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Jogo Limpo: Análise à 23ª jornada da Primeira Liga

Está de regresso a rubrica de análise aos casos de arbitragem depois de uma pausa de Inverno. Jornada agridoce onde, por um lado se deve ressalvar o número reduzido de casos nesta jornada – penso que seja a analise mais pequena de todas aquelas que fiz, vários jogos sem qualquer caso de arbitragem, muito positivo -. Por outro lado, estão, ainda assim, algumas arbitragens negativas que aconteceram nesta jornada. O jogo do Benfica contra o Boavista refletiu ainda fragilidades na utilização do VAR, enquanto que o “derby” do Minho teve um Bruno Paixão muito nervoso e confuso, e o último jogo da jornada teve uma arbitragem polémica de João Capela, sendo sem dúvida a mais negativa desta jornada. Foi por isso uma jornada bipolar aquela que tivemos no último fim de semana.

Foto de capa: MoneyMagpie

Centrais goleadores

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O Benfica goleou, na última jornada, o Boavista, numa partida onde os centrais Jardel e Rúben Dias marcaram dois golos.

Há muito que o Benfica tem duplas de centrais com “queda” para o golo mas muitas vezes não concretizam com eficácia esses lances de perigo muito devido à falta de qualidade nos lances de bola parada.

Este ano, em particular, e diferente dos últimos quatro, o Benfica tem tido uma péssima participação em lances, principalmente, de canto. Já tivemos Pizzi a batê-los, Salvio, Grimaldo, tantos, e raros são os cantos onde a bola chega com qualidade ao centro da grande área. Pior, para mim, é ver os jogadores do Benfica a tentarem concretizar jogadas estudadas nestes lances, jogadas que, na maior parte dos casos, não dão em nada e podem oferecer a bola ao colectivo contrário.

A dupla Jardel-Ruben Dias tem funcionado tanto defensivamente, como ofensivamente
Fonte: SL Benfica

Na última partida, e na primeira parte, Cervi concretizou dois pontapés de canto que deram inicio a dois golos dos nossos centrais. Rúben Dias abriu o marcar e Jardel fechou-o da primeira parte. A prova clara de que temos dois centrais goleadores e com qualidade para ampliar e decidir resultados que necessitamos semanalmente.

Não posso esquecer que no banco temos também Luisão. O central brasileiro é também um central goleador e prova disso é que nos últimos quatro anos marcou doze golos com a camisola do Benfica. Sem dúvida que temos centrais com qualidade para finalizar, mas muito dos lances têm obrigatoriamente de ser criados por assistentes que não falhem nas suas responsabilidades.

O resto da temporada é importantíssima para nós. Necessitamos de golos e se for preciso que sejam os centrais a mostrar esse lado mais ofensivo. Para tal é necessário um bom trabalho de equipa e esperar que os nossos defesas façam o melhor possível.

Foto de Capa: SL Benfica

Vítor Oliveira: O Treinador da Moda

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“Treinador da Moda”- foi assim que Rui Vitória caraterizou Vítor Oliveira na conferência de imprensa de antevisão ao Portimonense- Benfica. Vítor Oliveira, atual treinador do Portimonense, homem reconhecido, principalmente, por colocar equipas no principal escalão do futebol português, é neste momento um dos técnicos em voga no futebol português. Com um bigode saliente, um estilo descontraído, um discurso mais frontal que nunca e uma capacidade de liderança muito própria, Vítor Oliveira foge aos cânones do treinador de sucesso e é devido a estas características que Rui Vitória o apelida de “treinador da moda”.

A carreira de Vítor Oliveira remonta à década de 80. Numa temporada Vítor Oliveira acabava a carreira como jogador no Portimonense, na seguinte iniciativa uma nova jornada, no clube de Portimão, mas desta feita como treinador.  A partir daí Vítor Oliveira passou pelos maiores clubes do futebol português extra-grandes, clubes como o: CF “Os Belenenses”, Associação Académica de Coimbra, Leixões SC, FC Paços de Ferreira, Vitória SC, entre outras equipas.

Em 1990 consegue a primeira subida, no clube da capital do móvel, o Paços de Ferreira. Depois deste feito voltou a colocar uma equipa da Segunda Liga na Primeira, no caso a Académica decorria o ano 1996/97, no ano seguinte com o União de Leiria, Belenenses 1998/1999, o Leixões em 2006/2007, o Arouca em 2012/2013, o Moreirense em 2013/2014, o União da Madeira em 2014/2015, o Chaves em 2015/2016 e na temporada passada o Portimonense. Segundo o técnico, as pretensões de treinar na Segunda Liga passavam, sobretudo pelos moldes das competições. Ou seja, o técnico preferia lutar para ser campeão, ainda que num campeonato inferior, do que lutar para não descer na Primeira Liga, onde acabaria por ser constantemente desvalorizado. A ideia acaba por fazer sentido e não é à toa que Vítor Oliveira acabe por ser um dos técnicos mais cobiçados, ano após ano, em Portugal. A ideia de que Vítor Oliveira só consegue subir devido aos planteis de grande qualidade pode ter algum fundamento, a verdade é que Vítor Oliveira acaba sempre por construir plantéis que, não só garantem a subida, como também garantem a permanência na temporada a seguir.

O discurso de Vitor Oliveira foge ao convencional. Distância-se de lugares comuns e de comuns banalidades
Fonte: regiao-sul.pt

Esta temporada, quando se esperava que voltasse a treinar outro clube da Segunda Liga, Vítor Oliveira surpreendeu tudo e todos e prosseguiu na equipa de Portimão. Muitos apontam motivos financeiros e o projeto bem estruturado da equipa de Portimão, outros apontam razões sentimentais pela permanência do técnico. A verdade é que Vítor Oliveira tem demonstrado que é mais do que um treinador de Segunda Liga. O técnico tem colocado o Portimonense a jogar um futebol muito atrativo. Uma equipa madura, com muita qualidade ofensiva, com bons princípios de jogo. Uma equipa ofensiva, que joga o jogo pelo jogo e que, através da qualidade dos seus intervenientes na frente de ataque, consegue criar muitas jogadas de perigo. Para além disso, o Portimonense tem sido uma equipa muito forte na capacidade mental que demonstra. Depois da passagem da equipa por lugares tenebrosos na classificação e com jogos menos conseguidos, a equipa liderada por Vítor Oliveira deu a volta e começou a acumular vitórias consecutivas, sendo que, nesta altura, não é descabido pensar-se num Portimonense a lutar pelos lugares europeus até final da época, mesmo que não seja este o objetivo do clube de Portimão.

Não tem a mesma imprensa de outros, não tem o mesmo “high-profile” de outros, nem tem o mesmo discurso cuidado e arquitectado que outros treinadores demonstram ter, mas é ainda assim, um treinador da moda. Mesmo que não tenha passado pelos três grandes, Vítor Oliveira figurará, mais tarde, no quadro dos melhores treinadores portugueses das últimas décadas, não só pelos resultados como também pela longevidade apresentada no futebol português. Porque ganhar nos clubes ditos pequenos deve ser tão ou mais valorizado quanto o ganhar por clubes grandes.

Foto de capa: Portimonense SC

Sporting na elite do Hóquei Europeu

No passado sábado, o Sporting Clube de Portugal venceu o campeão francês, Dinan Quévert , por 1-0 com golo de Pedro Gil, em jogo a contar para a quinta jornada do grupo D da Liiga Europeia.

Com esta vitória, os leões liderados por Paulo Freitas, beneficiando do empate entre os espanhóis do Liceo e os italianos do Lodi, carimbaram o passaporte para os quartos-de-final da Liga Europeia.

O Sporting tem um plantel com muita qualidade e experiência, começando por um dos melhores guarda-redes do mundo, Ângelo Girão, tendo como suplente José Diogo. Os leões têm em Matías Platero, ex-Reus e Henrique Magalhães, ex-Liceo, em conjunto com Ferran Font e Caio, uma defesa experiente. Na frente da equipa verde e branca, destacam-se os mágicos Pedro Gil, Victor Hugo, ex-Porto, e Toni Pérez,  ex-Liceo. Com um capitão com uma enorme atitude e raça, João Pinto, um dos vencedores da Taça CERS em 2014/2015.
A festa dos leões em França, após a vitória sobre o Quévert
Fonte: Sporting Clube de Portugal – Hóquei em Patins

Esta tem sido uma grande temporada para os leões, estando na luta pelo título nacional, que promete ser uma luta a três até ao final. No campeonato, o Sporting é a melhor defesa da prova e um dos ataques mais concretizadores. Na Taça de Portugal, nos oitavos-de-final, iremos assistir a um clássico, numa partida entre Sporting CP e FC Porto, no Pavilhão João Rocha.

Com a qualidade que a equipa tem apresentado esta temporada, com o pragmatismo do seu treinador, com a atitude e compromisso do plantel e o apoio dos sportinguistas, pode ser uma época de conquistas e de títulos.

O Sporting tem uma enorme história no Hóquei em Patins nacional e europeu, No palmarés leonino contam-se uma Liga Europeia, três Taça das Taças, duas Taças CERS, sete Campeonatos Nacionais, quatro Taças de Portugal e duas Supertaças António Livramento. Que esta história e o exemplo de nomes como António Ramalhete, António Livramento, Júlio Rendeiro, João Sobrinho, Chana, entre tantos outros hoquistas que marcaram o Sporting, possam inspirar o plantel de Paulo Freitas rumo à glória.
Foto de Capa: Sporting Clube de Portugal

E ao terceiro dia, LeBron e companhia salvaram o fim-de-semana All-Star

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Adam Silver, comissário da NBA, ousou mexer no formato do jogo All-Star e a sua audácia foi recompensada. O jogo das estrelas da NBA foi o mais interessante dos últimos anos, dando vida a um evento que começou com duas noites bem sonolentas. Os maiores protagonistas da liga americana de basquetebol aceitaram o desafio que já vinha sendo proposto pelos adeptos há uns largos anos, jogaram “a sério” e todos nós agradecemos.

O anual fim-de-semana All-Star da NBA decorreu nos últimos dias em Los Angeles, cidade americana do espetáculo. O primeiro dia é sempre o que menos atenções capta e desta vez não foi diferente. O jogo das celebridades antecedeu a partida entre os mais novos da liga, que mais não foi do que uma exibição de afundanços e lançamentos longos com muito pouco esforço.

No sábado, chegavam os primeiros motivos de grande interesse. Um interesse que rapidamente desapareceu. O grande momento do concurso de habilidades foi Embiid a fazer batota. No concurso de triplos, Devin Booker levou o troféu para casa, enquanto que Paul George e Eric Gordon tentaram mostrar que este concurso é capaz de ser para qualquer um… Faltavam os afundanços para salvar a noite. Em relação a este concurso, o seu sucesso ou falta dele é facilmente medido: se a primeira coisa que os espetadores fizerem depois do concurso for ir ver o confronto Lavine/AaronGordon de 2016 ou os afundanços de Vince Carter no youtube, é porque o concurso foi um fiasco. E eu estou em condições de garantir que os vídeos acima mencionados tiveram um ligeiro aumento de visualizações após as 3 da manhã de sábado para domingo. Dennis Smith Jr. executou o melhor afundanço da noite, mas nem chegou à final. Donovan Mitchell ganhou com um monte de afundanços que podemos ver noite sim, noite não em Utah e o júri, em boa parte composto por malta que nada percebe disto, insistia em dar a pontuação máxima a quem, simplesmente, acertasse no cesto.


A Team LeBron festeja efusivamente a vitória no jogo All-Star
Fonte: Cleveland Cavaliers

Restava domingo. Após vários jogos All-Star mal disputados, sem qualquer interesse para quem assistia, a NBA alterou um pouco o evento: em vez de colocar frente-a-frente as duas conferências, Adam Silver deixou os capitães (os dois jogadores mais votados pelos fãs, jogadores e jornalistas) escolherem as suas equipas, dentro dos 22 jogadores pré-selecionados. E a ideia surtiu o efeito desejado. Os artistas puseram um esforço bem maior no jogo, principalmente do lado defensivo e a partida acabou por ser disputada até ao fim. A equipa de LeBron James recuperou de uma desvantagem que durou quase todo o jogo, passou para a frente no fim e impediu a equipa de Stephen Curry de levar o jogo para prolongamento com uma bela jogada defensiva nos últimos segundos.

O jogo All-Star, que vinha sendo criticado nos últimos largos anos pela falta de competitividade ganhou uma nova vida com este novo ar de “jogo de recreio”, em que os jogadores são escolhidos pelos seus capitães e têm de defender a todo o custo a sua equipa (para além do bónus monetário e da ajuda solidária, obviamente). Os concursos de sábado, no entanto, ficaram um pouco abaixo da espetacularidade de outros anos. A falta de criatividade dos afundanços foi o problema mais apontado por fãs e especialistas, num fim-de-semana que acabou por ser salvo pelo evento que mais adeptos vinha perdendo nas últimas edições.

Foto de Capa: USA Today

Luta até ao fim no Nacional de Voleibol

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Cabeçalho modalidadesNum fim-de-semana de acerto de calendário, realizaram-se apenas três jogos no Nacional de Voleibol, registando-se três vitórias indiscutíveis dos favoritos.

Nas Caldas da Rainha, vitória clara do Sporting CP sobre o Sporting Clube das Caldas. Os leões venceram por 3-0, com parciais de 16×25, 10×25 e 14×25. No Pavilhão da Luz, o SL Benfica respondeu na mesma moeda à vitória do Sporting. Vitória dos encarnados por 3-0 frente ao AA São Mamede, com os parciais de 25×20, 25×12 e 25×19. Também por 3-0, o Castêlo da Maia recebeu e venceu o Vitória de Guimarães.

Com estes resultados, numa fase em que todas as equipas, à excepção do Esmoriz, se encontram com 22 jogos disputados, (quase) tudo se encontra em aberto.

É este o panorama antes do fim-de-semana de todas as decisões, em que se disputará uma jornada dupla.

Fonte: Diogo Reganha
Fonte: Diogo Reganha

No topo da classificação, Benfica e Sporting ainda lutam pela liderança desta fase regular, com apenas três pontos a separar os rivais da 2ª Circular, numa fase em que ambas ainda têm jogos que se adivinham complicados. Já na próxima jornada, o Sporting desloca-se a Espinho para defrontar o Sp. Espinho e o Benfica recebe na Luz a Fonte do Bastardo.

Este jogo na Luz pode também ser decisivo na luta entre Fonte do Bastardo e Castêlo da Maia pelo apuramento para o Play-Off de Campeão. A equipa dos Açores entra no Fim-de-Semana de todas as decisões com apenas um ponto de vantagem nesta luta. Mais abaixo na classificação, a luta é ainda mais acesa, com Clube Kairós, Esmoriz, Vitória de Guimarães e VC Viana separados apenas por dois pontos, a lutar pela salvação. Existe apenas um lugar que não dará acesso ao Play-Off de Despromoção e ainda qualquer uma destas quatro equipas o pode atingir.

Como é fácil perceber, o próximo Fim-de-Semana será de emoções fortes em todos os pavilhões de Norte a Sul do país, para encerrar esta fase regular. Destaque ainda para a Taça de Portugal, onde se disputou o encontro que se encontrava em atraso referente aos Oitavos-de-Final, entre Fonte do Bastardo e Sporting Clube das Caldas.

A equipa açoriana recebeu e venceu por 3-0 o SC Caldas, carimbando o passaporte para os Quartos-de-Final, completando assim o lote de oito equipas presentes nesta fase: AA Espinho, Marítimo, Vitória de Guimarães, Castêlo da Maia, Leixões, Esmoriz, SL Benfica e Fonte do Bastardo. Sporting de Espinho e Sporting CP são as ausências de peso nesta eliminatória da Taça de Portugal, depois de terem sido eliminados por Vitória de Guimarães e SL Benfica, respectivamente.

Foto de Capa: Sport Lisboa e Benfica – Modalidades

Manchester City FC: Dinheiro não compra personalidade

Cabeçalho Liga Inglesa

Desde 2008, quando o Sheik Mansour assumiu o controlo do Manchester City, que o clube inglês não tem parado de crescer em termos desportivos. Atualmente, os Citizens são o clube mais poderoso em Inglaterra, sobretudo pela disponibilidade financeira da sua direção.

Os investimentos feitos na equipa, nos últimos 10 anos, trouxeram vários troféus, incluíndo dois títulos da Premier League. Anteriormente visto como inferior em relação ao Manchester United, e tendo inclusivamente andado pela segunda divisão no início do século XXI, o City era uma equipa de pouca expressão. A entrada em cena de dinheiro árabe, que trouxe grandes jogadores e treinadores de renome para o Etihad, mudou a percepção geral do clube.

Com a chegada de Pep Guardiola, em 2016, o City deu um passo decisivo na sua afirmação como clube de topo. Afinal, o espanhol é um dos melhores treinadores do mundo, e, na altura em que foi contratado, havia várias equipas à procura de técnico. O facto de Guardiola ter escolhido o City mostra o quão determinado o clube está em tornar-se a principal referência desportiva em Inglaterra.

O dinheiro gasto em contratações, sobretudo no último mercado de Verão, tornou o City num dos plantéis mais fortes da Europa. E, com a filosofia de jogo de Guardiola mais uma vez a produzir resultados, a equipa está na linha da frente para conquistar todas as provas em que está inserida.

Ao contrário de outros clubes que se tornaram bem-sucedidos após a chegada dum investidor, o Manchester City não tem sido arrasado pela crítica, mesmo com os gastos gigantescos em jogadores das últimas duas épocas. Isso deve-se, provavelmente, à imagem de Guardiola. Politicamente correto e discreto, mas também com grande habilidade para conseguir ter os media do seu lado, o treinador espanhol tem sido consensual em Inglaterra.

De Bruyne foi uma das contratações milionárias do City nas últimas épocas, e tem estado em grande forma Fonte: Manchester City FC
De Bruyne foi uma das contratações milionárias do City nas últimas épocas, e tem estado em grande forma
Fonte: Manchester City FC

No entanto, as equipas de Pep parecem não ter algo que é comum a todos os outros grandes conjuntos da história do futebol: personalidade. Se em parte isto é explicado com o facto do catalão construir as equipas à sua imagem, retirando aos jogadores protagonismo individual. e tornando-os peças funcionais nos seus esquemas táticos, também é verdade que, ao longo dos anos, Guardiola tem-se revelado um treinador que não lida bem com futebolistas irreverentes. Desde o início da sua careira, ao comando técnico do Barcelona, em 2008, Pep tem descartado vários craques pelos clubes onde tem passado. Ronaldinho, Eto’o, Ibrahimovic e Henry no Camp Nou, Gotze e Schweinsteiger no Bayern, ou Nasri e Touré no City, são alguns dos jogadores que tiveram problemas com o treinador, ou que simplesmente foram excluídos pelo espanhol do seu grupo de trabalho. Em comum, estes futebolistas têm todos o facto de serem personalidades fortes, e que, portanto, não devem ter visto com agrado a ideia de adaptarem o seu estilo de jogo à exigente filosofia do treinador.

Guardiola tem tido plantéis repletos de jogadores amestrados, que têm a capacidade de se deixarem moldar pelo técnico. Os títulos que Pep tem conquistado são a prova de que os seus métodos têm resultado, e a sua insistência num futebol de ataque, que privilegia a posse de bola, trouxe-lhe uma grande legião de fãs.

Mas embora a prestação do Manchester City na Premier League tenha tornado difícil apontar críticas a Guardiola, a verdade é que as suas equipas têm roubado um pouco do interesse e entusiasmo dos respetivos campeonatos. Dominante, mas pouco carismático, este City está ainda longe dos grandes emblemas históricos da Europa. Talvez a ausência dum balneário unido, mas onde existam personalidades desafiantes, característica das equipas de Pep, seja o que tem impedido o catalão de chegar mais longe na Liga dos Campeões. Em provas a eliminar, onde existe grande equilíbrio entre os adversários, e é habitualmente a equipa mais ambiciosa e com mais vontade de ganhar que acaba por passar a eliminatória, Guardiola não tem sido triunfante.

Outra questão é saber o que o técnico poderá fazer num clube com menos orçamento. Começando a carreira de treinador com provavelmente o Barcelona mais forte da história, depois com um Bayern com pouca concorrência na Alemanha, e agora no clube mais rico do mundo, Guardiola ainda não foi testado. Ao contrário de Mourinho, Conte, Klopp, ou Simeone, que começaram por baixo, e deram nas vistas após grandes desempenhos com plantéis de qualidade menor, o espanhol tem sido alguém que vê, ano após ano, serem-lhe dadas todas as condições para ganhar, nunca tendo estado numa posição de desvantagem em relação a treinadores adversários.

Com a Premier League muito perto de ser conquistada, e com fortes possibilidades de ganhar a Liga dos Campeões, o Manchester City de Guardiola pode ter uma época de muito sucesso. Mas não são apenas as vitórias que tornam um clube grande, e o conjunto do Etihad, por mais que agrade a críticos e aos respetivos adeptos, não tem o apelo de outras equipas históricas de Inglaterra.

 Foto de capa: Manchester City FC

Cápsula Lusitana: O catalão mais algarvio de sempre

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recordar é viver

Quem é?

Francisco Fortes Calvo, ou no mundo do futebol, Paco Fortes.

Nasceu a 4 de Janeiro de 1955 na cidade de Barcelona. Senhor do seu nariz, faria do futebol a sua vida. Depois de ter feito a formação no principal clube da sua cidade, seria promovido à equipa principal no ano de 1975. Ao serviço do emblema blaugrana conquistou uma Taça do Rei e uma Taça das Taças, ao lado de craques como Johan Cruyff, Neeskens e Hans Krankl, bem como de um futuro treinador que viria a defrontar várias vezes em Portugal: Marinho Peres.

Médio-ofensivo raçudo e de grande entrega ao jogo, somaria ainda uma internacionalização pela selecção espanhola, e passaria por outros clubes como o Espanyol e o Real Valladolid, até emigrar para o Algarve, decorria o Verão de 1984. Jogaria quatro anos ao serviço do clube da capital algarvia até que uma grave lesão o afastaria dos relvados, mas El Feo seria convidado a ser treinador do SC Farense para substituir o inglês Malcolm Alisson (treinador campeão pelo Sporting CP). E a partir daí o espanhol mudaria completamente a história do clube algarvio.

Paco Fortes enquanto capitão do SC Farense Fonte: craquesnasombra.webnode.pt
Paco Fortes enquanto capitão do SC Farense
Fonte: craquesnasombra.webnode.pt

A partir do banco, Paco Fortes deixaria um legado no SC Farense e no futebol português, colocando o “baixinho” Estádio de São Luís na rota do futebol nacional. Deixaria o banco do emblema algarvio 10 anos depois e a insistência das suas filhas acabaram por impedi-lo de regressar a Espanha.

Três anos mais tarde regressaria ao emblema da capital algarvia, mas numa altura em que a crise financeira atingia o seu auge, este acabou por não conseguir salvar o SC Farense da despromoção. Passou ainda por outros clubes de divisões inferiores como o União de Lamas, o Imortal de Albufeira e o Pinhalnovense e teve ainda uma curta experiência no Raja Casablanca até se retirar de vez dos relvados em 2008.

10 possíveis vencedores da Liga Europa

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Cabeçalho Futebol Internacional

Quando ouvimos falar de Liga Europa, pensamos na segunda maior competição de clubes da Europa. Contudo, esta edição está algo perto de se considerar uma “Liga dos Campeões”, e porquê? Porque entram em jogo grandes equipas e muitos são os possíveis vencedores.

Depois da primeira mão dos 16avos de final já ter sido disputada, veremos quem poderá levantar o troféu, no Parc OL, em França, na final do dia 16 de maio.

Será de Pedro Martins a culpa da má época do Vitória SC?

Cabeçalho Futebol Nacional

Pedro Martins não resistiu à derrota por 5-0 com o rival SC Braga e já não é o treinador da equipa vimaranense. Quem o anunciou foi Júlio Mendes, presidente do clube, em conferência de imprensa depois do jogo.

Esta época tem sido tudo menos positiva para o Vitória SC: está já a 20 pontos do 4º lugar que assumiu como objetivo. Para além disso, é à equipa da cidade berço que pertence a pior defesa do campeonato, com 43 golos sofridos.

No meio disto talvez Pedro Martins não seja o maior culpado. Esta época foi desde o primeiro dia muito mal planeada. Num plantel que disputava a fase de grupos da Liga Europa e que assumiu pretender atingir o 4º lugar, exigia-se uma muito maior qualidade e profundidade em cada posição. Aconteceu exatamente o contrário. Prova disso é o caso de Moreno: um assumido “jogador de balneário”, Moreno conta já com mais jogos esta época do que na anterior. Até Wakaso já teve de jogar no miolo da defesa, por falta de alternativas.

A venda de Josué (tendo Jubal, um jogador emprestado pelo Arouca FC, sido o escolhido para o substituir, representando uma enorme quebra de qualidade) e Zungu (este não teve – e ainda não tem, pelo menos a seu nível – sucessor) no último dia de mercado acabaram por ser decisões que custaram uma época ao Vitória SC. A contratação de Victor Garcia para render a saída de Bruno Gaspar acabou também por ser uma má decisão, tendo em conta as más exibições do defesa venezuelano.

O ataque vimaranense peca apenas pela falta de um ponta-de-lança de qualidade: Tallo, Rafael Martins, Texeira e Estupinan (o grande flop desta temporada, o Vitória SC pagou 1 milhão de euros pelo avançado colombiano) foram sendo lançados por Pedro Martins mas nenhum conseguiu produzir exibições dignas sequer de Primeira Liga. Entretando saiu Texeira e chegou Whelton. O avançado ex-Paços de Ferreira poderá ser a solução para esse problema.

No que diz respeito a extremos, o Vitória conta com o talismã Raphinha e o jogador de qualidade que é Heldon. De resto, a equipa vimaranense não tem mais alternativas. Rincon (mais um flop desta temporada: custou 600 mil euros ao Vitória SC), Hélder Ferreira e Sturgeon não conseguem competir com os dois extremos que costumam assumir a titularidade.

No meio campo, a insistência de Pedro Martins em utilizar dois trincos acaba por ser o principal argumento contra a continuidade do treinador. A equipa demonstrou durante toda a época não conseguir sair a jogar precisamente por jogar com dois médios de características defensivas. Mas o plantel a isso obrigava: até à chegada de Mattheus, era Francisco Ramos o único médio com características de ligação de jogo, e o ex-FC Porto não conseguiu ainda mostrar a qualidade que tem e garantir um lugar no onze vimaranense. A má forma de Paolo Hurtado também não tem ajudado à construção de jogo do Vitória SC.

Outro dos argumentos contra a continuidade de Pedro Martins podia ser a insistência na utilização de Fábio Sturgeon. O extremo português tem protagonizado algumas boas exibições, mas sempre em número menor que as más.

Fábio Sturgeon tem sido muito irregular ao serviço do Vitória Fonte: Vitória SC
Fábio Sturgeon tem sido muito irregular ao serviço do Vitória
Fonte: Vitória SC

Apesar de ainda não se saber se foi o treinador português que se demitiu ou se foi mesmo despedido, fica a sensação de que acaba por ser o bode expiatório desta situação. A verdadeira culpa tem de ser atribuída a todos os que tomaram decisões sobre a construção do plantel.

Os maus resultados têm gerado muita contestação entre os adeptos, tendo estes recentemente invadido o treino da equipa para pedir explicações. Entre os piores jogos desta temporada destacam-se as derrotas em casa com a UD Oliveirense por 4-1, com o Sporting CP por 5-0 e, claro, a mais recente derrota com os eternos rivais SC Braga por 5-0.

Fica agora a dúvida de quem irá assumir o comando técnico dos vimaranenses. O novo treinador deverá ser anunciado ainda no decorrer desta semana.

Foto de Capa: Vitória SC