benfica continuou com boa qualidade ofensiva, com Rafa e João Félix a fazerem maravilhas. Os encarnados carregavam e, após duas oportunidades de Rafa (27’) e João Félix (33’), foi a grande sensação das águias a fazer o 2-0. Ao minuto 36, e após muita insistência, Seferovic serviu João Félix, que à segunda tentativa bateu António Filipe de forma eficaz.
Estava feito o 2-0 e não iria ficar por aqui! Seis minutos depois, foi de novo João Félix a dar início ao lance do 3-0. O extremo passou de calcanhar para Gabriel, que encontrou Seferovic. O suíço não desperdiçou.
Seferovic continuou de pé quente e é o melhor marcador da Liga, com 15 golos Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Na segunda parte, a intensidade manteve-se, embora tenha havido mais tempo para gestão por parte dos encarnados, que contaram com um apoio fervoroso nas bancadas, com as lanternas dos adeptos a fazerem-se sentir.
João Félix (48’), Grimaldo (69’) e Pizzi (53’, 55’, 78’) criaram boas oportunidades, enquanto Rúben Macedo (60’ e 70’) protagonizou duas ocasiões, mas Vlachodimos não tremeu.
A nove minutos do fim, Bruno Lage lançou Jota, que se estreou na equipa principal para uma grande ovação.
Aos 90’, o Benfica chegou ao 4-0 por intermédio de Jonas – quem haveria de ser?! –, que recebeu o passe de João Félix para balançar as redes de António Filipe pela quarta vez.
O apito de Manuel Mota ditou os três pontos para o Benfica, que rubricou mais uma excelente exibição. A quatro dias do clássico, era importante um bom resultado e a equipa de Bruno Lage não desiludiu. Mérito de todos os jogadores!
Na próxima jornada, a 24.ª, o Benfica disputa o clássico com o FC Porto, no sábado, às 20:30. Apenas um ponto separa encarnados de dragões. O Chaves recebe o CD Santa Clara, no domingo, às 15:00.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES
SL Benfica: Vlachodimos; Corchia, Rúben Dias, Samaris e Grimaldo; Pizzi (Jota, 81’), Gabriel, Florentino e Rafa (Jonas, 71’); João Félix e Seferovic (Zivkovic, 83’).
GD Chaves: António Filipe; Paulinho, Maras, Campi e Luís Martins; Costinha (Bressan, 56’), Rúben Macedo, Jefferson, Bruno Gallo (Filipe Melo, 58’) e Luther Singh; Platiny (André Luís, 78’).
No último dia de Liga NOS, no que a 23ª jornada diz respeito, o Sporting visitou o sempre trabalhoso Estádio do Marítimo (Estádio dos Barreiros para os mais íntimos) e não foi além de um empate a zeros frente à equipa da casa, num jogo com aquele toque de polémicas q.b. misturado com uma pitada de desperdícios.
Bom, dentro das quatro linhas, Petit, treinador dos insulares, optou por seguir o ditado “numa equipa que ganha não se mexe” à risca: colocou o mesmo onze inicial que, na jornada anterior, havia vencido o Belenenses por 0-1.
Já do lado verde e branco, Marcel Keizer optou por algumas alterações no onze, quando comparado àquele que defrontou o Villarreal CF, mais especificamente, as entradas de Renan Ribeiro e Marcos Acuña em detrimento de Salin e Jefferson.
Apita o árbitro, começa o jogo! E, se os adeptos já estavam com expetativas altas para este jogo, mais “eufóricos” ficaram ao ver um remate traiçoeiro de Bruno Fernandes, ao quarto minuto de jogo, testar a atenção do guarda-redes Charles. Porém, essa euforia aos poucos foi desvanecendo, até que, no seguimento de um livre lateral, o Marítimo causaria um enorme calafrio aos lisboetas: boa incursão ofensiva de Rúben Ferreira e Barrera pela esquerda e um falhanço de Getterson, falhanço esse que fez, certamente, com que todos os adeptos verde-rubros levassem as mãos à cabeça.
No minuto seguinte, Bas Dost procurou o 1-1 no quesito “falhanços”, ao obrigar, novamente, Charles a intervir na partida: excelente cruzamento de Bruno Fernandes, contudo o holandês não conseguiu responder da melhor forma ao passe do companheiro; na recarga, Diaby rematou a bola (muito) por cima da baliza.
Terminava assim o primeiro tempo deste confronto “leonino”. Tempo de recolher aos balneários e, principalmente, tempo de refletir. Essa reflexão acabaria por ter efeitos práticos do lado dos visitantes, logo no reatamento do jogo: entradas de Doumbia e de Raphinha para os lugares de Gudelj e Borja, ambos amarelados no decorrer dos primeiros 45 minutos.
No que diz respeito aos minutos inicias, a segunda parte mais pareceu uma fotocópia da primeira: de novo, uma oportunidade flagrante do Sporting, desta vez dois minutos após o apito do árbitro, onde Bas Dost passou o testemunho a Diaby que desferiu um remate venenoso ligeiramente sobre o ferro.
A resposta do Marítimo, todavia, não tardaria a chegar: aos 53 minutos, Edgar Costa, capitão dos madeirenses, assumiu a marcação de um livre direto levemente descaído para a esquerda que levou algum perigo às redes defendidas por Renan; apesar de tudo, o brasileiro parecia ter o lance controlado.
Uma dezena de minutos mais tarde, aproximadamente, Edgar Costa protagonizou mais uma enorme oportunidade para os leões do Almirante: remate cruzado, apesar de fraco, que obrigou o guardião do Sporting a sujar o equipamento.
Os adeptos do Sporting, situados no topo norte do estádio, precisamente atrás a baliza defendida por Charles, tiveram, ainda, o direito de assistir de “camarote” aos milagres efetuados pelo número 94 maritimista: quer fosse a enorme defesa a um cabeceamento de Raphinha (76’), quer fosse a saída aos pés de Bruno Fernandes (79’) para, dessa forma, evitar alterações do marcador. Ah, e seria um pecado não mencionar aquela quase obra-prima do médio português na marcação de um livre direto. Faltou pouco, Bruno!
Até final, nota para as três expulsões do lado dos visitantes: primeiro, Coates viu o segundo cartão amarelo e consequente vermelho; de seguida, Marcel Keizer e Nelson Pereira acabariam também por receber ordem de expulsão.
Apita o árbitro, fim de jogo no Funchal. 0-0 era o que assinalava o placar electrónico no Estádio do Marítimo. Deste modo, o Sporting não aproveitava totalmente o deslize do SC Braga e mantinha uma distância considerável para o 3º posto. Quanto ao Marítimo, afastava-se dos lugares de descida e ganhava um ponto aos rivais da Madeira, o Nacional, que havia perdido nos Açores.
ONZES E SUBSTITUIÇÕES
CS Marítimo: Charles; Rúben Ferreira, René Santos, Zainadine, Grolli e Nanu; Barrera (Correa, 68’), Vuković, Pelágio (Fabrício, 60’) e Edgar Costa; Getterson (Joel, 78’)
Sporting CP: Renan; Borja (Raphinha, 45’), Coates, Ilori e Ristovski; Acuña, Gudelj (Doumbia, 45’), Wendel (Phellype, 80’) e Bruno Fernandes; Diaby e Bas Dost
Não há, até onde sei, nenhum adepto de futebol em Portugal que não sinta aquele “friozinho” na barriga, aquelas borboletas no estômago, aquele “bater de coração” quando chega ao período das decisões na prova rainha, a Taça de Portugal.
Os adeptos do FC Porto, logicamente, não são diferentes e, apesar de nos últimos anos os azuis e brancos não terem recebido a medalha de ouro no Jamor, muitas são as noites mágicas que surgem no pensamento dos portistas quando o tema é “meias-finais da Taça”. Com isso em mente, proponho uma visita ao passado, uma visita às meias-finais de Taça de Portugal mais marcantes no universo azul e branco, neste século.