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SL Benfica 25-27 FC Porto: Porto mais forte em clássico repleto de emoção!

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Foi num Pavilhão Nº2 da Luz quase cheio que SL Benfica e FC Porto se defrontaram naquele que era o jogo grande da 25ª jornada do Campeonato. As duas equipas entravam para esta partida com cinco pontos de diferença.

De um lado, o FC Porto. 1º classificado com 67 pontos e menos um jogo, a equipa de Magnus Andersson vem num momento de forma incrível e entrava para este jogo com uma série de 16 vitórias consecutivas – a última derrota acontecera em Novembro frente ao Magdeburg. De outro lado, o Benfica, 3º classificado com 62 pontos e menos duas partidas realizadas, entrava neste jogo com a ambição de, em caso de vitória, poder ultrapassar o FC Porto na última jornada da competição.

O SL Benfica entrou concentrado e pressionante no jogo, defendendo 5-1 com Belone Moreira a assumir o papel de defesa avançado. Foi dessa maneira que a equipa da casa conseguiu frustrar o ataque portista, que nos cinco minutos iniciais apenas marcou um golo. Por sua vez, o SL Benfica ia circulando bem a bola, arranjando espaços não só para entradas aos seis metros, mas também para colocar bolas no pivot Paulo Moreno que ia aproveitando as oportunidades que lhe davam.

O FC Porto encontrou-se defensivamente com a entrada de Miguel Martins. Na baliza, Alfredo Quintana ia ficando cada vez mais inspirado, o que permitiu ao FC Porto alcançar uma vantagem de 9-11 à passagem do minuto 19. O jogo entrou depois numa toada onde os guarda-redes foram as figuras principais. De um lado Quintana, que realizou uma série de 4 ataques consecutivos sem sofrer golos, e de outro Ristovski, que ia mantendo o SL Benfica dentro do jogo, mesmo quando a equipa se encontrava em inferioridade numérica. Antes do fim da primeira parte, Quintana ainda defenderia o seu segundo livre de sete metros, fechando o resultado com as duas equipas a irem para o intervalo com o marcador a assinalar 10-14 favorável ao FC Porto.

A segunda parte foi semelhante. O Benfica entrou novamente mais forte e aos cinco minutos da segunda parte já reduzira a desvantagem de 10-14 para 13-14, por intermédio de uma entrada fulgurante do ponta-esquerda Fábio Vidrago. Ristovki ia novamente fechando a baliza, e a sua defesa a um livre de sete metros aos 36 minutos de jogo permitiu ao SL Benfica empatar a partida a 14. O FC Porto marcaria o seu primeiro golo no segundo tempo aos 37 minutos na conversão de um livre de sete metros, mas depois começou o espetáculo de Nyokas. O francês entrou com uma energia que contagiou não só os seus colegas como também as centenas de adeptos nas bancadas e marcou três golos que permitiram ao SL Benfica fazer o 17-17 aos 41 minutos. Quando um minuto depois o guarda-redes macedónio Borko Ristovski marcou um golo “baliza-a-baliza” para fazer 18-17 e dar a vantagem à equipa benfiquista, o treinador Magnus Andersson não teve outra opção senão colocar um time out para tentar colocar a sua equipa de volta na partida.

Experiência portista fez a diferença
Fonte: FAP

A pausa teve efeito e aí apareceu Alfredo Quintana. Aquele que é, possivelmente, o melhor guarda-redes a atuar em Portugal e dos melhores a nível europeu fechou a baliza. Aos 46 minutos, o pivot brasileiro Ales Silva falhou um chapéu ao guarda-redes luso-cubano, que permitiu ao FC Porto marcar de contra-ataque e colocar-se novamente na frente do marcador. A equipa da Invicta atingiu o 25-23 e na Luz temia-se que o resultado pudesse descambar. Mas os comandados de Carlos Resende recuperaram e chegaram mesmo ao empate a cinco minutos do fim.  Aos 28 minutos e 19 segundos, o lateral direito portista Djibril Mbengue recebeu a sua segunda exclusão de dois minutos, o que significava que o FC Porto iria jogar até ao final do encontro. Empurrado pelos seus adeptos, os jogadores benfiquistas foram à procura da vitória mas a ansiedade levou a melhor nos momentos finais. Alexandre Cavalcanti falhou o livre de sete metros que daria o empate à sua equipa e o pivot cubano Vitor Iturriza fechou o resultado, marcando o 25-27 a trinta segundos do fim.

O FC Porto venceu assim o clássico, numa partida recheada de emoção até ao final. A maior experiência e frescura física dos jogadores portistas acabou por ser fundamental para o desfecho da partida. Enquanto que Magnus Andersson conseguiu rodar a equipa sem grandes quebras no nível de jogo, Carlos Resende optou por apostar nos mesmos jogadores durante praticamente toda a partida e nos momentos finais esse esforço físico e mental acabou por ser sentido e fazer a diferença.

EQUIPAS

SL Benfica: Borko Ristovski (1), João Pais (1), Nuno Grilo (1), Alexandre Cavalcanti (6), Belone Moreira (3), Carlos Martins (2), Paulo Moreno (3), Hugo Figueira, Davide Carvalho, João Silva, Kévynn Nyokas (3), Ricardo Pesqueira, Arthur Patrianova, Fábio Vidrago (5), Miguel Espinha, Ales Silva.

FC Porto: Alfredo Quintana, Diogo Branquinho, Fábio Magalhães (5), Rui Silva (1), Djibril Mbengue (2), António Areia (4), Aléxis Borges (1), Victor Iturriza (4), Leandro Semedo, Yoan Blanco (2), Miguel Martins (4), Angél Zulueta (1), Daymaro Salina (1), Leonel Fernandes, Thomas Bauer, Miguel Alves (2).

 

Real Madrid CF 0-3 FC Barcelona: Novo desaire blanco no El Clásico

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Depois do empate a uma bola em Camp Nou, na primeira mão desta semifinal da Copa Del Rey, Real Madrid e FC Barcelona encontraram-se novamente para discutir o acesso à final da Taça. Os culés visitavam o eterno rival sabendo que um empate a zero os colocaria fora da competição.

Mas foram os blancos que tomaram iniciativa na primeira parte. Nuns 45 minutos muito cinzentos, Vinícius Júnior tentava dar umas pinceladas, com várias incursões ofensivas individuais. Não fosse a inspiração de Ter-Stegen e os favores que a bola fazia ao desviar-se da baliza e a equipa de Solari teria chegado ao intervalo em vantagem. Voltou-se aos balneários com um nulo no marcador mas uma conjuntura favorável ao Real Madrid. Sergio Busquets e Sergi Roberto ainda estavam para aparecer no jogo, ensombreados por um Casemiro muito duro.

Uma má primeira parte de Busquets
Fonte: FC Barcelona

Mas a segunda parte foi tão inesperada como diferente. Aos 50 minutos, Ousmane Dembelé, um dos mais inconformados na equipa catalã, entra pela grande área madrilena e centra a bola para Luis Suárez, que encosta da marca de grande penalidade para dentro da baliza. A partir daqui, o equilíbrio de forças mudou, e de que maneira. Casemiro, que até aqui pouco mais fizera do que travar o adversário em falta, parecia incapaz de colocar a equipa a jogar. Modric não estava disposto a fazer passes de risco e Toni Kroos, numa posição mais recuada que o croata, pouco podia fazer. Vinícius Jr. pareceu desaparecer do jogo.

Os dois outros golos do FC Barcelona surgiram mais por demérito dos blancos que mérito dos culés. Especialmente o 2-0, que surge aos 69 minutos após um contra ataque dos catalães e é concretizado com um auto-golo de Varane. O 3-0, de Suárez outra vez, chega aos 73 graças a uma falta de Casemiro sobre Dembelé, que originou a grande penalidade batida pelo uruguaio com um panenka em pleno Bernabéu.

Num Clásico pouco memorável, o Real Madrid CF perde assim uma competição que poderia mascarar a má época que tem vindo a fazer. O FC Barcelona segue para a final e mantém vivo o sonho do triplete.

ONZES INICIAIS E SUBSTITUIÇÕES

Real Madrid CF – K. Navas; D. Carvajal; S. Ramos; R. Varane; Reguilón; T. Kroos; Casemiro (F. Valverde 75’); L. Modric;  L. Vazquez (G. Bale 68’); V. Júnior (M. Asensio 81’); K. Benzema

FC Barcelona – M. Ter-Stegen; N. Semedo; G. Piqué; C. Lenglet; J. Alba; S. Busquets (Arthur 86’); I. Rakitic; S. Roberto; O. Dembelé (P. Coutinho 75’); L. Messi; L. Suaréz (Arturo Vidal 78’)

A recuperação mágica de Marega!

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A lesão de Marega e a sua respetiva recuperação têm sido um assunto amplamente discutido no panorama do Futebol Português na última semana. Moussa Marega sofreu uma rotura muscular no confronto diante o Vitoria SC, no dia 3 de Fevereiro, e o prognóstico era muito preocupante podendo o internacional maliano estar ausente da competição durante dois meses.

Foi então que o departamento médico azul e branco decidiu recorrer aos serviços de Eduardo Santos, conhecido no mundo futebolístico por “Dr. Milagre”. Os seus tratamentos costumam resultar numa redução do tempo de paragem de forma significativa. Falcão, Hulk, Quaresma, Mangala, David Luiz, Moussa Dembélé e Wilfried Bony são alguns jogadores que já passaram pelas mãos do brasileiro.

Eduardo Santos trabalha no departamento médico do Shanghai SIPG, equipa orientada pelo ex treinador portista Vítor Pereira, o que facilitou todo o processo que foi acompanhado por Nelson Puga – diretor clínico do FC Porto.

É certo que Marega ainda não foi utilizado mas, na última partida diante o SC Braga, já esteve no banco dos suplentes, pronto para jogar caso o treinador portista assim entendesse. Após 23 dias de ter sofrido a lesão, Marega está pronto a competir e, não surgindo qualquer recaída, pode-se mesmo dizer que Eduardo Santos faz milagres. Acredito que, na próxima partida diante o SL Benfica, já possamos ver Marega em ação pelo menos alguns minutos. Penso que o principal objetivo é ter Marega a 100% no confronto diante a AS Roma.

Marega é preponderante neste FC Porto
Fonte: FC Porto

É verdade que a resposta dada pela equipa na ausência de Marega foi excelente, e outros jogadores como Fernando Andrade ou Adrián mostraram ser opções muito válidas. Sérgio Conceição foi extremamente inteligente e, não tendo Marega e o ataque à profundidade que ele permite, mudou um pouco o registo tático do FC Porto.

Explorou mais o jogo interior, controlou melhor os ritmos de jogo, desgastou os adversários com posse, tornando a equipa mais “Guardiola” com um  tik-tak constante entre os “baixinhos” tecnicamente muito evoluídos que tomaram conta da batuta. Jogar com Óliver, Herrera, Corona e Otávio muito próximos no corredor central e dando largura com Telles e Manafá, permitiu ao FC Porto duas magníficas exibições nas últimas partidas e faz pensar que este FC Porto não precisa de estar tão depende da profundidade que Marega oferece.

Mais uma vez este plantel mostrou ter profundidade e soluções mais que suficientes para atacar todas as frentes. E Sérgio Conceição mostrou mais uma vez toda a sua qualidade encontrando sempre soluções para todas as adversidades.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

A tarefa, a estabilidade e a continuidade

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Passou a turbulência no voo da Águia. O Sport Lisboa e Benfica conseguiu virar a página e reentrar na luta pelas competições com bastante qualidade e excelentes exibições, sendo que, para isso, muito contribuiu o trabalho que Bruno Lage veio a promover ao longo destes quase dois meses à frente da equipa técnica da Luz.

Devido às circunstâncias em que a equipa se encontrava, o começo não foi nada tranquilo. Lage tinha pela frente uma tarefa hercúlea, uma vez que os jogadores se encontravam com os índices anímicos bastante baixos, descrentes das suas próprias capacidades e acabados de sair de um período de um futebol triste, desconexo e sem ideias. Por outro lado, havia a questão de os adeptos estarem cada vez mais descontentes com o estado atual da equipa e sem a esperança de que a mesma se pudesse reencontrar. Ora, com isto, o novo técnico do SL Benfica teria de arranjar forma de elevar a crença dos adeptos, reabilitar os jogadores e retomar o caminho das vitórias e exibições bem conseguidas.

O discurso de Bruno Lage começou por indicar isso mesmo. Queria que os adeptos estivessem com a equipa, mas admitindo desde logo que tal só aconteceria se dentro de campo se mostrassem argumentos para tal. Daí que as agulhas se tivessem virado de imediato para “a tarefa”, como tantas vezes referiu o ex-técnico da Equipa B. Lage arregaçou as mangas e trabalhou muitos aspetos que antes estavam ausentes.

Fez regressar o 1x4x4x2 (assim mesmo, com o “1” antes da linha de quatro defesas, pois o guarda-redes também conta para o modelo de jogo), trabalhou o posicionamento dos jogadores, aumentou a intensidade no momento de Transição Defensiva e houve uma maior procura do controlo do jogo com bola. Apesar de nessa fase inicial ainda não existir um momento ofensivo deslumbrante, o que é facto é que a Base de Lage estava criada. A equipa estava estabilizada e, a partir daí, começou a trabalhar-se os aspetos ofensivos.

Bruno Lage tem tido imenso mérito neste novo SL Benfica e ganhou crédito suficiente para continuar no comando técnico da equipa principal “encarnada”
Fonte: SL Benfica

Desde o jogo em Alvalade frente ao Sporting CP (que terminou com a vitória do SL Benfica por 2×4) que a equipa tem vindo a mostrar níveis exibicionais brilhantes. A juntar à já muito bem trabalhada Organização Defensiva, o que temos visto a crescer de forma exponencial é precisamente o momento ofensivo. Quando a equipa recupera a bola, cada jogador sabe exatamente o que tem de fazer e onde se posicionar. Mais uma vez, “a tarefa”.

Bruno Lage não tem tido muito tempo para treinar devido aos jogos que têm existido com bastante proximidade, mas a equipa tem mostrado uma evolução enorme de jogo para jogo, sendo hoje bastante competente em todos os momentos: de Organização Defensiva, com um posicionamento exemplar e estruturado, de Organização Ofensiva, com um ataque posicional forte, móvel e um excelente aproveitamento dos corredores laterais e central, de Transição Defensiva, com uma reação à perda de grande qualidade, intensa e asfixiante e, finalmente, de Transição Ofensiva, com saídas rápidas e incisivas para o ataque e com um ataque à profundidade de grande excelência.

O processo coletivo da equipa está hoje bastante trabalhado e isso fez com que o nível exibicional de certos jogadores tivesse também aumentado. Gabriel Appelt, Rafa Silva e Haris Seferovic, por exemplo, estão num momento de forma extremamente positivo, assim como André Almeida, que até parece hoje um lateral bastante competente a atacar. A utilização de certos jovens e a potencialização de todo o seu talento, nomeadamente Rúben Dias, Ferro, Florentino Luís e João Félix, tem estado também em evidência.

Esta mudança e lufada de “ar fresco” que Bruno Lage veio trazer levou a que Luís Filipe Vieira olhasse para o técnico setubalense com outros olhos. Se, numa fase inicial, Lage estaria a prazo, o que é facto é que deixou de estar. Provou que era talhado para o lugar e Vieira decidiu mantê-lo até ao final da temporada. Continuou o excelente trabalho e as dúvidas foram desfeitas: Lage renovou o seu vínculo com o SL Benfica (com a mesma duração, mas com um aumento de salário) e continuará como técnico principal para a próxima temporada. Da parte de Bruno Lage, há que continuar o excelente trabalho que tem vindo a fazer e da parte da Direcção há que lhe dar todas e as melhores condições. Venha agora a Reconquista!

Artigo corrigido por Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

«Fazer a diferença todos os dias» – Entrevista a André Ramos

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O Bola na Rede teve a oportunidade de entrevistar André Ramos, um jovem atleta de alto rendimento na modalidade de Boccia e que celebrou recentemente os vinte e três anos de idade. O rapaz, natural de Almada, é um dos exemplos de que a Paralisia Cerebral (PC) não é impedimento para ambicionar e concretizar sonhos de vida. Este atleta paralímpico e técnico de informática na Associação de Paralisia Cerebral de Almada Seixal (APCAS) mostrou-nos a importância do Boccia na sua vida – modalidade paralímpica criada para atletas com PC – mas que pode ser praticado por todas as pessoas, com e sem deficiência.

Bola na Rede (BnR): Antes de nos direcionarmos para o Boccia, que outras modalidades desportivas já vivenciou?

André Ramos (AR): Quando era muito pequeno fiz natação e mais tarde pratiquei equitação adaptada.

BnR: Como descobriu o Boccia? Quando e onde iniciou a prática da modalidade?

AR: A minha médica falou-me da Associação de Paralisia Cerebral Almada Seixal (APCAS) como uma forma de encontrar possíveis respostas aos problemas e desafios que um jovem como eu poderia necessitar. Nessa sequência, passei a frequentar a associação e as atividades nela realizadas. Foi nesse âmbito que fiquei a conhecer o boccia, tendo ingressado na escola de boccia da associação aos 13 anos.

BnR: Foi difícil encontrar um clube que respondesse às suas necessidades? Qual a importância do desporto na sua vida?

AR: Acho que foi o boccia que me encontrou a mim e não o inverso. Desde essa altura que jogo e represento a APCAS, e tenho feito um percurso natural e crescente com o apoio da instituição. O boccia tem-me permitido concorrer ao mais alto nível e com os melhores, e representa uma grande fatia de todos os meus sonhos e objectivos pessoais.

Fonte: Ricardo Vaz/Bola na Rede

BnR: Depois de experimentar várias modalidades desportivas, porquê o Boccia? Tendo em conta as suas características, foi necessário algum tipo de adaptações?

AR: Para um jovem com deficiência motora nem todas as modalidades, mesmo que adaptadas, são praticáveis. No meu caso em concreto, não existem muitos desportos que possa fazer. O boccia permite-me praticar desporto, ser ativo e concorrer com os melhores a nível nacional e internacional, coisa que não encontrei noutras modalidades. O boccia está subdividido em cinco classes, iniciei-me como jogador na classe bc2 e atualmente, devido a perdas de motricidade fina nos membros superiores, fui reavaliado e concorro na classe bc1, sendo dos poucos jogadores que joga com o pé, com o auxilio de um sapato fabricado especialmente para mim.

BnR: Nos últimos anos conseguiu ganhar algum destaque na modalidade. Fale-nos sobre o seu percurso até ao momento.

AR: Fundamentalmente atribuo o meu crescendo desportivo ao meu trabalho diário (treinos). Luto diariamente para me tornar num melhor jogador, intensificando os treinos e a qualidade dos mesmos. Claro que sem o apoio da minha família e do meu clube nada disto seria possível. Foi esse árduo trabalho que me permitiu, desde há dois anos para cá, representar as cores do nosso país na Seleção Nacional de Boccia e que me fez alcançar o primeiro lugar no campeonato regional de Boccia e o terceiro lugar na fase final do campeonato nacional.

BnR: Representar a Seleção Nacional é certamente um motivo de orgulho para qualquer atleta, seja em que modalidade for, concorda? Como tem sido essa experiência? Como é ser atleta paralímpico?

AR: Sim. Como todos os desportistas quero ganhar e jogar com e contra os melhores. Tive sempre este objetivo e estou orgulhoso do que alcancei até aqui. Tem sido uma experiência enriquecedora mas ainda tenho muito para aprender e melhorar enquanto atleta. Não posso baixar os braços, tenho que continuar a trabalhar diariamente para mostrar o meu valor e a mais valia que posso trazer para a Seleção de Boccia.

Ser atleta paralímpico/de alto rendimento, significa também fazer alguns sacrifícios a nível pessoal. Por vezes temos de nos privar de certas coisas, com vista a alcançar aquilo que pretendemos. Por exemplo, alguns dos estágios da selecção, competições nacionais e internacionais, decorrem em datas marcantes para mim. No entanto, o esforço acaba por ser sempre recompensado.

Olheiro BnR – Matheus Nunes

Matheus Nunes é um dos mais recentes reforços do Sporting Clube de Portugal. O clube de Alvalade recrutou o médio brasileiro ao GD Estoril Praia, tendo desembolsado 500 mil euros por 50% do passe. O jovem de 20 anos assinou um contrato válido até 2024, com uma cláusula de rescisão fixada em 45 milhões de euros.

O médio brasileiro fez toda a sua formação no Grupo Desportivo União Ericeirense, clube da Associação de Futebol de Lisboa, onde também se estreou no futebol sénior durante a época 2016/17.

Depois de ter dado nas vistas na Ericeira, Matheus rumou, no início da presente temporada, a um histórico do futebol português: o Estoril-Praia. Na formação da Linha, o jovem médio realizou doze partidas na equipa sub-23 e ainda somou oito jogos na equipa principal, entre Taça da Liga e Liga de Honra. Recorde-se que o Estoril-Praia defrontou o Sporting, a contar para a Taça da Liga e Matheus Nunes jogou os 90 minutos, sendo inclusive uma das unidades em destaque.

O jovem assinou por quatro épocas e meia, com uma cláusula de rescisão de 45 M€
Fonte: GD Estoril Praia

O jovem leão chega ao Sporting Clube de Portugal, por enquanto, para estar ao serviço da equipa de sub-23. Matheus Nunes pode alinhar a extremo-esquerdo ou na posição «dez», jogando próximo do avançado. Estamos perante um atleta com qualidade técnica acima da média, forte no um contra um, com boa meia-distância e que tem na velocidade uma das suas armas.

Assim, possa o jovem Matheus Nunes evoluir e afirmar-se na equipa sub-23 leonina, numa primeira instância. Trata-se de um talento no qual se depositam algumas esperanças, daí o contrato de longa duração e a elevada cláusula de rescisão presentes no seu vínculo com o Sporting. Boa sorte e bem-vindo Matheus Nunes!

Foto de Capa: GD Estoril Praia

La Roja: A Rainha da Europa

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É um facto que os nuestros hermanos, Espanha, têm um enorme poderio sob todo o futsal europeu, quer seja em termos clubísticos ou mesmo até a nível da sua seleção. Não entremos agora pela vasta história que os clubes espanhóis têm nesta modalidade… e até porque as recordações do Europeu Feminino ainda estão frescas – pelos piores motivos para os portugueses – será mais oportuno falar sobre a seleção espanhola ou a La Roja.

O início da aventura no Futsal das seleções masculinas europeias em competições internacionais foi no ano de 1989 quando se realizou pela primeira vez, nos Países Baixos, o Mundial organizado pela FIFA. A UEFA, por sua vez, só iria organizar um europeu sete anos após se ter realizado o Mundial de 89.

O ano de 1996 seria histórico tanto para o futsal europeu como para o futsal espanhol. O órgão máximo do futebol europeu, UEFA, ao verificar o grande sucesso que a modalidade teve nos primeiros dois Mundiais decide organizar o seu próprio torneio. A Espanha acabou por ser o país escolhido para receber o tão aguardado Europeu e, curiosamente, a seleção anfitriã acabaria por conquistar a primeira competição de futsal do velho continente. A partir daqui, o domínio espanhol foi total.

A seleção masculina espanhola a erguer o terceiro título consecutivo em 2010, na Hungria, após a vitória por 4-2 contra Portugal
Fonte: UEFA

Dos onze campeonatos da Europa já organizados, a La Roja, como também é conhecida a equipa espanhola, esteve presente em nove finais e venceu sete títulos. É de forma mais do que óbvia a seleção com mais troféus no contexto europeu, sendo que quatro deles entre 2005 e 2012 foram ganhos de forma consecutiva – uma destas quatro finais (2010) foi ganha frente à seleção das Quinas por 4-2.

De forma mais lenta, o futsal feminino tem-se desenvolvido e vai ganhando, pouco a pouco, um espaço de grande importância nas competições da UEFA e o ano de 2019 trouxe consigo a organização do primeiro europeu. O Pavilhão Multiusos de Gondomar, no Porto, foi o local escolhido para que fosse escrita uma nova página no futsal do velho continente.

Em Gondomar, a seleção feminina espanhola venceu Portugal por 4-0 e conquistou o primeiro Europeu Feminino
Fonte: RFEF

O desfecho da final do Europeu feminino não foi de maneira alguma tal como nós, portugueses, desejávamos, que era ver as nossas guerreiras erguer a taça perante um pavilhão cheio. A verdade é que a seleção espanhola, que venceu Portugal por 4-0 na final, deu mais uma prova de que é, sem dúvida, a equipa mais forte no continente Europeu. E é por este motivo que escrevo.

É interessante verificar alguns factos históricos após este triunfo espanhol. La Roja ganhou, tanto no masculino (1996) como no feminino (2019), na estreia das competições que a UEFA organizou. A distância entre estas duas conquistas é de vinte e três anos, mas é certo e sabido que momentos históricos estão sempre a acontecer. Para todos os efeitos o nome da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF) fica ligado à peripécia de ser o primeiro país a conseguir erguer os dois troféus mais importantes de futsal da UEFA para as seleções.

Pelos números é inegável dar o estatuto de maior potência do futsal europeu à seleção espanhol, todavia, não é apenas o palmarés e as estatísticas que me permite afirmar isto. Ano após ano, a aposta nesta modalidade por parte da RFEF é impressionante e é algo de louvar. O certo é de que desta aposta têm aparecido os resultados e estes falam por si só. Por tudo isto, podemos dizer que “La Roja: [es] La Reina de Europa”.

Foto de Capa: UEFA

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

Na Luz, para a Liga, manda o SL Benfica

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Os últimos jogos do SL Benfica no Estádio da Luz para a Primeira Liga Portuguesa têm sido um pesadelo para os visitantes. Iniciando a contagem a 23 de dezembro do ano passado, quando o Benfica e o SC Braga jogaram a 14.ª jornada no reduto das águias, os encarnados deram aos seus adeptos um autêntico festival de golos. Venceram por 6-2 a equipa orientada por Abel Ferreira e isso deu início a uma sequência de goleadas em casa para o campeonato.

Esta foi a última partida na Luz do antigo treinador Rui Vitória, pelo que as restantes já foram levadas a cabo por Bruno Lage, começando logo na sua estreia pela equipa, contra o Rio Ave FC. Os encarnados ainda começaram a perder por 0-2, mas viraram para vencer por 4-2. Seguiram-se as goleadas ao Boavista FC, por 5-1, os épicos 10-0 ao CD Nacional e os 4-0 da última jornada, contra o GD Chaves.

São ao todo cinco goleadas consecutivas, no Estádio da Luz. Não só são goleadas, como também foram jogos em que os encarnados sofreram apenas cinco golos. O único jogo em que não foram realmente superiores durante toda a partida foi contra o Rio Ave, porque os restantes foram claramente de sentido único.

Isto demonstra o crescimento dos encarnados, que passaram a mandar na própria casa, numa temporada em que viram o Moreirense FC vencer na Luz, nos inícios de novembro, e onde não conseguiam convencer os adeptos, que exigiam um maior brio por parte do plantel.

São cinco goleadas consecutivas na Luz, para a Primeira Liga
Fonte: SL Benfica

As partidas, antes extremamente sofridas, passaram a ser incrivelmente controladas. A segurança transmitida pelos jogadores em campo parece demonstrar que raramente perdem a atenção e o controlo do jogo. Além disso, frisam a clara superioridade entre os plantéis e demonstram isso mesmo no formato de golos.

O jogo é todo encarnado e é mesmo assim que devia ser. No Estádio da Luz, principalmente, o Benfica tem de demonstrar que tem sempre o jogo na mão e fazer exibições semelhantes às que aqui comento, mantendo o reduto como um autêntico inferno para os visitantes.

Um clube como o Benfica, que tem orçamentos incrivelmente superiores à vasta maioria dos participantes da Primeira Liga, a jogar num estádio perante mais de 50 mil adeptos a gritar pelos seus jogadores, com todas as condições que tem, nunca poderá dar-se ao luxo de perder pontos na própria casa. Nestas últimas partidas, não só isso se tem demonstrado, como também se tem visto que o Benfica é dono e senhor do futebol jogado na Luz.

E assim terá de continuar.

Saudações Benfiquistas!

Artigo corrigido por: Mariana Coelho

Foto de Capa: SL Benfica

Locomotiva irlandesa transporta os lobos para outra dimensão

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Matt Doherty está no ponto mais alto da carreira e é um dos principais destaques desta edição da Premier Legue. O irlandês sente-se em casa em Wolverhampton, pois esta é já a nona temporada ao serviço dos lobos, sendo, inclusive, o jogador do plantel atual há mais tempo no clube.

Foi no Verão de 2010 que Doherty entrou no radar os Wolves. Enquanto jogador do modesto Bohemians, defrontou o seu atual clube num desafio de pré-temporada, deu nas vistas e convenceu os responsáveis do clube a avançar para a sua contratação. 25 mil euros foi quanto os Wolves pagaram pelo, na altura, jovem de 18 anos.

Na primeira época, jogou sobretudo pela equipa de reservas. No entanto, foi progressivamente ganhando espaço e estreou-se na Premier League a 24 de setembro de 2011, logo no mítico Anfield Road. Na segunda metade da temporada de 2011/2012 foi emprestado aos escoceses do Hibernian e na seguinte ao Bury, clube da League One.

Na temporada de 2013/2014, regressou ao Molineux e não mais saiu. A equipa vinha de duas relegações consecutivas, mas esteve na League One só de passagem. A estadia no terceiro escalão foi curta, mas serviu para Doherty ganhar em definitivo um lugar na equipa. O lateral-direito foi peça chave na equipa que se manteve no Championship até 2017/2018, ano da chegada de Nuno Espírito Santo aos comandos da equipa.

Em 2016, foi eleito o melhor jogador do Wolverhampton pelos adeptos do clube
Fonte: Wolverhampton Wanderers FC

Foi o técnico português que conseguiu tirar mais proveito das qualidades do irlandês, pois concedeu-lhe todo o flanco direito do seu esquema de 3 centrais (3-5-2 ou 3-4-3). Dono de uma passada larga e uma capacidade física acima da média, Doherty oferece muitas soluções ofensivas à equipa, fruto das suas cavalgadas pela linha ou das incursões por terrenos mais interiores, aproveitando o espaço entre o central e o lateral adversário.

Foi peça-chave na caminhada rumo à conquista do Championship, falhando apenas um jogo na memorável campanha dos lobos. Esta época, apenas mudou o palco. O trio de centrais é o mesmo e Matt Doherty continua a cavalgar pelo lado direito, desta feita no principal escalão do futebol inglês, onde a equipa se encontra num notável oitavo lugar. A preponderância do irlandês de 27 anos no conjunto de Nuno mantém-se, levando já mais de 2300 minutos no campeonato e tendo atuado em 32 dos 33 jogos da equipa em todas as competições. Em setembro, foi eleito o jogador do mês da Premier League, sendo apenas o quarto irlandês a conseguir o prémio.

É na estatística ofensiva que Doherty mais se destaca mais, levando 6 golos e 4 assistências na sua conta. Segundo dados dados do «WhoScored», faz em média um remate e um passe chave por jogo. Defensivamente, vence grande parte dos duelos aéreos, fruto da sua estatura- 1,86m- e do seu grande poder de impulsão, aos quais junta, em média, 1,6 interceções e 1,5 desarmes por jogo.

A 15 de fevereiro, renovou o vínculo que o liga com os Wolves até 2023. Em declarações à imprensa, diz estar a viver um sonho. “Estou num grande momento de forma e a jogar todos os fins-de-semana, é sonho tornado realidade. O treinador, claro, acredita em mim. Fico muito feliz com os seus comentários, é sempre bom ter o reconhecimento do treinador”.

Apesar da época de alto gabarito, o irlandês demonstra maturidade ao reconhecer que o Wolverhampton é o clube mais indicado para si: “Para mim, agora, não há melhor lugar do que os Wolves, com este treinador e esta forma de jogar”.

Com a amplificação dos sistemas de 3 centrais no futebol moderno, Doherty é um alvo cada vez mais apetecível, pois é difícil encontrar um ala que dê tantas garantias quanto o irlandês. Apesar de apenas se ter estreado na seleção irlandesa há menos de um ano, promete ser uma das figuras da sua seleção nos próximos anos.

Matt Doherty, um lobo feliz.

Foto de Capa: Wolverhampton Wanderers FC

Artigo revisto por: Jorge Neves

O Guia para os Europeus de Glasgow

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No espaço de três anos, a Grã Bretanha teve direito a receber três grandes competições internacionais de Atletismo e, depois dos Mundiais ao ar livre de Londres e de pista coberta em Birmingham, o ciclo encerra com os Europeus de pista coberta em Glasgow, na Escócia.

Apesar de algumas ausências importantes (habituais na pista coberta), o evento contará com a presença de 15 atletas que se sagraram campeões europeus ao ar livre em Berlim no ano passado, pelo que se tivermos em conta o número de evento e as diferenças de distâncias/provas em certos casos, percebe-se que a maioria da elite europeia estará presente.

Através deste Guia de Antevisão iremos dar a conhecer quem são os 13 portugueses que estarão a competir em Glasgow, em que datas e o que poderemos esperar de cada um dos presentes. Iremos também fazer uma pequena antevisão de cada evento, sabendo que no final até poderemos vir a ser ridicularizados, pois muitas previsões revelar-se-ão, com certeza, falhadas.

E há boas notícias: mais uma vez, o Bola na Rede, em colaboração com o Planeta do Atletismo, estará presente numa grande competição internacional e iremos dar-vos conta de tudo o que de mais importante vai acontecer na cidade britânica entre os dias 1 e 3 de Março.