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Solskjaer 100% vitorioso na Liga

A derrota diante do Liverpool FC, no dia 16 de dezembro, ditou a saída de José Mourinho do comando técnico do Manchester United. Poucas horas após a confirmação do despedimento, os red devils oficializaram a contratação de Ole Gunnar Solskjaer como novo treinador.

Solskjaer é um conhecedor da cultura do Manchester United e é considerado uma das lendas do clube, tendo atuado em Old Trafford desde a época 1996/97 a 2006/07, totalizando 126 golos em 366 jogos disputados pelo United.

O técnico norueguês que orientou o Molde durante as últimas assumiu o cargo com contrato válido apenas até ao final da temporada, mas começa a dar provas de que possa vir a tornar-se em algo superior a um treinador de transição. Até ao momento, só sabe vencer! Soma sete vitórias em outros tantos jogos.

Com os seis triunfos alcançados na Premier League entrou para a história do clube ao bater um recorde com mais de 70 anos: Solskjaer tornou-se no treinador do Manchester United com o melhor arranque de sempre na competição.

No futebol não há milagres nem poções mágicas e Solskjaer obviamente não transformou o United numa equipa maravilha nem tão pouco imbatível, foi capaz sim de potenciar um estilo de jogo que Mourinho não privilegiava. A aposta num movimento ofensivo mais vertiginoso e na construção de jogo progressiva em detrimento de uma toada mais apática instituída por Mourinho, tem-se traduzido no aumento do número de golos marcados, como de resto ficou desde logo patente no primeiro jogo do norueguês no banco, com o United a impor uma goleada no terreno do Cardiff por 1-5.

Além da habitual mudança de atitude dos jogadores decorrente da saída de um treinador, no caso dos red devils é notória uma maior motivação e inclusivamente gosto em jogar num estilo mais rápido e ofensivo, o que resultou no crescimento do rendimento individual de cada um.

A senda goleadora manteve-se nas duas jornadas seguintes ao jogo de Cardiff com triunfos caseiros incontestáveis frente a Huddersfield e Bournemouth por 3-1 e 4-1, respetivamente. No primeiro jogo do ano, no reduto do Newcastle United, Solskjaer deu provas do seu bom instinto ao trocar Sanchez por Lukaku, que, um minuto depois, fez o primeiro do 0-2. Seguiu-se o confronto a eliminar com o Reading para a Taça de Inglaterra e mesmo com alguma rotatividade, repetiu-se nova vitória por 2-0.

A 13 de janeiro, surge o maior desafio para este novo Manchester United com a ida ao Estádio de Wembley para defrontar o terceiro classificado Tottenham. Numa partida em que chave da vitória passou pela capacidade de saber sofrer e sobretudo pelas mãos de De Gea, o Manchester United somou mais três pontos e reduziu distâncias, relançando a luta pelos lugares do pódio.

Talvez a maior vitória da era Solskjaer, frente ao Tottenham
Fonte: Premier League

À data deste artigo, o último jogo desta saga “Solskjaer 100% vitorioso” foi o 2-1 caseiro contra um Brighton que vendeu caro o resultado, perante um Manchester pragmático e sem grande brilhantismo, prevalecendo por isso os serviços mínimos.

O treinador norueguês não conseguiu apenas somar vitórias, como também mudou o clima de todo o clube e recuperou a forma de jogadores importantes como Anthony Martial, Marcus Rashford e sobretudo Paul Pogba.

A sua campanha tem sido memorável, Solskjaer hoje funciona como um enorme balão de oxigénio que sobrevoa Old Trafford e traz de novo alguma esperança para o resto da temporada. Contudo, há muito trabalho por mostrar e muito jogo por jogar.

Nos próximos seis jogos, destacam-se a eliminatória para a Taça de Inglaterra frente ao Arsenal, a primeira mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões diante dos franceses do PSG e ainda a receção ao Liverpool, em partida a contar para a Premier League

Os red devils estão vivos e recomendam-se. Continuam em todas as frentes (exceto Taça da Liga), resta saber o que lhes reserva o futuro!

Foto de capa: Manchester United

Artigo revisto por: Jorge Neves 

Das ondas da Nazaré para a hola Mexicana

Stephen Antunes Eustáquio nasceu a 21 de dezembro de 1996 em Leamington, município pertencente à província de Ontário (Canadá), para onde os seus pais haviam emigrado há cerca de dois anos. Mais tarde, pouco depois de cumprir o seu oitavo aniversário, a sua família decidiu regressar a Portugal e ao concelho da Nazaré, sua terra natal, onde Stephen daria os primeiros passos no futebol, ao serviço do Grupo Desportivo «Os Nazarenos». Posteriormente, ingressou na UD Leiria, emblema no qual permaneceu até aos 17 anos de idade, antes de se mudar, em julho de 2014, para os juniores do SC União Torreense.

Ora, concluída a última etapa do seu processo formativo em Torres Vedras, o jovem médio acabaria por se estrear no referido emblema enquanto sénior, no decorrer da temporada de 2014/2015, num encontro respeitante à penúltima jornada da fase de manutenção da Série F do Campeonato Nacional de Seniores.

As duas épocas seguintes traduziram-se na afirmação do futebolista no SC União Torreense. Assim sendo, a uma primeira temporada onde Eustáquio participou em 25 partidas, seguiu-se a temporada de 2016/2017  na qual o luso-canadiano foi peça fundamental para que a formação orientada por Rui Narciso se sagrasse segunda classificada da Série F do Campeonato de Portugal, qualificando-se, consequentemente, para o play-off de promoção relativo à zona sul.

A chegada a bom porto

Eustáquio foi, esta temporada, dono e senhor do meio campo flaviense
Fonte: GD Chaves

O protagonismo alcançado no conjunto torreense ainda com tenra idade proporcionou a Stephen Eustáquio a oportunidade de ascender a um patamar superior, a Segunda Liga, o que se sucedeu depois de ser assegurado como reforço do Leixões SC. Contrariamente ao que seria expectável, o centrocampista não acusou o salto qualitativo e nem a idade (apenas, 20 anos), nem o facto de estar a pisar pela primeira vez os escalões profissionais constituíram um obstáculo à sua afirmação, conjugando boas exibições com uma regularidade digna de registo para alguém tão jovem.

Prova disso, foi o facto de Eustáquio ter atuado quase sempre os 90 minutos em todas as 20 partidas (só não o fez por duas vezes) que disputou na Segunda Liga pela equipa leixonense. Além disso, num total 21 jornadas possíveis, o médio defensivo apenas não participou numa (12.ª jornada), por estar a representar a seleção portuguesa de sub-21; provas de que a sua valia justificava novo salto, algo que viria a materializar-se, em janeiro de 2018, com a sua ida para o GD Chaves, da Primeira Liga.

Não há duas sem três

Chegado a Trás-os-Montes, Eustáquio não tardou, uma vez mais, a consolidar-se no onze. Após ter deixado alguns bons indicadores na segunda metade da época transata, a presente temporada veio desfazer as (poucas) dúvidas que persistiam em relação ao seu grande potencial. Inteligente e disciplinado, o médio polivalente completou, em média, (43,8) passes por jogo, revelando bons atributos na sua execução quer a curta, quer a longa distância. Na verdade, é possível inferir que, em termos de precisão de passe de longo alcance, o internacional sub-21 por Portugal se posicionou entre os melhores centrocampistas da competição, rivalizando com futebolistas como João Schmidt (Rio Ave FC), Gabriel Pires (SL Benfica) ou Nemanja Gudelj (Sporting CP). Além disso, em virtude da sua boa leitura de jogo, o pivot-defensivo efetuou uma média de (1,8) interseções por encontro.

México: o desafio que se segue na Máquina Celeste

A estreia de Eustáquio com a camisola dos Cementeros é aguardada com expectativa
Fonte: Cruz Azul Fútbol Club

Fundado há 91 anos, o Cruz Azul Fútbol Clube é um dos principais e mais tradicionais emblemas do país e, pese embora não ganhe um campeonato há mais de duas décadas, continua a ser um dos líderes em matéria de assistências. Esta temporada, Guillermo Álvarez Cuevas – proprietário do clube – confiou o destino da Máquina Celeste a Pedro Caixinha, técnico português que já sabe o que é ser campeão no México, pelo que a adaptação de Stephen Eustáquio poderá vir a ser facilitada.

Num outro prisma, a Liga MX é uma das competições que goza de maior representatividade no âmbito da CONCACAF (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caraíbas). Neste sentido, e não obstante o médio ter representado até agora Portugal a nível internacional, nada o impede de, no futuro, optar por atuar pela seleção canadiana.

Em jeito de conclusão, espero apenas que este jovem médio seja capaz de dar continuidade à evolução que tem vindo a registar.

 

Foto de Capa: CD Chaves

10 promessas falhadas do Futebol Mundial

São milhares os exemplos que podem ser dados de jogadores que prometiam muito enquanto jovens, mas acabaram por não concretizar as expectativas geradas em torno deles.

Nesta lista irei focar-me em exemplos sobretudo deste século. Alguns deles com ligações a Portugal. Principalmente jogadores do Football Manager irão reconhecer estes nomes, por terem sido consagrados neste videojogo como wonderkids.

A lista é de tal forma que extensa que apenas 10 deixa um enorme sentimento de insuficiente.

WWE Royal Rumble: It’s the most wonderful time of the year

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O Royal Rumble é um dos PPV’s favoritos de qualquer fã de wrestling. Marca o começo da caminhada para a Wrestlemania e todos os anos há regressos inesperados durante o combate mais imprevisível de todos.

E parece que vamos mesmo passar a ter dois Royal Rumbles por ano! A expectativa pode ser ainda mais alta, mas convém relembrar que a WWE já fez um quantos combates deste género para esquecer. Agora com dois na mesma noite, a confusão habitual será ainda maior e dificilmente a WWE irá conseguir fazer o mesmo que fez em 2018 e criar dois combates deste género que ficaram na memória de todos nós.

No entanto, não vale a pena ser pessimista, até porque este evento terá mais combates de elevado interesse.

OC Barcelos 2-2 Sporting CP: Girão imperial nega vitória do Barcelos

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Naquele que foi o principal encontro da 13ª jornada do campeonato nacional, o último da primeira volta, Barcelos e Sporting realizaram um belo jogo de hóquei em patins, tendo empatado a 2-2. Numa partida bastante equilibrada, o Óquei foi melhor e apenas devido a Girão não conseguiu mais do que um ponto.

O clássico teve um começo dinâmico, com o Sporting procurar testar o experiente Ricardo Silva, sobretudo através do stick de Pedro Gil, fosse a stickar ou a assistir, mas o internacional português respondeu bem. O Óquei, limitado devido às ausências de Alvarinho e de Gonçalo Nunes, devido a estarem emprestados pelos leões, tentava circular o esférico e criar um desequilíbrio para visar a baliza de Girão.

À passagem dos sete minutos de jogo, depois de tantos avisos, Pedro Gil, com um disparo a meia altura, que Ricardo Silva não deverá ter visto partir, abriu o marcador.

Em desvantagem, o Barcelos conseguiu subir uns metros na pista, assim como ter o esférico em sua posse. Sem conseguir encontrar grande espaço para conseguir construir lances de golo e, após algumas tentativas de meia distância, João Almeida arriscou e com uma “picadinha” à entrada da área surpreendeu Girão e restabeleceu a igualdade.

O golo deu animo ao conjunto do Óquei que, ao contrário do que havia ocorrido nos minutos iniciais do encontro, conseguiu manter uma presença constante na meia pista leonina e provocar vários sustos à defesa sportinguista.

Após ter entrado muito bem no jogo, o Sporting não estava a conseguir restabelecer o domínio detido até ao momento em que marcou, não conseguindo penetrar na defensiva barcelenense e tendo algumas dificuldades para fechar os caminhos para a sua baliza. Exemplo disso foi uma transição rápida onde, por pouco, João Almeida não bisou no encontro.

Com o aproximar da pausa, a partida reentrou numa toada equilibrada, sendo que o Sporting voltou a estar ligeiramente por cima. Contudo, as melhores oportunidades pertenceram ao Barcelos que, em contra-ataque, quase passou para a frente do marcador. Todavia, nem Gonçalo Meira ou João Almeida conseguiram bater Girão. Momentos depois, João Guimarães viu um cartão azul devido a um enganchamento em João Pinto. Ferran Font, especialista na conversão de livres-diretos, assumiu a marcação do lance de bola parada, mas Ricardo Silva foi melhor e impediu o bonito do espanhol.

Em situação de superioridade numérica, os leões não deram qualquer hipótese e, após alguns segundos de circulação do esférico, Ferran Font aproveitou o espaço que teve para fazer o 2-1.

Terminada a primeira parte, o Sporting vencia o Barcelos por 2-1. Resultado justo devido ao aproveitamento que os leões fizeram da situação de powerplay que dispuseram, mas que facilmente poderia ser diferente. Isto porque, apesar de ter começado e terminado na mó de cima, o Óquei esteve por cima durante a maior parte do tempo e dispôs de várias oportunidades para marcar. Aqui entrava o fator Girão que, por mais uma vez, estava a ser determinante.

O marcador final
Fonte: Sporting CP

O segundo tempo começou de forma equilibrada e com algumas chances de golo, mas nem João Almeida ou João Pinto, este por duas ocasiões, conseguiram concretizar.

A um ritmo mais baixo em relação à primeira parte, Barcelos e Sporting proporcionavam um jogo pautado pelo equilíbrio. Perto da marca dos 32 minutos, Raul Marín viu um cartaz azul devido a uma infração cometida sobre João Almeida. João Guimarães, mais conhecido por Joca no mundo do hóquei em patins, foi o escolhido para a marcação do livre-direto, mas acabou por stickar ao lado da baliza de Girão.

Pela primeira vez em situação de powerplay, o Óquei raramente teve a bola em sua posse e quando o conseguiu as decisões do quarteto de campo foram sempre precipitadas, não tendo conseguido criar nenhum lance de perigo. Momentos depois de retomado o cinco para cinco, o Barcelos esteve quase a fazer o empate, mas Girão, com a máscara, disse não a uma fortíssima stickada de João Almeida.

Na frente do marcador, o Sporting procurava gerir o jogo, fazendo uso dos quarenta e cinco segundos de ataque. Estando sempre atento a possíveis espaços que pudessem surgir, mas também a transições rápidas do Barcelos que, por esta altura do encontro, recorria mais a stickadas de meia distância.

Mesmo sem procurar a baliza com muita insistência, os leões não deixavam de tentar surpreender e a cerca de dez minutos do final Toni Pérez quase fez o terceiro. Porém, o desvio que realizou a uma stickada de Henrique Magalhães esbarrou no poste esquerdo da baliza defendida por Ricardo Silva. Volvidos alguns instantes, Henrique Magalhães viu um cartão azul em virtude de uma falta cometida sobre João Guimarães. No respetivo livre-direto, Rúben Sousa stickou direto e assinou o 2-2. Um minuto depois, na sequência de um contra-ataque de dois para um, o Sporting esteve quase a retomar a dianteira, mas Pedro Gil não conseguiu aproveitar um excelente passe de Ferran Font.

O golo do Óquei deu outra vida e intensidade à partida que, após de vários minutos de equilíbrio, voltava a abrir. O que resultou em maior intensidade, dinâmica, espaço para se jogar e oportunidades para marcar. Exemplo disso foi uma stickada em zona frontal de Zé Pedro, que Girão conseguiu travar e uma enorme intervenção de Ricardo Silva a um lance aéreo entre Toni Pérez e Matías Platero.

O encontro estava intenso e as oportunidades sucediam-se. Contudo, Ricardo Silva e Girão, sobretudo este, estavam em grande e aproveitavam para ir dando espetáculo, com defesa brilhante atrás de defesa brilhante.

A cerca de dois minutos do fim, o Barcelos dispôs de um contra-ataque de dois para um, após Pedro Gil ter perdido o esférico no ataque, mas João Almeida, servido por Gonçalo Meira, não conseguiu marcar tendo enviado o esférico ao poste. Passados alguns segundos, João Almeida, isolado perante Girão, tentou fazer uma “picadinha” mas não conseguiu bater o guardião leonino.

Até ao toque da buzina para o final do encontro, sucederam-se inúmeras “piscinas”, com vários lances de golo para cada lado, mas o marcador não mais se mexeu.

Finalizado o clássico, Barcelos e Sporting empataram a 2-2. Apesar de no início do jogo se pudesse antecipar uma vitória, extremamente suada, por parte dos leões, o conjunto sportinguista deve dar-se por contente com o ponto alcançado. Isto porque, não tivesse sido Girão e alguma falta de eficácia dos jogadores do Óquei, facilmente os verde e brancos poderiam regressar a Lisboa sem qualquer ponto na bagagem.

Assim, concluída a primeira volta do campeonato, a Oliveirense lidera a tabela classificativa com 32 pontos somados, mais um que o Porto e dois que Sporting e Benfica. A maior surpresa da competição é o Riba D’Ave, clube que está de regresso à elite do hóquei em patins português, que ocupa a sexta posição da tabela com 19 pontos. Na luta pela permanência, Valongo, Paço de Arcos e Oeiras aparecem pouco acima da linha de água, com a distância máxima a ser de dois pontos, sendo que Tomar, Turquel e Marinhense estão em zona de descida.

No próximo fim-de-semana arranca a segunda volta e o destaque vai para o dérbi de domingo entre Benfica e Sporting, cujo início está marcado para as 17h00. No sábado, nota para o Oeiras-Porto, pelas 18h00, e para o clássico entre Juventude de Viana e Oliveirense que começa às 21h30.

OC Barcelos: 1-Ricardo Silva (GR e CAP.), 4-Zé Pedro, 6-João Almeida, 9-Hugo Costa e 66-Rúben Pereira; Jogaram ainda: 7-João Guimarães, 16-Gonçalo Meira

Sporting CP: 66-Ângelo Girão (GR), 9-Pedro Gil, 17-Matías Platero, 57-Toni Pérez e 88-Henrique Magalhães; Jogaram ainda: 4-Ferran Font, 8-Caio, 16-João Pinto (CAP.) e 27-Raul Marín

O Passado Também Chuta: Recordando Pedro Barbosa

Cumpre-me hoje sondar os lugares recônditos da minha memória para evocar as jogadas, os passes e os golos de Pedro Barbosa, médio dos leões que se sagrou campeão nacional com a camisola verde e branca por duas vezes (a primeira na época 1999/2000 e a segunda na temporada 2001/2002).

Quando o evoco, a ele e às suas jogadas, lembro-me também da fabulosa equipa do Sporting CP de 1999-2000, constituída por estrelas como  Ivone Di Fransceschi, Beto Acosta, André Ayew, Toñito e companhia, bem como da formação de 2001/2002, já com João Vieira Pinto e Jardel na frente de ataque, assumindo-se aqui Barbosa como o distribuidor de jogo por excelência, iniciando-se muitas vezes nos seus pés a irreverência posterior de João Pinto e os cabeceamentos exemplares do eterno “Super Mário”. É justo, não só por isto, mas também por isto, dizer que o título conquistado nessas épocas teve a o toque de midas de Pedro Barbosa.

Pedro Alexandre Santos Barbosa, cresceu para o futebol em terras nortenhas, nos escalões de formação do FC Porto, assumindo-se como sénior no SC Freamunde, corria a temporada 1989/90. Na época 1991/92 ruma para o Minho, representando o Vitória SC, mas foi desde a época 1995/96 até 2004/2005 que o internacional português viu todo o seu talento reconhecido, em representação do Sporting Clube de Portugal.

O que mais me fascinava no Pedro Barbosa era a calma que introduzia no jogo, mesmo quando tudo parecia perdido. Tratava a bola como se fosse de veludo, o seu toque era subtil, quase frágil mas, apesar de tudo, controlado. O que o distinguia dos demais, e que ainda hoje guardo no baú das minhas memórias, são os seus remates em jeito, na esquina da grande área. Remates, regra geral, colocados e carregados de veneno para as balizas contrárias. Esse era o Barbosa da minha adolescência que eu via nos jogos, quer pela televisão quer nos estádios sempre que ia ver o Sporting.

Quantos e quantos golos não marcou assim e nos deixou com a certeza de que o futebol, aos seus pés, parecia uma coisa simples e fácil. Tudo com uma calma, uma serenidade e uma confiança que só os grandes mestres possuem. Tinha o talento de apenas alguns e descobria espaços que, aos olhos dos comuns mortais, pura e simplesmente, não existiam. Colocava o esférico em lugares insondáveis, dribles que partiam os rins aos laterais esquerdos adversários, sempre que atuava na ala direita da formação verde e branca. Do ponto de vista do seu posicionamento em campo não era um ala puro, pois procurava muitas vezes as zonas interiores do campo para gerar roturas. Partia dele, muitas vezes, o último passe, o “da morte”, como se diz ainda na gíria do futebol.

Recentemente, Pedro Barbosa explicou a Bruno Fernandes alguns truques para se ser um verdadeiro maestro leonino
Fonte: Sporting CP

Mas, nem tudo foram rosas para este futebolista. Tal como os génios, teve oscilações exibicionais gerando-se várias dúvidas sobre a sua afirmação em patamares mais elevados do futebol europeu, pois tanto conseguia, num ápice, exibições e jogadas de encher o olho como, de um momento para o outro, parecia um fantasma em campo. Mas essa imprevisibilidade não diminuía o talento que possuía: dava ainda mais fé aos adeptos pois quando as coisas se complicavam para a formação de Alvalade, lá estavam eles à espera que o Barbosa sacasse um coelho da cartola e virasse o jogo com um cruzamento, um lance perigoso ou até mesmo um golo.

Por todas todas estas razões e muitas outras, Barbosa será sempre recordado no futebol português em geral e no Sporting em particular. A sua memória torna-se ainda mais importante, muito devido à escassez de jogadores calmos e serenos em campo atualmente, capazes de conjugar algo que aparentemente parece inconciliável: a irreverência e a tranquilidade. Também por isso, Barbosa será sempre Barbosa. E os adeptos de futebol têm de prestar-lhe as devidas homenagens, deixando de parte as críticas que tantas vezes sob ele se abateram, injustamente, ao longo da sua carreira.

Foto de Capa: Sporting CP

Duván Zapata: De reserva na Sampdoria a ícone na Atalanta

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O golo é a “roda” do futebol. É o que dá vantagem ou o que motiva uma reviravolta. É o que dá pontos, e mais pontos dá, caso se marque mais do que o adversário. A propósito da arte de marcar golos, em quantidade, Ciro Immobile, um dos melhores pontas de lança italianos da atualidade, referiu-se à conquista da “Bota de Ouro” do campeonato como uma sorte, visto que Cristiano Ronaldo chegou a Itália já com a edição seguinte do campeonato no horizonte.

Sensivelmente a metade da época, vemos o quadro dos goleadores em Itália num prisma bem equilibrado: Ronaldo, como se previa, ao lado de uma equipa milionária e devastadora para lá dos Alpes, encontra-se no topo dessa mesma lista. Contudo, conta com a companhia de alguns matadores, como Quagliarella, típico e bem conhecido ponta de lança transalpino, que atua na UC Sampdoria e enquadra-se num elenco bem apreciado pela crítica desportiva italiana. A fazer 36 anos no final deste mês, o avançado faz jus à tradição italiana e traz o melhor de si, ou pelo menos ainda algo bom de si, com tal idade. Piatek, por sua vez, juntou-se agora ao AC Milan, vindo do Génova CFC, para substituir Higuaín. Leva 19 golos marcados.

Jogar numa equipa de dimensão baixa, em regra, faz baixar as aspirações de um atleta. Porém, a Serie A é um campeonato com excelentes jogos: embora se dê prevalência ao aspeto defensivo, o andar da carruagem de muitas partidas faz com que o ritmo de jogo acelere, e em algumas segundas partes que tive a oportunidade de assistir, reparei que em momentos de desvantagem, ou mesmo de empate, o rigor tático, tão preso na retaguarda, de certa forma, ia-se desintegrando, fazendo aumentar a adrenalina dos jogadores e resultando em muitas investidas ofensivas sucessivas de parte a parte.

Gasperini, cérebro da equipa com mais golos marcados na Serie A
Fonte: ItaSportPress

Os jogos de equipas como a Sampdoria, por exemplo, são bastante atrativos. Nota-se talento na equipa, bem como mão do treinador. À imagem da Sampdoria, coloco também nessa linha a Atalanta BC. Uma equipa dinâmica, bem organizada e, sobretudo, ofensiva. É a equipa com mais golos na Serie A (44), encontrando-se em sétimo lugar. De realçar que os jogos entre equipas de “renome” inferior são tidos como grandes embates, cheios de golos. Frente a equipas como Inter de Milão, AS Roma, SSC Nápoles ou Juventus FC, já é notória uma certa retração (na medida em que se posicionam defensivamente), todavia, também um certo atrevimento, o que é positivo!

Curiosamente, Duván Zapata é o ponta de lança da Atalanta, cedido pela Samp. Primo do outro colombiano, Christian Zapata, atinge agora, aos 27 anos, o auge da sua carreira. Emprestado com opção de compra, mas também já com mercado, dá a chance, não só à Atalanta de contar com os seus serviços por mais tempo, como também vendê-lo, se assim quiser, por um valor acima do que irá desembolsar (correm notícias de que West Ham United FC e Everton FC já mostraram interesse no colombiano).

Apareceu, não esqueçamos, no topo dos goleadores de Itália, após um póquer! Posto isto, não esqueçamos nomes como Ciro Immobile, Icardi, Mertens, Mandzukic, Belotti, Milik, entre outros, que se encontram com menos golos, mas têm uma enorme capacidade de balançar a rede adversária. Mas não esqueçamos a Europa em geral, em que encontramos Messi, Suárez, Salah, Aubameyang, Kane e Mbappé como maiores goleadores das principais provas nacionais, todos a par de Zapata!!

A Atalanta tem por hábito alinhar em campo num esquema com três defesas, cinco médios, um “10” e dois avançados. Ilicic e Zapata, por norma, são apoiados por Alejandro Gómez. Os médios e os defesas atuam em bloco, estando o argentino logo à frente dessas linhas. “Papu” Gómez é quem espera pela bola, de modo a fazê-la chegar à linha da frente.

Pelos resultados, essa ideia tem tido bom desfecho, principalmente na arte de marcar. É uma equipa que sofre alguns golos, mas não suficientes para quebrar toda a manobra estratégica do conjunto de Bérgamo.

Dessa manobra tem sido aliado Zapata. Tem-se apresentado prolífero e em forma. É um dos principais responsáveis pelo sucesso das ideias de Gian Piero Gasperini, que passam, como qualquer individuo que siga a escola italiana, pela eficiência da transição ofensiva e rigor defensivo acima da média.

Zapata marcou cinco num jogo em que um ou dois bastavam. Veremos se continuará a deixar o seu selo nas próximas jornadas e a acompanhar Ronaldo e companhia na escalada à Bota de Ouro italiana.

Foto de capa: Gian Luca Di Marzio

Artigo revisto por: Jorge Neves

Wilson Manafá: o reforço de inverno que promete aquecer!

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Recheado de surpresas: é assim que tem sido visto o mercado de inverno para o FC Porto. É certo que ainda não terminou esta onda de transferências, mas, para já, o mar azul tem conseguido estar inabalável. Especulava-se – e muito – com possíveis saídas de jogadores preponderantes, mas Sérgio Conceição – que não é de meias palavras – respondeu com ações, e com isto quero dizer: reforços.

Apesar de defensivamente o FC Porto estar bem servido nunca é de mais puxar dos galões e precaver possíveis saídas e/ou lesões, coisas normais de uma equipa que ainda está em todas as frentes e se prepara para meses frenéticos. E é com esta perceção que o FC Porto anunciou a chegada de Wilson Manafá. O nome é sonante, e aquilo que se espera é que o jogador seja também.

Aos 24 anos, o lateral-esquerdo, proveniente do Portimonense, assinou a título definitivo pelo emblema azul e branco até 2023. A chegada de Manafá tem um propósito: render Alex Telles. No entanto, o luso-guineense, que tem jogado tanto a lateral direito como esquerdo, é também uma boa opção para zonas mais dianteiras, podendo, aliás, ser adaptado a extremo, uma vez que foi nessa posição que jogou quando se formou no Sporting.

Wison Manafá no dia em que assinou pelos Dragões
Fonte: FC Porto

A passagem pelos leões aconteceu entre 2012 e 2014, quando representou os juniores e a equipa B. Depois desta curta passagem, o lateral jogou pelo Beira-Mar, Anadia, Varzim e Portimonense, tendo sido pelos algarvios que despoletou o interesse do FC Porto, numa altura em que em 17 jogos somava dois golos. Um registo notável para quem defende, mas que demonstra ter o pé quente.

A chegada de Manafá levanta ainda a questão da permanência de Jorge – que para já parece certa -, mas que até ao momento não tem sido opção de Sérgio Conceição, nem mesmo nesta altura crucial em que Alex Telles tem demonstrado desgaste físico, legítimo para quem é o jogador mais utilizado do plantel.

Manafá é assim o terceiro reforço azul e branco neste defeso, depois da chegada de Fernando Andrade e Pepe. O FC Porto prepara agora a final de sábado, diante do Sporting, para a Taça da Liga e depois terá pela frente jogos cruciais do campeonato, Taça de Portugal e Liga dos Campeões. Com o calendário a apertar, ter mais opções no plantel é a solução indicada para colmatar lesões e desgastes físicos.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

P.H. Ganso ainda pode brilhar?

Quando surgiu no futebol, Paulo Henrique “Ganso” encantou todos com o seu talento. O médio iniciou a sua carreira no Futebol de Salão da Tuna Luso Brasileira, mas, ainda jovem, foi para as camadas jovens do Santos FC. No peixe praiano, Ganso subiu aos profissionais aos 19 anos, assumiu logo a titularidade da equipa e ainda herdou a maior camisola de sempre do futebol mundial, a “10” santista. Camisola essa que Pelé eternizou.

O seu começo de carreira foi extraordinário. O médio tinha um talento fora do comum, não era um simples jogador. A visão de jogo, aliada à qualidade do passe e aos lançamentos, eram as suas principais qualidades. Com apenas um toque na bola, o atleta tinha a capacidade de fazer um lançamento de 30, 40 metros. Apesar da tenra idade na época, Ganso demonstrava ser um jogador maduro.

Na final do Campeonato Paulista de 2010, o Santos teve dois jogadores expulsos. O treinador Dorival Júnior ia fazer uma substituição para fechar a equipa e garantir o título. O substituído seria Paulo Henrique Ganso, mas recusou-se a sair de campo. Não por birra, mas sim por ter a consciência de que se saísse, a equipa ficaria mais frágil, pois não teria ninguém para segurar a bola e gerir o jogo. O seu futebol era tão vistoso, que o jogador ficou na lista dos 30 convocados para o Mundial de 2010, e o seu futuro na Seleção Brasileira parecia certo.

Ganso foi companheiro do Neymar no Santos e na Seleção Brasileira
Fonte: cbf.com.br

Em 2012, o médio ofensivo saiu do Santos e foi de maneira conturbada para o rival São Paulo FC. No Tricolor, ainda colecionou boas partidas, mas algumas lesões atrapalharam-no e o seu rendimento já não era o mesmo. Contudo, ainda conseguiu o seu objetivo – transferir-se para o futebol europeu. O seu destino foi o Sevilha FC. Em Espanha, ficou por duas temporadas, jogou pouco e os espanhóis consideraram que desperdiçaram o dinheiro investido na contratação do atleta. O futebol do jogador não se encaixou no clube.

Ganso precisa que a equipa jogue para ele, e não teve isso no Sevilha. Quando Sampaoli era o treinador, jogavam com alta intensidade e faziam a transição ofensiva com muita velocidade. Quando a bola chegava ao jogador, essa transição parava. O treinador deixou de o usar, nem como suplente. Algumas propostas vieram, mas o médio recusou sair para um clube menor. Porém, no início desta temporada, percebeu que não teria mais espaço no Sevilha e foi para o modesto Amiens SCF da França.

No clube francês, o seu futebol também não evoluiu e, em apenas seis meses, foi dispensado. Atualmente, o jogador não tem mercado em nenhum clube grande ou médio da Europa. Um retorno para o Brasil deve ser o seu próximo passo. Fluminense FC e Club Athletico Paranaense manifestaram interesse na contratação do atleta, porém, o seu alto salário, cerca de 800 mil reais/mês (cerca de 186 mil euros), assustou os dois clubes brasileiros. Interessante que, até no Brasil, nenhum clube que lutará por grandes títulos esta temporada demonstrou interesse no jogador.

O destino de Ganso deverá ser definido até à próxima semana. Resta sabermos se o jogador recuperará pelo menos metade do futebol que já apresentou outrora. Infelizmente, a promessa de se tornar um jogador importante para a seleção brasileira nunca se concretizou. A desconfiança no seu futebol é grande e o seu estilo de jogo limita as suas opções de mercado. Seria bom vê-lo brilhar novamente. Agora, resta-nos aguardar como será a sua nova temporada.

Foto de capa: CBF

Artigo revisto por: Jorge Neves

Inácio, o Salvador?

Augusto Inácio, de 63 anos, está de volta ao futebol português para orientar o atual vencedor da Taça de Portugal, Clube Desportivo das Aves, substituindo o mítico José Mota. Com muito crédito no nosso futebol (já venceu a Primeira Liga, com o Sporting CP em 2000, e a Segunda Liga, em 2006 com o SC Beira-Mar), o técnico foi chamado para salvar o CD Aves da descida de divisão. Chegou ao clube na penúltima posição, com 12 pontos, estreando-se com uma vitória suada perante um rival direto, Vitória FC, por 2-1, tendo já subido uma posição na classificação e ficando a apenas um ponto da saída da zona de despromoção.

Depois de uma temporada de sonho, pela primeira vez na sua história, o clube conseguiu subir e manter-se na Primeira Liga, já para não falar na inédita conquista da Taça de Portugal, os Avenses desceram à terra nesta temporada e, a não ser que consigam uma série de vitórias notável, vão andar com o credo na boca até ao final da época na luta pela permanência. Pela quinta vez na sua história presente entre a elite do futebol português, a equipa Nortenha, recheada de um plantel de imensa qualidade, com muito talento e experiência, tem pecado pela sua irregularidade, estando, desde o arranque da época, a lutar para sobreviver.

Augusto Inácio volta ao futebol português depois de uma experiência atribulada e mediática no Zamalek SC
Fonte: CD Aves

Augusto Inácio, que recentemente venceu a Taça da Liga com o Moreirense FC, tem um plantel forte à sua disposição com elementos de grande qualidade como Vítor Gomes, Mama Baldé, Quentin Bernardeau ou Luis Fariña, entre outros. Um plantel com soluções e profundidade que tinha tudo para garantir uma época mais tranquila. Aliás, em relação aos seus rivais diretos, talvez tenha o melhor plantel a par do Boavista FC. Neste mercado de inverno, com uma semana a faltar para o seu fim, pode ser que ainda haja mais novidades na Vila das Aves, mas, mesmo que não hajam mais reforços, (talvez mais um médio seja a única chegada), caso não haja mais saídas, Inácio tem artilharia que chegue para lograr os seus objetivos.