Na semana passada, a ESPN lançou uma série de artigos relacionados com a saúde mental na NBA. Um dos artigos (cinco no total) focava-se na maneira como reagem e como conseguem os árbitros viver o seu dia-a-dia como os “inimigos” dos adeptos. Tanto lá como aqui, em Portugal, o árbitro serve para descarregar as frustrações da vida ou para arcar com a culpa de uma derrota. E estes têm de aceitar e calar, sem que alguém alguma vez se preocupe com eles. Algo que pode levar à loucura, tal como explicava numa entrevista incluída no artigo, Joey Crawford, conhecido ex-árbitro da NBA.
Durante os vários anos que estive relacionado com o basquetebol de formação, fiz um pouco de tudo. Comecei como jogador, arbitrei dezenas de jogos, fui treinador e serei, para sempre, adepto. São diferentes funções que nos permitem ter diferentes perspetivas, sendo algo que muitos dos que se envolvem no desporto de formação já fizeram. Para os que nunca tiveram esse tipo de envolvimento, deixo este meu testemunho para que, talvez, possamos começar a tratar um pouco melhor aqueles que permitem que os nossos jovens pratiquem desporto federado.
“António, tens de te impor porque estamos a ser roubados!”. Ouvi esta frase várias vezes como treinador de formação. Mas o que é que eu tinha de fazer? Proteger o meu bolso porque o árbitro é um conhecido carteirista? Ou ir vigiar o parque de estacionamento porque a “cena” deles é mais carjacking? Estranhamente, nenhuma das duas. Na realidade, o árbitro é um ser bem mais frio e calculista. O árbitro, pelo menos o de basquetebol na formação em Portugal, acorda cedo a um domingo de manhã, viaja até a um frio pavilhão e fica ali quase duas horas seguidas a arbitrar jovens, muitas vezes sozinho, a falhar propositadamente cada decisão que toma de modo a poder irritar o máximo de pessoas na bancada possível. Depois disso, vai até casa (se der tempo), almoça à pressa e volta à tarde para mais duas a quatro horas do mesmo. Como disse, frios e calculistas nos crimes que cometem, estes artistas.
Kobe Bryant com o ex-árbitro Bob Delaney Fonte: National Basketball Referees Association
Na maioria das vezes, estes árbitros não têm sequer um curso de arbitragem. Estão ali como voluntários, porque o clube precisa. E, muitas vezes, as críticas ao seu trabalho vem de gente que pertence ao seu clube, que no dia-a-dia convive com eles. Eu não me coloco moralmente acima de ninguém, até porque como jogador, treinador e adepto, várias foram as vezes que critiquei e disse o que não devia a estes mesmos voluntários. E sabia que, sempre que me voluntariava para arbitrar, iria ouvir o mesmo que eu tinha dito. Daí também me conter um pouco mais do que os outros nas minhas críticas. O que levava ao tal “António, tens de te impor porque estamos a ser roubados!”, que tantas vezes ouvi vindo das bancadas.
E antes que vejam isto pelo lado errado, este texto não é uma crítica aos pais, aos treinadores ou aos jogadores. Os pais estão lá para apoiar os seus filhos, os treinadores para fazerem os jogadores evoluir e os jogadores para se divertirem (pelo menos no papel). Mas sobram sempre os árbitros. Os intervenientes sem adeptos. Os voluntários ou os que recebem pouco. Tão importantes quanto desvalorizados.
É importante começarmos a perceber que eles não são o nosso saco de pancada, o muro das lamentações e muito menos imunes aos insultos e impropérios que soltamos quando exaltados. Eles vão errar, mas não é porque, premeditadamente, decidiram que a nossa equipa tinha de perder. Seja porque não sabem mais, porque tomaram uma má decisão ou porque, pasme-se, erram como qualquer ser humano. E isso vai acontecer várias vezes. A maneira como lidamos com esses erros, como adeptos, pais, treinadores ou jogadores é que irá afetar as horas, os dias ou os meses seguintes de quem arbitra o jogo. Positiva ou negativamente.
Foto de Capa: National Basketball Referees Association
Vem de longe a origem do futebol. Finalmente, pode ser que a origem do 11 contra 11, uma coisa em forma de bola e três paus para defender seja muito mais remota que o entretém que os ingleses se auto-atribuem.
Além, nos confins da China, de donde bebemos cultura mítica e veio a pólvora dizem que 2500 anos AC os soldados se entretinham a jogar ao pontapé com o crânio decapitado dos inimigos. Sinceramente, desejo que esta pesquisa seja totalmente falsa. Não me apetece gostar de um jogo que tem umas raízes tão bárbaras.
O Futebol na China Fonte: História Digital
Mas, existiam esferas pontapeáveis noutras latitudes e se as origens bárbaras chinesas não são do meu agrado, estas as que chegam doutra civilização que também corta a respiração, também arrepiam. Falamos dos Maias que jogavam uma espécie de alguma coisa com uma bola. Este jogo representava astúcia; destreza, saber, cultura ao fim e ao cabo. Mas, o capitão dos vencidos era sacrificado… Nestas coisas dos entreteres também temos o Japão e temos a nossa Grécia.
Esparta desenvolveu um jogo duradouro com a participação de quinze jogadores por grupo ou equipa. E a bola já tinha a sua elaboração e a sua consistência: era feita com bexigas recheadas de areia ou terra. Vieram então os nossos Romanos. Conheceram a Grécia e também trouxeram nas suas mochilas de guerreiros “esse futebol”. No entanto, condimentaram a prática grega e somaram-lhe violência.
Já na Grécia antiga havia algo que se assemelhava ao Futebol Fonte: História Digital
Chegamos à Idade Média e Itália continuou a dar pontapés nalguma coisa parecida com uma bola. E esse jogo também se parecia ao todos ao molho; vale tudo e os socos ou pontapés fazem parte do jogo. Os problemas sociais da época também se espelhavam em campo, por isso, o “gioco do calcio” atingia cotas de violência e desordem que reclamou a atenção das autoridades. Chegou então a proibição severamente penada para os infratores. No entanto, a nobreza salvou a situação e a prática do Calcio ao reformar as normas e somando ao acontecimento doze juízes que deveriam velar e fazer cumprir comportamentos mais socializados.
O Calcio no Século XIX Fonte: These Football Times
Entramos então no fulgor imperial britânico. O Mundo começou a ser invadido pelo futebol como se fosse uma obra da criatividade imperial. Os fins do século XVIII e o século XIX marcaram esta moda e os nobres ou a burguesia ascendente que visitava, por diferentes motivos, Inglaterra trazia ou levavam consigo bolas e equipamentos ou ideias de equipamentos. E encontramos imagens gráficas desde o Tibete a algures na América do Sul para disfrute dos novos habitantes do Brasil ou do Uruguai. Tal como em Portugal onde o Carcavelinhos era formado por ingleses e era uma equipa invencível até que o Sport e Lisboa o derrotou, os ingleses dominavam a arte do pontapé. No entanto, Uruguai começou-lhe a disputar bem cedo os predicados e habilidades futebolísticas.
Acontece então o fenómeno clube. Começam a aparecer e nascem como? Vive-se a Revolução Industrial. As próprias fábricas fomentam a atividade e esse tipo de associativismo. As cidades inglesas mais marcadamente industriais são as pioneiras.
Portugal teve um exemplo similar com o fenómeno futebolístico da CUF. E em que inovou ou inventou Inglaterra no fenómeno Calcio? Como noutras épocas, aportou normas, filosofias e organização de jogos até que Jules Rimit começa a ter realmente uma visão global do fenómeno e aparece a FIFA. O futebol, nesse momento, emancipou-se da Inglaterra Imperial; tornou-se apátrida.
“1.º de Agosto ou Petro de Luanda?” – esta é a principal interrogação que todos os adeptos do Desporto Rei em Angola farão ao longo desta semana certamente. Como seria de prever no início do campeonato, os dois rivais de Luanda voltam a estar envolvidos na disputa pelo título de campeão do Girabola, pelo terceiro ano consecutivo. À entrada para a última e derradeira jornada da edição de 2018, apenas um ponto separa os dois primeiros classificados, pelo que o próximo fim-de-semana vai ser bastante emotivo para os conjuntos militar e petrolífero. Mas o que se pode esperar da 30.ª jornada?
Ora, começando pelo o atual líder, o 1.º de Agosto já podia ter conquistado o troféu de campeão na ronda anterior, contudo o empate na visita ao terreno do Sagrada Esperança deixou tudo em aberto para o último jogo. A equipa de Zoran Maki pretende garantir o tricampeonato, e, para tal acontecer, terá de ultrapassar o FC Casa Militar em casa. Mesmo sem deslumbrar em muitos dos encontros para o campeonato devido à carga de jogos tanto para o Girabola como para a Liga dos Campeões, o certo é que os “Militares” vão entrar em campo sabendo que um triunfo é o quanto baste para conquistar o título, embora até não seja necessário vencer, caso o Petro não vença o seu jogo, devido à vantagem no confronto direto.
O título de campeão do Girabola´18 será discutido entre o D’Agosto e Petro Fonte: 1.º de Agosto
O Petro de Luanda é que se encontra numa situação mais delicada: o conjunto tricolor para chegar ao título tem de vencer obrigatoriamente o seu compromisso frente ao Sagrada Esperança no seu terreno e esperar por uma escorregadela do D’Agosto. À procura do título que lhe foge desde 2009, os comandados de Beto Bianchi até teve boas prestações ao longo da prova, mas, no tira-teimas com o seu eterno rival, não se mostraram a um alto nível e perderam o encontro que acaba por ser crucial para as contas do campeonato. Resta agora vencer o seu encontro e torcer pelo adversário do D’Agosto.
Com tanta incerteza em relação ao vencedor do Girabola’18, o certo é que Luanda vai parar com os jogos do D’Agosto e Petro, dado que ambos irão realizar os seus respetivos encontros em casa. A jornada será bastante intensa e irá exigir nervos de aço, tanto aos jogadores como adeptos. Quem irá levantar o troféu de campeão? A dúvida será desfeita no próximo fim-de-semana!
Em 1977 nascia o brasileiro Liedson da Silva Muniz, um jovem que chega “tarde” ao futebol, depois de ter trabalhado num supermercado. Iniciou a sua carreira futebolística em 2000 no clube Poções. Um jogador que se naturalizou português e que apenas representou equipas portuguesas e brasileiras.
Decorria o ano 2003 quando em Portugal, mais concretamente em Lisboa, aterrava um avançado do estilo “franzino” praticamente desconhecido no nosso país, para assinar pelos leões e assim chegar ao futebol europeu. Foi de leão ao peito que se mostrou ao mundo com as boas exibições realizadas. Em 2009 o atacante naturalizou-se português e foi recompensado com a chamada à seleção nacional portuguesa.
Durante as oito temporadas que envergou a listada verde e branca, Liedson realizou 313 partidas e fez balançar as redes adversárias por 172 vezes. Na sua estadia em Alvalade arrecadou o prémio de melhor marcador do campeonato nacional por duas vezes, nas temporadas 2004/05 e 2006/07.
Liedson deixa saudades a todos os sportinguistas Fonte: Super SportingBola
A principal vítima de Levezinho como também era e será conhecido foi o grande rival de Lisboa, o SL Benfica – a defesa encarnada até tremia quando o apanhava pela frente.
O número 31 atribuído ao levezinho assentou-lhe que nem uma luva, pois acabou por ser um verdadeiro 31 para os adversários…eles que o digam. Dotado de uma velocidade e poder de finalização acima da média, deixa na memória de todos/as os/as sportinguistas que tiveram o privilégio de o ver jogar de verde e branco boas recordações, com golos para todos os gostos: de cabeça, com o pé esquerdo ou direito, de curta e longa distância e ainda acrobáticos. Com as boas prestações do jogador resultaram as míticas tarjas “Liedson resolve” e “Liedshow”.
Ao serviço da seleção das quinas envergou a camisola número nove, conseguindo faturar por quatro vezes nas quinze partidas realizadas. Na fase de qualificação para o Mundial 2010 foi preponderante por ter marcado o golo do empate frente à Dinamarca que daria acesso ao play-off. Na África do Sul a disputar o Mundial 2010, o atacante realizou três dos quatro jogos de Portugal, onde se estreou a marcar num Mundial, frente à Coreia do Norte na goleada por 7-0. Depois de terminada a presença no Mundial, o levezinho acabou por nunca mais ser convocado para a seleção portuguesa.
Em 2011, o avançado disse adeus à massa adepta leonina e regressou ao Brasil para voltar a vestir a camisola do Corinthians e posteriormente do Flamengo. Durante a estadia no Flamengo, Liedson foi ainda cedido a título de empréstimo ao FC Porto na segunda metade da temporada 2012/13, onde se sagrou campeão pela equipa portista, depois dos responsáveis leoninos não terem manifestado interesse no regresso de Levezinho.
Foi uma bonita e interessante carreira de um jovem brasileiro que se naturalizou português e brilhou em Portugal. Deixa muitas saudades o Levezinho!
Contrariamente ao apregoado por muitos adeptos, a verdade é que a seleção nacional não tem, atualmente, um conjunto de soluções de classe mundial.
Embora Fernando Santos tenha à sua disposição várias unidades de bom nível, como as estrelas do campeonato português e vários jogadores úteis aos grandes europeus, faltam ainda alguns craques de classe mundial para que Portugal esteja ao nível dos melhores.
No entanto, além de Ronaldo, Bernardo Silva e, por enquanto, Pepe, há uma posição onde Portugal pode, de facto, estar ao nível das melhores seleções do mundo, não apenas pela qualidade, mas pela quantidade de opções: o lado direito da defesa.
Começando pelo dono do lugar no Euro 2016, nas Confederações em 2017 e, ainda, na maior parte dos jogos do Mundial 2018, Cédric Soares será, provavelmente, à data, mais problema do que solução.
É verdade que o lateral do Southampton não é mau jogador, nem causará a Portugal derrotas, mas possivelmente também não será um verdadeiro acrescento na procura pela vitória. O antigo jogador do Sporting cumpre, apenas. E, numa posição com tantas opções, cumprir já não é suficiente.
Cédric foi o titular de Portugal na fase de grupos do Mundial 2018 Fonte: FPF
Fernando Santos costuma preferir manter o seu núcleo de jogadores, mas, caso insista em Cédric nas próximas convocatórias, poderá estar a travar um salto de qualidade da equipa das quinas.
Relativamente ao outro lateral direito presente na Rússia, Ricardo Pereira já está um passo acima do seu colega da Premier League. Muito superior no capítulo ofensivo, evoluiu como defesa ao longo da temporada no FC Porto e, na melhor liga do mundo, poderá dar novo salto.
Ricardo Pereira trocou o FC Porto pelo Leicester City este Verão Fonte: FPF
A evolução de Ricardo em Inglaterra é ainda uma incógnita, mas até agora (e apesar do erro frente ao Manchester United na primeira jornada), o lateral vai dando bons sinais e pode tornar-se numa opção ainda mais válida.
A Primeira aventura do Italiano no estrangeiro conta com uma ajuda importante.
No passado dia 14 de julho, Maurizio Sarri foi anunciado como novo treinador do Chelsea, substituindo o compatriota Antonio Conte no comando dos Blues. Apesar de partilharem a mesma nacionalidade, podemos esperar um Chelsea completamente diferente daquele que vimos nos últimos anos. Sarri procura transferir para Inglaterra o projeto apaixonante que construiu em Itália!
A questão que todos colocaram, depois desse anúncio, era se o Italiano conseguiria adaptar a “roda que inventou“ em Nápoles, a um terreno totalmente diferente, que ia exigir à tal roda uma rotação mais rápida e dinâmica.
O que fez Maurizio Sarri? Adaptou-se e criou uma “nova roda?” Claro, que não: trouxe com ele, o génio que a comandava.
O Génio tem um nome
E esse nome é Jorginho. É nele que me vou focar ao longo destas linhas.
O futebol é para Sarri, como deveria ser para todos, um jogo simples. O objetivo é movimentar a bola em direção á baliza contrária, invadir o campo do inimigo, quebrando a suas linhas e apesar de existirem várias formas de o fazer, a mais rápida é usando a verticalidade. E poucos a usam de forma mais brilhante que Jorginho.
O brasileiro é preponderante na fase inicial de construção, não porque dê segurança através de distribuição de curta e média distância, como vemos muitos jogadores da sua posição, mas pela forma como executa de forma eficaz uma ação de alto risco por ser feita logo na primeira fase de construção, os passes verticais.
Jorginho é o fiel companheiro de Sarri Fonte: Chelsea FC
Dá segurança e confiança à equipa, ao executar ações de risco de forma eficaz.
Jorginho consegue, através dessa ação, quebrar uma e duas linhas de pressão do adversário, encontrando companheiros livres nas costas da linha média do adversário. Ao encontrar companheiros (Hazard, Kovavic, Pedro, entre outros) nessas zonas apenas através do seu passe, o Chelsea consegue (porque não precisa desses jogadores no início de construção) rodear o recetor do passe de jogadores, para dar sequência à jogada através de rápidas combinações de apoios frontais e movimentos sem bola.
Pressão louca
Quando falamos de Sarri, dois termos surgem imediatamente na nossa cabeça: Verticalidade (já abordada) e Pressão.
E a razão não é aleatória. A forma como a equipa pressiona sem bola está diretamente relacionada com o sucesso/insucesso do momento ofensivo, onde a verticalidade é a maior arma. Essa relação de dependência, consegue-se explicar precisamente recorrendo a Jorginho.
Se por um lado a forma desestruturada com a maior parte das equipas da Premier League (PL) pressionam, com uma constante falta de acesso à bola, pode maximizar as qualidades de Jorginho de que falei, o jogo direto e físico da PL vai expor as suas debilidades como a falta de capacidade aérea e de controlo pela segunda bola. As equipas recorrem muito ao jogo direto e ajustam-se para ganhar a segunda bola, numa situação de perda de bola no meio-campo ofensivo, e com a equipa do Chelsea FC subida e com muitos homens na frente, Jorginho ficará muito exposto a estas segundas bolas, logo é necessário recuperar a bola o mais rapidamente possível e o mais longe da sua área.
Aqui para além da rápida resposta à perda da bola, é necessário a subida da linha defensiva, por conseguinte o papel do guarda-redes protegendo a profundidade atuando como libero.
Já vemos a importância de Jorginho também nesse momento, quando a equipa perde a bola, a indicar com os braços abertos para pressionar o adversário. Todos. Todos a reduzir espaços a e a pressionar a tomada de decisão do adversário, este não pode ter tempo para pensar.
Manipulação do lado cego, do próprio Jorginho
A maior parte das equipas vai tentar pressionar o início de construção do Chelsea FC (vimos logo isso no primeiro jogo contra o Huddersfield), mas na eventualidade dos comandados de Sarri conseguirem ultrapassar este primeiro momento ou se os adversários escolherem defender mais baixo (por exemplo, na linha de meio-campo) em Organização Defensiva, com a equipa compacta verticalmente, a manipulação das costas dos jogadores adversários será fundamental para o sucesso do Chelsea FC.
Todos nós sabemos como os movimentos no lado cego dos adversários são destruidores, sejam estes em lances de cruzamento ou de bolas diagonais. Agora muito menos comum é vermos um jogador usar o que ele próprio não vê, em favor da sua equipa.
Três jogos, três vitórias Fonte: Chelsea FC
Muitas equipas pressionam em resposta a determinados estímulos como a bola chegar ao corredor lateral, onde a equipa usa a linha lateral para estrangular o adversário, ou o adversário receber de frente para a sua baliza. O que Jorginho faz é muitas vezes colocar-se de costas para a baliza adversária propositadamente para atrair o adversário mais próximo para o pressionar, quando o passe é efetuado, Jorginho devolve a bola de primeira de volta para o jogador que fez o passe (David Luiz muitas vezes), isto abre uma linha de passe vertical para um outro colega (Hazard ou Pedro) nas costas dessa linha de pressão.
Apesar dessa qualidade, na primeira fase de construção é mais difícil ter esse comportamento, porque os adversários adiantam a marcação e ficam logo em cima, impedindo Jorginho de receber. Aqui uma solução é Jorginho receber de frente para a baliza adversária, sendo necessário vir um dos médios interiores receber o primeiro passe dos centrais, devolvendo de frente para Jorginho, que assim já recebe de frente para a baliza adversária. Para isso é necessário ter médios resistentes à pressão e no Chelsea não faltam.
Essa é uma questão a ser muito trabalhada pelo Chelsea FC, criar uma estrutura que cada vez mais permita a Jorginho receber a bola de frente para o jogo, logo desde posições recuadas e onde o papel dos parceiros de meio-campo será importante.
No começo da temporada de 2013/14 circulavam os rumores da saída de Nemanja Matic para a Inglaterra, e o Benfica de Jorge Jesus não tinha outra opção óbvia para tapar o possível buraco no meio campo defensivo. Apesar de Matic só ter saído no mercado de janeiro dessa época, chega, oriundo do Olympiacos, Ljubomir Fejsa. Uma contratação talvez decidida apenas pela precaução e para dar maior profundidade ao plantel, Fejsa chegava como segunda opção para a sua posição, mal sabendo que se ia tornar num jogador chave do plantel.
De segunda via para titular indiscutível:
A contratação de Fejsa não causou grande furor nos adeptos benfiquistas. Vinha de um campeonato relativamente mais fraco, de um clube onde tinha estado apenas duas épocas e só numa delas foi titular. Antes disso, tinha jogado em dois clubes distintos no seu país de origem, o Partizan de Belgrado e o Hajduk Kula.
Dada a saída de Matic no mercado de inverno de 2014, no plantel do Benfica só restava uma opção possivelmente viável para a posição de médio defensivo. Antes da saída do seu conterrâneo, Fejsa já tinha conquistado o lugar no 11 titular e ainda chegou a jogar ao lado de Matic em várias partidas, até porque na altura ambos jogavam como titulares na seleção da sérvia. Mourinho leva Matic e o meio campo defensivo fica entregue a Fejsa.
Desde então Fejsa só teve de lutar pelo lugar no 11 contra dois fatores distintos: Andreas Samaris, e as lesões musculares.
Samaris chegou no verão de 2014 para aprofundar o plantel e teve a “sorte” de Fejsa se ter lesionado gravemente no final da época anterior (quando André Gomes teve de tapar esse mesmo buraco, até na final da Liga Europa) e de ter de ver praticamente toda a temporada de 2014/2015 e a conquista do bicampeonato sentado na bancada. Na verdade, existe um padrão entre a titularidade de Samaris e as lesões de Fejsa. Depois dessa temporada vista pela janela do “hospital”, Fejsa ainda teve algumas lesões ao longo da sua carreira no Benfica, e foram precisamente nessas alturas que Samaris surge para ocupar o seu lugar. O ponto fraco de Fejsa é mesmo esse, as lesões, e na minha honesta opinião tem sido nos momentos em que o plantel do Benfica perde Fejsa que deixamos de ter a mesma eloquência defensiva ao longo dos jogos.
Os números e a consistência:
E eis o porquê de Fejsa ser tão valorizado no plantel do Benfica, porque se há algo que não engana são as estatísticas de jogo. Desde a época de 2015/16 que Fejsa faz exibições consistentes e de alto nível.
Primeiro de tudo, é um médio defensivo que se mantém em campo todo o jogo, ou seja, faz os 90 minutos de quase todas as partidas (tem uma média de 85 minutos jogados desde 2016) e, para mim, no decorrer de uma partida, é pecado ter de substituir o médio defensivo que tem o meio campo e o próprio ritmo do jogo controlado. É muito importante o trinco ter a resistência física para aguentar jogar todos os 90 minutos de quase todas as partidas.
Para além da resistência, há que ter eficácia. Fejsa mantém uma média de eficácia de passes de 90% desde a temporada 2016/17, tanto na Primeira Liga como na Liga dos Campeões. O número fala por si.
Quando não está lesionado, Fejsa é quem segura o meio campo do Benfica, e protege a zona defensiva Fonte: Carlos Silva /Bola na Rede
E no desarme? Não é por qualquer motivo que Fejsa bate todos os jogadores da Liga Portuguesa no ranking estatístico. Tal como o site do Sport Lisboa e Benfica noticiou (e é possível confirmar), Fejsa “foi o médio com mais desarmes e interceções na época 2017/2018”. Numa época em que o Benfica nem saiu com o título de campeão, não houve qualquer outro médio na Liga Portuguesa que igualasse a mestria defensiva de Fejsa. Foram 101 desarmes executados e 64 interceções de passe (com uma média de 2,29 interceções por jogo). Os números não enganam, nem as exibições do plantel. Arrisco-me a dizer que quando não há Fejsa, não há Benfica. Também costuma ser Fejsa dos jogadores que mais distância percorre do plantel do Benfica, sendo superado apenas por Pizzi.
Nos últimos anos o único médio que ainda bate alguns números de Fejsa, mais especificamente, os passes realizados no meio campo defensivo, é o português Danilo Pereira, jogador do Futebol Clube do Porto, detentor de inegável qualidade, e comparável à de Fejsa que não só realiza passes na zona mais recuada, como também faz passes no meio campo ofensivo.
Já são seis épocas ao serviço das Águias, e foi apenas no ano passado que Fejsa não foi campeão. Aliás, foi no falhanço da conquista do pentacampeonato do Benfica que Fejsa deixou de ser campeão seguidamente desde o início da sua carreira profissional como jogador de futebol. Foi tricampeão com o Partizan, bicampeão com o Olympiacos, e tetracampeão com o Benfica. No ano de transição entre o Olympiacos e o Benfica, foi campeão com os dois. Dá que pensar.
Com 30 anos de idade, Ljubomir Fejsa ainda tem contrato com o Benfica até 2021. Espero eu que a consistência performativa do sérvio não se altere, e que se deixe ficar por estes lados pois faz cá muita falta.
O Internacional de Porto Alegre é a maior sensação do Campeonato Brasileiro. O Colorado surpreende em estar na briga pelo título, afinal o clube acabou de voltar da Série B e o seu plantel, apesar de bom, não estava entre os mais cotados para estar no topo do Brasileirão. O clube gaúcho passou por momentos difíceis nos últimos anos, seguidos de insucessos em campo, levaram à descida do Inter na temporada de 2016. Para piorar a situação, viu de camarote o seu grande rival, Grémio, ser campeão da Copa do Brasil e da Libertadores. Na temporada passada, enquanto o Inter foi apenas vice-campeão da Série B, o Grêmio era vice-campeão do mundo.
Esperava-se que o ano de 2018 fosse apenas de estabilização do clube na elite no futebol nacional, ou seja, que fizesse uma campanha segura no Campeonato Brasileiro e aos poucos fosse evoluindo. Mas apesar de um início de temporada complicada para o clube com a eliminação do estadual e da Copa do Brasil, para o Grémio e Vitória respectivamente, o colorado reergueu-se e está a fazer uma excelente campanha no Brasileirão.
Após várias mudanças de treinadores nas últimas épocas, a equipa encontrou no jovem Odair Hellmann a solução para fazer a dinâmica de jogo do Internacional funcionar. O treinador de 41 anos já estava dentro do clube há alguns anos e conhece bem o Inter. Hellmann conseguiu dar um modelo de jogo interessante à equipa e entendeu as deficiências e qualidades que o seu plantel possui. Méritos ao treinador.
Odair Hellmann a comandar mais um treino no centro de treinamento do Internacional Fonte: SC Internacional
O Inter gosta de jogar com lançamentos longos para explorar a velocidade de seu ataque e tem no médio Patrick o seu principal destaque no Campeonato Brasileiro. O jogador marca bem e chega com perigo ao ataque. Com certeza é um dos principais nomes na atual edição do Campeonato Brasileiro. D’ Alessandro, mesmo com 37 anos, é o ídolo que a torcida colorada gosta de ver em campo. A dupla de centrais também é destaque. Rodrigo Moledo e Victor Cuesta possuem uma sintonia quase perfeita e são os grandes pilares da equipa no relvado.
Na última semana o clube reforçou-se mais ainda, com o avançado peruano Paolo Guerrero a assinar com o Internacional por três temporadas. O jogador seria a referência para o setor ofensivo. Porém, a justiça da Suíça revogou o efeito suspensivo da sua suspensão por doping e o atleta deve voltar aos relvados apenas no ano que vem. Não posso dizer que o Inter sentirá falta do Guerrero, pois o jogador nem sequer estreou pelo clube. Na verdade, a sua contratação é bem questionável, pois não rendeu no Flamengo, tem 34 anos e assinou um longo contrato com o Internacional.
Diferentemente de temporadas passadas em que o Inter era considerado favorito ao título, pelo elenco que tinha, mas não conseguiu conquistar o Campeonato Brasileiro, neste ano com um plantel menos badalado, o clube parece estar mais forte.
O Campeonato Brasileiro é o campeonato nacional com mais equipas aspirantes ao título, o que torna uma competição muito difícil de vencer. Se continuar com este trajeto, o Inter estará ao menos entre os três primeiros colocados e hoje considero, junto com o São Paulo, o favorito a conquista.
Outros adversários diretos estão em outras frentes, Libertadores e Copa do Brasil, como o Palmeiras e o Flamengo. O São Paulo e o Internacional têm apenas o Brasileirão para disputar e isso pode fazer a diferença no final. O Internacional tem apenas um Campeonato Brasileiro conquistado, em 1979.
Desde a temporada passada, a Diamond League tem um novo modelo – com o qual concordamos – em que os vencedores já não se decidem mais pela soma da pontuação de todos os meetings, mas decidem-se sim na última prova de cada evento, sendo que os meetings anteriores e as suas pontuações servem para o apuramento dos finalistas. É um modelo que traz maior emoção, incerteza e permite encarar os meetings finais com muito maior expetativa, sendo as finais divididas entre Zurique e Bruxelas.
Mas como nem tudo pode ser bom, a IAAF aprovou um calendário para 2018 com os dois meetings finais a serem disputados com apenas um dia de diferença. Felizmente, a situação já não será a mesma em 2019, mas tal situação fará com que este ano muitos atletas se recusem – ou estejam impossibilitados – de dobrar e participar em duas finais, com eventos em cidades distintas num curto espaço de tempo.
Isso, aliado a um número considerável de lesões e à realização dos Jogos Asiáticos em simultâneo, leva a um conjunto significativo de ausências em determinadas disciplinas. Ainda assim, não nos podemos queixar da qualidade dos atletas presentes e como poderão ver na nossa antevisão – dividida em duas partes – motivos de interesse não faltarão. Para já, no dia de hoje, trazemos a nossa antevisão aos eventos de Zurique, meeting Weltklasse que decorrerá na próxima quinta-feira.
Na década de 90, havia duas grandes séries: uma lançada nos E.U.A, em 1989, por Matt Groening; a outra criada em Itália, pela federação de futebol daquele país, em 1929. Estamos a falar da série televisiva The Simpsons e da principal competição futebolística italiana, a Serie A. O que têm estes dois gigantes dos 90’s em comum? Mais do que se possa pensar.
As semelhanças começam precisamente nos seus anos de ouro. Enquanto a família amarela encantava as audiências de todo o mundo com o seu comentário incisivo e satírico, os espectadores italianos deliciavam-se ao verem alguns dos melhores jogadores do mundo a disputar o Scudetto. Homer, Marge, Bart e Lisa Simpson espalhavam risos na caixa televisiva e Maradona, Roberto Baggio, Batistuta e Van Basten salpicavam magia dentro das quatro linhas. A década continou e novas personagens foram entrando nos respetivos elencos: Moe, Lenny, Ned Flanders; Ronaldo, Rui Costa, Lothar Matthaus. O sucesso manteve-se. Olhando para a Serie A, o catalista destes tempos dourados foi, em grande parte, o Mundial de 1990, realizado precisamente em Itália. Ainda que a península mediterrânea já tivesse, na década anterior, contado com grande estrelas do futebol mundial nos seus relvados – Diego Maradona (SSC Napoli) e Michel Platini (Juventus FC), por exemplo -, este torneio marcou a sua apresentação como o centro do futebol mundial aos olhos de todos os adeptos do desporto rei.
Embora ambas as séries tenham desfrutado destas épocas áureas na última década do século XX, a futebolística ficou conhecida como a era Le Sete Sorelle – As Sete Irmãs. Este nome deve-se ao facto de, nesta altura, sete equipas estarem regularmente envolvidas na luta pelo título. Por um lado, tínhamos as habituais, como Juventus, Internazionale, AC Milan e AS Roma, mas também SS Lazio, Fiorentina e até o Parma Calcio. Sim, a equipa que se dissolveu em 2015 devido a problemas financeiros, para se passar a chamar Parma Calcio 1913 e descer ao quarto escalão nacional. A equipa que este ano acaba de ser promovida à primeira divisão. E, porque a cor característica desta equipa até é o amarelo, tal como a da conhecida família de Springfield, aproveitamos para olhar um pouco para o clube da cidade de Santo Hilário.
Fonte: UEFA
Esta é uma das fotografias mais memoráveis da história do Parma. Por um lado, vemos o troféu que está a ser levantado: a taça UEFA. Por outro, vemos alguns dos jogadores que a estão a erguer. Mesmo atrás da taça, vemos Gianluigi Buffon, um pouco mais à direita encontramos Lilian Thuram e, no canto inferior direito, Hernan Crespo. Nem todas as estrelas são visíveis aqui, mas esta formação contava ainda com Juan Sebastián Verón e Fabio Cannavaro, por exemplo. Estamos a falar de jogadores que, além de levantarem este troféu em 1999, tiveram carreiras adornadas com os maiores galhardetes do futebol. Thuram conquistara o Mundial em 1998, pela França, enquanto Buffon e Cannavaro o fariam em 2006, pela Itália. Crespo ganharia a Liga Inglesa com o Chelsea de Mourinho em 2006 e seria tricampeão italiano entre 2007 e 2009, pelo Internazionale. A lista continua e só torna esta imagem mais mágica e depressivamente nostálgica. No fundo, a forma como o Parma caiu desde 1999 espelha a forma como o próprio futebol italiano caiu.
Dérbi de Milão de 1999: George Weah (Bola de Ouro em 95) fala com Ronaldo (Bola de Ouro em 96, 97 e 2002) Fonte: FIFA
Mas já lá chegamos. Afinal, como andavam os Simpsons em 1999? Continuavam no topo. Já iam na sua décima temporada consecutiva de domínio das audiências. É na viragem do século que os destinos destas duas séries se começam a desviar. A opinião geral da maioria dos fãs e críticos é a de que, a partir da 12ª temporada, o programa criado por Matt Groening começou a descer consistentemente de qualidade. Quer isto dizer que, desde 2001, a série tem estado numa descida gradual até aos dias de hoje. Na Serie A isto não ocorreu: aliás, entre 2000 e 2007, três das sete finais da Liga dos Campeões contaram com a presença de equipas italianas. Na época de 2002/2003, AC Milan e Juventus disputaram, no estádio de Old Trafford (Inglaterra), o maior troféu do futebol europeu, com os bianconero a saírem vitoriosos.
Em 2006, houve ainda o Mundial de futebol, realizado na Alemanha. E os vencedores foram, como anteriormente referido, os italianos. Com um onze inicial composto exclusivamente por jogadores a atuar na Serie A, os azzuri bateram os franceses na final, após grandes penalidades. Cannavaro levantou o troféu e, no topo deste, estava o futebol italiano. Os Simpsons haviam cedido e o seu sucesso regredira, mas a Serie A ainda dominava o mundo. A rainha do desporto rei não podia ser destronada. A isto seguir-se-ia ainda outra conquista da Liga dos Campeões pelo AC Milan.
Cannavaro, e o futebol italiano, no topo do mundo Fonte: FIFA
Mas, quando o comboio mediterrâneo não parecia abrandar, eis que descarrilou com estrondo. Numa palavra: Calciopoli. Um escândalo com demasiados pormenores para ser corretamente explorado num artigo que já vai longo. Um escândalo que, verdade seja dita, merece a sua própria investigação do “Bola Na Rede”. Para quem ainda não conhece, tendo envolvido a compra de árbitros, a combinação de resultados e a participação de uma série de dirigentes, este caso denegriu, talvez para sempre, a imagem da glamorosa e espetacular da Serie A. Implicou (entre outros) quatro das “Sete Irmãs” – Lazio, Milan, Fiorentina e Juventus. Esta última acabou mesmo por ser despromovida para o segundo escalão do futebol italiano, a Serie B. Estrelas como Zlatan Ibrahimovic, Patrick Vieira e Fabio Cannavaro abandonaram as suas fileiras. Mesmo para os que ficaram na divisão principal, o cenário não era o mais agradável. Desde deduções de pontos a expulsão de competições europeias, a reputação do futebol italiano foi arrastada pela lama. A competitividade dos seus clubes ficou comprometida. A qualidade dos jogos foi cortada pelo caule.
De repente, as duas séries voltavam a encontrar-se. Outrora juntas no topo, eram agora uma sombra do que já haviam sido. Em ambos os casos, isto não implicou uma regressão total. Tal como os Simpsons, a espaços, ainda proporcionavam excelentes episódios, também os clubes italianos faziam uma ou outra gracinha no futebol europeu – como o Inter de José Mourinho, em 2010. Mas os fãs ou adeptos que estiveram presentes nos distantes anos de ouro dizem a mesma coisa: falta magia. O perfume dos anos 90 dissipou-se e o brilhantismo tão presente nessa década deu lugar à taciturnidade presente. Episódios como “Cape Feare” (temporada 5, episódio 2) deixaram de ser a norma e passaram a ser a exceção; parelhas como Batistuta e Totti (Roma) ou Inzaghi e Shevchenko (Milan) deixaram de ser comuns. Agora, um jogador da qualidade de Ciro Immobile (Lazio), por exemplo, é um motivo de admiração, um caso excecional.
Chegamos, assim, a 2018, e à situação precária destas duas séries. Em Itália, a Juventus FC conseguiu reerguer-se das cinzas, mas ninguém a acompanhou. Assim sendo, aproveitou para conquistar os sete (!) últimos Scudettos, vencendo todos desde 2012. Homogeneizou o futebol italiano, concentrando em si a esmagadora maioria dos talentos que passam pela Península.
E agora, quase como que ciente deste paralelismo, os próprios clubes da Serie A parecem ter adotado as mesmas técnicas que a FOX adotou para recuperar a relevância que teve entre 1990 e 2000. Ora, desde há uns anos para cá, os Simpsons têm colocado a tarefa de atrair audiências nos ombros de celebridades que, sendo convidadas a aparecer num episódio, se tornam no foco central do mesmo. No fundo, contratam nomes conhecidos numa tentativa de reavivar o interesse do público. Não é preciso pensar muito para perceber que a Serie A acaba de fazer o mesmo com a compra de Cristiano Ronaldo, pela Juventus.
Fonte: Juventus FC
Esta tática provou-se muito pouco frutífera para os lados de Springfield. Terá mais sucesso em Turim e arredores? Há que ter em conta que, representando a “Velha Senhora”, Cristiano apenas irá contribuir para a acentuação de um domínio que já se mostra longo. Mesmo com o Napoli a aproximar-se, em termos de qualidade de jogo, dos bianconero, e com o Inter a realizar um investimento equiparado ao dos heptacampeões, pouco faz crer na possibilidade de, em 2018/2019, vermos este absolutismo preto e branco quebrado. Mesmo que a equipa de Massimiliano Allegri, inspirada por “CR7”, consiga ir longe na Liga dos Campeões, não passará de uma daquelas gracinhas de que já falámos. Um bocado de argamassa que não cobre todas as rachas que se mostram no futebol italiano, expostas desde o Calciopoli.
Enquanto muitos fãs pedem o cancelamento definitivo dos Simpsons, os adeptos da Serie A podem dormir descansados, pois a sua liga nacional não se vai embora. Mas, tendo-se encontrado no mesmo cruzamento que a série de Matt Groening e, aparentemente, escolhido o mesmo caminho, resta saber se irá em direção ao mesmo precipício.