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«O grande problema é as pessoas desistirem de sonhos quando veem dificuldades» – Entrevista a Madjer

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É a prova viva de que a idade é apenas um número. Do alto dos seus 41 anos, João Victor Saraiva – ou Madjer, como é conhecido – olha para as suas quase infinitas conquistas: mais de mil golos pela Seleção Nacional de Futebol de Praia, campeão mundial de seleções e cinco vezes melhor jogador do planeta. Mas não quer parar por aqui: Madjer levanta o véu quanto aos projetos do futuro enquanto olhou também para o passado em mais uma Entrevista BnR.

Bola na Rede [BnR]: A pergunta deve ser constante, mas de João passou a Madjer: como surgiu este nome?

Madjer [M]: O nome Madjer vem de uma história interessante, porque eu sou sportinguista e acabei por adotar uma alcunha de um jogador do Futebol Clube do Porto. E adotei-a numa altura em que o Madjer estava no auge na sua carreira, em 1987, quando marcou o célebre golo de calcanhar. Os meus amigos de infância começaram-me a chamar Madjer e foi assim que começou esta brincadeira.

BnR: E pegando nessa brincadeira de infância: como é que começou esta paixão pelo futebol de praia?

M: Eu costumo dizer que há males que vêm por bem. Eu comecei a minha formação no Estoril-Praia. Entretanto, aos 17 anos, tive um acidente de mota e fiquei dois anos parado. Depois disso, o regresso ao futebol foi bastante complicado. Até que nessa altura tive um convite do Carlos Xavier, que é meu ex-colega de Seleção e meu amigo há muitos anos, para experimentar o futebol de praia. Isto tudo em 1997 e eu confesso que a minha primeira resposta foi “não”, porque não sabia sequer que se jogava futebol na areia fofa. Eu estava habituado a jogar com os meus amigos no outro tipo de areia, na dura, molhada. De facto, não sabia que se jogava naquela areia, muito menos num nível já considerável. Aceitei o convite e participei no meu primeiro torneio em Carcavelos.

BnR: Olhando para esse ano de estreia, 1997, acha que o futebol de praia atual tem grandes diferenças comparando com a modalidade nessa altura?

M: Tem bastantes e a todos os níveis. A primeira delas é uma vitória de todas as pessoas que têm vindo, ao longo deste percurso, a enraizar o futebol de praia como uma modalidade profissional e sem dúvida de que foi a entrada das federações e também da FIFA. Antes eram as entidades privadas que organizavam os campeonatos e sem dúvida de que isso foi já uma grande vitória de todos. Já daí existe uma grande diferença. Depois, a nível de jogo, mais na parte desportiva, houve uma evolução enorme. Nós passámos de um jogo que era basicamente tecnicista para um jogo muito mais físico porque os próprios jogadores preparam-se muito mais fisicamente para as adversidades das outras equipas.

BnR: Sendo que o futebol de praia tem já um estatuto de relevância, acha que está perto de ser, por exemplo, uma modalidade olímpica?

M: Nós já tivemos uma fase experimental nos Jogos Europeus de Verão em Baku [2015]. Portugal conquistou o terceiro lugar e o futebol de praia entrou como modalidade de exibição. As pessoas gostaram e até conseguimos trazer pessoas ao estádio. Foi mais um passo importante e o próximo passo é, sem dúvida, a UEFA abraçar o futebol de praia. Aí sim, teremos uma modalidade olímpica.

BnR: Sente que essa é realmente a medida que falta ou há outras que também poderiam elevar a modalidade?

M: Eu acho que essa é uma das principais medidas, porque a UEFA foi a única que ainda não “puxou” o futebol de praia para os seus quadros. Quando assim é, as coisas ficam mais complicadas. De qualquer das formas, as federações têm vindo a fazer um excelente trabalho, não só a nível das Seleções mas também no que diz respeito aos campeonatos nacionais. Depois, existe também uma lacuna, que é o facto de o futebol de praia feminino ser praticado por poucas mulheres. Aproveito e deixo já aqui o repto e o convite para as mulheres se juntarem ao futebol de praia. Por último, há dificuldades a nível da formação: é muito complicado colocar as crianças na areia fria durante o Inverno.

Zivkovic: A nova bola do Benfica

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sl benfica cabeçalho 1Quando era novo, com os meus seis anos de idade, fui dar um passeio de carro para a beira-mar com os meus pais e irmão. Levaram-se sandes, água e boa disposição. Já eu, levei a minha bola de futebol favorita. Tinha o símbolo do Benfica, pois claro, e eramos inseparáveis.

Quem vive numa ilha acaba por estar sempre à beira-mar. Decidimos ir ver as ondas, gigantes do mar revolto que os ventos fortes da ligeira tempestade tropical provocavam, um pouco mais perto. É sempre um espetáculo ver a força do mar a bater nas pedras e a cobri-las de espuma.

Chegados ao local, por pouco tempo me via interessado em olhar as ondas que, umas atrás das outras, me pareciam sempre iguais. Não perdi tempo e fui ao porta bagagem do carro buscar a minha ‘amiga’. Com ela nos braços, chamei o meu pai e o meu irmão para fazermos uns passes durante uns momentos. Depois de tanta insistência minha lá aceitaram, para meu deleite.

Após uma sequência de passes entre todos, houve um que foi mal direcionado e a bola foi em direção aos buracos do fundo do muro que dava para o mar. Como se predestinada a passar naquele local estreito onde só tinha espaço para a bola e mais uns míseros milímetros, a minha melhor amiga fugiu pelo buraco e caiu ao mar.
Desci as escadas que davam para a zona de cimento onde as ondas batiam e saltavam e fiquei a olhá-la a ir com a corrente. A bola branca ia progressivamente para mais longe, cada vez mais pequena, e a minha tristeza cada vez era maior. Foi duro vê-la ir embora lentamente, sem nada poder fazer. Relembro isso com incrível pormenor na minha mente. Foi algo que me marcou na infância.

No dia seguinte, os meus pais foram a uma loja e ofereceram-me uma outra bola de futebol. Fiquei muito contente, mas não era a minha bola que se perdeu no mar, a minha melhor amiga. No entanto não foi por isso que, aos poucos, não foi substituindo a outra. Lentamente, fiquei cada vez mais agarrado àquela bola especial. Até ao dia em que se perdeu com um pontapé para demasiado longe ou rompeu num prego do quintal do vizinho.

Ser-se de um clube português é mais ou menos isto. Ficamos sempre próximos daquela equipa que parece que toda a vida foi a nossa, depois saem os jogadores e sentimos uma pequena dor porque a equipa que ficou não é a mesma que nos deixou antes. Contudo, aos poucos e poucos, abraçamo-la da mesma maneira que abraçámos a anterior, à medida que ganhamos a sua confiança.

Zivkovic substituiu João Carvalho no onze titular frente ao Rio Ave  Fonte: SL Benfica
Zivkovic substituiu João Carvalho no onze titular frente ao Rio Ave
Fonte: SL Benfica

Neste momento, quando se ganhava confiança no Benfica no meio de uma tempestade de ondas gigantes, a bola fugiu para o mar ao levar-nos Krovinovic para longe durante o resto da época, aquele que ajudou o Benfica em 4-3-3 a crescer e a ganhar. Sem ele a equipa não parece a mesma. Mas colocar Zivkovic no seu lugar, no jogo frente ao Rio Ave, foi como comprar uma nova bola. Aos poucos crescerá e ganhará a nossa confiança, já começando a mostrar que pode fazer o mesmo propósito da outra.

Zivkovic parecia estar a perceber exatamente o que faltava na equipa, algo que João Carvalho ainda(!) não consegue acrescentar. Foram de bradar aos céus aqueles passes para as costas da defesa, a condizer perfeitamente com a desmarcação do outro colega vestido de vermelho. A dar seguimento a exibições como as da segunda parte, onde tudo e todos se pareciam estar a entender, não haverá razão para tirar Zivkovic do lugar do lesionado Krovinovic.

Não será a mesma coisa (o que não implica que seja pior ou melhor), mas certamente arranjaremos espaço para amar este ou outro novo onze que nos conquiste.

Isto, até ao fim da época, quando alguns dos nossos amigos saírem do clube. Aí, lá estaremos nós tristes, mas prontos para abraçar uma nova bola de futebol. Porque no fundo é só isso que interessa: ver o nosso Benfica a brilhar com a bola nos pés.

Rumo ao Penta, com qualquer bola que seja!

Foto de Capa: SL Benfica

Artigo revisto por: Vanda Madeira Pinto

Tiros nos Pés – História de um fim-de-semana que não devia ter acontecido

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sporting cp cabeçalho 2

Acabou o fim-de-semana. AINDA BEM!

Nunca o ditado “cada tiro cada melro” fez tanto sentido. A equipa de Atletismo (masculina e feminina) e os adeptos sportinguistas não mereciam um fim-de-semana assim.

A Assembleia Geral foi um tiro no pé. Antes de mais, confesso-me sócio votante no actual presidente do Sporting Clube de Portugal, Bruno de Carvalho. E começo por agradecer todo o trabalho que tem feito na defesa dos interesses do clube verde e branco. Hoje, estamos mais perto da grandeza que o clube merece. Mas ser presidente eleito pela maioria dos sportinguistas não lhe dá um poder absoluto. Pode e deve defender os seus ideais com o respeito que os restantes lhe merecem e que o clube lhe merece. Quando não votam naquilo que pretende, ameaçar que se demite não foi bom para a nação leonina. E essa instabilidade levou os leões a caírem no ridículo perante os adversários e a sedenta comunicação social. Um clube grande tem de saber demonstrar a sua grandeza na democracia.

Os adeptos leoninos que filmaram a AG e colocaram a correr na Comunicação Social foram um tiro no pé. Qual o verdadeiro interesse em espalhar ainda mais instabilidade?

A polémica instalada entre os “Supporting” e o Presidente do Sporting foi um tiro no pé. A retaliação a um comentário não deveria ter tomado as proporções que tomou …

A exibição do Sporting e o resultado na Amoreira foram um tiro no pé. Uma equipa que quer ser campeã nacional não pode jogar tão pouquinho e querer tão pouquinho. O campeonato decide-se nos jogos “pequenos” e esta derrota com o atual décimo sexto classificado e o empate com o atual décimo sétimo classificado são resultados que não se podem repetir.

Corta Mato Sporting
Fonte: Sporting Clube de Portugal
No meio de um fim-de-semana de pesadelo para o clube leonino, quer a equipas de atletismo masculina, quer a feminina deram razão aos adeptos verde-e-brancos para gritarem bem alto: SPORTINGGGGGGGGGGG Fonte: Sporting Clube de Portugal
No meio de um fim-de-semana de pesadelo para o clube leonino, quer a equipas de atletismo masculina quer a feminina deram razão aos adeptos verde e brancos para gritarem bem alto: SPORTINGGGGGGGGGGG!
Fonte: Sporting Clube de Portugal

Algumas “titularidades” e expetativas foram um tiro no pé. Ter de fora Gelson, Bas Dost e Podence é meio caminho andado para o ataque vacilar tremendamente. Os substitutos ainda não estão à altura. Esperar que Ruben Ribeiro jogue num extremo do terreno é um erro. É um jogador que ainda não está totalmente entrosado com o plantel leonino e que gosta de liberdade e ,por tendência, descai para o centro do terreno… Montero pode vir a ser o parceiro perfeito para “acasalar” com Bas Dost, mas ainda tem um “longo” caminho a percorrer ao nível físico e também de entrosamento com a equipa. Tê-lo em campo (e algumas vezes a titular) foi um tiro no pé.

O desânimo dos adeptos leoninos foi um tiro no pé. Tal como nada estava ganho se ganhássemos o jogo, também a derrota não nos faz perder tudo. Continuamos na luta, com o campeonato ao rubro. Que este desaire sirva de lição e que una a equipa, a estrutura e os adeptos ainda mais. Que a “união que é feita de aço” não se destrua por um fim-de-semana. Afinal, o amor não morre num dia. E este nosso amor é “tão grande (ou maior) quanto os grandes (amores) da Europa”. E o nosso Atletismo engrandeceu esse amor. Obrigado!

Foto de Capa: www.bancada-central.com

Artigo revisto por: Ana Rita Cristóvão

Atlético Clube de Croca: Em busca da 1.ª vitória (Parte 1)

Cabeçalho Futebol Nacional

17 jogos! 17 derrotas! 10 golos marcados! 55 golos sofridos!

O passado que deixou de chutar!

Percorremos Portugal de lés-a-lés. Encontrámos neste imenso e apaixonante país à beira-mar plantado quatro realidades distintas e ao mesmo tempo semelhantes.

A primeira paragem foi feita em Croca onde habita o clube da terra: Atlético Clube de Croca é o seu nome.

Clube do concelho de Penafiel, fundado a 14 de Junho de 1981, militou até 2009 na 2ªdivisão da Associação de Futebol do Porto. Nesse ano, decorria a época 2008/2009, quando aconteceu o impensável: “ O Clube esteve na última jornada a 10 minutos de subir de divisão, e por motivos absolutamente estranhos, associados à arbitragem, empatou o jogo que a dez minutos do fim se encontrava a ganhar por três a zero”, recorda Alfredo Magalhães, actual Presidente do AR Croca. A frustração que a direcção na altura sentiu, levou a mesma a demitir-se, deixando o clube “um pouco à deriva”, estando até 2017 somente entregue às camadas jovens.

2017 – O ano zero!

Alfredo Magalhães, natural e residente de Croca, depois de ter também ele vestido a camisola do clube nas longínquas épocas de 89, 90 e 91, encontrando-se ligado ao clube na formação e a recuperar os jogadores desde 2012, foi “identificando várias lacunas em termos de organização, o que fez com que a própria formação estivesse em risco de desaparecer, facto que se veio a verificar na ápoca 2016/2017, em que praticamente não apareceram jovens para se inscrever” refere o próprio.

Assim, em Agosto de 2017, “abertas eleições para os corpos gerentes do Clube, não aparecendo interessados, eu e mais alguns antigos diretores achámos que o clube não devia fechar portas, porque é importante para a integração dos jovens locais e freguesias limítrofes e formámos direção” concluiu o actual Presidente.

Alfredo Magalhães assumiu a Presidência do AC Croca em Agosto de 2017 Fonte: AC Croca
Alfredo Magalhães assumiu a Presidência do AC Croca em Agosto de 2017
Fonte: AC Croca

Entendendo que a formação esta época não tinha pernas para andar, pois a atual direção só havia tomado posse em Agosto de 2017, e já se tinha apercebido que os jovens tinham ido para outros clubes com melhores condições, foram imediatamente lançadas as bases para repor o futebol sénior. Assim, “foi contratado um treinador habilitado com TPTD – Título Profissional de Treinador de Desporto, publicitámos no facebook e publicámos flyers e e rapidamente tínhamos 40 jovens a treinar para formarmos a equipa” explica o actual líder do clube nortenho.

Num clube pronto a fechar portas, com instalações muito degradadas, e sem dinheiro para inscrever jogadores – custaria 6.000 euros a inscrição dos mesmos, o projecto era simples: “passava apenas por beneficiar instalações, tratar da parte burocrática, e cativar pessoas para ajudar nas tarefas do clube, sendo certo que também conseguimos sensibilizar autarquias locais e empresários para a necessidade dos seus apoios para em conjunto conseguirmos o nosso objectivo social”, declara o actual Presidente.

Homem dos sete ofícios dentro do clube e que não conhece a palavra desistir, Alfredo Magalhães, 58 anos, é igualmente oficial da Polícia Marítima em Caminha, onde exerce o cargo de 2.º Comandante. Tem vários cursos de treinador de desporto, de massagista do CEFAD, alem de ser formador de nadadores salvadores, é especializado em educação física militar, como habilitação académica, tem um curso superior em Engenharia Informática, e neste momento está a concluir o curso de especialista em medicina tradicional chinesa.

Super Bowl LII: O Diário de um Super Bowl histórico

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Cabeçalho modalidades

Domingo, 4 de Fevereiro, cinco amigos juntam-se para ver o superbowl 52. No grupo, quatro são repetentes do ano passado, com dois fanáticos dos Patriots, um adepto dos Giants que gosta de picar os amigos, um que está a ver o seu primeiro superbowl e outro que, sendo adepto dos Patriots, tem um artigo para escrever no dia seguinte.

21:00 – Chegamos ao restaurante previsto, temos mantido a tradição nos últimos anos mas desta vez, os preços são demasiado altos e está tudo lotado. Tentamos ligar para outro sports bar mas sem sucesso. Pelos vistos este superbowl vai ter muitos olhos a vê-lo em Portugal. Finalmente alguém se lembra de outro local que pode ser interessante. Ligamos, “Desculpe vão passar futebol americano? O quê o superbowl?” – respondem do outro lado, toda a gente está pronta para o superbowl – “sim, isso mesmo. Estão abertos até que horas? Até o jogo acabar” – Fantástico! Seguimos caminho, morre uma tradição, nasce uma tradição nova.

21:30 – Não há nachos, não há guacamole. Há bifanas e há rissóis. Há cinco pessoas satisfeitas com a decisão.

22:30 – Começam a chegar mais pessoas, por momentos pensámos que só nós íamos ver o superbowl, enganámo-nos redondamente. Começam as apostas quem vai ganhar, qual o resultado final, qual a estratégia a utilizar.

23:00 – Começa a transmissão do jogo, Pink canta o hino americano. Por algum motivo neste cenário o hino americano parece sempre mais épico. Já está tudo entusiasmado para começar o jogo.

23:25 – Moeda ao ar ganham os Patriots, escolhem caras (escolhe-se sempre caras) e decidem chutar para o adversário. A ideia é receberem a bola no início da segunda parte.

23:30 – Kickoff!!

Michy Batshuayi: Da sombra para a ribalta, é nova promessa do futebol mundial

Cabeçalho Liga Alemã

O internacional belga está nas bocas do mundo desportivo neste momento, após uma estreia palpitante no Borussia de Dortmund, mas quem é este jovem jogador?

Batshuayi é um jogador de 24 anos que foi do Standard de Liège para o Marselha e do Marselha para o Chelsea em 2016. No entanto, apesar do potencial até à altura demonstrado, não era opção titular acabando sempre por ficar na sombra de Diego Costa na primeira temporada e nesta época, na sombra de Álvaro Morata. Michy percebeu assim que tinha que “mudar de ares” e para se conseguir destacar, tinha que jogar mais minutos para mostrar o seu valor. Viu o Borussia de Dortmund como a rampa de lançamento perfeita parece que como um puzzle que estava sem uma peça e o jovem jogador belga era essa mesma peça que faltava.

O Dortmund está em disputa com tantos outros clubes da Bundesliga neste momento para conseguir garantir um lugar na Champions League, viu sair para o Arsenal no mercado de Inverno, Pierre Emerick Aubameyang, o craque francês foi transferido por 70 milhões de euros e deixou assim um preenchimento no fundo monetário do clube, mas um vazio enorme no plantel, sendo que era a figura mais sonante e que mais contribuíra para o sucesso desportivo do clube. Com esta vaga, Peter Stoger não hesitou e mal Batshuayi chegou à Alemanha, dias depois já estava a fazer o primeiro jogo pelo clube e logo como titular.

O jogador não só fez uma grande exibição marcando dois golos e uma assistência (contribuição que se mostrou decisiva para a vitória do clube no último jogo frente ao Colónia por 3-2) como se demonstrou bastante motivado e entrosado com o emblema Alemão, parecendo que já jogava no clube há muito tempo. O jogador ambiciona agora conseguir levar o Dortmund a bons resultados e alcançar o segundo lugar da Bundesliga.

Pierre Aubameyang deixou um espaço em aberto para Batshuyi na titularidade do Borussia de Dortmund Fonte: BVB Dortmund
Pierre Aubameyang deixou um espaço em aberto para Batshuyi na titularidade do Borussia de Dortmund
Fonte: BVB Dortmund

Este negócio triangular em que juntou Chelsea, Arsenal e Dortmund provou ser à partida um grande negócio, pelo menos para alguns, vejamos. Pierre Aubameyang tem tudo aquilo que o Arsenal estava a precisar para a sua frente de ataque, sangue fresco e veia goleadora. Lacazette e Giroud nem sempre transmitem consistência nesse setor. Posto isto com Aubameyang existe uma frente de ataque que em conjunto com o meio campo do Arsenal, deixa o clube com uma das ofensivas mais ameaçadoras da Europa.

O Borussia de Dortmund conseguiu um encaixe financeiro brutal, trouxe também um ponta de lança que tem bastante potencial e que parece ser o espelho do tipo de futebol que a Dortmund quer praticar. Por fim, temos o Chelsea, na minha visão, o principal lesado deste negócio, ficando com Giroud um ponta de lança muito bom, que já não estava muito bem no Arsenal, com uma capacidade fenomenal mas, quando o Chelsea apresenta um ponta de lança com características idênticas às de Giroud ( Álvaro Morata) as soluções para o ataque ficam assim muito limitadas na mesma, uma vez que Giroud, à partida não trará nada de novo ao futebol do Chelsea e é mais um salário chorudo para os cofres da equipa de António Conte, que no meu ponto de vista, não ficou nada a ganhar com este negócio, mas que só o tempo o dirá.

Foto de Capa: BVB Dortmund

FC Porto: A (excessiva) dependência criativa de Brahimi

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fc porto cabeçalho

Quando as equipas estão “em alta” a crítica negativa é sempre mais difícil. Porém, nem tudo é perfeito no atual FC Porto e, ofensivamente, a maior desaprovação que pode ser feita ao trabalho desenvolvido por Sérgio Conceição passa pela excessiva dependência criativa que a equipa tem de Brahimi.

No início da época, quando Óliver Torres e Jesús Corona eram presenças assíduas no onze inicial, os desequilíbrios conseguidos pelos azuis e brancos tinham origens diversas: ora Óliver fazia um passe vertical a quebrar linhas, ora Corona decidia no “um para um”, ora Brahimi, em condução, ligava as zonas mais recuadas e mais adiantadas do jogo do FC Porto. Com a “ida a jogo” de futebolistas menos criativos e mais “musculados”, casos de Héctor Herrera e Sérgio Oliveira, os dragões ganharam uma maior solidez defensiva no meio-campo mas perderam significativamente a criatividade no momento ofensivo.

Há nas opções de Sérgio Conceição, claramente, o “trauma” da derrota frente ao Besiktas JK em pleno Estádio do Dragão (quase a fazer lembrar o “trauma” de José Mourinho quando o Real Madrid CF foi goleado por 5-0, em 2010, frente ao FC Barcelona). Porém, num contexto como o da Liga Portuguesa, adversários tão perigosos quanto os turcos não abundam! E é precisamente nesse contexto, frente a adversários que levam os azuis e brancos a ter que resolver situações em espaços curtos, que as dificuldades surgem e as fragilidades são mais evidentes.

Sem Óliver e Corona na equipa o FC Porto depende em muito da criatividade de Brahimi Fonte: FC Porto
Sem Óliver e Corona na equipa o FC Porto depende em muito da criatividade de Brahimi
Fonte: FC Porto

Sem Óliver Torres e Jesús Corona na equipa e pese embora seja certo que, por exemplo, o mexicano peca pela inconstância, as dificuldades são mais do que muitas (como se viu, por exemplo, no Estoril). Brahimi, quer baixando em construção quer em zonas de criação, é o único futebolista dos azuis e brancos que, pelas suas caraterísticas, consegue desequilibrar as defesas adversárias. Quando este se encontra mais marcado, em dias de menor inspiração ou, simplesmente, ausente da equipa, a tendência passa por uma excessiva procura do jogo aéreo dos avançados (analisem-se [quase todos] os jogos nos quais o FC Porto perdeu pontos).

Em contextos como o da Liga Portuguesa, nos quais o adversário raramente tem qualidade para conseguir “ferir” os dragões, não se compreende a opção por tanto músculo no meio-campo quando aquilo que a equipa necessita é de criatividade para ultrapassar os “autocarros” montados pelos opositores. Assim, nesse tipo de jogos (que são a maioria na Liga Portuguesa!), e pese embora o trabalho de posicionamentos desenvolvido por Sérgio Conceição seja de grande qualidade, é essencial que haja uma maior aposta em futebolistas que permitam a criação de desequilíbrios no momento ofensivo. Caso contrário, e contra aquele que é o desejo de todos os portistas, mais dissabores poderão surgir no futuro em jogos com (aparente) baixo grau de dificuldade.

Foto de Capa: Facebook de Yacine Brahimi

artigo revisto por: Ana Ferreira

Um clube de futebol ou uma máquina de fazer dinheiro?

Cabeçalho Futebol Nacional

Recentemente, o Clube Desportivo das Aves voltaria a ser um dos protagonistas deste campeonato, e não seria pelos melhores motivos. Já não é a primeira vez nesta temporada que falo do emblema da Vila das Aves, e na outra ocasião, uma das questões que coloquei era se Lito Vidigal teria maior margem de manobra que os seus antecessores. E a verdade é que o técnico angolano acabou por ter o mesmo destino que Ricardo Soares e Ivo vieira, mas por um motivo impensável e que me deixou completamente estupefacto.

Ao que tudo indica, a SAD do clube presidida por Luiz Andrade não gostou que Lito Vidigal tivesse elaborado a lista de dispensas do clube numa fase já avançada do mercado de Inverno, situação que levou à instauração de um processo disciplinar que acabaria por resultar do despedimento de um treinador com provas dadas no nosso campeonato.

Mas antes de tirar o balanço desta decisão, há que fazer um apanhado das decisões da SAD do clube no decorrer desta temporada: primeiro, despediram Ricardo Soares sem que este tivesse tempo de construir uma nova equipa, após os mais de 20 reforços que o clube teve nesta nova temporada.

José Mota levou o CD Aves à subida de divisão em 16/17 Fonte: cdaves.pt
José Mota levou o CD Aves à subida de divisão em 16/17
Fonte: cdaves.pt

Com a chegada de Lito Vidigal, as coisas melhoraram ligeiramente e a pouco e pouco, o clube ia ganhando terreno em relação aos lugares de despromoção, tendo inclusive arrancado um empate ao FC Porto, então líder do campeonato. No entanto, esta decisão da SAD avense leva-me a entender que a SAD se intromete nas decisões do treinador e que está mais interessada na rentabilização dos seus activos, sem olhar para as decisões de quem dirige a equipa.

Se a verdade que o CD Aves melhorou as suas infraestruturas e se tornou mais moderno e profissional, também não é menos verdade que esta já tomou uma série de decisões “estranhas” no decorrer desta temporada, como por exemplo, a extinção da equipa B.

Dadas as circunstâncias, há uma grande questão que se coloca: quais serão os reais interesses da SAD? Usar o clube para “fazer” dinheiro, ou levá-lo a patamares mais elevados? E se a SAD pretende mesmo levar o CD Aves a outros patamares, será que está disposta a sacrificar a identidade do clube para tal? E será que os interesses do clube fazem moça no balneário, ao ponto de levar a falta de empenho e de compromisso que muitos adeptos avenses acusam?

Relembrando casos recentes de outros clubes em Portugal como o CD Beira-Mar ou a União de Leiria, não estou muito optimista quanto ao futuro deste clube. Até porque, com todo o respeito, duvido muito que haja algum acompanhante do futebol português que considere que José Mota seja um treinador mais competente do que Lito Vidigal.

Foto de capa: desportubol.blogspot.pt

Aubameyang, o artilheiro de que o Arsenal FC precisava

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Cabeçalho Liga Inglesa

Pierre-Emerick Aubameyang finalmente parte da Alemanha. Inglaterra e Espanha vinham sendo dados, há já uns anitos, como destinos mais prováveis. Neste mercado de inverno, finalmente (penso que se este advérbio de modo se adequa), o gabonês junta-se à equipa do norte de londres, os gunners.

Alexis transfere-se para o United, e é imediatamente substituído por Mkhitaryan. Substituído não, mas usado como moeda de troca por parte dos red devils, lugar onde o arménio não tinha conseguido encontrar o seu espaço, como titular indiscutível.

Na equipa do Arsenal, é certo que Mkhitaryan não faz a posição do chileno, portanto o mercado não pôde fechar aí para a equipa de Wenger.

Então, um ato negocial à imagem do “Triângulo das Bermudas” foi efetuado, tendo como protagonistas Chelsea, Borussia Dortmund e Arsenal. Do primeiro, sai Batshuayi, de modo a entrar de imediato na posição antes ocupada pelo novo reforço do Arsenal, no Signal Iduna Park; Aubameyang, da mesma maneira, junta-se ao Arsenal; e Giroud para o Chelsea, este de modo diferente, já que não deverá saltar assim de rompante para o onze dos blues.

Mesmo já sem a concorrência de Auba, e com aspirações de disputar o mundial, Giroud procura ser a referência ofensiva  mais a sul, em Stamford Bridge Fonte: Chelsea FC
Mesmo já sem a concorrência de Auba, e com aspirações de disputar o mundial, Giroud procura ser a referência ofensiva mais a sul, em Stamford Bridge
Fonte: Chelsea FC

O internacional pelo Gabão, conhecido pela veia goleadora, certamente irá alinhar mais junto à área. Um jogador diferente de Alexis, já que este rompia muito na ala e os seus movimentos, fruto da sua técnica bastante rápida e apurada, serviam para ganhar terreno em zonas periféricas à zona de golo. Aubameyang poderia ser capaz de assumir este tipo de jogo, mas seria estúpido, na minha solene opinião. Juntamente com Lacazette, ambos seriam o alvo da construção ofensiva gunner, os finalizadores. Pelas características, Lacazette mais recuado, para vir buscar mais bola e arrastar centrais, Aubameyang que é muito forte a atacar as costas da defesa adversária, tem condições para ser o jogador mais “estático” entre os dois.

O Arsenal, desta forma, suplanta em grande estilo a saída de um dos jogadores mais influentes que tinha. Apesar de não ser, de todo, uma troca direta em termos de funções a desempenhar, penso que a equipa norte londrina fica com uma dupla ofensiva bem temível, caso os dois se entendam bem em campo. O jogo ultra ofensivo do Arsenal, logicamente, promove, em primeira instância, o papel de jogadores como Aubameyang, que pisará pela primeira vez Terras de Sua Majestade na carreira, aos 28 anos de idade, após passagens por Itália (enquanto júnior), França e Alemanha.

Foto de capa: Arsenal FC

Portugal 5-3 Ucrânia: Venha a fase a eliminar!

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Cabeçalho modalidadesHoje jogava-se apenas para definir a liderança do grupo C, visto que ambos tinham ganho o seu compromisso contra a equipa da Roménia. Por falar nesse adversário, o jogo perante a Ucrânia foi parecido, isto é, entrámos muito bem na partida, a pressionar muito alto e autenticamente a sufocar a equipa ucraniana. Tal metade valeu uma vantagem de 2-0 ao intervalo, com golos de Tiago Brito e Bruno Coelho, e o primeiro lugar estava muito bem encaminhado, findos os primeiros 20 minutos. Mas, à semelhança do que sucedeu na nossa estreia na competição, deixamos o rival entrar no jogo e acreditar que podem discutir o resultado final. A 12 minutos do fim do encontro a equipa do leste europeu voltou ao jogo com um golo de Razuvanov, colocando de novo a diferença na margem mínima. Esta parte que se segue é que foi diferente do jogo anterior, pois pouco depois a Ucrânia logrou empatar o jogo, por intermédio de Karolyshyn. Os pupilos de Jorge Braz poderiam ter acusado este duro golpe mas não foi isso que sucedeu.

Pedro Cary marcou um golo decisivo para conseguirmos ganhar à Ucrânia. Não só foi uma bela execução técnica, como foi pela rápida reação ao 2-2 Fonte: UEFA
Cary marcou um golo decisivo. Não só foi uma bela execução técnica, como foi pela rápida reação ao 2-2 ucraniano
Fonte: UEFA

Pouco mais de um minuto passou até novo tento de Portugal, num tiro de pé esquerdo do algarvio Pedro Cary, num golo que marcou a viragem completa dos acontecimentos. Depois deste tento de belo efeito, seguiram-se mais dois para a nossa seleção, um do estreante Nilson Miguel (para além de estar a cumprir a sua estreia em grandes competições, também não tinha qualquer golo marcado ao serviço da equipa das quinas) e outro do capitão Ricardinho. O jogo já estava decidido mas o timoneiro da seleção ucraniana usou o guarda-redes avançado, para treinar automatismos com vista à fase a eliminar. Nesta nova disposição, o jogador Shoturma ainda reduziu o marcador, a 16 segundos do fim, mas este último golo em nada influenciou as contas finais do nosso grupo. Passámos na liderança e marcámos encontro com o Azerbaijão, que perdeu frente à Espanha por 1-0.