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Voleibol 17/18: Regressar, ver e vencer

A época 2017/2018 do Sporting Clube de Portugal fica indelevelmente marcada pelo regresso do Voleibol ao Clube. Um retorno em ambas as vertentes (masculino e feminino), que se traduziu na conquista dos principais objectivos! A equipa sénior masculina foi Campeã Nacional da Divisão de Elite, enquanto a equipa feminina foi Campeã Nacional da III Divisão, sendo que na próxima temporada as Leoas irão disputar a II Divisão.

No quadrante masculino, o arranque da Fase Regular da Divisão de Elite, primeiro jogo oficial neste regresso após mais de duas décadas de interregno, foi logo com um dérbi Sporting CP vs SL Benfica, o segundo de sempre do Pavilhão João Rocha (o primeiro foi em futsal)! Os Leões não poderiam ter tido melhor estreia, vencendo o campeão em título por 3-1!

Miguel Maia foi um dos esteios da equipa, o Capitão que é o “elo” de ligação com o passado do Clube na Modalidade, Campeão Nacional pelos Leões na década de 90
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Voleibol

Seguiram-se dois triunfos pela margem máxima, em Viana do Castelo e na recepção ao SC Caldas, e um pela margem mínima na deslocação ao reduto do histórico Castêlo da Maia GC, que conduziram os comandados de Hugo Silva à liderança isolada da prova ao cabo de apenas quatro jornadas. Contudo, na quinta jornada viria o primeiro e único desaire dos verde e brancos na Fase Regular, derrota por 0-3 na recepção ao SC Espinho, que atirava os Leões para o terceiro lugar, atrás de SL Benfica e SC Espinho.

Sporting a um passo da final

Na próxima sexta-feira, o Sporting Clube de Portugal recebe no Pavilhão João Rocha, o Modicus, em jogo a contar para a meia-final do “play-off”. Em caso de vitória neste segundo jogo, os leões carimbam o passaporte para a final, onde irão lutar pela conquista do tricampeonato nacional de futsal.

Numa época extremamente positiva, onde o Sporting somou na fase regular 25 vitórias e apenas um empate, conquistando a liderança. No “play-off” os pupilos de Nuno Dias,já deixaram pelo caminho o Burinhosa e venceram o primeiro jogo,frente ao Modicus por 2-0, com Alex Merlim a “bisar”.

O Sporting é claramente favorito a passar à final deste campeonato nacional, perante a família sportinguista, num Pavilhão João Rocha que se espera perto da lotação esgotada. Para esta partida, o técnico leonino tem uma baixa de vulto, podendo falhar o resto da temporada, o capitão João Matos, devido a lesão.

O capitão leonino continua em recuperação, estando afastado das quadras
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Futsal

O conjunto de Sandim, o Modicus, eliminou nos quartos-de-final o Fundão. Numa temporada positiva para a equipa orientada por Ricardo Ferreira, tendo ficado em quarto lugar na fase regular com 43 pontos e irá tentar surpreender o Sporting. Um plantel composto por jogadores experientes como Joel Queirós, Gabri e Fábio Lima, que já vestiu a camisola verde e branca.

A equipa leonina tem apresentado exibições de enorme qualidade, muitas vitórias, muitos golos e com títulos – Supertaça, Taça de Honra e Taça de Portugal. O Sporting tem provavelmente, o plantel mais forte da história da modalidade, com um grande objetivo: vencer o tricampeonato. Neste coletivo, destacam-se nomes como André Sousa, João Matos, Pedro Cary, Cavinato, Merlim, Diogo, Dieguinho, Fortino, Cardinal, Deo, entre tantos outros. Uma equipa muito bem orientada por um dos melhores treinadores do mundo, Nuno Dias, muito eficaz a defender, que trabalha muito bem as bolas paradas, cantos e livres, assumindo o jogo e a posse de bola em praticamente todas as partidas.

A final prevê-se electrizante, entre o Sporting e, provavelmente o eterno rival, Benfica. Para isso, a equipa leonina tem de provar o seu favoritismo na quadra e vencer o Modicus, para poder lutar pela conquista do tricampeonato.

Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

Reconstrução do setor defensivo

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O setor defensivo é, neste momento, a grande “dor de cabeça” para a equipa técnica do FC Porto. Ricardo Pereira foi vendido ao Leicester City FC por 20 milhões de euros e mais cinco, por objetivos, sendo que dois milhões já foram alcançados pela presença de Ricardo no Mundial.

Diogo Dalot foi confirmado no Manchester United por 22 milhões de euros. Um grande talento que, na minha opinião, pode dentro de poucos anos ser o melhor defesa direito do futebol mundial. Entrando no último ano de contrato e não renovando contrato a venda foi a melhor solução. O talento poderia rendar mais dinheiro aos cofres azuis e brancos, mas atendendo às circunstâncias, foi a venda possível e em certa medida até pode ser considerada interessante.

Sem Ricardo e Dalot é urgente renovar com Maxi Pereira. Se o internacional uruguaio aceitar baixar a massa salarial é perfeitamente possível a sua continuidade. A experiencia de Maxi é um fator importante até porque está prestes a ser oficial a contratação de João Pedro e vai precisar sempre de um período de adaptação ao futebol europeu. João Pedro é um internacional pelas seleções jovens brasileiras, um defesa direito de grande propensão ofensiva, muito à imagem de Ricardo Pereira. Sendo verdade os rumores de que aquisição do jovem brasileiro ronda os quatro milhões de euros, considero um negócio muito proveitoso.

Alex Telles é “inegociável”
Fonte: FC Porto

No eixo defensivo Felipe e Osório estão certos no plantel da próxima época. Mas com a saída de Marcano e Reyes é preciso “atacar” o mercado. O regresso de Chidozie que esteve emprestado ao FC Nantes e esteve em bom plano é uma forte hipótese. Mas mesmo com o regresso do internacional nigeriano acredito que Sérgio Conceição queira um central experiente e de preferência esquerdino.

No lado esquerdo Alex Telles é “inegociável” mas precisa de uma alternativa. Layun é sempre uma solução mas a venda do mexicano é o mais provável. Rafa e Inácio podem ser boas soluções e baratas. Eu, pessoalmente, apostaria em Rafa e emprestava Inácio para ganhar ritmo numa equipa da Primeira Liga.

Na última época a gestão feita pela “estrutura” portista foi exemplar, e pela amostra das últimas semanas a boa gestão quer financeira quer desportiva é para continuar.

Foto de Capa: FC Porto

artigo revisto por: Ana Ferreira

Quem fica e quem sai?

O Benfica começa, atempadamente, a construir o seu plantel. Já chegaram Vlachodimos, para a baliza, Conti e Ebuehi para a defesa, Castillo e Ferreyra para o ataque. Algumas das posições onde se notavam maiores carências estão a ser reforçadas ainda que alguns dos nomes não ofereçam garantias claras. O Benfica, que contou com 32 jogadores emprestados, pode olhar para dentro para solucionar algum destes problemas?

Na baliza, uma das posições que gerou um dos principais focos de instabilidade na época passada, os encarnados cederam Igor Rodrigues e André Ferreira. O primeiro nunca jogou no Benfica. Foi contratado em Agosto de 2017 ao Sporting da Covilhã e por aí se manteve. Apesar de jovem – 23 anos – e de já contar com duas temporadas no segundo escalão, não parece reunir condições suficientes para chegar, para já, ao plantel principal. A sua idade é um bónus e, se evoluir positivamente, pode ser uma aposta a ter conta no futuro. Por agora, é só mais um assalariado. Em relação a André Ferreira, o jovem guarda-redes conta com duas temporadas a titular na segunda liga, primeiro no Benfica B e depois do Leixões. Tal como Igor Rodrigues, não é previsível que permaneça no plantel, pelo que um novo empréstimo ou até uma venda com opção de recompra seja a alternativa mais aconselhável.

No sector defensivo, o Benfica emprestou César, Patrick Vieira, Carlos Ponck, Aurélio Buta, Reinildo e Yuri Ribeiro. Destes seis, Yuri é o único com lugar garantido e a opção é compreensível. O defesa esquerdo que atuou no Rio Ave foi o único que provou qualidade suficiente para estar no plantel. Os restantes, e ainda que Vieira e Ponck tenham realizado épocas de bom nível ao serviço de Vitória de Setúbal e Aves, respetivamente, não têm e possivelmente nunca terão capacidade para serem mais-valias.

No meio-campo – considerando médios e extremos – concentram-se André Horta, Dálcio, Pedro Nuno, João Teixeira, Elhouni, Cristante, Agra, Benítez, Jonh Murillo, Dawidowicz, Diego Lopes, Taarabt, Mato Milos, Pêpê, Carrillo, Aires Sousa, Banjaqui e Fali Candé. São 17 (sem contar com André Horta, já vendido) e, naturalmente, poucos terão sequer hipótese de se mostrar a Rui Vitória na pré-temporada.

Cada caso é diferente e apenas Pêpê – o único, talvez, com possibilidades reais de disputar por um lugar no plantel – e Carrillo – veremos se o peruano tem interesse em regressar – deverão apresentar-se nos trabalhos de preparação. Bryan Cristante, depois da melhor época da carreira, seria um jogador a ter em conta mas o Atalanta deverá acionar a cláusula de compra e depois vendê-lo. Um erro estratégico do Benfica, que não aproveitou desportivamente o agora internacional italiano.

Yuri Ribeiro é o único dos emprestados com lugar garantido no plantel 18/19                                      Fonte: SL Benfica

Na frente, e garantidas as aquisições de Castillo e Ferreyra, há Talisca, Sarkic, João Oliveira, Saponjic, Arango e Luka Jovic. Aqui é talvez o sector onde há mais qualidade e olhando para alguns destes nomes não haveria, porventura, necessidade de ir ao mercado investir quantidades absurdas de dinheiro.

Talisca ficou marcado pelas declarações que fez após o malfadado jogo da Champions, em que alegou salários em atraso pelo Benfica. Seria o suficiente para não mais vestir o manto mas os jogadores de futebol são, por vezes, mal aconselhados e as palavras que lhes sai da boca não são as deles. Há casos no futebol português onde uma boa conversa, franca e honesta, é suficiente para se dar a volta e com Talisca a questão podia resolver-se assim. No entanto, o brasileiro é um jogador com mercado e aceita-se a venda, mediante a chegada de uns bons milhões.

Posteriormente, há o caso de Arango que pode ser uma opção a ter em conta. Do que vi no Aves, é um jogador tecnicamente acima da média e com fulgor físico. Merece, pelo menos, alguns dias na pré-temporada para o treinador ver o que vale.

Por fim, o caso mais estranho: Luka Jovic. O jovem sérvio completou uma época excelente ao serviço do Eintracht Frankfurt, numa das melhores ligas do mundo, situação que o levou, inclusivamente, ao Mundial na Rússia. Tem 20 anos e, se continuar a evoluir, será, garantidamente, um dos avançados mais cobiçados na Europa daqui a uns anos. Desperdiçá-lo, mesmo que contemple uma venda aceitável, será um dos maiores erros da estrutura do Benfica nas últimas décadas.

Dos 32 atletas emprestados, talvez permaneça Pêpê, Andre Carrillo e Arango. É uma média manifestamente baixa e que devia servir para os responsáveis do Benfica repensarem a estratégia de empréstimos que vigora no clube. Veremos o que nos reserva o futuro.

Foto de Capa: SL Benfica

 

João Henriques – A segunda vida nos Açores

No decorrer da passada semana, e depois de a imprensa nacional ter avançado vários nomes (José Couceiro, José Peseiro e, até mesmo, Daniel Ramos), o CD Santa Clara anunciou João Henriques, como técnico que sucederá a Carlos Pinto, na liderança dos Açoreanos, na próxima temporada que marcará o regresso do clube ao principal escalão do futebol luso.

A sua contratação por parte dos responsáveis do emblema de Ponta de Delgada pode ser entendida como uma aposta na continuidade do modelo de treinador que tem vindo a ser escolhido pelo clube açoriano, um técnico jovem, português e que sirva de condutor à valorização dos principais ativos da equipa, isto é os seus jogadores.

Perfil do treinador:

João Alexandre Oliveira Nunes Henriques, 45 anos, natural de Tomar, concluiu, sem sucesso, a época transata ao serviço do FC Paços de Ferreira, uma vez que não conseguiu assegurar a permanência dos Castores na Primeira Liga. Na equipa da Capital do Móvel, João Henriques procurou explorar a construção de jogadas de ataque pelas alas, tirando partido da velocidade e capacidade de cruzamento dos extremos Awer Mabil e António Xavier, assim como do bom jogo aéreo de Luiz Phellype (melhor marcador da equipa com oito golos). Como tal, o esquema- tático utilizado oscilou entre o seu habitual 4-3-3 e o 4-2-3-1. No que se refere à organização defensiva, os Pacences evidenciaram grandes dificuldades em evitar contra-ataques, especialmente quando os mesmos eram feitos a partir das alas e, ainda, na defesa de lances de bola parada.

Awer Mabil foi um dos futebolistas potenciados por João Henriques
Fonte: FC Paços Ferreira

Antes disso, havia orientado até janeiro o Leixões SC (substituiu, no comando da equipa principal, ao fim da terceira jornada, Daniel Kenedy) alcançando um registo bastante positivo na Segunda Liga (sete vitórias; sete empates e, apenas, duas derrotas) que permitiu, aos Bébés, ambicionarem, a dada altura, a subida de divisão. Para além disso, durante a sua passagem por Matosinhos, João Henriques privilegiou a utilização de um sistema 4-3-3 que permitiu combinar a prática de um futebol atrativo com resultados positivos, contribuindo deste modo para a valorização de diversos futebolistas, dos quais são exemplos o médio Stephen Eustáquio (futebolista de 21 anos que se estreou, em novembro passado, pela seleção sub-21 de Portugal), o lateral Derick Poloni ou o avançado Evandro Brandão.

No CD Santa Clara, o treinador de 45 anos irá liderar uma equipa que contará com a permanência de muitos dos “heróis” que materializaram o regresso do emblema insular à Primeira Liga após um longo período de ausência (15 anos).

Foto de Capa: CD Santa Clara

Apresento-vos Steph, o MVP das finais

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É estranho chegar à conclusão que, após todos estes anos de domínio dos Warriors, a face principal chega apenas neste momento à possibilidade de vencer o troféu de MVP das finais. Mas se em 2015 Iguodala ganhou pela sua defesa e em 2017 Durant, o melhor dos Warriors, reclamou o prémio para si, não parece haver em 2018 quem seja capaz de tirar o prémio a Curry. Sim, há um senhor que marcou 51 pontos no jogo um, mas é preciso ganhar as finais para ser o MVP.

A chegada ao trono dos Warriors coincide (e confunde-se) com Stephen Curry. O base dos Warriors saltou para a ribalta quando começou a tratar a linha de triplo por “tu”, rebentando com defesas através do poder das suas bombas de longo alcance. Nos anos anteriores, houve sempre algo que impediu Curry de se destacar mais nos playoffs, mesmo depois de dois MVP’s na fase regular. No primeiro título de Golden State, Steph era a arma ofensiva, mas foi na defesa que os Warriors ganharam o campeonato. No ano seguinte, o descalabro mental que levou a uma das maiores reviravoltas de sempre nas finais da NBA deram a LeBron um terceiro MVP da série decisiva. Em 2017, o recém-chegado Kevin Durant fez de tudo para ganhar o título, oferecendo a Golden State, novamente, o lugar no topo. Porém, em 2018 não há ninguém a jogar tão bem e a ser tão importante para a turma de Steve Kerr como Curry.

Curry num dos nove triplos que converteu no jogo dois
Fonte: Golden State Warriors

Durante bastante tempo, o jogo de Curry foi tão entusiasmante como negligente. Para muitos era até um perigo os mais jovens estarem a aprender com Curry. Porque, por cada lançamento ou “crossover” do outro mundo, havia um qualquer adorno ou disparate à espreita. Curry era tão brilhante como descuidado (uma das razões para o fiasco de 2016) e na era da eficiência, isso paga-se caro. Mas, hoje, Curry ganhou eficácia. E o seu brilhantismo subiu de tom.

Nestas finais, Curry é o terceiro melhor jogador. E isso acontece porque estão lá um dos melhores marcadores de pontos de sempre e, quem sabe, aquele que um dia pode vir a ser considerado o melhor de todos os tempos. Mas não há qualquer tipo de resposta defensiva para aqueles momentos em que Steph se torna numa tocha humana. Momentos esses que o fazem ser o melhor atirador de sempre e bater o recorde de mais triplos num jogo das finais (nove, no jogo dois). Quando Steph está a acertar, não há nada a fazer. E com apenas dois jogos realizados na série decisiva, Curry está a acertar quase tudo. O que o vai levar a ser MVP. Porque tem sido o melhor dos Warriors, equipa que vai (não nos enganemos, tentando argumentar esta ideia) vencer mais um título esta temporada.

Foto de Capa: Golden State Warriors

Artigo revisto por: Rita Asseiceiro

O Dicionário de Fernando Santos: João Moutinho

Terminada mais uma época desportiva ao nível dos clubes, todo o universo do futebol se centra agora no Mundial da Rússia.

Portugal, inserido no grupo B, estreia-se no segundo dia de competição, frente à Espanha. No entanto, a preparação da Seleção Nacional já há muito teve início. Um mês antes do pontapé de saída na Rússia, Fernando Santos anunciou uma das decisões mais importantes: os 23 convocados para a fase final.

Face a um leque de opções alargado, o Engenheiro optou pela variedade. No grupo que vai seguir viagem para a Rússia, todos os jogadores apresentam caraterísticas diferentes, tendo utilidades repartidas pelos diversos contextos.

Assim, até à estreia da Seleção Nacional, o Bola na Rede vai definir, numa palavra, aquele que pode ser o principal contributo de cada jogador para a equipa das Quinas.

 

João Moutinho: Equilíbrio.

 

Um jogador, acima de tudo, muito completo. Um médio na verdadeira essência da palavra, João Moutinho destaca-se pela forma como consegue dar o seu contributo em todos os aspetos do jogo, quer no plano ofensivo, quer no plano defensivo.

Com uma inteligência notável e, sobretudo, com uma grande capacidade de organização, o jogador do Mónaco consegue ser uma verdadeira extensão do treinador em campo, ditando os ritmos de jogo e orientando os colegas.

Com a qualidade de passe essencial num médio, a que alia também um bom remate e eficácia nas ações defensivas, desde os desarmes ao posicionamento, João Moutinho pode ser o apoio que Portugal precisa nos dois lados do campo. Sempre ao ritmo que o jogo pede, o médio garante a solidez defensiva indispensável para Fernando Santos, mas também alguma qualidade na construção.

Depois de, em 2016, ter chegado a França num momento de forma menos positivo, acabando por ser relegado para o banco de suplentes, João Moutinho estará na Rússia em pleno e a sua luta com Adrien será mais uma boa dor de cabeça para Fernando Santos.

Foto de Capa: FPF

Jesus de partida para a Arábia

Jorge Jesus foi esta noite confirmado como novo treinador dos árabes do Al-Hilal. O técnico português sai assim do Sporting Clube de Portugal, depois de um final de temporada muitíssimo atribulado.

Depois de nove épocas consecutivas nas luzes da ribalta e a lutar pelo título em Portugal, Jesus parte agora para um novo desafio, que já esteve perto de acontecer há três anos atrás. Aos 63 anos, JJ emigra pela primeira vez e logo para um campeonato muito sui generis, onde o dinheiro reina mas onde JJ terá muito espaço para ensinar e impor as suas ideias.

Foi consumado o adeus de Jesus aos leões
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Após ter treinado Amora (onde venceu a II Divisão), Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria e Belenenses, Jesus chegou ao Sporting de Braga e começou a ser observado cada vez mais de perto no futebol nacional. Ganhou uma Taça Intertoto pelo clube de António Salvador e saltou em 2009/10 para o Benfica.

Na Luz, em seis épocas, venceu três campeonatos, cinco Taças da Liga, uma Taça de Portugal e uma Supertaça Cândido de Oliveira. Nos leões, em três anos, apenas venceu uma Supertaça e uma Taça da Liga. Depois de uma primeira temporada que arrancou com a conquista da Supertaça frente ao Benfica, com ótimo futebol e onde ficou pertíssimo do título maior, o campeonato nacional, o crédito de Jesus foi decrescendo, com desempenhos mais fracos nas últimas duas temporadas.

«Acho que a lesão me fez crescer muito» – Entrevista a Teresa Vaz Carvalho

Filha de dois nomes grandes do nosso desporto – Terezinha Vaz e Joaquim Carvalho – e irmã de outra grande promessa – Marisa Vaz Carvalho – Teresa foi notícia em 2014 quando com apenas 19 anos saltou 6.52 metros, tornando-se na, altura, a segunda melhor atleta portuguesa da história, com uma marca que significava um novo recorde nacional júnior e sub-23, além de lhe ter dado o título do Campeonato do Mediterrâneo Sub-23. O recorde júnior ainda o mantém e o sub-23 apenas o viu ser batido no passado dia 27 de Maio, sendo neste momento a terceira melhor atleta da história no Comprimento. 

Depois de uma temporada 2014 em grande, uma lesão bastante grave no tendão rotuliano impediu a atleta de marcar presença nos Jogos Olímpicos do Rio, que era o seu grande objectivo na altura. Desde o seu regresso, redefiniu objectivos e prepara-se agora para voltar aos grandes saltos, focando-se a partir do próximo mês exclusivamente no Atletismo. Conversámos com a mesma após os Great City Games de Manchester, numa entrevista onde a atleta não evitou qualquer tema e mostrou-se bastante recetiva a todas as perguntas. 

Bola na Rede/Planeta do Atletismo: Este foi o teu primeiro evento do género. O que é que achaste da experiência e o que achas destes eventos no geral?

Teresa Vaz Carvalho: Foi uma experiência muito engraçada mesmo, completamente diferente daquilo a que estamos habituados. Eu cheguei aqui a pensar que ia estar numa verdadeira prova, mas na realidade eu não estava numa prova, eu estava num espectáculo de Atletismo. Uma experiência que eu nunca tinha vivenciado nem em Portugal, nem fora do país. A maioria dos atletas voltam todos os anos a este evento mesmo por isso, eles dizem que não se sentem a fazer Atletismo, sentem pura diversão a fazer aquilo que estão a fazer. A cultura do desporto aqui em Inglaterra é também muito forte e as pessoas sabem o que está a acontecer e percebem o desporto, o que ajuda imenso ao espectáculo. Uma experiência super diferente e em que só posso tirar coisas positivas.

Teresa Carvalho em destaque no evento de Manchester
Fonte: Bola na Rede/Planeta do Atletismo

BnR/PdA: No que diz respeito à competição, ficaste satisfeita com o teu resultado?

TVC: Não totalmente. Eu vim sozinha, nem tinha cá a minha mãe, que é a minha treinadora, nem o meu manager e estava um bocado sem noção. Consegui acertar a corrida no aquecimento, entrei bem no primeiro salto, com um SB o que é sempre bom mas depois como não tive aquele feedback…saltei e nem sabia onde tinha posto o pé, então fiquei um bocado perdida na prova. No segundo salto percebi que ia dar nulo, então encurtei a corrida e não saiu bem. No terceiro, fiz uma possível contratura no quadríceps e depois no quarto salto já fui saltar com dores e nem o devia ter feito. Mas valeu muito pela experiência. Tenho a certeza que numa pista diferente, o resultado será diferente porque o piso aqui era uma plataforma montada e o tartan escorregava um pouco – todos os atletas se queixaram disso um pouco, mesmo nas provas de velocidade. O Aries Merritt, por exemplo, caiu nas barreiras porque a pista era muito rápida, os bicos agarravam, mas a pista flutuava.

BnR/PdA: Já fizeste uma marca (6.16) muito próxima do teu melhor na temporada passada (6.20). Os mínimos para os Europeus são 6.60 metros. Para os conseguires terás que bater o teu recorde pessoal (6.52). É um dos teus objectivos para este ano?

TVC: É, sem dúvida! É o meu maior objectivo para esta época. Quero principalmente estar consistente na casa dos 6.40 e conseguir esse salto de 6.60 para ir ao Europeu este ano. Eu acho que sinceramente esse salto está para breve. O nulo que eu fiz aqui era um bom salto e os próprios 6.16 foi um pouco a travar e no início da tábua. Acho que sim, é algo que espero conseguir nestes meses que faltam antes do Europeu.

Frente a frente: Ricardo Quaresma vs Yacine Brahimi

Na rubrica “Frente a Frente” desta semana colocamos em perspetiva os desempenhos de dois dos jogadores mais fantasistas que passaram pelo FC Porto no presente século. Num duelo de titãs, Ricardo Quaresma e Yacine Brahimi são os “concorrentes” designados para esta feroz disputa. O português teve duas passagens pelo FC Porto (2004-2008 e 2013-2015) num total de 5 épocas e meia de dragão ao peito e o argelino, ainda a representar o clube, conta com 4 épocas completas de azul e branco (2014-2018).

Para começo de conversa, ficam alguns dados estatísticos (valem o que valem) sobre ambos:

 Ricardo Quaresma:

Jogos pelo FC Porto: 225

Golos pelo FC Porto: 50

Média golos/jogo: 0,22

Títulos pelo FC Porto: 3 Campeonatos, 1 Taças de Portugal, 2 Supertaças, 1 Taça Intercontinental

Yacine Brahimi:

Jogos pelo FC Porto: 166

Golos pelo FC Porto: 41

Média golos/jogo: 0,25

Títulos pelo FC Porto: 1 Campeonato

Começando pelo internacional português, chega ao FC Porto no verão de 2004 envolvido no negócio que levou Deco para o FC Barcelona. Depois de uma passagem fugaz pela Cidade Condal, Quaresma regressava a Portugal (havia representado o Sporting CP) para relançar uma carreira que prometera ser brilhante. Quatro épocas bastaram para se tornar rei no Dragão e voltar a tentar a sorte num gigante europeu, o Inter de Milão.

Quaresma, na sua segunda passagem pelo FC Porto
Fonte: FC Porto

O mustang (um dos nomes que o celebrizaram), era e é dono e senhor de uma técnica apurada e de uma capacidade de drible ímpar. Viveu na primeira passagem pelo clube aquela que foi, porventura, a fase mais consistente da sua carreira. Pese embora alguns momentos de apagão e, até, de conflito com a bancada, Ricardo Quaresma construiu, com o clube e com os adeptos, uma relação de amor eterno.

Era um jogador singular. Muito vertical, jogava com igual à vontade nas duas faixas, muito mais pela valia da sua trivela do que pelo poder do seu pé mais fraco, o esquerdo. Apesar de todo o seu virtuosismo, foi a qualidade dos seus cruzamentos e o número de assistências que fazia que mais me impressionaram.

Chegou ao clube numa fase ganhadora e aproveitou esse facto para juntar um significativo número de títulos ao seu palmarés.

Passemos agora ao mago magrebino. Yacine Brahimi chega ao FC Porto em 2014 pela mão de Julen Lopetegui. Um desconhecido para os menos atentos ao campeonato do país vizinho. Chegava ao FC Porto um jogador tecnicista e muito elogiado em Espanha e que acabara de realizar um Mundial 2014 muito interessante com a sua seleção. Nessa primeira temporada de azul e branco foi, curiosamente, colega de equipa de Ricardo Quaresma.

Brahimi, na comemoração do seu único título de campeão nacional
Fonte: FC Porto

Jogando preferencialmente pela esquerda, o argelino é, ao contrário do campeão da Europa por Portugal, um jogador que dá primazia a movimentos interiores. Apesar de similares no talento individual diferem muito no que concerne ao estilo. Se Quaresma ia consistentemente à linha cruzar, Brahimi exige que a largura seja dada pelo lateral e aparece mais vezes em zona de finalização. O que mais impressiona no camisola 8 dos dragões é a velocidade em condução e drible e a agilidade com que muda de direção. Apesar de períodos de nível superlativo, Brahimi pautou o seu desempenho no FC Porto por alguma inconsistência. Fez no último ano, sob o comando de Sérgio Conceição, a melhor temporada de Dragão ao peito e que culminou com o único título conquistado pelo argelino na sua carreira sénior.